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BODE NA SALA: Damásio Dias e Equipe CORREIO

1/05/2019 19:58

A quarta fase da operação Calvário, que investiga a atuação de organização criminosa no desvio de recursos da Saúde na Paraíba, põe no meio da investigação outro auxiliar importante da gestão Ricardo Coutinho, que continuava na recém-iniciada sob o comando de João Azevêdo – o ex-procurador-geral Gilberto Carneiro.

Curiosamente, na véspera da deflagração dessa fase da operação, foi exonerado do cargo junto a outros auxiliares, a exemplo do ex-secretário da Saúde e do Planejamento e Gestão, Waldson de Souza. Além deles, houve a mudança no comando da Secretaria de Saúde, com a transferência de Cláudia Veras para a Executiva de Articulação Municipal.

De acordo com a decisão do desembargador Ricardo Vital, relator da operação no Tribunal de Justiça da Paraíba, apontam para o envolvimento de Gilberto Carneiro na organização criminosa, que seria comandada pelo empresário Daniel Gomes (da Cruz Vermelha do Brasil).

Segundo o relato do Ministério Público Estadual (MPPB), existem elementos que mostram que Maria Laura, ex-assessora de Gilberto, nunca exerceu efetivamente o cargo e sua nomeação servia apenas como acomodação administrativa. “Mesmo após a deflagração da Operação Calvário no Rio de Janeiro, a investigada se manteve no cargo”, relata.

A investigação aponta, ainda, que Gilberto Carneiro esteve no Rio de Janeiro em novembro de 2014, onde se encontrou com Michele Louzada (membro da Cruz Vermelha Brasileira) e com o motorista dela, Cristiano Camerino.

Ambos são apontados como as pessoas que levaram a quantia de R$ 840 mil para Leandro Nunes (ex-assessor da Secretaria de Administração, que virou delator na investigação) em uma caixa de vinho no Rio de Janeiro.

Um áudio vazado, onde Carneiro e Waldson de Souza estariam tratando de “estratagemas para alcançar vantagens de ordens diversas, tendo como pano de fundo a saúde pública do Estado”, também foi fundamental para resultar na deflagração da 4ª fase da operação, conforme afirma o desembargador.

As medidas adotadas pelo governador João Azevêdo, com o afastamento de três importantes integrantes que sua gestão herdou da anterior, demonstra que a paciência chegou ao limite. Ver acusações tão graves batendo à porta de seu govenro não será mais tolerada. O lema proclamado pelo ex-governador e líder máximo dos girassóis: “Ninguém solta a mão de ninguém”, parece ter mudado.

Como já disse na véspera, sobre impasse na Assembleia Legislativa, João não vai abrir brecha para dissidências internas que comprometam o seu governo. Começou a mudar peças e a afastar laranjas com aspecto de “contaminação”. Se foi eleito com dinheiro do esquema, não vai passar recibo de participação no erro de seus apoiadores. Demonstra que não vai assumir nem encobrir mal-feito de ninguém. É esperar para ver o resultado desse ‘bem-me-quer…” (por Damásio Dias e Nice Almeida)

TORPEDO

“É notório o desmonte do governo. E não tratar disso é muito ruim para a Paraíba. (…) É muito ruim a Paraíba estar no cenário nacional como a maior organização criminosa na política e na administração da sua história.”

Do deputado Raniery Paulino, líder da oposição na Assembleia Legislativa, sobre mais uma fase da operação Calvário, tendo como alvo o ex-procurador-geral do Estado.

Interinos

Após a saída de Waldson de Souza do Planejamento, o secretário executivo Fábio Maia assume a Pasta. Para o lugar de Gilberto Carneiro, na Procuradoria-Geral do Estado, chega o advogado Fábio Andrade.

Explicação

Waldson Souza, através de nota, informou que o “seu afastamento das funções é medida sensata para a garantia da Governabilidade da Paraíba, para a salvaguarda da Ordem Pública e para contribuição com os trabalhos do MP no curso das investigações”, e que provará sua probidade.

Propina 1

Após ser acusado pelo ex-prefeito de Cabedelo Leto Viana de ter recebido R$ 20 mil para aderir à sua base e um mensalinho de R$ 3 mil, o atual prefeito interino Vitor Hugo divulgou vídeo chamando a denúncia de “criminosa”.

Propina 2

Esperando a diplomação como prefeito eleito para mandato-tampão, Vitor Hugo afirmou que vai acionar judicialmente o acusador, que está preso desde 3 de abril de 2018. Vitor disse que Leto age por retaliação.

ZIGUE-ZAGUE

< O vereador Lucas de Brito (PV) criticou, ontem, o anúncio feito pela PBGás de reduzir em apenas 1% o preço do Gás Natural Veicular (GNV). Na avaliação do parlamentar, poderia ser bem maior.

> O mutirão do Nupemec do TJ da Paraíba conseguiu acordos para saldar dívidas com a Cagepa no total de R$ 730 mil em acordos, superando a média histórica e chega a 50% em conciliações.

www.reporteriedoferreira.com.br  / Damásio Dias e Equipe CORREIO