Atos pró-democracia marcam um ano de ações golpistas de 8 de janeiro
Uma série de atos marcará, nesta segunda-feira (8), um ano da invasão e depredação do Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF) por vândalos e golpistas inconformados com a vitória do então presidente empossado, Luiz Inácio Lula da Silva.
O evento mais significativo ocorrerá no Congresso Nacional, em Brasília, às 15h, e reunirá Lula, os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, além de governadores, ministros, parlamentares e representantes da sociedade civil e do Poder Judiciário.
Proposto pelo próprio presidente da República, o evento, batizado de “Democracia Inabalada”, busca reafirmar a importância do regime democrático. “É um momento de festa para celebrar a democracia revigorada após os atos inaceitáveis do dia 8 de janeiro de 2023”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública em exercício, Ricardo Cappelli, no último dia 26.
O Congresso Nacional espera reunir cerca de 500 convidados para a solenidade, que será marcada pela reintegração simbólica ao patrimônio público de uma tapeçaria de Burle Marx e de uma réplica da Constituição Federal de 1988. A obra de Burle Marx (sem título) foi criada em 1973 e vandalizada durante a invasão do Congresso Nacional em 8 de janeiro. Após minucioso trabalho de restauração, a tapeçaria voltou ao patrimônio do Senado. Já a réplica da Constituição foi recuperada, sem qualquer dano, após ter sido furtada da sede do Supremo, também no dia 8 de janeiro.
Ruas
Entidades, movimentos sociais e partidos políticos também promoverão atos em diversas cidades do país. Centrais sindicais como Central Única dos Trabalhadores (CUT) convocaram as entidades filiadas a realizarem atos e atividades em todo o país a fim de “marcar um ano da tentativa de golpe imposta por aliados do ex-presidente [Jair Bolsonaro], derrotado nas urnas em 2022”.
Em Brasília, as primeiras manifestações ocorreram nesse domingo (7). Partidos de esquerda e organizações sociais, incluindo a CUT-DF, aproveitaram que a rodovia DF-002 (Eixão) é fechada para o trânsito de veículos e liberada para pedestres e ciclistas e promoveram o chamado Ato em Defesa da Democracia, na altura do 208 Norte. A proposta de antecipar o evento era, além de aproveitar a concentração de frequentadores do chamado Eixão do Lazer, não concorrer com o ato oficial, no Congresso.
De acordo com os movimentos Brasil Popular e Povo sem Medo, para esta segunda estão programados atos nas seguintes capitais, entre outras cidades:
Aracaju (SE) – 8h no calçadão da Rua João Pessoa, próximo ao Museu Palácio Olímpio Campos
Belo Horizonte (MG) – 16h, na Casa do Jornalista, na Avenida Álvares Cabral, nº 400, Centro.
Campo Grande (MS) – 17h, no sindicato Sintell, à Rua José Antônio nº 1682
Goiânia (GO) – 9h, Cepal do Setor Sul (Rua 15 com Rua Fued José Sebba)
João Pessoa (PB) – 15h, na Lagoa do Parque Solon de Lucena
Porto Alegre (RS) – 17h, no Sindicato dos Bancários, na Rua General Câmara nº 424
Recife (PE) – 10h, no Monumento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora, bairro da Boa Vista
Rio de Janeiro (RJ) – 17h, na Cinelândia
Salvador (BA) – 9h, no Centro Administrativo, da Assembleia Legislativa (ALBA)
São Paulo (SP) – 17h, na Avenida Paulista, em frente ao Masp
Vitória (ES) – 16h30, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Américo Buaiz nº 205)
* Com informações da Agência Senado e do Portal CUT
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Agência Brasil
João Azevêdo participa de ato do 8 de janeiro em Brasília nesta segunda-feira,8
O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), participará, nesta segunda-feira (8), em Brasília, ao lado do presidente da República, Lula (PT), do ato que marca o primeiro ano dos ataques registrados contra a democracia em 2023.
O evento contará com a presença de cerca de 500 convidados, incluindo ministros do governo, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares, governadores e outras autoridades.
Há um ano, extremistas contrários ao governo Lula, então recém-empossado, depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ataques de 8 de Janeiro tiveram reflexo na agenda legislativa em 2023
Uma matéria da Agência Senado sobre os ataques ás sedes dos Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, aponta os reflexos provocados pelos acontecimentos na agenda legislativa durante o ano. A recuperação e as consequências dos ataques antidemocráticos fizeram parte da pauta do Legislativo e motivaram a apresentação de projetos, a criação de uma comissão permanente e também de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Um ano depós os ataques, para marcar sua posição em defesa do Estado democrático, representantes dos Três Poderes vão participar, amanhã, de um ato em defesa da democracia. Marcado para as 15h no Salão Negro do Senado, o ato tem a intenção de relembrar o ocorrido para evitar novos episódios semelhantes e mostrar a resposta da democracia. No 8 de Janeiro de 2023, manifestantes invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal para defender um golpe de Estado e protestar contra a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia tomado posse uma semana antes. Os danos resultantes à invasão incluíram vidros quebrados, obras de arte estragadas, imóveis danificados e até incêndios.
No mesmo dia, senadores que estavam no recesso parlamentar se manifestaram para repudiar os atos de violência e de vandalismo, entendidos como ataques à democracia do Brasil, Líderes partidários pediram a volta dos trabalhos legislativos como um gesto para a população no sentido de que as instituições permaneciam funcionando e que os Três Poderes estavam unidos para defender o regime democrático. “Foi um susto para o mundo inteiro. Foi pior do que o Capitólio (sede do Legislativo nos Estados Unidos), pois o ataque aqui foi contra os Três Poderes”, relembrou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, PT-BA.
Nos dias seguintes aos atos, os servidores de diferentes setores do Senado começaram o trabalho de levantar os danos e recuperar o que foi danificado. Relatórios da Secretaria de Infraestrutura da Casa aponta que o custo de recuperação das instalações foi de R$ 829.412,28. Esse valor inclui material e mão de obra em serviços como retirada de entulhos e reposição de vidros e outras estruturas danificadas. Entre os principais estragos deixados pelos manifestantes está o carpete azul, que é a marca do Senado e que teve que ser totalmente substituído.
No âmbito do Congresso, uma comissão parlamentar mista de inquérito, instalada em maio, trabalhou durante cinco meses para investigar os fatos que culminaram na invasão das sedes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Durante esse tempo, a CPMI do 8 de Janeiro fez 22 reuniões, 19 delas dedicadas a ouvir testemunhas. No período, foram apresentados 2.098 requerimentos. A comissão ouviu 21 depoentes, recebeu e analisou milhares de arquivos de texto, vídeo e áudio. O relatório final, da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) foi aprovado em 18 de outubro. No texto, de 1.333 páginas, a senadora diz que os ataques antidemocráticos foram iniciados muito antes da data de concretização. Ela também explicou o funcionamento do “gabinete do ódio” e a instrumentalização das forças de segurança e dedicou vários capítulos aos ataques contra o sistema eleitoral. Na visão da relatora, o 8 de Janeiro ainda não acabou. “As milícias digitais continuam ativas e operantes”, explicou.
Governador anuncia programa que amplia rede de oncologia da Paraíba com mais hospitais
O governador João Azevêdo anunciou a ampliação da rede oncológica de tratamento na Paraíba. Serão preparados mais hospitais para a realização de diagnósticos, cirurgias, quimioterapia e radioterapia. O anúncio foi feito em cerimônia no Teatro Paulo Pontes, em João Pessoa. O programa se chamará Saúde Plena e tem investimentos de R$ 40 milhões (confira a imagem ao final da matéria). Os detalhes serão apresentados em solenidade no próximo dia 10 de janeiro.
As ações incluem, além de outros hospitais, o Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, o Hospital da FAP, em Campina Grande, e o Hospital do Bem, em Patos. “O Hospital do Bem faz quimioterapia, mas não faz radioterapia. Vai fazer agora porque nós compramos o acelerador linear”, declarou o governador, como acompanhou o ParlamentoPB.
Mais hospitais para diagnóstico, cirurgias e quimioterapia
Segundo João Azevêdo, “o grande problema é que essa rede tem problemas de diagnóstico. Então nós vamos ter 12 hospitais do Estado que estarão preparados para fazer o diagnóstico. Mas se faz o diagnóstico, muitas vezes, precisam de cirurgia. Aí nós vamos ter 10 hospitais do Estado para estarem devidamente preparados para fazer as cirurgias. E vamos colocar quimioterapia em 11 hospitais.”
O gestor fala em enfrentamento. “Nós estamos criando uma rede estadual, investindo esses R$ 40 milhões que estão aí previstos, para, da mesma forma que nós enfrentamos a questão das cirurgias eletivas, enfrentar a questão da oncologia.”
Sobrecarga do Hospital Napoleão Laureano e do Hospital da FAP
O governador destaca que “não dá para deixar e esperar que somente o Hospital Napoleão Laureano e o Hospital da FAP tentem atender todo mundo porque não atende. Tem muita gente morrendo de câncer por falta de atendimento. Nós vamos enfrentar, como enfrentamos com o Coração Paraibano e com o Opera Paraíba, uma questão que é muito séria.
Secom
Lenda do futebol mundial, Zagallo morre aos 92 anos
Lenda do futebol mundial, Zagallo morre aos 92 anos
Informação foi confirmada neste sábado (6) em seu perfil nas redes sociais
João Ricardo MoreiraDouglas Portoda CNN
São Paulo
06/01/2024 às 00:27 | Atualizado 06/01/2024 às 09:10
O ex-jogador e ex-técnico Mario Jorge Lobo Zagallo morreu aos 92 anos. A informação foi publicada no começo da madrugada deste sábado (6) pelo perfil oficial da lenda do futebol mundial.
“Um pai devotado, avô amoroso, sogro carinhoso, amigo fiel, profissional vitorioso e um grande ser humano. Ídolo gigante. Um patriota que nos deixa um legado de grandes conquistas”, diz a nota.
“Agradecemos a Deus pelo tempo que pudemos conviver com você e pedimos ao Pai que encontremos conforto nas boas lembranças e no grande exemplo que você nos deixa”, prossegue.
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Veja, a seguir, momentos históricos de sua carreira.
Início no futebol
Zagallo nasceu na cidade de Atalaia, no estado de Alagoas, em 9 de agosto de 1931. Ainda jovem, se mudou para o Rio e iniciou sua carreira como jogador nas categorias de base do América Futebol Clube.
Em 1950, participou de sua primeira Copa do Mundo, mas ainda não como atleta. Na época, aos 19 anos, fazia parte da Polícia do Exército.
Sabendo de sua ligação com o futebol, o chefe do esquema de segurança da competição o designou para trabalhar nas arquibancadas do estádio do Maracanã durante a final, onde assistiu o Brasil ser derrotado pelo Uruguai.
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Mário Jorge Lobo Zagallo, ex-futebolista e treinador brasileiro
Crédito: Lucas Figueiredo/CBF
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Zagallo durante a Copa do Mundo de 1958, na Suécia
Crédito: ANTONIO LÚCIO/ESTADÃO CONTEÚDO
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Da esquerda para a direita: Djalma Santos, Zagallo, Pelé, Zito e o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, seguram a taça Jules Rimet, na Copa do Mundo de 1958, na Suécia
Crédito: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/
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Zagallo chora durante a comemoração pela conquista da segunda Copa do Mundo da Seleção Brasileira, após vitória do Brasil sobre o Chile por 4 a 2, no estádio Nacional do Chile, em Santiago, em 1962
Crédito: REGINALDO MANENTE
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Os jogadores Nilton Santos (e), Garrincha (c) e Zagallo, conversam durante treino da equipe do Botafogo, no estádio General Severiano, no Rio, em 1966
Crédito: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/
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O técnico Mario Jorge Lobo Zagallo segura bola durante treino da Seleção Brasileira na Copa de 1970, no México
Crédito: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO
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O então técnico da Seleção Brasileira, Zagallo, à esquerda, e o preparador físico, Carlos Alberto Parreira, se abraçam após a conquista do tricampeonato no estádio Azteca, na Copa do Mundo de 1970, no México
Crédito: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO
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Zagallo, técnico da Seleção Brasileira em 1973
Crédito: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/
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O técnico Zagallo dirigindo a Seleção Brasileira no jogo em que o Brasil ganhou da Argentina por 2 a 1 na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha
Crédito: ARQUIVO
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O atacante Ronaldo Fenômeno e o auxiliar técnico Zagallo observam o técnico Carlos Alberto Parreira durante treino da Seleção Brasileira, em São Paulo, em 1994.
Crédito: WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/
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O técnico Zagallo durante treino da Seleção Brasileira na véspera do início da Copa do Mundo de 1998, na França
Crédito: CÉLIO JR/ESTADÃO CONTEÚDO
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O técnico Zagallo consola o atacante Ronaldo após derrota na final da Copa do Mundo de 1998, para a França, anfitriã do torneio
Crédito: CELIO JR/ESTADÃO CONTEÚDO
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O técnico Zagallo chora a derrota para a França na Copa do Mundo de 1998
Crédito: PAULO PINTO
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O então treinador da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, e o coordenador técnico, Zagallo, durante apresentação da nova comissão técnica, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2003
Crédito: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO/
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O coordenador-técnico da seleção brasileira, Zagallo, durante o Revezamento da Tocha Olímpica de Atenas 2004 pelas ruas do Rio de Janeiro
Crédito: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO/
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Zagallo antes do início da cerimônia do sorteio oficial da Copa do Mundo de 2014, na Costa do Sauipe, litoral norte da Bahia
Crédito: Marcello Zambrana/ESTADÃO CONTEÚDO
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Museu da Seleção Brasileira inaugura estátua de cera em homenagem a Mário Jorge Lobo Zagallo na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro
Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
O jogador da Seleção Brasileira
O jogador Zagallo chora durante a comemoração pela conquista do bicampeonato mundial de futebol, após vitória da seleção do Brasil sobre o Chile por 4 a 2, no estádio Nacional do Chile, em Santiago, em 1962 / REGINALDO MANENTE/ESTADÃO CONTEÚDO
Oito anos mais tarde, a história foi diferente. Já sendo um dos destaques do Flamengo, esteve relacionado na convocação para a Seleção Brasileira na campanha vitoriosa da Taça Oswaldo da Cruz. Com o êxito, seguiu com o grupo para o Mundial daquele ano, que foi disputado na Suécia.
Em solo europeu, participou dos seis jogos da competição. Acabou sendo responsável por um dos gols na final vencida pelos brasileiros por 5 a 2, contra os donos da casa. Ali, conquistava sua primeira Copa. Na edição seguinte, em 1962, no Chile, ganhou o bicampeonato mundial.
Ainda com a amarelinha, foi vencedor da Taça do Atlântico (1960), da Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961 e 1962), da Taça Bernardo O’Higgins (1959 e 1961) e da Copa Roca (1960 e 1963). Em 1964 resolveu se aposentar da Canarinho como atleta.
O treinador
O técnico Zagallo segura bola durante treino da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo de 1970, no México / Crédito: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/
Mesmo depois de pendurar as chuteiras, o Velho Lobo resolveu continuar no futebol. Em 1966, assumiu o comando do Botafogo. Na equipe, foi campeão da Campeonato Carioca em 1967 e 1968, da Taça Rio nos mesmos anos, e do Campeonato Brasileiro de 1968, à época chamado de Taça Brasil.
Antes da Copa do Mundo de 1970, disputada no México, foi chamado para ser técnico da Seleção, substituindo João Saldanha. O time era recheado de craques, como Pelé, Rivelino, Gérson, Jairzinho, Clodoaldo e Tostão.
A campanha brasileira foi espetacular: seis vitórias em seis jogos, 19 gols marcados e apenas sete sofridos, coroando uma grande campanha para o tricampeonato. Zagallo passou a ser a primeira pessoa na história a conquistar um mundial como treinador e jogador.
Em 1974, não teve o mesmo êxito, mesmo mantendo algumas peças do tri. Acabou na quarta colocação na Copa do Mundo da Alemanha.
Nos anos 1970 ainda teve passagens vitoriosas como treinador do Flamengo, do Fluminense, e do Al-Hilal, da Arábia Saudita. Nos anos 1980 comandou Vasco, Seleção Saudita e Bangu.
O coordenador técnico
O atacante Ronaldo Fenômeno (e) e o auxiliar técnico Zagallo (d) observam o técnico Carlos Alberto Parreira (c) durante treino da Seleção Brasileira, em São Paulo, em 1994. / WILSON PEDROSA/ESTADÃO CONTEÚDO/
Após 20 anos, Zagallo retornava para a maior competição de futebol. Mas, desta vez, como coordenador técnico, na comissão de Carlos Alberto Parreira, na Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994.
Na fase de grupos, a Seleção não perdeu, liderando o grupo B. Venceu a Rússia, por 2 a 0, e Camarões, por 3 a 0. Contra Suécia, empatou em 1 a 1.
Nas oitavas de final, os brasileiros derrotaram os anfitriões por 1 a 0, com gol de Bebeto. Nas quartas de final, superaram a Holanda por 3 a 2. Na semifinal, a Seleção encontrou novamente a Suécia, mas dessa vez saiu com a vitória, por 1 a 0.
A grande final foi contra a Itália, com um persistente empate por 0 a 0 no tempo normal. Nas penalidades, o Brasil fez 3 a 2, interrompendo um jejum de 24 anos sem a conquista da Copa. Foi o quarto título de Zagallo como membro da delegação.
Após a competição, com a saída de Parreira, o “Velho Lobo” foi escolhido para a sucessão e voltou a comandar a Seleção Brasileira. Venceu a Copa Umbro, em 1995, e a Copa América e a Copa das Confederações em 1997.
O retorno à Copa do Mundo no comando da Seleção
O técnico da brasileira seleção, Zagallo (e), consola o atacante Ronaldo após derrota na final da Copa do Mundo de 1998, para a França, anfitriã do torneio / CELIO JR/ESTADÃO CONTEÚDO
Em 1998, Zagallo embarcava para seu terceiro mundial como técnico. Na primeira fase, o Brasil terminou em primeiro no grupo A, com seis pontos, vencendo duas seleções: a Escócia, por 2 a 1, e o Marrocos, por 3 a 0. E sofreu um revés, contra a Noruega, por 2 a 1.
Nas oitavas de final, goleou o Chile por 4 a 1, com gols de César Sampaio e Ronaldo Fenômeno. Já nas quartas de final, venceu a Dinamarca, do lendário goleiro Peter Schmeichel, por 3 a 2, em uma grande partida.
Na semifinal teve a Holanda pela frente. No tempo normal, empatou por 1 a 1 com a Laranja Mecânica. Nas penalidades, venceu por 4 a 2, contando com a genialidade do goleiro Taffarel.
Mas na final, contra a França, anfitriã do torneio, a história mudou. Marcada pelo episódio de uma convulsão de Ronaldo Fenômeno antes da partida, a Seleção foi completamente dominada e derrotada por 3 a 0.
Recomeço
O treinador da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, e o coordenador técnico, Zagallo, durante apresentação da nova comissão técnica, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2003 / Crédito: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO/
O pentacampeonato viria em 2002, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, que deixou o cargo após a vitória.
Com isso, foi aberto o caminho para o retorno da dupla vitoriosa em 1994: Parreira e Zagallo, nas mesmas funções da época: técnico e coordenador técnico, respectivamente.
No período, foram campeões da Copa América, em 2004 e da Copa das Confederações, em 2006. Mas o desfecho na Copa do Mundo viria mais cedo, nas quartas de final, após derrota para a França.
Títulos de Zagallo pela Seleção Brasileira
Como jogador: Copa do Mundo (1958 e 1962); Taça do Atlântico (1960); Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961 e 1962); Taça Bernardo O’Higgins (1959 e 1961); Copa Roca (1960 e 1963);
Como técnico: Copa do Mundo (1970); Copa América (1997); Copa das Confederações (1997); Copa Roca (1971); Taça Independência (1972); Copa Umbro (1995); Pré-Olímpico (1996);
Como coordenador técnico: Copa do Mundo (1994); Copa América (2004); e Copa das Confederações (2005).
www.reporteriedoferreira.com.br Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
CBF terá de pagar multa ao São Paulo para ter Dorival; saiba valor
Diniz foi demitido do cargo, e o treinador que é o atual campeão da Copa do Brasil é o favorito da CBF
Por
iG Esporte
|
Staff Images / CBF
Diniz não é mais treinador da Seleção
Fernando Diniz não é mais treinador da seleção brasileira e agora a CBF tem pressa para achar um substituto. O nome que é visto como ideal para a instituição é O de Dorival Júnior, atual treinador do São Paulo . No entanto, além de convencer o técnico, a Confederação também terá de pagar uma multa ao clube paulista, segundo a “ESPN”.
Dorival Júnior:
Ednaldo Rodrigues, atual presidente da CBF, teria de pagar cerca de R$ 4,5 milhões para ter Dorival no comando da seleção brasileira. A instituição está com pressa e quer sacramentar a negociação até o começo da próxima semana, acrescenta a emissora.
Esse valor que consiste na multa do treinador é baseado em três meses de salário do treinador, já incluindo os bônus que foram negociados antes da sua contratação pelo São Paulo.
A ideia no Tricolor do Morumbi é, obviamente, não perder seu treinador, mas a equipe entende que Dorival não recusaria um eventual convite da CBF, algo que segundo o próprio treinador é um sonho da sua carreira. O valor de R$ 4,5 milhões não seria um problema para a instituição.
‘Bolsonaro poderia ter evitado atos do 8 de janeiro’, diz Pacheco
Presidente do Senado critica movimentação política do ex-presidente
Por
iG Último Segundo
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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na condução política durante os atos golpistas do dia 8 de janeiro. Na visão de Pacheco, Bolsonaro poderia ter evitado os ataques em Brasília dando uma “sinalização para a democracia”.
“[Bolsonaro poderia ter] participado da posse, entregar a faixa presidencial, reconhecendo que perdeu naquele momento, mas que há um futuro pela frente da política em que a direita —não a extrema —, mas que a direita pode ser construída e ter bons propósitos para o Brasil”, defendeu Pacheco, em entrevista à CNN.
SP: Sete retiram assinaturas e CPI das ONGs não emplaca na Câmara
Vereadores João Jorge, Beto do Social e Nunes Peixoto completam a lista de 7 parlamentares que recuaram do apoio à comissão após repercussão nas redes sociais
Por
iG Último Segundo
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Atualizada às
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Câmara de SP deve engavetar pedido de CPI contra ONGs que atuam na Cracolândia
A CPI das ONGs em São Paulo sofreu mais três baixas e não deve engatar neste ano na Câmara dos Vereadores. Os vereadores João Jorge (PSDB), Beto do Social (PSDB) e Dr. Nunes Peixoto (MDB) anunciaram nesta sexta-feira (5) que retiraram as suas assinaturas.
Ao todo, sete vereadores retiraram as assinaturas da proposta. Além do trio, os vereadores Thammy Miranda (PL), Xexéu Tripoli (PSDB), Sidney Cruz (Solidariedade) e Sandra Tadeu (União Brasil) também deixaram de apoiar a proposta.
Com isso, a comissão proposta pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil) conta com 17 assinaturas, duas a menos que o necessário para emplacar a CPI. Ao iG,o vereador informou que não deve retirar a propositura.
Nos bastidores, os vereadores apontaram preocupação com a repercussão negativa da comissão nas redes sociais. Os parlamentares foram alertados que a CPI poderia focar nas ações do padre Júlio Lancellotti e optaram por desistir do apoio.
Uma das preocupações dos vereadores é com as eleições de 2024. A repercussão negativa sobre uma investigação contra o padre poderia prejudicar a campanha eleitoral de outubro.
Outros vereadores apontaram desconforto com a ideia, mas mantiveram suas assinaturas. Entre as justificativas está um “acordo de coleguismo” que impera no Legislativo para emplacar projetos na Câmara.
Rubinho Nunes negou que Lancellotti seria o foco central da comissão, mas não descartou ouvi-lo nas investigações. Já o padre disse à reportagem que não se sentiu atingido pelo requerimento.
Cícero Lucena celebra consolidação da parceria com o Azevêdo, durante apresentação das ações estaduais de 2023
Há três anos, a Prefeitura de João Pessoa e o Governo do Estado oficializavam uma parceria para beneficiar a população da Capital por meio de projetos conjuntos. A consolidação desse modelo de trabalho, para além de uma relação institucional, esteve presente nas ações da gestão estadual referente ao ano de 2023, apresentados nesta quinta-feira (4), no Espaço Cultural, onde o prefeito Cícero Lucena destacou obras de mobilidade urbana e ações em curso para revitalizar o Centro Histórico, com a mão dos governos municipal e estadual.
Em sua fala, representando os prefeitos paraibanos no evento, que também teve o lançamento da nova edição da revista “Paraíba da Gente”, o gestor municipal citou a ligação dos Bancários com a Cidade Universitária, pelo Governo do Estado, com a Prefeitura realizando o Parque das Três Ruas. Da mesma forma, o viaduto da Ranieri Mazilli, entre a BR-230 e o bairro do Cristo, onde a Prefeitura complementa a obra estadual com intervenções no entorno. Outras obras de mobilidade estão sendo planejadas, como a construção de quatro corredores para o trânsito e cinco terminais de integração, com investimento de R$ 400 milhões.
“João Pessoa está vivendo um momento muito especial na gestão pública. Há três anos, tanto eu quanto João, dizíamos que seria importante a nossa eleição, para que juntos nós pudéssemos implantar aquilo que consideramos importante na cidade de João Pessoa. Quer seja na Mobilidade Urbana, na Educação, nas parcerias, na Saúde, na Cultura, em eventos, na divulgação do estado e da nossa cidade – para o crescimento do Turismo. Ou seja, tem dois gestores com um único objetivo, que é melhorar a vida das pessoas.”, afirmou o prefeito.
O governador João Azevêdo também destacou a importância da parceria com a Prefeitura de João Pessoa para viabilizar avanços na Capital. “O prefeito Cícero foi extremamente feliz em sua fala quando colocou as parcerias possíveis. O que me deixa muito feliz, porque essas parcerias, a exemplo de João Pessoa, que tem uma dimensão muito grande, ela se repete em todos os municípios paraibanos. Somos um governo municipalista”, declarou o chefe do executivo estadual, que entre outras obras em parceria, também lembrou do Parque Parayba, do Governo Estadual, com a Prefeitura fazendo a drenagem e o calçamento de ruas.
Além de obras de mobilidade urbana, eventos culturais e a recuperação do Centro Histórico contam com a boa parceria da Prefeitura de João Pessoa e Governo do Estado. O Viva o Centro, por exemplo, foi lançado para impactar a região com investimento de R$ 400 milhões. A Prefeitura está promovendo redução e isenção fiscal de tributos para moradores e comerciantes que se instalarem na região, além de obras de Infraestrutura, habitação e projetos de cultura e turismo. Da mesma forma o Governo do Estado, com o ICMS Cultural, recuperação e prédios históricos.
“Lá na nossa eleição, o prefeito Cícero Lucena e o governador João já mencionavam que o nosso projeto era Prefeitura e Governo do Estado trabalhando juntos. Muita gente não acredita, achava que era um discurso apenas, mas não é – estamos trabalhando por João Pessoa e é isso que vamos continuar fazendo”, afirmou o vice-prefeito Leo Bezerra, presente no evento, que também registrou as presenças do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, prefeitos de varias cidades paraibanas, deputados estaduais e federais.
Em benefício de João Pessoa
Cícero Lucena celebra consolidação da parceria da Prefeitura com o Governo do Estado, durante apresentação das ações estaduais em 2023
Há três anos, a Prefeitura de João Pessoa e o Governo do Estado oficializavam uma parceria para beneficiar a população da Capital por meio de projetos conjuntos. A consolidação desse modelo de trabalho, para além de uma relação institucional, esteve presente nas ações da gestão estadual referente ao ano de 2023, apresentados nesta quinta-feira (4), no Espaço Cultural, onde o prefeito Cícero Lucena destacou obras de mobilidade urbana e ações em curso para revitalizar o Centro Histórico, com a mão dos governos municipal e estadual.
Em sua fala, representando os prefeitos paraibanos no evento, que também teve o lançamento da nova edição da revista “Paraíba da Gente”, o gestor municipal citou a ligação dos Bancários com a Cidade Universitária, pelo Governo do Estado, com a Prefeitura realizando o Parque das Três Ruas. Da mesma forma, o viaduto da Ranieri Mazilli, entre a BR-230 e o bairro do Cristo, onde a Prefeitura complementa a obra estadual com intervenções no entorno. Outras obras de mobilidade estão sendo planejadas, como a construção de quatro corredores para o trânsito e cinco terminais de integração, com investimento de R$ 400 milhões.
“João Pessoa está vivendo um momento muito especial na gestão pública. Há três anos, tanto eu quanto João, dizíamos que seria importante a nossa eleição, para que juntos nós pudéssemos implantar aquilo que consideramos importante na cidade de João Pessoa. Quer seja na Mobilidade Urbana, na Educação, nas parcerias, na Saúde, na Cultura, em eventos, na divulgação do estado e da nossa cidade – para o crescimento do Turismo. Ou seja, tem dois gestores com um único objetivo, que é melhorar a vida das pessoas”, afirmou o prefeito.
O governador João Azevêdo também destacou a importância da parceria com a Prefeitura de João Pessoa para viabilizar avanços na Capital. “O prefeito Cícero foi extremamente feliz em sua fala quando colocou as parcerias possíveis. O que me deixa muito feliz, porque essas parcerias, a exemplo de João Pessoa, que tem uma dimensão muito grande, ela se repete em todos os municípios paraibanos. Somos um governo municipalista”, declarou o chefe do Executivo estadual, que entre outras obras em parceria, também lembrou do Parque Parayba, do Governo Estadual, com a Prefeitura fazendo a drenagem e o calçamento de ruas.
Além de obras de mobilidade urbana, eventos culturais e a recuperação do Centro Histórico contam com a boa parceria da Prefeitura de João Pessoa e Governo do Estado. O Viva o Centro, por exemplo, foi lançado para impactar a região com investimento de R$ 400 milhões. A Prefeitura está promovendo redução e isenção fiscal de tributos para moradores e comerciantes que se instalarem na região, além de obras de Infraestrutura, habitação e projetos de cultura e turismo. Da mesma forma o Governo do Estado, com o ICMS Cultural, recuperação e prédios históricos.
“Lá na nossa eleição, o prefeito Cícero Lucena e o governador João já mencionavam que o nosso projeto era Prefeitura e Governo do Estado trabalhando juntos. Muita gente não acredita, achava que era um discurso apenas, mas não é – estamos trabalhando por João Pessoa e é isso que vamos continuar fazendo”, afirmou o vice-prefeito Leo Bezerra, presente no evento, que também registrou as presenças do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, prefeitos de varias cidades paraibanas, deputados estaduais e federais.
Evangélicos atenuam rispidez contra Lula, criticam falas raivosas e destacam economia
Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR
por Anna Virginia Balloussier
Não que dê para dizer que o azedume de líderes evangélicos com Lula (PT) passou. Mas a má vontade do grupo na campanha eleitoral, que já havia dado sinais de trégua após a vitória sobre Jair Bolsonaro (PL), abrandou passado um ano de mandato do petista.
Esta reportagem conversou com sete pastores de calibre regional ou nacional, mais um ex-presidente da bancada evangélica, todos alinhados com Bolsonaro em 2022. Apenas Silas Malafaia disse não ver nada de bom na terceira incursão lulista no Palácio do Planalto.
Malafaia, que em 1989 votou em Lula no segundo turno e em 2002 chegou a aparecer em sua propaganda eleitoral, é tido como terreno irrecuperável para o presidente. Pares seus, contudo, reservam um tom mais agridoce em seu balanço, apontando o que veem como bolas foras sem desmerecer acertos da nova gestão.
“Este primeiro ano vem me surpreendendo positivamente”, diz Galdino Júnior, presidente do Ministério Santo Amaro da Assembleia de Deus. “É claro que não existe governo perfeito, mas, como um eleitor conservador que no ano passado não votou em Lula, podemos destacar mais pontos positivos do que negativos.”
Entre atos fortuitos, ele coloca a equipe ministerial, com destaque para o vice Geraldo Alckmin (PSB), que já tinha apreço no meio evangélico quando era rival declarado do agora camarada petista. “Ele foi a melhor indicação para o ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.”
Galdino também enxerga “mais equilíbrio político nas negociações para passar as pautas do governo no Congresso Nacional”, sobretudo a reforma tributária. O chamado centrão, de onde vem o grosso dos parlamentares evangélicos, tem engordado seu espaço na Esplanada.
A posição de Galdino espelha um perfil comum nessa casta religiosa, influente sobre colegas à frente de igrejas menores: conservadora nos costumes e liberal na economia.
Como ele, outros pastores criticaram o governo por, no apagar das luzes de 2023, anunciar medidas como a reoneração da folha de pagamento como forma de encurtar o rombo nas contas públicas. Seu avesso, a desoneração, começou a ser implantado no primeiro ano de Dilma Rousseff (PT) no poder —a ideia era dar mais competitividade a alguns setores da economia com uma carga tributária mais relaxada.
Mas, de modo geral, o cenário econômico agradou os pastores. O crescimento do PIB acima das expectativas do mercado, que ajudou o Brasil a se estabelecer como a nona economia do planeta, e a queda do desemprego e da pobreza mereceram elogios do apóstolo César Augusto.
Líder da goiana Fonte da Vida, ele integrou mais de uma vez a comitiva evangélica que frequentava o Planalto bolsonarista.
Não que, para ele, o céu seja só de brigadeiro neste primeiro ano do Lula 3. Duramente atacado em 2022 por muitos dos líderes que hoje o cobram por uma postura mais conciliatória, o chefe do Executivo teria dobrado a aposta na polarização.
Augusto desaprova declarações que, a seu ver, “em vez de tentar unir o país, incentivaram ainda mais as divisões políticas, com atitudes voltadas à sua base mais à esquerda, desprezando o fato de ter ganhado a eleição com uma diferença menor do que 2% sobre Bolsonaro”.
O deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), que já liderou o bloco evangélico no Congresso, diz que o empenho de Lula em pacificar o país não convenceu.
“A aprovação dele não melhorou entre evangélicos porque, quando ele ganhou, todos esperavam o Lula paz e amor para unificar o país. Já dizia Ulysses Guimarães, política não se faz com o fígado, e sim com a cabeça. Não se conserva rancor, a pátria não é capanga de ninguém.”
A perseverança de certa azia da liderança com o petista se espelha na avaliação arisca que a base deu ao governo na última pesquisa Datafolha. Uma fatia maior de evangélicos, 38%, o considera ruim ou péssimo, contra 30% da média nacional.
O presidente chegou a fazer acenos a essa parcela religiosa, num mea culpa sobre a maneira como a esquerda lidou com o grupo nos últimos anos.
“Temos que aprender para conversar com essa gente. Que é gente trabalhadora, gente de bem, gente que muitas vezes agradece à igreja por ter tirado o marido da cachaça para cuidar da família.”
Mas a estratégia de Lula em achar que pode falar diretamente com o povo evangélico, cortando a mediação de grandes pastores, seria uma furada. Os fiéis estão atentos ao que se prega no púlpito, o que se reflete no apoio em peso a Bolsonaro nos dois pleitos passados, avaliam os líderes.
Ainda que persista na retórica governista, em termos práticos, o presidente deixou em suspenso toda uma cartela de causas progressistas que muitos aliados esperavam ver avançar. Ponto para Lula, dizem os cabeças evangélicos. Se insistisse em pautar questões como aborto ou drogas, o bumerangue voltaria direto para ele.
Há um tropeço difícil de relevar para César Augusto e Edson Rebustini, presidente do Conselho de Pastores de São Paulo, uma das entidades que representa o corpo pastoral no estado. Decepcionou a posição sobre o massacre de israelenses em outubro, “ao não chamar o Hamas de grupo terrorista e igualar os lados, dizendo que Israel está fazendo um genocídio”, diz Rebustini.
É uma questão cara a muitos evangélicos, que têm uma leitura messiânica sobre o papel do Estado israelense na contemporaneidade.
Outra frustração, esta tratada nos bastidores do poder evangélico, foi Jorge Messias, o advogado-geral da União, ter sido preterido para o STF (Supremo Tribunal Federal). Não que fosse o nome dos sonhos dessa ala de pastores, mas ao menos é evangélico.
Quem entrou na corte, em compensação, foi um nome que Lula chegou a definir, em tom de galhofa, seu indicado, Flávio Dino, como um “comunista do bem”. Usou a palavra maldita para vários evangélicos, que associam comunismo a valores anticristãos.
Reverter a rejeição dos evangélicos é um caminho pedregoso, mas não sem volta, segundo os pastores que a reportagem escutou, à exceção de Malafaia. Alguns só toparam falar em anonimato por entenderem que, agora, o pedágio ideológico em apoiar Lula nas igrejas é mais alto do que no passado.
Eles até são favoráveis a abrir canais de diálogo com o governo, evocando tanto princípios religiosos (uma passagem bíblica ordena que todos orem pelas autoridades da vez) quanto táticos. Bater de frente com o Executivo, afinal, pode ser um tiro no pé para interesses evangélicos, que não se limitam à agenda moral. Basta lembrar das questões tributárias que envolvem isenções variadas para templos.
O que uns chamam de fisiologismo histórico desse grupo cristão, outros preferem definir como uma conduta conciliadora e pragmática.