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Mão branca e a moto preta : Francisco Nóbrega dos Santos

21/07/2015 00:08

Nóbrega 03O povo pessoense e os habitantes da circunvizinhança vivem um sentimento nostálgico dos velhos tempos em que se podia caminhar, sentar-se num banco da praça, sem o receio de ser importunado pela inconveniência de marginais, de grande, médio ou pequeno portes.

Era por demais salutar uma caminhada em locais agradáveis para que o cidadão pudesse desafogar o corpo e a mente da luta estressante do cotidiano.

Porém, como num passe de mágica, essa paz que reinava nos anos 60, fora quebrada com o surgimento de um surto de violência, que se alastrou na pacata cidade de Nossa Senhora das Neves e nas comunidades que hoje formam a Grande João Pessoa. E o medo, como uma epidemia, atingira a população, levando a sentimento de insegurança e revolta. Eis que de repente, emergente do temor popular, surge, um aviso da chegada de justiceiros, então apelidados de mão branca. E logo, como um rápido lampejo, alguns defensores da vida, em perseguição à vingança social. Criaram uma força tarefa, com a instauração de inquéritos, gerando gastos excessivos, com o objetivo de se descobrir de onde partira a ordem de tirar de circulação, indivíduos que agrediam o patrimônio público e ceifavam vidas de pessoas inocentes.

O tempo passou e a marginalidade continuou impune, amparada por uma legislação pusilânime, protetora da “vida”. E os hábitos mudaram. A força do mal se tornara mais aparelhada e sofisticada.  No entanto, a bandidagem ganhou fôlego. Mas as leis continuaram as mesmas!

E as normas penais, ante a falta de interesse dos poderes, incentivaram e incentivam a banalização da vida, com normas estimulantes ao crime, fazendo com que menores de 18 anos, sintam-se à vontade para prática de delitos.

É verdade que, com a chegada do século 21, as cidades cresceram de forma acelerada, incentivadas pelo avanço da tecnologia, do progresso e, de modo especial, a explosão demográfica, em decorrência proliferação desordenada da população, e cujos fatos ignorados pelos poderes, contribui para uma desastrosa estatística de violência. Violência essa incentivada e alimentada pela infiltração de drogas nos meios mais carentes, pois esse privilégio pertencia às camadas sociais mais abastadas.

Com a indiferença dos órgãos da classe política, a Cidade Metrópole e adjacências vêm a ser comparadas aos grandes estados da federação, quando as drogas alucígenas encontraram as portas abertas e fixaram residência em nossas Cidades, que antes eram exemplo de paz e tranqüilidade.

Os tempos mudaram. Mudaram sim, para pior, pois o aparelho repressor e de segurança se tornara refém de um marketing criado pela força do mal, travando, dessa forma, uma luta desigual entre esses dois poderes.. E o povo, que sofre o reflexo de uma carga tributária asfixiante, fica obrigado a viver em presídio domiciliar, com o temor de sair às ruas, ante a ameaça de seu patrimônio e a integridade física.

Na outra face dessa triste página, o grupo Mão Branca, acompanhando a evolução do tempo ressurge como phoenix, com um novo apelido de  Esquadrão da Moto Preta. E a estatística já comprova um considerável sentimento de revanche da sociedade contra a força do crime comandado dos presídios ou dos edifícios de cobertura, incólume à ação do mecanismo policial.

Assim o povo humilhado e triste vive um sentimento de revolta e de impotência, pois a distribuição de renda desse País é algo vergonhoso. E a  sociedade, condenada a um genocídio,  sem meios ou recursos para conter o crime, vítimas de uma corrupção institucionalizada, alimentada pela frouxidão da lei, chegar a vibrar quando aparecem corpos nas valas e esses são identificados vítimas da Moto Preta.

Numa insensata irresignação, cansado das promessas oportunistas, o povo, sem fé e sem esperança, numa apologia à vingança, chega a exclamar;” por favor! Aumentem a frota de Motos Pretas

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