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Mocinhos e Bandidos: Marcos Souto Maior

27/08/2013 06:46

Marcos Souto MaiorQuando ainda não existia televisão, lembro-me bem que a gurizada, nos finais de semana, ia para as sessões diurnas dos cinemas onde passavam filmes simples e sem maiores técnicas. Muitas vezes, a fita torava parando a projeção, e obrigando acender as luzes sob vaias dos meninos… Predominava o bang bang com artistas conhecidos da época, a exemplo saudoso de heróis como: Rock Lane, Roy Rogers, Durango Kid, Zorro e seu cavalo branco, Flash Gordon, Fantasma, Capitão Marvel, Capitão América, Hopalongo Cassidy que sempre venciam a bandidagem. Também vibravam a eterna luta entre mocinho e seus parceiros contra os índios invasores das terras e roubo do gado nas pastagens. Os assaltos às carruagens puxadas a cavalos, com malas de couro cheias de moedas de ouro deixava suspense, bem como os duelos ao ar livre entre o velho xerife da cidade e bandidos visitantes. Sim, naqueles tempos, os belos desenhos animados do inesquecível Walt Disney alegravam como hoje, adultos e crianças!

Detalhe importante no enredo dos filmes consistia que o Mocinho do bem, nunca atirava primeiro, sempre falava a verdade, seus segredos eram mantidos, gentil com as crianças e, educado com pessoas de idade. Alguns usavam máscara completa no rosto, outros, simples lenço cobrindo nariz, boca e queixo.

Pois bem, o tempo passou e uma nova onda apareceu em nosso Brasil, fora dos cinemas, para impulsionar o movimento democrático das “Diretas Já”, dos anos oitenta. Posteriormente, o movimento estudantil dos anos noventa, denominado de “Caras Pintadas” pressionou e conseguiu o Congresso Nacional votar e decretar o impeachment do então Presidente eleito Fernando Collor de Melo.

Recentemente, o movimento estudantil pegou fogo ao questionar o aumento da tarifa de ônibus urbano, em irrisórios R$ 0,10 (dez centavos). Infelizmente, tudo não passava de um propósito criminoso, para desviar e demonstrar a força de uma facção desconhecida, preparada para a baderna e o vandalismo nas depredações do patrimônio público e privado. Muitas centenas de ônibus incendiados, repartições públicas invadidas e depredadas, agências bancárias e lojas furtadas, carros incendiados tudo, com a proteção de máscaras pretas da impunidade. As polícias Civil e Militar perderam a parada!

Depois do fracasso no recuo e conchavos com o Governo Federal eis que, o Governo de Pernambuco resolveu proibir uso de máscaras no rosto nos movimentos populares, bem como a revista das mochilas que carregam molotovs de alto teor destruidor. Esses mascarados, se rotulam de blacks bloc copiando organizados guerrilheiros de outros países e, se infiltram em toda e qualquer movimento popular, depredando, saqueando, incendiando, ferindo pessoas e até matando quem tiver pela frente.

Foi muito simples a explicação do governo pernambucano, ao invocar o art. 5º da Constituição Federal que admite reunião pacífica, em lugar aberto ao público e, sem armas. Todavia, nossa constituição cidadã não acolhe o direito ao anonimato, que vem configurar a máscara, como sendo instrumento para prática de crimes!

Manifestantes em todo país, têm direito, sim, de publicamente reunir-se nos logradouros e ruas, sem uso criminoso de molotovs, varões de ferro, pedradas e, principalmente, sem máscara. O exemplo pernambucano deve ser adotado em todos Estados e Distrito Federal, ao tempo em que a máscara vai cair em todo o Brasil.

 

(*) Advogado e desembargado aposentado