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Caixinha,Obrigado! : Francisco Nóbrega Dos Santos

8/03/2014 09:26

nobrega-santosCAIXINHA, OBRIGADO!

Francisco Nóbrega  dos Santos

No período da transição entre a democracia liberal e a ditadura repressiva, o povo brasileiro, habituado ao comodismo natural, vibrava com os protestos esquerdistas, para logo se amoldar à opressão imposta pelos militares  e os grandes latifundiários, que viam nos movimentos sociais uma iminente subversão da ordem, com a invasão de gigantescas propriedades, pertencentes a uma oligarquia dominante.

Muitas vozes silenciaram. Algumas porque os mortos não falam. Outros, apenas por simpatia às lutas de determinados segmentos, que não suportavam mais as desigualdades sociais.

Existiam, ainda, aqueles de mente mais aberta que resistiram com bravura e patriotismo uma intervenção do poder militar e do latifúndio. Destacam-se entre esses, os intelectuais, artistas, cantores e compositores, que enriqueciam as páginas dos jornais, as notícias radiofônicas e a música, sempre cultuada por todas as camadas sociais.

No auge dos movimentos e com a eclosão do golpe militar de 1964, muitos dos que pensavam e sonhavam com um Brasil melhor, sofreram as mais cruéis das torturas, dentre essas o exilo e os porões  dos improvisados cárceres, com martírios físicos e morais. Muitos desses não resistiram e foram apagados da estatística do IBGE,

Alguns desses perseguidos,  mesmo no exilo compunham e recitavam suas obras poéticas ou críticas, com a esperança de verem restauradas a instituições democráticas, mesmo ao longo do tempo.

Não poderia de particularizar, sem esquecer o sacrifício dos demais, a irreverência de Juca Chaves. Esse sim, uma linguagem irônica externava o sentimento do povo oprimido e amordaçado por atos cruéis, denominados de institucionais.

No auge do regime de “austeridade” imposto ao povo brasileiro, o menestrel Juca Chaves transpunha para a música o que traduzia no sentimento do povo angustiado. E nesse sentimento  traduzido em letras e músicas,  fazia crescer a ira dos “donos da verdade”.

Quem não se Recorda de um trecho de uma canção denomina “ CAIXINHA, OBRIGADO” da  autoria desse genial artista.. Em um das dizia;” a mediocridade é um fato consumado; na sociedade onde o ar é depravado; marido rico, burguesão despreocupado. Que foi casado com mulher burra mas bela; o filho dela é político ou tarado. Caixinha, obrigado!.

Somente os poderosos não queriam aceitar a realidade externada na culta imaginação de um artista, pequeno fisicamente, mas um gigante na sua inteligência, pois suas mensagens não só advertiam a sociedade, com perfil de um político, como também foi um profeta que previa a evolução desses fatos que hoje tomam conta do País e, embora   protegido por uma quantidade de leis que se destinam a reger a conduta ou o comportamento  do cidadão, não impede que a corrupção se reproduza  como células e preencha os espaços, amparados numa legislação retrógrada, casuística e corporativista, cuja interpretação obedece à conveniência de quem se pretende beneficiar.

Infelizmente, numa democracia representativa onde os políticos proclamam-se defensores do povo, fazem exatamente o contrário do que o povo quer. Num exemplo bem claro dessa situação, o povo clama por mudança das leis penais. Modificações na legislação do menor, enquanto os políticos a pretexto de respeitar a Constituição, sufocam o projeto nas entranhas dos gabinetes, através das comissões.

E assim a sociedade vive, convive e, por milagre sobrevive das ações de malfeitores, escudados numa legislação de dúbia interpretação; de normas anacrônicas e superadas pelos costumes, enquanto parlamentares votam em regime de urgência, reajustes de proventos, vantagens pessoais e, na contramão dos fatos, aprovam o calote dos precatórios, objetivando eternizar uma dívida social do governo, com o objetivo de negociar cargos e funções. E o povo que se dane, pois o voto é barato e a compra de voto ninguém vê. Por outro lado, existem ainda os “mensaleiros” dizendo; CAIXINHA, OBRIGADO…