Meu pai, de muito tempo, já dizia que, dos meus amigos do peito, um desses era, o preclaro advogado, promotor público concursado, professor universitário da Unipê,Antônio Carlos Escorel de Almeida.Homem de cultura, sabedoria, paciência, tanto que levara, diariamente, para os alunos da Faculdade de Direito,que garbosamente chamávamos de a faculdade do padre Zé Trigueiro do Vale, de raízes católicas e de âmbito particular, que fora chamado e apresentando à segunda e novel universidade paraibana, já que a única seria a unidade federal.

Nestes indos, levou os textos das normas administrativas e legais, a fim de os Conselhos internos e públicos, pudessem escrever no Ministério da Educação as exigências necessárias para chancelar e, dar início aos trabalhos para professores escolhidos e estudantes, ficando na história registrada pelo sonho do esforço e determinação de homens que foram partícipes, na ousadia da cidade de João Pessoa, da hoje conhecida UNIPÊ, glória da educação universitária de Marcus Augusto Trindade, José Trigueiro do Vale, Afonso Pereira da Silva, Flávio Colaço Chaves, José Loureiro Lopes e Manuel Batista de Medeiros, se perpetuando nas suas raízes pedagógicas do amor à educação, em toda vontade possível para os pósteros.

Pois bem, imediatamente, o meu herói e amigo, foi convidado e recebido, num dos mais altos postos do difícil trabalho público administrativo, assumindo o cargo de Secretário de Estado da Administração Geral, posição mais importante de todas, naqueles tempos. Sempre que o emérito governador, Tarcísio Burity, remanejava seu secretariado, Escorel estava sim na lista, para deslocar incumbências, a exemplo da secretaria extraordinária de Planejamento e Coordenação Econômica e, ainda, sendo secretário do Interior e Justiça.

Em pouco tempo, ante sua imensurável capacidade, foi fácil integrar o quadro de membros fundadores do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, justamente em 1° de março de 1971, uma novidade para melhor estabelecer, as verbas orçamentárias e, não deixava de comparecer nos dois expedientes, para se debruçar nos processos que lhe foram distribuídos para esclarecer e decidir, sobre a gestão, fiscalização, análise de prestações de contas, atos de admissão de pessoal, aposentadorias, pensões, licitações, contratos e convênios. E ele fez o de melhor, na área específica!

Decorrido o tempo, já em dias atuais, estava em São Paulo, quando o também amigo e advogado, Afrânio Melo, numa quarta-feira, 07 de dezembro deste ano, me dissera do falecimento do amigo e grande homem público. Somente depois pude voltar à minha querida cidade de João Pessoa, quando o féretro do meu irmão de vontade e de paz, estava totalmente concluída, por falta de antecipações do meu retorno de avião na linha normal. Ao lado de minha filha, Raquel, me senti desfalecer às forças e chorei, sem querer ouvir pessoas, o que é muito pouco naqueles momentos até, para quem deseja rezar e pedir forças, por aqueles que se foram do nada.

Eu, continuo minha jornada, trabalhando em banca de advocacia, escrevendo minhas crônicas semanais e, também sou da Unipê, que junto com meu eterno amigo, desde rapaz trabalhei e ainda trabalho,agora sem aquele brilho, fazendo o possível, mesmo nos tempos dos que se foram e, dos que irão, quando Deus decidir!

www.reporteriedoferreira.com (*) Marcos A. Souto Maior