Os dias imprensados entre o Natal e o Ano Novo fez o comércio de todo tipo, e de todo canto se agitar em gastar tudo e mais alguma coisa, que receberam do décimo terceiro salário e gratificações, numa natural troca de presentes, entre familiares e amigos mais chegados. Eis que, o bondoso Papai Noel não tem mais condições mínimas de presentear a todos. A mudança no calendário anual é sempre repetitiva e com animadas festas, roupas novas, bebedeiras, fogos de artifícios e promessas futuras que nunca acontecem.

Hoje eu me sentei na tradicional e rústica cadeira de palhinhas da laje, abri os olhos tentando alcançar até o infinito, todavia sem poder enxergar absolutamente nada, além do limite da minha boa visão. Achei interessantíssimo ver o mar envolto num verde forte, ao longe se misturando com o azul lindo sem ondas que pudessem atrapalhar a unidade da natureza. Enquanto a imensidão do oceano Atlântico impera para os brasileiros, fico pensando o que acontece do outro lado do mundo na divisão entre com o mar e o céu, com poucas nuvens passageiras borravam o azul celestial para ultrapassar e conduzir o precioso líquido sem destino próprio. Falar em águas preciosas, não posso omitir as do Velho Chico que foram desviadas para acudir os sertanejos famintos e sedentos, entretanto, nem chegaram ao sofrido Nordeste para derramar lágrimas que lhes impõem continuar na miséria magoada e repetida.

De outra banda, o petróleo foi nosso por muito tempo, sim! A história registrou que o líquido preto internacional continua a jorrar fácil nos Emirados Árabes, tanto quanto no litoral brasileiro, com a diferença de que os lucros incontáveis vão para os cofres do Xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, enquanto no Brasil, a imprensa diz abertamente que o ex-presidente e a atual presidenta, não sabiam nem querem saber, onde estavam e para onde irão!  De fato, a potente PETROBRAS deixou suas tetas disponíveis, para desviar o que já fora do povo, se deixando transformar, nos tempos atuais, em verdadeiro Cassino virtual com cartas marcadas nas mesas vermelhas da política.

Nunca vi tão próprio o que chamamos de virada do ano, quando tudo que toca nos cofres públicos brasileiros, se vira com um simples toque de mágica na internet, em torno da safadeza legal dos desvios de gordas verbas públicas, sempre ao deus dará. A derrama estatal se mantém animada com a esmola substancial de preguiçosas bolsas travestidas de todos os rótulos conhecidos, sejam de família, de escola, do cidadão, de alimentação, e até dos presidiários, estes, que ganham mais do que o salário mínimo. Pela máxima antiga, melhor seria pagar para o analfabeto estudar, do que ganhar sem trabalhar!  Têm sido unânimes e sucessivos os escândalos públicos, com vários caminhões de papeis, CDs, filmes e outras que a imprensa estampa com determinação da população, coisas que pedem bis.

Estamos num país onde a enciclopédica foi virada já vem de muito tempo, enveredando desde o Oiapoque ao Chuí, sem que ninguém desperte para o colapso estatal, pela total perda da responsabilidade nata, revirando inadiável retomada das exigências constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. E mais nada.

 

(*) Advogado e desembargador aposentado