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Olimpíada do amor e raça – Marcos Souto Maior

11/09/2012 20:07

Neste domingo passado, na leitura normal dos veículos de comunicação, assisti às belas solenidades de encerramento da Paraolimpíada de Londres, para qual o Brasil mandou cento e oitenta e dois atletas, das mais diversas modalidades esportivas.Muito diferente da outra Olimpíada, a Paraolimpíada é composta por atletas com necessidades especiais, que disputam, com todo amor e muita raça, nas diversas modalidades olímpicas.

Embora com pouco apoio financeiro e reduzida divulgação pela maioria da mídia brasileira, em conversa com meu sobrinho e afilhado, Henrique, batemos um papo legal em torno desse evento do desporto mundial. Discutimos o porquê de duas olimpíadas ao tempo em que avaliamos a performance do atleta nadador ganhar na piscina sem ter parte dos pés ou ainda, um corredor poder usar equipamentos que substituem os seus pés…As Olimpíadas que podem ser chamadas de principal, à luz dos resultados das diversas modalidades esportivas, deriva da repercussão na mitologia greco-romana, quando se reuniam os mais competentes atletas do mundo para alcançar semelhança e comparação com Apolo, o deus da beleza, perfeição, harmonia, equilíbrio e razão.

Já  a Paraolimpíada reúne excelentes atletas e, por assim dizer, também perfeitos, mesmo com alguns detalhes de diminuição física. Daí formar-se a diferença,  grosseira e inaceitavelmente, que os paraolímpicos, em palavra chula, seriam aleijados, com o que não concordo.Então, em todo país do mundo tem essas pessoas portadoras de deficiências no corpo, todavia esbanjando disposição e coragem no direito de viver normal e competir internacionalmente.Explico, é que o paraolímpico disputa sua modalidade esportiva dentro das mesmas regras para o mais perfeito atleta. Detalhe importante é que na Paraolimpíada exige-se menor índice alcançado na consequente limitação dos participantes.

O Brasil conquistou, pela força do nosso nadador brasileiro Daniel Dias, sagrar-se o mais laureado atleta brasileiro, conquistando seis medalhas de ouro na competição! Nosso atleta Daniel ficou acima do norte-americano Roy Perkins dos poderosos Estados Unidos, que receberam medalha de prata, e do chinês Junquan He ganhador da medalha de bronze.Além do herói Daniel, também nosso maratonista Tito Sena ganhou a cobiçada medalha de ouro na Maratona, e a nadadora Terezinha Guilhermina, além da medalha de ouro, também obteve índice que ultrapassou o recorde mundial na sua categoria.Ao todo, o Brasil conquistou quarenta e três medalhas, sendo: vinte e uma de ouro, quatorze de prata e oito de bronze. Um feito que certamente aumentará com o Rio de Janeiro sediando os próximos jogos paraolímpicos, em 2014.

Evidente que ainda não são iguais a distribuição de recursos públicos e privados entre os olímpicos e os paraolímpicos. Atualmente, com quarenta e três medalhas, sendo vinte e um de ouro, quatorze de prata e oito de bronze, os paraolímpicos brasileiros terão, na sequência dos jogos, a paridade esportiva nos próximos tempos.O povo brasileiro e, de modo especial, as autoridades públicas, precisam olhar para os paraolímpicos, os quais superaram com determinação, suor e lágrima, fizeram o Brasil ser reconhecido e respeitado nos esportes.A superação dos limites dos atletas paraolímpicos brasileiros é o exemplo ímpar de muita raça e amor.

Marcos Souto Maior – advogado e desembargador aposentado