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CARNAVAL DOS IMPERADORES, REIS, DITADORES E PRESIDENTES: Escrito por Marcos Souto Maior

10/02/2015 03:29

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Escrito por Marcos Souto Maior

Mesmo neste convulsivo tempo despótico, pleno e irrecorrível, para ser tirano não precisa de nada, senão o autoritarismo dogmático, muito dinheiro, um bando de xeleléu sem a menor cara de pau com total disposição a tudo que aparecer na vida cotidiana. Assim, para os sátrapas, lamber os pés dos seus respectivos chefes sempre foi atitude simples e tão prazerosa quanto receber a maior cédula de dinheiro público só para acender o fogão do palácio e tomar um cafezinho quente no balcão do poder!

Com a aproximação do Carnaval, o famigerado “bobo da Corte” já não faz mais ninguém sorrir com piadas repetitivas, usando o próprio paletó para tirar o pó da cadeira onde o soberano sentaria e fingir um tropeço em meio aos mais chegados ao trono. Naturalmente, tem sido engraçado o pinçar semanal dos cabelos dos ouvidos e narinas da realeza, esbanjando o uso de óculos escuros nos três expedientes, da manhã, tarde e das noites dos salões de festas. Sem eloquência nos microfones, câmeras televisivas e facho de luzes especiais ensejando gafes repetidas, deixando saldos das consequentes mentiras deslavadas caírem nas mãos da gandaia, rotuladas de gozações.

Besteira pura, como sempre aconteceu, houve tentativas de impedir o que a população quer quando o tríduo irreverente do Rei Momo toca os clarins descendo as ladeiras carnavalescas, ao som do famoso ‘Abre Alas’ sem olhar para trás, arrastando pelo chão primeiro passos marcados, contudo, ao mesmo tempo sofrendo com o destino ilegal do dinheiro do povo. Aí, escancaradamente, todos ficam sabendo que Chefes de Poder, familiares e espertos amigos do bolso, subindo em aviões, helicópteros e navios, na rotina anual, sempre fugindo da folia do mês de fevereiro, em meio a suntuosos hotéis e fazendas mil estrelas, inclusas as familiares grã-finas e a companhia de babões aproveitáveis.

Há quem diga que, alguns dos poderosos incessantes, poderiam driblar a paciência dos olhos das pessoas de salário mínimo sob os enfeites de palhaço do país que verdadeiramente vem a ser o nosso Brasil e seus Poderes constitucionais. Autorrotulado de falso rico, todavia, com seu pobre enganado e sofridos súditos, suplicando de joelhos por educação, saúde, segurança, saneamento, casa própria e outros mais. Sem se misturar, os poderosos orgulhosos e os pobres sofridos, os poucos dias de Carnaval inebriam todos de alegria e bebedeira, com um ponto final nas cinzas, aonde a latomia se espalha pelos 8.515.767,049 quilômetros quadrados, de dimensão continental de riquezas e outros recursos minerais, a exemplo do petróleo, ouro, excelentes indústrias, potencialidades produtivas e diversificadas, sendo banhado pelo Oceano Atlântico e o Rio Amazonas, o maior rio do mundo em extensão.

Chega a hora do respeitado Rei Momo do nosso país levantar-se bem cedo, com a sua coroa na cabeça, cetro seguro na mão e olhar altivo de majestade, para conclamar o direito de ir e vir do povo brasileiro, para gritar no carnaval contra todos os escândalos jamais vistos em nossa História. Seguiu erguendo-se do trono para ordenar seja tocada a marcha carnavalesca Chiquita Bacana, de 1948, ao som da eterna cantora Emilinha Borga, iniciando assim: “Chiquita Bacana lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica; não usa vestido, e não usa calção, inverno prá ela é pleno verão; existencialista, com toda razão, só faz o que manda o seu coração”. Será?

(*) Advogado e desembargador aposentado

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