A opinião de grande número de populares, neste mês de agosto, conduz à superstição para pedir cautela nesses trinta e um dias de suspense, alguns chegam até a batizar o oitavo mês do ano, para ser de incontido ‘desgosto’.  Não levo a sério os desígnios emanados do medo que pautaram hipóteses pelo mundo, anunciando guerras mundiais, enchentes, furacões, incêndios, pobreza e, nem assim, a Igreja Católica marcou em agosto o “Dia do Padre” e o “Mês Vocacional”.

Dia 21 deste polêmico mês, saí de casa apressado com as roupas apropriadas, para fazer minha ginástica na Vivance Pilates, para manter o físico e a mente em condições de poder bem viver! Embora muitos já saibam, os simples exercícios prescritos e cumpridos, atualizam os movimentos musculares, o equilíbrio do corpo, a força, a concentração, a respiração e a relativa resistência ao direito de ir e vir. À porta da sala de equipamentos sempre encontro minha preferida fisioterapeuta Olívia que, na verdade se chama Natália, completada pelas dedicadas Sayonara e Laís, chamando para o início dos trabalhos. O tempo passou rápido e, mesmo com o ar condicionado funcionando, sou calorento e ao término dos exercícios, perguntei às três meninas se gostariam de ver um homem bonito! Todas me olharam risonhas, ao tempo em que peguei meu celular na tecla de fotos, mostrando uma por uma e, não contive para perguntar se conheciam os dois da foto.

Em verdade, éramos eu e meu saudoso pai, Hilton, na solenidade de colação de grau, na condição de orador da Faculdade de Direito da UFPB dos anos 1970. E, enquanto emocionado, minhas amigas de Pilates sorriam e acharam-me parecido com Seu Hilton. Dei os fortes abraços de despedidas e saí em passos lentos para pegar minha condução, automaticamente ligando o rádio com música especial para as noites. No percurso até meu apartamento, passei a me questionar o porquê daquela foto naquele dia, envolvendo o mais importante ente da minha família. Pasmo, novamente suspirei profundo para o meu coração bater corrido, para achar estranho não lembrando o dia 21 de agosto de 2014. Acessei a internet e me comuniquei com minha filha Raquel para dizer-lhe o que se passara, e ela completou, com sua voz doce, dizendo ser o aniversário do meu idolatrado pai!

O meu lamentável esquecimento, irremediavelmente feriu este peito doloroso, conduzindo a imaginar que a força do amor entre pai e filho, por uns breves instantes, flutuaram no éter do céu sem limites, aspirando à pureza do ar respirado pelos deuses e as luzes que vieram abrandar o peso do esquecimento. Mais tarde, já sentado na cama para dormir, não conseguira fechar os olhos, eis que deliberei continuar a pensar declinando minha cabeça sob a plena reverência de Jesus, emanando a mais pura oração para rogar clemência a quem nunca poderia esquecer, naquele dia que deveria ser, tão somente, de alegria e orações!

 

(*) Advogado e desembargador aposentado