CAINDO A MÁSCARA Por Rui Leitao

CAINDO A MÁSCARA Por Rui Leitao

Quando cai a máscara fica apenas a desilusão. Nada pior do que acreditar que alguém poderia ser diferente. A mentira se revelando de forma escancarada. Ninguém consegue ser o que não é por toda vida O tempo se encarrega de desmoralizar. As intenções revelam o teatro do fingimento. Desnudam-se os argumentos. Depois da ilusão vem a raiva. A mentira não prevalece.
O malabarismo judicial tentando fazer prevalecer uma verdade que não existe. O tempo da verdade é desconsiderado. Chegamos a pensar “o crime pode compensar se não ficar do lado errado”. Mas qual o caminho do lado errado? O movimento da História define o caminho que muitos querem ignorar. A seletIvidade da justiça determinando os caminhos dos interesses de uma minoria,
A dignidade e os direitos mais básicos sendo vilipendiados, em nome de um novo tempo. Como será esse novo tempo? Atordoados permanecemos atentos. Não podemos ficar apenas observando. Que prevaleça a luta contra a corrupção sem insultar a cidadania.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Rui Leitão-Jornalista,advogado e escritor




 UMA HISTÓRIA QUE NÃO FORA CONTADA;  Versão de  Francisco Nóbrega dos Santos

 UMA HISTÓRIA QUE NÃO FORA CONTADA.

  Versão de  Francisco Nóbrega dos Santos

 

Na natural ilusão de criança e de adolescente não sabia que a vida seria uma sequência de consequências. Cresci vislumbrando a existência como um horizonte azul durante o dia. Desenhava a noite como uma enorme cortina ornamentada de estrelas.

Porém, no decorrer dessa trajetória de sonhos e ilusões aprendi a desvendar os mistérios da vida e transformar os sonhos em realidade. Tudo isso, de forma temerária e cheia de interrogações. E na corrida contra o tempo percebi que a vida seria uma ponte ligando o berço ao túmulo.

No amadurecimento, com o decorrer dos anos, aprendi a conviver com a natureza humana. quando pude conhecer a distinção entre a ilusão e a realidade; a conviver com pessoas de bem e de bens, de sentir desejos e vivenciar emoções. Nesse interregno tive a noção do verdadeiro sentido da vida e das alternativas  que surgiam ao longo da estrada. Então compreendi que a inteligência  busca os caminhos certos – a esperteza procura os atalhos.

E no decorrer dessa trilha pude  entender que a esperteza estava reservada aos políticos e a inteligência para alguns que buscavam os caminhos da cultura. Porém à grande massa restava a limitação que se distanciava das duas alternativas e se tornaria suporte eleitora, e limitados objetivos, apegando-se  à cômoda função  de trampolim para contribuir com a ascensão  dos que abraçaram a rentável profissão de político.

Nesse trajeto, na divisa dos caminhos facultativos, escolhi o do respeito e da dignidade, que estavam implícitos nas duas opções. Porém me tornei um crítico tenaz dos que cresciam com o patrocínio da plebe e escolhiam  a  política hereditária, com a outorga  da  ignorância peculiar à massa.

Como se pode observar, somos os responsáveis por essa evolução dos maus, que gastam verbas e usam verbos com  ilusão um povo sem noção do que faz ou deixa de fazer. E nessa rudez doa o poder aos causadores dos males que se eternizam no tempo e ampliam o flagelo e a miséria registrados nas estatísticas.

 Na proporção inversa crescem a riqueza e a estabilidade daqueles a quem presenteamos com cargos vitalícios e a centralização das riquezas do País, enquanto cresce a legião dos desvalidos.

Recordo-me que nos idos anos 50 predominavam no País duas forças antagônicas denominas: UNIÃO DEMOCRÁTICA NACIONAL – UDN e o PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO – PSD. Os demais eram os nanicos que pegavam caronas nesses capitães hereditários, em busca de sobrevivência, raramente contemplados com cadeiras na Câmara Federal ou nas Assembleias. E o povo aguardava as migalhas que sobravam dos banquetes e se orgulhava de haver participado do direito cívico de votar.

Passaram-se os anos; mudaram-se os hábitos eleitorais. Porém o cenário continua o mesmo, só com uma diferença. Outorgamos aos nossos representantes o direito ao benefício de uma aposentadoria, após alguns anos de exercício do cargo político, com remuneração pelo tesouro público, o que nos custa hoje uma enorme carga tributária para subsidiar os (in)dignos porta vozes.

E assim caminha a população brasileira. Muitos exaustivamente cansados, desgastados pelo dever de trabalhar 30 ou 35 anos, com ínfimos proventos para custear aqueles que se beneficiam com aposentadorias precoces, com remuneração vitalícia. Não é esse o Brasil que precisamos, mas é o poder que, por ignorância, outorgamos aos mandatários.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Francisco Nóbrega dos Santos- Jornalista,advogadfo e escritor




MEU REENCONTRO COM DEUS: Por Rui Leitao

 

MEU REENCONTRO COM DEUS: Por Rui Leitao

Tudo na vida tem um propósito. Porém a gente não se preocupa em reconhecer essa verdade. Não oferecemos relevância a essa constatação. Nasci numa família católica. Na minha infância e adolescência fui “coroinha” e seminarista. Ao tempo em que me tornava adulto, fui me afastando de Deus, cedendo às tentações da vida mundana. Minha vida religiosa passou a ser protocolar, com participação em eventos sociais. As orações aconteciam esporadicamente nos instantes de aflição, nunca como hábito de agradecimento. Através de minhas filhas evangélicas fui me reaproximando de Deus e a “obra” agora se completou.

 

Chegando à setima década de minha existência, Deus decidiu me chamar a atenção para a compreensão de que Ele é o DONO da minha vida. Recebi a confirmação de que estava infectado pela Covid 19. Minhas filhas, minha esposa, em decisão tomada com familiares e amigos próximos, entenderam que se fazia necessária minha urgente e imediata hospitalização.

Nas primeiras horas de internamento, fui colocado num espaço chamado de área laranja. Foi uma situação bastante incômoda: uma maca desconfortável, grande movimento de chegada de doentes, o que provocava barulho e dificultava adormecer. Tenho vergonha hoje por ter reclamado daquela situação. Às duas da madrugada fui transferido para um apartamento da Unimed. Foi o momento em que comecei a refletir. Tinha que agradecer a Deus pelo fato de ter um tratamento diferenciado, beneficiado por um plano de saúde. Aí me lembrei: quantos milhares de brasileiros estavam sofrendo nos corredores de atendimento do SUS. E tudo seria muito pior se não existisse o Sus. Eu não podia reclamar. A partir de então deveria só agradecer.

Por um.dever de justiça faço questão de registrar os nomes de quatro gestores publicos que corajosamente enfrentaram com responsabilidade a pandemia em.nosso estado. Não fossem eles a tragédia teria sido muito maior. O governador João Azevedo, o prefeito Luciano Cartaxo, e os secretários Geraldo Medeiros e Adalberto Fulgêncio.

Meus filhos, familiares e amigos, dobraram joelhos pedindo a intercessão divina para a minha cura. Essa corrente de orações começou a oferecer resultados. O espírito de religiosidade preponderou em meu favor.

Foram doze dias de internamento, isolado num quarto de hospital, tendo como acompanhante uma cuidadora contratada, um anjo da guarda. Refleti muito durante esse período. Avaliei os erros e equívocos que cometi na vida. Pedi perdão. Senti efetivamente a presença de Deus naquele ambiente e me encorajei a enfrentar o vírus. Conversei com Ele como nunca havia feito antes. E Ele me ouvia atentamente.

Agora estou dando continuidade ao tratamento em casa. Mas meu depoimento é no sentido de afirmar que me tornei um “novo homem”. Até o fim dos meus dias estarei honrando e glorificando o Seu nome. Ele resolveu me dar uma nova oportunidade na vida.

Não posso deixar de registrar a competência e solidariedade humana dos profissionais de saúde da Unimed. Aliás todos os colaboradores daquele hospital. Mostravam-se solicitos e dedicados. Aos diretores também os meus agradecimentos.

Agradecendo primeiramente a Ele, estendo essa gratidão a todos que se preocuparam em rogar por mim. Sei o quanto esse testemunho deixará minhas filhas felizes. O Ser Supremo me fez compreender que a Ele devemos tudo. A Cecília, que também estava doente, a. minha mais sincera manifestação de amor. Seu desvelo em me atender em tudo o que preciso é algo enternecedor.

O reencontro com Deus chegou e estou exultando com isso. Espero que essas reflexões alcancem as mentes de quantos estejam me lendo.

Amém.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Rui Leitão, Jornalista, advogado e escritor.




COISAS DO JORNALISMO: Por Gilvan de Brito

COISAS DO JORNALISMO: Por Gilvan de Brito

 

Quem não tem seus momentos sublimes na vida jornalística, sempre ao lado de Inteligências brilhantes que incentivavam a desenvolver os conhecimentos e mergulhar no infinito, muitas vezes, e só depois é que nos damos conta. Os grandes lances da convivência sadia e elevada surgiu quando fui trabalhar na sala de imprensa do governador Ernani Sátyro, ao lado de Biu Ramos, Jório Machado, Barreto Neto, Martinho Moreira Franco, Luis Augusto Crispim, Frank Ribeiro, Luis Ferreira, equipe constituída por Noaldo Dantas, reunindo a nata do jornalismo paraibano de então. Cada um tinha a sua redação dos jornais de João Pessoa:

Correio, Norte, A União, Jornal da Paraíba, O Momento, Diário da Borborema (que era feito na Capital, e algumas publicações alternativas, chamadas de ocasionários. Chegávamos no começo da noite, saído das redações de cada profissional, subíamos as escadas do prédio de A União, do lado Leste, entrávamos na sala à direita e começávamos a conversar descontraidamente sobre o sexo dos anjos. Depois entrava Noaldo com alguns papéis contendo um roteiro com as notícias das atividades do Governo em todos os campos de atividades.

As notícias brutas trazidas pelos repórteres durante a tarde eram copidescadas com um texto final primoroso que depois eram juntadas as fotos colhidas por Bezerra, Antônio David e distribuídas nas redações. Os editores aproveitavam tudo que se mandava e o governador adorava a seleta equipe, pelo que produzia de boa qualidade. De posse a matérias os jornalistas começavam a copidescar, às vezes conversando entre si a respeito de assuntos que sempre envolvia a todos. Então quando não sabíamos de uma coisa qualquer, perguntávamos em voz alta e aquele que soubesse, daria a resposta: Martinho Moreira Franco perguntava: “Quem sabe o plural de blitz?” Frank Ribeiro respondia de lá, sem levantar a cabeça: “blitzen”. Nunca ficou uma dúvida para o dia seguinte.

Um dia Martinho foi fazer uma reportagem do governador em Brejo das Freiras, e produzia uma matéria inusitada sob o título “Não é brejo nem tem freiras” outro dia Noaldo pediu-me uma matéria sobre a Assembleia e eu escrevi: “Legislativo, a essência orgânica da democracia”. Quando Noaldo gostava muito da matéria publicava-a na revista ”Extraordinária”, que também produzíamos. Nós iamos de vento em popa quando Noaldo caiu em desgraça e foi demitido por Ernany Sátyro depois que o jornal A União trocou os nomes do presidente da República escolhido: Ernesto Geisel pelo irmão também general Orlando Geisel. Ernany, cativo dos militares, precisava de uma resposta á altura para acalmar a ditadura e demitiu o secretário da comunicação e toda a diretoria de A União. A equipe esfacelou-se. Não sei por que eu me lembrei dessas coisas hoje de manhã, antes de levantar-me.

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O BOM EXEMPLO: Por Rui Leitao

O BOM EXEMPLO: Por Rui Leitao
Em tudo o que fazemos há sempre o resultado de alguma influência exercida. Porque a vida é assim, costumamos agir seguindo exemplos. Nossos paradigmas são escolhidos conforme observação das atitudes dos outros. Portanto, o exemplo tem uma força de ensinamento muito grande.
Nós aprendemos muito mais testemunhando comportamentos do que ouvindo discursos. A prática funciona mais eficazmente como orientação do que a teoria. Não adianta falar e não fazer, o importante é executar aquilo que pregamos como certo. Essa é a linha de raciocínio que nos leva a considerar o exemplo como essencial no desenvolvimento da nossa capacidade de discernir o caminho correto a percorrermos na vida.
O exemplo cria o espírito de fidelidade, uma vez que inspira confiança. Quando nos espelhamos em alguém que admiramos, adquirimos tranqüilidade nos procedimentos e nos conceitos que decidimos aceitar também como referências. O exemplo se transforma em guia de conduta.
Escolhemos nossos heróis a partir da identificação de qualidades que gostaríamos de ter. E quem é nosso primeiro herói na infância? Nosso pai. Isso reflete então a enorme responsabilidade que temos ao sermos bons exemplos para nossos filhos. Como é bom quando vemos alguém falando: tal pai, tal filho, numa declaração de elogio. Sentimos a sensação de que cumprimos bem nosso dever de ser exemplo de vida.
E não podemos falar em exemplo sem nos mirarmos no maior deles, Jesus Cristo. Quem professa a doutrina cristã tem na sua passagem pela terra, o filho de Deus feito homem, o exemplo de vida que faz nascer nos nossos corações sentimentos que nos conduzem a posturas fundamentadas no amor, na fraternidade, na moralidade e na ética.
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A REPÚBLICA DE CADA UM; Por Gilva de Brito

A REPÚBLICA DE CADA UM; Por Gilva de Brito

O Brasil foi governado durante 67 anos – 1822 a 1889 – por apenas dois administradores, chamados imperadores ou monarcas: Pedro Primeiro, filho de D. João VI (português) com Carlota Joaquina (espanhola); e Pedro Segundo, filho de Pedro Primeiro (português) e da Princesa Leopoldina (austríaca) e casado com Tereza Cristina (italiana). O legado imperial representou muito pouco ou quase nada para o Brasil, em sete décad

as e foi suprimido pela revolução federativa no dia 15 de novembro de 1889. Por isso o 15 de novembro que registra o advento da República merece ser comemorado porque nesse período o Brasil avançou para alcançar uma posição invejável, de oitava economia do mundo, e ainda pontuou várias conquistas nos campos social, artístico, econômico e industrial, nestes 128 anos. Cada um tem o 15 de novembro que ficou gravado na sua memória. Na minha lembrança foi a viagem que fiz à Portugal, indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, para representar o Brasil no Congresso Internacional de Jornalistas e no Encontro de Jornalistas de Países da Língua Portuguesa, em novembro de 1986.

Foi uma viagem interessante porque me permitiu, com o prolongamento da estada, conhecer de perto o povo português não apenas em Lisboa, mas, no interior: Cascais, Estoril, Queluz, Faro, Setúbal, Viseu, Coimbra e Porto. Num desses eventos o presidente Mário Soares fez questão de comparecer, em Setúbal, quando tive a oportunidade de cumprimenta-lo (foto). Aquele dia 15 de novembro era data de eleição no Rio de Janeiro e a TV portuguesa, o “Canal 1”, quis saber quem venceria para o governo.

Na entrevista eu disse que Moreira Franco estava à frente com grande vantagem e que poderia sair vitorioso. Essa minha declaração desapontou alguns portugueses que defendiam a candidatura de Darcy Ribeiro, apoiada pelo então governador Leonel Brizola, ambos muito conhecidos e respeitados em Portugal. Deu Moreira Franco. Foi um 15 de novembro que durou um mês, de lembranças inesquecíveis.

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A ILUSÃO DA VERDADE É MÃE DA INJUSTIÇA: Por Rui Leitao

A ILUSÃO DA VERDADE É MÃE DA INJUSTIÇA: Por Rui Leitao

 

O julgamento das ações humanas deve ser baseado na verdade dos fatos. Mas o que é a verdade? Segundo Platão “Verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso aquele que as diz como não são”. A partir dessa afirmação, chegamos ao perigoso entendimento de que estamos sempre intimados a acreditar no que divulga a mídia ou nos discursos de persuasão dos políticos e dos que se julgam capazes de manipular consciências. É a verdade falseada com segundas intenções.

 

É no conjunto ético e moral de uma sociedade que encontramos a “verdade”. Se integramos uma sociedade corrompida, essa verdade fica comprometida e os julgamentos passam a ser arriscadamente contrários aos princípios de justiça.

A nossa experiência pessoal, construida no ambiente social em que vivemos, é que nos induz a adotar pressupostos em relaçao a pessoas, fatos e circunstâncias. Por isso passíveis de equívocos e distanciados da verdade. A ilusão da verdade domina nossa consciência crítica. Somos permanentemente bombardeados por informações falsas e muitas vezes propositadamente incompletas. Com base nelas chegamos a formar opiniões que passamos a julgar como verdadeiras.

 

A História tem nos mostrado que muitas vezes aquilo que entendíamos como verdade absoluta tornou-se uma concepção falsa. Estamos sempre incorrendo em interpretações errôneas que nos levam a cometer injustiças. Essa é a razão do perigo do pré-julgamento. Quando nos antecipamos em julgar pessoas e situações sem a preocupação de buscarmos chegar próximos do que seja a verdade. E fazemos isso, muitas vezes, guiados por emoções, paixões, interesses pessoais, ou até mesmo influenciados por outros.

 

Nós, simples mortais, nunca conheceremos a verdade absoluta. Esse conhecimento só Deus possui. Mas podemos ser prudentes na admissão daquilo que nos parece, num primeiro momento, verossímil. Se deixarmos que a emoção se sobreponha à razão, certamente estaremos fadados a aceitar verdades que nos são convenientes momentâneamente, mesmo sabendo que elas estão eivadas de falsidades. E o que pode ser bom para nós individualmente, pode ser prejudicial para outros ou uma coletividade.

Não custa refletirmos sobre isso, a cada vez que nos sentirmos tentados a apontar o dedo em direção a alguém para acusá-lo. A ilusão da verdade é mãe da injustiça.

 

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O MENINO E O SANTO: Por  FÁBULA DE GILVAN DE BRITO

O MENINO E O SANTO: Por

FÁBULA DE GILVAN DE BRITO

O menino ouvia falar que São João nunca havia tomado conhecimento dos festejos que se faziam na Terra, em sua homenagem, nos dias 23 e 24 de junho de cada ano. As pessoas acendiam fogueiras, dançavam forró, baião, xote e quadrilha junina, soltavam vários tipos de fogos de artifício e balões coloridos, deglutiam pamonhas, canjica, mungunzá e bolo de milho verde.

O que fazer para despertar o santo? Imaginava que, talvez, uma bomba de alto teor pudesse acordá-lo, mas o barulho das bombinhas que ouvia não chegava ao quarteirão mais próximo. Então tomou a iniciativa de acordar o santo com os recursos de que dispunha. Foi ao seu quarto, quebrou o cofrinho de barro em formato de um porco e saiu direto para o bazar de fogos do seu Clidineu, com todas as suas economias, suficientes apenas para a compra de quatro bombas do tipo “arrasa-quarteirão”.

Foi até a pracinha de São Gonçalo e solicitou de dois adultos conhecidos que soltassem as quatro bombas de uma só vez, e pediu um retardo de cinco minutos. Correu para casa, sentou-se no batente que dava para a rua de terra batida e algum tempo depois ouviu uma grande explosão provocada pelos seus petardos. Foi um grande barulho, mas insuficiente para atingir o espaço, segundo imaginou, porque não repercutiu em eco. Frustrado por não ter atingido o alvo, começou a pensar noutra alternativa.

Foi então que lhe veio à memória uma matéria que havia lido numa revistinha do SESI, mandada para seu pai pelo Sindicato, que falava de um lugar chamado “Mitologia Nórdica”, onde existiam vários deuses. Um deles era Thor, filho de Odin, o deus dos raios e trovões, que provocava extraordinários estrondos em tudo que batia com o seu martelo. Pensou em fazer uma prece para o deus do trovão, mas não sabia rezar, vinha de uma família de ateus. Então resolveu fazer um pedido ao deus Thor, para que desse uma martelada com toda força em alguma coisa, para provocar o maior estrondo de que já se ouvira falar.

Não demorou um minuto quando foi surpreendido com uma bola de fogo que cortava o espaço, sobre a sua cabeça, largando enormes labaredas, no sentido oeste-leste, na direção do oceano Atlântico. Tudo aconteceu em segundos, e a bola de fogo, uma réplica das estrelas cadentes que via riscar os céus, sendo aquela, porém, de tamanho muito avantajado, desapareceu após fazer um barulho parecido com o de um tecido de seda sendo rasgada: shsssssssss. Enquanto ruminava a respeito da notável aparição sobre sua cabeça, ouviu, trinta segundos após, uma grande explosão, a maior que já ouvira em toda a vida, soprada das bandas da praia de Tambau, que provocou um eco prolongado: “bummmmmm-bummmmm-bummmm-bummm-bumm-bum”.

Pulou de alegria, deu um murro no ar com o punho cerrado, como fazia Pelé após marcar um gol. Era tudo de que precisava para acordar São João do sono que provocava a suspensão de suas atividades corporais por 48 horas, justamente nos dias em que os habitantes do bairro da Torre lhe prestavam essa fantástica reverência. Agradecido, dirigiu-se ao deus Thor, informando-lhe que a lasca que ele retirara da Lua, com a sua violenta martelada, foi suficiente para provocar uma explosão capaz de acordar o santo.

MORAL DA HISTÓRIA:

Quando insistimos numa ideia, de alguma forma a veremos prosperar, mesmo que o resultado muitas vezes não chegue ao nosso conhecimento.

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O GRITO DE INDEPENDÊNCIA: Escrito Por Rui Leitao

 

O GRITO DE INDEPENDÊNCIA: Escrito Por Rui Leitao

 

O mais célebre grito de independência da nossa história foi proclamado em 1822, por Dom Pedro I, nos libertando da condição de colônia portuguesa. Decorridos quase dois séculos, esse grito continua sendo necessário ecoar, como manifestação de apreço à liberdade, à soberania nacional e a luta contra a dependência cultural, política e econômica, imposta pelo domínio de pensamentos conservadores.

Não podemos continuar dependentes de conceitos arcaicos do “fazer política”, produzindo uma postura que inibe a liberdade de pensar e de agir. Temos sido ao longo desse tempo vítimas da subordinação à dinâmica da economia internacional, à ingerência de potências estrangeiras e a práticas políticas que agridem os princípios democráticos.

Enquanto persistirem as desigualdades e injustiças sociais, não podemos “bater no peito” e aclamar nossa soberania. Continuamos dependentes de paradigmas que em nada contribuem para a afirmação de uma nação que possa se considerar livre de qualquer tipo de subalternidade. Permanecemos sujeitos a uma cultura política que marginaliza e segrega classes sociais, promove a miséria e estimula a corrupção.

Existe uma estratégia montada para inibir os gritos de rebeldia, os questionamentos, as insurreições, urdida por setores internalizados nos poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário) ou articulada por uma mídia com fortes amarras políticas, desprezando a isenção que se espera de um jornalismo sério e responsável. O novo grito de independência surge na voz rouca das ruas, no clamor por ética na política, nas mobilizações populares, nas cobranças, na fiscalização. A inércia, a passividade, o comodismo, contrariam qualquer formulação de luta pela liberdade, pela independência individual ou coletiva.

O grito de independência não pode ser considerado apenas um brado em favor da nossa autonomia nacional, mas deve servir de símbolo da coragem de se posicionar contra tudo o que venha comprometer nossa liberdade, enquanto povo e enquanto cidadãos. Ficar com esse grito contido é admitir a submissão, a obediência irrestrita, o servilismo, por questões de sobrevivência ou de apego a interesses individuais.

O mais célebre grito de independência da nossa história foi proclamado em 1822, por Dom Pedro I, nos libertando da condição de colônia portuguesa. Decorridos quase dois séculos, esse grito continua sendo necessário ecoar, como manifestação de apreço à liberdade, à soberania nacional e a luta contra a dependência cultural, política e econômica, imposta pelo domínio de pensamentos conservadores.

Não podemos continuar dependentes de conceitos arcaicos do “fazer política”, produzindo uma postura que inibe a liberdade de pensar e de agir. Temos sido ao longo desse tempo vítimas da subordinação à dinâmica da economia internacional, à ingerência de potências estrangeiras e a práticas políticas que agridem os princípios democráticos.

Enquanto persistirem as desigualdades e injustiças sociais, não podemos “bater no peito” e aclamar nossa soberania. Continuamos dependentes de paradigmas que em nada contribuem para a afirmação de uma nação que possa se considerar livre de qualquer tipo de subalternidade. Permanecemos sujeitos a uma cultura política que marginaliza e segrega classes sociais, promove a miséria e estimula a corrupção.

Existe uma estratégia montada para inibir os gritos de rebeldia, os questionamentos, as insurreições, urdida por setores internalizados nos poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário) ou articulada por uma mídia com fortes amarras políticas, desprezando a isenção que se espera de um jornalismo sério e responsável. O novo grito de independência surge na voz rouca das ruas, no clamor por ética na política, nas mobilizações populares, nas cobranças, na fiscalização. A inércia, a passividade, o comodismo, contrariam qualquer formulação de luta pela liberdade, pela independência individual ou coletiva.

O grito de independência não pode ser considerado apenas um brado em favor da nossa autonomia nacional, mas deve servir de símbolo da coragem de se posicionar contra tudo o que venha comprometer nossa liberdade, enquanto povo e enquanto cidadãos. Ficar com esse grito contido é admitir a submissão, a obediência irrestrita, o servilismo, por questões de sobrevivência ou de apego a interesses individuais.

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OS ATAQUES À CONSTITUIÇÃO CIDADÃ: Por Rui Leitao

Essa questão de cidadania não é muito do agrado dos ideólogos da direita. O exercício dos direitos civis, políticos e sociais pelos cidadãos de um país é mais adequado a princípios socialistas, segundo eles, coisa dos que pregam a necessidade de uma melhor organização social. Não se consegue exercer plenamente a cidadania sem a consciência dos seus direitos e obrigações. E quem dispõe sobre isso é a Constituição. Logo, a Carta Magna de 1988 contraria seus interesses. No pensamento dos que militam na “direita”, o indivíduo deve ter mais deveres do que direitos. Por isso, tentam, a qualquer custo, “matar” a democracia, prevalecendo a força dos poderes políticos e econômicos.
No ato de promulgação da Constituição Cidadã, o deputado Ulysses Guimarães falou: “A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja nosso grito: Muda para vencer! Muda, Brasil!”. Ora, ela nascia na redemocratização e trazia no seu conteúdo normativas que garantiam essa transformação, protegendo-nos de ataques aos direitos individuais e coletivos conquistados e oferecendo-nos um ambiente onde prevaleça a liberdade, pressuposto básico da democracia.
Inconcebível esse pensamento na contemporaneidade nacional, onde avanços sociais são considerados ideias de esquerdistas. Os que eventualmente assumiram o comando dos destinos de nosso país, praticam o obscurantismo, contrariando o discurso de Ulysses Guimarães quando dizia que a Constituição seria o nosso grito de mudança. Ele proclamava a necessidade de tirar o Brasil do regime de opressão que vivemos ao tempo da ditadura militar. E como imaginar um processo de transformação social e política sem que a população tenha acesso ao conhecimento?
Estão a todo momento emendando a Constituição, retirando direitos e descaracterizando o conceito de cidadania que marcou a sua formatação de origem. Querem mudar até a interpretação das cláusulas pétreas, tais como a que estabelece o Artigo 5, Inciso XVII, de forma a permitir que possam exercer ações persecutórias, de acordo com as suas preferências políticas e ideológicas. Buscam produzir na opinião pública a impressão de que a Constituição Cidadã estimula a impunidade. Praticam desavergonhadamente o retrocesso jurisprudencial em matéria de direitos e garantias fundamentais, com argumentos inidôneos, atacando o que dispõe o Artigo 5 da Constituição Federal.
Ainda bem que no Supremo Tribunal Federal encontramos ministros que resistem a essas tentativas de violação da nossa Constituição, salvando-a dos agravos que a ela querem desferir. Os garantistas assumem, portanto, a nobre responsabilidade de assegurar os direitos que nos foram conferidos na Constituição Cidadã de 1988. O ódio à Constituição fica para os que não têm amor patriótico ao Brasil e aos que insistem em desrespeitar os instrumentos jurídicos que visam proteger os cidadãos. Quem não gosta de democracia, tem saudades da ditadura, homenageia torturadores e tem ódio ao exercício de cidadania.
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