Azevêdo busca consenso entre seus aliados para a sucessão em Campina




João Azevêdo detona fala de Queiroga sugerindo mortes por conta das vacinas: “Saindo da boca de um médico, é vergonhoso”

 

O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), aliado do prefeito Cícero Lucena (PP), não poupou críticas ao ex-ministro da Saúde e pré-candidato a prefeito de João Pessoa, Marcelo Queiroga, após suas declarações que responsabilizam gestores e o PT pela desconfiança na vacinação contra a Covid-19.

João classificou o discurso de Queiroga como “vergonhoso” e sugeriu que o pré-candidato pode estar adotando uma abordagem ideológica para agradar a uma parcela específica da população. Em um tom incisivo, o governador destacou a importância das vacinas e rejeitou a postura contrária à obrigatoriedade da imunização.

“Saindo da boca de um médico um discurso como esse, primeiro, é vergonhoso. Segundo, talvez seja um discurso apenas ideológico para tentar agradar uma determinada camada da população que pensa como ele. Agora, todos os estudos comprovam, no mundo inteiro, que vacina salva, que vacina boa é no braço, então é um equívoco extraordinário. Eu lamento que uma pessoa que se coloca como pré-candidato à prefeitura de João Pessoa seja capaz de fazer uma declaração dessas”, afirmou o governador em entrevista veiculada pela Rádio Arapuan FM.

Por fim, o governador reforçou a importância de seguir as recomendações científicas e promover a vacinação em massa como estratégia essencial para conter a propagação do vírus. A crítica do governador, aliado ao prefeito Cícero Lucena, destaca a discordância dentro do cenário político local em relação às declarações de Queiroga, intensificando o debate sobre a vacinação e a gestão da pandemia na capital paraibana.

Entenda o caso

O ex-ministro da Saúde e pré-candidato a prefeito de João Pessoa, Marcelo Queiroga, afirmou nessa quarta-feira (24) que os gestores públicos e o Partido dos Trabalhadores (PT) são responsáveis pela desconfiança da população em relação à vacina contra a Covid-19.

Em entrevista à imprensa, Queiroga disse que as vacinas são seguras e eficazes, mas que a obrigatoriedade do imunizante pode gerar desconfiança.

“As vacinas, elas são seguras. Foram avaliadas pelas agências regulatórias, tanto a Anvisa, que é uma agência de boa qualidade, como a FDA e a Agência Europeia de Medicamentos. É claro que existem eventos adversos relacionados à vacina, que não devem ser menosprezados”, disse Queiroga.

“Claro que as vacinas da COVID foram desenvolvidas em um curto espaço de tempo, e muitos governadores e prefeitos quiseram forçar as pessoas a tomar as vacinas, restringindo as liberdades individuais. Isso atrapalha o mundo adequado de uma campanha de vacinação. Nós fomos contrários, e a sequela disso é que muita gente está desconfiando das vacinas”, acrescentou.

Queiroga também disse que o PT é responsável por propagar informações falsas sobre as vacinas. “O PT famigerado quer forçar as pessoas a tomar vacina. Mas o senhor está dizendo que tem a vacina, está matando hoje a vacina que está matando. Hoje existem eventos adversos relacionados à vacina, inclusive a possibilidade de óbito”, afirmou.

O pré-candidato a prefeito disse que, se eleito, não obrigará a vacinação contra a Covid-19. “Eu sou favorável à vacinação, mas sou contrário à obrigatoriedade. As pessoas devem ter o direito de escolher se querem ou não se vacinar”, afirmou.

PB Agora




Abin: Moraes diz que Ramagem agiu para proteger família Bolsonaro

De acordo com o ministro, autoridades como o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e a ex-deputada Joice Hasselmann foram ilegalmente monitorados pela Abin

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|O ministro do STF derrubou o sigilo sobre a decisão que autorizou as buscas da PF contra Ramagem e outros ex-membros da Abin

Reprodução/ Flipar

O ministro do STF derrubou o sigilo sobre a decisão que autorizou as buscas da PF contra Ramagem e outros ex-membros da Abin

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes retirou, nesta quinta-feira (25), o sigilo da  decisão que autorizou a operação da Polícia Federal a apurar o  suposto esquema de espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para proteger os filhos dele.

Entre as autoridades monitoradas, estão a ex-deputada Joice Hasselmann, o ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT), o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, e a Promotora responsável pela investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Outros desafetos de Bolsonaro, como os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes também teriam sido monitorados no suposto esquema. A decisão de Moraes afirma ainda que a PF encontrou diálogos entre ex-servidores da Abin falando de “ações de inteligência” para atacar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral.

“As supostas ‘ações de inteligência’ foram realizadas sob a gestão e responsabilidade de Alexandre Ramagem, conforme se depreende da interlocução entre Paulo Maurício e Paulo Magno [ex-gestões da Abin] tratando do ataque às urnas eletrônicas, elemento essencial da atuação das já conhecidas ‘milícias digitais’.”

“As ações realizadas em detrimento do sistema eleitoral eram feitas com viés totalmente politizado conforme se depreende das declarações: (…) O evento relacionado aos ataques às urnas, portanto, reforça a realização de ações de inteligência sem os artefatos motivadores [que justificariam a medida], bem como acentuado viés político em desatenção aos fins institucionais da Abin”, anotou Moraes, em trecho extraído do relatório da PF.

No documento, Moraes afirma que o ex-diretor da agência, Alexandre Ramagem (que hoje é deputado) utilizou a estrutura da Abin para beneficiar a família do ex-presidente da República, interferindo inclusive em investigações da Polícia Federal para proteger filhos do ex-presidente.

“Os policiais federais destacados, sob a direção de Alexandre Ramagem, utilizaram das ferramentas e serviços da ABIN para serviços e contrainteligência ilícitos e para interferir em diversas investigações da Polícia Federal, como por exemplo, para tentar fazer prova a favor de Renan Bolsonaro, filho do então Presidente Jair Bolsonaro”, escreveu o ministro do STF.

A PF informou que em 2021 foi instaurado inquérito para apurar suposto tráfico de influência perpetrado por Jair Renan.

“Entre as circunstâncias, havia a premissa do recebimento pelo investigado de veículo elétrico para beneficiar empresários do ramo de exploração minerária”, diz a corporação. A diligência da Abin, de acordo com a Polícia Federal, foi no sentido de produzir provas de que o carro estava em posse de um sócio, não do filho do presidente.

O ministro Alexandre de Moraes também disse que a Abin foi usada para produzir relatórios favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também filho do ex-presidente, no caso de recolhimento ilegal dos salários de servidores de seu gabinete, conhecido como “caso das rachadinhas” Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando ele era deputado estadual. O caso acabou arquivado em tribunais superiores.

“A utilização da ABIN para fins ilícitos é, novamente, apontada pela Polícia Federal e confirmada na investigação quando demonstra a preparação de relatórios para defesa do senador Flávio Bolsonaro, sob responsabilidade de Marcelo Bormevet, que ocupava o posto de chefe do Centro de Inteligência Nacional – CIN, como bem destacado pela Procuradoria-Geral da República”, pontuou Alexandre.

Flávio Bolsonaro nega que a Abin tenha sido usada para favorecer a defesa dele. “É mentira que a Abin tenha me favorecido de alguma forma, em qualquer situação, durante meus 42 anos de vida. Isso é um completo absurdo e mais uma tentativa de criar falsas narrativas para atacar o sobrenome Bolsonaro. Minha vida foi virada do avesso por quase cinco anos e nada foi encontrado, sendo a investigação arquivada pelos tribunais superiores com teses tão somente jurídicas, conforme amplamente divulgado pela grande mídia.”

A PGR chegou a pedir o afastamento de Ramagem, mas Moraes não concordou. O ministro argumentou que atualmente “não se vislumbra a atual necessidade e adequação de afastamento de suas funções”. Contudo, Alexandre ressaltou que essa hipótese pode ser analisada “se o investigado voltar a utilizar suas funções para interferir na produção probatória ou no curso das investigações”.

Em sua decisão, Moraes alega que a alta gestão da Abin, especialmente Ramagem e o secretário de Planejamento e Gestão, Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho, “interferiu nas apurações disciplinares para que não fosse divulgada a instrumentalização da Abin”.

A investigação da Polícia Federal apontou que o temor de que a espionagem fosse revelada levou Carlos e Ramagem a anular um processo administrativo sobre o tema, com o objetivo de “dar aparência de legalidade” ao uso irregular da ferramenta de monitoramento First Mile.




Moraes autoriza CGU a acessar dados de inquéritos envolvendo Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a Controladoria Geral da União (CGU) de provas de investigações que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão de Moraes é desta quarta-feira, 24. Atende um pedido da própria Controladoria que requisitou, dentre outros, acesso aos depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Conforme solicitação, o objetivo da CGU é avaliar se há indícios de que servidores públicos envolvidos em algum dos casos apurados.

Ao atender o pedido, Moraes ressalvou dados que possam interferir em diligências ainda pendentes. “O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido de inexistir óbice à partilha de elementos informativos colhidos no âmbito de inquérito penal para fins de instrução de outro procedimento contra o mesmo investigado”, escreveu Moraes.

Entre os inquéritos aos quais a CGU terá acesso a dados estão o das milícia digital, que apura vazamento de dados de operações sigilosas da PF, o inquérito do 8 de janeiro, o que apura possíveis interferência da Polícia Rodoviária Federal nas Eleições de 2022, o que trata de eventuais adulteração de cartões de vacina de Bolsonaro e aliados e o da utilização de software de espionagem pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).




Domingos Brazão: Quem é o suposto mandante da morte de Marielle?

Brazão já cometeu um assassinato na década de 1980 e é conhecido por ameaçar seus opositores

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Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ, é apontado em delação como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco
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Domingos Brazão, conselheiro afastado do TCE-RJ, é apontado em delação como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco

Nesta terça-feira (23), o portal The Intercept Brasil revelou que Ronnie Lessa, o ex-PM acusado de matar a  vereadora Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes, delatou à Polícia Federal o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, como mandante do crime.

Contudo, os advogados de Lessa afirmaram desconhecer a suposta delação, revelada a princípio pelo jornal O Globo. Caso seja real,  o acordo ainda precisará ser homologado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), pois Brazão tem foro privilegiado devido ao seu posto de conselheiro vitalício do TCE-RJ.

Na suposta delação em questão, Ronnie Lessa teria dito que Brazão encomendou a morte de Marielle para se vingar de Marcelo Freixo, ex-deputado estadual pelo PSOL, hoje filiado ao PT e presidente da Embratur.

Procurado pelo iG, Freixo disse que por enquanto não deseja se pronunciar sobre o assunto. “A investigação não foi concluída, não tem delação assinada. Toda essa especulação pode atrapalhar a investigaçã, é preciso prudência. Quem fala sobre investigação é quem investiga. Fora isso, tudo é especulação.”

A professora de ciência política da UFRJ, Mayra Goulart, é muito importante esperar que a investigação avance para podermos ter certeza do que realmente aconteceu.

“Ronnie Lessa é criminoso, um matador que tem envolvimento com vários criminosos, vários políticos, que não são restritos ao âmbito do Rio de Janeiro. A família Brazão é uma família importante, mas ela está, de alguma maneira, restrita ao âmbito do Rio de Janeiro. O crime contra a Marielle pode atingir também políticos em âmbito nacional, e Domingos Brazão seria um bode expiatório muito interessante, porque é alguém que já tem uma trajetória ligada ao crime organizado, à milícia e, portanto, e tem esse confronto com o deputado federal Marcelo Freixo. Daí a possibilidade de ele ser um bode expiatório ou testa de ferro para proteger outros possíveis mandatários.”

Quem é Domingos Brazão?

Nascido no Rio de Janeiro em 7 de março de 1965, Brazão é um empresário do ramo dos postos de gasolina e político conhecido com uma longa carreira no estado. Seu histórico de problemas com a Justiça é tão longo quanto a sua carreira política.

No ano de 1987, no seu aniversário de 22 anos, Domingos Brazão matou um vizinho, Luiz Cláudio Xavier dos Reis, que apareceu no churrasco de comemoração acusando um de seus irmãos de ser amante da esposa dele. Ao deixar o local pilotando uma moto, Luiz foi perseguido por um carro e baleado na nuca, sem chance de se defender.

Domingos negou o crime a princípio, mas foi reconhecido por testemunhas e passou a alegar “legítima defesa”. “Matei, sim, uma pessoa. Foi um marginal que tinha ido à minha rua, na minha casa, no dia do meu aniversário, afrontar a mim e à minha família”, disse Brazão na Alerj. O processo foi adiado duas vezes na década de 90, depois passou oito anos parado sem qualquer explicação.

Em 2000, passou a tramitar no TJRJ, corte na qual, dois anos depois, a condenação foi rejeitada, fazendo com que o caso jamais tenha chegado ao Tribunal do Juri. “A Justiça me deu razão”, disse Brazão.

A família Brazão, como um todo, é conhecida por inspirar medo através de ameaças a seus adversários políticos, principalmente na zona oeste do Rio de Janeiro, seu principal reduto eleitoral. Tal fama lhes rendeu o apelido de “Irmãos Metralha”, numa referência aos personagens criminosos dos gibis da Disney.

De acordo com a professora de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart, além de Domingos, a tradicional família Brazão também conta com o deputado estadual Pedro Brazão; e com Chiquinho Brazão, deputado federal afastado para ser secretário da prefeitura, cujo primeiro suplente, Ricardo Abraão, é parente de Anísio Teixeira, famoso bicheiro da cena carioca.

“É uma família de muito poder, e tem seus votos concentrados na zona oeste, muitas áreas que são tidas como áreas conflagradas pela milícia. Daí a associação entre a família Brazão e o crime organizado, que está suscitando a hipótese, reforçada pela delação premiada de Ronnie Lessa, de que Domingos Brazão seria um dos mandantes do crime contra Marielle, numa tentativa de vingança contra Marcelo Freixo, que levou a cabo essas investigações da CPI das Milícias na Alerj.”

Como foi revelado pelo portal UOL, na época do julgamento do assassinato, o Ministério Público apontou a “índole violenta e perigosa” de Domingos Brazão, atestando que ele “constantemente portava arma e se unira a “grileiros” que disputavam a posse das terras na região. Ademais, ameaçara de morte a todos que pudessem delatá-lo, sendo, por isso, inicialmente muito difícil a sua identificação”.

Ex-filiado ao MDB, Brazão foi eleito vereador do Rio em 1996, tornou-se deputado estadual em 1998 e concorreu à prefeitura da cidade maravilhosa em 2000, mas não obteve êxito.

Em 2002, Brazão voltou a se eleger deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), conquistando reeleições para o cargo em 2006 e 2010, ano em que seu mandato chegou a ser cassado pelo TSE, devido a acusações de compra de votos. No entanto, uma liminar concedida pelo então ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski (hoje indicado ao Ministério da Justiça), o reconduziu ao cargo.

O que pode parecer habilidade política num primeiro momento, se traduz como um comportamento agressivo e ameaçador para com os colegas de Assembleia. Ao longo do tempo em que Brazão permaneceu na Alerj, diversos parlamentares relataram que ele costumava se aproximar para dar abraços e fazer ameaças cochichadas ao pé do ouvido.

O caso mais emblemático foi o da deputada estadual Cidinha Campos (PDT), que denunciou ter sido ameaçada pelo então deputado durante uma discussão. De acordo com os autos do processo que ela moveu (e chegou ao STF, mas foi arquivado), Brazão teria lhe dito “nunca matei uma puta, mas tenho vontade de matar”.

Quando estava em seu quinto mandato na Alerj, no ano de 2015, Brazão foi escolhido por seus pares para assumir o cargo de conselheiro vitalício do TCE. Apenas cinco deputados se opuseram à sua eleição, um deles foi justamente Marcelo Freixo, cujo partido, o PSOL, foi o único a se posicionar oficialmente contra a indicação de Brazão.

Marielle era assessora de Freixo quando ele ingressou – sem sucesso – com uma ação na Justiça do Rio de Janeiro para impedir que Domingos se tornasse conselheiro do Tribunal de Contas.

A “rixa” entre com Freixo teve início no ano de 2008, quando foi divulgado o relatório final da CPI das Milícias na Alerj (na qual Marielle Franco também trabalhou), sob a presidência do psolista, citando o nome de Domingos Brazão como um suposto envolvido com os grupos paramilitares que agem na capital, sendo um dos políticos que as milícias autorizaram a fazer campanha em Rio das Pedras, região dominada por esses grupos.

No ano de 2017, Brazão foi preso – e posteriormente solto – no âmbito da Operação Quinto do Ouro, um desdobramento da Lava Jato, que também levou à cadeia outros quatro membros do TCE-RJ. Ele foi acusado de receber propina de empresários para não fiscalizar obras e o uso de verbas públicas do governo do Rio.

Em 2019, Domingos Brazão chegou a ser acusado formalmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR), de obstruir as investigações da execução de Marielle e Anderson




Caso Marielle: Ronnie Lessa delatou ‘pessoa com foro privilegiado’ à Justiça

PF tenta fechar acordo de delação com o autor dos disparos que assassinaram a vereadora e seu motorista

Ronnie Lessa no momento de sua prisão.Créditos: Reprodução/Jornal Nacional
Raphael Sanz
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O ex-PM e miliciano Ronnie Lessa, apontado como o executor da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e seu motorista Anderson Gomes em março de 2018, tenta fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. E no âmbito dessas tratativas teria revelado aos agentes o nome de um envolvido no crime que tem foro privilegiado.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (22) pela coluna da Juliana Dal Piva, no site ICL Notícias. Agora sobram especulações sobre quem seria essa pessoa.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está descartado, uma vez que perdeu as últimas eleições e está sem cargo e sem foro privilegiado. Apontado como um entusiasta das milícias, tendo dado uma série de declarações nesse sentido, ele e Ronnie Lessa eram vizinhos à época do crime no Condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro.

De acordo com a matéria supracitada, Lessa estaria muito perto de fechar o acordo com a PF e os policiais temem que o vazamento de informações a respeito do seu depoimento – e das próprias investigações – atrapalhem a assinatura do acordo. Por isso ainda estão mantendo sigilo sobre o nome revelado pelo ex-PM.

As tratativas estariam na fase de validação das declarações do matador. Uma vez confirmadas as informações dadas por Lessa, o acordo ainda dependerá de uma homologação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Atualmente defendido pelos advogados Bruno Castro e Fernando Santana, Lessa pode ter que trocar de defesa uma vez que o escritório que o atende já declarou que não faz acordos de delação premiada.

Linha do tempo da investigação

  • 14 de março de 2018: Na noite do dia em que foi assassinada, a vereadora Marielle Franco (Psol) participou de um debate na Casa das Pretas, na Lapa. Por volta das 21h, ela deixou o local acompanhada de seu motorista, Anderson Gomes, e sua assessora, Fernanda Chaves. O carro em que estavam foi seguido pelo veículo dos assassinos e, quando passava pelo bairro do Estácio, Marielle foi atingida por quatro tiros na cabeça. Anderson também foi morto no local, enquanto Fernanda foi atingida por estilhaços e sobreviveu ao ataque;
  • 21 de março de 2018: A 23ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal solicitou que um grupo de promotores fosse designado para auxiliar na apuração do crime. Esses promotores trabalharam em conjunto com as autoridades responsáveis pela investigação para identificar os responsáveis pelo ataque;
  • 1 de setembro de 2018: Entra no caso o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). Acontece a primeira troca de promotores do MPRJ;
  • 22 de janeiro de 2019: Na busca pelos responsáveis pelo assassinato, foi deflagrada a operação Os Intocáveis. Nessa operação, promotores e policiais cumpriram 63 mandados de busca e apreensão nas residências de 13 suspeitos de integrar a milícia de Rio das Pedras. O principal alvo era o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega. Os investigadores acreditam que a disputa por terras na região poderia ser um dos motivos do assassinato, já que Marielle estaria atuando em regularização fundiária na Zona Oeste;
  • 12 de março de 2019: Na operação Lume, a Polícia Civil prendeu o PM Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, acusados pela execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. As prisões foram realizadas após uma investigação iniciada a partir de um telefonema anônimo. Na casa de um amigo de Lessa, no Méier, foram encontrados 117 fuzis M-16 incompletos.
  • Julho de 2019: Um relato de um pescador à Polícia Civil que um aliado de Ronnie Lessa, um dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, contratou seu barco para jogar seis armas no mar, próximo às Ilhas Tijucas. A polícia suspeita que uma dessas armas seria a submetralhadora HK MP5, usada para matar a vereadora;
  • 3 de outubro de 2019: Quatro pessoas foram presas durante a operação Submersus, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Entre os detidos está Elaine Lessa, esposa de Ronnie Lessa.”
  • Fevereiro de 2020: Um laudo da Polícia Civil  concluiu que a voz do porteiro que autorizou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, no dia do assassinato de Marielle, não era a do funcionário que mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro aos investigadores da Delegacia de Homicídios. Ronnie Lessa, vizinho de Bolsonaro no condomínio, foi mencionado em depoimento por um dos porteiros, que afirmou que Bolsonaro havia autorizado a entrada de Élcio. No entanto, o porteiro voltou atrás em sua declaração;
  • 27 de agosto de 2020: O Ministério Público obteve uma decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que obriga o Google a fornecer dados telemáticos que podem auxiliar nas investigações;
  • Junho de 2021: a viúva do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto durante confronto com policiais, na Bahia, Júlia Emília Mello Lotufo, concordou em fazer uma delação premiada em troca de benefícios, incluindo a revogação de sua prisão;
  • Julho de 2021: Após serem exoneradas a pedido, as promotoras Simone Sibílio e Leticia Emile que acompanhavam o caso desde setembro de 2018 deixaram a Força-Tarefa do Caso Marielle. Fontes da instituição afirmaram que elas entregaram seus cargos em razão do risco de interferência externa nas investigações do caso;
  • 17 de fevereiro de 2022: Telegrama estarrecedor do governo Bolsonaro sobre caso Marielle é revelado.
  • 22 de fevereiro de 2023: A abertura de inquérito da Polícia Federal para investigar assassinatos é anunciado pelo ministro da Justiça, Flávio Dino;
  • 24 de julho de 2023: Élcio Queiroz, em delação premiada, diz que ele e Ronnie Lessa assassinaram a vereadora.



Visita  de Lula à Paraíba pode acontecer na primeira semana de fevereiro, revela presidente da Cehap

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Visita de Lula à Paraíba pode acontecer em fevereiro (Foto: reprodução)

A visita do presidente Lula que estava prevista para esta sexta-feira (26) e foi cancelada ainda pode ocorrer na primeira semana de fevereiro. A informação foi dada  pela presidente da Companhia Estadual Habitação Popular da Paraíba (Cehap) Emília Correia Lima.

Lula viria ao estado para participar da entrega de um residencial no município de Patos, no Sertão paraibano. A visita chegou a ser confirmada, mas a assessoria da Presidência argumentou que a vinda de Lula não iria mais acontecer na data prevista.

Emília Correia Lima contou que manteve contato com servidores da Casa Civil do Palácio do Planalto e soube que há uma tentativa de acomodar a visita à Paraíba na agenda do presidente.

“Estamos esperando. A primeira informação de Brasília é de que estavam mudando a agenda. A informação é de que a visita ficaria para a primeira semana de fevereiro. Amanhã teremos uma reunião online com a Caixa para tentarmos mais informações”, falou a presidente da Cehap ao ClickPB.

Ainda segundo Emília Correia Lima, caso a agenda do presidente Lula não permita visita ao estado, será tentada a vinda de algum ministro para participar da solenidade.

Agenda na Paraíba ganhou destaque na mídia nacional

A possível agenda de Lula em Patos chegou a ganhar destaque na edição de ontem (21) da coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo.

A visita de Lula ocorreria em um reduto político do deputado federal Hugo Motta e do partido Republicanos.

Atualmente, o Republicanos possui diversos cargos no Governo Lula, entre eles, um ministério. Mesmo assim, a relação entre o partido e o Governo não tem sido muito ‘amistosa’ nas votações no congresso.




Justiça: Dino e Lewandowski começam a discutir transição nesta segunda

A posse do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) na Justiça está marcada para 1º de fevereiro

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iG Último Segundo

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Atualizada às Lula anuncia Lewandowski para o Ministério da Justiça, ao lado de Flávio Dino e Janja

Ricardo Stuckert/PR – 11.01.2024

Lula anuncia Lewandowski para o Ministério da Justiça, ao lado de Flávio Dino e Janja

Nesta segunda-feira (22), ocorre a primeira reunião entre o atual e o futuro ministro da Justiça, Flávio Dino e Ricardo Lewandowski, para discutir a transição da pasta.

Lewandowski sugeriu o encontro. A posse ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na Justiça será no dia 1º de fevereiro.

O novo ministro foi anunciado no dia 11 e já começou a montar sua equipe. Até o momento, ele convidou o procurador-geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Mário Luiz Sarrubbo, para assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) — área que garantiu ser sua prioridade. Sarrubbo é próximo do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Além disso, ele convidou Ana Maria Alvarenga Mamede Neves, com quem trabalha desde 2010, para ser sua chefe de gabinete. Ela ocupava a mesma posição na equipe do ex-ministro quando ele trabalhava no STF.




Ministra minimiza pressão do centrão no Congresso e diz que não endureceu repasses

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, durante cerimônia no Palácio do Planalto – Pedro Ladeira – 16.nov.2023/Folhapress

por Luciana Coelho

A ministra Nísia Trindade, cuja pasta —Saúde— era cobiçada pelo centrão por causa de seu orçamento extenso, afirmou que não recebeu pressão por cargos, e classificou sua relação com o Congresso como “de alto nível”.

“Eu nunca recebi nenhuma pressão para nomeação de cargos dentro do ministério. Em relação ao meu cargo, vocês já acompanham esse debate desde o ano passado, mas eu estou focada no que tem que fazer”, afirmou a ministra a jornalistas em Davos.

Ela também minimizou a reação à portaria editada em dezembro que mudou os critérios para transferência de verbas pertencentes a uma cota para parlamentares, à semelhança de emendas. Nísia nega que tenha havido endurecimento dos critérios.

“O ministério tem critérios de distribuição de verbas, de uso de emendas, esses critérios são transparentes e tem para o objetivo levar a saúde aos municípios”, disse.

“Mas esses critérios são importantes naturalmente e eles já foram instituídos há muito tempo no Sistema Único de Saúde para que haja uma forma correta de distribuição de recursos que tem a ver com os equipamentos de saúde de cada município, com o tamanho da população.”

Indagada sobre descontentamento, ela citou a demanda represada de municípios que teriam ficado sem atendimento qualificado na gestão anterior, do governo Jair Bolsonaro (PL), quando o hoje deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ) era o titular da Saúde.

“Muitos parlamentares representam esses municípios, o que é absolutamente legítimo, e cabe ao ministério tomar as decisões com os critérios há muito estabelecidos para o Sistema Único de Saúde.”

Nísia está em Davos, onde integra a delegação brasileira no encontro anual do Fórum Econômico Mundial. A ministra participou de painéis sobre o Brasil, saúde e clima, uso de tecnologia na saúde e acesso a medicamentos, além de ter mantido encontros bilaterais para tratar do último tema.

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Presidente Lula pode ter agenda na Paraíba na próxima semana

O presidente Lula tem uma agenda programada para esta quinta e sexta-feira no estado vizinho de Pernambuco. Na próxima sexta-feira (26), existe a possibilidade de sua visita à Paraíba para a inauguração dos residenciais São Judas Tadeu I e II, localizados em Patos, no Sertão do estado. Os detalhes sobre o evento, incluindo a confirmação definitiva da participação de Lula, estão em processo de definição e devem ser anunciados ainda hoje (19) pelo Govrno Federal.

O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o diretor-executivo da Companhia Nacional de Habitação em Brasília, Lenildo Morais (PT), não descartaram essa possibilidade, considerando a importância dos residenciais.

Uma reunião ocorreu ontem (18) entre equipes da Companhia Estadual de Habitação (Cehap) e representantes da Casa Civil da Presidência da República para discutir os detalhes do evento.

Os residenciais em Patos, conhecidos como São Judas Tadeu I e II, compreendem um total de 856 apartamentos distribuídos em diversos blocos, configurando-se como o maior conjunto vertical do Sertão paraibano, de acordo com as informações oficiais. A construção dessas unidades habitacionais recebeu um investimento total de R$ 81,5 milhões, provenientes de uma parceria entre o Governo Federal, por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, e o Governo do estado.

Os edifícios dos residenciais apresentam variação entre dois e três andares. Desde o segundo semestre do ano passado, as obras dos apartamentos encontram-se em fase de conclusão, e o sorteio das unidades habitacionais ocorreu no final do mês de dezembro.