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SEGUNDO TEMPO: Marcos Souto Maior

9/10/2012 02:46

Há  quem compare um jogo de futebol com eleições. Verdade fácil de comprovação pelos detalhes de ambas as atividades.

Tanto o futebol como as eleições utilizam mecanismos idênticos para chegar ao final da disputa. Esta, sempre é desenvolvida na jurisdição e no campo de jogo, os disputantes vestem as cores de suas bandeiras; a ‘mala preta’ tanto quanto a compra de votos, existe mesmo; o juiz ou árbitro pode falhar, ao interpretar a jogada; as torcidas são separadas para evitar violências; mesmo com a presença do aparato policial, o pau canta muitas vezes havendo até mortes; o famoso ‘cartão vermelho’ e a ‘ficha limpa’ deixam os disputantes de fora e, o resultado da contenda pode muito bem ir para o famoso ‘tapetão’, dentre outras coincidências.

Deixei de propósito a divisão do tempo de luta pela vitória, quer nos campos de futebol como nas regiões eleitorais. O segundo turno ou, preferencialmente, o segundo tempo, foram inventados para demonstrar, a torcedores e eleitores, a melhor performance dos disputantes.

Pois bem, não é que a seleção brasileira foi para a Argentina e não jogou por falta de energia no estádio, ficando o troféu  da disputa adiadosine die! A grande diferença entre o futebol e as eleições, esta última, não pode deixar para depois!

Tanto mais quando foram substituídas um mil seiscentos e uma urnas eletrônicas em todo país, o que equivale às bolas furadas em pleno jogo.

Estamos no pleno intervalo da partida, com os candidatos trocando ideias com os técnicos, patrocinadores e pitaqueiros na análise dos problemas em campo, principalmente o que sobrou do primeiro tempo… O gramado pisoteado e cheio de papeis jogados pela torcida passa por varredura geral deixando tudo limpo, para ser emporcalhado novamente. A torcida que é torcida não muda o amor pelas suas cores, contudo de fora da refrega torce pela derrota do adversário mais tradicional.

Em todo país teremos cinquenta grandes jogos, verdadeiros clássicos das eleições, sendo dezessete ocorrendo nas capitais e trinta e três em cidades acima de duzentos mil eleitores. Por região o sudeste ficou com vinte e seis, o sul com nove, o nordeste com oito e o centro-oeste, com apenas duas.

Juízes e auxiliares serão os mesmos do jogo anterior, mesmo que o resultado desagradasse, salvo se algum for acometido de enfermidade.

Até  o dia 27 de outubro volta a barulheira de costume com tudo o que a legislação permite, inclusive, a retomada publicitária dos dois candidatos, com direito à gratuidade de tempo do rádio e da televisão.

O placar é apagado e o zero a zero desperta os torcedores para recomeçar a pugna. Invoco o cantor Ivan Lins, com sua música: “começar de novo e contar comigo, vai valer a pena ter amanhecido, ter me rebelado, ter me debatido, ter me machucado, ter sobrevivido, ter virado a mesa, ter me conhecido, ter virado o barco, ter me socorrido.”

E quem começa de novo, certamente vive melhor, mais seguro, esperançoso e feliz!