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“A MORTE É INVISÍVEL”  Por Fabiana Agra 

14/12/2018 00:50

“A MORTE É INVISÍVEL”  Por Fabiana Agra 

Quando alguém de nossa intimidade, da família mesmo, sofre a dor e a agonia que antecedem a morte, a gente olha pela janela, percebe o mundo funcionando, nota que a vida lá fora continua, dentro da mais absoluta normalidade, e que, exceto você e mais algumas poucas pessoas, o resto da humanidade age como se nada estivesse acontecendo de anormal.

Na perturbação vivida por quem está perdendo alguém, esta naturalidade do universo machuca, dói como injustiça, parece absurda, inaceitável, inconcebível. Não há lógica que atenue esta aflição pessoal.

O evento mais marcante da sua vida e, sobretudo, da vida de quem parte antes da hora – como se houvesse hora… – está por acontecer, mas ninguém nota. A rigor, ninguém está nem aí, na porra do universo inteiro.

É mais ou menos como se um país com mais de 200 milhões de habitantes, que já foi a quinta economia mundial, que já retirou da miséria e fez ascender à classe média 48 milhões de pessoas, não percebesse que foi atingido por uma doença muito grave, de consequências imprevisíveis, com ameaça de dores lancinantes e chances escassas de cura ou sobrevivência.

Um país que quase teve saúde atingido por um câncer terminal.

Como é possível que só eu e alguns poucos estejamos sentindo sinais tão claros da chegada da morte e de tantas espécies de morte?”

por Mario Marona