BESSA GRILL
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ARMAS QUE MATAM INOCENTES

18/12/2012 05:51

 

Mais uma vez, o povo norte-americano entra em pânico com um novo massacre numa escola pública e deixa estarrecidos os demais viventes deste mundo louco. Foi na pequena cidade de Newtown, no Estado de Connecticut, apenas 130 km de Nova York, onde um monstro impiedoso matou vinte e oito pessoas, sendo vinte crianças que se encontravam em sala de aula.

O porquê é inexistente e desprezível, quando se trata de um doido violento que se valeu do direito assegurado nos EUA, mantido pelo atual governo de Barack Obama, privilegiando a poderosa indústria de armamentos. Na terra de Tio Sam os balcões de vendas de armas são livres na distribuição em todo território yankee, sem qualquer formalidade que não fosse o simples pagamento, do que couber nas mãos criminosas.

Noticiários de todo o mundo mostram a consternação e revolta da população universal, quando o assassino, ceifou a vida do diretor, o psicólogo do colégio e, finalmente a sua própria mãe. Vai ver que nasceu de uma chocadeira…

A maior chacina acontecida nos Estados Unidos da América do Norte aconteceu, em abril de 2007, nas dependências da Universidade Virginia Tech com trinta e duas pessoas assassinadas e outras tantas com ferimentos. Na sequência, houve a mortandade do Shopping Center do Oregon, com o assassino metralhando duas pessoas para depois se suicidar. Outro acontecimento funesto americano ocorreu no Colorado, em plena sessão da meia-noite, com uma plateia cheia do filme de Batman, o mostro James Holmes, armado com uma R-15, uma escopeta Remington e duas pistolas Glock, acertou e matou doze pessoas e deixou cinquenta e oito feridos.

Em discurso na Casa Branca, o presidente Obama classificou o crime desta semana como abominável e, se mostrando desolado, espremeu para deixar uma lágrima seca escorrer cara abaixo. “A maioria dos que morreram hoje eram crianças, lindas criancinhas com idades entre cinco e dez anos”, disse o chefe da maior potência bélica mundial.

O que deve ter ficado pesado na consciência do presidente Barack Obama foi a promessa não cumprida de campanha eleitoral para restringir o comércio livre e irresponsável de armas e munições. É só escolher as armas nos balcões e estantes das lojas, tirar o dinheiro no bolso ou, simples cartão de crédito, para ceifar pessoas inocentes!

A constituição norte-americana assegurou, em segunda emenda constitucional, o direito de venda e posse de armas e munições a qualquer cidadão norte-americano, sob os simples efeitos da tradição daquele povo. Estados como Ohio, Pensilvânia e Virgínia não abrem mão do direito de comprar, portar, usar de arma letal e matar.

Embora tarde demais, o presidente Obama poderá até amenizar a repercussão mundial, contudo, não será fácil dobrar as pressões da política interna e da poderosa indústria de armas e munições que apoiam, financeiramente, candidatos a Presidente, Senadores e Governadores dos EUA.

Infelizmente, outras chacinas acontecerão e o sangue derramado ainda não foi suficiente para a democracia, de fachada, norte-americana, que continuará escorrendo lágrimas de crocodilo, sabendo que a poderosa National Rifle Association lidera o lobby em prol do livre comércio interno de armas, e sempre mirando, com dedo no gatilho, como fizeram com o saudoso imortal John Kennedy.

(*) Advogado e desembargador aposentado