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Violência sem limite: Marcos Souto Maior

13/12/2013 00:56

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Marcos Souto Maior

Este ano vai passando, sem deixar saudades, com novidades desagradáveis e violentas, apavorando a população que desaprova desde a bandidagem organizada com máscara na cara, depredando incontidamente o patrimônio público e privado, até sob os pretextos inconsequentes e mais variados. Por nada não, mas o aumento da tarifa de ônibus urbano, em R$ 0,10, foi muito pouco para justificar o aboio escancarado da turba enfurecida!

Neste final de semana, em meio aos derradeiros jogos do Brasileirão de futebol de 2013, ao invés de emocionar as torcidas dos clubes, as arquibancadas se tornaram palco semelhante aos octógonos do UFC onde o sangue escorre pelo palco, para delírio da torcida que paga uma nota graúda pelo ingresso na arquibancada.

Mas a diferença é muito grande, entre as brigas das arquibancadas dos nossos estádios, tanto porque os palcos são lugares para pessoas ordeiras e pacatas, até com mulheres e crianças indefesas; enquanto nos octógonos de todo o mundo, não usam barras de ferro, pedaços de paus pontiagudos, bombas, sinalizadores e até tiros de revolver ceifando vidas que pagaram pela falta de segurança pública nas arenas futebolísticas. Algumas vezes, são as ruas e praças perto dos campos de futebol, que servem como locais para os desafios de morte pelas torcidas organizadas para o mal.

Assisti ao vivo e a cores, pela TV, o jogo entre Atlético Paranaense e o Vasco da Gama, partida deslocada para a cidade de Joinville, Santa Catarina, para cumprimento da penalidade do Atlético por conta de brigas ferozes no seu próprio estádio! As torcidas vieram ao estádio e, com pouco tempo de embate, a atenção do gramado mudou o foco para arquibancadas onde os bandos gladiadores iniciaram uma guerra sem fim. Só a morte terminaria as contendas, com quatro torcedores em coma restaram e, sem acesso das ambulâncias, foram transferidos por helicóptero.

Afinal, quem são os responsáveis pela chacina de Joinville?

Claro que são os “organizadores” do jogo, a começar pela inconsequente Confederação Brasileira de Futebol, passando pelo cartola e presidente do Atlético/PR, pelo Ministério Público e Polícia Militar, ambos de Santa Catarina, de Manuel Serapião Filho, na condição de representante da finada CBF. Já com os nomes dos bois, tudo começou com o Ministério Público de Santa Catarina em impedir a presença de policiais militares no estádio. Depois o presidente atleticano Mario Celso Pertraglia contratou confiando em poucas dezenas de “seguranças” improvisados do seu clube. Depois vem o pomposo representante da CBF, o Mané Serapião, ficou de paletó e gravata desfilando e dando entrevistas no gramado, sem vistoriar todas as dependências da arena ocupada que era sua obrigação. Essas três autoridades devem, sim, suportar as averiguações e consequências, começando pelo abuso de poder do Ministério Público finalmente, passando pela pecaminosa omissão dos dirigentes futebolísticos estes, da CBF e do Atlético paranaense.

É triste essa simplória conclusão porque não é a primeira e nem será a derradeira que retratará um futebol à base da incompetência, ignorância e inconsequência!

(*) Advogado e desembargador aposentado