O homem sempre foi dependente de companhia para sua própria sobrevivência. Daí a formação de famílias para sustentar a estrutura gregária e a descendência desde os primórdios da humanidade.

A célula máter da sociedade muito embora sofrendo tremendas ameaças diante dos hábitos e costumes foram solidificados bravamente.

Dizem que a origem da nossa família veio com dois portugueses de sobrenome SOTTO MAYOR ainda no tempo de Brasil colônia.

Neste sábado passado, os SOUTO MAIOR descendentes de Ivo e Yaiá Souto Maior, em grande número, se reuniu numa manhã de sol para reencontro de várias décadas de dispersão.

Ao lado de minha irmã Cyâne, meus filhos Hiltinho e Raquel e, a prima Rossana vimos o novo projeto familiar para se repetir a cada ano.

Aos poucos, os Souto Maior foram chegando e tomando assento às mesas. Inicialmente com natural inibição em torno dos personagens e seus respectivos nomes, para logo em seguida predominar a alegria e o bom humor.

Um conjunto musical deu o ritmo, lauto churrasco começou a ser servido e a festa começou.

A surpresa ficou por conta da esquete teatral retratando passagens da vovó Yaiá com ciúme doentio de vovô Ivo.

Para o leitor entender, o casal Ivo e Yaiá teve dezesseis filhos, dos quais onze se criaram: Paulino, Orlando, Hilton, Inês, Osmar, Nautília, Ivo Filho, Myrta, Romildo e Osmarina. Também, né? Naquela época não tinha nem televisão nem internet…

Vovô Ivo nasceu na cidade de Sousa, alto sertão paraibano enquanto vovó Yaiá, com nome próprio de Antônia Fragoso Souto Maior era natural da cidade de Bom Jardim, estado de Pernambuco.

Ele moreno, esbelto, alto, simpático e ria sempre dos ciúmes da mulher… Yaiá era uma mulher muito bonita, vaidosa, embora baixinha e cuidava dos onze rebentos.

Certo dia de verão, na “Praia Formosa”, na cidade de Cabelo, a família foi toda para a beira mar.

Por volta das onze e meia da manhã, como sol já alto e quente, vovô Ivo gritou: “Ô Yaiá chame os meninos prá ir prá casa almoçar…”

Imediatamente vovó foi até a beira do mar e mandou todos saírem para o almoço.

Precavido, antes de voltarem para a casa de veraneio, vovô Ivo deu nova ordem: “Yaiá, avia com esse enxuga enxuga dos meninos e vê se todos estão aqui…!”

Vovó contou e faltava um. Recontou os filhos e dos onze só contara dez.

Impacientou-se e com as bochechas avermelhadas do sol e suor, juntou os filhos enfileirados e saiu com a mão contando. Novamente só tinha dez dos onze.

O velho Ivo perdeu a paciência e disse: “Peraí Yaiá, me deixaeu contar os meninos. Não é possível que algum tenha se afogado porque a maré ta seca…”

Com a tranqüilidade de sempre, vovô Ivo começou a contar “um, dois, três, quatro… dez.” E, fixando bem os olhos de Yaiá completou: “e onze, esse que ta aí no teu braço também é filho, Yaiá…!”

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