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Casa onde patriarca da Independência do Brasil morou está à venda por R$ 1,2 mi

7/09/2012 12:19

A casa onde José Bonifácio de Andrada e Silva – o patriarca da Independência do Brasil – passou os últimos anos de sua vida está à venda. Localizada na Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a residência com seis quartos – situada em uma chácara de 4 mil metros quadrados – pode ser adquirida por R$ 1,2 milhão. O imóvel é tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Os livros de História relatam que após ser afastado da tutoria de D. Pedro II e preso por supostamente liderar um complô para trazer D. Pedro I de volta o Brasil, José Bonifácio foi levado em 1833 para a casa em Paquetá para cumprir pena em regime domiciliar. De lá, só saiu cinco anos depois para morar na cidade de Niterói, onde morreu.

 

 

George Magaraia

Portão fechado evita a entrada de pessoas que acham que a casa está aberta à visitações

 

 

Atualmente, a casa pertence à família Ajuz, de origem árabe, que a comprou na década de 1930 para passar as férias. Na época, a residência já era de um dono que não tinha ligações com José Bonifácio. Os sete herdeiros, outrora adolescentes que passavam verões na chácara, envelheceram e perderam o hábito de ir ao local.

Confira o especial do iG sobre 1822

Para a corretora Eliane Machado, responsável pela venda do imóvel, o preço de R$ 1,2 milhão está no mínimo aceitável. “Pelo valor histórico, vale muito mais”, diz. Segundo ela, para efeito de comparação, uma casa de alto nível em Paquetá, sem terreno, como a que vivia o diretor da TV Globo Jorge Fernando, custa em média R$ 500 mil. Fora da ilha, com o valor cobrado pela casa de José Bonifácio é possível comprar um apartamento de três quartos em Copacabana.

Por mês, Eliane diz receber aproximadamente dez ligações de supostos interessados. Desse número, no entanto, muitos são apenas curiosos. “Aqueles que estão a passeio em Paquetá, veem o anúncio e ligam. Se o portão não estiver trancado, entram na casa como se estivesse aberta a visitas. Uma vez, estava mostrando o imóvel para um interessado e quando me dei conta várias pessoas já tinham entrado”, relata.

 

 

George Magaraia

Como o imóvel está de frente para a praia em Paquetá, o calor é amenizado

 

 

Casa não pode ser demolida

Propostas sérias, no período em que a residência está à venda – 1 ano e meio -, foram poucas. Uma francesa teve a ideia de fazer uma pousada no local, mas, como o imóvel só possui um banheiro, foi descartada. Uma sobrinha-neta de José Bonifácio, que vive em Santos (SP), tem muitos pertences do tio-avô ilustre e chegou a pensar em transformar a casa em um museu em sua homenagem. “As ideias são boas, mas não saem do papel”, lamenta a corretora.

O futuro comprador deve ficar atento a alguns pontos. Como o imóvel é tombado pelo Iphan por sua importância histórica, ele não pode ser demolido e nem sofrer alterações. O mesmo vale para o jardim localizado na entrada. Já para o terreno situado nos fundos, a regra não é aplicada.

 

 

George Magaraia

Em algumas partes do imóvel, a presença de cupins se faz presente, como no piso

 

 

Obras de manutenção na casa também devem ser previamente informadas ao Iphan. “A aprovação depende do nível de preservação do bem e está sempre vinculada à necessidade de serem mantidas as características que justificaram o tombamento. O instituto presta assessoria gratuita para orientações sobre o que pode ou não se fazer em termos de restauração”, informa o órgão.

Iphan não tem interesse na compra

A reportagem constatou que a casa está em boas condições, mas em algumas partes a ação do tempo se faz presente, com presença de cupins, por exemplo. Como qualquer residência antiga, ela possui teto alto, de forro, e, portanto, não conta com ventiladores de teto. Mas por ficar situada em frente à praia e contar com muitas janelas, o calor acaba sendo amenizado.

Para diminuir a resistência à compra de um bem tombado, o Iphan oferece incentivos fiscais. No imposto de renda de pessoa física, podem ser deduzidos 80% das despesas efetuadas no imóvel. Essa dedução, entretanto, é limitada a 10% da renda tributável. No caso de pessoa jurídica, podem ser deduzidas 40% das despesas, limitadas a 2% do imposto de renda devido. A Prefeitura do Rio ainda isenta do IPTU os proprietários de bens tombados.

Procurado pelo iG, o Iphan informou não ter interesse em adquirir o imóvel. A família proprietária, por sua vez, não pensa em reduzir o valor. “São vários herdeiros, não vai ficar quase nada para cada um”, avalia Eliane.

Mesmo com as dificuldades, a corretora de imóveis, moradora de Paquetá, não desanima. “Não perco as esperanças de vender a casa. Alguns falam que é difícil, mas não acho. Ainda não veio a pessoa certa. Tem que ser alguém que tenha amor por preservar”, conclui.

Por ser tombado pelo Iphan, o imóvel não pode ser demolido e sua fachada não poder ser alterada. Foto: George Magaraia
Do Ig