Lula e Trump: quais os próximos passos das negociações

Professor de Relações Internacionais e Economia acredita em acordo difícil, no qual o Brasil terá que ceder

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Trump e Lula tiveram reunião de 50 minutos de portas fechadas
Ricardo Stuckert / PR

Trump e Lula tiveram reunião de 50 minutos de portas fechadas

Passada a expectativa do primeiro encontro oficial dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump para conversar sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, após uma breve conversa na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a questão agora é: o que esperar dos próximos passos das negociações?

Lula e Trump se encontraram às margens da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático, na Malásia.

Apesar de breve, o encontro foi “supreedentemente bom” , na opinião de Lula. Trump concordou, elogiou Lula e parabenizou o presidente brasileiro pelo seu aniversário de 80 anos, nesta segunda-feira (27).

A reunião na Malásia foi o primeiro passo para um acordo difícil, no qual o Brasil terá que ceder. E o desfecho poderá levar semanas ou até meses. Essa é a opinião do professor de Relações Internacionais e Economia do Ibmec, Alexandre Pires, que fez uma análise da situação em entrevista ao  Portal iG.

Praxe diplomática

Pires explica que o encontro foi o início de um mecanismo bilateral, ou seja, marcou a autorização dos chefes de Estado para que as suas equipes comecem as negociações. Na sequência, ainda na Malásia, como é a praxe diplomática, ocorreu a definição de agendas e do local.

“Havia expectativa ali das equipes de que alguma coisa avançasse pelo lado americano, mas obviamente que a negociação vai ser dura”, afirmou, destacando que o Brasil está sob investigação na representação comercial americana, com relação às suas práticas.

“Existe um estado de emergência econômico lançado só sobre o Brasil, então existem pontos duros. Uma parte considerável dos elementos para a tarifa de 40% que se somou à de 10%, em abril, tem componentes políticos, jurídicos, regulatórios. E da mesma maneira que outros países estão tendo que ceder tremendamente para fazer acordos com os Estados Unidos, com o Brasil não vai ser diferente”, enfatiza o especialista.

“Especialmente zerar as tarifas para produtos americanos e eliminar, na totalidade ou quase na totalidade, barreiras não tarifárias. Isso tudo vai entrar em questão. Ainda mais com um componente geopolítico, por exemplo, a aproximação do Brasil com a China, e a questão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vários pontos provavelmente vão ser usados pelos americanos nessas negociações para tentar tirar do Brasil um acordo muito semelhante ao acordo que outros países tiveram que assinar com os americanos” , adverte Pires.

 

Segundo ele, os próximos passos agora são os agendamento dos encontros, que deverão ocorrer nos Estados Unidos, além da definição das equipes, as autorizações e vistos. Também se espera o resultado das investigações americanas sobre o comércio brasileiro.

Foco agora é a China

De qualquer forma, o professor de Relações Internacionais ressalta que o foco dos Estados Unidos agora é a China e a busca pela assinatura de um acordo comercial que poderá ocorrer em Gyeongju, na Coreia do Sul, no final deste mês, no encontro entre Trump e Xi Jinping.

“Depois disso, o Brasil pode voltar à pauta e aí a discussão pode se acelerar ou não. Nós temos que lembrar que a China está lá há praticamente sete ou oito meses negociando com um poder de barganha muito maior que o nosso. Outros países tiveram que ceder rapidamente e o Brasil já está aí enfrentando as tarifas há três meses. Então, agora vamos ver como as equipes procedem”, pondera.

O que vai para a mesa de negociações

“Mas o mundo mudou e agora resta esperar como que o Brasil vai responder às exigências, aos pontos da pauta dos americanos e o que nós vamos conseguir colocar na mesa de negociação. Temos minerais críticos, terras raras, temos um mercado consumidor grande para alguns produtos americanos, também para o etanol. O mercado nosso de licitações públicas provavelmente vai entrar na pauta, a questão das big techs, as regulações da Anatel, a questão de pagamento como PIX, enfim, vários pontos vão ser colocados e o Brasil agora vai ter que costurar com os americanos alguma saída” , aponta Pires.

Ele afirma ainda que a equipe brasileira sabe qual é o acordo comercial que os Estados Unidos já têm escrito; resta saber se vai conseguir modificar os termos sem que os parceiros americanos que já assinaram outros acordos venham a se sentir desprivilegiados em relação ao Brasil.

“Vai ser tudo muito difícil, muito duro e talvez exija semanas ou meses. Torcemos para que seja feito de uma maneira rápida, eliminando essas tarifas que pesam sobre as empresas brasileiras e, consequentemente, sobre o potencial de crescimento do Brasil”, finaliza o professor Alexandre Pires.




MPF denuncia grupo criminoso por esquema que causou prejuízo de R$ 4 milhões ao INSS no Nordeste

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou três pessoas por um esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Rio Grande do Norte, na Paraíba, no Ceará e no Piauí. Segundo o MPF, a organização criminosa falsificou documentos e solicitou benefícios previdenciários em nome de idosos inexistentes de 2013 a 2021.

A investigação – que ocorreu no Rio Grande do Norte – apontou que o grupo criminoso obteve mais de R$ 4 milhões em benefícios ilegais. O MPF informou que as investigações impediram cerca de R$ 20 milhões de prejuízo adicional.

Segundo o MPF, o grupo criminoso induzia o instituto ao erro por meio de documentos públicos falsificados – como certidões de nascimento, documentos de identidade e CPFs.

Os denunciados – que não tiveram os nomes revelados – simulavam a existência de pessoas fictícias e, em nome delas, entravam com requerimento para benefícios previdenciários assistenciais.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPF à Justiça Federal, os criminosos “atuaram de forma coordenada, integrada e estável, utilizando-se de mecanismos fraudulentos sofisticados, em associação com outros membros, com o objetivo de lesar reiteradamente o INSS”.




Imposto do pecado, carne e mais: como fica o novo texto da reforma tributária?

Câmara dos Deputados apresentou hoje o texto de proposta para a reforma tributária; veja o que muda

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Brasil Econômico

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Atualizada às 

A Câmara dos Deputados propôs hoje, 4, a regularização da reforma tributária
Mário Agra/Câmara dos Deputados – 03/07/2024

A Câmara dos Deputados propôs hoje, 4, a regularização da reforma tributária

A Câmara dos Deputados propôs nesta quinta-feira, 4, a regularização da reforma tributária. Um dos principais pontos foi a manutenção da carne bovina e frango. A sugestão é taxação parcial dos tributos sobre o consumo.

A ideia inicial é que o frango e carne vermelha continuem na cesta básica com taxação parcial (alíquota total de 40%). A proposta será submetida ao plenário da Câmara na próxima semana e será votada.

A carne bovina e frango não pagam, hoje, impostos federais. Na maioria dos estados, há cobrança de ICMS. Nos próximos anos, os impostos serão substituídos pelo IBS e CBS, por isso a necessidade de discutir novas regras.

Augusto Coutinho (Republicanos PE), um dos relatores, explicou que “o impacto da questão da carne é muito substancial na taxa base já cobrada.” por isso, pensavam em maneiras de concessões:

“A gente preferiu, inclusive, que a questão do cashback para a população de baixa renda fosse compensada, para que de fato quem tivesse o benefício fosse a população mais pobre, a população que de fato precisa ter o incentivo da tarifa zero.”

Nesse sistema, todas as pessoas pagariam impostos. Porém, pessoas de baixa renda receberiam o dinheiro gasto em alguns produtos como crédito. O modo de retorno não foi definido.

Alíquota de referência aumenta

Parte do motivo que a Câmara resiste em isentar impostos de todas as carnes é a alíquota de referência.

Basicamente, ao isentar alguns itens de consumo de impostos, outros precisam compensar. A alíquota de referência é aquela cobrada de todos os produtos não isentos.

Hoje, a alíquota é 26,5%. Caso houvesse desoneração da carne, essa taxa subiria até 27,1% — a maior referência do mundo.

Hoje, a Hungria tem alíquota de referência em 27%, a mais cara.

Carne mais barata

Mesmo que a carne tenha imposto de 40% nos futuros impostos, o governo Lula afirmou que os tributos gerais serão mais baixos do que hoje, ao fim.
Hoje, as carnes pagam cerca de 12,7% em impostos, considerando o ICMS de cada estado e resíduos tributários.

Após a reforma tributária e com aplicação da tributação parcial, os impostos serão não cumulativos — beirando 10,6%.

Bernardo Appy, secretário da Fazenda, explicou como esse imposto será ainda menor para a população de baixa renda. Com o retorno de 20% em cashback, o montante final é 8,5%.

E a picanha, como Lula prometeu?

Lula (PT) queria que o Congresso incluísse alguns cortes de carnes na isenção — baseado em consumo de faixa de renda. Na terça, 2, comentou sobra a “picanha” que prometeu:

“Eu acho que temos que fazer diferenciação. Você tem vários tipos de carne, tem carne chique, de primeiríssima qualidade, que o cara que consome pode pagar um impostozinho. Agora, você tem outro tipo de carne, que é a carne que o povo consome. Frango, por exemplo, não precisa ter imposto. Frango faz parte do dia a dia do povo brasileiro, ovo faz parte do dia a dia. Uma carne, sabe, um músculo, um acém, coxão mole, tudo isso pode ser evitado.”

Porém, não é possível fazer a diferenciação. Rodrigo Orair, diretor de programa da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, disse em abril:

“A fiscalização é feita com uma classificação padrão. E como as carnes aparecem lá. Você divide o boi no meio e em quartos. Então, só tem duas classificações, quarto dianteiro e quarto traseiro. Normalmente as carnes nobres estão no quarto traseiro. Mas aí você tem várias anedotas de auditores que diziam que estados que fizeram isso e o fiscal chegou lá e todos os bois eram bípedes, porque só tinham quartos dianteiros.”

Portanto, dificilmente haverá possibilidade de verificação de cortes de boi — no máximo, é tipo de carne, como bovina, suína, etc.

Na quarta, Lula propôs, então, diferenciar care in natura e processada, a primeira isenta.

“Mas sou daqueles que vou ficar feliz se eu puder comprar carne sem imposto, prometi na campanha que o povo ia voltar a comer picanha e tomar cerveja”, disse.

O que muda na reforma tributária?

A reforma tributária está prevista para ser avaliada entre 2024 e 2025 e entrar em vigor a partir de 2026.

Ela funcionará como uma simplificação de impostos. Cinco tributos virarão dois de Impostos sobre Valor Agregado (IVAs). Estes terão só uma legislação; um deles será comandado pela União; o outro, gestão única de estados e municípios.

A CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, é de gestão da União. Unifica o IPI, PIS e Cofins.

O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, é dos estados e cidades, e junta ICMS (estadual) e ISS (municipal).

Outros impostos serão seletivos, sobre produtos nocivos à saúde, e um sobre produtos produzidos em Manaus, mas fora da Zona Franca.

Os impostos sobre consumo, para ter arrecadação similar, deverão somar 26,5%. O valor será padronizado e confirmado no futuro.

Imposto do pecado

Outra sugestão importante da reforma tributária é a ampliação da lista do chamado “imposto do pecado”, pensado para desestimular consumo. O nome oficial é Imposto Seletivo.

Esse imposto é, normalmente, aplicado a produtos prejudiciais à saúde ou meio ambiente.

Hoje, a lista compõe-se de:

  • Cigarros;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Bebidas açucaradas;
  • Embarcações, aeronaves e veículos poluentes; e
  • Extração de minério de ferro, de petróleo e de gás natural.

Dois novos itens serão:

  • Apostas
  • Carros elétricos.
  • Originalmente, caminhões incluíam-se na lista, mas foram excluídos.




Mega-Sena sorteia neste sábado prêmio de R$ 75 milhões

O Concurso 2.559 da Mega-Sena, que será realizado hoje (28) à noite em São Paulo, pagará o prêmio de R$ 75 milhões a quem acertar as seis dezenas. O sorteio será às 20h no Espaço da Sorte.

O último concurso (2.558), na última quarta-feira (25), não teve ganhadores na faixa principal, e o prêmio ficou acumulado. Foram sorteadas as dezenas: 02 – 10 – 18 – 25 – 34 – 44.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal – acessível por celular, computador ou outros dispositivos. É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 4,50. Quanto mais números marcar, maior o preço da aposta e maiores as chances de faturar o prêmio.

Agência Brasil 




Caixa paga Bolsa Família a beneficiários de NIS de final 6

A Caixa Econômica Federal paga hoje (25) a parcela de janeiro do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6. O valor mínimo corresponde a R$ 600.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês, o programa de transferência de renda do governo federal alcançará 21,9 milhões de famílias, com um gasto de R$ 13,38 bilhões. O valor médio recebido por família equivale a R$ 614,21.

A partir deste mês, o programa social volta a chamar-se Bolsa Família. O valor mínimo de R$ 600 foi garantido após a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, que permitiu o gasto de até R$ 145 bilhões fora do teto de gastos neste ano, dos quais R$ 70 bilhões estão destinados a custear o benefício.

Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu que a manutenção da parcela mínima segue o compromisso estabelecido entre o novo governo e o Congresso Nacional. “Começaremos o pagamento de R$ 600 para famílias beneficiárias. Compromisso firmado durante a campanha e que conseguimos graças a PEC que aprovamos ainda na transição, já que o valor não tinha sido previsto no orçamento pelo governo anterior”, postou o presidente no último dia 16.

O pagamento do adicional de R$ 150 para famílias com crianças de até 6 anos ainda não começou. Há duas semanas, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o valor extra só começará a ser pago em março, após o governo fazer um pente-fino no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), para eliminar fraudes.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Agência Brasil



Com Lula, primeiro Ministério dos Povos Indígenas se torna realidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na tarde desta quarta-feira (11), em Brasília, da cerimônia de posses das ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara.

Pela primeira vez na história do Brasil, haverá um Ministério dos Povos Indígenas, que ainda integrará a Fundação Nacional do Índio (Funai). Durante a cerimônia, Guajajara anunciou que a Funai passará a se chamar Fundação Nacional dos Povos Indígenas e que será presidida pela primeira deputada federal indígena, Joenia Wapichana.

A ministra Sônia Guajajara, eleita deputada federal pelo PSOL de São Paulo nas últimas eleições, é reconhecida internacionalmente como ativista e líder indígena na luta pela promoção e direitos dos povos originários.

Durante a cerimônia, Guajajara recriou o Conselho de Política Indigenista, falou sobre a importância da demarcação de terras dos povos indígenas, da relevância da resistência e relembrou sobre os séculos de violência e violações contra os povos indígenas e o uso da Terra.

A ministra dos Povos Indígenas agradeceu a presença da ex-presidenta Dilma Rousseff, de todos presentes, e parabenizou o presidente Lula pela coragem de criar o ministério.

Guajajara também destacou as posses dela e de Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, como o “mais legítimo símbolo da resistência secular preta e indígena do Brasil”.

“E estamos aqui hoje, nesse ato de coragem, para mostrar que destruir a estrutura dos Três Poderes não vai destruir a nossa democracia! Eu e Anielle Franco convocamos todas as mulheres do Brasil que nunca mais vamos permitir outro golpe no nosso país.”




Rosa Weber toma posse como presidente do STF, defende a democracia e repudia discurso de ódio e intolerância

Rosa Weber durante cerimônia de posse como presidente do Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (12). — Foto: Divulgação/S

A ministra Rosa Weber tomou posse nesta segunda-feira (12) como a nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). No discurso de posse, ela defendeu a democracia, o Estado de Direito, e repudiou a intolerância e o discurso de ódio.

A ministra também falou de:

  • ‘tempos perturbadores’ na vida institucional do país
  • ataques injustos ao STF
  • defesa do sistema eleitoral

Na mesma cerimônia, o ministro Luís Roberto Barroso tomou posse como vice-presidente da Corte.

Estiveram presentes à cerimônia autoridades como os demais ministros do STF, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e o procurador-geral da República, Augusto Aras.

Também compareceu o ex-presidente José Sarney. O presidente Jair Bolsonaro foi convidado, mas não esteve presente, contrariando a tradição de presidentes da República prestigiarem a posse de presidentes do STF.

Desde o início de seu discurso, Rosa Weber enalteceu os valores democráticos, a Constituição e o respeito às diferenças dentro da sociedade.

“Sejam as minhas palavras as de reverência incondicional à autoridade suprema da Constituição e das leis da República, de crença inabalável na superioridade ética e política do Estado democrático de Direito”, disse Rosa Weber.

A ministra continuou

“De respeito ao dogma fundamental da separação de poderes, de rejeição do discurso de ódio, de repúdio à prática de intolerância enquanto expressões constitucionalmente incompatíveis com a liberdade de manifestação do pensamento.”

 

O mandato de Rosa Weber à frente da Suprema Corte durará menos de um ano. Isso porque ela terá de se aposentar até outubro de 2023, quando completa 75 anos, idade máxima para ser ministra, segundo a lei.

Rosa Weber é a terceira mulher a ocupar o posto mais alto do Judiciário brasileiro. Antes dela, presidiram a corte as ministras Ellen Gracie, que já se aposentou, e Cármen Lúcia – que esteve à frente do STF de 2016 a 2018.

‘Tempos perturbadores’

A nova presidente do STF afirmou também, em seu discurso, que o país passa por “tempos perturbadores” em sua vida institucional.

Sem citar um episódio específico, ela disse que o STF tem sido alvo de ataques injustos. Ela criticou quem diz que o STF pratica “ativismo judiciário”. Para a ministra, esse argumento é usado por quem “desconhece” a Constituição.

“Vivemos tempos particularmente difíceis da vida institucional do país. Tempos verdadeiramente pertubadores, de manequeísmos indesejáveis. O Supremo Tribunal Federal não pode desconhecer esta realidade. Até porque tem sido alvo de ataques injustos e reiterados, inclusive, sob a pecha de um mal compreendido ativismo judicial por parte de quem, a mais das vezes, desconhece o texto constitucional e ignora as atribuições cometidas a essa Suprema Corte pela Constituição. Constituição que nós, juízes e juízas, juramos obedecer”, declarou.

Eleições seguras

Em outro momento de seu discurso de posse, a nova presidente do STF defendeu também o processo eleitoral brasileiro, alvo de frequentes e infundadas críticas do presidente Jair Bolsonaro.

A ministra elogiou os trabalhos dos ministros Edson Fachin, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Alexandre de Moraes, atual presidente da Corte Eleitoral.

“Em estrada competentemente pavimentada pelo ministro Edson Fachin, [o ministro Alexandre de Moraes] mais uma vez garantirá a regularidade do processo eleitoral, a certeza e a legitimidade dos resultados das urnas e, em fiel observância aos postulados da nossa Constituição, o primado da vontade soberana do povo, que é a fonte real de todo o poder no âmbito das sociedades estruturadas em bases democráticas”, disse Rosa Weber.

Por G1




Grupo de trabalho debate sistemas de governo e semipresidencialismo com estudiosos

O GT sobre semipresidencialismo deverá entregar o relatório em julho

O grupo de trabalho que discute os temas relacionados ao sistema de governo semipresidencialista realiza audiência pública na quarta-feira (27), com a presença de estudiosos da Ciência Política e de sistemas de governo.

Confirmaram participação na audiência a pesquisadora do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lara Mesquita; o professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Nelson Juliano Cardoso Matos; e a investigadora principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Marina Costa Lobo.

O grupo de trabalho é coordenado pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O colegiado, formado por dez deputados, tem 120 dias para concluir seus trabalhos, prazo que acaba em julho e pode ser prorrogado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-A




Maia diz que não pode colocar “mais lenha” e irá responder pedidos de impeachment no momento certo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que irá decidir “no momento certo” sobre os pedidos de impeachment apresentados contra Jair Bolsonaro, mas ressaltou que está concentrado em tentar “unificar o país”Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro

Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR | Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados)

Reuters – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira(01) que irá decidir “no momento certo” sobre os pedidos de impeachment apresentados contra o presidente Jair Bolsonaro, mas ressaltou que não se pode colocar mais lenha na fogueira e que está concentrado em tentar unificar o país.

Maia disse, em videoconferência promovida pelo portal UOL, que, como juiz desse processo, uma decisão política sobre um impeachment precisa ser bem avaliada para não gerar mais desarmonia e crise.

Maia disse, em videoconferência promovida pelo portal UOL, que, como juiz desse processo, uma decisão política sobre um impeachment precisa ser bem avaliada para não gerar mais desarmonia e crise.

Rodrigo Maia

@RodrigoMaia

Vou continuar defendendo a importância da nossa democracia, da nossa liberdade, contra qualquer tipo de visão autoritária. E cobrando a união de todos os que detém o poder no esforço de combater a pandemia, salvar vidas e a nossa economia da recessão.

Vídeo incorporado

 Brasil 247




Bolsonaro usa helicóptero e anda a cavalo para prestigiar ato na Esplanada contra STF e Congresso

Depois, desceu e caminhou para cumprimentar seus apoiadores que estavam em frente ao Planalto.

Em seguida, andou a cavalo diante de manifestantes. o presidente não deu declarações. (Foto: Reprodução)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) requisitou um helicóptero oficial para sobrevoar a Esplanada dos Ministérios neste domingo (31) e prestigiar mais uma manifestação a favor de seu governo e contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso.

Depois, desceu e caminhou para cumprimentar seus apoiadores que estavam em frente ao Planalto. Ele não utilizava máscara, obrigatória no Distrito Federal como medida de combate à Covid-19. Em seguida, andou a cavalo diante de manifestantes. o presidente não deu declarações.

Na domingo passado (24), o presidente também havia utilizado um helicóptero para sobrevoar a área.

Neste domingo, uma carreata e pessoas à pé se dirigiram à Praça dos Três Poderes, onde um grupo se aglomerou à espera do presidente da República.

O helicóptero, em um passeio de 40 minutos, deu pelo menos seis voltas na Esplanada e pousou por volta das 12h no Palácio do Planalto. Após cumprimentar apoiadores, o presidente retornou ao Alvorada de helicóptero.

Como tem ocorrido constantemente, o STF foi o principal alvo das palavras de ordem e das placas carregadas por manifestantes.

Placas afirmavam: “Supremo é o povo” e “Abaixo a ditadura do STF”. Faixas faziam ataques ao Supremo e pediam intervenção militar. Congressistas foram chamados de corruptos.

Manifestantes demonstraram ainda apoio aos ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Abraham Weintraub (Educação). “Fake news não é crime”, dizia uma faixa. O número de manifestantes deste domingo era um pouco maior do que o da semana passada.

Neste sábado (30), sem compromissos oficiais previstos, Bolsonaro também usou um helicóptero, desta vez para visitar cidades de Goiás que ficam próximas a Brasília.
De acordo com imagens publicadas por apoiadores nas redes sociais, sem usar máscara, o presidente causou aglomeração em uma lanchonete no município de Abadiânia, contrariando orientações sanitárias e repetindo cenas provocadas por ele durante a pandemia do coronavírús.

No início da madrugada deste domingo, um grupo de pessoas mascaradas carregando tochas protestou em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Os manifestantes eram liderados por Sara Winter, investigada no inquérito contra fake news que tramita no STF.

Ela é um dos líderes do chamado movimento “Os 300 do Brasil”, grupo armado de extrema direita formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que acampam em Brasília.

Com máscaras, roupas pretas e tochas, o grupo, formado por poucas dezenas de pessoas, desceu a Esplanada e, segundo imagens divulgadas por eles nas redes, se posicionou em frente ao Supremo.

Mais cedo, Bolsonaro voltou a fazer ataques à imprensa em publicação em redes sociais.

“O maior dos FAKE NEWS é o ‘gabinete do ódio’ inventado pela imprensa”, afirmou, em referência ao grupo alvo de investigação no inquérito das fake news.

“Até o momento a Folha, Globo, Estadão… não apontaram uma só fake news produzida pelo tal ‘gabinete'”, afirmou.

Depois, Bolsonaro falou em “mídia podre” e citou ações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre disparos de mensagens em massa de WhatsApp na campanha eleitoral.
“Será que, se eu chamar essa imprensa e negociar com ela alguns BILHÕES DE REAIS em propaganda, tudo isso se acaba?”, afirmou.