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PERPLEXIDADE: Escrito por Rui Leitao

26/11/2015 23:12
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Perplexidade foi a palavra mais pronunciada no dia de ontem. Nem poderia ser diferente, Afinal de contas seria difícil imaginar que a degradação da cultura política em nosso país chegasse a tal ponto. Um parlamentar, com assento na mais alta casa legislativa da Nação, se envolver em tão sórdida trama. Mais do que perplexos o sentimento é de vergonha por constatarmos que a prática política brasileira tenha descido a um nível tão baixo.

Estamos vivendo sim um crise ética, onde os valores morais estão sendo desprezados, porque o cinismo está banalizado. Esse não foi apenas mais um episódio aviltante entre tantos que dominam o noticiário político contemporâneo. O senador Delcídio Amaral provocou um constrangimento generalizado. Ficamos atônitos indagando o que de mais podre deve estar acontecendo nos bastidores da política nacional e que ainda não tomamos conhecimento?

Não quero, nem devo, abordar a questão classificando-a como uma chaga que fere a imagem de um partido político. Até porque o personagem envolvido já circulou por várias agremiações partidárias, inclusive da oposição, e participou como diretor da Petrobras de governo cujas lideranças hoje se colocam em posição de contestação ao atual. A mácula, na minha compreensão, não suja apenas um partido ou um governo, enlameia o exercício da política em todas as suas facções. Perdemos desavergonhadamente a noção do que seja politicamente correto.

E é isso que me preocupa. Antes de apontarmos o dedo para adversários, devemos sim compreender que já passa da hora a necessidade de virarmos a página da nossa história eliminando vícios culturais e expurgando da vida política os profissionais da indecência, da corrupção e do desrespeito aos mais elementares princípios de moralidade.

Começo a perceber que esses lamentáveis acontecimentos possam enfim servir para que a população acorde e se sinta impulsionada a rever sua postura de passividade a partir da indignação. Talvez seja este o momento de reagir. Gritar um basta, proclamar um revoltado protesto, afirmar que queremos formar uma geração imune aos assédios da ganância, da ambição pelo poder, do desejo de vencer na vida na base do “jeitinho brasileiro”. As circunstâncias nos levam a voltar a valorizar os conceitos de honestidade, dignidade e decoro.

Não caiamos no lugar comum de querer satanizar “a” ou “b”, simplesmente pela vontade de fazer disso aproveitamento político para defendermos interesses pessoais ou de grupos nessa guerra partidária e ideológica que estamos vivendo. Pensemos primeiramente como cidadãos brasileiros, cuja imagem vem sendo chamuscada pelo comportamento de alguns que estrategicamente ocupam espaços privilegiados na nossa estrutura social e política. Esqueçamos as cores partidárias e façamos a revolução da consciência política. Precisamos deixar de estimular o ódio germinado nas paixões políticas.

A perplexidade pode se transformar em alerta, um despertar da razão, a chama que pode ser acesa de forma a iluminar um novo tempo, oportunizando a que nunca mais nos deparemos com fatos que nos entristecem e atingem a nossa honra.

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