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Reta final – Marcos Souto Maior

18/09/2012 09:41

Sinceramente, as eleições municipais deste ano, por sinal, sempre as mais difícil de todas, continua aguadas e desinteressantes para os eleitores.

Para efeito de ilustração, as bandeirolas que antes eram desfraldadas ao vento por dezenas de animadas jovens, na maioria desempregadas e vestindo com as cores partidárias, foram trocadas por vasos e latas cheias de arreia socada e barro para segurar os mastros. E uma única pessoa, faz às vezes de vigia do material partidário exposto.

Sem sombra de qualquer dúvida, as costumeiras e, fáceis fontes de recursos financeiros, aportados nas eleições passadas, agora, sucumbiram com medo de haver capítulo novo do famigerado escândalo do mensalão.

Ninguém  é doido de botar a mão no fogo para apanhar dinheiro sujo nos gastos eleitorais municipais deste ano!Com a ampla dimensão do fácil acesso à transparência dos arquivos e dados, financeiros e econômicos, captados pelo mundo mágico da internet, o dinheiro deslavado vindo do poder público ou mesmo de empresas chamadas de “lavanderias”, fecharam para balanço.

Tamanha cautela, os candidatos, partidos e agenciadores de financiamento chegam ao cúmulo de impor razoável “economia de palitos”. Onde tudo é medido, contado e pesado…O julgamento do mensalão, com um mês de cansativa votação pelos ministros do Supremo, já deu para ver que a grande maioria dos réus será  condenada. Seus efeitos chegaram a balizar a preocupação de Lula, com afetação direta de seus aliados na onda da campanha municipal.

Aí  vem o pior de tudo: Roberto Jefferson e Marcos Valério já começaram a abrir a boca soltando o verbo, em cima do ex presidente Lula, o qual já responde a processo de improbidade administrativa, de autoria da Procuradoria da República.A inibição dos financiadores de campanhas é nitidamente reconhecida e conferida na aguada campanha, aí se incluindo a compra de votos de todos os tempos.

Chegamos à reta final da campanha eleitoral deste ano. A falta de dinheiro lavado pode até baixar o preço dos votos, utilizando a surrada lei da oferta e da procura! Contudo, a previsão de gastos de campanha ficaram muito acima do pouco, precário e timidamente arrecadado.

No dizer nordestino, os homens do dinheiro estão de “barbas de molho”… A fronte visivelmente tensa domina o semblante dos candidatos e donos de partidos políticos. A fonte fácil e criminosa secou de vez, sem deixar alternativas para exploração de outros veios. O tom da campanha baixou com a falta do impulso monetário suficiente.Nesta reta final de campanha, sem verba, os candidatos e partidos ficam a mercê do verbo que já não conseguem conjugar.

MARCOS SOUTO MAIOR (*)

              (*) Advogado e desembargador aposentado