O que muda com a regulamentação das fintechs?

Novas regras do BC e da Receita ampliam exigências contra fraudes e lavagem de dinheiro

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A fiscalização busca impedir que fintechs funcionem como bancos paralelos
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A fiscalização busca impedir que fintechs funcionem como bancos paralelos

A regulamentação das fintechs no Brasil passou por mudanças a partir de agosto e setembro, após decisões do Banco Central e da Receita Federal.

As medidas equiparam essas empresas aos bancos tradicionais em obrigações fiscais e operacionais, com o objetivo de aumentar a transparência e reduzir o uso dessas plataformas por organizações criminosas.

As alterações respondem a investigações como a operação Carbono Oculto, que revelou esquemas bilionários de lavagem de dinheiro envolvendo facções criminosas e uso de fintechs em fraudes no setor de combustíveis.

Também foram citadas operações como Tank e Quasar, que identificaram movimentações de valores ocultados por meio de contas irregulares.

O Banco Central estabeleceu limite de R$ 15 mil por transação em Pix ou TED para instituições sem autorização plena ou conectadas a PSTIs (Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação).

A medida atinge cerca de 250 fintechs que operam sem licença e outras 140 que aguardam credenciamento. Todas as novas empresas do setor passam a precisar de registro prévio e capital mínimo de R$ 15 milhões.

O foco do BC recai sobre plataformas de BaaS (Banking-as-a-Service) e contas-bolsão, onde valores de diferentes clientes eram movimentados sem rastreamento individual.

Leonardo Ramos, especialista em regulação financeira, avalia que a mudança fecha brechas usadas pelo crime.

“A equiparação das fintechs aos bancos tradicionais é um passo essencial para fechar as brechas usadas por criminosos. As contas-bolsão e a falta de rastreamento em algumas plataformas eram um convite à lavagem de dinheiro”.

A Receita Federal também ampliou as exigências. A partir de janeiro de 2025, todas as fintechs deverão usar o sistema e-Financeira para reportar movimentações acima de R$ 2 mil mensais por cliente.

O mecanismo, já aplicado aos bancos, permitirá cruzamento de dados com o BC e o Coaf para detectar operações suspeitas. A Instrução Normativa de agosto restabeleceu a aplicação da Lei nº 12.865/2013, que havia sido revogada no ano anterior.

Segundo o economista Leonardo Ramos, ao Portal iG, as mudanças podem afetar a estrutura de mercado.

“As novas exigências do Banco Central, como o capital mínimo de R$ 15 milhões, podem frear a entrada de pequenas fintechs, mas garantem um mercado mais seguro e competitivo, beneficiando consumidores a longo prazo”.

Febraban quer punições contra fraudes

O Banco Central estabeleceu limite de R$ 15 mil por transação em Pix ou TED
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O Banco Central estabeleceu limite de R$ 15 mil por transação em Pix ou TED

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) tem defendido punições adicionais contra fraudes. Entre as propostas entregues ao BC está o bloqueio de CPFs e CNPJs classificados como laranjas por cinco anos, restringindo sua movimentação a contas-salário. Relatórios da entidade apontam 10 milhões de CPFs ligados a irregularidades.

Para Leonardo Ramos, consultor em compliance financeiro, a medida tem caráter preventivo.

“O banimento de CPFs e CNPJs de laranjas por cinco anos, como sugerido pela Febraban, é uma medida dura, mas necessária. Sem punições efetivas, o uso de contas fraudulentas continuará alimentando o crime organizado”.

Além das medidas já em vigor, o Banco Central estuda novas regras para o setor de criptoativos e para serviços de BaaS. A Febraban também pressiona por responsabilização de dirigentes de fintechs que não cumprirem as normas de segurança.

Segundo Leonardo Ramos, especialista em tecnologia financeira, a regulamentação aproxima o Brasil de padrões internacionais.

“A regulamentação das fintechs, incluindo o uso obrigatório do e-Financeira, alinha o Brasil às melhores práticas globais. Apesar dos custos iniciais de compliance, isso fortalecerá a confiança no sistema financeiro digital”.

 




TRE-PB propõe nova regra para remoção de analistas judiciários

Presidente do Tribunal delibera sobre certame com três vagas e estabelece regra para que servidores de diferentes áreas possam concorrer de forma indistinta

Fachada do edifício-sede do TRE-PB

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), desembargador Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, propôs, na manhã desta sexta-feira (13) a realização de um concurso de remoção interna para o cargo de Analista Judiciário, com a disponibilização de 3 (três) cargos. A decisão, tomada no âmbito de um processo que busca recompor a força de trabalho e suprir o déficit de servidores, traz uma mudança significativa: a possibilidade de concorrência indistinta entre os analistas das áreas Judiciária e Administrativa.

A iniciativa partiu da Coordenadoria de Desenvolvimento e Saúde (Codes), foi reforçada pela Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) e será apreciada pela Corte Eleitoral.

Segundo a coordenadora da Codes, Raisse Fernandes, o processo foi iniciado para viabilizar o certame e suprir o déficit de servidores. “A Portaria TSE nº 236/2025 e o Edital nº 38/2025 – CPNUJE autorizaram o provimento de 2 (dois) cargos de Analista para este Regional. Contudo, em virtude da vacância de um dos cargos por posse em outro cargo inacumulável, que é passível de provimento, torna-se viável a disponibilização de 3 (três) cargos para o concurso de remoção”, explicou.

Os cargos oferecidos no certame são:

01 (um) cargo de Analista Judiciário, área judiciária, lotado na 66ª Zona Eleitoral – Piancó/PB;

01 (um) cargo de Analista Judiciário, área judiciária, lotado na 33ª Zona Eleitoral – Itaporanga/PB;

01 (um) cargo de Analista Judiciário, área administrativa, lotado na Sede do Tribunal.

O secretário de Gestão de Pessoas (SGP), Océlio Batista Mendes explicou que para permitir a ampla concorrência, o presidente do TRE-PB encaminhou para aprovação do Pleno uma minuta de resolução que revoga normativos internos anteriores e autoriza a disputa por cargos de analista judiciário, área judiciária, e analista judiciário, área administrativa, sem especialidade, de forma indistinta. “A minuta também prevê que os cargos vagos de analista judiciário, da área administrativa, lotados nas zonas eleitorais serão transformados em analista judiciário da área judiciária após o certame”, declarou.

A decisão também visa regularizar a situação de zonas eleitorais que estão há mais de 5 anos sem cargos de analista, como a 33ª Zona Eleitoral (ZE) de Itaporanga, a 40ª de São José de Piranhas e a 42ª de Itaporanga. Um cargo de analista judiciário da Sede será removido para a 33ª ZE em Itaporanga. Além disso, a administração irá realocar os cargos das zonas extintas da 21ª ZE de Cabaceiras e 54ª ZE de Belém para as 40ª e 42ª Zonas Eleitorais, sem deslocar os servidores atualmente lotados nelas.

A Presidência determinou ainda a redistribuição obrigatória de uma servidora do TRE-RN, para a qual será utilizado um cargo vago de analista judiciário da área administrativa.

/rafaelkoehler/ascom/tre-pb/




1ª Turma do STF condena Bolsonaro a 27 anos de prisão Ex-presidente e os outros sete réus foram condenados pelos ministros da Suprema Corte

Ex-presidente e os outros sete réus foram condenados pelos ministros da Suprema Corte

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Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe
Antônio Cruz/Agência Brasil

Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe

Assista ao julgamento:

20h00 – Inicia discussão da pena de Alexandre Ramagem

O ministro Alexandre de Moraes começou a discutir a pena de Alexandre Ramagem.

19h58 – Paulo Sérgio Nogueira é condenado

O general Paulo Sérgio Nogueira foi condenado a 19 anos de prisão pela Primeira Turma do STF. Fux não votou, pois julgou o membro das Forças Armadas inocente.

19h55 – Moraes ajusta pena de Paulo Sérgio Nogueira

O ministro Flávio Dino sugeriu reduzir a pena do general Paulo Sérgio Nogueira para 19 anos. Alexandre de Moraes aceitou a proposta e realizou a alteração.

19h53 – Moraes propõe pena para Paulo Sérgio Nogueira

O ministro Alexandre de Moraes sugeriu pena de 20 anos para Paulo Sérgio Nogueira, sendo 17 anos e 11 meses de reclusão, com 100 dias-multa no valor de um salário mínimo. A votação agora segue pelos ministros da Primeira Turma.

19h48 – Inicia discussão da pena de Paulo Sérgio Nogueira

O ministro Alexandre de Moraes começou a discutir a pena de Paulo Sérgio Nogueira, também condenado pela Primeira Turma.

19h47 – Condenação de Augusto Heleno é confirmada

Os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin seguiram o voto do relator Alexandre de Moraes, confirmando a condenação do general Augusto Heleno a 21 anos de pena, sendo 18 anos de reclusão e 2 anos e 1 mês de detenção, com início em regime fechado. Luiz Fux não participou da votação, pois havia votado pela inocência do general.

19h42 – Moraes propõe pena para Augusto Heleno

O ministro Alexandre de Moraes sugeriu pena de 21 anos para o general Augusto Heleno, sendo 18 anos de reclusão e dois anos e um mês de detenção, com início em regime fechado e 100 dias-multa no valor de um salário mínimo.

19h37 – Inicia discussão da pena de Augusto Heleno

O ministro Alexandre de Moraes começou a discutir a pena do general Augusto Heleno. Ele afirmou que abordará penas menores, mas ressaltou que os crimes cometidos também foram graves.

19h36 – STF condena Almir Garnier

O almirante Almir Garnier foi condenado a 24 anos de prisão, sendo 21 anos e seis meses em regime inicial fechado e 2 anos e 6 meses em detenção, com 100 dias-multa no valor de um salário mínimo.

19h32 – Inicia discussão da pena de Almir Garnier

O ministro Alexandre de Moraes começou a discutir a pena de Almir Garnier. Luiz Fux não participará da votação, pois havia votado pela inocência do almirante.

19h30 – Ministros acompanham relator na pena de Anderson Torres

Os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin seguiram o voto do relator Alexandre de Moraes. Luiz Fux não participou da votação, pois havia absolvido o condenado.

19h28 – Moraes propõe pena para Anderson Torres

O ministro Alexandre de Moraes sugeriu pena total de 24 anos para Anderson Torres, sendo 21 anos de reclusão de regime fechado, dois anos de detenção e 100 dias-multa no valor de um salário mínimo.

19h26 – Inicia discussão da pena de Anderson Torres

A discussão sobre a pena de Anderson Torres começou, com o relator Alexandre de Moraes explicando os detalhes do cálculo.

19h23 – Braga Netto tem pena confirmada

O general Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão, além de 100 dias-multa, após a votação dos ministros da Primeira Turma.

19h17 – Zanin ajusta cálculo da pena

Cristiano Zanin afirmou ter calculado a pena em 26 anos para Braga Netto. Alexandre de Moraes concordou com o ministro e realizou a alteração no cálculo.

19h15 – Moraes propõe pena para Braga Netto

O ministro Alexandre de Moraes sugeriu prisão de 26 anos e 6 meses, sendo 24 de reclusão, e 100 dias-multa, no valor de 1 salário-mínimo, para o general Braga Netto. Desta vez, Luiz Fux participará da votação, já que havia condenado o militar pela tentativa de golpe de Estado.

19h10 – Moraes inicia discussão da pena de Braga Netto

O ministro relator iniciou a votação da dosimetria da pena do general Braga Netto, candidato a vice-presidente pela chapa de Bolsonaro em 2022, que foi derrotada por Lula.

19h08 – Cármen Lúcia e Zanin seguem relator

Os ministros Cármen Lúcia e Zanin acompanharam o voto do relator Alexandre de Moraes, confirmando a proposta de pena de 43 anos ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

19h05 – Dino pede mudança na pena

O ministro seguiu a proposta de Alexandre de Moraes, mas solicitou que a multa de 64 dias, no valor de um salário mínimo, fosse aumentada para dois salários mínimos. O relator acatou o pedido.

19h02 – Moraes propõe pena a Bolsonaro de 27 anos e 3 meses

O ministro Moraes propôs pena de 27 anos e 3 meses ao ex-presidente Jair Bolsonar, sendo 24 anos e 9 meses de reclusão, 2 anos e 6 meses de detenção e 64 dias multa, no valor de um salário mínimo.

Ele foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo à vítima e deterioração de patrimônio tombado.

Agora, os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Zanin iniciam seus votos.

18h54 – Moraes inicia discussão da pena de Bolsonaro

O ministro relator iniciou a votação da dosimetria da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. Luiz Fux comunicou que não participará da discussão, pois havia votado pela inocência do ex-presidente.

18h53 – STF define pena de Mauro Cid

Mauro Cid foi condenado a dois anos de reclusão em regime aberto, com segurança da Polícia Federal, após decisão unânime dos ministros da Primeira Turma.

18h51 – Fux e Cármen Lúcia acompanham relator sobre pena de Cid

Os ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia acompanharam o relator Alexandre de Moraes na definição da pena de Mauro Cid.

18h45 – Flávio Dino acompanha relator e dá a palavra a Fux

O ministro Flávio Dino seguiu a decisão do relator Alexandre de Moraes sobre a pena de Mauro Cid e, em seguida, passou a palavra ao ministro Luiz Fux.

18h40 – Moraes descarta perdão judicial a Mauro Cid

Apesar de ter colaborado com a delação, o ministro Alexandre de Moraes descartou a concessão de perdão judicial a Mauro Cid. Segundo Moraes, os crimes pelos quais ele foi condenado não permitem indulto presidencial, anistia ou perdão judicial.

Cid recebeu uma pena de dois anos de prisão em regime aberto devido à delação, além de todos os benefícios previstos pelo acordo. Falta a aprovação dos outros quatro ministros.

“Assim como não cabe indulto e anistia, porque são espécies do mesmo gênero, não cabe perdão judicial. Não cabe indulto pelo presidente, anistia pelo Congresso Nacional e perdão judicial pelo Poder Judiciário em crimes contra a democracia.”

18h36 – Primeira Turma discute pena de Mauro Cid

A Primeira Turma do STF começou a discutir a dosimetria da pena do delator Mauro Cid.

18h23 – Moraes fala sobre a importância da punição

O ministro explicou que as penas precisam ser aplicadas de forma a impedir que crimes como esses aconteçam de novo.

Ele disse que a punição serve para que outros grupos não tentem usar ações radicais para atacar a democracia, como aconteceu nos últimos anos.

“Na história brasileira, é a primeira vez que aqueles que tentaram golpe de Estado e abolição do Estado democrático de Direito estão sendo julgados pela mais alta corte do país.”

18h15 – STF faz a dosimetria das penas

O relator do processo, Alexandre de Moraes, iniciou a dosimetria das penas dos oito réus condenados pela Primeira Turma do STF pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo à vítima e deterioração de patrimônio tombado.

18h14 – Zanin encerra seu voto

O presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, encerra seu voto e passa a palavra para o ministro Alexandre de Moraes

18h10 – Ministro também vota pela condenação de Bolsonaro e outros réus da trama golpista

Com o voto do ministro Cristiano Zanin, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por todos os crimes em que foi acusado, formando placar de 4 a 1, com Luiz Fux divergindo.

Também foram condenados Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

Os ministros agora precisam definir a dosimetria, ou seja, o tamanho das penas a serem aplicadas.

17h55 – Ministro sobre discursos de Bolsonaro

O ministro Cristiano Zanin disse que os discursos do ex-presidente não eram apenas críticas, mas tentativas de fazer as pessoas perderem confiança nas instituições do país.

“Jair Messias Bolsonaro incitou publicamente a agir contra as instituições constituídas da República. O acusado deu aval para que atos violentos fossem planejados e executados conforme seu planejamento.”

Ele explicou que cada ato dos réus foi analisado individualmente para mostrar como contribuíram para esse plano.

“Não representaram exercício regulado direito de crítica, mas uma estratégia de corrosão progressiva da confiança pública nas instituições democráticas” , declarou.

17h38 – Zanin condena Bolsonaro e demais réus

O ministro Cristiano Zanin votou pela condenação de Jair Bolsonaro e dos outros réus pelo crime de organização criminosa. Com esse voto, a Primeira Turma do STF formou maioria de 4 a 1 pela condenação.

“Os registros revelam, de um lado, a adesão parcial de forças de segurança pública, ao liberar o acesso de golpistas inflamados, e de outro, uma concertação arquitetada, a que sucedeu a chegada coordenada de milhares de pessoas, em centenas de ônibus, aptas a provocar um cenáro de conturbação política justificador, em tese, de medidas de contenção e força”

17h20 – Ministro fala sobre a participação de cada réu

O ministro explicou que os fatos precisam ser vistos como um todo para entender como cada réu contribuiu para os crimes.

Ele destacou que essa análise permite identificar a responsabilidade de cada um pelo resultado final, o que levou o ministro Flávio Dino a comparar a situação com o funcionamento de facções criminosas.

“Se não fosse assim, ninguém do PCC e do Comando Vermelho não eram condenados nunca. Esse é o risco de não compreender essa dinâmica.”

17h15 – Zanin comenta violência e responsabilidade dos réus

O ministro Cristiano Zanin destacou que o grupo cometeu atos de violência e causou danos aos Três Poderes durante os ataques de 8 de janeiro.

Ele explicou que não importa se alguém não teve contato direto com os demais participantes: todos podem ser responsabilizados pelos crimes cometidos.

17h08 – Ministro defende punição

Em seu voto, o ministro Cristiano Zanin afirmou que é necessário responsabilizar adequadamente os envolvidos no plano golpista, garantindo a pacificação social e a consolidação do Estado Democrático de Direito.

16h55 – Zanin afirma que acusados planejavam romper com a democracia

O ministro Cristiano Zanin afirmou que as provas do processo indicam que os acusados pretendiam romper com o Estado Democrático de Direito, utilizando deliberadamente o poder das Forças Armadas.

Ele destacou que havia uma clara divisão de tarefas entre os envolvidos, evidenciando a organização do plano.

16h42 – Zanin reconhece organização criminosa e líder do grupo

O ministro acompanhou o relator Alexandre de Moraes e reconheceu que houve uma organização criminosa no plano de tentativa de golpe de Estado.

Ele apontou Jair Bolsonaro como líder do grupo responsável pelas ações com o apoio dos outros sete réus.

“A Procuradoria Geral da República conseguiu descrever satisfatoriamente uma organização criminosa armada, estruturada hierarquicamente e com divisão de tarefas entre seus integrantes”

16h39 – Ministro rejeita preliminares e avança para o mérito

O ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido de anulação da delação de Mauro Cid, acompanhando o relator Alexandre de Moraes e seus colegas da Primeira Turma.

Com isso, ele rejeitou todas as preliminares apresentadas pelas defesas e deu início à análise do mérito do processo.

16h28 – Zanin nega cerceamento de defesa

O ministro Cristiano Zanin afirmou que não houve cerceamento de defesa, ressaltando que os advogados dos réus tiveram acesso a todos os documentos e provas do inquérito.

O ministro Alexandre de Moraes pediu aparte e reforçou que os advogados tiveram 100% de acesso ao processo.

“Não houve cerceamento de defesa. Houve total ampla defesa e contraditório” , declarou. Relator tem feito intervenções nos votos dos colegas, rebatendo o que foi dito ontem por Fux.

16h21 – Zanin inicia seu voto

Cristiano Zanin faz leitura do seu voto
Reprodução/TV Justiça

Cristiano Zanin faz leitura do seu voto

O presidente da Primeira Turma iniciou seu voto analisando as preliminares do processo. Ele afirmou que tanto o STF quanto a Primeira Turma possuem competência para julgar o caso e, com base nisso, rejeitou a primeira preliminar apresentada pelas defesas dos réus.

16h20 – Cármen Lúcia encerra seu voto

Após apresentar seu parecer, ministra encerra seu voto. “Para terminar, eu acho que o Brasil só vale a pena porque ainda estamos conseguindo manter o Estado de Direito Democrático” , concluiu.

16h13 – Ministra analisa participação de cada réu

A ministra começou a examinar o comportamento e a participação individual de cada réu no plano de golpe.

Ela detalha como cada um contribuiu para as ações que visavam atacar o Estado Democrático de Direito.

O objetivo é avaliar a responsabilidade específica de cada acusado dentro da organização criminosa.

16h04 – Bolsonaro liderou plano, diz Cármen Lúcia

A ministra afirmou que a PGR conseguiu comprovar que o ex-presidente não foi levado ao “cenário das insurgências”, pois era o líder da organização criminosa.

Na avaliação dela, ele “promovia todas as formas de articulação alinhada para que se chegasse ao objetivo de manutenção ou tomada do poder”.

16h00 – Bolsonaro é o 1° ex-presidente condenado por tentativa de golpe

STF formou maioria e Bolsonaro foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado.

Com voto de Cármen Lúcia, a Primeira Turma do STF formou maioria para condená-lo pelos dois primeiros crimes, por 3 a 1.

15h57 – Cármen Lúcia vota pela condenação por tentativa de golpe

A ministra Cármen Lúcia votou a favor da condenação dos réus pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Com isso, o STF formou maioria para condenar Jair Bolsonaro e os demais acusados.

“O panorama fático e normativo está devidamente demonstrado. Neste caso, está comprovada a violência e a grave ameaça. A prova produzida durante a instrução processual, além das provas documentais, para mim comprovam essa materialidade. A organização documentou quase todas as fases da empreitada.”

15h45 – Curiosidade: Zanin indica voto

Durante a fala de Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes pediu um aparte, e o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, solicitou “aparte da aparte”.

Nesse momento, ele sinalizou que votará pela condenação de Jair Bolsonaro, ao afirmar que o ex-presidente cometeu crime contra o Estado Democrático de Direito ao incitar ataques contra o Supremo e contra o próprio Moraes, em discurso na Avenida Paulista em 7 de setembro de 2021.

15h40 – STF forma maioria e Bolsonaro é condenado

Cármen Lúcia acompanha a PGR e o relator do processo e vota pela condenação dos réus por organização criminosa. Com esse posicionamento, o STF alcança o terceiro voto e forma maioria para condenar Jair Bolsonaro pelo mesmo crime.

15h38 – Moraes rebate Fux

Na sessão de ontem, o ministro Luiz Fux votou pela condenação de Mauro Cid e Walter Braga Netto por tentativa de golpe, mas absolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Hoje, sem citar o colega diretamente, Alexandre de Moraes respondeu: “Aqui não está Mauro Cid, presidente. Não está Braga Netto, não está Garnier, presidente. Não está Ramagem. Aqui não estão os demais réus, aqui está o líder da organização criminosa, que insuflava.”

15h33 – STF exibe vídeo de Bolsonaro com ataques a Moraes

A pedido do ministro Alexandre de Moraes, o Supremo exibiu o vídeo do discurso feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 7 de setembro de 2021.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou: “Ou ele se enquadra ou pede para sair. Não se pode um único homem que ameace a nossa liberdade. Dizer a esse ministro que ainda há tempo para ele se redimir, como arquivar esse inquérito. Na verdade, não há tempo mais.”

Moraes questionou: “Faço uma pergunta retórica, porque o decidimos aqui vale para todos os tribunais, se um prefeito falasse isso contra um juiz do interior do país. Nós deixaríamos isso? Qual recado e mensagem vamos dar para os juízes das Comarcas, que não possuem a mesma segurança que nós? Vamos permitir que todo prefeito use o 7 de setembro e jogue toda a população contra o juiz?”

O ministro acrescentou: “Depois disso, os ministros passaram a receber 10 mil vezes mais ameaças, assim como eu.”

Cristiano Zanin classificou as falas do ex-presidente como coação contra as instituições democráticas. Moraes concluiu que o crime não foi dirigido a ele pessoalmente, mas contra o Poder Judiciário.

15h27 – Moraes afirma que provas confirmam organização criminosa

No voto, o ministro Alexandre de Moraes afirmou repetidas vezes que está “mais do que provado” o envolvimento dos oito réus nos atos de 8 de janeiro.

Ele reforçou que houve a atuação de uma organização criminosa com objetivo de promover um golpe de Estado e apontou o ex-presidente Jair Bolsonaro como líder do grupo.

“Quem fez o discurso populista que caracteriza essas ditaduras que alcançam várias partes do mundo foi Jair Bolsonaro” , declarou.

15h24 – Moraes rebate e classifica atos como tentativa de golpe

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, pediu a palavra em aparte e afirmou que os atos de 8 de janeiro não podem ser tratados como algo espontâneo ou descoordenado.

Segundo ele, não se tratou de “um domingo no parque”, mas de uma tentativa de golpe de Estado organizada por uma estrutura criminosa.

“É importante deixarmos claro para a sociedade que não foi um domingo no parque. Foi uma tentativa de golpe de Estado. Não foi combustão espontânea. Não foram baderneiros desordenados, que, ao som do flautista, todos fizeram fila e destruíram a sede dos Três Poderes. Foi uma organização criminosa.”

Moraes destacou que não foram ações isoladas ou fruto de improviso, mas resultado de um desencadeamento planejado que levou à destruição das sedes dos Três Poderes.

15h18 – Ministra aponta ataques organizados às urnas

A ministra Cármen Lúcia, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que os ataques ao sistema de votação não foram atos isolados, mas ações organizadas.

Ela explicou que, em casos de organização criminosa, mesmo quem atua de forma indireta contribui para o resultado e, por isso, deve ser responsabilizado.

Ao iniciar a análise de mérito, a ministra disse que a Procuradoria-Geral da República apresentou provas consistentes de que o grupo elaborou um plano de ataque às instituições democráticas.

“Tudo que se inventa a respeito de algo é para plantar uma desconfiança. Nunca é um ato isoladamente tomado, ele é fácil de ser considerado de menor importância. Por exemplo, uma organização criminosa que pratica uma série de crimes. Quando um traficante faz um sequestro, e tem uma pessoa que leva a comida… nós colocamos essas pessoas todas porque elas atuam de forma direta ou indireta, de forma imediata. Isso é a ideia de organizar, isso é o conceito de uma organização criminosa” , relatou.

Em seguida, reforçou a lisura do sistema eleitoral e destacou que as tentativas de desacreditar as urnas eletrônicas foram articuladas, sem precedentes anteriores.

“No caso de organização criminosa que buscava o poder, que queria atingir e sequestrar a alma da República, impedindo a validade do processo eleitoral, isso é muito mais grave e muito mais espalhado na sociedade”

15h13 – Cármen Lúcia vê provas de organização criminosa

A ministra Cármen Lúcia afirmou que a Procuradoria-Geral da República apresentou provas consistentes sobre a acusação de organização criminosa contra os oito réus.

A declaração indica a tendência de que seu voto seja pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos outros sete acusados.

“PGR fez prova cabal de que um grupo liderado por Jair Messias Bolsonaro, composto por figuras chaves do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência, desenvolveu e implementou plano progressivo e sistemático de ataque às instituições democráticas, com a finalidade de prejudicar a alternância legítima de Poder em 2022, minar o livre exercício dos poderes constitucionais, em especial, do Poder Judiciário”

15h11 – Ministra acompanha relator nas preliminares

Cármen Lúcia rejeitou todas as preliminares apresentadas pelas defesas dos réus, acompanhando o posicionamento do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Ela descartou alegações de parcialidade e suspeição, lembrando que decisões do plenário costumam ser aplicadas nas turmas, com ressalvas, e afirmou que sempre entendeu que a competência para julgar o caso é do Supremo Tribunal Federal.

A ministra também votou a favor da competência da Primeira Turma, destacando que a atribuição está prevista em mudança recente no regimento do STF.

Em relação à solicitação das defesas para que o julgamento fosse levado ao plenário, ela afirmou que não há novidades em seu entendimento e negou que tenha havido cerceamento de defesa.

Ela ressaltou que todas as provas foram entregues para defesa e descartou problemas pelo processo ter ocorrido rapidamente.

“Muito se fala, ‘foi rápido demais esse julgamento’. (…) Algo de tamanha gravidade, que atinge o coração da República, era preciso que se desse preferência, por isso os julgamentos estão acontecendo. Não dá para comparar um mundo diante do mundo de agora”

Minista rejeitou também a preliminar que pedia a anulação do acordo de delação premiada de Mauro Cid.

Ela afirmou que o principal argumento da defesa, de ausência de voluntariedade, não procede, destacando que o colaborador confirmou o acordo e que não há elementos que indiquem irregularidade.

14h52 – Cármen Lúcia aborda preliminares do processo

Após a introdução, a ministra Cármen Lúcia informou que passaria a tratar das preliminares do processo. Ela ainda fez uma referência indireta ao voto do ministro Luiz Fux, após interações bem-humoradas com o ministro Flávio Dino.

A ministra também afirmou que, após o colegiado atingir um entendimento sobre determinado tema, o ministro deve seguir a decisão da plenária, salvo em casos excepcionais.

Ela acrescentou que, quando há discordância de um ministro ou atualização do tema, o procedimento adequado é levar a questão a nova votação no plenário.

“Sempre entendi que a competência é do Supremo Tribunal Federal. Não há nada de novo pra mim.”

14h49 – Cármen Lúcia critica os atos de 8 de janeiro de 2023

A ministra afirmou que os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 tiveram caráter golpista e configuraram crime. Ela ressaltou que ações autoritárias são planejadas e executadas com racionalidade, visando objetivos específicos.

Segundo a ministra, o episódio não foi banal, mas resultado de um ano e meio de planejamento para práticas criminosas. Ela destacou que tais atos exigem resposta rigorosa do direito penal.

“O 8 de janeiro de 2023 não foi um acontecimento banal, depois de um almoço de domingo, quando as pessoas saíram para passear. O inédito e infame conjunto de acontecimentos havidos ao longo de um ano e meio para inflar, instigar por práticas variadas de crimes, quando haveria de ter uma resposta no direito penal.”

14h44 – Flávio Dino envia recado ao Congresso

Com aparte autorizado pela ministra Cármen Lúcia, o ministro Flávio Dino fez referência à morte de Charlie Kirk nos Estados Unidos, destacando que, mesmo após a anistia ao episódio do Capitólio, o clima de violência política persiste.

Ele aproveitou o momento para enviar um recado ao Congresso Nacional, onde se discute a possibilidade de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

“É curioso notar, porque há uma ideia segundo a qual anistia e perdão é igual a paz. Foi feito perdão nos Estados Unidos e não há paz.”

14h42 – Cármen Lúcia anuncia voto resumido

A ministra Cármen Lúcia informou que a justificativa do seu voto possui quase 400 páginas, mas que fará um breve resumo.

Em seguida, após algumas interações bem-humoradas com o ministro Flávio Dino, ela cedeu a palavra a ele por um momento.

“[Concedo] todos [os apartes], desde que rápidos, porque nós mulheres ficamos 2.000 anos caladas e queremos ter o direito de falar”, declarou a ministra, jogando indireta para Fux. “O debate faz parte dos julgamentos, tenho o maior gosto em ouvir. Eu sou da prosa.”

Na terça (9), Fux reclamou de Dino ter pedido aparte no voto do ministro Alexandre de Moraes. Em seu voto, na última quarta (10), o magistrado não sofreu nenhuma interrupção dos colegas.

14h38 – Ministra ressalta trajetória da democracia brasileira

A ministra destacou que o Brasil enfrentou diversas dificuldades ao longo de sua redemocratização, citando, entre elas, o impeachment de dois ex-presidentes, Fernando Collor e Dilma Rousseff, e os protestos de 2013.

Ela pontuou, no entanto, que mesmo diante desses desafios, nove eleições presidenciais foram realizadas de forma direta e afirmou que é dever de todos proteger e defender a democracia.

14h35 – Cármen Lúcia destaca aplicação da lei a todos os réus

A ministra afirmou que o diferencial mais relevante do caso, além do ineditismo do tipo penal, é a necessidade de afirmar que a lei deve ser aplicada a todos.

Ela destacou que os fatos descritos na denúncia e na referência acusatória não foram negados em sua essência e ressaltou que, devido ao histórico melancólico da República, é importante cuidar cuidadosamente do processo atual, que envolve oito réus, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

14h31 – Ministra comenta responsabilidade e repercussão do caso

A ministra Cármen Lúcia afirmou sentir grande responsabilidade ao julgar casos penais e destacou que, neste caso específico, a repercussão nacional é intensa, o que a entristece por se tratar de uma tentativa de golpe de Estado.

“Este é um processo, como qualquer outro, em que temos a responsabilidade constitucional de julgar […] toda ação penal exige um julgamento justo, e aqui não é diferente. O que há de inédito, talvez, nessa ação penal, é que nela pulsa o Brasil que dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com o seu passado, o seu presente e com o seu futuro” , afirmou.

14h26 – Cármen Lúcia inicia seu voto

Ministra Cármen Lúcia vota sobre a tentativa de golpe de estado
Reprodução/TV Justiça

Ministra Cármen Lúcia vota sobre a tentativa de golpe de estado

A ministra Cármen Lúcia começou seu voto cumprimentando os colegas ministros, os advogados dos réus, os juízes que acompanham o processo, os jornalistas e os servidores do Supremo Tribunal Federal. Ela também informou que fará um breve pronunciamento sobre a repercussão do caso.

14h23 – Sessão é iniciada

O presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, abriu o quinto dia de julgamento e solicitou a leitura da ata.

Após a conclusão do rito, passou a palavra para a ministra Cármen Lúcia, que se tornou a quarta a votar no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro e outros sete réus.

O caso

STF (Supremo Tribunal Federal) começou no dia 2 de setembro  o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de participação em uma tentativa de golpe de Estado. Nesta quinta-feira (11), é  realizado o quinto dia de julgamento. O Portal iG acompanha a sessão em tempo real, com a jornalista Aline Brito presente dentro da sala de julgamento.

A ação penal 2668, em análise pela Primeira Turma, apura a atuação do chamado “Núcleo Crucial”, apontado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) como responsável pela articulação para subverter o resultado das eleições de 2022.

Além de Bolsonaro, são réus:

  •         o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  •         o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
  •         Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  •         o general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  •         o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso;
  •         o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  •         e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa presidencial de 2022.

Segundo a denúncia, todos respondem por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado por violência e ameaça grave, além de deterioração de patrimônio tombado. Ramagem, em razão da prerrogativa de deputado, responde apenas por três crimes.

Denúncia da PGR

Alexandre de Moraes (e) e Paulo Gonet durante o julgamento da AP 2668 no STF
Gustavo Moreno / STF

Alexandre de Moraes (e) e Paulo Gonet durante o julgamento da AP 2668 no STF

A PGR afirma que Bolsonaro liderou uma organização criminosa para manter-se no poder após a derrota eleitoral.

O esquema teria começado em 2021, com ataques ao sistema eletrônico de votação e pressão sobre as Forças Armadas, e culminado nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e depredados em Brasília.

Entre as provas apresentadas estão minutas de decretos golpistas, registros digitais, vídeos, documentos e a delação premiada de Mauro Cid.

Em depoimento, o general Marco Antonio Freire Gomes relatou que Bolsonaro chegou a apresentar uma minuta golpista em reunião.

Planos com codinomes como “Luneta”, “Copa 2022” e “Punhal Verde Amarelo” também foram mencionados, prevendo até o sequestro e assassinato de autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O primeiro dia do julgamento

Ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante seu voto no julgamento
Rosinei Coutinho/STF

Ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante seu voto no julgamento

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus começou com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Moraes destacou a importância da democracia e da soberania nacional, afirmando que esses princípios não podem ser negociados ou violados.

O discurso foi interpretado como uma resposta indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente aplicou sanções ao Brasil e chamou o processo contra Bolsonaro de “caça às bruxas”.

As alegações de Paulo Gonet

Paulo Gonet faz leitura do seu relatório
Reprodução/TV Justiça

Paulo Gonet faz leitura do seu relatório

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a acusação de tentativa de golpe de Estado. Ele afirmou que o simples fato de o então presidente e o ministro da Defesa convocarem militares para discutir a formalização de um golpe já configurava início do crime.

Gonet alertou que a impunidade poderia estimular novos atos autoritários e rejeitou a tese de que não houve execução do plano. Para ele, não era necessária assinatura de decreto para caracterizar a tentativa golpista. Após sua fala, a sessão foi interrompida.

A defesa de Mauro Cid

Jair Alves Pereira falou sobre a delação de Mauro Cid, seu cliente
Reprodução/TV Justiça

Jair Alves Pereira falou sobre a delação de Mauro Cid, seu cliente

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator no processo, foi a primeira a se manifestar. O advogado Jair Alves Pereira defendeu a legalidade do acordo de delação, negando coação.

O também advogado Cezar Roberto Bitencourt afirmou que não há provas de que Cid tenha participado ou incentivado atos golpistas, destacando que mensagens recebidas em aplicativos não foram compartilhadas. A defesa negou envolvimento nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A defesa de Alexandre Ramagem

Paulo Renato Cintra defendeu Ramagem
Reprodução/TV Justiça

Paulo Renato Cintra defendeu Ramagem

O advogado Paulo Renato Cintra argumentou pela suspensão da acusação de organização criminosa contra o deputado Alexandre Ramagem (PL).

Ele afirmou que a Procuradoria cometeu erros na denúncia e citou equívocos sobre o suposto uso irregular do software FirstMile pela Abin.

Cintra sustentou que os textos encontrados eram apenas anotações pessoais e não provas de articulação golpista. Durante sua fala, foi corrigido pela ministra Cármen Lúcia, que reforçou a auditabilidade das urnas eletrônicas.

A defesa de Almir Garnier

O advogado Demóstenes Lázaro Xavier Torres defendeu o ex-comandante da Marinha Almir Garnier
Reprodução/TV Justiça

O advogado Demóstenes Lázaro Xavier Torres defendeu o ex-comandante da Marinha Almir Garnier

O advogado Demóstenes Torres defendeu o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e pediu a anulação da delação de Mauro Cid, que o apontou como integrante da ala radical de Bolsonaro.

A defesa criticou a PGR por incluir fatos novos não presentes na denúncia, o que, segundo o advogado, viola o direito de defesa.

Torres também argumentou pela individualização das condutas, destacando que não se pode imputar responsabilidades sem provas diretas das ações atribuídas a Garnier.

A defesa de Anderson Torres

Eumar Roberto Novacki defendeu Anderson Torres
Reprodução/Youtube

Eumar Roberto Novacki defendeu Anderson Torres

O advogado Eumar Novacki sustentou que não há provas contra o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Ele negou envolvimento em planos de decretação de estado de sítio, bloqueios de estradas ou direcionamento da PRF durante as eleições.

Também contestou que Torres tenha relaxado a segurança no 8 de Janeiro, alegando que ele estava de férias nos EUA em viagem previamente programada.

Sobre a minuta golpista encontrada em sua casa, a defesa afirmou que o documento já circulava na internet antes e não tinha ligação com reuniões militares. Após sua fala, o julgamento foi suspenso e será retomado no dia seguinte.

Segundo dia

Defesa de Augusto Heleno

Matheus Mayer Milanez fez a defesa de Augusto Heleno
Reprodução/TV Justiça

Matheus Mayer Milanez fez a defesa de Augusto Heleno

O advogado Matheus Mayer Milanez defendeu o general Augusto Heleno  e pediu absolvição, alegando ausência de provas que o vinculem a planos golpistas. Contestou a denúncia da PGR e o acesso incompleto a dados da investigação, de até 80 terabytes.

Negou participação do réu em reuniões, troca de mensagens ou citação em delações, inclusive a de Mauro Cid. Sobre a live de julho de 2021, afirmou que Heleno apenas acompanhou sem manifestações.

Rebateu documentos que o apontavam como chefe de gabinete de crise e ressaltou sua distância das decisões centrais do governo. Milanez criticou a atuação de Alexandre de Moraes, acusando excesso de protagonismo na produção de provas, e questionou a suposta sintonia de Heleno com Alexandre Ramagem.

Defesa de Bolsonaro

Celso Sanchez Vilardi.
Rosinei Coutinho/STF

Celso Sanchez Vilardi.

Os advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno pediram absolvição de Jair Bolsonaro, afirmando inexistirem provas que o liguem a atos de 8 de janeiro de 2023 ou a planos golpistas como “Punhal Verde e Amarelo” e “Operação Luneta”.

Contestaram a delação de Mauro Cid, apontando falta de credibilidade. Criticaram a condução do processo por Alexandre de Moraes e o acesso limitado a documentos da investigação.

A defesa sustentou que Bolsonaro reconheceu a derrota eleitoral, pediu manifestações pacíficas e estava nos EUA durante os ataques. Questionaram a competência da Primeira Turma para julgar o caso, pedindo análise pelo Plenário do STF.

Defesa de Paulo Sérgio Nogueira

O advogado Andrew Fernandes defendeu General Paulo Sérgio
Reprodução/TV Justiça

O advogado Andrew Fernandes defendeu General Paulo Sérgio

O advogado Andrew Fernandes Farias defendeu o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, afirmando que ele atuou contra medidas de exceção e buscou evitar ruptura democrática.

A defesa citou reunião com comandantes das Forças Armadas em dezembro de 2022 e visita a Bolsonaro para confirmar ausência de apoio a golpe.

Utilizou a delação de Mauro Cid para reforçar a inocência do general, apontado como contrário a qualquer plano golpista.

Depoimentos de militares corroboraram sua postura moderada. Farias destacou ainda ataques virtuais de bolsonaristas como prova de seu distanciamento de grupos radicais e negou qualquer articulação criminosa.

Defesa de Braga Netto

O advogado José Luís Mendes de Oliveira defendeu Braga Netto
Reprodução/TV Justiça

O advogado José Luís Mendes de Oliveira defendeu Braga Netto

O advogado José Luís de Oliveira Lima defendeu o general Walter Braga Netto, contestando a validade da delação de Mauro Cid, que chamou de “viciada e sem provas”.

A defesa alegou contradições e falta de respaldo em outras evidências, além de cerceamento de defesa pelo volume de documentos e restrições de acesso.

Negou envolvimento do réu em organização criminosa, planos de golpe ou nos atos de 8 de janeiro de 2023. Ressaltou seu histórico de 42 anos no Exército e sua postura contrária a rupturas democráticas. Criticou ainda a prisão preventiva de 2024, pedindo absolvição ou redução de pena por menor participação.

Terceiro dia

Voto do ministro Alexandre de Moraes

Moraes faz leitura do seu voto
Reprodução/TV Justiça

Moraes faz leitura do seu voto

O ministro Alexandre de Moraes conduziu um voto detalhado, de mais de cinco horas, no qual apontou a participação de cada réu na tentativa de golpe de Estado e na formação de uma organização criminosa armada.

Moraes classificou Jair Bolsonaro como líder do grupo, responsável por articular ações para se manter no poder e enfraquecer a independência do Judiciário.

Entre os argumentos apresentados pelo relator:

  •     Liderança de Bolsonaro: Moraes enfatizou que o ex-presidente chefiou o núcleo central da organização criminosa, reunindo aliados próximos, incluindo militares e ex-ministros, para planejar medidas que desrespeitassem a Constituição e anulassem resultados eleitorais. Ele citou lives de Bolsonaro, reuniões ministeriais, encontros com embaixadores e alterações em minutas de decretos como evidências da coordenação.
  •     Ações de integrantes militares e ministros: O relator destacou a atuação estratégica de integrantes das Forças Armadas e ministros do governo Bolsonaro. Braga Netto e Bolsonaro foram apontados como figuras centrais; Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier, por sua vez, atuaram em cargos-chave, participando de reuniões e planejamentos do golpe. Anderson Torres colaborou na minuta de decreto golpista e tentou impedir o voto de eleitores no Nordeste.
  •     Danos e atentados: Moraes relacionou atos violentos, como os ataques de 8 de janeiro de 2023, a um plano premeditado para pressionar e desestabilizar as instituições democráticas. Ele também citou o uso de bombas e acampamentos organizados, além de tentativas de assassinato de autoridades e monitoramento de ministros do STF, classificando essas ações como parte da execução do golpe.
  •     Validade da delação de Mauro Cid: O ministro reafirmou que a colaboração premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é válida e consistente, citando que eventuais pequenas divergências em detalhes não comprometem a prova.
  •     Milícias digitais e desinformação: Moraes destacou a atuação de milícias digitais, amplificando fake news sobre fraude eleitoral e descredibilizando o sistema eleitoral, coordenadas por Bolsonaro e aliados.
  •     Ministro Ramagem e Alexandre Heleno: O relator apontou a participação de Ramagem e Heleno na articulação de estratégias para deslegitimar a Justiça e o processo eleitoral, reforçando a unidade do grupo.
  •     Tentativa de golpe desde 2021: Moraes sublinhou que os atos criminosos começaram em 2021 e culminaram nos ataques de 8 de janeiro, demonstrando planejamento contínuo e escalada de ações contra o Estado Democrático de Direito.
  •     Ao final, Moraes pediu a condenação de todos os réus pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Para os crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio, excluiu Ramagem, devido à suspensão de parte do processo em função do foro privilegiado.

Voto do ministro Flávio Dino

Flávio Dino vota em julgamento de Bolsonaro na Primeira Turma
Reprodução

Flávio Dino vota em julgamento de Bolsonaro na Primeira Turma

O ministro Flávio Dino acompanhou integralmente o voto do relator Alexandre de Moraes em relação à condenação de Jair Bolsonaro e dos demais sete réus, reforçando a gravidade dos crimes e a imprescritibilidade das ações contra o Estado Democrático de Direito.

No entanto, Dino sinalizou possíveis divergências quanto à aplicação das penas, considerando diferentes níveis de participação dos réus.

Principais pontos do voto:

  • Concordância com Moraes: Dino apoiou o relator em todos os pontos do mérito, incluindo:
  1.     A caracterização de Bolsonaro e Braga Netto como líderes da organização criminosa.
  2.     A existência de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
  3.     A participação de militares e ministros em cargos estratégicos no planejamento do golpe.
  4.     A validade da delação de Mauro Cid.
  5.     A atuação de milícias digitais e disseminação de fake news para deslegitimar o sistema eleitoral.
  • Análise da culpabilidade: Dino destacou que há diferentes níveis de envolvimento entre os réus. Segundo ele:
  1.     Bolsonaro e Braga Netto tiveram culpabilidade elevada, por liderança e protagonismo nas ações.
  2.     Almir Garnier, Anderson Torres e Mauro Cid também possuem alta responsabilidade.
  3.     Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Paulo Sérgio Nogueira teriam participação menor nos crimes, e, por isso, poderiam receber penas diferenciadas.
  1. Validade da delação premiada: Dino reforçou que o acordo de Mauro Cid é juridicamente consistente, com provas orais compatíveis com os documentos do processo, e que pequenas divergências não comprometem a credibilidade do depoimento.
  2. Rejeição de anistia: O ministro reforçou que os crimes imputados são imprescritíveis e não podem ser perdoados ou receber qualquer forma de anistia. Ele criticou discussões no Congresso sobre possíveis medidas de anistia, lembrando que a lei não contempla absolvição para altos escalões envolvidos em crimes contra o Estado Democrático de Direito.
  3.   Reflexão sobre democracia e processo: Dino ressaltou que o julgamento não tem caráter político-partidário, e que todos os atos devem ser analisados com base nos fatos e provas constantes nos autos. Ele comparou ameaças internas à democracia a “cavalos de Troia” que usam liberdades democráticas para destruí-la, enfatizando a necessidade de proteger instituições e o ordenamento jurídico.
  4. Divergência sobre penas: Embora tenha concordado com Moraes quanto à condenação, Dino indicou que poderia divergir na dosimetria das penas, aplicando punições mais leves a réus com menor envolvimento, em respeito aos princípios da proporcionalidade e individualização da pena.

Ao encerrar seu voto, Dino reforçou que todos os réus devem ser responsabilizados pelos crimes, mas que a penalidade precisa refletir o grau de participação de cada um.

Quarto dia

Voto de Fux

Fux divergiu de posicionamentos do relator
Rosinei Coutinho/STF

Fux divergiu de posicionamentos do relator

O ministro Luiz Fux apresentou na quarta-feira (10) seu voto, divergindo dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

Após quase 13 horas de leitura de um voto de 429 páginas, ele defendeu a incompetência do STF para julgar o caso na Primeira Turma, argumentando que os réus — entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro — não possuem foro privilegiado.

Segundo ele, o processo deveria tramitar na primeira instância da Justiça Federal ou, alternativamente, no plenário do STF.

Fux acolheu a preliminar de cerceamento de defesa, apontando que o volume de dados apresentados — cerca de 70 terabytes — e o tempo insuficiente para análise configuraram violação do direito de defesa.

No mérito, o ministro votou pela absolvição de seis dos oito réus: Jair Bolsonaro, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno, Anderson Torres e Alexandre Ramagem.

Ele entendeu que não havia provas suficientes de dolo, nexo causal ou materialidade para os crimes imputados, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Fux argumentou que atos descritos nos autos, como a elaboração de uma minuta do golpe, eram preparatórios e não executórios, não configurando crimes consumados.

Ele também afirmou que discursos de Bolsonaro contra o sistema eleitoral não poderiam ser criminalizados diretamente.

Para o ministro, o crime de golpe de Estado exige deposição violenta de um governo legitimamente constituído, o que não se aplicaria a um eventual “autogolpe” promovido pelo próprio presidente.

O ministro votou pela condenação de apenas dois réus, Mauro Cid e Walter Braga Netto, exclusivamente pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Fux considerou que Cid participou de reuniões e planos, como o “Punhal Verde e Amarelo” e a “Copa 2022”, com conhecimento de atos violentos, enquanto Braga Netto teria financiado e iniciado atos executórios.

Para os demais crimes, incluindo organização criminosa, ele apontou que a denúncia não comprovou estabilidade, permanência ou uso efetivo de armas de fogo, elementos necessários para a tipificação penal.




STF forma maioria e Bolsonaro é condenado por trama golpista

Voto da ministra Cármen Lúcia atinge contingente mínimo pela condenação dos réus

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Jair Bolsonaro é o primeiro ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado
Tânia Rêgo/Agência Brasil

Jair Bolsonaro é o primeiro ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)  foi condenado pelo  Supremo Tribunal Federal (STF) por atuação na trama golpista, com objetivo de reverter o resultado das eleições de 2022. Ele e mais sete réus, apontados como “núcleo crucial” do esquema, foram julgados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pelo uso de violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.

O voto da ministra Cármen Lúcia  acompanhou o do relator do caso, Alexandre de Moraes, e do ministro Flávio Dino. Apesar de ainda faltar o voto do presidente do colegiado, Cristiano Zanin, a Primeira Turma já formou maioria pela condenação dos réus por ações que visavam golpe de Estado.

O ministro Luiz Fux divergiu dos colegas, e votou pela absolvição de Bolsonaro de todos os crimes, condenando apenas Mauro Cid e Braga Netto, por tentativa de golpe de Estado.

Com o voto de Cármen Lúcia, o STF formou o placar de 3 a 1 e condenou Jair Messias Bolsonaro por crimes contra a democracia.

Condenados pelo STF

Além de Bolsonaro, outros seis aliados foram condenados pelos mesmos cinco crimes; a exceção foi  Alexandre Ramagem, que atualmente é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três das acusações.

Prevista na Constituição, a suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. Os oito condenados são:

  • Jair Bolsonaro  – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro na chapa de 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso.

Como votaram os ministros

Ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante seu voto no julgamento
Rosinei Coutinho/STF

Ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante seu voto no julgamento

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi o primeiro a votar. Em sua fala de mais de quatro horas, Moraes argumentou sobre todas as provas do processo, destacando que nenhuma defesa conseguiu apresentar evidências contra as provas obtidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Sobre a minuta golpista, o ministro afirmou que “não há dúvida de que essa minuta de decreto que a organização criminosa produziu e que foi levada a Jair Bolsonaro”.

Em diversas ocasiões, Alexandre de Moraes apontou Bolsonaro como o líder da organização criminosa que visava abolir o Estado Democrático de Direito. O ministro relator disse que o julgamento não discute se houve ou não tentativa de golpe, mas sim a autoria dos réus.

“De julho de 2021 até 8 de janeiro de 2023, essa organização criminosa, de forma permanente e organizada, praticou vários atos executórios contra o Estado Democrático de Direito” , disse.

Moraes reforçou que o grupo liderado por Bolsonaro ignorou princípios democráticos e colocou o Brasil à beira de um retrocesso de 20 anos, próximo a uma ditadura. O magistrado declarou que os réus praticaram todas as infrações penais descritas na denúncia da Procuradoria-Geral da República, sinalizando que pedirá a condenação de todos os acusados.

“Os réus tentaram, com emprego de grave ameaça, abolir o Estado democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais, em especial o Poder Judiciário brasileiro” , afirmou.

Dino destacou Bolsonaro como líder da organização criminosa
Gustavo Moreno/STF

Dino destacou Bolsonaro como líder da organização criminosa

Em seu voto, o ministro Flávio Dino destacou que os réus da trama golpista apresentam diferentes graus de culpabilidade. Segundo ele, Bolsonaro e Braga Netto desempenharam papel mais central nos atos que levaram à tentativa de golpe de Estado.

O magistrado defendeu a aplicação de penas proporcionais às responsabilidades de cada acusado. Para Dino, Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Alexandre Ramagem tiveram participação menos relevante em comparação com Bolsonaro e Braga Netto.

O ministro votou pela condenação de todos os réus, incluindo Almir Garnier Santos, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro César Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e danos qualificados ao patrimônio público.

“Em relação a Jair Messias Bolsonaro, pelas mesmas infrações já descritas, e a imputação específica de liderar a organização criminosa. E condeno o réu Alexandre Rodrigues Ramagem pela prática das condutas de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado” , destacou.

Divergência

Fux divergiu de posicionamentos do relator
Rosinei Coutinho/STF

Fux divergiu de posicionamentos do relator

Em seu parecer que absolveu Bolsonaro de todos os crimes, Luiz Fux começou sua fala com  votos preliminares pela anulação da ação judicial pelo entendimento de que a Corte não tem competência para julgar o caso, que deveria ir para o plenário ou primeira instância.

“Não compete ao Supremo Tribunal Federal realizar um juízo político do que é bom ou ruim, conveniente ou inconveniente. Ao revés, compete a este tribunal afirmar o que é constitucional ou inconstitucional, legal ou ilegal” , afirmou.

Fux também acolheu a alegação de cerceamento de defesa, em que os advogados afirmaram que não tiveram tempo hábil para analisar o volume de provas reunidas. Segundo ele, houve um “tsunami de dados” disponibilizados apenas em abril, já após o recebimento da denúncia.

Em uma análise do caso que levou mais de 13 horas para ser definido, Fux votou pela absolvição de Jair Bolsonaro de todos os crimes, por entender que críticas às urnas não configuram crime, que não há provas inquestionáveis de que o ex-presidente teve acesso à minuta do golpe e também que ele não tinha obrigação de desmobilizar manifestantes.

A decisão se estendeu para os réus Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres, Alexandre Ramagem e Augusto Heleno.

O magistrado decidiu pela condenação de Mauro Cid e Braga Netto, pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Com isso, o STF já havia formado maioria para estas condenações na quarta (10).

Fux defendeu a suspensão da ação penal contra o ex-chefe da Abin, Alexandre Ramagem, e discordou do entendimento dos demais ministros ao afirmar que não há golpe de Estado sem a deposição de um governo eleito. Ele reconheceu a validade da delação de Cid.

Condenação histórica

É a primeira vez que um ex-presidente da República é julgado e condenado por tentativa de ruptura democrática no Brasil.

Em 1979, João Baptista Figueiredo, último presidente do Regime Militar, sancionou a Lei da Anistia, que perdoou opositores da ditadura, mas também livrou de julgamento militares responsáveis por abusos desde o golpe de 1964. Por causa dela, até hoje nenhum ex-presidente do regime militar havia sido julgado por tentativa ou participação em golpe de Estado.

As penas a serem cumpridas por Jair Bolsonaro e os outros sete aliados será definida pela Primeira Turma após a finalização dos votos dos cinco ministros. A previsão é de que o julgamento seja encerrado nesta sexta-feira (12).




Cármen Lúcia dá nome aos bois e abre porta da cadeia a Bolsonaro

Como a Primeira Turma do STF formou maioria para condenar ex-presidente e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado

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Alexandre de Moraes e Carmen Lucia durante julgamento da trama golpista
Reprodução

Alexandre de Moraes e Carmen Lucia durante julgamento da trama golpista

Nem o mais convicto apoiador de Jair Bolsonaro imaginava que Cármen Lúcia apareceria nesta quinta-feira (11) na Primeira Turma do STF com uma peruca à la Luiz Fux e livraria o ex-presidente das cinco acusações que pesam contra ele na trama golpista.

Como esperado, o voto da ministra moeu, em duas horas, o palavrório que por pouco não atravessou a madrugada no dia anterior.

Dessa vez não teve incoerência nem ginástica retórica. Nem ninguém foi dormir perguntando como Mauro Cid, um

ajudante-de-ordens, agiu contra a democracia sem ordem de ninguém. O chefe dele era Bolsonaro.

Curta, sem rodeios, e com muita alfinetada, a ministra fez o que se esperava e confirmou a condenação do ex-presidente por golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração do patrimônio tombado.

Não sem antes avisar que votaria da mesma forma que sempre votou, sem acusar a (in)competência do foro da qual servia. “Seria casuísmo, gravíssimo, que alguns fossem julgados depois da mudança e fixação das competências que já exercemos inúmeras vezes e voltar atrás nessa matéria”, disse ela, antes de soltar a metralhadora.

Para bom entendedor, meia referência basta.

Carmen Lúcia fez o que Fux se negou a fazer num tempo seis vezes mais elástico: não ignorou a gravidade dos fatos nem evitou dar nome aos bois. “O 8 de janeiro de 2023 não foi uma acontecimento banal depois de um almoço de domingo quando as pessoas saíram para passear”, disse ela, alinhada à fala do relator, Alexandre de Moraes.

Se valesse o argumento do ministro, qualquer liderança poderia passar a vida dizendo que o legal era pular do quinto andar para curar a tosse – e, caso uma pessoa ou uma multidão o acompanhassem, tudo não passaria de uma decisão individual, em um caso, e de liberdade de expressão, do outro.

Cármen Lúcia fez questão de lembrar que não se brinca com a democracia. Caso contrário, o risco é ver o tiro acertar em quem senta ao nosso lado – no caso, Moraes, comprovadamente um alvo de planos de assassinato impressos em órgãos oficiais por servidores pagos para governar, e não para botar fogo no parque quando perdem as eleições.

O fogo, aqui, não é alegoria.

“Quando se chama os kids pretos, caminhoneiros, tudo isso junto é de enorme violência. É violência praticada, violência institucional, violência política e violência direta contra os integrantes do Poder Judiciário”, arrematou a ministra.

Com o voto, a Primeira Turma formou maioria para condenar Bolsonaro, o primeiro ex-presidente a ser sentenciado por tentar dar um golpe de Estado no país.

O voto do ministro abriu algumas brechas para a contestação da defesa do ex-presidente e os outros sete réus no núcleo crucial. Mas as portas para a cadeia estão abertas.

Até sexta-feira serão fixadas as penas de todos eles. E ela será maior do que esperava a defesa, que tentou de toda forma mostrar que abolição violenta do Estado democrático de Direito e tentativa de golpe eram crimes sobrepostos e não deveriam ampliar a pena certa.

A maioria dos ministros mostrou que sim: para o golpe dar certo, os acusados planejaram tirar de cena as autoridades capazes de detê-los.

Tudo planejado, confessado (por alguns) e documentado. Fux fingiu que não viu a gravidade de nada em 12 horas de argumentação. Cármen Lúcia não deixou barato. Nem deixou passar.

Bolsonaro vai agora jogar todas as cartas na aprovação de um projeto de anistia que o mantenha solto e o reabilite para o jogo em 2026. A pressão no Congresso será cada vez maior. No caminho estão a caneta do presidente Lula (PT) e o próprio Supremo.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

 




Fux livra maioria dos réus acusados por tentativa de golpe

Ministro foi o terceiro a dar parecer sobre os réus

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Ministro Fux dará seu voto
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Ministro Fux dará seu voto

Depois de mais de 11 horas de votação, o ministro Luiz Fux considerou Mauro Cid e Braga Netto culpados pelo crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito, mas afastou as acusações de organização criminosa armada, golpe de Estado, dano qualificado e destruição ou deterioração de bens tombados. Já em relação a Almir Garnier Santos, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno, Anderson Torres e Alexandre Ramagem, o ministro decidiu pela absolvição.

Cristiano Zanin pediu o adiamento da continuidade do julgamento de quinta-feira (11), transferindo o horário de início das 9h para as 14h.

Assista ao julgamento:

22h48 – Cristiano Zanin encerra a sessão

Zanin encerra a sessão e pede para que julgamento seja retomado amanhã, às 14h. Anteriormente o julgamento recomeçaria às 9h.

22h45 – Luiz Fux absolve Alexandre Ramagem

O ministro do STF considerou as denúncias de organização criminosa e tentativa de abolição do Estado democratico de direito improcedentes.

22h18 – Fux julga improcedente a condenação de Anderson Torres

O ministro Luiz Fux julgou que não há provas concreta de que Anderson Torres teria planejado a abolição do Estado democratico de direito. Ainda, votou também pela absolvição do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública pela acusação de organização criminosa. Também, votou por avsolver Anderson por dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

21h58 – Ministro absolve Augusto Heleno de todos os delitos

Fux rejeita as provas baseadas em anotações pessoais do réu. “Rascunhos  isoladamente não configuram crime tentado”, disse o ministro do STF. Novamente Fux indica que não houveram ações objetivas para execução de golpe de Estado. Assim, julgou improcedente a acusação do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional quanto a todos os delitos.

21h40 – Luiz Fux vota por absolvição de Paulo Sérgio Nogueira por acusações

Fux disse que ex-ministro da Defesa não agiu de forma a efetivar um golpe de Estado, reforçando que a denúncia não apontou que Paulo Sérgio tenha convocado as forças armadas para tal. Ainda disse que o atraso no relatório sobre as urnas não pode ser considerado ato de atentado ao estado democrático de Direito. Assim julgou improcedente as acusações ao ex-ministro.

21h20 – Fux julga improcedente condenação de Paulo Sérgio Nogueira por organização criminosa

Em voto sobre acusações a Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, Fux reforça que não concorda com as acusação de organização criminosa no processo.

21h05 – Ministro vota por condenação de Braga Netto por abolição violenta do Estado

Fux entende como configurado os crimes de abolição violenta do Estado e absolve o ex-ministro da Casa Civil da acusação de organização criminosa.

21h00 – Fux inicia voto sobre as acusações a Braga Netto

O ministro, ao avaliar as acusações contra o ex-ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, disse que um ” militar da reserva não possui meios ou recursos para abolir violentamente o Estado Democrático “.

20h09 – Fux pede absolvição de Bolsonaro

O ministro rejeitou todas as acusações feitas pelo Ministério Público Federal contra o ex-presidente. Em seu voto, afastou a responsabilização de Bolsonaro em relação a todos os crimes atribuídos pela PGR.

19h47 – Fux diz que não há provas de que Bolsonaro sabia de planos contra autoridades

Fux afirmou que não existem provas de que Bolsonaro tivesse conhecimento da minuta do plano Punhal Verde e Amarelo ou do grupo Copa 2022.

Para o ministro, a acusação não demonstrou que o documento chegou ao ex-presidente nem que contou com sua anuência. Ele disse que não há elementos que afastem a dúvida razoável.

19h43 – Fux questiona provas sobre minuta no Exército

O ministro Luiz Fux afirmou que não há comprovação de que a minuta golpista apresentada ao alto comando do Exército previa prisão de autoridades ou intervenção em outros poderes. Para ele, não existem elementos probatórios que sustentem essa acusação.

O ministro destacou a ausência de documentos que confirmem tais medidas. Fux reforçou que não há amparo para condenação nesse ponto.

19h31 – Fux volta a questionar provas ligadas à minuta golpista

O ministro Luiz Fux destacou que a própria PGR admite a existência de várias versões da minuta golpista. Para ele, essa multiplicidade de documentos fragiliza a acusação.

Fux afirmou que, à medida que a narrativa da denúncia avança, permanecem ausentes provas concretas.

Segundo o ministro, não há elementos que sustentem um édito condenatório. Ele reforçou que a condenação exige base sólida e inequívoca.

19h17 – Ministro aponta falhas na acusação e sinaliza absolvição de Bolsonaro

O ministro Luiz Fux afirmou que as contradições e falhas da acusação a tornam insustentável à medida que a narrativa avança.

Segundo ele, até o momento não há provas que sustentem uma condenação. Fux indicou que o édito condenatório deve trazer paz de espírito ao juiz, o que não ocorre neste caso.

19h10 – Fux diz que minuta do golpe não prova intenção de Bolsonaro

O ministro Luiz Fux afirmou que a minuta do golpe apreendida pela PF não constitui prova de ciência de Bolsonaro, por ter sido encontrada um ano após os fatos. Segundo ele, a execução das medidas dependeria de atos preparatórios envolvendo diversas autoridades.

O documento, isoladamente, não configuraria tentativa de golpe. Fux destacou que seriam necessárias inúmeras providências para gerar violência ou grave ameaça ao Estado Democrático de Direito.

18h51 – Ministro questiona documento golpista apresentado a Bolsonaro

O ministro Luiz Fux afirmou que a PGR não conseguiu indicar qual documento teria sido apresentado ou discutido por Filipe Martins com Bolsonaro.

Segundo ele, relatos de colaboradores mencionam até três reuniões, mas o conteúdo da minuta golpista não consta nos autos. Fux questionou a ausência de provas concretas sobre o material supostamente discutido na reunião.

18h48 – Fux afirma que é amigo de Moraes e cita análise de provas

O ministro Luiz Fux declarou que divergência nos autos, mas que respeita Alexandre de Moraes, a quem classificou como amigo. Ele também relatou ter contado com uma equipe dedicada para analisar cuidadosamente as provas do caso.

18h39 – Fux afirma ausência de provas de envolvimento de Bolsonaro em impedimento de eleitores

O ministro Luiz Fux afirmou que não há evidências de que o ex-presidente Bolsonaro tenha participado de ações destinadas a impedir eleitores de votar nas eleições.

Segundo ele, a acusação não apresentou elementos que comprovem a atuação direta ou indireta do réu nesses episódios.

Fux destacou que, para caracterizar responsabilidade penal, é necessário demonstrar envolvimento concreto. Atos isolados ou especulativos não configuram crime. Dessa forma, não há base para imputar a Bolsonaro a prática dessas condutas, afirmou o ministro.

18h29 – Fux afasta possibilidade de ataque ao Estado Democrático por live no exterior

O ministro Luiz Fux afirmou que, mesmo diante de ataques ao sistema eleitoral, uma live realizada fora do país não teria capacidade de abolir o Estado Democrático de Direito.

Ele destacou que atos isolados, sem articulação concreta e organização mínima, não configuram o crime de abolição da democracia.

Segundo Fux, a tentativa de golpe exige ações coordenadas capazes de ameaçar efetivamente o funcionamento dos poderes constituídos.

18h26 – Fux aponta incoerência na denúncia sobre uso da ferramenta de espionagem

O ministro Luiz Fux destacou que a denúncia da PGR apresenta incoerência ao afirmar que a ferramenta “First Mile” foi usada entre junho de 2021 e janeiro de 2023, período em que o contrato já havia encerrado.

Ele acrescentou que não há ilegalidade no acionamento da Abin pelo presidente, referindo-se à chamada Abin Paralela.

18h12 – Ministro critica denúncia e ausência de descrição individual de Bolsonaro

Fux afirmou que a PGR não descreveu individualmente a conduta de Bolsonaro e não seguiu a ordem cronológica dos fatos, classificando a denúncia como uma “narrativa”. Tom pesado contra Paulo Gonet e sua equipe.

18h07 – Fux agora julga o ex-presidente Jair Bolsonaro

O ministro fala quais são as acusações contra Bolsonaro no começo da sua votação.

“Primeiramente, é preciso realizar uma divisão das acusações” , diz o ministro.

18h05 – Fux rejeita acusação de dano qualificado contra Garnier

O ministro Luiz Fux afirmou que Almir Garnier não causou prejuízos ao Estado e, por isso, rejeitou a acusação contra o almirante por dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado

17h48 – Magistrado afasta condenação de Garnier por abolição da democracia

O ministro Luiz Fux afirmou que a reunião de Garnier com Bolsonaro foi apenas um ato preparatório, sem início da execução do plano, e não configura auxílio material concreto para punir o almirante.

“Não existe provas suficientes para condená-lo” , declarou Fux durante seu voto.

17h36 – Fux vota para absolver Almir Garnier de organização criminosa

O ministro Luiz Fux votou pela absolvição de Almir Garnier do crime de organização criminosa. Ele questionou a acusação de que o almirante teria sinalizado apoio a Bolsonaro em reunião golpista.

Segundo Fux, o fato de Garnier ter sido enaltecido por militares ativos e da reserva não caracteriza crime. O ministro levantou dúvidas sobre a interpretação da PGR quanto a essa conduta.

17h25 – Magistrado agora julga Almir Garnier

Ministro encerrou fala sobre Mauro Cid e passa a fazer o voto sobre Almir Garnier.

17h20 – Fux pede absolvição de Cid por dano qualificado

O ministro Luiz Fux solicitou a absolvição de Mauro Cid do crime de dano qualificado e segue apresentando seu voto.

17h14 – Ministro pede a condenação de Cid

Fux pede a condenação em parte de Mauro Cid por tentativa de abolição do Estado Democrático.

“Julgo procedente em parte o pedido de condenação do réu Mauro César Barbosa Cid condenando pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, porque ele praticou atos executórios”.

17h08 – Fux cita interações de Cid com militares

O ministro Luiz Fux afirmou que as interações entre Mauro Cid e militares indicam conhecimento de medidas concretas e violentas para a tomada de poder, iniciadas com o monitoramento de Alexandre de Moraes.

17h00 – Fux reconhece tentativa de abolição do Estado Democrático por Cid

O ministro Luiz Fux afirmou que Mauro Cid cometeu tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo ele, há elementos suficientes para caracterizar o crime, e Cid deve ser condenado.

16h57 – Magistrado nega responsabilização de Cid por organização criminosa

O ministro Luiz Fux afirmou que não há provas de que Mauro Cid tenha se reunido com grupo para cometer crimes visando tomar o poder.

Segundo ele, não houve encontros duradouros com mais de quatro pessoas para tais práticas. Dessa forma, Cid não pode ser responsabilizado pelo crime de organização criminosa.

16h50 – Fux vai falar seu voto individualmente

Ministro inicia agora a análise individual dos réus. O primeiro é Mauro Cid, delator do processo.

16h47 – Sessão é retomada

Após meia hora de pausa, o presidente da sessão, Cristiano Zanin, retoma o julgamento e devolve a palavra ao ministro Luiz Fux.

16h14 – Sessão interrompida

Ministro Fux pediu novamente a suspensão da sessão por 10 minutos. Presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, aceitou a solicitação.

16h00 – Fux se torna o ministro com o voto mais longo da Primeira Turma

O ministro Luiz Fux é o terceiro a votar na Primeira Turma e já soma 5h14min de sustentação, tornando seu voto o mais longo até o momento, superando Moraes e Dino. Cármen Lúcia e Cristiano Zanin devem votar apenas na quinta-feira (11), após a conclusão do voto de Fux.

15h53 – Fux explica requisito de dolo na tentativa de crime

O ministro Luiz Fux afirmou que o dolo precisa ser contemporâneo ao ato executório. Ele destacou que a tentativa de crime exige não apenas que o agente possa prever o resultado, mas também que tenha a intenção de produzi-lo.

15h45 – Ministro explica atos preparatórios e ausência de punição pela cogitação de crime

O ministro Fux afirmou que atos preparatórios e a simples cogitação de um crime não podem ser punidos.

Segundo ele, são condutas iniciais que apenas preparam os meios para a execução de um delito. Esses comportamentos, por não consumarem o crime, não atraem resposta penal.

15h31 – Fux diverge de Moraes sobre conceito de golpe de Estado

O ministro afirmou que não há golpe de Estado sem a deposição de um governo legitimamente eleito e que atos individuais não configuram o crime.

Segundo ele, turbas desordenadas ou iniciativas isoladas, sem mínima organização, não são suficientes para afetar o funcionamento dos poderes constituídos.

“Dessa forma, com a devida vênia, não satisfaz o núcleo do tipo penal comportamentos de turbas desordenadas ou iniciativas esparsas, despidas de organização e articulação mínimas para afetar o funcionamento dos poderes constituídos. Entendimento contrário poderia conduzir a caracterização desse crime com enorme frequência. A história brasileira recente é permeada por diversas manifestações coletivas de cunho político com episódios lamentáveis de violência generalizada e depredação do patrimônio público e privado.”

15h28 – Magistrado comenta protestos de 2013 e violência nas ruas

Fux lembrou episódios de depredação e confrontos entre manifestantes e forças de segurança, citando black blocs e a Esplanada dos Ministérios na gestão Temer.

Ele destacou que, à época, não se cogitou enquadrar os responsáveis nos crimes discutidos hoje. Fux afirmou que sempre houve manifestações políticas nas ruas.

Segundo ele, as Jornadas de Junho de 2013 registraram violência e depredação de patrimônio público e privado em diversas cidades.

“Em nenhum desses casos, oriundos de manifestações político violentas, se considerou imputar os crimes vigentes na lei de segurança nacional.”

15h18 – Fux diz que Mensalão configurou abolição da democracia

O ministro Luiz Fux afirmou que o caso do Mensalão representa uma forma de abolição do Estado Democrático de Direito.

Segundo ele, os atos praticados na época atentaram contra os princípios democráticos. “Isso sim é uma abolição do Estado democrático”, declarou Fux.

15h15 – Ministro cita golpe de 1937 e explica crime de abolição da democracia

O ministro Luiz Fux mencionou o golpe de 1937 como exemplo de atentado ao Estado Democrático de Direito, com suspensão de eleições e dissolução do Congresso.

Ele explicou que o crime envolve a apropriação ilegítima do aparato público, não a destituição de um governo eleito.

Segundo Fux, a palavra “depor” não se aplica a atos de um presidente eleito que abusa de suas prerrogativas.

15h12 – Fux afirma que ataques verbais a outros poderes não configuram crime

Ao comentar o crime de abolição do Estado Democrático de Direito, o ministro Luiz Fux afirmou que discursos contendo ofensas ou ataques a outros poderes não podem ser considerados crime.

O posicionamento contrasta com o do relator, que tem enfrentado críticas e até ameaças de bolsonaristas.

“Dessa maneira, não se pode admitir que possam configurar tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Discursos ou entrevistas, ainda que contenham rudes acusações aos membros de outros poderes.”

15h02 – Fux indica divergência e pode absolver réus do crime de abolição da democracia

Em seu voto, o ministro Luiz Fux destacou que o crime de abolição do Estado Democrático de Direito exige elementos claros que demonstrem a intenção de atacar instituições democráticas e instaurar um regime ditatorial.

Ele apontou divergência em relação à interpretação desses elementos e sinalizou que, diante da insuficiência de provas, os réus podem ser absolvidos desse crime.

“Não configuram crimes eventuais acampamentos, manifestações, faixas e aglomerações que consistem em manifestação política com propósitos sociais, assim entendido, o desejo de participar do alto governo democrático, mesmo quando isso inclua a irresignação pacífica contra poderes públicos.”

14h55 – Fux diferencia papel de juízes e agentes públicos

O ministro Luiz Fux afirmou que juízes devem se abster de declarações públicas para preservar a imparcialidade das instituições. Já agentes públicos eleitos devem participar do debate público.

Ele destacou que esse debate é essencial para a democracia, mesmo quando envolve discursos inflamados.

14h48 – Ministro cita rankings sobre democracia e liberdade de expressão

No voto, o ministro destacou que o Brasil ocupa a 80ª posição entre 142 países no Índice do Estado de Direito 2024, do World Justice Project.

Ele também mencionou relatório do Latinobarômetro de 2023, que aponta que quase 64% dos brasileiros consideram a liberdade de expressão pouco ou nada garantida.

Fux citou ainda outros índices sobre o Estado Democrático de Direito, incluindo ranking em que o país aparece em 56ª posição entre 165, sendo classificado como uma “democracia imperfeita”.

14h35 – Ministro aborda limites da decisão majoritária no regime democrático

O ministro Luiz Fux afirmou que a igualdade pública exige respeito a direitos liberais e civis fundamentais, limitando a atuação da maioria. Ele destacou que não há consenso sobre quais instituições devem compor a democracia.

Segundo Fux, é preciso garantir a vontade popular sem concentrar poder em um grupo. Além disso, mecanismos devem evitar a tirania da maioria.

14h25 – Fux destaca evolução do conceito de democracia

O ministro Luiz Fux retoma a explanação em tom didático ao abordar a evolução do conceito de democracia ao longo da história.

Durante a manifestação, ele relaciona essas transformações ao exame da acusação de abolição do Estado Democrático de Direito, crime atribuído aos oito réus. A expectativa é de que o magistrado encaminhe seu voto no sentido da condenação.

14h17 – Análise do crime de abolição do Estado Democrático de Direito

O ministro Luiz Fux passa a examinar a acusação referente à tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Esse é o terceiro crime imputado aos oito réus do processo. O magistrado detalha os elementos jurídicos que compõem o tipo penal

14h15 – Sessão é reaberta

Após uma hora e vinte e três minutos de pausa, o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, reabre a sessão e devolve a palavra ao ministro Luiz Fux.

12h53 – Fux pede nova pausa para almoço

O ministro solicitou interrupção da sessão para almoço, atendida pelo presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin. A sessão está prevista para ser retomada em uma hora.

12h49 – Fux ressalta impossibilidade de responsabilização individual ou solidária

O ministro afirmou que o desconhecimento sobre o que cada réu danificou impede a aplicação das qualificadoras do crime.

Sem a individualização das condutas, a responsabilização penal é inviável e a condenação solidária não é cabível.

12h38 – Fux aponta ausência de omissão dos réus no 8 de janeiro

O ministro afirmou que não há provas de que os réus se omitiram diante do vandalismo. Pelo contrário, há indícios de que tentaram impedir a invasão do prédio do STF.

“Pelo contrário, há evidências de que, assim que a destruição começou, tomaram medidas para evitar que o edifício do Supremo fosse invadido pelos vândalos.”

12h32 – Ministro diverge sobre acusação de dano qualificado

O ministro divergiu do relator, que atribuía a Bolsonaro autoria imediata dos atos de 8 de janeiro, por supostamente incentivar o radicalismo. Fux classificou esse entendimento como “paternalista”, destacando que os manifestantes agiram de forma autônoma.

Ele afirmou que o processo não prova a responsabilidade dos réus pelos danos e sinalizou que pode votar pela absolvição de Bolsonaro e dos demais.

“Os vândalos que destruíram bens de inestimável valor para a República, em especial bens tomados, não eram, na sua maioria, inimputáveis, também não agiram em erro de tipo. Será que alguém que danificou o patrimônio acreditava que sua conduta era lícita ou será que praticou aquilo por coação moral irresistível? Qual teria sido a ameaça concreta do suposto autor mediato? Reconhecer a autoria mediata, na hipótese dos autos, seria uma postura excessivamente paternalista e aniquiladora da autonomia da vontade dos criminosos que destruíram o patrimônio público. Essa análise partiria da premissa equivocada de que os indivíduos que causaram a destruição e a baderna não tinham a mínima noção de que estavam cometendo crimes.”

12h29 – Fux aplica princípio da subsidiariedade para definir responsabilidade

O ministro afirmou que o princípio impede que o crime de dano qualificado se acumule com crimes mais graves, como tentativa de abolição do Estado e golpe de Estado. Segundo ele, a medida ajuda a identificar o verdadeiro mentor e evita impunidade.

“O princípio da subsidiariedade impõe essa sistemática na interpretação e aplicação do Direito Penal, no caso dos autos, impede assim que o crime de dano qualificado seja acumulado em concurso material com os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e o crime de tentativa de golpe de Estado”

12h25 – Ministro cita princípio da subsidiariedade para avaliar danos

O ministro destacou que, pelo princípio da subsidiariedade, um crime só se considera se não houver outro mais grave que o englobe.

Ele ressaltou que, conforme a denúncia, os réus buscavam a abolição do Estado Democrático de Direito e o golpe de Estado, crimes mais graves que o dano.

“Como a própria denúncia informa, o intuito era realizar o ganho de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de crime de golpe de Estado. Ou seja, crimes bem mais graves do que o de dano.”

12h22 – Fux detalha dinâmica dos danos ao patrimônio

O ministro afirmou que, segundo a denúncia, os danos ao patrimônio público e histórico ocorreram em fases, ao longo do tempo, como parte do plano golpista. Ele destacou que os atos foram registrados em 8 de janeiro.

12h12 – Fux passa a analisar acusações de dano ao patrimônio

Após concluir a avaliação sobre organização criminosa, o ministro iniciou sua análise das acusações de dano qualificado e de dano ao patrimônio.

12h10 – Sessão é retomada

O ministro solicitou uma pausa de 10 minutos, mas a sessão acabou ficando interrompida por 15 minutos. Após o intervalo, Fux retomou seu voto, ainda analisando as outras quatro acusações contra os réus.

12h07 – Tom de Fux surpreende ministros e defesas

O tom adotado por Fux surpreendeu tanto os ministros quanto as defesas dos réus. Ele não seguiu integralmente o relator, criticou o processo, fez indiretas aos colegas e votou pela absolvição no crime de organização criminosa.

11h55 – Pausa no julgamento

Ministro solicitou ao presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, uma pausa de 10 minutos. O pedido foi atendido.

11h54 – Fux declara improcedente acusação de organização criminosa

Após extensa análise, o ministro julgou que a acusação contra os réus por organização criminosa não procede. Ele irá analisar ainda os outros quatro crimes imputados aos acusados.

11h47 – Fux aponta ausência de uso de arma pelos réus

O ministro afirmou que a denúncia não descreve emprego de arma de fogo pelos réus. A única menção existente não se relaciona com os supostos membros da organização criminosa.

“As alegações finais contêm uma única menção com arma de fogo, que não guarda relação alguma com os supostos membros da organização criminosa.”

11h43 – Ministro critica falta de tipicidade e dupla imputação

O ministro afirmou que a denúncia não demonstrou prática permanente de crimes, requisito para organização criminosa. Ele também apontou que houve dupla imputação pelos mesmos fatos, considerada equivocada.

11h40 – Fux vota pela absolvição do crime de organização criminosa

O ministro entendeu que os fatos configuram concurso de pessoas, mas não organização criminosa. Segundo ele, a tipicidade da conduta não preenche os requisitos legais para o crime. Fux ainda não analisou os demais crimes da denúncia.

“A improcedência da acusação no meu modo de ver é manifesta e se resolve no plano da tipicidade. Não estão presentes as condições necessárias para a classificação da conduta narrada na inicial como organização criminosa”

11h36 – Ministro rejeita organização criminosa com uso de armas

O ministro afirmou que, sem plano contínuo de crimes indeterminados, aplica-se apenas o concurso de pessoas. No caso do núcleo central da trama golpista, o agravante de uso de armas não procede.

“Sempre que presente imputação de crimes a uma pluralidade de agentes e não esteja narrada a finalidade de praticar delitos indeterminados, bem como se não houver plano de praticar, de modo estável e permanente, crimes punidos com essa sanção, afasta a incidência do crime associativo autônomo, atraindo em tese as regras concernentes ao concurso de pessoas.”

11h30 – Fux esclarece uso de arma para configuração de organização criminosa

O ministro afirmou que, para tipificar o crime, é necessário o efetivo uso de arma de fogo. A denúncia deve narrar e comprovar que algum membro do grupo empregou arma durante a atuação da organização criminosa.

11h24 – Ministro lembra absolvição no Mensalão por formação de quadrilha

O ministro destacou que, no Mensalão, o STF concluiu que a reunião de vários agentes para cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro não configurava série indeterminada de delitos. Por isso, os réus foram absolvidos da acusação de formação de quadrilha.

11h15 – Fux diferencia planejamento de crime e responsabilidade penal

O ministro afirmou que discussões prolongadas sobre cometer delitos entram na esfera moral e social, mas não configuram crime.

Apenas a execução dos atos planejados gera responsabilidade penal conforme autoria e participação.

11h13 – Voto de Fux se estende por duas horas

O ministro avisou que seu voto seria longo. Na terça (9), ele gerou constrangimento ao reclamar da interrupção de Flávio Dino durante a votação de Moraes e disse que não permitiria novas interrupções.

11h08 – Fux cita Mensalão e questiona organização criminosa

O ministro usou o Mensalão, que anulou a quadrilha de José Dirceu, para argumentar. Segundo ele, a trama golpista não configura organização criminosa. Fux destacou a diferença entre crime com vários agentes e grupo estruturado com hierarquia.

11h02 – Ministro alerta para risco de banalização do crime organizado

O ministro indicou que pode absolver réus dessa acusação. Ontem, Moraes e Dino votaram pela condenação de todos, com agravante para Bolsonaro como líder.

10h57 – Fux esclarece requisitos para crime de organização criminosa

O ministro afirmou que não basta a reunião de vários agentes para configurar o crime. É necessária a existência de uma estrutura organizada com divisão de funções. Apenas um plano delitivo isolado não caracteriza organização criminosa.

10h53 – Ministro explica conceito jurídico de organização criminosa

O ministro adotou tom técnico ao detalhar a definição legal prevista na Lei 12.694/2012. Segundo ele, organização criminosa envolve três ou mais pessoas com divisão de tarefas para obter vantagem por meio de crimes. Fux destacou que o crime se caracteriza pela prática indeterminada de várias infrações.

10h43 – Fux comenta sobre criminalidade organizada

O ministro destacou que a organização criminosa é uma preocupação histórica no Brasil e no mundo. Ele citou exemplos como máfias, cartéis e grupos que cometem crimes graves de forma reiterada.

Moraes e a PGR classificaram o plano golpista de Bolsonaro e outros sete réus como uma organização criminosa.

10h27 – Fux começa análise do mérito da denúncia

O ministro iniciou a avaliação do mérito da ação penal, abordando primeiro a acusação de organização criminosa.

10h23 – Magistrado explica continuidade do crime de organização criminosa

O ministro destacou que a organização criminosa se mantém enquanto a estrutura estiver ativa, diferentemente de crimes instantâneos.

Segundo ele, trata-se de um único crime que se prolongou ao longo do tempo. Fux defendeu a suspensão de parte de crimes atribuídos a Ramagem, seguindo a orientação do relator do processo, Alexandre de Moraes.

10h19 – Fux analisa suspensão da ação penal de Alexandre Ramagem

O ministro avalia o pedido de suspensão da ação penal contra Ramagem. Ele responde por três crimes relacionados à trama golpista. A Câmara aprovou a suspensão parcial sobre outros dois crimes ligados ao patrimônio público.

10h17 – Fux valida delação de Mauro Cid no processo

O ministro acatou o parecer do Ministério Público, permitindo que a delação de Mauro Cid seja utilizada. Advogados haviam solicitado a anulação do acordo, mas os três ministros que votaram rejeitaram o pedido.

“O réu colaborou com as delações sempre acompanhado de advogado. E as advertências pontuais feitas pelo delator do descumprimento do pacto, isso faz parte do rol de perguntas que se pode fazer ao colaborador. O colaborador acabou se autoincriminando”

10h14 – Ministro comenta mudança de entendimento do MP sobre delação

O ministro destacou que o Ministério Público se posicionou recentemente pelo arquivamento da delação. Segundo ele, rever decisões demonstra humildade judicial e evolução. Fux ressaltou que o direito não é estático, mas está em constante transformação.

10h12 – Fux analisa acordo de delação do tenente-coronel Mauro Cid

O ministro iniciou a avaliação da preliminar sobre a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Ele discutiu os termos e a legalidade do acordo no contexto do processo.

“Eu acolho a preliminar de violação à garantia constitucional do contraditório e da ampla. Reconheço a ocorrência de cerceamento e, por consequência, declaro a nulidade do processo desde o recebimento da denúncia”

10h10 – Fux declara nulidade do processo por cerceamento de defesa

O ministro admitiu ter enfrentado dificuldade para elaborar seu voto. Ele acolheu a preliminar de violação ao contraditório e à ampla defesa. Com isso, declarou a nulidade do processo desde o recebimento da denúncia.

10h07 – Magistrado evita citar colegas, mas rebate relator

O ministro disse preferir não mencionar nomes dos colegas, classificando como deselegante. Mesmo assim, criticou pontos do voto de Alexandre de Moraes e apoiou teses das defesas. Outros ministros, como Moraes e Flávio Dino, mencionaram Fux durante a sessão.

10h00 – Fux destaca complexidade do caso e volume de provas

O ministro recordou sua experiência de 14 anos no STF, incluindo julgamentos complexos como o Mensalão, e elogiou o trabalho detalhado do relator da denúncia.

Fux chamou atenção para o enorme volume de provas no caso da trama golpista, afirmando que as defesas alegaram cerceamento diante do “tsunami de dados”, já que grande parte do material só foi disponibilizada em 30 de abril deste ano, pouco antes da decisão que autorizou a entrega das mídias apreendidas.

09h54 – Fux inicia análise da denúncia da PGR

O ministro detalhou que a ação penal, recebida em 26 de março deste ano, envolve inicialmente oito réus, totalizando 34 acusados.

Eles são investigados pela prática de cinco crimes, incluindo organização criminosa, tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

09h50 – Fux analisa preliminar sobre cerceamento da defesa

O ministro abordou a alegação dos advogados de excesso de informações em pouco tempo, citando que o direito ao contraditório e à ampla defesa é essencial.

Ele lembrou que esse princípio já era defendido por Sêneca e foi consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

09h46 – Magistrado acata preliminar e questiona competência da Primeira Turma

O ministro declarou a incompetência da Primeira Turma para julgar o caso, destacando que todos os atos anteriores seriam nulos. Ele reforçou que os réus não têm foro privilegiado e, se tivessem, deveriam ser apreciados pelo plenário do STF.

09h43 – Fux defende julgamento pelo plenário do STF

O ministro afirmou que transferir o caso da competência do plenário para a Primeira Turma restringe a participação dos ministros na análise. Segundo ele, a Constituição prevê julgamento pelo plenário, o que garantiria maior racionalidade e abrangência na decisão.

“Ao rebaixar a competência original do plenário para uma das turmas, estaríamos silenciando as vozes de ministros que poderiam esterilizar a formar de pensar sobre os fatos a serem julgados nesta ação penal. A Constituição Federal não se refere às Turmas, ela se refere ao plenário e seria realmente ideal que tudo fosse julgado pelo plenário do STF com a racionalidade funcional.”

09h38 – Ministro encerra divergência sobre competência do STF

O ministro votou pela incompetência do Supremo para julgar o caso, argumentando que nenhum dos réus possui prerrogativa de foro.

“A prerrogativa de foro sofreu inúmeras modificações. Houve certa banalização dessa interpretação constitucional”, declarou. “Os réus desse processo, sem nenhuma prerrogativa de foro, perderam os seus cargos muito antes do surgimento do atual entendimento. O atual entendimento é recentíssimo, desse ano.”

09h35 – Fux cita caso Lula ao defender julgamento em plenário

O ministro recordou a decisão do STF que anulou as condenações de Lula em 2021, por entender que o então juiz Sérgio Moro não tinha competência para o caso.

Com base nesse precedente, Fux sustentou que a ação contra Bolsonaro também deveria ser apreciada pelo plenário da Corte.

09h29 – Fux abre divergência e questiona competência do STF para julgar réus

Ao iniciar sua posição divergente, Fux declarou que os acusados no processo sobre a tentativa de golpe não detêm prerrogativa de foro e, portanto, não deveriam ser processados no Supremo Tribunal Federal.

“Não estamos diante de autoridades com foro especial, mas de pessoas comuns, sem esse tipo de prerrogativa” , afirmou.

09h27 – Fux inicia análise das preliminares

Na sessão da última terça-feira (9), enquanto o ministro Alexandre de Moraes apresentava seu posicionamento sobre as preliminares, Fux interveio para registrar que faria objeções ao voto. No momento atual, ele passa a expor de forma oral os fundamentos da sua posição.

09h25 – Fux destaca papel de imparcialidade do juiz antes de iniciar análise do caso

Após uma introdução sobre a necessidade de neutralidade na atuação judicial, o ministro ressaltou que cabe ao magistrado acompanhar a ação penal com o devido distanciamento.

Segundo ele, isso ocorre não apenas pela ausência de atribuições investigativas ou acusatórias, mas sobretudo pelo dever de imparcialidade que o cargo impõe.

Fux explicou que, mesmo diante dessa limitação, o juiz exerce funções decisivas no processo. A primeira delas é atuar como fiscal da legalidade, garantindo que a ação penal transcorra dentro dos parâmetros estabelecidos pela Constituição e pelas normas em vigor.

Além disso, observou que é o magistrado quem assegura a correspondência entre fatos e provas apresentados, estabelecendo o juízo final de certeza.

De acordo com o ministro, cabe ao juiz separar o que se sustenta apenas em hipóteses acusatórias daquilo que encontra respaldo efetivo em evidências concretas. Com esse preâmbulo, Fux deu início à sua análise do caso em julgamento.

09h18 – Fux descarta agendamento político no STF

Segundo o ministro, não cabe ao STF avaliar questões de conveniência política, mas sim definir se determinado ato está de acordo ou em desacordo com a Constituição e com a lei.

Ele acrescentou que a função do magistrado não deve ser confundida com a de um agente político.

“Ao contrário do Poder Legislativo e do Poder Executivo, não compete ao STF realizar um juízo político do que é bom ou ruim, conveniente ou inconveniente, apropriado ou inapropriado. Ao revés, compete a este tribunal afirmar o que é constitucional ou inconstitucional, legal ou ilegal, invariavelmente, sob a perspectiva da Carta de 1988 e das leis brasileiras”

09h15 – Ministro fala que STF protege a Constituição

O ministro iniciou sua manifestação destacando que a missão central do Supremo Tribunal Federal é a proteção da Constituição, considerada a base essencial do Estado Democrático de Direito.

Segundo ele, em qualquer contexto ou momento histórico, a Carta Magna precisa servir de referência inicial, de guia no percurso e de destino final para todas as discussões que envolvem o país.

09h14 – Fux elogia Moraes

Fux iniciou sua manifestação com elogios ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, a quem destacou pela dedicação na elaboração do voto. Apesar do reconhecimento, o magistrado já havia sinalizado na sessão anterior que pretende divergir em alguns pontos.

09h13 – Fux inicia seu voto

Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Reprodução/Youtube

Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Ministro Luiz Fux cumprimenta seus colegas, faz uma piada com Flávio Dino e inicia seu voto.

09h10 – Quarto dia de julgamento é iniciado

O presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, cumprimenta os colegas, lê a ata e passa a palavra a Luiz Fux para proferir seu voto.

O caso

STF (Supremo Tribunal Federal) começou no dia 2 de setembro o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro  (PL) e de outros sete réus acusados de participação em uma tentativa de golpe de Estado. Nesta quarta-feira (10), é realizado o quarto dia de julgamento. O Portal iG acompanha a sessão em tempo real, com a jornalista Aline Brito presente dentro da sala de julgamento.

A ação penal 2668, em análise pela Primeira Turma, apura a atuação do chamado “Núcleo Crucial”, apontado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) como responsável pela articulação para subverter o resultado das eleições de 2022.

Além de Bolsonaro, são réus:

  •     o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  •     o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
  •     Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  •     o general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  •     o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso;
  •     o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  •     e o general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa presidencial de 2022.

Segundo a denúncia, todos respondem por tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado por violência e ameaça grave, além de deterioração de patrimônio tombado. Ramagem, em razão da prerrogativa de deputado, responde apenas por três crimes.

Denúncia da PGR

PGR produziu um documento denso e farto em provas, com 517 páginas
Marcos Oliveira / Agencia Senado

PGR produziu um documento denso e farto em provas, com 517 páginas

A PGR afirma que Bolsonaro liderou uma organização criminosa para manter-se no poder após a derrota eleitoral.

O esquema teria começado em 2021, com ataques ao sistema eletrônico de votação e pressão sobre as Forças Armadas, e culminado nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos e depredados em Brasília.

Entre as provas apresentadas estão minutas de decretos golpistas, registros digitais, vídeos, documentos e a delação premiada de Mauro Cid.

Em depoimento, o general Marco Antonio Freire Gomes relatou que Bolsonaro chegou a apresentar uma minuta golpista em reunião.

Planos com codinomes como “Luneta”, “Copa 2022” e “Punhal Verde Amarelo” também foram mencionados, prevendo até o sequestro e assassinato de autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O primeiro dia do julgamento

Ministro faz leitura do relatório
Reprodução/TV Justiça

Ministro faz leitura do relatório

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus começou com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Moraes destacou a importância da democracia e da soberania nacional, afirmando que esses princípios não podem ser negociados ou violados.

O discurso foi interpretado como uma resposta indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente aplicou sanções ao Brasil e chamou o processo contra Bolsonaro de “caça às bruxas”.

As alegações de Paulo Gonet

Paulo Gonet
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Paulo Gonet

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a acusação de tentativa de golpe de Estado. Ele afirmou que o simples fato de o então presidente e o ministro da Defesa convocarem militares para discutir a formalização de um golpe já configurava início do crime.

Gonet alertou que a impunidade poderia estimular novos atos autoritários e rejeitou a tese de que não houve execução do plano. Para ele, não era necessária assinatura de decreto para caracterizar a tentativa golpista. Após sua fala, a sessão foi interrompida.

A defesa de Mauro Cid

Jair Alves Pereira falou sobre a delação de Mauro Cid, seu cliente
Reprodução/TV Justiça

Jair Alves Pereira falou sobre a delação de Mauro Cid, seu cliente

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator no processo, foi a primeira a se manifestar. O advogado Jair Alves Pereira defendeu a legalidade do acordo de delação, negando coação.

O também advogado Cezar Roberto Bitencourt afirmou que não há provas de que Cid tenha participado ou incentivado atos golpistas, destacando que mensagens recebidas em aplicativos não foram compartilhadas. A defesa negou envolvimento nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

A defesa de Alexandre Ramagem

Paulo Renato Cintra defendeu Ramagem
Reprodução/TV Justiça

Paulo Renato Cintra defendeu Ramagem

O advogado Paulo Renato Cintra argumentou pela suspensão da acusação de organização criminosa contra o deputado Alexandre Ramagem (PL).

Ele afirmou que a Procuradoria cometeu erros na denúncia e citou equívocos sobre o suposto uso irregular do software FirstMile pela Abin.

Cintra sustentou que os textos encontrados eram apenas anotações pessoais e não provas de articulação golpista. Durante sua fala, foi corrigido pela ministra Cármen Lúcia, que reforçou a auditabilidade das urnas eletrônicas.

A defesa de Almir Garnier

O advogado Demóstenes Lázaro Xavier Torres defendeu o ex-comandante da Marinha Almir Garnier
Reprodução/TV Justiça

O advogado Demóstenes Lázaro Xavier Torres defendeu o ex-comandante da Marinha Almir Garnier

O advogado Demóstenes Torres defendeu o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e pediu a anulação da delação de Mauro Cid, que o apontou como integrante da ala radical de Bolsonaro.

A defesa criticou a PGR por incluir fatos novos não presentes na denúncia, o que, segundo o advogado, viola o direito de defesa.

Torres também argumentou pela individualização das condutas, destacando que não se pode imputar responsabilidades sem provas diretas das ações atribuídas a Garnier.

A defesa de Anderson Torres

Eumar Roberto Novacki defendeu Anderson Torres
Reprodução/Youtube

Eumar Roberto Novacki defendeu Anderson Torres

O advogado Eumar Novacki sustentou que não há provas contra o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Ele negou envolvimento em planos de decretação de estado de sítio, bloqueios de estradas ou direcionamento da PRF durante as eleições.

Também contestou que Torres tenha relaxado a segurança no 8 de Janeiro, alegando que ele estava de férias nos EUA em viagem previamente programada.

Sobre a minuta golpista encontrada em sua casa, a defesa afirmou que o documento já circulava na internet antes e não tinha ligação com reuniões militares. Após sua fala, o julgamento foi suspenso e será retomado no dia seguinte.

Segundo dia

Defesa de Augusto Heleno

Matheus Mayer Milanez fez a defesa de Augusto Heleno
Reprodução/TV Justiça

Matheus Mayer Milanez fez a defesa de Augusto Heleno

O advogado Matheus Mayer Milanez defendeu o general Augusto Heleno  e pediu absolvição, alegando ausência de provas que o vinculem a planos golpistas. Contestou a denúncia da PGR e o acesso incompleto a dados da investigação, de até 80 terabytes.

Negou participação do réu em reuniões, troca de mensagens ou citação em delações, inclusive a de Mauro Cid. Sobre a live de julho de 2021, afirmou que Heleno apenas acompanhou sem manifestações.

Rebateu documentos que o apontavam como chefe de gabinete de crise e ressaltou sua distância das decisões centrais do governo. Milanez criticou a atuação de Alexandre de Moraes, acusando excesso de protagonismo na produção de provas, e questionou a suposta sintonia de Heleno com Alexandre Ramagem.

Defesa de Bolsonaro

Celso Sanchez Vilardi.
Rosinei Coutinho/STF

Celso Sanchez Vilardi.

Os advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno pediram absolvição de Jair Bolsonaro, afirmando inexistirem provas que o liguem a atos de 8 de janeiro de 2023 ou a planos golpistas como “Punhal Verde e Amarelo” e “Operação Luneta”.

Contestaram a delação de Mauro Cid, apontando falta de credibilidade. Criticaram a condução do processo por Alexandre de Moraes e o acesso limitado a documentos da investigação.

A defesa sustentou que Bolsonaro reconheceu a derrota eleitoral, pediu manifestações pacíficas e estava nos EUA durante os ataques. Questionaram a competência da Primeira Turma para julgar o caso, pedindo análise pelo Plenário do STF.

Defesa de Paulo Sérgio Nogueira

O advogado Andrew Fernandes defendeu General Paulo Sérgio
Reprodução/TV Justiça

O advogado Andrew Fernandes defendeu General Paulo Sérgio

O advogado Andrew Fernandes Farias defendeu o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, afirmando que ele atuou contra medidas de exceção e buscou evitar ruptura democrática.

A defesa citou reunião com comandantes das Forças Armadas em dezembro de 2022 e visita a Bolsonaro para confirmar ausência de apoio a golpe.

Utilizou a delação de Mauro Cid para reforçar a inocência do general, apontado como contrário a qualquer plano golpista.

Depoimentos de militares corroboraram sua postura moderada. Farias destacou ainda ataques virtuais de bolsonaristas como prova de seu distanciamento de grupos radicais e negou qualquer articulação criminosa.

Defesa de Braga Netto

O advogado José Luís Mendes de Oliveira defendeu Braga Netto
Reprodução/TV Justiça

O advogado José Luís Mendes de Oliveira defendeu Braga Netto

O advogado José Luís de Oliveira Lima defendeu o general Walter Braga Netto, contestando a validade da delação de Mauro Cid, que chamou de “viciada e sem provas”.

A defesa alegou contradições e falta de respaldo em outras evidências, além de cerceamento de defesa pelo volume de documentos e restrições de acesso.

Negou envolvimento do réu em organização criminosa, planos de golpe ou nos atos de 8 de janeiro de 2023. Ressaltou seu histórico de 42 anos no Exército e sua postura contrária a rupturas democráticas. Criticou ainda a prisão preventiva de 2024, pedindo absolvição ou redução de pena por menor participação.

Terceiro dia

Voto do ministro Alexandre de Moraes

Ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante seu voto no julgamento
Rosinei Coutinho/STF

Ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante seu voto no julgamento

O ministro Alexandre de Moraes conduziu um voto detalhado, de mais de cinco horas, no qual apontou a participação de cada réu na tentativa de golpe de Estado e na formação de uma organização criminosa armada.

Moraes classificou Jair Bolsonaro como líder do grupo, responsável por articular ações para se manter no poder e enfraquecer a independência do Judiciário.

Entre os argumentos apresentados pelo relator:

  • Liderança de Bolsonaro: Moraes enfatizou que o ex-presidente chefiou o núcleo central da organização criminosa, reunindo aliados próximos, incluindo militares e ex-ministros, para planejar medidas que desrespeitassem a Constituição e anulassem resultados eleitorais. Ele citou lives de Bolsonaro, reuniões ministeriais, encontros com embaixadores e alterações em minutas de decretos como evidências da coordenação.
  • Ações de integrantes militares e ministros: O relator destacou a atuação estratégica de integrantes das Forças Armadas e ministros do governo Bolsonaro. Braga Netto e Bolsonaro foram apontados como figuras centrais; Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Almir Garnier, por sua vez, atuaram em cargos-chave, participando de reuniões e planejamentos do golpe. Anderson Torres colaborou na minuta de decreto golpista e tentou impedir o voto de eleitores no Nordeste.
  • Danos e atentados: Moraes relacionou atos violentos, como os ataques de 8 de janeiro de 2023, a um plano premeditado para pressionar e desestabilizar as instituições democráticas. Ele também citou o uso de bombas e acampamentos organizados, além de tentativas de assassinato de autoridades e monitoramento de ministros do STF, classificando essas ações como parte da execução do golpe.
  • Validade da delação de Mauro Cid: O ministro reafirmou que a colaboração premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é válida e consistente, citando que eventuais pequenas divergências em detalhes não comprometem a prova.
  • Milícias digitais e desinformação: Moraes destacou a atuação de milícias digitais, amplificando fake news sobre fraude eleitoral e descredibilizando o sistema eleitoral, coordenadas por Bolsonaro e aliados.
  • Ministro Ramagem e Alexandre Heleno: O relator apontou a participação de Ramagem e Heleno na articulação de estratégias para deslegitimar a Justiça e o processo eleitoral, reforçando a unidade do grupo.
  • Tentativa de golpe desde 2021: Moraes sublinhou que os atos criminosos começaram em 2021 e culminaram nos ataques de 8 de janeiro, demonstrando planejamento contínuo e escalada de ações contra o Estado Democrático de Direito.
  • Ao final, Moraes pediu a condenação de todos os réus pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Para os crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio, excluiu Ramagem, devido à suspensão de parte do processo em função do foro privilegiado.

Voto do ministro Flávio Dino

Flávio Dino vota em julgamento de Bolsonaro na Primeira Turma
Reprodução

Flávio Dino vota em julgamento de Bolsonaro na Primeira Turma

O ministro Flávio Dino acompanhou integralmente o voto do relator Alexandre de Moraes em relação à condenação de Jair Bolsonaro e dos demais sete réus, reforçando a gravidade dos crimes e a imprescritibilidade das ações contra o Estado Democrático de Direito.

No entanto, Dino sinalizou possíveis divergências quanto à aplicação das penas, considerando diferentes níveis de participação dos réus.

Principais pontos do voto:

  • Concordância com Moraes: Dino apoiou o relator em todos os pontos do mérito, incluindo:
  1. A caracterização de Bolsonaro e Braga Netto como líderes da organização criminosa.
  2. A existência de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
  3. A participação de militares e ministros em cargos estratégicos no planejamento do golpe.
  4. A validade da delação de Mauro Cid.
  5. A atuação de milícias digitais e disseminação de fake news para deslegitimar o sistema eleitoral.
  • Análise da culpabilidade: Dino destacou que há diferentes níveis de envolvimento entre os réus. Segundo ele:
  1. Bolsonaro e Braga Netto tiveram culpabilidade elevada, por liderança e protagonismo nas ações.
  2. Almir Garnier, Anderson Torres e Mauro Cid também possuem alta responsabilidade.
  3. Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Paulo Sérgio Nogueira teriam participação menor nos crimes, e, por isso, poderiam receber penas diferenciadas.
  • Validade da delação premiada: Dino reforçou que o acordo de Mauro Cid é juridicamente consistente, com provas orais compatíveis com os documentos do processo, e que pequenas divergências não comprometem a credibilidade do depoimento.
  • Rejeição de anistia: O ministro reforçou que os crimes imputados são imprescritíveis e não podem ser perdoados ou receber qualquer forma de anistia. Ele criticou discussões no Congresso sobre possíveis medidas de anistia, lembrando que a lei não contempla absolvição para altos escalões envolvidos em crimes contra o Estado Democrático de Direito.
  • Reflexão sobre democracia e processo: Dino ressaltou que o julgamento não tem caráter político-partidário, e que todos os atos devem ser analisados com base nos fatos e provas constantes nos autos. Ele comparou ameaças internas à democracia a “cavalos de Troia” que usam liberdades democráticas para destruí-la, enfatizando a necessidade de proteger instituições e o ordenamento jurídico.
  • Divergência sobre penas: Embora tenha concordado com Moraes quanto à condenação, Dino indicou que poderia divergir na dosimetria das penas, aplicando punições mais leves a réus com menor envolvimento, em respeito aos princípios da proporcionalidade e individualização da pena.

Ao encerrar seu voto, Dino reforçou que todos os réus devem ser responsabilizados pelos crimes, mas que a penalidade precisa refletir o grau de participação de cada um.




Angela Ro Ro, voz marcante da MPB, morre aos 75anos

Artista marcou música brasileira pelo timbre rouco, canções viscerais e jeito autêntico dentro e fora dos palcos

Por

|Angela Ro Ro

Reprodução TV Globo/ Globoplay – “Conversa com Bial” – 21/07/2018

Angela Ro Ro

Angela Ro Ro,  uma das vozes mais autênticas da música popular brasileira, morreu nesta segunda-feira (08), aos 75 anos. Enfrentando problemas recorrentes no pulmão e rins, a cantora faleceu após mais de três meses internada Hospital Silvestre, no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio, desde julho, quando passou por uma traqueostomia em decorrência de uma infecção pulmonar. Angela teve uma parada cardíaca após um procedimento cirúrgico.

Dona de um timbre inconfundível e conhecida pelas composições profundas e sentimentais, ela deixou um legado extenso na indústria fonográfica brasileira, sendo responsável por inspirar diversos músicos que se espelharam na carreira dela.

Popularmente conhecida pelo nome artístico  Angela Ro Ro, a vocalista nasceu no Rio de Janeiro, em 5 de dezembro de 1949. O apelido “Ro Ro”, inclusive, foi dado por amigos de infância graças ao timbre rouco da artista carioca.

Infância

Aos 5 anos, ela já demonstrava a afinidade com o meio musical e começou a estudar piano clássico. Em 1971, se mudou para  Londres e conciliou a carreira de pianista e cantora com o trabalho como garçonete e faxineira.

A consagração de Angela Ro Ro como cantora e compositora começou em 1976, quando participou do festival de rock Som, Sol e Surf, realizado em Saquarema (RJ) sob curadoria do jornalista e produtor musical Nelson Motta. No mesmo evento, subiram ao palco nomes como Raul Seixas  e  Rita Lee.

Carreira

Angela Ro Ro no
Reprodução TV Globo/ Globoplay

Angela Ro Ro no “Conversa com Bial”

Em 1979, Angela Ro Ro estreia em disco com o álbum homônimo lançado pela gravadora PolyGram. Com arranjos do pianista Antônio Adolfo em várias faixas, o trabalho marca sua entrada no cenário fonográfico. A canção “Tola Foi Você” é a primeira a tocar nas rádios. Já “Amor, Meu Grande Amor”, parceria com Ana Terra, foi seu primeiro grande hit.

Representatividade

Angela Ro Ro
Reprodução/Instagram

Angela Ro Ro

Reconhecida como uma das vozes pioneiras na defesa dos direitos da comunidade  LGBTQIAPN+, Angela Ro Ro assumiu publicamente sua homossexualidade ainda na década de 1970.

Último projeto

Recentemente, Angela Ro Ro  cuidava do lançamento de “Planos do Céu”, single que contou com arranjo e teclados assinados por Marcio LoMiranda. A canção marcava mais um capítulo na trajetória da cantora, compositora e pianista carioca.

Mesmo enfrentando  dificuldades financeiras e problemas de saúde, a musicista que marcou a música popular brasileira nunca abandonou o ofício que a alçou ao estrelato. Nas redes sociais, mantinha o contato com a base fãs que a acompanhou nos últimos anos.




Defesas de Bolsonaro e generais criticam delação em julgamento

Segundo dia é marcado por sustentações orais e ataques às provas

Por

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Sessão teve as sustentações orais de quatro réus
Gustavo Moreno/STF

Sessão teve as sustentações orais de quatro réus

O segundo dia do julgamento, que ocorreu nesta quarta-feira (3), no Supremo Tribunal Federal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sete militares e policiais acusados de tentativa de golpe de Estado foi dedicado às sustentações orais das defesas.

Os advogados concentraram seus argumentos na contestação da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e na alegação de que não existem provas concretas que vinculem seus clientes à trama.

advogado Celso Sanchez Vilardi, que representa Bolsonaro, classificou como “pueril” a afirmação de que o ex-presidente teria deixado uma minuta de golpe durante viagem aos Estados Unidos. Vilardi questionou a credibilidade de Cid e apontou falhas no acesso às provas.

Outro defensor de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, contestou a imputação de crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e organização criminosa armada, afirmando que não há atos violentos atribuíveis ao ex-presidente.

A defesa do general Paulo Sérgio Nogueira, conduzida por Andrew Fernandes, destacou depoimentos de testemunhas de acusação, como o brigadeiro Baptista Júnior, que confirmaram que o general trabalhou para impedir ações golpistas.

Fernandes afirmou que comentários do militar sobre fiscalização das urnas não configuram participação em golpe.

O general Walter Braga Netto teve a defesa representada por José Luís Mendes de Oliveira Lima, que questionou a validade da delação de Cid, alegando que o ex-ajudante-geral teria sido pressionado após quatro meses de prisão e que o acordo foi fechado “às pressas” sem participação do Ministério Público Federal.

A defesa também alegou que prints utilizados como provas foram adulterados e reforçou que Braga Netto não coordenou atos golpistas.

O general Augusto Heleno, representado por Matheus Milanez, teve a defesa centrada na ausência de provas ligando-o ao plano golpista. Milanez criticou a organização das provas apresentadas pela Polícia Federal e questionou atos do ministro Alexandre de Moraes durante o processo.

O segundo dia de julgamento terminou com a leitura do resultado parcial pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, e o encerramento da sessão.Defesa de Bolsonaro argumenta no STF: "Não há uma única prova"

Primeiro dia

Outros réus, como Alexandre Ramagem, Almir Garnier e Anderson Torres, também tiveram defesas que destacaram a inocência individual, contestaram provas e questionaram delações ou documentos apresentados pela PGR.

Em alguns casos, houve críticas à condução do julgamento e à organização das provas, mas o foco principal das sustentações permaneceu na inocência de cada cliente.

Todas as defesas já apresentaram sustentação oral, e o julgamento será retomado nas próximas sessões, previstas para os dias 9, 10 e 12 de setembro.

Defesa de Heleno questiona provas e pede absolvição

O advogado Matheus Mayer Milanez no STF
Gustavo Moreno/STF

O advogado Matheus Mayer Milanez no STF

A defesa do general Augusto Heleno, conduzida pelo advogado Matheus Mayer Milanez, concentrou-se em contestar as acusações da Procuradoria-Geral da República e solicitar a absolvição do réu. A sustentação oral foi estruturada em três eixos principais, conforme detalhado nas informações disponíveis.

Milanez argumentou que o processo não poderia ser fatiado. Embora o STF permita a divisão em ações penais públicas, o advogado destacou que o Código de Processo Penal regula queixas-crime (ações penais privadas), usando o ponto para questionar a organização processual do julgamento.

O advogado criticou o acesso incompleto aos arquivos da investigação, que somam entre 70 e 80 terabytes de dados, alegando que a defesa não teve tempo hábil para análise adequada.

Milanez questionou o uso de “informes de polícia judicial” como base para a acusação, argumentando que esses documentos carecem de transparência e não substituem o acesso completo às provas.

A defesa afirmou que a denúncia da PGR é inepta e não apresenta justa causa, destacando ausência de provas que vinculem Heleno à trama golpista:

  • Não participação em reuniões: Heleno não participou de reuniões golpistas, não trocou mensagens ou áudios sobre o tema e não foi citado por delatores, incluindo Mauro Cid, que afirmou nunca tê-lo visto em ações operacionais ou de planejamento.
  • Live de 2021: Sobre a transmissão de 29 de julho de 2021, na qual Heleno esteve presente, Milanez afirmou que ele permaneceu em silêncio, sem gestos ou comentários que corroborassem falas de Bolsonaro, comparando sua participação à de servidores que apenas acompanhavam o evento.
  • Documentos e anotações: A defesa contestou a agenda atribuída a Heleno, afirmando que contém apenas “anotações variadas” sem indicar envolvimento em golpe, e negou que ele tivesse conhecimento ou participação na elaboração de documentos que o apontassem como chefe de um “gabinete de crise”.

Afastamento da cúpula decisória: Milanez destacou que Heleno acreditava que Bolsonaro deveria vacinar-se, indicando distanciamento das decisões centrais do governo.

Ausência de contato com outros envolvidos: A defesa negou que Heleno tenha conversado com figuras como o general Freire Gomes para pedir apoio ao golpe.

Milanez fez críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, alegando excesso de protagonismo na produção de provas, com 302 perguntas feitas durante interrogatórios, contra 59 da PGR. Questionou: “Qual o papel do juiz julgador? Ou é o juiz inquisidor?” , sugerindo parcialidade e pedindo nulidade do julgamento.

A defesa contestou ainda a afirmação da PGR de que Heleno e Alexandre Ramagem estariam em “perfeita sintonia” para atacar instituições e urnas, questionando se o tema não era amplamente discutido no país à época.

A defesa de Heleno utilizou 107 slides autorizados por Moraes, enviados à Secretaria da Primeira Turma do STF para verificação técnica.

Defesa de Bolsonaro questiona provas e pede absolvição

Advogados de Bolsonaro apresentaram a defesa do ex-presidente
Rosinei Coutinho/STF

Advogados de Bolsonaro apresentaram a defesa do ex-presidente

A sustentação oral da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro foi conduzida pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, com duração de uma hora, conforme determinação do presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin.

A defesa concentrou-se em desqualificar as acusações da Procuradoria-Geral da República, questionar a condução do processo e pedir a absolvição de Bolsonaro.

A defesa afirmou que não há evidências que liguem o ex-presidente aos atos de 8 de janeiro de 2023 ou a supostos planos golpistas, como o “Punhal Verde e Amarelo” e a “Operação Luneta”.

Vilardi destacou que “não há uma única prova que atrele o presidente a (plano) Punhal Verde e Amarelo, Operação Luneta e a 8 de janeiro” .

Paulo Cunha Bueno reforçou que “não há provas que conectam Jair Bolsonaro aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e às demais manifestações públicas feitas por apoiadores em acampamentos em frente a quartéis pelo país” .

A defesa também contestou a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, alegando falta de credibilidade e coerência em suas declarações.

Questionou a condução do processo pelo ministro Alexandre de Moraes, afirmando que ele assumiu papel ativo na produção de provas e que a defesa teve acesso limitado a aproximadamente 80 terabytes de dados, sem organização adequada para análise.

Os advogados defenderam que Bolsonaro sempre atuou em conformidade com a Constituição, citando discursos em que reconheceu a derrota eleitoral e pediu manifestações pacíficas.

Ressaltaram ainda que o ex-presidente estava nos Estados Unidos durante os atos de 8 de janeiro, impossibilitando participação direta.

A defesa questionou a competência da Primeira Turma para julgar o caso e argumentou que deveria ocorrer no Plenário do STF, com todos os ministros, garantindo maior legitimidade.

A sustentação oral também incluiu comparações históricas, como a menção ao caso Dreyfus.

“Não permitamos, em hipótese alguma, criarmos nesse processo uma versão brasileira e atualizada do emblemático caso Dreyfus, que se tornará uma cicatriz na história jurídica do Ocidente.”

Defesa de Nogueira afirma que general atuou contra golpe

O advogado Andrew Fernandes defendeu General Paulo Sérgio
Reprodução/TV Justiça

O advogado Andrew Fernandes defendeu General Paulo Sérgio

A sustentação oral da defesa do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, foi conduzida pelo advogado Andrew Fernandes Farias.

A defesa apresentou argumentos de inocência e buscou demonstrar que Nogueira atuou para evitar qualquer ruptura democrática após a derrota eleitoral de 2022.

Farias destacou que Nogueira tentou demover Jair Bolsonaro de adotar “medidas de exceção” e pertencia a um grupo moderado dentro do governo.

Para preservar a coesão das Forças Armadas, o general convocou reunião em 14 de dezembro de 2022 com os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, e no dia seguinte visitou Bolsonaro para confirmar que não haveria apoio a ações golpistas.

Diferentemente de outros réus, a defesa utilizou trechos da delação premiada de Mauro Cid para reforçar a inocência de Nogueira.

Segundo Cid, o general era “totalmente contra” qualquer tentativa de reverter o resultado eleitoral.

Depoimentos de outros militares, como o brigadeiro Baptista Junior e o general Freire Gomes, corroboraram que Nogueira atuou para impedir medidas ilegais.

A acusação de que Nogueira teria pressionado os comandantes das Forças Armadas foi contestada. Farias afirmou que o general “ficou calado” durante a reunião de 14 de dezembro e que não há evidências de persuasão golpista.

A defesa afirmou que os ataques virtuais de bolsonaristas radicais contra Nogueira servem como prova de sua postura moderada e de não participação em organização criminosa.

Farias ressaltou ainda que Nogueira não figurava em planos de cargos para um eventual governo pós-golpe e que cumpriu seu papel institucional ao entregar ao Tribunal Superior Eleitoral relatório das Forças Armadas sobre fiscalização das urnas.

Durante a sustentação, o advogado utilizou referências culturais, como a obra Alice Através do Espelho, para ilustrar suposta interpretação arbitrária de suas palavras pela PGR, e ressaltou a importância de basear acusações em provas claras e incontestáveis.

O tom da sustentação enfatizou a defesa da “honra e reputação” de Nogueira e seu papel institucional durante o período de polarização política.

Defesa de Braga Netto contesta delação e nega envolvimento

O advogado José Luís Mendes de Oliveira defendeu Braga Netto
Reprodução/TV Justiça

O advogado José Luís Mendes de Oliveira defendeu Braga Netto

A sustentação oral da defesa do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, foi conduzida pelo advogado José Luís de Oliveira Lima.

A defesa concentrou-se em questionar a delação de Mauro Cid, alegar cerceamento de defesa e negar qualquer participação do general em atos golpistas.

Oliveira Lima classificou a delação de Cid como “viciada, mentirosa e desprovida de provas”, destacando áudios em que o delator alegou ter sido coagido pela Polícia Federal e que o acordo de colaboração premiada foi fechado sem anuência do Ministério Público Federal.

A defesa argumentou que a delação, considerada central pela PGR, contém contradições e lapsos temporais, sem corroboração por outras provas.

A defesa sustentou que não há indícios concretos de que Braga Netto tenha integrado organização criminosa ou participado de planos violentos, como o suposto “Punhal Verde e Amarelo”.

Negou qualquer relação do general com os atos de 8 de janeiro de 2023 ou com a mobilização de apoiadores em acampamentos, incluindo a interpretação de falas atribuídas ao general.

Oliveira Lima apontou cerceamento de defesa devido ao grande volume de documentos, argumentando que a análise completa do material demandaria mais tempo e contestando a negativa de acesso integral ao procedimento de delação.

A defesa ressaltou o histórico de 42 anos de serviço de Braga Netto no Exército e sua atuação como ministro da Casa Civil e da Defesa, afirmando que ele se posicionou “totalmente contra” qualquer ruptura democrática e não coordenou reuniões ou ações para articular golpe.

Sobre a prisão preventiva decretada em dezembro de 2024, a defesa alegou ilegalidade, afirmando ausência de fatos concretos que justificassem risco à ordem pública, e pediu absolvição ou, alternativamente, pena reduzida por participação de menor importância.

A sustentação combinou críticas à delação de Cid, defesa da atuação institucional do general e questionamentos sobre o direito de defesa, destacando a necessidade de provas claras e atuais para qualquer condenação.




Emenda que vinculava salários de prefeito e secretários de Campina ao de ministros é inconstitucional

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) julgou procedente, nesta quarta-feira (3), a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Emenda nº 003/2023 à Lei Orgânica do Município de Campina Grande.

Por unanimidade, o colegiado declarou a inconstitucionalidade da norma municipal que vinculava os subsídios do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), bem como a fixação dos vencimentos dos vereadores com base em percentual dos subsídios dos deputados estaduais. Também foi considerada inconstitucional a previsão de pagamento de 13º subsídio aos parlamentares sem a edição de lei específica, aprovada na legislatura anterior.

A decisão tem eficácia ex tunc (retroativa) e erga omnes (para todos), mas ficou ressalvado que não haverá necessidade de devolução de valores recebidos de boa-fé pelos agentes políticos até esta data.

A Ação nº 0816937-58.2023.8.15.0000 foi proposta pela Federação PSOL-REDE na Paraíba e pela Rede Sustentabilidade.

O relator do processo, desembargador Aluizio Bezerra Filho, destacou que a emenda afronta dispositivos da Constituição Estadual e da Constituição Federal, ao estabelecer vinculação remuneratória entre entes distintos, prática já considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamentos anteriores, como na ADI nº 7.264/TO.

Segundo o voto, ao atrelar os subsídios municipais aos reajustes de autoridades federais e estaduais, a Câmara Municipal de Campina Grande comprometeu a autonomia administrativa e financeira do Município, violando o pacto federativo. O relator também ressaltou que a instituição de vantagens pecuniárias, como o 13º dos vereadores, só pode ocorrer mediante lei específica, aprovada pela legislatura anterior, o que não ocorreu no caso.

“A norma viola frontalmente os arts. 37, XIII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de comprometer o princípio federativo e a autonomia municipal, ao estabelecer dependência remuneratória entre entes federativos diversos, o que é vedado pelo ordenamento constitucional”, pontuou o relator.

Parlamentopb




Líder do PT diz que oposição articula votação de urgência para anistia para próximos dias

 

BRASÍLIA – O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou estar preocupado com a possibilidade de que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), inclua na pauta do plenário da semana que vem o requerimento de urgência para o projeto que concede anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As declarações ocorreram em entrevista à GloboNews na tarde desta quarta-feira, 3.

“Tem gente ameaçando que eles podem votar a urgência na próxima semana. Eles vão ter que colocar 257 votos. A gente vai se mobilizar. Um assunto como esse, o governo tem que se mexer, porque é um ataque frontal ao Supremo”, declarou. “Eu acho que hoje não é certo que eles tenham os 257 votos. A gente vai conversar com cada deputado de cada partido.”

Lindbergh disse ainda que a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a contar os votos para evitar a aprovação da urgência. Além disso, segundo o petista, há a possibilidade de que os deputados misturem a anistia ao projeto que aumenta a proteção a parlamentares contra processos judiciais.

“Cresceu o tensionamento com o Supremo. Eu não sei se são investigações no Supremo para fazer essa PEC da Blindagem, que eu considerava morta, mas não considero mais. Porque o assunto voltou a ser tratado”, disse. “Acho que estão querendo misturar a PEC da Blindagem, que é impunidade, com a anistia, que também é impunidade”, acrescentou.

Na ocasião, Lindbergh disse que o avanço da anistia é “inacreditável” e uma “provocação infantil” contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, Lula vetará o projeto de anistia, se aprovado pelo Congresso Nacional. “Querem aprovar isso, o Lula vai vetar, o Supremo vai dizer que é inconstitucional, mas eles criam uma confusão. É como se o Parlamento tivesse entrado na chantagem do Eduardo Bolsonaro”, declarou.

Estadão