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A GRANDE RÉ PÚBLICA: Francisco Nóbrega dos Santos

31/08/2013 18:08

A GRANDE RÉ PÚBLICA

Francisco Nóbrega dos Santos

12.thumbnailO povo brasileiro vem sofrendo um problema que se agiganta sob os olhares do mundo. Esse problema todos sabem que é o crescimento populacional nas grandes cidades, em decorrência do êxito rural em face da falta de opção para se viver no campo e sustentar a família com a agricultura de subsistência.

Nesse caminho migratório as capitais e as grandes cidades inflaram e esses imigrantes, sem condição de trabalho, sem apoio do governo, cresceram e se multiplicaram em palafitas e mocambos, em construções desordenadas, desprovidas dos mais simples serviços de infraestrutura que é, sem dúvida, o saneamento básico.

Com os efeitos desses fatores ora externados, o desordenamento foi crescendo, ante os olhares omissos das autoridades e os problemas se avolumando, sob a proteção de políticos aventureiros, que só pensavam em transferir eleitores e ganhar votos. Hoje é o que se vê. O caos desordenados ante a iminência de uma convulsão social.

Todos sabem que as normas de urbanização visam o ordenamento das Cidades, inclusive o município com mais de 20 mil habitantes, estariam obrigados a criar um Plano Diretor. Se tais normas saíssem do papel, o povo não teria o dissabor de visualizar cidades e bairros construídos como verdadeiros pergaminhos, com vias desencontradas, avenidas desalinhadas, além da total ausência de infraestrutura e outros requisitos nesse crescimento cruel e desumano.

Os governantes e a classe política sabem disso. Conhecem o foco do problema. Mas, para se somar voto e ganhar notoriedade na mídia, o caminho é esse mesmo, pois obras sanitárias representam, para eles, dinheiro enterrado, sem o direito de colocar uma placa a cada dez metros de esgotos sanitários, como uma propaganda política do autor da obra.

 

Todos sabem, inclusive a classe política, que esse fenômeno natural denominado de “seca” é o principal fator dessa debandada do campo para as capitais ou grandes cidades, como uma alternativa de sobrevivência. Antigamente o homem do campo, de modo particular, do nordeste alimentando o sonho de auto realização, migrava para o sul ou sudeste do Brasil com o objetivo de trabalhar, mesmo em regime de escravidão, em busca de meios de sobrevivência para si e seus familiares e agregados que formavam a estatística de um lar.

Hoje, sem lar, sem pão e sem o direito de retorno ao local onde nasceram, e viveram, as famílias procuram qualquer meio de sobrevivência, e muitos encontram, diante de si, a oferta das drogas, como o caminho para a iniciação de uma estrada de ida sem volta, contribuindo, desse modo, para tornar o Brasil, como um dos países mais violentos do mundo, e a classe política mais omissa do Universo.

Desse modo, não adianta iludir ou tentar iludir o povo brasileiro, com a badalada reforma política, pois o que esse País precisa mesmo é de uma reforma estrutural e radical, porquanto a injusta distribuição das rendas é o mais terrível dos males. É a causa e não os efeitos.

Enquanto um povo desesperado sabe da existência de gabinetes de políticos cheios de homens vazio, conspirando contra o povo, tramando alianças em troca de cargos,  essa república das desigualdades dispõe da maior carga tributária do Mundo, com enorme fatia desse gigantesco bolo, carreada para os cofres da União, com elevada parcela ofertada ao legislativo, cujos quadros de assessores é muitas maior do que o quadro de médicos de todo Brasil.

Na contra mão dos fatos, os estados e municípios, por conveniência ou interesses escusos, contentam-se com as migalhas que caem da farta mesa e da grande farra, ostensivamente mostradas em suntuosos gabinetes salões nobres. E aqueles que dependem do resto dos banquetes, levam pauladas da mídia pela falta de SAÚDE, EDUCAÇÃO e SEGURANÇA.