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NO PALÁCIO DA REDENÇÃO OUTRO INTELECTUAL: Por Rui Leitão

14/08/2015 00:41

NO PALÁCIO DA REDENÇÃO OUTRO INTELECTUAL: Por Rui LeitãoRui Leitão 02

Na condição de “cajazeirado”, comemorei a indicação de Ivan Bichara para o governo do Estado, anunciada oficialmente no final de maio de 1974 pelo então Presidente Ernesto Geisel. A eleição ainda se fazia por via indireta. Durante todo o início do ano foram muitas as especulações de quem seria o escolhido. Vários nomes eram postos na bolsa de apostas, mas Ivan surgia como alguém que não tinha incompatibilidades no meio político da Paraiba, até porque estava afastado há algum tempo da militância. Sabia, também, que se tratava de um amigo pessoal de meu pai, de quem ouvia as melhores referências a seu respeito.

A Paraíba teria um intelectual sucedendo outro no Palácio da Redenção. Ao retirar-se das atividades políticas, após cumprir dois mandatos como deputado estadual e um como deputado federal, Ivan Bichara foi morar no Rio de Janeiro, dedicando-se á literatura, despontando como um respeitado romancista brasileiro.

Homem de hábitos simples, mas de uma firmeza de personalidade impressionante, nunca se deslumbrou com o poder. Tranquilo, conhecedor profundo dos problemas da Paraíba, tinha tudo para realizar uma grande administração, como de fato aconteceu.

Quando Amaury de Vasconcelos deu conhecimento público de que teria recebido ligação telefônica do governador Ernani Sátiro confirmando a indicação de Ivan Bichara para sucedê-lo, seus conterrâneos em Cajazeiras saíram às ruas em ruidosa passeata de comemoração. Aqui em João Pessoa também os cajazeirenses fizeram a festa.

Ivan Bichara nunca pleiteara ser governador da Paraiba. Foi surpreendido pelo convite. Há quem diga que seu padrinho forte foi José Américo de Almeida, que tinha laços de parentesco com sua esposa, dona Mirtes. O presidente da ARENA, Petrônio Portela, na oportunidade em que pessoalmente lhe informava de que estaria sendo o escolhido pelo General Geisel, teria dito: “você parece ser um dos poucos candidatos que não tem interesse em ser governador da Paraiba”. Ao que foi de pronto corrigido: “não é bem assim, eu tenho interesse. Sei que estou fora das articulações, tenho uma vida tranqüila e não briguei para ser governador, mas se isso vier a acontecer, terei a maior honra em servir ao meu Estado”. Demonstrava assim que o poder não o fascinava, mas estaria pronto para oferecer sua capacidade administrativa diante de uma convocação.

Acompanhei o sentimento de alegria com que meu pai recebeu a notícia de que seu velho amigo estava sendo guindado ao mais alto posto administrativo da Paraíba. Preparou-se, então, para ajudá-lo nessa missão. Ivan, poucos dias depois de oficializado como futuro governador, telefonou para ele manifestando seu interesse em tê-lo na sua equipe de auxiliares, o que realmente se efetivou, tendo meu pai exercido os cargos de Sub-chefe da Casa Civil no início do governo e posteriormente assumindo a titularidade daquela secretaria quando da renúncia do Dr. FernanDo Milanez, que decidira voltar às suas funções de tabelião público.

• Integra a série de textos “INVENTÁRIO DO TEMPO II”.

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