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ADVERSÁRIO DE SI MESMO: Por Rui Leitao 

11/09/2019 22:41

ADVERSÁRIO DE SI MESMO: Por Rui Leitao

É impressionante a capacidade do atual presidente da república em ser adversário dele mesmo. E conta para isso com forte contribuição dos três filhos parlamentares. A oposição nem precisa se dar ao trabalho de explorar a sua flagrante incompetência para exercer a elevada responsabilidade de governar a nação. Ele próprio se encarrega disso. O resultado é que em oito meses de gestão a aprovação do seu governo sofreu queda vertiginosa perante a opinião pública.

O desgaste prematuro que vem enfrentando é resultado de suas próprias atitudes e a demonstração cotidiana do seu despreparo para o cargo para o qual foi eleito. Ele ainda não entendeu que a eleição terminou, do qual saiu vencedor, e continua vociferando discursos radicais de quem ainda se encontra num palanque político. A retórica continua sendo de incitação ao ódio, do estímulo à violência, das manifestações preconceituosas, do desrespeito aos princípios básicos de civilidade.

Não dedica atenção aos graves problemas que nos afligem e fica “brincando” de ser presidente. Toma o seu posicionamento ideológico de extrema direita para determinar o debate político que interessa aos seus seguidores incondicionais. Ofende a todo instante a liturgia do cargo. Não consegue formular com conhecimento de causa o caminho que o Brasil precisa encontrar para sairmos da crise que vivenciamos. Perde tempo com grosserias domésticas e diplomáticas. Arrisca o país ao isolamento, porque decidiu optar pela subserviência aos Estados Unidos.
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Inculto, ofende a História. Presta homenagens a torturadores. Revela-se um apologista da ditadura militar. Nega as conquistas democráticas. Age, como se tivesse poder absoluto, na aplicação da máxima de que “eu quero, eu posso, eu mando”. Não tem qualquer consideração pelas questões ambientais. Fala em soberania nacional, mas presta continência à bandeira norte americana. Ignora os direitos históricos dos indígenas e dos quilombolas. Não se constrange em quebrar, a todo o momento, o decoro do cargo que exerce. Ri das próprias ofensas e provocações que diariamente desfere contra aqueles que elege como inimigos.

Até parece que ele está determinado a testar as instituições até o limite. Se não houver um basta, estaremos correndo sério risco de caminharmos para uma situação de irreversível caos. O marketing de confronto que adotou, divide a nação, quando o que precisamos é de harmonia, paz, entendimento, congraçamento. É um governo confuso, cheio de decisões atabalhoadas e desencontradas, usando oficialmente de uma comunicação agressiva que só anima a beligerância. Está fincado em areia movediça, por conta do seu próprio temperamento e da falta de competência para atuar como gestor dessa grande nação. Esse ambiente de tensão não é bom para ninguém.

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