Câmara recebe Lei de Diretrizes Orçamentárias 2026




Saiba quem são os cardeais brasileiros aptos a participar do Conclave

Ao todo, sete religiosos brasileiros podem votar para a escolha do novo papa

Por SBTP

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Ao todo, sete religiosos brasileiros podem votar para a escolha do novo papa (Foto: Divulgação)

Arquidiocese de Brasília publicou neste sábado (26) uma foto, nas redes sociais, com os cardeais brasileiros que podem participar do conclave para eleger o sucessor do Papa Francisco. A foto foi tirada em Roma.

“O arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa, junto com os demais cardeais brasileiros, permanece em Roma para os próximos dias de homenagem ao Papa Francisco. Unidos em oração, também se preparam para o Conclave, confiando na luz e na condução do Espírito Santo.”

Dos oito cardeais brasileiros que permanecem no Vaticano, sete estão aptos a participar da votação que vai definir o próximo líder da Igreja Católica.

Na foto estão (da esquerda para direita):

Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, de 57 anos;

Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, de 74 anos;

Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, de 75 anos;

Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, de 64 anos;

Dom Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, de 65 anos;

Dom Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida, de 88 anos

Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, de 74 anos.

O cardeal Dom João Aviz, de 77 anos, também está em Roma, mas não aparece na foto.

De todos os membros da comitiva, o arcebispo emérito de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, pode acompanhar as discussões do Colégio dos Cardeais e até receber votos no conclave, mas não está apto a votar por ter 88 anos – membros com mais de 80 anos não podem votar.




‘EUA têm que nos respeitar e não podem nos tratar como quintal’, diz Celso Amorim

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O assessor especial de Lula, Celso Amorim, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, em agosto – Andressa Anholete – 15.ago.2024/Reuters

por BBC

Aos 83 anos de idade e com mais de 60 anos de carreira, o diplomata e assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, acompanhou a passagem de pelo menos 11 presidentes americanos pela Casa Branca.

Mesmo acostumado às turbulências das relações internacionais, Amorim admite alguma surpresa diante dos primeiros meses do governo do presidente Donald Trump e como o republicano, segundo Amorim, alterou a ordem internacional.

“Agora, vale a força”, diz Amorim em entrevista à BBC News Brasil.

Amorim já serviu como ministro das Relações Exteriores durante o governo do ex-presidente Itamar Franco, entre 1993 e 1995, e nos dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2010.

Ele também atuou como ministro da Defesa durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e, hoje, ocupa um gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto onde mantém reuniões frequentes com Lula.

Foi também, em entrevista concedida à BBC News Brasil, que Amorim analisou os impactos da atual gestão de Trump e criticou o que chamou de “renovação” da Doutrina Monroe, segundo a qual o continente americano deveria ser uma área de influência dos Estados Unidos.

Nesta semana, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, disse que os Estados Unidos tentariam recuperar o seu “quintal”, em referência à América Latina. Amorim, por sua vez, cobrou respeito.

“Eles têm que nos respeitar e não podem nos tratar como quintal”, afirma.

Amorim diz acreditar que a nova ordem internacional tende a ser um lugar mais hostil a países como o Brasil e que, por isso, seria importante o país diversificar seus parceiros econômicos. Segundo ele, o Brasil não depende e nem quer vir a depender apenas da China, seu principal parceiro econômico.

Em relação à guerra na Ucrânia, Amorim disse concordar com parte da estratégia adotada por Trump ao incluir a Rússia nas negociações de paz. Segundo ele, a estratégia anterior, que previa derrotar os russos, não daria resultado.

“A ideia de que se pode derrotar a Rússia não é uma boa. É uma ilusão. Hitler tentou. Napoleão tentou e deu no que deu.”

Sobre a crise política na Venezuela, onde eleições terminaram contestadas pela oposição e o resultado não foi reconhecido pelo Brasil, Amorim nega que o governo brasileiro tenha errado ao confiar que o presidente Nicolás Maduro garantiria a realização de eleições justas no país.

“Você sempre tem que fazer uma aposta e eu sempre procuro apostar no lado positivo.”

Confira os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – O senhor tem mais de 60 anos na diplomacia. Já acompanhou pelo menos 11 presidentes americanos. Donald Trump muda a ordem mundial?

Celso Amorim – Muda e muda bruscamente. Todos nós queríamos mudar um pouco a ordem mundial, melhorá-la e torná-la mais democrática e mais representativa. O Trump, com o estilo dele, olhando os interesses dele ou como ele acha que são os interesses norte-americanos, mudou (a ordem internacional) em duas ou três tacadas. Fez isso na atitude em relação à Rússia, que até tem lados positivos, e na questão econômica. Agora, como a ordem mundial vai se organizar e como isso vai ser é uma (dúvida) mas que não é o mesmo mundo, não é.

BBC News Brasil – Considerando essas mudanças, na sua avaliação, Trump é a causa delas ou sintoma de algo maior?

Amorim – Nenhum presidente deixa de representar as forças que existem em seu país. O que eu vejo de grande diferença do Trump em relação a todos os outros presidentes americanos com os quais eu pelo menos tive alguma relação é que, para ele, o sistema multilateral e o interesse americano são coisas contraditórias. No caso do comércio, isto está muito evidente. Na realidade, o que o presidente Trump fez foi bilateralizar. Agora, tudo vai ser discutido bilateralmente, onde eles obviamente têm mais força. Agora, vale à força.

BBC News Brasil – Esse é um novo mundo mais hostil ao Brasil?

Amorim – Acho que sim. E não só para o Brasil. É mais hostil para todo mundo. No fundo, muitos economistas americanos, não necessariamente democratas, acham que é ruim para os Estados Unidos, também. Mas é claro que para um país em desenvolvimento que está lutando para firmar seus direitos, ter um foro multilateral é absolutamente fundamental no comércio e será também em outras áreas.

O Brasil, talvez, digamos, seja menos diretamente atingido, porque o Brasil já tem relações relativamente diversificadas, com uma predominância da China, que responde por 30% das nossas exportações. Mas mesmo antes que a China surgisse, o Brasil já tinha um comércio diversificado. Por isso que surgiu a proposta do acordo com a União Europeia. Trabalhar dentro de um sistema em que você pode estar sujeito a uma retaliação ou ação arbitrária como aumento de tarifas e não ter como reclamar é muito ruim.

BBC News Brasil – O presidente Trump disse ontem em uma entrevista que a América Latina talvez devesse ter que escolher entre Estados Unidos e China na hora de fazer acordos…

Amorim – O Brasil não vai fazer essa escolha. Os Estados Unidos são muito importantes para nós e continuarão a ser. Queremos que continuem a ser. Mas outros países também são importantes. A China é, obviamente, mas outros países também, como a Índia e a União Europeia. Espero que os europeus percebam que é estratégico para eles [o acordo com o Mercosul]. Eu não amo o acordo no detalhe, mas acho que, para a organização da ordem mundial, o acordo com a União Europeia ficou importante.

Não queremos depender de um único país. Tenho grande simpatia pela China, temos uma relação muito boa. Fizemos até uma proposta com relação à paz na Ucrânia. Foi a primeira vez que o Brasil fez uma proposta com um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Mas não queremos depender só da China. Nem é bom para a China. O que é bom é o sistema multilateral e equilibrado.

Os americanos defendiam um sistema baseado em regras. Mas [nós defendemos] regras multilateralmente aceitas. Não podem ser as regras que um país faz. Nem dos Estados Unidos e nem da China. Tem que ser uma coisa global.

BBC News Brasil – Neste contexto, quem é um parceiro internacional mais confiável? Estados Unidos ou China?

Amorim – Não posso dar uma resposta genérica. Não temos tido nenhum problema na relação com a China e procuramos ter uma relação boa com os Estados Unidos. Respeitamos as escolhas até certo ponto pragmáticas que o presidente americano possa fazer, mas confiamos no sistema multilateral. Isso é que é importante. Não sou inocente. Tenho 83 anos de idade, 60 anos de diplomacia. Sei que as forças econômicas e militar pesam muito. Mas, se você tem regras que são aceitas multilateralmente, você navega ali dentro.

BBC News Brasil – O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que os Estados Unidos iriam recuperar o que ele chamou de seu quintal, em referência à América Latina. O que essa declaração revela? Na sua opinião, a América Latina pode ser “recuperada” pelos americanos?

Amorim – Bom, não sei se ela foi perdida, e nem é o caso. Falo mais, nesse caso, da América do Sul. Respeito muito os interesses dos países centro-americanos. A América do Sul tem uma individualidade. Poderia ter e deveria ter. Por isso que trabalhamos pela Unasul [União de Nações Sul-Americanas], e isso não tinha nada de ideológico. O Brasil é um grande país, mas para você falar nesse mundo com países que tem 1,4 bilhão de habitantes como China ou Índia, ou que tenham PIBs [Produto Interno Bruto] que são sete ou oito vezes o nosso, temos que estar unidos na América do Sul.

Essa renovação da Doutrina Monroe, com esse enfoque, é inaceitável e não ocorrerá. Pode haver conflitos. Espero que não. Espero que a gente possa dialogar como sempre dialogamos. Dialogamos, por exemplo, com o presidente George W. Bush. Tivemos divergências importantíssimas, não só globais, como a Guerra do Iraque, mas em temas específicos, mas foi tudo conversado. Eles fizeram concessões, nós fizemos concessões, mas como diz o presidente Lula: eles nos trataram com respeito. O que a gente quer é respeito. A gente respeita o que os Estados Unidos querem fazer, mas eles têm que nos respeitar e não podem nos tratar como quintal.

BBC News Brasil – Há algumas semanas, o Departamento de Estado dos Estados Unidos soltou uma nota bastante dura em relação ao Brasil, dizendo que bloqueio de alguns serviços de internet e de redes sociais aqui no Brasil seria incompatível com os valores democráticos. Ao mesmo tempo, vemos o bolsonarismo fazendo uma campanha muito forte nos Estados Unidos por sanções contra o governo brasileiro e contra ministros do STF. O senhor vê esse tipo de sanção acontecendo?

Amorim – Não creio. Para falar a verdade, temos falado pouco com os americanos, pelo menos do meu lado. Quando a minha contraparte foi nomeada, eu mandei uma carta, e até hoje ele não respondeu. Fico esperando contatos indiretos. Agora [sobre as sanções], eu acho que não. O Trump dois é diferente do Trump um. Ele é muito ideológico, mas em outro sentido. Ele é ideológico no sentido de destruição de valores. Está muito mais voltado a, digamos, a se afastar dos ensinamentos europeus do que a um culto às coisas que ocorreram no Brasil no passado.

BBC News Brasil – A revista The Economist usou o termo “novo imperialismo” para classificar algumas características da nova política externa dos Estados Unidos. O senhor concorda?

Amorim – Quando a The Economist fala em novo imperialismo, está tudo bem. Mas se eu falar em novo imperialismo vai cair o mundo em cima de mim. Deixe a revista The Economist falar.

BBC News Brasil – O presidente Lula prometeu que, se os Estados Unidos impusessem tarifas, o Brasil reagiria com reciprocidade. Já se passaram mais de duas semanas, e o Brasil não anunciou nada. Por que o governo não cumpriu essa promessa?

Amorim – Vamos agir com serenidade, mas obviamente também mostrando que não somos passivos. Existe ainda alguma expectativa de uma possível negociação. Acho que foi muito importante o Congresso Nacional aprovar [a lei de reciprocidade comercial] com quase unanimidade, inclusive com apoio do agronegócio. Criamos uma unidade nacional em torno da possibilidade de reagir. Agora, está lá. Vamos ver como as negociações progridem. O melhor da retaliação permitida pela OMC [Organização Mundial do Comércio] é não precisar usar. Mas ela está lá.

BBC News Brasil – Lula defendeu desde antes de assumir o terceiro mandato que a Rússia fosse incluída nas discussões por um acordo de paz em relação à guerra da Ucrânia. Trump assumiu e passou a negociar com a Rússia. Trump está certo na sua estratégia para acabar com a guerra na Ucrânia?

Amorim – Não sei qual é a estratégia que ele tem na cabeça, mas, no aspecto de defender que haja diálogo entre os dois países e que se encontre uma solução pacífica, eu acho certo. Tenho muitas afinidades com muitas coisas que os europeus dizem, mas acho que, quando falam que vão derrotar a Rússia, eles estão incorrendo em uma grande ilusão. A história já mostrou isso. A negociação é muito importante e acho que Trump quebrou o gelo. Não estou comentando o estilo dele. Mas o fato de ter começado uma conversa e de haver um diálogo entre a Rússia e os Estados Unidos é uma coisa muito importante. A estratégia anterior não ia dar certo.

BBC News Brasil – Tanto a proposta sino-brasileira quanto a direção para onde caminham as negociações entre Estados Unidos e Rússia envolvem, em alguma medida, o reconhecimento da anexação da Crimeia e a perda de território anteriormente sob o controle da Ucrânia. Essa solução não deixa a Europa continental mais insegura?

Amorim – A segurança da Ucrânia também tem que ser mantida, mas tem que haver uma ideia de reciprocidade na segurança. Tem que haver uma solução pelo diálogo que envolva, também, a segurança estratégica na Europa. Tanto a segurança dos europeus quanto dos russos. Volto a esse ponto: a ideia de que se pode derrotar a Rússia não é uma boa. É uma ilusão. Hitler tentou. Napoleão tentou, e deu no que deu.

BBC News Brasil – Em fevereiro deste ano, especulou-se que o Brasil poderia enviar tropas para compor uma força internacional de paz na Ucrânia. O Brasil foi consultado sobre isso?

Amorim – Não chegamos a esse ponto ainda. Para se pensar em forças de paz, temos que pensar onde ela vai ficar. Nada disso está claro.

BBC News Brasil – Mas o Brasil foi consultado sobre enviar tropas? E estaria disposto a enviar?

Amorim – Isso tem sido mencionado, sim, mas consultado formalmente, não me consta.

BBC News Brasil – Lula vai participar do dia da Vitória em Moscou. É um dos principais eventos nacionais da Rússia e também uma grande demonstração de poder militar e político do presidente Vladimir Putin. Por que Lula vai prestigiar Putin nesse momento em que ele é alvo de um mandado de prisão pelo Tribunal Penal Internacional e em que a Rússia ainda ocupa parte de um país soberano?

Amorim – O Brasil sempre teve boas relações [com a Rússia]. Fui enviado lá pelo presidente Lula para conversar com o próprio Putin. A gente pode criticar e deve criticar certas ações que foram tomadas, mas, agora, nós temos que resolver o problema que existe. E o problema que existe envolve também as preocupações de segurança [da Rússia]. Temos que pensar nas preocupações de segurança de todos.

Fui ministro durante muitos anos, convivi com Putin, e convivíamos com a Ucrânia. Nunca senti a ameaça de uma guerra. Mas quando se começou a admitir, em 2008, a ideia de que a Ucrânia poderia ter bases de foguetes ou radares americanos e, depois, começaram a falar sobre a entrada da Ucrânia na Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte], isso mexe com preocupações centenárias [da Rússia].

BBC News Brasil – Mas um dos pilares da política externa brasileira é o respeito à soberania dos povos e à integridade territorial. Neste momento, Putin comanda um país que invadiu outro país soberano. Por que Lula vai participar da principal manifestação militar russa?

Amorim – A vitória da Segunda Guerra Mundial, que às vezes os países ocidentais também procuram esconder, começou com uma batalha de Stalingrado. É um grande momento. Você está comemorando a vitória contra o nazismo. Acho que é nesse espírito. O Brasil tem relações normais [com a Rússia]. Você ir lá não quer dizer que você concorda com tudo o que a Rússia faz. O presidente Lula foi aos Estados Unidos pouco depois dos Estados Unidos ter invadido o Iraque. Estávamos referendando? Não. Acho que essa associação não é válida.

Celso Amorim e Sergey Lavrov em um salão neoclássico repleto de móveis históricos durante encontro em Moscou
Amorim defendeu que Rússia fosse incluída nas negociações de paz da guerra na Ucrânia, posição agora adotada por Trump

BBC News Brasil – O Brasil está sediando os Brics. Putin virá?

Amorim – Não. Não creio. As circunstâncias do mundo mostram que isso é uma total improbabilidade.

BBC News Brasil – Trump já fez uma série de declarações em relação aos Brics. Ameaçou impor tarifas para aqueles países que tentassem, de alguma forma, diminuir a utilização do dólar. Em que medida os Brics são uma ameaça à hegemonia americana?

Amorim – Os Brics não são uma ameaça à hegemonia de ninguém. Aliás, não gostamos de hegemonia, de qualquer maneira. Os Brics são uma força de equilíbrio no mundo. Uma pergunta me foi feita por um amigo britânico que já foi ministro: “Por que vocês dão tanta importância aos Brics?”. Eu falei: “Para fortalecer o G20”. Porque o que estava acontecendo ultimamente é que o G20, que tinha sido criado logo depois da crise do Lehman Brothers [em 2008] estava regredindo, e tudo estava voltando para o G7. O mundo não pode ser mais governado pelo G7.

BBC News Brasil – Muitos analistas afirmam também que os Brics foram sequestrados pelos interesses anti-Estados Unidos da China e, em alguma medida, da Rússia. Como o senhor avalia isso?

Amorim – Só posso dizer que isso é uma bobagem. Cada um puxa [o bloco] para acentuar mais os seus interesses. Isso é normal. O Brasil também tem os seus. Não há nenhum desejo de diminuir a importância do dólar. O problema do dólar são os Estados Unidos que estão criando quando eles impõem sanções absurdas.

BBC News Brasil – Em 2023, Lula apostou na reabilitação da Venezuela no cenário internacional. As eleições que ocorreram lá não tiveram seu resultado reconhecido pelo Brasil, assim como por outros países. Após essa eleição, houve perseguição a dissidentes e alguns tiveram que fugir. Outros, inclusive, estão asilados em embaixadas que hoje estão sob a custódia do Brasil. A Venezuela vive hoje uma ditadura?

Amorim – Não vou discutir a situação interna da Venezuela. Acho que, quando a gente puder trabalhar por paz e conciliação, a gente trabalha. Agora, eu não vou dizer a você que seja um diálogo fácil. Eu mesmo fui considerado persona non grata por um dirigente venezuelano. Fui considerado um agente americano. Como, às vezes, me consideram antiamericano, acho que deu um bom equilíbrio. Mas a gente quer dialogar. A política de sanções é ruim. Não é o caminho.

BBC News Brasil – Maduro deu, segundo oposicionistas, seguidas demonstrações de que ele não era um parceiro confiável. O Brasil errou ao confiar que Maduro garantiria eleições justas no ano passado?

Amorim – Em todas as relações internacionais, isso é uma aposta. Você sempre tem que fazer uma aposta, e eu sempre procuro apostar no lado positivo. Não acho que tenha sido erro, e nem nós dissemos que tínhamos certeza de antemão que as coisas iam correr bem ou não. Mas apostamos. Acho que foi um erro, por exemplo, União Europeia não ter mandado os observadores. Isso teria sido uma coisa importante. Acho que houve foi uma série de fatores. Acho, sobretudo, que não sou eu que tenho que julgar o que é melhor para o povo venezuelano. A gente ajuda no diálogo no que for possível.

BBC News Brasil – Lula também mencionou, em 2023, uma possível reedição da Unasul. Hoje, fala-se muito pouco de iniciativas em relação à integração da América do Sul. Lula, como presidente do maior país da América do Sul, é um líder internacional ou regional mais fraco do que ele já foi no passado?

Amorim – Não é mais fraco. Acho que é o contrário. Ele é até mais respeitado mundialmente. O Brasil é mais chamado. Um exemplo é o acordo [de paz na Ucrânia] com a China. O Brasil tem um relacionamento excelente [na comunidade internacional], foi chamado para todas as reuniões que dizem respeito ao clima, à pobreza, e tivemos presidência do G20, que foi um êxito. Agora, acho que a América do Sul hoje é mais complexa. Temos o surgimento da extrema-direita, que não é um fenômeno só da América do Sul, mas que, na América do Sul, está muito enraizado e, obviamente, complica essas iniciativas.

BBC News Brasil – Hoje, a presidência do Mercosul está com a Argentina. A estratégia do Brasil é deixar terminar essa presidência para tentar finalizar o acordo quando o Mercosul estiver sob a presidência do Brasil, no segundo semestre?

Amorim – Não é propriamente uma estratégia. Se pudesse terminar agora, ótimo. Mas o próprio andamento das coisas torna irrealista esperar por isso. O que acho importante é que temos uma relação privilegiada com a França em muitos aspectos. E a França tem uma importância muito grande nisso tudo, e seria importante passar a percepção de que com essa questão de termos uma nova ordem [internacional], o acordo da União Europeia com o Mercosul seria positivo para uma ordem mundial mais harmônica e menos exposta a ações unilaterais.

BBC News Brasil – Com Trump e o premiê israelense Benjamin Netanyahu, a solução de dois Estados para a Palestina está enterrada?

Amorim – Nós não podemos considerar que está enterrada. Isso é um direito do povo palestino, assim como a existência do Estado de Israel. Sempre tivemos um diálogo normal, mas acho que hoje isso não existe. Só existe a força das armas, mas nunca abandonaremos a ideia de que o povo palestino tem direito ao seu Estado respeitando as fronteiras de 1967.

BBC News Brasil – Mas, analisando a realidade hoje, essa solução está mais longe ou mais perto?

Amorim – Naquela época [durante os dois primeiros mandatos de Lula], essa solução me parecia mais perto. Hoje, ela me parece, obviamente, mais difícil, mas é a única. Esse é o problema quando você tem só uma única solução. Não existe outra solução. Nem se pode acabar com o Estado de Israel, como querem os radicais de vários países, nem fazer com que a Palestina deixe de existir como um Estado independente, seguro, economicamente viável e com liberdade para escolher seus governantes.

BBC News Brasil – O governo brasileiro acabou de anunciar a concessão de asilo e trouxe para o Brasil a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Herédia, condenada por corrupção no Peru. Por que o Brasil enviou um avião para trazer para cá uma pessoa condenada por corrupção?

Amorim – Não quero me aprofundar nesse assunto, porque não tratei dele a fundo. Mas o Brasil é signatário de convenções de asilo, e, aliás, quem mencionou essa convenção foi o governo peruano e, com base nisso, ofereceu um salvo-conduto a ela.

BBC News Brasil – Mas isso não pode projetar uma imagem de que o Brasil está dando abrigo a alguém condenado por corrupção.

Amorim – Olha… Essa coisa das pessoas condenadas por corrupção… Você sabe que varia muito. Conheço muitas pessoas que foram condenadas por corrupção e que, tenho certeza, não cometeram nenhum ato de corrupção.

BBC News Brasil – O senhor está se referindo a quem especificamente? Ao presidente Lula?

Amorim – O presidente Lula foi injustamente condenado, e o próprio Supremo Tribunal Federal no Brasil depois considerou isso. Curitiba era visitada por mais políticos importantes e estadistas internacionais do que a sede do governo brasileiro naquela época porque eles também tinham essa visão.

BBC News Brasil – Vemos um cenário de disputa acirrada entre Estados Unidos, China e Rússia. Como o Brasil pode fazer para não ficar nesse fogo cruzado e que consequências isso pode ter?

Amorim – O Brasil procura manter relações boas com todos. Há mil coisas que podem ser feitas, mas o fato singular para garantir equilíbrio nesse mundo era finalizar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia porque isso daria uma relação da Europa com a América do Sul que eles não têm. E todos nós também temos que pensar na África, que nós não mencionamos. A África não pode ficar sujeita a golpes de Estado e a intervenções. Ninguém fala das intervenções europeias na África, mas houve muitas. Tudo isso tem que ser levado em conta.

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Ex-presidente Fernando Collor é preso por condenação na Lava Jato

Prisão ocorreu na madrugada desta sexta-feira (25) em Maceió (AL), após determinação de Moraes

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Atualizada às 

Fernando Collor foi presidente do Brasil entre os anos 1990 e 1992
Agência Brasil

Fernando Collor foi presidente do Brasil entre os anos 1990 e 1992

Fernado Collor de Mello, ex-presidente do Brasil, foi preso por volta das 4h da manhã desta sexta-feira (25), em Maceió (AL), após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O político teve os recursos negados contra a condenação de 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção, em um desdobramento da Operação Lava Jato. Moraes determinou a prisão imediata de Collor e o início do cumprimento da pena na noite de quinta (24).

A defesa de Fernando Collor informou que ele se deslocava para Brasília para o cumprimento espontâneo do mandado de prisão. Depois de detido, o ex-presidente e ex-senador foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em Alagoas.

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, aceitou um pedido de Moraes e marcou uma sessão em plenário virtual para esta sexta-feira (25), das 11h às 23h59, para que os ministros analisem a decisão individual. Enquanto isso, a ordem de prisão segue em vigor.

Condenação

Os ministros do STF mantiveram a condenação de Collor no final do ano passado
STF

Os ministros do STF mantiveram a condenação de Collor no final do ano passado

Collor foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2015, acusado de receber R$ 29,9 milhões em propinas entre 2010 e 2014 para viabilizar um contrato de troca de bandeira de postos de combustíveis da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Durante seu mandato como senador pelo PTB-AL, ele teria feito indicações políticas em prol do contrato.

A defesa de Collor afirmou que deveria prevalecer os votos de André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques, que votaram por reduzir a pena do ex-presidente para quatro anos. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, negou os embargos. Por 6 votos a 4, o STF rejeitou recursos apresentados pelo ex-presidente e manteve a condenação em novembro de 2024.

O que diz a defesa

Em nota à imprensa, os advogados de Fernando Collor contam que receberam a decisão com “surpresa e preocupação”.




Frederico Siqueira é o novo ministro das Comunicações

O presidente Lula aceitou a indicação feita pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, para nomear Frederico Siqueira Filho para o cargo de ministro das Comunicações. “Fred” como é conhecido no mercado é um técnico do setor, já trabalhou na Oi e atualmente estava presidindo a Telebras. Ele é engenheiro civil e pernambucano, mas mora na Paraíba.

Com o anúncio que deve sair ainda hoje ele passa a ocupar a vaga deixada por Juscelino Filho, após uma baita confusão política do União Brasil, após a rejeição do convite feito ao atual líder do partido na Câmara, Pedro Lucas.

A indicação de Frederido Siqueira passa a ser uma escolha pessoal de Alcolumbre, assim como já tinha sido na época de Juscelino Filho, durante a montagem do Governo Lula. Depois da descortesia do União Brasil, que enrolou por duas semanas a indicação de Pedro Lucas.

Fred tem sido responsável pela oxigenação da Telebras nos últimos dois anos. Ao entrar para o cargo de presidente, foi graças à ele que o então ministro Juscelino Filho decidiu renovar a assinatura de contrato da estatal com a pasta, para continuidade do programa Gesac – Governo Eletrônico, Serviço de Atendimento ao Cidadão.

Também deu um novo rumo para a estatal de Telecomunicações, ao fechar acordos de parcerias com outras empresas privadas que exploram serviços de satélites, de forma a aumentar a capilaridade no país do sinal de Internet por meio dessa infraestrutura. Acordo que propiciou a Telebras de também prestar o serviço no programa “Aprender Conectado”, de internet nas escolas públicas.

Porém a empresa ainda não conseguiu assinar o contrato de serviços com a entidade que executa a implantação desse programa, por pressão das operadoras móveis. Agora como ministro, Fred terá poderes para enquadrar essa turma.

Outro movimento que tem créditos para ele, a Telebras deve sair até o fim deste ano da condição de empresa dependente do Orçamento da União, decisao tomada no Governo Bolsonaro que atrapalhou uma série de investimentos da companhia e de renovação da sua rede.

 

com Capital Digital




Todos réus: STF aprova por unanimidade a abertura de ação penal contra mais 6 pessoas por tentativa de golpe de Estado

Segundo a PGR, ‘núcleo 2’ foi responsável pelo “gerenciamento operacional” do plano golpista

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira (22), pela abertura da ação penal contra os seis integrantes do chamado “núcleo 2” do plano para um golpe de Estado. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo seria responsável pelo “gerenciamento de ações” para a consumação do golpe, e atuava em instituições de segurança pública e militar.

A lista dos novos réus inclui os delegados da Polícia Federal (PF) Fernando de Sousa Oliveira e Marília Ferreira de Alencar, o ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República Filipe Martins, o coronel da reserva Marcelo Câmara, o general da reserva Mário Fernandes, e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques.

Com isso, os seis acusados se tornam réus e se somam aos outros oito réus do “núcleo 1”, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta fase, os ministros não analisaram o mérito das acusações, mas o recebimento da denúncia e o reconhecimento da existência de indícios concretos do cometimento de crimes.

Voto do relator

O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, apresentou seu voto com uma longa análise dos fatos descritos pela PGR, e fez um relato pessoal das denúncias que recebeu, como o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre a tentativa de impedir eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de chegarem a seus locais de votação.

“No dia 30 [de outubro, 2º turno das eleições], nós tivemos inúmeras ligações, petições no Tribunal Superior Eleitoral, sobre a dificuldade que inúmeros eleitores estavam tendo, simplesmente porque a Polícia Rodovia Federal, ignorando a decisão do TSE, montou suas operações nesses municípios. E isso só acabou chegando à grande mídia quando dois senadores foram impedidos de chegar ao seu local de votação, porque pararam em uma blitz também”, relatou o ministro.

Em outro momento, ao abordar a chamada Operação Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de autoridades da República, Moraes refutou a narrativa de que, por haver sido citado como um dos alvos do plano, não poderia relatar a matéria.

“É importante deixar muito claro que a denúncia aqui não se refere à tentativa de homicídio. Obviamente que, se houvesse uma denúncia por tentativa de homicídio contra um magistrado do Supremo Tribunal Federal, esses fatos seriam apartados e seriam distribuídos para outro ministro do Supremo Tribunal Federal. Aqui não, aqui é atentado contra as instituições democráticas”, ponderou Moraes.

Ministro Alexandre de Moraes, relator do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Foto: Antônio Augusto/STF

O ministro argumentou ainda que “seria fácil” para qualquer pessoa que tenha a si um crime imputado, mencionar o juiz do caso para impedir o prosseguimento das ações judiciais. “É sempre bom repetir: investigado não escolhe o juiz. Não é o investigado que vai escolher qual o juiz que o julgará”, ressaltou.

Finalmente, o ministro votou pelo recebimento da denúncia e pela abertura da ação penal contra os seis acusados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e deterioração do patrimônio tombado.

“Obviamente cada um dos imputados terá todo o tempo necessário para provar que ele não participou. Mas não há como negar que houve uma tentativa de golpe de Estado e a materialidade é a violência daquele dia, em que teve gente agredida, em que os prédios foram depredados”, disse o ministro, que voltou a exibir um vídeo dos atos golpistas de 8 de janeiro e da apreensão de uma bomba colocada nas proximidades do aeroporto de Brasília, em dezembro de 2022, no dia da diplomação do então candidato eleito, Lula. “Aquilo não foi um passeio de domingo”, afirmou.

Os demais ministros apresentaram votos sucintos, seguindo o relator, pelo recebimento da denúncia. Dessa forma, a ação penal será aberta, e a partir daí, dá-se início à fase de instrução, quando os acusados e testemunhas são chamados a depor e a apresentar provas e contraprovas em sua defesa. Só depois disso, haverá o julgamento do mérito das acusações imputadas, condenando ou absolvendo os réus.

“Sem anistia”

O ministro relator foi firme ao provocar uma reflexão sobre a proposta de anistia, que vem sendo discutida no Congresso Nacional. “As pessoas de boa fé só deveriam refletir e se perguntar se o que aconteceu pro Brasil acontecesse na sua casa. Se um grupo armado, organizado, ingressasse na sua casa, destruísse tudo, mas com a finalidade de fazer o seu vizinho mandar na sua casa, ou seja, de afastar você, a sua família do comando da sua casa com violência, destruição e bombas. Você pediria anistia para essas pessoas?”, provocou o ministro.

Nesse sentido, rejeitou a proposta de anistia. “Então, por que no Brasil, na democracia, a tentativa de quebra do Estado Democrático de Direito?, perguntou.

Defesa alega nulidades, mas ministros rejeitam todas

Na primeira parte do julgamento, os cinco ministros da Primeira Turma analisaram possíveis nulidades processuais, argumentadas pelas defesas dos acusados, que tiveram a chance de apresentar os argumentos que pudessem demonstrar as irregularidades processuais alegadas. Entre elas, os advogados defenderam a invalidade do acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, e a suposta dificuldade da defesa em acessar as provas descritas pela PGR na denúncia.

“Eu não estou dizendo que houve quebra da cadeia de custódia, ainda. Mas temos que discutir a licitude da prova no começo, na entrada do processo. E isso só pode ser feito com o acesso às provas”, afirmou Luís Eduardo Kuntz, advogado de defesa do ex-assessor de Bolsonaro, o coronel da reserva Marcelo Costa Câmara.

As defesas também argumentaram uma suposta ausência de parcialidade do PGR e dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, e a incompetência do STF e da Primeira Turma para julgar a matéria.

Já o advogado Sebastião Coelho da Silva, defensor do ex-assessor da Presidência da República, Filipe Martins, pediu que, caso fosse aceita a denúncia, que o relator suspendesse as medidas cautelares impostas, como a retirada da tornozeleira eletrônica determinada pelo STF em 2024. E ao final de sua fala, prestou “homenagens” a algumas das pessoas que já se tornaram réus pela tentativa de golpe.

“Quero deixar aqui minhas homenagens a todos os acusados, especialmente ao presidente Bolsonaro, a quem eu oro por sua saúde, ao general Braga Netto e ao doutor Anderson Torres”, afirmou.

Em resposta às alegações apresentadas, o procurador-geral, Paulo Gonet, se referenciou ao julgamento do “núcleo 1”, em 26 março passado, em que as defesas entraram com preliminares semelhantes, sendo todas afastadas pelo colegiado. “Nenhuma dessas novas arguições convence de irregularidade nulificante”, disse o Gonet.

Em seguida, os ministros da Primeira Turma rejeitaram todas as arguições de nulidade levantadas pelas defesas, dando seguimento à análise do mérito do pedido de abertura da ação penal.

Ex-ministro de Dilma defende única mulher do “núcleo 2”

Causou surpresa no plenário da Primeira Turma quando foi convocado o advogado de defesa da delegada Marília Alencar, ugênio Aragão. Ele foi ministro da Justiça do governo da ex-presidenta Dilma Rousseff e atuou como advogado do presidente Lula. Aragão destacou, de partida, a gravidade dos eventos de 8 de janeiro.

“Não é sem desconforto que estou aqui nesta tribuna, neste feito, mas faço com tranquilidade, porque conheço Marília Alencar há muitos anos”, disse o advogado.

Aragão disse haver tido divergências profundas com a delegada, e que sofreu críticas dela quando assumiu o Ministério da Justiça do governo Dilma. “Uma coisa é o plano político que a gente diverge, outra coisa é o plano dos fatos”, declarou, passando a defender o não recebimento da denúncia contra sua cliente.

Os réus

  • Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF): segundo a PGR, ele teria utilizado sua posição como diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para obstruir estradas e impedir que eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegassem aos locais de votação. Silvinei chegou a ser preso, mas foi solto e precisa usar tornozeleira eletrônica.
  • Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro. O coronel da reserva e ex-assessor especial da Presidência da República de Bolsonaro era, segundo a denúncia, responsável por monitorar o ministro e então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes. Ele também teria envolvimento com o suposto extravio de joias do acervo da Presidência da República, a mando de Bolsonaro.
  • Marília Ferreira de Alencar, delegada da Polícia Federal e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça. Ela é apontada como braço direito do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, que também era o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal em 8 de janeiro de 2023. Ela é acusada pelo Ministério Público de ter articulado junto ao ex-diretor da PRF os bloqueios em rodovias para impedir que os eleitores do presidente Lula chegassem aos locais de votação, e por negligência e omissão durante os atos antidemocráticos.
  • Fernando de Souza Oliveira, delegado da PF. Ele era o secretário-adjunto da SSP-DF durante os atos de 8 de janeiro de 2023, enquanto o então secretário, Anderson Torres, estava fora do Brasil. Ele também é acusado de omissão ao não alertar sobre o planejamento do ato golpista e na prevenção da depredação da Praça dos Três Poderes.
  • Mário Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência. O general é apontado pela PGR como responsável por elaborar o chamado Plano Punhal Verde e Amarelo, que planejava os assassinatos de Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e Moraes.
  • Filipe Garcia Martins. O ex-assessor de Assuntos Internacionais do governo Bolsonaro, teria redigido uma minuta do golpe e apresentado o decreto ao então presidente, de acordo com a denúncia da PGR.
Da esquerda para a direita: Marília Ferreira de Alencar, Fernando de Souza Oliveira, Marcelo Costa Câmara (acima), Filipe Martins, Mario Fernandes e Silvinei Vasques (abaixo). Fotos: Câmara Leg. DF – Fabio Rodrigues-Pozzebom, Marcelo Camargo e Lula Marques/Abr – Reprodução Redes

 




Botafogo-PB vende mando de campo contra o Flamengo por proposta milionária e jogo será em São Luís-MA

Botafogo-PB vende mando de campo contra o Flamengo por proposta milionária e jogo será em São Luís-MA
A decisão foi anunciada por Alexandre Gallo, CEO da SAF do clube paraibano – Foto: Ascom / Botafogo-PB

A diretoria do Botafogo-PB confirmou, nesta segunda-feira (21), a venda do mando de campo do confronto contra o Flamengo, válido pela terceira fase da Copa do Brasil. A partida, que seria realizada no Estádio Almeidão, em João Pessoa, acontecerá no Estádio Castelão, em São Luís (MA), no dia 1º de maio.

A decisão foi anunciada por Alexandre Gallo, CEO da SAF do clube paraibano, após uma série de protestos da torcida alvinegra contra os altos preços dos ingressos e a divisão da carga de bilhetes entre os torcedores do Belo e do Flamengo.

Segundo Gallo, o clube recebeu a maior proposta da história do futebol brasileiro para a venda de mando, sem revelar o valor ou o nome do comprador. Na semana passada, o investidor Filipe Félix, ligado à SAF, mencionou uma proposta de R$ 6 milhões, mas o CEO garantiu que o montante negociado foi ainda superior.

“O jogo será realizado em São Luís, no Maranhão. Causou muita estranheza esse desconforto da torcida. Estávamos sendo assediados por várias propostas e, diante de tudo, entendemos que mudar o local seria a melhor solução. Isso vai acelerar investimentos na nossa estrutura física”, explicou Alexandre Gallo.

Torcida protestou com pichações e críticas

A decisão veio na esteira de uma forte reação da torcida do Belo, que criticou publicamente a diretoria. Os ingressos para o setor destinado à torcida alvinegra estavam sendo vendidos a R$ 300, valor considerado abusivo por muitos torcedores.

Além disso, a divisão anunciada inicialmente — 60% da carga para o Botafogo-PB e 40% para o Flamengo — gerou revolta entre os alvinegros, que esperavam que os rubro-negros tivessem direito a apenas 10% dos ingressos, conforme promessa anterior da diretoria.

A insatisfação foi expressa nas redes sociais e com pichações nos muros do centro de treinamento do clube, a Maravilha do Contorno, cobrando mais respeito da SAF com os torcedores.

“Queríamos fazer o jogo aqui, era o nosso desejo. Mas a torcida não entendeu bem as condições. Com essa mudança, vamos poder antecipar melhorias estruturais importantes. Tentamos fazer da melhor forma possível, mas não fomos compreendidos”, afirmou Gallo.

Com isso, o duelo entre Botafogo-PB e Flamengo, que marca o jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil, será disputado no Estádio Castelão, na capital maranhense. O jogo da volta, no Maracanã, segue sem alterações.

Confira a entrevista coletiva de Alexandre Gallo:

www.reporteriedoferreira.com.br Por Poder Paraíba




Saiba quem são cardeais apontados como favoritos para suceder papa Francisco; não há brasileiros na lista

Com a morte de Francisco, ocorrida nesta segunda-feira (21), aos 88 anos, a pergunta que ronda o Vaticano é uma só: quem será o próximo papa?

O conclave é o processo de escolha de um pontífice, que começa oficialmente depois que o líder da Igreja Católica morre ou renuncia ao cargo. Nesses casos, os cardeais espalhados pelo globo são convocados para a reunião na Capela Sistina, dentro do Vaticano. Só podem votar aqueles que têm menos de 80 anos.

Embora, em teoria, qualquer homem batizado celibatário possa ser escolhido como papa, desde o conclave de 1378 todos os eleitos faziam parte do grupo de cardeais. É dali que saem as listas de mais cotados a futuro papa. Atualmente, o Colégio Cardinalício é formado por 252 cardeais, sendo 138 eleitores.

Pelo direito canônico, o total de eleitores não deveria passar de 120, mas é uma decisão que cabe ao papa e o limite já foi superado em outros períodos. A escolha de Francisco de nomear 21 novos eleitores em dezembro de 2024 é ligada ao fato que, ao longo de 2025, 14 cardeais completarão 80 anos e perderão direito a voto.

O vaticanista Edward Pentin criou, com uma equipe de jornalistas e especialistas católicos, o site The College of Cardinals Report, que enumera 12 cardeais entre os mais papáveis. Nele, há o perfil de todos os cardeais vivos, informações detalhadas de cerca de 40 deles e uma lista de 12 papáveis, sem ser um ranking de mais ou menos cotados.

Veja abaixo quem são eles, por ordem alfabética. Não há brasileiros nem sul-americanos, e metade se tornou cardeal no papado de Francisco.

Anders Arborelius, 75 (Suécia)

Bispo de Estocolmo, já foi considerado um modelo pelo papa Francisco, por sua capacidade de diálogo. É a favor de mais abertura para divorciados, mas contra o diaconato feminino. Nomeado por Francisco em 2017.

Charles Bo, 76 (Mianmar)

Arcebispo de Yangon, maior cidade e antiga capital de Mianmar, é considerado um candidato forte em temas de injustiça social e diálogo entre religiões. Nomeado por Francisco em 2015.

Fridolin Ambongo Besungu, 65 (República Democrática do Congo)

Um de dois candidatos negros e do continente africano, Besungu é o arcebispo de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Filho de um seringueiro, é conhecido por suas posições ambientalistas e fortemente anticoloniais. Ao mesmo tempo, se posiciona contra a bênção a casais do mesmo sexo.

Jean-Marc Aveline, 66 (França)

Arcebispo de Marselha e nascido na Argélia, é apontado como um preferido do próprio Francisco, especialmente por sua defesa dos imigrantes. Nomeado por Francisco em 2022.

Luis Antonio Tagle, 67 (Filipinas)

Arcebispo emérito de Manila, desde 2019 tem cargo na Cúria Romana, a cúpula do Vaticano. Atualmente, é pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização. Considerado o “Francisco asiático”, compartilha a visão do papa em temas como ecologia. Nomeado por Bento 16 em 2012.

Malcolm Ranjith, 77 (Sri Lanka)

Arcebispo de Colombo, capital do Sri Lanka, é outra aposta entre a ala tradicional e conservadora do clero, com o diferencial de estar na Ásia e se alinhar à defesa do meio ambiente como Francisco. Nomeado por Bento 16 em 2012.

Matteo Zuppi, 69 (Itália)

Presidente da Conferência Episcopal Italiana, equivalente à CNBB brasileira, e colaborador do papa em temas internacionais. Foi escolhido como mediador na Guerra da Ucrânia, enviado a Kiev e Moscou. Nomeado por Francisco em 2019.

Péter Erdo, 72 (Hungria)

Arcebispo de Budapeste, é visto entre os círculos conservadores da Igreja como um nome para se contrapor às ideias de Francisco. Nomeado por João Paulo 2º em 2003.

Pierbattista Pizzaballa, 59 (Itália)

Mais jovem da lista, chefia o Patriarcado Latino de Jerusalém. Há mais de 30 anos vive na Terra Santa e conhece profundamente os temas do Oriente Médio, outro assunto caro ao papa. Nomeado por Francisco em 2023.

Pietro Parolin, 70 (Itália)

Frequentemente citado como papável pela imprensa especializada, desde 2013 é secretário de Estado da Santa Sé, responsável pela diplomacia da Igreja. Nomeado por Francisco em 2014.

Robert Sarah, 79 (Guiné)

Sarah é uma aposta do campo conservador da Igreja por sua firme oposição ao papado de Francisco em temas como processo sinodal e abertura a casais homossexuais. É prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Nomeado por Bento 16 em 2010.

Willem Eijk, 71 (Holanda)

Arcebispo de Utrecht, é um nome estimado entre os conservadores por suas posições pró-vida, em temas como eutanásia. É contra a bênção a homossexuais, por irem contra a ordem de criação de Deus. Nomeado por Bento 16 em 2012.

 

Folha Online




Lula decreta luto de sete dias no Brasil após morte do Papa Francisco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decretou luto oficial de sete dias no Brasil após a morte do Papa Francisco, ocorrida nesta segunda-feira (21), aos 88 anos. Em pronunciamento nas redes sociais, o chefe do Executivo destacou o legado de amor, solidariedade e justiça deixado pelo pontífice argentino.

“A humanidade perde hoje uma voz de respeito e acolhimento ao próximo. O Papa Francisco viveu e propagou em seu dia a dia o amor, a tolerância e a solidariedade que são a base dos ensinamentos cristãos (…) Que Deus conforte os que hoje, em todos os lugares do mundo, sofrem a dor dessa enorme perda. Em sua memória e em homenagem à sua obra, decreto luto de sete dias no Brasil”, escreveu Lula.

Lula recordou com carinho os encontros que teve com o Santo Padre, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, destacando a comunhão de ideais em torno da paz, da igualdade e da justiça.

“Nas vezes em que eu e Janja fomos abençoados com a oportunidade de encontrar o Papa Francisco e sermos recebidos por ele com muito carinho, pudemos compartilhar nossos ideais de paz, igualdade e justiça. Ideais de que o mundo sempre precisou. E sempre precisará”, afirmou.

O presidente também ressaltou a postura firme do Papa em defesa do meio ambiente, dos pobres, dos refugiados e das vítimas das guerras e do preconceito.

“Com sua simplicidade, coragem e empatia, Francisco trouxe ao Vaticano o tema das mudanças climáticas. Criticou vigorosamente os modelos econômicos que levaram a humanidade a produzir tantas injustiças”, pontuou.

Agência Brasil