Barroso rebate Congresso e diz não ver motivos para mudanças no STF

Presidente da Suprema Corte disse compreender a movimentação, mas discorda da proposta; Senado tenta limitar poderes dos ministros e criar um limite de mandatooverlay-clever

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Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal
Agência Brasil

Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quarta-feira (4) que  compreende as movimentações do Congresso Nacional contra a Corte, mas discorda de possíveis mudanças no Judiciário. Para Barroso, não é hora de mexer no Judiciário e ressaltou que o STF prestar serviços de relevância à população.

A declaração do presidente da Suprema Corte é uma resposta à movimentação na Câmara e no Senado contra as decisões do STF. Deputados e senadores querem  limitar os poderes e estipular um tempo de mandato para os ministros.

“Acho que o Congresso é o local próprio para o debate público, vejo com grande naturalidade a discussão de temas de interesse nacional. Eu compreendo, e compreender não significa concordar”, disse.

“Vejo com naturalidade, mas participamos do debate também. O Supremo, uma das instituições que talvez seja uma das que mais serviu ao Brasil na preservação da democracia, não está na hora de ser mexido”, completou.

Nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa aprovou um projeto que limita decisões monocráticas dos ministros. Segundo o texto, decisões individuais não poderão ser tomadas em caso de leis e atos normativos do Congresso Nacional e da Presidência da República, além de não poder impedir a tramitação de projetos que afetem políticas públicas, como a descriminalização da maconha.

A proposta ainda estipula o prazo de seis meses para devolução de processos ao plenário em caso de pedido de vista. Entretanto, já existe uma norma na Suprema Corte que determina a volta do inquérito a julgamento em até 90 dias.

“Tivemos decisão recente liderada por Rosa Weber estabelecendo que todas as decisões em ações diretas têm que ser levadas ao Plenário”, afirmou. “Em relação aos pedidos de vista, ainda não consegui ler a proposta, mas parece que limita a seis meses. A nossa solução é mais rigorosa, porque é de 90 dias”, declarou Barroso.

O Senado ainda pretende agilizar a tramitação de um projeto que estipula o mandato de 11 anos para ministros do STF. A medida visa dar rotatividade aos membros da Corte, mas alguns ministros já se posicionaram contrariamente ao texto discutido.

Para Barroso, o tema pode ser discutido e não deve ser um tabu para o Judiciário. Porém, ele disse não ser hora de fazer mudanças na composição da Corte.

“Considerando uma instituição que vem funcionado bem, não vejo muita razão para mexer na composição e no funcionamento do Supremo”, declarou.




Ala do governo Lula vê ideia de limitar mandatos no STF com preocupação e tenta barrar proposta

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília — Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

por Luciana Amaral

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Senado adia votação da minirreforma e mudanças não valerão para Eleições 2024

BRASIL

O Senado Federal decidiu nesta terça-feira (3) adiar a votação da minirreforma eleitoral, o que impossibilita das novas regras entrarem em vigor no ano que vem. Para que o projeto valesse nas próximas eleições, a matéria teria que ser aprovada pelos senadores e sancionada pelo presidente Lula (PT) até esta sexta-feira (6).

As normas de uma eleição não podem ser alteradas antes de um ano do pleito — o primeiro turno será em 6 de outubro de 2024. A decisão pelo adiamento foi anunciada pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), apontado pelo presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), como futuro relator da proposta. Oficialmente, porém, a designação ainda não ocorreu.

“A minirreforma eleitoral não será votada pelo Senado nesta semana, o que inviabiliza sua aplicação para as eleições de 2024. O Senado preferiu se dedicar com mais profundidade ao Código Eleitoral, já sob minha relatoria, e fazer uma reforma eleitoral mais ampla e consistente”, escreveu em uma rede social.

A minirreforma tem como principais características: compartilhamento de campanhas entre partidos diferentes, proibição de candidaturas coletivas, obrigatoriedade de transporte público gratuito nas eleições, flexibilização do uso de recursos públicos pelos partidos, cotas para candidaturas de negros e mulheres, cotas para vagas de mulheres e negros no Legislativo e menos tempo de inelegibilidade para políticos condenados.




João Azevêdo anuncia novas obras e investimentos em comemoração ao aniversário de 159 anos de Campina Grande

 

João Azevêdo anuncia novas obras e investimentos em comemoração ao aniversário de 159 anos de Campina Grande

O governador João Azevêdo cumpre agenda, na próxima sexta-feira (6), em Campina Grande, ocasião em que participa da entrega da reforma do aeroporto João Suassuna, ao lado do ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, e autoriza novos investimentos e obras em alusão ao aniversário de 159 anos da Rainha da Borborema.

Dentre as obras que terão ordens de licitação assinadas pelo chefe do Executivo estadual, em evento que acontecerá as 15h00, no Centro de Formação de Educadores, estão a estrada que ligará os distritos de Ligeiro a Galante e a reforma do estádio Amigão.

Na área da Educação, o governador João Azevêdo irá autorizar as obras de construção da nova Escola Cidadã Integral José Jofilly, no local onde funcionava o antigo CAIC, e da reforma da Escola Cidadã Integral Severino Cabral. O gestor também irá anunciar a reforma e ampliação das escolas José Miguel Leão, no distrito de São José da Mata, Ademar Veloso da Silveira (Estadual de Bodocongó) e Monte Carmelo.

Na área de saúde, ele autoriza as ordens de licitação do novo prédio do Hospital de Clínicas; a ampliação da área vermelha, do centro cirúrgico, a construção da unidade funcional de UTI/queimados e unidade funcional coronariana, além da aquisição de equipamento de ressonância magnética para o Hospital de Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes.

Na ocasião, o chefe do Executivo estadual também fará o lançamento da política pública da causa animal na Paraíba com a implantação da Delegacia do Meio Ambiente de Campina Grande, que vai priorizar o combate aos maus-tratos e aos crimes contra os animais. Ele ainda fará o anúncio da implantação de mais uma Delegacia da Mulher em Campina Grande.

Ainda na Rainha da Borborema, João Azevêdo fará a entrega de 204 escrituras de moradias dos conjuntos habitacionais das Três Irmãs e Catingueira e irá acompanhar a assinatura de 103 novos contratos do programa Empreender Paraíba para empreendedores do município.




CNT: 40% dos eleitores consideram governo Lula ‘ótimo ou bom’

Avaliação pessoal do presidente é aprovada por 54,9% dos brasileiros

Por Ig

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Presidente Lula durante reunião com Li Xi, membro do Comitê Permanente do Politburo e Secretário da Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Comitê do Partido Comunista da China, no Palácio do Planalto
Fábio Pozzebom /Agência Brasil – 22/09/2023

Presidente Lula durante reunião com Li Xi, membro do Comitê Permanente do Politburo e Secretário da Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Comitê do Partido Comunista da China, no Palácio do Planalto

Quatro em cada dez (40,6%) eleitores consideram o  governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “ótimo ou bom”, segundo a nova Pesquisa CNT de Opinião, realizada entre 27 de setembro e 1º de outubro. Outros 30,1% consideram o governo “regular”, enquanto 27,2% dizem ser “ruim ou péssimo”. “Não sabe ou não respondeu” são 2,1%.

A pesquisa foi realizada em todo o país e entrevistou, presencialmente, 2.002 pessoas.

Quanto à avaliação pessoal do presidente da República, 54,9% aprovam seu desempenho, enquanto 39% desaprovam e 6,1% não sabe ou não respondeu.

A pesquisa também pediu para os eleitores avaliaram o atual governo em comparação com o anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) . Para 46,4% dos entrevistados, a vida “está melhor” com Lula, enquanto para 21,7% permanece igual. Outros 29,1% dizem que piorou.

Viagens

Um ponto abordado pelos entrevistadores foi o número de viagens realizadas pelo petista neste primeiro ano de mandato. O presidente já esteve em 19 países nos primeiros oito meses do seu governo.

A maioria dos eleitores (44,7%) acredita que ele deveria ficar mais no Brasil, mas uma parcela considerável (39%) pensa que ele tem viajado na quantidade “adequada aos interesses do Brasil”. Outra parcela, de 8,8%, diz que ele tem viajado pouco e deveria promover mais o Brasil.

Drogas

Em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), a descriminalização das drogas ainda é um tema espinhoso no Brasil. Para a maioria esmagadora da população (83%), o porte de drogas em pequenas quantidades não deveria ser liberado.  Apenas 15% dos entrevistados dizem que apoiam a liberação.

Um pedido de vista do ministro André Mendonça suspendeu o julgamento do recurso em que se discute a descriminalização do porte de drogas para consumo próprio. Até o momento, há cinco votos pela inconstitucionalidade da criminalização do porte de maconha para consumo próprio.

Reforma tributária

Sobre a reforma tributária elaborada pelo Ministério da Fazenda em conjunto com o Congresso Nacional, 34,1% dos eleitores acreditam que o preço dos produtos vai aumentar após a aprovação. Outros 31,8% dizem que irá se manter, enquanto 21,9% pensa que irá diminuir. Outros 12,2% não souberam avaliar.

Atualmente o texto está nas mãos do relator no Senado, Eduardo Braga, responsável por definir as alíquotas que incidirão sobre cada bem e serviço.




MPPB apura ‘esquema’ de desvio de dinheiro público repassado ao Hospital Padre Zé

A investigação, em fase inicial, começou com a abertura de uma Notícia de Fato, após denúncia anônima, e fala de pagamentos de vantagens a secretários do governo do estado para aprovação de convênios.

O Ministério Público da Paraíba começou a apurar um suposto ‘esquema’ desvio de recursos públicos que foram repassados ao Hospital Padre Zé (Instituto São José), nos últimos anos. Entre os principais alvos do procedimento está o Padre Egídio, ex-diretor, que, recentemente, foi afastado das funções na Igreja pela Arquidiocese da Paraíba.

A unidade filantrópica presta um serviço importantíssimo aos mais pobres, em especial os idosos, mas pode ter sido usada como duto para desvio de milhões que são repassados, por meio de emendas parlamentares federais, estaduais e municipais, recursos de assistência social do estado (como do Fundo de Combate à Pobreza- Funcep), prefeituras e de doações privadas.

A investigação está na fase inicial e começou com a abertura de uma Notícia de Fato, após um denúncia anônima, que relatou, em detalhes, com nomes, números exatos, documentos e valores de possíveis irregularidades. Um suposto esquema sem precedentes, em instituições filantrópicas de João Pessoa.

Os anexos e o grau de detalhamento da denúncia demonstram que a pessoa tinha acesso livre à parte financeira do hospital.

Entre as irregularidades estão a compra de equipamentos eletrônicos, veículos de luxo e alimentos que não chegaram ou não foram usados em benefício da unidade hospitalar; pagamento despesas pessoais de diretores, como seguro de carros, viagens, impostos, regalias; e, ainda, compra de 16 imóveis, alguns de luxo, em João Pessoa, em nome de ‘laranjas’, e pagamentos de propina, após serviços feitos com dinheiro de doação (confira lista aqui).

No caso dos imóveis, suspostamente comprado com dinheiro desviado, o denunciante específica nomes dos edifícios, algumas vezes, número do apartamento.

Secretários

A denúncia anônima que motivou a investigação do MP também fala de pagamentos de vantagens a secretários do governo do estado para aprovação de convênios.

São mencionados Tibério Limeira, ex-secretário de Desenvolvimento Humano (atual secretário de Administração), e a atual secretária da pasta Pollyana Dutra.

No caso de Pollyana, a denúncia é de que ela teria exigido a contratação da mãe na instituição, com salário de R$ 5.200 para manter a aprovação de recursos.

Ao Conversa Política, Tibério afirmou que não iria se pronunciar sobre a menção ao nome dele. Mas lembrou que é uma denúncia de alguém que se esconde no anonimato e lamenta que ele tenha sido citado, sem provas.

Por meio da assessoria, a secretária Pollyana Dutra negou “veementemente” todas as acusações e informou que a secretária se pronunciará no decorrer das investigações, colocando-se à inteira disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

Os dois estão sendo cotados, entre os militantes do PSB, para disputar a prefeitura de João Pessoa pela legenda socialista, caso a aliança com o prefeito Cícero Lucena não seja mantida.

Não conseguimos falar com a defesa do Padre Egídio para se pronunciar sobre as acusações na Notícia de Fato.

O episódio dos celulares 

O trabalho do MP acontece em meio a outra investigação envolvendo a instituição relativa ao furto de equipamentos eletroeletrônicos. Os equipamentos eram oriundos de apreensões e tinham sido doados pela Receita Federal.

A ideia era que eles fossem vendidos durante um bazar solidário e a renda usada para a compra de uma ambulância UTI e de um carro para ser usado na distribuição de alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade social, mas isso não aconteceu.A denúncia foi feita em agosto, imediatamente um inquérito policial foi aberto e a expectativa é que muito em breve ele seja concluído. A suspeita da Polícia Civil é que os equipamentos tenham sido furtados e vendidos em benefício dos responsáveis pelo roubo.Um ex-funcionário do hospital, identificado como Samuel Rodrigues Cunha Segundo, chegou a ser preso. O suspeito seria coordenador do setor de tecnologia da informação da instituição e foi desligado após a prisão.O padre Egídio de Carvalho Neto renunciou ao cargo de diretor do Hospital Padre Zé no dia 18 de setembro deste ano, em meio a investigações da Polícia Civil da Paraíba sobre o furto de 100 aparelhos de telefone celular que teriam sido subtraídos do hospital.

No último dia  27 de setembro, a Arquidiocese da Paraíba afastou o padre Egídio de Carvalho Neto de qualquer ofício ou encargo eclesiástico enquanto durar as investigações para “evitar escândalos, defender a liberdade das testemunhas e garantir o curso da justiça”, como preceitua o Código Canônico.

>> CONFIRA AQUI A DENÚNCIA CONTRA O HOSPITAL PADRE ZÉ




Barroso defende regulação das redes sociais e promete diálogo com o Congresso

Ministro Luís Roberto Barroso, do STF. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

por Weslley Galzo

BRASÍLIA – O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu na sexta-feira, 29, a regulação das plataformas digitais, mas contemporizou dizendo que o tema está em discussão no Congresso, por meio do projeto de lei (PL) das fake news, portanto fora das suas competências.

“A questão do PL é evidentemente uma questão que está em tramitação no Congresso Nacional e, portanto, fora da minha atribuição. Embora eu seja um defensor da regulação moderada, parcimoniosa, mas com uma estrutura mínima estabelecida em lei”, disse a jornalistas no Salão Branco do STF. “Há um meio termo muito razoável em relação em que todos nós possamos estar de acordo e que possa se materializar no PL”, completou.

Barroso se disse favorável ao chamado compartilhamento de receitas. Esse modelo prevê que as redes sociais remunerem produtores de conteúdo, com destaque o jornalismo profissional. “As plataformas digitais circulam informação, mas não produzem conteúdo, de modo que eu acho que é simplesmente uma questão de justiça chegar a uma harmonia”, disse.

“Acho que isso deveria se transformar em senso comum, pois não importa se alguém liberal, progressista ou conservador, nós todos estamos de acordo que não pode ter pedofilia na rede. Nós todos estamos de acordo que não pode ter venda de armas na rede, que não pode ter venda de drogas, ou que não possa ter discurso de ódio pregando ataque a pessoas por suas posições”, prosseguiu.

O presidente do STF ainda defendeu a adoção de políticas de educação midiática, que sejam capazes de instruir a população a distinguir entre informação falsas e verdadeiras em circulação nas redes. Segundo Barroso, os fenômenos observados no ambiente digital nos últimos anos demonstram os algorítimos das big tech promoveram uma “espécie de tribalização da vida”. “De modo que você cria mundos apartados que não dialogam entre si. Acho que esse é um problema que nós temos enfrentar”, afirmou.

Nessa área, Barroso pretende adotar um projeto de comunicação institucional que explique de forma mais assertiva as decisões da Corte.

Crise com o Congresso

O tema defendido pelo ministro é mais um dentre a extensa lista de questões que causam divisão entre o STF e o Congresso. Na última quarta-feira, 27, parlamentares defenderam que a Corte não deveria se envolver na discussão sobre os parâmetros de controle das chamadas big techs.

Barroso minimizou a crise entre o STF e o Congresso por conta das reações das bancaras ruralistas e evangélicas que ameaçaram obstruir votações e reapresentaram uma proposta de emenda que autoriza o Legislativo a anular decisão do Supremo que não forem unânimes.

“Eu de forma honesta sincera não vejo crise. O que eu vejo, como em toda democracia, é a necessidade de relações de diálogo e boa fé”, disse Barroso. “Eu pretendo dialogar com o Congresso de forma institucional e respeitosa, como deve ser”, prosseguiu.

O presidente do STF afirmou que, “numa democracia, o intérprete final da constituição é o STF”. Barroso, porém, fez um aceno aos parlamentares ao dizer que “não se tratando de cláusula pétrea, o Congresso é que tem a última palavra”. De acordo com o ministro, se deputados e senadores aprovarem uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) vale a decisão deles. Mas relembrou que cabe ao Supremo dizer se a mudança constitucional não fere princípios, o que, na prática, ainda garante aos ministros a decisão final.

“Formalmente o Supremo dá a última palavra, mas o tribunal não é o dono da Constituição. Portanto, ele interpreta a Constituição em interlocução com a sociedade e os outros Poderes e dentro do sentidos possíveis que a Constituição oferece, de modo que não é um competência arbitrária de dar a última palavra”, disse. “Formalmente é a última palavra, mas realmente não é, porque é possível reverter”, completou.

Barroso assumiu o comando do STF em um dos momentos de maior conflagração entre o Poder Judiciário e o Legislativo. Se os seus antecessores Rosa Weber e Luiz Fux tiveram de lidar com os arroubos autoritários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o constante clima de animosidade na Praça dos Três Poderes, Barroso não deve ter grandes atritos com Lula, mas será testado diuturnamente pelas forças do Centrão.

Um dia antes da posse de Barroso, data da despedida da ministra Rosa Weber na presidência da Corte, deputados e senadores de 17 Frente Parlamentares e dois partidos apresentaram um manifesto no Salão Verde da Câmara contra a usurpação de poderes do Congresso e a guinada do País rumo à “ditadura do STF” por votar temas como o marco temporal de terras indígenas.

Na cerimônia de posse da última quinta-feira, 20, o novo presidente disse discordar das acusações de que a Corte tem adentrado na política. “Incluir uma matéria na Constituição é, em larga medida, retirá-la da política e trazê-la para o direito. Essa é a causa da judicialização ampla da vida no Brasil. Não se trata de ativismo, mas de desenho institucional. Nenhum Tribunal do mundo decide tantas questões divisivas da sociedade. Contrariar interesses e visões de mundo é parte inerente ao nosso papel”, afirmou.

PEC da Harmonia entre os Poderes

O presidente do STF ainda comentou a PEC que discute a limitação das competências dos ministros. O texto em discussão no Congresso prevê, por exemplo, a possibilidade de os parlamentares cassarem decisões do tribunal. Segundo o ministro, a tramitação do texto não incomoda a Corte. “Numa democracia, a política é gênero de primeira necessidade. O Congresso pode debater todas as questões que lhe parece próprio fazer”, afirmou.

Barroso, contudo, mandou um recado ao Congresso. O presidente do STF citou que a previsão de cassação de decisões da Corte já existiu na Constituição brasileira durante a ditadura do Estado Novo comandada por Getúlio Vargas.

Mulher no STF

Barroso afirmou publicamente na conversa com a imprensa uma posição que já era sabida em conversas reservadas com interlocutores. Ele defendeu a indicação de uma mulher à vaga da ministra Rosa Weber, mas fez afagos aos nomes que despontam como favoritos na disputa. O novo chefe do Poder Judiciário também disse que, apesar da preferência, a escolha do próximo magistrado a compor a Corte é uma escolha exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Os nomes em maior evidência, do ministro Flávio Dino, do ministro Jorge Messias e do ministro Bruno Dantas, eu pessoalmente acho que são excelentes nomes do ponto de vista de qualificação técnica e idoneidade, mas todo mundo que ouviu o meu discurso ontem viu que eu defendo a feminilização dos tribunais”, disse.

Nova equipe

Barroso aproveitou o encontro para a apresentar a sua equipe de subordinados diretos nas gestões do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A maioria dos novos assessores são mulheres. A ex-secretária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Aline Osorio e a juíza federal Adriana Cruz assumirão, respectivamente, a Secretaria-Geral do STF e do CNJ. A chefe de gabinete do novo presidente será a jurista Leila Mascarenhas. A diretoria-geral da Corte ficará a cargo de Eduardo Toledo, que já exerceu o mesmo cargo nas gestões dos ministros Cármen Lúcia (2016-2018) e Dias Toffoli (2018-2020). Já o secretário de Estratégia e Projetos do CNJ será Frederico Rego.

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Brasil assume hoje presidência do Conselho de Segurança da ONU

Lula vem pedindo por reforma do órgão

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Presidente Lula vem discursando a favor de uma reforma no Conselho de Segurança
Fábio Pozzebom /Agência Brasil – 22/09/2023

Presidente Lula vem discursando a favor de uma reforma no Conselho de Segurança

O Brasil assume neste domingo (1º) a presidência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O país foi eleito como membro não permanente do órgão por dois anos, em mandato que termina no fim de 2023.

A presidência é rotativa e tem duração de um mês. Embora tenha caráter protocolar, ela permite que o país líder proponha debates sobre temas que considera prioritários.

Segundo o Itamaraty, o principal tema a ser apresentado pela delegação brasileira é a importância das instituições bilaterais, regionais e multilaterais para prevenir, resolver e mediar conflitos. Além disso, o tema da igualdade de gênero deve ser posto em debate durante a presidência brasileira.

Reforma no Conselho de Segurança da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem afirmando há meses que o Conselho de Segurança da ONU precisa passar por uma reforma. Em agosto, o  presidente chegou a afirmar que o órgão faz guerra, e não paz.

Durante a Assembleia Geral da ONU, que ocorreu neste mês em Nova York, o secretário-geral da ONU, António Guterres, ecoou o discurso de Lula e afirmou que as instituições globais precisam ser reformadas.

“Chegou a hora de renovar as instituições multilaterais, baseando-se nas realidades econômicas e políticas do século 21 e ancorados nos princípios da Carta da ONU e do direito internacional”, afirmou o secretário-geral diante de líderes do mundo todo.

Além de Lula, outros países em desenvolvimento têm criticado o Conselho de Segurança da ONU, sobretudo por conta da sua incapacidade de resolver a guerra na Ucrânia.

Embora a reforma do Conselho de Segurança da ONU não seja um tema que será resolvido rapidamente, a presidência brasileira no órgão pode servir para o país se apresentar como candidato a uma possível vaga permanente na instituição.

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU é formado por cinco membros permanentes e com direito a veto e dez membros rotativos, eleitos para mandatos que duram dois anos. Os cinco países permanentes são Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. Na visão de Lula, mais países latino-americanos e africanos deveriam estar presentes no colegiado.

Com uma possível reforma, o órgão pode passar a incluir mais membros permanentes e rotativos. Com exceção do Japão, o Brasil é o país com maior número de mandatos rotativos no conselho.




Lula recebe alta antecipada após cirurgias no quadril e nas pálpebras

Presidente trabalhará da residência oficial do Palácio da Alvorada por cerca de três semanas, até se recuperar dos procedimentos

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil – 14/09/2023

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu alta hospitalar neste domingo (1º)  após passar por uma cirurgia no quadril e outra nas pálpepras na última sexta-feira (29). A equipe médica antecipou a alta do chefe do Executivo, que anteriormente estava prevista para terça-feira (3).

Em uma postagem no X (antigo Twitter), Lula agradeceu as orações de apoio e disse estar pronto para “correr uma maratona.”

“Recebi alta e já estou no Palácio da Alvorada, de onde irei trabalhar nas próximas semanas. Obrigado pelas orações e todas as mensagens de carinho. Estou me recuperando para trabalhar ainda mais pelo Brasil e correr uma maratona”, escreveu Lula.

O procedimento feito por Lula no quadril foi uma artrosplasia, em que é colocado uma prótese na articulação desgastada. A cirurgia visa proporcionar a recuperação do movimento da articulação, além de dar conforto para realização de atividades diárias.

Já a cirurgia nas pálpebras visa remoção a pele flácida das pálpebras ou retirar o excesso de bolsas de gordura ao redor dos olhos

O presidente da República trabalhará da residência oficial do Palácio da Alvorada, enquanto se recupera. Ele ainda passará por sessões de fisioterapia.

Uma estrutura foi construída junto à entrada do palácio no intuito de  permitir que a imprensa acompanhe o cotidiano do presidente enquanto ele estiver em reclusão em sua residência.




Eleições de 2024; João Azevêdo se reúne com Federação PT, PCdoB e PV para planejar alinhamento

Dirigentes do PT, PCdoB e PV se reuniram nessa quinta-feira (28) com o governador João Azevêdo e lideranças do PSB para discutirem o cenário político para 2024 e a possibilidade de da frente caminhar junto com o projeto eleitoral do governador. Hoje pela manhã, João disse que iria conversar com a direção estadual do PT para tentar atrair o partido ao projeto de reeleição de Cícero Lucena (PP).

Além de João Azevêdo, estiveram na reunião Nonato Bandeira, Ronaldo Guerra, Tibério Limeira e Deusdete Queiroga. (Foto: Reprodução)

 

A Direção da Federação Brasil da Esperança, formada pelos partidos PT, PCdoB e PV na Paraíba se reuniu com o governador João Azevêdo (PSB) e a cúpula do PSB para debater o alinhamento de posicionamentos para as próximas eleições municipais.

O presidente estadual do PT, Jackson Macêdo, fez uma publicação nas redes sociais sobre o encontro que classificou como positivo. “Hoje a Direção da Federação Brasil da Esperança na Paraíba teve uma boa conversa de conjuntura política com o governador João Azevêdo e companheiros do PSB. Temos muita disposição de uma construção unitária para os projetos políticos e eleitorais que se aproximam. Nossa unidade será fundamental na luta contra a direita conservadora em João Pessoa e também em todo o Estado”, destacou o petista.

Além de João Azevêdo, estiveram presentes na reunião os secretários Nonato Bandeira, Ronaldo Guerra, Tibério Limeira, Deusdete Queiroga e Sargento Denis que também festejou o encontro. “Estamos e estaremos juntos e juntas!”, escreveu em seu Instagram.