Prigozhin morre em acidente de avião na Rússia, diz agência
Dez pessoas morreram após queda de aeronave durante o voo de Moscou para São Petersburgo
Por
Fabrízio Glória
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Atualizada às
Reprodução/redes sociais – 21.08.2023
Morre líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin em queda de avião
Um avião que tinha na lista de passageiros o nome de Yevgeny Prigozhin, líder do grupo Wagner, caiu durante um voo de Moscou para São Petersburgo, de acordo com autoridades russas. Prigozhin liderou uma tentativa fracassada de golpe contra o presidente Vladimir Putin em junho deste ano e depois se exilou na Bielorrússia.
Todas as 10 pessoas a bordo do avião, incluindo três membros da tripulação, morreram no acidente, informou o ministério de emergência da Rússia, segundo a agência de notícias estatal RIA Novosti
A Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia (Rosaviatsiya) iniciou uma investigação sobre a queda de um avião Jato Executivo da Embraer, que ocorreu na Região de Tver nesta quarta-feira (23).
As informações foram divulgadas pela agência em comunicado, acrescentando que o nome Yevgeny Prigozhin estava incluído na lista de passageiros do voo acidentado.
“Uma investigação sobre a queda do avião Embraer que ocorreu na Região de Tver nesta noite foi iniciada. De acordo com a lista de passageiros, o primeiro e o último nome de Yevgeny Prigozhin estavam incluídos nessa lista”, observou a agência.
O que se sabe sobre o acidente
No primeiro comunicado sobre o acidente, o Ministério de Situações de Emergência disse à agência TASS — que o jato executivo Embraer havia caído na região de Tver, matando todos a bordo, mas não foi adicionado outros detalhes sobre os passageiros.
“O avião Embraer estava a caminho de Sheremetyevo para São Petersburgo. Havia três pilotos e sete passageiros a bordo. Todos eles faleceram”, disse a fonte.
Os serviços de resposta de emergência informaram à TASS (Agência de Notícias Russa) que quatro corpos haviam sido encontrados. O avião, aparentemente, pegou fogo após a queda e o impacto com o solo, sendo consumido pelas chamas. A aeronave havia levantado voo por cerca de 30 minutos.
Até o momento só está confirmada a presença do nome de Prigozhin na lista de passageiros da aeronave. Na segunda-feira, o líder do grupo Wagner teria postado um vídeo falando diretamente da África, de onde supostamente atuava no conflito armado na região do Níger. Prigozhin teria afirmado que estava em combate ao lado de vários soldados para tornar o continente “mais livre”.
Equador: Luisa González e Daniel Noboa lideram votação para 2º turno
Apuração das urnas caminha para um segundo turno no país; autoridades classificaram eleições como ‘pacíficas e seguras’
Por
iG Último Segundo
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Montagem iG / Imagens: Wikimedia Commons e reprodução/Instagram
Luisa González e Daniel Noboa Azin
Os candidatos Luisa González e Daniel Noboa Azin devem disputar o segundo turno das eleições do Equador. As urnas foram fechadas e começaram a ser apuradas ainda na tarde desse domingo (20), às 17h (19h no horário de Brasília).
Com 91% das urnas apuradas às 3h52 desta segunda-feira (21), González e Azin lideram a disputa presidencial com 33% e 23% dos votos, respectivamente, segundo a agência de notícias Associated Press .
A chapa de Fernando Villavicencio, assassinado durante comício político no início do mês, aparecia em terceiro lugar na votação, com 16% dos votos, com o candidato Christian Zurita.
O segundo turno no país está marcado para 15 de outubro, mas o vencedor do pleito vai receber as credenciais do governo em 30 de novembro, conforme o cronograma do órgão de governo eleitoral.
A necessidade de uma segunda rodada de votação foi confirmada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão equatoriano que equivale ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com mais de 60% das urnas apuradas, a presidente do CNE, Diana Atamaint, afirmou que os resultados já indicavam “uma tendência para garantir que os equatorianos vão a um segundo turno eleitoral”.
Após a onda de violência que marcou as campanhas eleitorais, autoridades do país mobilizaram mais de 100 mil policiais e soldados para fazer a segurança da votação. Uma pessoa teria sido presa por voto falso, duas por assédio e resistência à prisão e mais de 20 por porte ilegal de armas, informou o general Fausto Salinas, comandante-geral da Polícia Nacional.
Christian Zurita, inclusive, que substituiu Villavicencio, compareceu à seção eleitoral com forte esquema de segurança, usando equipamentos como capacete e colete à prova de balas.
O esquema garantiu a segurança do pleito e, conforme a presidente do CNE, nenhum incidente violento foi registrado, classificando a eleição como “pacífica e segura”.
Autoridades informaram apenas que uma página na internet desenvolvida para que equatorianos que estão no exterior possam votar sofreu ataques cibernéticos, mas que a integridade dos votos não foi afetada.
Rússia dispara mais de 28 mísseis contra a Ucrânia em ameaça à Polônia
Foto: Reprodução
Por Letícia Cotta
A Rússia disparou uma série de mísseis de longa distância contra o oeste da Ucrânia, na terça-feira (15/8), mesmo dia em que a Polônia fez seu maior desfile de Forças Armadas desde a Guerra Fria.
Foram mais de 28 mísseis lançados a partir de um cruzeiro e por meio das aeronaves 16 Tu-95MS, 2 Tu-22M3 e 1 Tu-160, que utilizaram mísseis kh-101. O uso de mísseis subsônicos kalibr também foi registrado, e a Ucrânia informou ter abatido 16 dos 28.
Segundo o presidente russo, Vladimir Putin, a região atacada está na mira de uma intervenção de Varsóvia por causa de laços históricos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), instituição que vem recebendo críticas de Putin.
O ataque é um recado à Polônia, que tem histórico de conflito armado com os russos durante a Guerra Fria, e realizou na terça-feira (15/8) um desfile das Forças Armadas. Foram, no total, 2 mil soldados poloneses e da Otan desfilando em conjunto aos tanques norte-americanos M1A1 Abrams e sul-coreanos K2 Black Panther, recém comprados; 92 aviões e helicópteros; e demais equipamentos.
A data do desfile da Polônia não foi escolhida em vão: celebra os 103 anos da vitória polonesa sobre a União Soviética na Batalha de Varsóvia, que manteve o país independente até o início da Segunda Guerra Mundial.
Relação Polônia-Ucrânia
Em julho, Putin havia afirmado que a Polônia pretendia conquistar um pedaço da Ucrânia, mas que reagiria caso alcançasse a Belarus, região que fica no meio do fogo cruzado. “Quanto aos líderes poloneses, muito possivelmente eles estão contando com a formação de algum tipo de coalizão sob a égide da Otan para se envolver diretamente no conflito ucraniano, a fim de arrancar um bom pedaço da Ucrânia para si. Não vamos nos envolver. Mas, quanto à Belarus, faz parte do Estado da União. A agressão contra a Belarus significará agressão contra a Federação Russa. Responderemos a isso com todos os meios à nossa disposição”.
Polônia e Rússia são ambos descendentes dos povos eslavos, falam línguas parecidas e têm costumes parecidos. Esses dois países entraram em confronto durante a Guerra Fria, quer perdurou de 1947 a 1991, por causa da tentativa de expansão do comunismo russo para a Europa Central.
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Candidato à presidência do Equador é assassinado com três tiros na cabeça
Fernando Villavicencio, um candidato a presidente do Equador, foi assassinato com três tiros na cabeça depois de sair de um encontro político na cidade de Quito nesta quarta-feira (9), de acordo com a mídia do país.
Assessores de Villavicencio confirmaram a morte. Em um perfil do Instagram do candidato há vídeos que mostram um atentado. O atual presidente, Guillermo Lasso, também disse em uma rede social que o candidato foi assassinado.
Segundo o jornal “El Universo”, as pessoas que estavam no encontro de campanha ouviram disparos e então notaram que Villavicencio caiu no chão.
Villavicencio apareceu em 5º lugar em uma pesquisa publicada pelo “El Universo” na terça-feira.
Ameaças a autoridades
Na segunda-feira, funcionários do Conselho Nacional Eleitoral afirmaram que estavam recebendo ameaças de morte –a presidente da instituição, Diana Atamaint, foi quem fez o alerta.
Ela afirM
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ou que os funcionários públicos “estão expostos a essas circunstâncias, não apenas a receber ameaças, mas também à violência política”, como insultos em redes sociais.
Violência no país
O Equador enfrenta, nos últimos anos, a violência ligada ao narcotráfico, que, durante o processo eleitoral, resultou na morte de um prefeito e um candidato a deputado, além de ameaças a um candidato à presidência.
A criminalidade no país dobrou a taxa de homicídios em 2022, quando a mesma chegou a 25 a cada 100 mil habitantes, enquanto, até junho, era de 18 em 2023.
Eleições antecipadas
O Equador irá eleger um presidente, vice-presidente e os 137 parlamentares em 20 de agosto. O presidente Guillermo Lasso dissolveu a opositora Assembleia Nacional, em maio, para pôr fim à “crise política grave e comoção interna”.
G1
EUA: eleições de 2024 caminham para novo embate entre Trump e Biden
Joe Biden e Donald Trump despontam como principais nomes do partido Democrata e do Republicano
Por
João Guilherme de Lima
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Reprodução/Twitter @POTUS e Instagram @realdonaldtrump
Biden e Trump devem disputar eleições dos EUA mais uma vez
As elições presidenciais dos Estados Unidos acontecerão em novembro de 2024, mas a corrida eleitoral norte-americana já está aquecida. Democratas e Republicanos buscam definir qual será o candidato de cada partido para a disputa final.
Esta primeira etapa do pleito dos EUA é onde acontecem as primárias, quando são conhecidos os postulantes de cada um dos partidos ao cargo de presidente. Mas, apesar de contar com alguns candidatos, republicanos e democratas prevêem mais uma disputa entre Joe Biden e Donald Trump no final do ano que vem.
Isso porque, do lado do partido Republicano, o ex-presidente dispara como o principal nome em quem os eleitores devem votar nas primárias. Em uma pesquisa do New York Times/Siena College divulgada no dia 31 de julho, Trump aparece sendo a intenção de voto de 54% do eleitorado.
Segundo colocado na aferição, o atual governador da Flórida Ron DeSantis tem apenas 17% das intenções de voto. Mike Pence, ex-vice-presidente, o senador Tim Scott e Nikki Haley, ex-embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, marcaram apenas 3% na pesquisa.
Vinícius Vieira, doutor em Relações Internacionais pelo Nuffield College, da Universidade de Oxford, afirmou que dificilmente Trump não será o escolhido pelo fato de ter uma base muito sólida dentro do seu partido. Além disso, aqueles que se opõem a ele dentro da legenda não conseguem chegar a um consenso de um outro nome.
“Vejo Ron DeSantis e Tim Scott como os principais concorrentes de Trump mas, entre eles, o mais forte seria de fato o governador da Flórida. Ele se reelegeu, vem adotando políticas na linha do trumpismo radical e tem um intervencionismo muito grande no que os americanos classificam como guerra cultural”, destacou o professor de Economia e Relações Internacionais da FAAP.
“Mesmo assim, DeSantis vem tendo dificuldades entre os eleitores republicanos na própria Flórida. Ou seja, se ele não tem força nem no próprio estado, quiçá em nível nacional”, complementou.
Ainda de acordo com o especialista, apesar de DeSantis, Scott e Haley não incomodarem a candidatura do ex-presidente norte-americano, eles devem se estabelecer como fortes nomes para o pleito de 2026.
Reeprodução/Twitter @GovRonDeSantis
Ron DeSantis aparece em segundo nas pesquisas de intenção de voto do partido Republicano
Panorama Democrata
O panorama não é muito diferente dentro do partido Democrata. O atual presidente Joe Biden tem amplo favoritismo dentro da legenda e outros dois candidatos podem ter uma certa porcentagem de votos.
Um deles é Robert F. Kennedy Jr, sobrinho do ex-presidente americano John F. Kennedy. O advogado ficou marcado recentemente pelo seu posicionamento antivacina, chegando a relacionar doses de imunizantes contra a Covid ao autismo.
“Kennedy tem um discurso abertamente negacionista que até se assemelha ao de alguns republicanos trumpistas. Então, muitos dessa minoria democrata que é contra Biden tem nele um nome viável”, pontua Vieira.
O outro nome é o da escritora e ativista Marianne Williamson. Ela, que também concorreu nas primárias democratas em 2020, diz ter um posicionamento mais à esquerda do que o de Biden, defendendo o ensino superior gratuito, por exemplo.
“Biden pode até receber desafios de alguns candidatos, mas também não vejo ninguém com forças suficientes para retirar do atual presidente norte-americano o direito de concorrer à reeleição”, enfatiza o docente de Relações Internacionais.
Biden x Trump
Diante das possibilidades apresentadas nos dois partidos, é grande a probabilidade de mais uma disputa entre Joe Biden e Donald Trump em novembro do ano que vem. E, independente do resultado, a projeção é de que seja uma eleição decidida novamente nos detalhes.
Um levantamento feito pelo The New York Times e divulgado no dia 1° de agosto apontou um empate entre os candidatos, com cada um deles recebendo 43% dos votos. Além disso, 14% dos entrevistados disseram que pretendem votar em um candidato da “terceira via”.
“Assim vem sendo nas eleições presidenciais norte-americanas do século 21. Vejo uma disputa muito apertada, até porque os Estados Unidos, hoje, é um país muito polarizado”, destaca Vinícius.
Reprodução/Twitter @POTUS
Biden mira nos jovens para garantir reeleição nos EUA
A título de exemplo, o republicano venceu o pleito eleitoral de 2020 ao ser escolhido em 306 colégios eleitorais e obtendo 50,8% dos votos, enquanto o democrata saiu vencedor em 232 colégios e foi votado por 47,4% dos eleitores.
Nas eleições de 2024, pode pesar a favor de Biden um diálogo do seu partido junto às minorias, enquanto Trump deve seguir com a confiança da extrema direita e apostar em um possível déficit econômico apresentado nos próximos meses pela gestão do atual presidente.
“Se houver uma grande mobilização do partido Democrata entre os mais jovens e membros de minorias, Biden tende a obter a reeleição, talvez pela mesma margem que venceu Trump em 2020. Se Biden não tiver essa movimentação e a classe média americana sentir o peso da inflação, Trump pode despontar”, diz o especialista.
Questionado se os indiciamentos de Donald Trump na Justiça norte-americana podem atrapalhá-lo na corrida eleitoral, o docente de Relações Internacionais afirma que, na verdade, a polarização política pode fazer com que estes processos dêem ainda mais força ao republicano entre seu eleitorado.
“Trump tem aquele ‘efeito teflon’, ou seja, nada gruda nele porque a polarização é um fato. Então, aqueles que estão com ele, verão nestas ações judiciais uma perseguição e votarão com ainda mais entusiasmo do que se ele não estivesse sendo alvo de processos criminais”, ressalta, pontuando ainda que o “bolso” do norte-americano será determinante nas eleições.
“O eleitor que se identifica com valores conservadores ou progressistas já escolheu um lado, e quem vai decidir a eleição são os poucos eleitores que ainda votam pensando apenas no bolso. Logo, se esses cidadãos tiverem bem-estar econômico, preços menores, gasolina no tanque, empregos e comida relativamente barata, acredito que Biden tenha a eleição quase garantida.”
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Mercenário do Wagner diz que ‘não fazia ideia’ de que participava de motim na Rússia
Combatente paramilitar relata à BBC que sua unidade só soube que participava de uma insurreição contra Putin ao acompanhar o noticiário no Telegram.
Militantes do Wagner em Rostov, durante o motim de 23 de junho; combatente diz à BBC que sua unidade não sabia que participava de uma insurreição (Foto: G1/GETTY IMAGES)
Um mercenário que participou da tentativa de motim contra o presidente russo Vladimir Putin afirma que ele e seus colegas combatentes “não tinham ideia” do que estava acontecendo naquele 23 de junho.
Foi o dia em que, em um intervalo de 24 horas, o líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, organizou uma insurreição e mandou suas tropas paramilitares à cidade russa de Rostov e depois em direção a Moscou. Mas horas depois, Pregozhin afirmou que esse avanço seria interrompido para evitar derramamento de sangue – os detalhes de o que levou à interrupção do motim não estão claros até hoje.
Combatentes do Wagner raramente falam à imprensa, mas o Serviço Russo da BBC conseguiu conversar com um comandante júnior que se viu no meio dos acontecimentos.
Gleb (nome fictício) já havia participado da luta na simbólica cidade de Bakhmut, no leste da Ucrânia. Quando o motim de junho começou, ele estava descansando com sua unidade, em um quartel na região ucraniana de Luhansk, ocupada pelos russos.
No início da manhã de 23 de junho, os combatentes receberam uma ligação para se juntarem a uma coluna de combatentes do Wagner que estava de saída da Ucrânia.
A ordem viera de um comandante do Wagner que Gleb pede para não identificar – mas que ele diz que estava cumprindo determinação direta de Prigozhin e do Conselho de Comando do Wagner.
“É um deslocamento total”, ele ouviu. “Estamos formando uma coluna, vamos embora.”
Gleb diz que ninguém foi informado sobre para onde iria a coluna, mas ele ficou surpreso em saber que ela estava se movendo na direção oposta à frente de batalha com a Ucrânia.
Os combatentes do Wagner não encontraram nenhuma resistência, diz Gleb, ao cruzarem a fronteira russa rumo a Rostov.
“Não vi nenhum guarda de fronteira”, ele diz. “Mas a polícia rodoviária nos saudou no caminho.”
Canais de Telegram associados ao Wagner mais tarde afirmaram que as patrulhas de fronteira haviam baixado suas armas quando os combatentes do Wagner apareceram, no posto de checagem de Bugayevka.
Quando se aproximaram de Rostov-on-Don, os combatentes receberam a ordem de render todos os prédios de agências de segurança na cidade e de ocupar o aeroporto militar local.
A unidade de Gleb foi ordenada a tomar controle dos escritórios regionais da agência de inteligência russa, a FSB. Quando eles se aproximavam do prédio, este parecia estar completamente trancado e esvaziado. Até que, meia hora depois, uma porta se abriu e duas pessoas saíram à rua.
“Eles nos disseram, ‘vamos fazer um acordo’”, afirma Gleb. “Eu respondi: ‘que acordo? Esta cidade é nossa’. Então apenas concordamos que um deixaria o outro em paz. Eles saíam para fumar de vez em quando.”
Jornalistas baseados em Rostov reportaram episódios parecidos em vários prédios governamentais da cidade e seus arredores. Os combatentes do Wagner primeiro voavam drones sobre os edifícios. Ninguém era autorizado a sair deles, mas serviços de entrega de comida eram permitidos.
Enquanto isso, Prigozhin estava no quartel-general do Distrito Militar Sul do Exército russo, em encontro com o vice-ministro de Defesa, general Yunus-bek Yevkurov, e com o também general Vladimir Alexeyev.
Prigozhin exigia que eles entregassem o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o comandante da ofensiva na Ucrânia, Valery Gerasimov – os quais Prigozhin criticava por suposta incompetência na guerra da Ucrânia.
Simultaneamente, outra coluna de combatentes do Wagner estava se movendo.
Gleb confirma relatos da imprensa de que essa coluna era liderada pelo fundador do Wagner, Dmitry Utkin, um ex-oficial das forças especiais russa que raramente é visto em público.
Essa coluna estava na rodovia principal rumo a Voronezh e, aparentemente, a caminho de Moscou.
Gleb, então, sabia quais eram as intenções e os planos de Prigozhin?
Na noite de 24 de junho, Gleb foi contactado por um de seus superiores, que ordenou, sem dar explicações, que ele e sua unidade regressassem à base em Luhansk. Nesse trajeto, eles acompanharam os acontecimentos pelo Telegram e souberam que Prigozhin havia sido alvo de acusações criminais – depois derrubadas – e seria enviado a Belarus (ele já regressou à Rússia, segundo o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko).
Daí, eles leram que os combatentes do Wagner não seriam responsabilizados por seu papel no motim por causa de seus “méritos de combate”, segundo o porta-voz e Putin, Dmitry Peskov.
Para Gleb e sua unidade, o futuro agora é incerto. Eles foram ordenados a permanecer no quartel em Luhansk e aguardar novas ordens.
Seus anfitriões – que são as autoridades da autodenominada República Popular de Luhansk, um grupo de militantes separatistas pró-Rússia – estão ansiosos em saber mais sobre os planos futuros e o que vai acontecer com seus equipamentos e munições, diz Gleb.
Questionado por que ele não abandona o Wagner, Gleb tem uma resposta simples: “meu contrato ainda não venceu”.
Metade dos russos apoiou motim do Grupo Wagner, diz Zelensky
Em entrevista à CNN, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que a inteligência do país obteve informações sobre a adesão dos russos ao motim protagonizado pelo Grupo Wagner no mês passado. Segundo essas informações, o Kremlin estava avaliando o apoio a Yevgeny Prigozhin – chefe do grupo paramilitar, e constatou ter amparo de metade da população.
A insurreição viu os combatentes de Wagner, liderados por Prigozhin, assumirem o controle de instalações militares em duas cidades russas e marcharem em direção a Moscou antes que um acordo secreto com o Kremlin encerrasse abruptamente a rebelião. Prigozhin retirou suas forças e desde então foi exilado em Belarus.
O incidente foi amplamente enquadrado por analistas ocidentais como uma ameaça ao verniz de controle total do presidente russo, Vladimir Putin, com especulações sobre o que isso poderia significar para a guerra enquanto a Ucrânia continua sua lenta contraofensiva.
“Metade da Rússia apoiou Prigozhin. Metade da Rússia apoiou Putin”, disse Zelensky. “Algumas das regiões russas estavam se equilibrando nesse meio tempo sem saber ao certo quem apoiar.”
“Todos nós vemos esse processo que mostra que metade da população russa está em sérias dúvidas”, acrescentou.
Embora o apoio público russo à guerra permaneça alto, essa rachadura foi ilustrada no final da insurreição, quando Prigozhin e seus combatentes Wagner se prepararam para partir da cidade de Rostov-on-Don.
Um vídeo verificado e geolocalizado pela reportagem mostrou o veículo de Prigozhin parando quando um morador se aproximou para apertar a mão do líder de Wagner; ao redor deles, os moradores aplaudiram.
Por Erin Burnett, Yon Pomrenze, Mick Krever e Victoria Butenko, da CNN
Tiroteios deixam 10 mortos durante celebrações do 4 de Julho nos EUA
Quase 40 ficaram feridos; data foi marcada por ataques a tiros em diferentes estados do país
Por
iG Último Segundo
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Reprodução / Fox News – 04.07.2023
Tiroteios foram registrados nos Estados Unidos durante o feriado de 4 de Julho
Ao menos 10 pessoas morreram e outras 38 ficaram feridas após ataques a tiros serem registrados na Filadélfia, em Maryland e no Texas, nos Estados Unidos, durante o feriado de 4 de Julho, informaram as autoridades.
Em Fort Worth, no Texas, três pessoas foram mortas e oito ficaram feridas em um tiroteio após um festival local em celebração ao Dia da Independência dos Estados Unidos, afirmou a polícia nessa terça-feira (4), segundo a agência de notícias Reuters.
Segundo os policiais, nenhuma prisão foi feita no ataque. “Não sabemos se isso está relacionado à vida doméstica ou a gangues. É muito cedo para dizer neste momento”, disse o alto oficial da polícia Shawn Murray.
Em outro atentado, na Filadélfia, registrado na noite dessa segunda (3), cinco pessoas morreram e duas ficaram feridas, incluindo um menino de 2 anos e outro de 13 — ambos baleados nas pernas.
Os policiais disseram que o suspeito é um homem de 40 anos que portava um fuzil, uma pistola, usava colete à prova de balas e máscara de esqui.
O ataque no estado da Pensilvânia se deu um dia após duas pessoas serem mortas e outras 28 ficarem feridas — sendo cerca de metade desse número de crianças — durante uma saraivada de tiros em uma festa ao ar livre, na cidade de Baltimore, em Maryland. Os oficiais disseram que buscam vários suspeitos.
Após os crimes, o presidente dos EUA, Joe Biden, condenou os atos de violência. Na ocasião, ele reforçou os pedidos para que as leis de armas no país sofram endurecimento.
“Nossa nação, mais uma vez, suportou onda de atentados trágicos e sem sentido”, afirmou Biden em comunicado divulgado ontem. Aos parlamentares republicanos, ele pediu que “venham à mesa para tratar de reformas significativas e de bom senso”.
No Congresso, os republicanos geralmente impedem as tentativas de reformulação das leis de segurança envolvendo o armamento nos Estados Unidos.
Na Filadélfia, autoridades pediram ações aos legisladores estaduais e federais após os atentados. “Estamos implorando ao Congresso para proteger vidas e fazer algo sobre o problema das armas nos EUA”, afirmou o prefeito da Filadélfia, Jim Kenney, em entrevista.
França prende mais de 1,3 mil após protestos
França prende mais de 1,3 mil após protestos: o que você precisa saber sobre as manifestações. Foto: Reprodução
Por Sana Noor Haq, Joshua Berlinger, Tara John, Barry Neild e Xiaofei Xu, da CNN
A França foi abalada por uma onda de protestos depois que um jovem de 17 anos foi baleado e morto pela polícia perto de Paris na terça-feira (27), provocando a proibição de manifestações em algumas cidades, alertas contra viagens e reacendendo um debate sobre o excesso de policiamento em comunidades marginalizadas.
Durante os protestos, veículos foram incendiados e prédios depredados. Houve confronto entre policiais e manifestantes. Mais de 1.300 pessoas foram presas e mais de 200 policiais ficaram feridos.
A agitação gerou uma resposta à crise do presidente francês Emmanuel Macron, que realizou uma reunião de emergência com ministros enquanto tenta superar as divisões e unir o país em seu segundo mandato.
Abaixo, a reportagem reúne o que você precisa saber sobre a situação na França.
O que causou os protestos na França?
Um policial matou a tiros o adolescente Nahel, que era de ascendência argelina, durante uma blitz no subúrbio parisiense de Nanterre, no início desta semana.
Imagens do incidente mostraram dois policiais parados do lado do motorista do carro, sendo que um disparou sua arma contra o jovem, apesar de não parecer enfrentar nenhuma ameaça imediata.
O policial disse que disparou porque estava com medo de que o menino atropelasse alguém com o carro, informou o promotor de Nanterre, Pascal Prache.
Prache pontuou que se acredita que o policial agiu ilegalmente ao usar sua arma. Atualmente, ele está enfrentando uma investigação formal por homicídio e foi colocado em prisão preventiva.
O que aconteceu desde então?
Os manifestantes carregavam cartazes que diziam “a polícia mata” e centenas de prédios do governo foram danificados, enquanto a morte de Nahel aumenta a raiva pelo preconceito racial no país.
Noites sucessivas de violência em toda a França e seus territórios ultramarinos, por sua vez, levaram as autoridades francesas a lançar uma repressão.
Mais de 40 mil policiais foram mobilizados para patrulhar cidades em todo o país, 1.311 pessoas foram presas e mais de 200 policiais ficaram feridos.
Somente em Paris, 5 mil agentes de segurança foram mobilizados. Os oficiais receberam poderes para reprimir tumultos, fazer prisões e “restaurar a ordem republicana”, disse o ministro do Interior francês, Gerard Darmanin.
Ele disse que 2.560 incêndios foram relatados em vias públicas, com 1.350 carros queimados, e que houve 234 incidentes de danos ou incêndios em edifícios.
Qual o impacto para Macron?
Macron pediu 100 dias pacificar o país e restabelecer sua presidência após semanas de protestos contra as impopulares reformas previdenciárias no início deste ano.
Mas as esperanças de uma redefinição agora provavelmente serão prejudicadas pelos protestos generalizados.
Além disso, não passou despercebido que o presidente francês Emmanuel Macron foi a um show de Elton John na quarta-feira (28), enquanto carros queimavam e prédios eram destruídos em todo o país.
O governo está trabalhando para evitar uma repetição de 2005, quando a morte de dois adolescentes que se escondiam da polícia desencadeou um estado de emergência em meio a três semanas de tumultos.
Macron interrompeu sua participação na cúpula do Conselho Europeu em Bruxelas, que deveria durar até sexta-feira.
Ele anunciou a proibição de todos os “eventos de grande escala” na França, incluindo “eventos comemorativos e numerosas reuniões”, e implorou aos pais que mantivessem seus filhos em casa, dizendo que um terço das pessoas detidas durante a noite eram jovens.
O chefe de Estado também pediu que as plataformas de rede social ajudem a reprimir as manifestações, solicitando ao TikTok e ao Snapchat que retirem o “conteúdo mais sensível” e identifiquem usuários que usam “redes sociais para pedir desordem ou exacerbar a violência”.
Questões sobre preconceito foram levantadas
Ativistas acreditam que a raça de Nahel foi um fator para sua morte, revelando tensões profundas sobre a discriminação policial contra comunidades minoritárias na França.
O secularismo – conhecido como “laïcité” em francês – é um fundamento da cultura francesa, pois busca defender a igualdade para todos, apagando “marcadores de diferença”, incluindo raça.
Mas muitos negros na França dizem que têm mais probabilidade de serem vítimas da brutalidade policial do que os brancos.
Um estudo de 2017 da Rights Defenders, uma organização independente de direitos humanos na França, descobriu que jovens considerados negros ou árabes tinham 20 vezes mais chances de serem parados pela polícia do que seus pares.
Acusações de brutalidade há muito atormentam a polícia francesa. O Conselho da Europa criticou o “uso excessivo da força por agentes estatais” em um comunicado no início deste ano durante protestos contra as impopulares reformas previdenciárias de Macron.
Grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional, acusaram a polícia francesa de discriminação étnica e recomendaram reformas profundas e sistêmicas para lidar com a discriminação.
A ONU pediu à França que aborde “questões profundas de racismo e discriminação na aplicação da lei”, nos primeiros comentários da agência desde o assassinato.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (30), um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos instou as autoridades francesas a “garantir que o uso da força pela polícia para lidar com elementos violentos em manifestações sempre respeite os princípios de legalidade, necessidade, proporcionalidade, não discriminação, precaução e responsabilidade.”
O Ministério das Relações Exteriores da França posteriormente rejeitou os comentários da ONU, dizendo: “A França e suas forças policiais lutam com determinação contra o racismo e todas as formas de discriminação. Não pode haver dúvidas sobre esse compromisso”.
“O uso da força pela polícia nacional e gendarmaria [uma força de segurança] é regido pelos princípios de absoluta necessidade e proporcionalidade, estritamente enquadrados e controlados”, acrescentou o ministério.
É seguro viajar para a França?
Com o início da alta temporada de viagens, vários países emitiram avisos severos para aqueles que visitam a França, onde as redes de transporte doméstico foram interrompidas.
O Ministério do Interior anunciou que o transporte público, incluindo ônibus e bondes, fecharia em todo o país às 21h (hora local), antes de uma quarta noite de protestos.
Toques de recolher limitados foram impostos em Clamart e Neuilly-sur-Marne, enquanto alguns serviços de ônibus foram interrompidos em Paris, mas o sistema de metrô estava operando normalmente. A estação ferroviária Nanterre-Préfecture foi fechada.
Em Lille, os serviços de ônibus e bondes funcionaram próximo do normal na sexta-feira, com alguns desvios.
Na cidade de Marselha, no sul, o transporte público deveria interromper os serviços às 19h.
Não houve interrupção no serviço Eurostar que liga Londres, Lille e Paris como resultado dos protestos. Os trens intermunicipais franceses também não são afetados.
Mais adiante, o Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta de segurança em 29 de junho, que incluía a França. Ele sugeriu monitorar os meios de comunicação para atualizações.
Enquanto isso, a Grã-Bretanha emitiu um alerta de viagem instando os turistas a “monitorar a mídia” e “evitar áreas onde estão ocorrendo tumultos”.
As autoridades alemãs também aconselharam seus cidadãos a “se informarem sobre a situação atual onde você está hospedado e evitar locais de tumultos violentos em grande escala”.
*Dalal Mawad, Niamh Kennedy e Lindsay Isaac, da CNN, contribuíram para esta reportagem
Rússia prende general acusado de colaborar com o Grupo Wagner, diz jornal
Sergei Surovikin. Foto: Getty Images
Por Fábio Mendes
As autoridades da Rússia promoveram, ontem (28), a prisão do general Sergei Surovikin, sob a acusação de ter colaborado com o motim protagonizado no último sábado pelo Grupo Wagner. As informações são do jornal russo The Moscow Times. A publicação cita duas fontes do ministério da Defesa.
Segundo a publicação, a detenção decorreu “no contexto da situação com Yevgeny Prigozhin“, com uma das fontes alegando que o general, que já chegou a chefiar a “operação militar especial”, teria “escolhido o lado” do grupo Wagner durante a rebelião.
O Ministério da Defesa russo ainda não comentou o caso.
A informação da detenção de Surovikin começou a circular ontem (28) em várias páginas de Telegram com ligações à Rússia. De acordo com os bloggers militares russos, o general foi detido no domingo.
Mais cedo, ontem (28), o jornal The New York Times informou que um general russo sênior sabia dos planos do líder do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, de desencadear um motim contra os líderes militares da Rússia. As informações foram obtidas pela publicação a partir de declarações de autoridades de inteligência dos Estados Unidos.
A notícia colocou em xeque, mais uma vez, a unidade das forças militares russas em relação à operação na Ucrânia e também as opiniões do alto oficialato em relação à influência que o Grupo Wagner desempenhava em relação ao governo Putin. E as declarações reforçaram as suspeitas sobre Surovikin.
Também ontem (28), o Wall Street Journal informou que Prigozhin planejava prender dois dos principais oficiais militares da Rússia quando lançou o motim. A trama de Prigozhin envolvia a captura do ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e do general do Exército, Valery Gerasimov, quando a dupla visitou uma região ao longo da fronteira com a Ucrânia, escreveu o WSJ.
O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) soube da conspiração dois dias antes da data prevista, forçando Prigozhin a mudar seus planos no último minuto e lançar uma marcha em direção a Moscou, de acordo com o relatório.
Os mercenários do Grupo Wagner assumiram o controle de uma importante base militar na cidade de Rostov-on-Don, e suas tropas estavam se aproximando da capital russa quando Prigozhin cancelou seu motim.