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Crer na inflação-Marcos Souto Maior

13/08/2013 21:51

CRER NA INFLAÇÃO

MARCOS SOUTO MAIOR (*)

De uns tempos para cá, a população de baixa renda e média vem suportando, dolorosamente, a parte mais sensível do corpo humano, que vem a ser o nosso bolso! Isto porque a dor é decorrente de uma série de fatores fundamentais, que muitos poucos têm acesso aos números captados, com uma série de siglas desconhecidas e com dificuldade de entendimento, por sermos analfabetos, em matéria da economia de mercado.

Na prática, o povo brasileiro vem sentindo o aumento da cesta básica, e sempre tem um vilão para justificar o aumento despudorado. O INPC, Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo, que regula a inflação, recentemente, culpou o tomate como o bandido do aumento dos preços…

Na brincadeira, foram oito décadas e quinze planos econômicos, com mirabolantes promessas de controle da economia, que foram engolidos, a começar pelos idos de 1939, quando o governo federal se preocupou com a feitura de um modelo econômico para o Brasil. Em 1950, o Plano SALTE priorizou alimentos, saúde, transportes e energia, também criando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, mais tarde sendo acrescido a sua denominação pelo verbete SOCIAL. Desta forma, até 1956 foram criados órgãos específicos para formatar e tentar o controle dos planos econômicos.

A partir de então, o Governo Federal inventou o Plano Trienal de 1963/65, seguido do PAEG – Programa de Ação Econômica de Governo (1964/66), Plano Decenal (1967) não foi executado, PED – Programa Estratégico do Desenvolvimento (1969/70) e aí vieram os PND Planos Nacionais de Desenvolvimento, com o primeiro em 1971/74, seguindo o II 1975/79, o III 1980/85, mudando para Plano Cruzado (1985) e com o seu fracasso veio o Plano de Controle Macroeconômico (1987/91) e o Plano Econômico 1991. Finalmente, tivemos o Plano Real iniciado em 1993, até os atuais dias. Foi idealizado pelo então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso e aprovado pelo Presidente da República Itamar Franco.

Tudo isso não foi, nem será entendido pelos brasileiros, em cujas costas pesam as oscilações do monstro da inflação, hoje acumulando ao patamar de 6,7% na soma de doze meses!

Os reflexos das eleições presidenciais de 2014 deixam, sem controle, os preços de aumentos em setores vitais como: alimentos, remédios, educação, energia elétrica, combustíveis, água, transporte, habitação e outros tantos.

Os movimentos sociais que saíram às ruas e logradouros do país estão de olho na inflação descontrolada pela incapacidade ministerial. Com certeza, voltarão à ferrenha cobrança de itens importantes aos governos federal, estaduais e municipais, onde as verbas públicas correm soltas no desvio da água nojenta da corrupção.

Não se pode acreditar em índice inflacionário num país onde existe imprevisão para os resultados dos julgamentos dos réus, no Supremo Tribunal Federal, dos rumorosos processos domensalão, com conclusão diversa do conhecimento popular onde tudo é possível, inclusive, nada!

(*) Advogado e desembargador aposentado