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PAI COM AÇUCAR Escrito por Marcos Souto Maior

2/06/2015 05:25

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Escrito por Marcos Souto Maior

 

Desde menino de calças curtas ficava envergonhado de ver os familiares cantando o tradicional ‘parabéns pra você’ e, bem na frente da mesa de almoços, velas que eram acesas para eu soprar, como forma de simbolizar o aniversário, que vem a ser a passagem anual do dia que nascemos! Com o passar velozes do tempo tiveram, então de mudar as várias caixas de velas de várias cores para apenas uma, não por economia ridícula, todavia pela simbolização à perpetuidade de uma das mais antigas tradições mundiais. Neste derradeiro dia de 31 de maio passado bem pertinho de chegar ao nível septuagenário da vida, ao lado dos meus filhos, Hilton, Marcos Filho, Raquel e Maria Adélia e, com os netos Marcos Neto e Isaac, finalmente as netas de pré-nomes Maria, em homenagem a Nossa Senhora de Fátima: Luíza, Clara, Vitória, Rita e Valentina aumentou a família, em alegria frenética, dos sete netinhos do novel rebanho dos Souto Maior. Logo cedinho, os telefones tocavam seguidamente a fim de acordar-me mais cedo, num domingo belo de muito sol em Tambaú, onde descortino na minha recolhida ‘laje de Manaíra’.

 

Imaginei que os telefonemas familiares seriam suficientes para a homenagem indevida, entretanto meus cãezinhos de estimação fieis Larissa e Larissa, logo alardearam com as presenças de todos. Antigamente, lembro-me bem, da casa de taipa de meus pais, onde a musicalidade das festas caseiras do povo de classe média, tendo sempre uma potente Radiola, a exemplo do meu saudoso pai, que amealhou e escolheu um restinho de dinheiro, para comprar sua seu rádio elétrico, marca Philips, esquentada às válvulas e, vinculada ao pik up com agulha de diamante, na ponta do seu braço para rodar discos de vinil, também chamados de LPs, que ainda hoje são peças de museu e adaptação dos atuais.

 

Entrei imediatamente na festa com as minhas netinhas mais novas, primeiro vendo as brincadeiras delas e, juntando todos a mim numa roda com as mãos de todos entrelaçados, sob a popular e saudosa música infantil do: ‘atirei o pau no gato, tô tô, mas o gato tôtô, não morreu rêu rêu, dona Chicacá di mirocêcê, do berrô, do berrô que o gato deu: MIIIIAUU! O grito ecoou em toda sala, as palmas foram ouvidas pela vizinhança. Netinhas de bochechas vermelhas e rostos suados no final da dança infantil se acocoraram e eu ousei segui na brincadeira delas até o finzinho, tentando competir com a turminha. Os sorrisos de todos eram sinal nítido para que os meus exageros fossem abalados sem queixa do exercício intenso, quando os anjinhos apenas voam na imensidão das nuvens. Claro que elas subiram logo e eu fui me levantando devagarzinho com minha coluna reclamando um pouco, das extravagâncias do vovô, entretanto sem nenhuma queixa de cansaço e peso carregado em tempos atrás!

 

Casa modesta de paraibanos, onde nunca há surpresa para os familiares, os pratos quentes foram sendo colocados na mesa grande, acompanhados de refrigerantes, um bom vinho tinto seco e água. De quebra, as sobremesas de torta de chocolate brigadeiro, seguindo com surpresa de morangos e pavê de frutas da época, impecável atração de todos os netinhos se refestelarem em sentir, mais uma vez, o que vovô tudo faz para ser: ‘o pai com gosto de doce’ na imensa satisfação e delírio, semeando o carinho e amor puro que fortalecerá no próximo ano, na mesma felicidade guardada para próximo

ano!                                                                                                                                                 (*) Advogado, desembargador aposentado

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