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Dilma diz que ‘não recuará’ da decisão de reduzir preço da energia

Presidente discursou para empresários em encontro da indústria. Ela criticou 'falta de sensibilidade' dos que 'não percebem a importância'.

5/12/2012 14:39

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (5) que o governo federal “não recuará” da decisão de reduzir o preço da energia no Brasil. Ela falou a uma platéia de empresários durante o 7º Encontro Nacional da Indústria, em Brasília.

Preço da energia - 4/12 (Foto: Editoria de Arte/G1)

Nesta terça (4), o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, informou que a redução da tarifa da conta de luz deve ficar em 16,7% em vez dos 20,2% em média prometidos por Dilma no último dia 7 de setembro.

Zimmermann disse que a redução menor que a pretendida se deve à recusa das empresas Cesp (São Paulo), Cemig (Minas Gerais) e Copel (Paraná) de aceitar as condições do governo para participar do plano de diminuição dos custos da energia lançado pelo governo federal.

“Reduzir o preço da energia é uma decisão da qual o governo federal não recuará apesar de lamentar profundamente a imensa falta de sensibilidade daqueles que não percebem a importância disso agora para permitir que nosso país cresça de forma sustentável”, afirmou a presidente.

Dilma disse que reitera o compromisso de, em 2013, “buscar mais esforços do governo federal para reduzir essas tarifas”.

A presidente disse que diminuir o preço da energia é “tão importante quando a redução da taxa de juros, da taxa de câmbio”.

Ela afirmou que o corte das tarifas vai “onerar bastante o governo federal”, mas deu o recado: “quando perguntarem para onde vão os recursos do governo, orçamentários do governo, uma parte irá para suprir a industria brasileira e a população brasileira, aquilo que outros não tiveram a sensibilidade de fazer. Nós somos a favor da redução dos custos de energia no país e faremos isso porque é importante para o país”, declarou.

Segundo a presidente, o objetivo do governo era alcançar uma diminuição média de 22% nas tarifas. Para isso, nós adotamos duas medidas, ou melhor, dois conjuntos de medidas. Um conjunto que era reduzir os encargos nas tarifas de energia, notadamente a RGR, a CSS e Conta de Desenvolvimento Energético. Essas três tarifas, junto com o fim das concessões de energia elétrica, antecipação em alguns casos e o fim em outros, permitiram que a gente reduzisse em 22% essas tarifas”, afirmou.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse que o corte nas tarifas de energia proposto pelo governo beneficia a indústria porque reduz os custos da produção.

“[Precisamos da] diminuição dos custos de produção para assegurar os necessários estímulos ao investimentos”, disse.

Segundo ele, sozinha, a indústria responde por cerca de 43% do consumo de energia elétrica e diminuir a tarifa é necessário para estimular a economia.

A medida provisória que trata do pacote de energia – e que está em tramitação no Congresso -, é de “extrema importância para o setor”, disse Andrade. “Com essas medidas, vamos ter redução dos custos dos produtos”, declarou.

Crescimento industrial
Andrade criticou o fraco desempenho da indústria em 2012. “Podemos crescer num ritmo vigoroso [para 2013] deixando para trás a memória de 2012, ano em que infelizmente a indústria ficou estagnada”, afirmou.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na semana passada, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre avançou 0,6%, abaixo da expectativa do governo, que previa aumento de 1,1%. A indústria cresceu 1,1%, mas na comparação com o terceiro trimestre de 2011, caiu 0,9%.

O presidente da CNI disse que “o governo tem se esforçado”, mas que é preciso “apressar o passo”. “Precisamos apressar o passo para elevar a competitividade da indústria brasileira e enfrentar um cenário em que ainda persistem os efeitos da crise global gerada nos países desenvolvidos”, afirmou.

Nesta terça-feira (4), a CNI reduziu a previsão de crescimento do PIB brasileiro de 1,5% para 0,9% neste ano e estimou crescimento de 4% em 2013.

Andrade, por outro lado, elogiou medidas tomadas pelo governo para estímulo da economia. “Reconhecemos o acerto da proposta de redução da tarifa de energia, da diminuição das taxas de juro e do Programa de Investimento em Infraestrutura e Logística. Essas medidas poderão apresentar resultado concreto já em 2013”, afirmou.

 

G1