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A MASSA POPULAR NO MOVIMENTO DAS ONDAS: Por Rui Leitao 

17/10/2019 09:13

A MASSA POPULAR NO MOVIMENTO DAS ONDAS: Por Rui Leitao

Li em algum lugar, não me lembro quando, e desconheço o autor, o seguinte pensamento: “A massa não pensa, não raciocina, não tem compromisso. Ela apoia o vencedor do momento”. E é uma grande verdade. Ela se manifesta conforme o movimento das ondas. Muitas vezes uma onda nasce com muito ímpeto e quem a vê imagina que ela chegará poderosa na praia. Ocorre que as vezes no caminho pode aparecer uma pedra que fará diminuir sua força. O impacto da rocha que encontrou, por onde ela estava passando, faz com que chegue ao seu ponto final, as areias da praia, bem fraquinha, bastante diferente de quando começou.

As massas populares se comportam assim, como as ondas do mar. Elas nem se dão ao trabalho de compreenderem os argumentos lógicos. Também não têm a menor preocupação com o senso crítico. O que vale é seguir a “onda”, juntarem-se aos possíveis vencedores. Passa longe do espírito coletivo a vontade de procurar discernir a verdade do erro. Elas são conduzidas por quem se encarregou de produzir a “onda”. Os julgamentos nascidos das massas são sempre impostos, jamais discutidos. As opiniões particulares que divergem da “onda” são desconsideradas. Mas nem sempre essa onda é duradoura, porque, de repente, a perspectiva de vitória, pode ser desviada para um sentido contrário. Basta que aconteça um fato novo, uma pedra no caminho, para que a “onda” se desmanche.

É preciso diferenciar a massa, do povo. O povo define seu caminho com racionalidade, a massa é conduzida cegamente porque é manipulada. A vontade das massas muitas vezes não exprime os desejos do povo. As massas são passíveis de manobras, sentimentos, paixões, tornam-se irracionais. Presas fáceis das emoções e dos medos. O povo quando se confunde com as massas comete equívocos, as vezes irremediáveis. As ilusões têm um preço elevado.

Quem condenou Cristo à crucificação, foi o povo ou a massa? Claro que foi a massa, manobrada pela aristocracia do templo. Ali não ecoou a voz do povo, que permaneceu calado, com medo, e assombrado com uma aglomeração que se colocava aparentemente majoritária. Venceu a manifestação da “onda” insuflada. Poderia ter ocorrido um fato novo que mudasse o comportamento da massa, mas Deus não quis. Estava escrito que era o momento do Seu filho feito homem ir ao sacrifício para pagar os pecados da humanidade.

Daí o grande perigo de deixar que o sentimento das massas seja o condutor de grandes decisões que afetem uma sociedade. O caminho escolhido pode ser trágico. Nessas ocasiões só nos resta torcer para que surja uma rocha que faça desaparecer a “onda”. A trajetória das lutas tem vários momentos, cujos prováveis vencedores são observados conforme as mudanças das “ondas”. É sempre bom esperar para decidir individualmente na hora final, sem a falsa influência de uma onda negativa.

Rui Leitão