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Vem de muito tempo, a quebra de braço entre os consumidores e todos os que vendem seus produtos no dia a dia, seja quem for. Cansei de ouvir, entre amigos e familiares, dizer que o tenebroso monstro da inflação sufoca e acaba com as classes da parte baixa da pirâmide social. Trocando em miúdos: o dinheiro contadinho recebido pelos operários de todas as categorias, sejam funcionários civis ou militares e, até mesmo dos autônomos que dependem do que fazem, aos poucos, vai evaporando sem saber para onde foi parar o buraco negro que deixa todo mundo liso! A grande maioria dos assalariados, mesmo os pobres, foi modernizada pela conquista do dinheiro de plástico na facilidade de ver o saldo diário da conta num caixa eletrônico, bastando um simples toque empurrando o respectivo cartão para o dinheiro aparecer.  Praticamente, num toque de mágica.

Em tempos de vacas magras tem sido muito comum às brigas entre marido e mulher por causa do aumento das compras semanais de alimentos, materiais de limpeza e enlatados. Lembro-me do governo de José Sarney, por volta de 1980, quando fora lançado o Plano Cruzado, cujos efeitos até hoje são monitorados por índices inflacionários. Chegamos ao ponto do Presidente da República inventar engraçada outorga popular visando congelar os preços das mercadorias. Surgiram então os ‘fiscais do Sarney’ pessoas simples usando broches verde-amarelo nas camisas para sair às ruas no confronto entre os preços do dia anterior, com os produtos exibidos no dia seguinte. A autoridade popular denunciava os aumentos de preços aos órgãos federais e até chamavam a polícia que realizaram ordem de prisão. E deu muito certo, embora alguns exageros!

Hoje, sabe-se que a inflação, silentemente, vai aumentando vagarosamente a todos os dias, entretanto o povo e o governo sonham acordados abrindo espaço para batalhões de Black blocs, desocupados criminosos que se arvoram esquerdistas, para violentar os limites da lei e destruindo o que vier pela frente: lojas, bancos, repartições públicas, faculdades, escolas e incendeiam veículos e ônibus. Esse povo nojento, que esbanja violência e destruição sem nenhuma razão, cobre com máscara preta a cara amarela do medo das leis e tribunais. Urge retira-los da circulação pública, imediatamente, pelo simples efeitos da força do direito, sobre o direito da força!

Não apenas o ruidoso aumento das tarifas de ônibus do país seria mágico e suficiente para o equilíbrio financeiro desejado por todos! Até porque, se nossa moeda real não consegue mais comprar o que vinha sendo feito nos orçamentos familiares semanais, a carestia, sim, voltou ser uma palavra forte que todas as camadas sociais falam abertamente. E é para ser ouvida como um sinal estampido, com adornos de legalidade e pacificidade, a qualquer jeito evitando uma convulsão politiqueira se apodere do momento eleitoreiro desviando os rumos do nosso Brasil, no exemplo seguido pela mortandade violenta da Venezuela sofrida.

(*) Advogado e desembargador aposentado