25º LIVRO: “O HOMEM DE BARRO”. O herói existe até que a verdade seja revelada. Livro pronto para publicação.

 

25º LIVRO: “O HOMEM DE BARRO”. O herói existe até que a verdade seja revelada. Livro pronto para publicação.

Por Gilvan de Brito

No contexto deste ensaio sobre a invasão holandesa procuramos mostrar que Vidal de Negreiros – herói da guerra contra os holandeses em Pernambuco, – não foi nem reivindicou a liderança de nenhum movimento nativista, como fizeram crer alguns historiadores paraibanos. A sua ação, reconheçamos brava e destemida, só teve um objetivo comum: livrar o Brasil, então representado pela região nordestina e, particularmente, a Paraíba, sua terra natal, da invasão holandesa em favor de Portugal. E para isso foi aquinhoado com a distinções de ordens honoríficas de Fidalgo da Casa Real Portuguesa, Comendador de São Pedro do Sul, Alcaide-Mor das Vilas Marialva e Moreira e com os cargos públicos de Mestre-de-Campo, Governador de Pernambuco, Maranhão e Angola (África), e léguas de terras próximas à Capital. que lhe possibilitaram fama, poder e abundante riqueza para viver sua aposentadoria refastelada em Goiana (PE), onde residia (relegando a Paraíba). André Vidal de Negreiros não foi mais que um serviçal de Portugal, a quem se tornou útil pelo valoroso desempenho do papel que exerceu ao lado de chefes portugueses ilustres, como Matias de Albuquerque e Duarte Coelho, na manutenção dos interesses a quem dava conta de sua serventia, os reis que lhe conferiam soldos, condecorações e rasgados elogios. Na lucidez que prevaleceu em toda a sua obra História da Paraíba, referindo-se a Vidal de Negreiros o historiador Horácio de Almeida foi, talvez, o único a discordar dos louvores extemporâneos, na Paraíba, que acompanharam suas glórias.

Cabe lembrar que André Vidal de Negreiros, nascido no Engenho São João (encravado onde hoje se situa o município de Santa Rita), filho de portugueses, foi um dos maiores escravocratas da região nordestina, deixando, ao falecer, grande contingente de embarcados africanos e seus descendentes. Também manifestava a opinião de que os índios (utilizados como bucha de canhão nas suas investidas) faziam parte da mais vil nação do mundo, o que nos faz meditar sobre a ausência da ética e de moral na construção da grande riqueza deixada – como não tinha parentes – sob administração de religiosos, que logo se esfumaçou. Como referência de suas ligações com a Paraíba basta lembrar que a sua sugestão, para desestimular e levar a retirada dos batavos, resumiu-se na queima de todos os engenhos existentes no rio Paraíba, que produziam o açúcar para exportação (considerado o melhor açúcar do mundo) inclusive dois do seu pai. Isso levou a antiga província a uma condição de terra arrasada, custando anos para a recuperação do estrago. Neste ensaio, em detalhes, a verdadeira face de André Vidal de Negreiros ao alcance de toldos os paraibanos para que conheçam os falsos líderes produzidos pela história dos vencedores. Nenhum lugar público da capital poderia ser mais apropriado para registrar o seu nome, como o “Ponto de Cem Réis”.

www.reporteriedoferreira.com.br    Por Gilvan de Brito, Jornalista, advogado e escritor.