Efeito Trump: o que muda a brasileiros que querem morar nos EUA

Veja o que dizem uma especialista em vistos e um dentista que quer se mudar para lá

Por

|26/01/2025 19:27

Atualizada às 26/01/2025 19:29

A imigração para os Estados Unidos continua sendo uma realidade para muitos brasileiros
Reprodução

A imigração para os Estados Unidos continua sendo uma realidade para muitos brasileiros

A imigração para os Estados Unidos sempre foi – e ainda é – uma realidade para muitos brasileiros. Nos últimos dias, porém, surgiram dúvida e preocupação: mas, e agora, com as  mudanças sobre estrangeiros implementadas pelo presidente Donald Trump? Será que as regras mais rígidas do novo governo podem afetar quem pretende morar legalmente no país?

Para entender melhor o impacto dessas mudanças, o Portal iG – Último Segundo conversou com Sabrina Andrade,e specialista em solicitações de visto americano, e com Leonardo Medeiros, dentista brasileiro que está se preparando para estudar e trabalhar nos EUA.

Sabrina Andrade, proprietária da Agência Férias na Flórida, tem experiência em processos de visto há mais de uma década, e acompanha de perto as modificações nas leis e práticas dos Estados Unidos em relação aos vistos.

Ela afirmou ao iG que, até o momento, não houve mudanças significativas para brasileiros que solicitam vistos de turismo ou de estudante.

“Em questão do visto de turismo e visto de estudante, não vai alterar em nada no primeiro momento. Futuramente, realmente a gente não sabe, mas em primeiro momento, não”, diz Sabrina.

A especialista acredita que as políticas de imigração não sofrerão alterações drásticas porque a administração de Trump não implementou grandes mudanças nas regras de visto em 2017, quando tomou posse para o primeiro mandato. “Foram pequenas mudanças, foi questão mais de idade, de número de solicitante, enfim, foi uma questão mínima”, afirma.

A mudança recente mais substancial foi no governo Biden, no valor das taxas de visto. “Antigamente eram 160 dólares, passou para 185 dólares”, explica, ressaltando que qualquer nova alteração no valor do visto precisaria passar por uma aprovação no Congresso e levaria tempo.

Número de solicitantes

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, durante um comício na Capital One Arena em Washington, 19 de janeiro de 2025
JIM WATSON

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, durante um comício na Capital One Arena em Washington, 19 de janeiro de 2025

Sobre o número de solicitantes, Sabrina também acredita que a demanda por vistos não será afetada pelas políticas do governo Trump. “O que altera muito o número de solicitantes é o valor do dólar. O dólar subiu na época, mas isso foi mais uma questão política aqui do Brasil. As pessoas querem conhecer os Estados Unidos, as pessoas querem estudar lá, e isso não vai ser alterado”, diz.

Vistos de imigrante

Entre 11 e 15 milhões de imigrantes vivem nos Estados Unidos sem a documentação necessária, de acordo com estimativas
Christian MONTERROSA

Entre 11 e 15 milhões de imigrantes vivem nos Estados Unidos sem a documentação necessária, de acordo com estimativas

No entanto, Sabrina observa que as maiores mudanças ocorreram em relação aos vistos de imigrante. O governo Biden, por exemplo, liberou o chamado “cai-cai”, uma permissão para que imigrantes ilegais que atravessam a fronteira dos EUA possam responder ao processo de regularização dentro do país.

“Isso o Trump já barrou. Se você for pego na fronteira, você não vai ter o famoso cai-cai. Você vai ter que retornar ao seu país para poder ver se vai poder entrar nos Estados Unidos ou não”, explica.

Brasileiro vai se mudar para os EUA

Trump e Biden cumprimentam-se na cerimônia de posse
CHIP SOMODEVILLA

Trump e Biden cumprimentam-se na cerimônia de posse

Leonardo Medeiros planeja se mudar para os Estados Unidos em abril para iniciar o doutorado na Flórida. Ele compartilhou as expectativas sobre o processo de imigração.

A jornada vai ser em companhia da noiva, Eduarda Garcia, que fará uma especialização no país.

Em conversa com o iG, ele se mostrou tranquilo em relação ao processo atual para quem quer morar nos EUA, destacando que, ao viajar com a comprovação de que os dois vão estudar, não há riscos de problemas com a imigração.

“Estamos tranquilos em relação a isso, porque vamos aos EUA com a comprovação de que iremos estudar. Há até falas do Trump que facilitará a ida de profissionais qualificados para lá. Não há risco de voltarmos por irregularidade”, diz.

Leonardo também mencionou que a família de sua noiva está toda regular, e que a mãe dela é cidadã americana, o que facilita a situação.

Na entrevista ao iG, o dentista ressaltou que, embora o processo de obtenção do visto possa ficar mais burocrático, ele não acredita que isso seja uma consequência direta das políticas de Trump.




Já é 2025 na Austrália, Japão e mais; veja fotos

Confira as celebrações dos países que já chegaram ao novo ano

HomeÚltimo Segundo

Sidney, na Austrália, celebrando a chegada de 2025
AFP

Sidney, na Austrália, celebrando a chegada de 2025

Países como  Austrália e Nova Zelândia dão as boas vindas ao novo ano bem antes do Brasil. As celebrações da chegada ao ano de 2025 já começaram nesses países e no Japão , por exemplo. O primeiro país a celebrar o réveillon foi Kiribati , ilha localizada no oceano Pacífico, 7h na frente do horário de Brasília ( DF ) .

Às 8h (horário de Brasília) a Nova Zelândia entrou em 2025, e às 10h foi a vez da Austrália, com a tradicional queima de fogos no Porto de Sidney .

Na Ásia, o Japão e as Coreias do Sul e do Norte celebraram a passagem de ano ao meio-dia no Brasil. Confira imagens dos países que já celebraram a chegada de 2025.

Chegada de 2025 em Colombo, Capital do Siri Lanka AFP

1/8 Chegada de 2025 em Colombo, Capital do Siri Lanka AFP
Taiwan celebrando 2025 AFP

2/8 Taiwan celebrando 2025 AFP
Pequim, na China, em festa de réveillon AFP

3/8 Pequim, na China, em festa de réveillon AFP
Hong Kong na chegada de 2025 AFP

4/8 Hong Kong na chegada de 2025 AFP
Filipinas, com jogo de luzes nos prédios, celebrando 2025 AFP

5/8 Filipinas, com jogo de luzes nos prédios, celebrando 2025 AFP
População celebrando a chegada de 2025 em Koba City, no Japão AFP

6/8 População celebrando a chegada de 2025 em Koba City, no Japão AFP
Dubai, nos Emirados Árabes, comemorando o novo ano AFP

7/8 Dubai, nos Emirados Árabes, comemorando o novo ano AFP
Sidney, na Austrália, celebrando a chegada de 2025 AFP

8/8 Sidney, na Austrália, celebrando a chegada de 2025 AFP

** Formado em jornalismo pela UFF, em quatro anos de experiência já escreveu sobre aplicativos, política, setor ferroviário, economia, educação, animais, esportes e saúde. Repórter de Último Segundo no iG.




Presidente afastado da Coreia do Sul se recusa a ser interrogado pela terceira vez

Yoon Suk-yeol foi afastado após tentar impor a lei marcial no país no início de dezembro

Por

AFP

|29/12/2024 11:53

Atualizada às 29/12/2024 11:53

Yoon Suk-yeol em pronunciamento à nação
AFP

Yoon Suk-yeol em pronunciamento à nação

presidente deposto da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol , recusou-se a comparecer para ser interrogado pela terceira vez consecutiva neste domingo (29), após sua tentativa de impor a lei marcial no início de dezembro, disseram os investigadores.

Yoon Suk Yeol foi intimado neste domingo, às 10h, horário local (22h de sábado, no horário de Brasília), no Escritório de Investigação de Corrupção (CIO), localizado em Gwacheon, nos arredores de Seul.

A organização centraliza as investigações sobre o seu suposto auto-golpe fracassado de 3 de dezembro, que mergulhou o país no caos político.

“O presidente Yoon Suk Yeol não apareceu”, afirmou o CIO em comunicado, antes de acrescentar que a organização tomará “futuras medidas” como resultado.

O ex-procurador também não compareceu à citação na quarta-feira, sem dar qualquer explicação para sua ausência.

Na madrugada de 4 de dezembro, Yoon Suk Yeol declarou a lei marcial, algo que não acontecia desde 1980, e mergulhou o país na pior crise política das últimas décadas.

O Parlamento destituiu Yoon em 14 de dezembro, e também, na sexta-feira, o seu substituto interino, o primeiro-ministro Han Duck-soo, acusado de participar do ocorrido. Sendo assim, o país ficou nas mãos do ministro das Finanças, Choi Sang-mok.

Yoon é acusado do crime de insurreição, que pode acarretar pena de prisão perpétua, ou mesmo pena de morte, e foi proibido de deixar o país.




Autoridades sírias anunciam acordo para dissolução dos grupos armados

Novo líder sírio afirmou no domingo que não permitiria que as “armas escapassem ao controle do Esta

Por

AFP

|24/12/2024 10:34

Atualizada às 24/12/2024 10:52

SIGA NOgoogle news

 

O novo líder da Síria, Ahmad al Sharaah, em foto de 17 de dezembro de 2024 divulgada pela agência SANA

O novo líder da Síria, Ahmad al Sharaah, em foto de 17 de dezembro de 2024 divulgada pela agência SANA

As novas autoridades da  Síria anunciaram nesta terça-feira (24) que alcançaram um acordo com “todos os grupos armados” para sua dissolução e integração sob o comando do Ministério da Defesa.

Em uma reunião entre os líderes dos grupos armados e o novo líder da Síria , Ahmad al Sharaah, foi alcançado um acordo para sua “dissolução e sua integração” sob o comando do Ministério da Defesa, informaram a agência estatal SANA e as novas autoridades em suas contas do Telegram.

Al Sharaah afirmou no domingo que não permitiria que as “armas escapassem ao controle do Estado”.

Durante uma entrevista coletiva, ele declarou que a decisão também seria aplicada às ” facções presentes na área das Forças Democráticas Sírias” (FDS, dominadas pelos curdos).

As fotos publicadas pela SANA e a conta do Telegram das autoridades mostram Al Sharaah ao lado dos líderes de várias facções armadas. Porém, os representantes das forças c comandadas pelos curdos no nordeste da Síria não estavam presentes.

Uma aliança de grupos rebeldes, liderada pelo grupo islamista Hayat Tahrir al Sham (HTS), tomou o poder em Damasco em 8 de dezembro após uma ofensiva relâmpago.

A chegada à capital dos combatentes da aliança acabou com mais de duas décadas de poder do presidente Bashar al Assad, que governou o país com mão de ferro.

Al Sharaah, que antes de chegar ao poder utilizava o nome de guerra Abu Mohamed Al Jolani, era o comandante militar do HTS.

O atual líder do grupo islamista, Murhaf Abu Qasra, afirmou na semana passada à AFP que “a próxima etapa” seria a dissolução das facções armadas para sua inclusão em uma futura instituição militar.

O representante militar afirmou que o novo governo busca expandir sua autoridade nas áreas do nordeste da Síria controladas por uma administração semiautônoma curda.

A Síria foi cenário de uma guerra que começou em 2011 e deixou mais de meio milhão de mortos.

O conflito fragmentou o território em zonas de influência controladas por diferentes grupos beligerantes apoiados por potências regionais e internacionais.




Coreia do Sul: Parlamento aprova impeachment de presidente após tentativa de golpe

Do total de 300 deputados na Câmara, 204 votaram a favor da destituição do presidente Yoon Suk Yeol

Por

AFP

|14/12/2024 06:53

SIGA NOgoogle news

Manifestantes celebram destituição do presidente sul-coreano
Anthony Wallace/AFP

Manifestantes celebram destituição do presidente sul-coreano

O Parlamento da Coreia do Sul destituiu neste sábado, 14, o presidente Yoon Suk Yeol pela sua tentativa fracassada de estabelecer a lei marcial em 3 de dezembro. O ato abriu uma crise política sem precedentes no país e gerou protestos.

Do total de 300 deputados na Câmara, 204 votaram a favor do impeachment do presidente por insurreição, enquanto 85 votaram contra, segundo os resultados anunciados pela presidência da Câmara.

Da mesma forma, registaram-se três abstenções e oito votos nulos nesta nova moção de censura bem sucedida depois de uma primeira apresentada em 7 de dezembro pela oposição e que não teve sucesso.

Manifestações

Pelo menos 200 mil manifestantes, segundo a polícia, reuniram-se em frente ao Parlamento à espera do resultado e explodiram de alegria ao ouvi-lo, como viram jornalistas da AFP no local. Noutra parte da capital Seul, cerca de 30 mil pessoas reuniram-se para apoiar o presidente.

“O impeachment de hoje é uma grande vitória para o povo e para a democracia”, felicitou Park Chan-dae, líder do principal partido da oposição, o Partido Democrata.

Yoon está agora suspenso, aguardando que o Tribunal Constitucional valide ou não a sua demissão. São 180 dias para fazer isso.

Governo estável

Enquanto isso, o primeiro-ministro Han Duck-soo torna-se o presidente interino do país. O líder rapidamente prometeu exercer um “governo estável”.

Se o Tribunal confirmar a sua destituição, Yoon Suk Yeol será o segundo presidente na história da Coreia do Sul a terminar assim, depois do caso Park Geun-hye em 2017.

No entanto, existe também um precedente em que o impeachment aprovado pelo Parlamento foi invalidado dois meses depois pelo Tribunal Constitucional, o do Presidente Roh Moo-hyun em 2004.

O Presidente Yoon, de 63 anos e com baixos níveis de popularidade, surpreendeu o país ao anunciar a imposição da lei marcial na noite de 3 de dezembro e ao enviar o exército ao Parlamento para impedir a reunião dos deputados.

O presidente, empenhado numa luta com a oposição pelo orçamento, acusou a oposição de se comportar como “forças anti-Estado”, e disse que pretendia com esta medida extrema proteger o país das “ameaças” do norte comunista.

A decisão provocou um movimento de revolta, com milhares de manifestantes a mobilizarem-se imediatamente e a confrontarem os militares às portas do Parlamento.

Os deputados conseguiram se reunir e em questão de horas e derrubaram a lei marcial.




Donald Trump promete perdão aos invasores do Capitólio: “Faremos rapidamente”

Ele destacou que muitas dessas pessoas, na sua visão, “não deveriam estar na prisão”

|12/12/2024 16:32

 

O ataque ao Capitólio ocorreu durante uma tentativa de impedir a certificação da vitória de Joe Biden
ALLISON ROBBERT

O ataque ao Capitólio ocorreu durante uma tentativa de impedir a certificação da vitória de Joe Biden

O ex-presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , declarou que concederá perdão aos envolvidos na invasão ao Capitólio ocorrida em 6 de janeiro de 2021, caso reassuma a presidência em 2025.

Em declaração recente, o empresário afirmou que a maioria dos participantes do evento “já foi punida demais” e que os casos serão analisados individualmente, com prioridade para os considerados não violentos.

A posse de Trump está prevista para 20 de janeiro de 2025, e ele prometeu iniciar o processo de perdão “na primeira hora” de seu governo. Ele destacou que muitas dessas pessoas, na sua visão, “não deveriam estar na prisão” e que “sofreram enormemente”.

O ataque ao Capitólio ocorreu durante uma tentativa de impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020. Milhares de apoiadores de Trump participaram da invasão, resultando em extensos danos ao prédio e na morte de cinco pessoas, incluindo um policial.

Desde então, mais de 1.230 indivíduos foram acusados de crimes federais relacionados ao evento. Desses, cerca de 730 se declararam culpados e 750 foram condenados, com dois terços cumprindo pena.

Trump também criticou o atual presidente Joe Biden, mencionando o perdão concedido por ele a seu filho, Hunter Biden, após condenações por compra ilegal de armas e sonegação de impostos. Segundo analistas, essa medida pode impactar o legado político de Biden.

Trump enfrenta acusações

Além da promessa de perdão, o próximo presidente norte-americano anunciou outros planos que pretende implementar imediatamente após reassumir o cargo, como o início de deportações de imigrantes ilegais e medidas para ampliar a extração de petróleo nos Estados Unidos.

Trump enfrenta ainda acusações de tentar reverter os resultados das eleições presidenciais de 2020.

Contudo, o procurador especial Jack Smith decidiu não prosseguir com o caso após a eleição de do futuro presidente, citando a imunidade presidencial contra casos criminais enquanto o presidente estiver no cargo.

 




Grupos de rebeldes teriam tomado o controle da capital da Síria e derrubado o governo de Bashar al-Assad

Grupos de rebeldes teriam tomado o controle da capital da Síria e derrubado o governo de Bashar al-Assad

Por

AFP

|08/12/2024 06:48

Celebrações em Damasco após anúncio da fuga do presidente Bashar al-Assad, em 8 de dezembro de 2024
LOUAI BESHARA

Celebrações em Damasco após anúncio da fuga do presidente Bashar al-Assad, em 8 de dezembro de 2024

LOUAI BESHARAA aliança rebelde síria liderada por grupos islamistas anunciou neste domingo (8) que tomou o controle de Damasco em uma ofensiva relâmpago e a queda do regime de Bashar al-Assad , que segundo o presidente eleito dos Estados Unidos , Donald Trump, fugiu do país depois de perder o apoio da Rússia.

Dezenas de pessoas saíram às ruas de Damasco , segundo imagens da AFPTV, para celebrar a queda do regime que era controlado há mais de meio século pela mesma família. Várias pessoas pisotearam uma estátua de Hafez al-Assad , pai de Bashar .

Na praça dos Omeias, o barulho dos tiros em sinal de alegria se misturava com os gritos de “Allahu Akbar” (“Deus é grande”).

“Esperávamos por este dia há muito tempo”, disse Amer Batha por telefone à AFP da praça. “Não posso acreditar que estou vivendo este momento”, acrescentou, sem conter as lágrimas de alegria.

Na televisão pública, os rebeldes anunciaram a queda do “tirano” Bashar al-Assad e a “libertação” de Damasco.

Também afirmaram que libertaram todos os prisioneiros “detidos injustamente” e pediram a proteção das propriedades do Estado sírio “livre”. Os rebeldes também anunciaram “a fuga” do presidente em uma mensagem no Telegram.

“Assad saiu da Síria pelo Aeroporto Internacional de Damasco antes que os membros das Forças Armadas e de segurança abandonassem o local”, disse à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede no Reino Unido que tem uma ampla rede de fontes dentro da Síria.

A AFP não conseguiu confirmar com fontes oficiais o paradeiro do presidente, que governou a Síria com mão de ferro durante 24 anos. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Assad “fugiu de seu país” depois de perder o apoio da Rússia.

“Assad foi embora. “Sua protetora, Rússia , liderada por Vladimir Putin , não estava mais interessado em protegê-lo”, escreveu em sua plataforma Truth Social. A Casa Branca afirmou que o presidente em fim de mandato, Joe Biden, acompanha “com atenção os extraordinários acontecimentos” em curso na Síria.

Fim de uma “era obscura”

A Síria é cenário de uma guerra civil desde a violenta repressão em 2011 pelo regime de Assad das manifestações pró-democracia no país, no contexto das denominadas “primaveras árabes”.

Após anos de estagnação, em 27 de novembro uma aliança rebelde liderada por islamistas iniciou uma ofensiva relâmpago no noroeste do país. Os insurgentes conquistaram rapidamente várias cidades, com o objetivo de chegar a Damasco e derrubar o presidente.

Também pediram aos sírios que fugiram para o exterior devido ao conflito que retornem para uma Síria “livre”.

A guerra deixou meio milhão de mortos desde 2011 e dividiu o país em zonas de influência, com forças beligerantes apoiadas por potências estrangeiras.

Em um vídeo publicado em sua conta no Facebook, o primeiro-ministro sírio, Mohamed al-Jalali, afirmou que está disposto a cooperar com qualquer nova “liderança” eleita pelo povo.

“Depois de 50 anos de opressão sob o governo do partido Baath e 13 anos de crimes, tirania e deslocamento (desde o início da revolta em 2011), anunciamos hoje o fim da era obscura e o início de uma nova era para a Síria”, afirmaram os rebeldes.

Ofensiva rebelde

O líder do grupo islamista radical Hayat Tahrir al Sham (HTS), Abu Mohammad al Jolani, que lidera a coalizão rebelde apoiada pela Turquia, pediu a seus combatentes que não se aproximem das instituições públicas e afirmou que devem permanecer sob a autoridade do primeiro-ministro até a “transferência oficial” do poder.

O Hezbollah libanês, um apoio crucial de Assad, retirou suas forças das imediações de Damasco e da região de Homs, no oeste do país, informou à AFP uma fonte próxima do movimento.

A coalizão de grupos rebeldes liderada pelo HTS, um grupo foi vinculado à Al Qaeda, conseguiu um avanço espetacular em apenas 10 dias, tomando as cidades de Aleppo, Hama e Homs até sua entrada em Damasco neste domingo.

A ofensiva começou na província de Idlib, um reduto do HTS no noroeste da Síria, apesar dos ataques aéreos da Rússia, aliada do regime, e das operações terrestres.

As tropas do governo também perderam o controle da cidade de Daraa, berço da revolta de 2011 e localizada ao sul da capital, perto da fronteira com a Jordânia. A ofensiva relâmpago não parou até chegar a Damasco.

 




Trump afirma que Zelensky está disposto a estabelecer um ‘acordo’ com a Rússia

Os dois se encontraram na França em uma conversa mediada pelo presidente francês Emmanuel Macron

Por

AF

Volodimir Zelensky (E) se reuniu com Donald Trump (D) e Emmanuel Macron em Paris
Julien de Rosa

Volodimir Zelensky (E) se reuniu com Donald Trump (D) e Emmanuel Macron em Paris

JULIEN DE ROSAO presidente eleito dos Estados Unidos , Donald Trump , afirmou neste domingo (8) que o presidente da Ucrânia , Volodimir Zelensky , está disposto a alcançar um “acordo” para acabar com a guerra com a Rússia, depois que os dois se reuniram em Paris para falar sobre o conflito.

O presidente da França , Emmanuel Macron , atuou como mediador em um diálogo de três partes com Zelensky e Trump no Palácio do Eliseu no sábado (7), em um contexto de medo em Kiev sobre a posição que o próximo governo americano adotará em relação ao conflito.

Durante a reunião, Zelensky destacou que a Ucrânia precisa “de uma paz justa e duradoura, uma que os russos não sejam capazes de destruir em alguns anos”, afirmou o presidente ucraniano neste domingo.

Trump critica abertamente a ajuda militar que os Estados Unidos fornecem à Ucrânia, da ordem de bilhões de dólares, e em uma oportunidade afirmou que poderia acabar com o conflito em 24 horas, sem revelar como.

“Zelensky (…) e a Ucrânia gostariam de fazer um acordo e parar a loucura”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Deve haver um cessar-fogo imediato e as negociações devem começar. Muitas vidas são desperdiçadas desnecessariamente, muitas famílias destruídas e, se isso continuar, pode virar algo muito maior e muito pior”, completou.

Zelensky anunciou neste domingo que 43.000 soldados ucranianos morreram e 370.000 ficaram feridos desde o início do conflito, desencadeado pela invasão russa da Ucrânia no final de fevereiro de 2022.

“Garantias de segurança fortes”

O governo ucraniano teme que, para alcançar a paz, Trump exija que Kiev faça concessões significativas a Moscou. Zelensky insistiu que qualquer acordo com a Rússia deve ser “justo”.

“O mais importante é uma paz justa e garantias de segurança, garantias de segurança fortes para a Ucrânia”, afirmou Zelensky, em uma declaração divulgada no site da Presidência ucraniana.

Zelensky agradeceu a Trump por sua “firme determinação” e disse que a conversa no Palácio do Eliseu foi “boa e frutífera”.

O encontro de Zelensky com Trump, pouco antes de ambos assistirem à reabertura da Catedral de Notre-Dame de Paris, foi a primeira reunião presencial entre ambos desde que o republicano venceu as eleições presidenciais, em 5 de novembro.

A viagem de Trump foi a primeira visita internacional do presidente eleito desde sua vitória eleitoral. Os aliados europeus conseguiram uma colaboração muito próxima com o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na crise no Oriente Médio.

Mas a chegada de Trump à Casa Branca pode mudar o rumo, caso o futuro presidente opte por um distanciamento dos europeus e por fortalecer ainda mais os laços com Israel.

Novo pacote de ajuda

Poucas horas após a reunião entre Macron, Zelensky e Trump, Joe Biden anunciou uma nova ajuda militar para a Ucrânia, de 988 milhões de dólares (6 bilhões de reais).

O pacote inclui drones, munições para o sistema de lançamento de foguetes HIMARS, além de equipamentos e peças de reposição para sistemas de artilharia, tanques e veículos blindados, informou o Pentágono.

No campo de batalha, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou que Moscou derrubou 46 drones ucranianos na noite de sábado nas regiões fronteiriças e no sul da Rússia.

As autoridades russas também anunciaram que suas tropas conquistaram a localidade de Blahodatne, no leste da Ucrânia, confirmando o avanço do exército de Moscou na frente leste.




Presidente da Coreia do Sul escapa de impeachment após base do governo boicotar votação

Deputados governistas deixam plenário do Parlamento antes da votação, tornando o quórum insuficiente

Por

iG Último Segundo

|07/12/2024 11:07

Sul-coreanos protestaram fora da Assembleia Nacional pedindo o impeachment do presidente
AFP

Sul-coreanos protestaram fora da Assembleia Nacional pedindo o impeachment do presidente

presidente da Coreia do Sul , Yoon Suk Yeol , escapou de um impeachment neste sábado (7), depois que a oposição não conseguiu reunir apoio suficiente para removê-lo do cargo. A tentativa aconteceu dias após a aplicação de uma lei marcial, que foi revogada, imposta pelo presidente, vista como uma tentativa de autogolpe no país.

Os deputados do  governista PPP (Partido do Poder do Povo) , ao qual pertence Yoon, boicotaram a sessão de votação do impeachment: entre os 108 aliados do presidente, apenas três congressistas, Ahn Cheol-soo, Kim Yea-ji e Kim Sang-wook, permaneceram no plenário, de acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

O porta-voz da Assembleia afirmou que o número de votos não atingiu quórum necessário, inviabilizando o processo. “O povo sul-coreano estava observando nossa decisão hoje. Nações ao redor do mundo estavam nos observando. É totalmente lamentável que a votação efetivamente não tenha ocorrido”, disse Woo Won-shik, em fala publicada pelo jornal The New York Times.

Reações populares

Do lado de fora da Assembleia Nacional, em Seul, uma multidão se reunia para pressionar pela aprovação do impeachment . Os trens do metrô não paravam nas duas estações próximas. A entrada do prédio estava bloqueada; o público acompanhava com gritos de protesto e músicas populares sul-coreanas.

Às 19h15 (7h15 no horário de Brasília), o amplo gramado estava inacessível, bloqueado por carros e ônibus distribuídos pelo espaço para impedir helicópteros. Na terça (3), eles trouxeram soldados na tentativa de invadir o prédio, quando Yoon declarou a lei marcial.

Oposição x governo

A oposição precisava de pelo menos oito votos da base governista para alcançar a maioria de dois terços necessária para aprovar o impeachment. Antes, os parlamentares governistas já haviam conseguido rejeitar um pedido de investigação especial contra a primeira-dama Kim Keon-hee.

Ela está envolvida em suspeita de corrupção por ter recebido uma bolsa Christian Dior no valor de cerca de 3 milhões de wons (cerca de R$ 11 mil) de um pastor. Os deputados deixaram a Assembleia sob gritos de manifestantes.

Tentativa de impeachment

Quando o debate sobre a moção de impeachment começou, parlamentares da oposição leram os nomes dos membros do PPP que haviam deixado a votação. O presidente da Casa, Woo Won-shik, pediu que os membros do PPP retornassem. Em um impasse sobre a votação, o secretário do Parlamento afirmou que a votação tem o prazo de até 12h48 de domingo (0h48 no horário de Brasília) ser concluída.

Se tivesse sido bem-sucedido, o impeachment abriria caminho para eleições presidenciais em até 60 dias, desde que a Corte Constitucional chancelasse a decisão dos deputados.

Pedido de desculpas do presidente

Horas antes da votação, na manhã de sábado no horário local (noite de sexta (6) em Brasília), Yoon pediu desculpas em um comunicado pela TV, em sua primeira fala após a crise. Apesar da grande expectativa em torno de uma possível renúncia, disse que agiu motivado por desespero e que não declararia nova lei marcial.




Lula elogia acordo Mercosul-UE: “Preservamos nossos interesses”

Lula acredita que novo texto de acordo Mercosul-UE é “um texto moderno e equilibrado que reconhece as credenciais ambientais do Mercosul”

Por

iG Último Segundo

|06/12/2024 13:59

Atualizada às 06/12/2024 14:42

Lula ao lado de outros presidentes na Cúpula da Mercosul
Ricardo Stuckert/Presidência da República

Lula ao lado de outros presidentes na Cúpula da Mercosul

Lula (PT) elogiou nesta sexa-feira a celebração do novo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia . O presidente está em Montevidéu, Uruguai, para a reunião de Cúpula do Mercosul .

Além dos líderes do bloco econômico da América do Sul (Lula e os presidentes Javier Milei da Argentina, Santiago Peña do Paraguai, Luis Alberto Lacalle Pou do Uruguai e Luis Arce da Bolívia), participou da convenção Ursula von der Leyen , presidente do Conselho Europeu e representante de UE.

Lula elogia acordo

Durante seu discurso, Lula disse: “Estamos criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de pessoas. Nossas economias juntas representam um PIB de 22 trilhões de dólares.”

“Após dois anos de intensas tratativas, temos hoje um texto moderno e equilibrado que reconhece as credenciais ambientais do Mercosul e reforça nosso compromisso com o Acordo de Paris. A realidade geopolítica e econômica global mostra que a integração fortalece nossas sociedades, moderniza nossas estruturas produtivas e promove nossa inserção mais competitiva no mundo”, continuou o presidente.

Os acordos econômicos entre Mercosul e UE são um trâmite antigo, de cerca de 30 anos. Em 2019, um primeiro acordo chegou a ser assinado, mas diversos pontos com ressalva foram revisitados para gerar consenso. Sobre isso, o presidente do Brasil disse:

“O acordo que finalizamos hoje é bem diferente daquele anunciado em 2019. As condições que herdamos eram inaceitáveis. Foi preciso incorporar ao acordo temas de relevância para o Mercosul. Conseguimos preservar nossos interesses em compras governamentais, o que nos permitirá implementar políticas públicas em áreas como saúde, agricultura familiar, ciência e tecnologia.”

Lula “cutuca” Macron

Durante o discurso, Lula também tratou indiretamente de recentes problemas com Emmanuel Macron , presidente da França . O país é contra a assinatura do acordo com o Mercosul , e falou abertamente sobre isso. A principal questão francesa é a carne brasileira.

“Nossa pujança agrícola e pecuária nos torna garantes da segurança alimentar de vários países do mundo, atendendo a rigorosos padrões sanitários e ambientais. Não aceitaremos que tentem difamar a reconhecida qualidade e segurança de nossos produtos. O Mercosul é um exemplo de que é possível conciliar desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental”, disse o presidente brasileiro.