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ZÉ CAVALCANTE: O FILÓSOFO DO POVO: Escrito por Rui Leitão

18/10/2015 13:07

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Havia entre os amigos de meu pai um que me chamava a atenção pelo seu jeito próprio de falar e de escrever. José Cavalcante, sertanejo de São José de Piranhas, foi político em Patos, mas após sua cassação pela ditadura militar, passou a residir na Capital dedicando-se à literatura.

Exímio contador de “causos”, retratava inteligentemente o pensamento popular, mais particularmente do chamado “matuto”, o indivíduo nascido e criado no interior. A sua experiência no mundo da política permitiu-lhe também publicar livros em que contava estórias engraçadas que vivenciou nos palanques, na tribuna da assembléia legislativa e no relacionamento com os eleitores.

Tinha um estilo próprio para descrever fatos da vida sertaneja, na linguagem popular, aproveitando-se da sua fantástica memória. Era autêntico, alegre, simples, uma figura que conquistava a todos com sua forma de se comunicar.

Publicou vinte e seis livros. Fiz companhia a meu pai no lançamento de um deles “Espalha Brasas”, em março de 1979. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba e da Academia Paraibana de Letras. Assinou colunas nos jornais “O Norte” e “Correio da Paraiba”, com o pseudônimo de “Zé Bala”.

Na sua produção literária, destacamos algumas frases interessantes, engraçadas, embora tratassem de temas sérios, expressando com inigualável senso de humor, conceitos populares da política e dos políticos. “A bajulação política é como labareda, destrói quem a abraça”. “A vaidade política é como água salgada; quanto mais se bebe, mais aumenta a sede”. “Político em campanha é como motorista de taxi, se oferece sem ser chamado”. “Um contraste de quase todo político: amar a traição e odiar o traidor”. “O político é um sujeito que pensa uma coisa, diz outra e faz o contrário”. “A política é como mulher bonita: desejada duas vezes, uma pelo que mostra e outra pelo que esconde”.

• Integra série de textos “INVENTÁRIO DO TEMPO II”.