EU E MAMÃE;   Por Francisco Nóbrega dos Santoas

EU E MAMÃE  

Por Francisco Nóbrega dos Santos 

Do livro “POESIAS ESCOLHIDAS

Do Poeta Paraibano JANSEN FILHO                                                                    

Mamãe: você se recorda
De quando eu era menino
E saia sem destino
À procura de brinquedo?…
Papai ficava escrevendo
E toda vez que eu saia
Você sempre me dizia:
“Não demore! Volte cedo!” 

E quando eu deixava a mesa,
Ia em direção à sala,
Escutava a sua fala:
“Meu relógio nunca atrasa!”
E para mim se voltando
Dizia, depois da ceia:
“O mais tardar: sete e meia
Você tem que estar em casa!” 

Eu saia como o vento,
Correndo pelas calçadas,
Brincando com os camaradas
Sem passado e sem porvir!
Faltando cinco minutos
A brincadeira acabava
E às sete e meia eu voltava
Para rezar e dormir… 

À beira da minha cama
Você, mamãe, se sentava
E tranqüila me ensinava
Padre Nosso… Ave Maria…
Depois lhe pedia a benção,
Pedia a papai também,
Sem falar mais com ninguém
Fechava os olhos e dormia… 

Fui crescendo! Fui crescendo!
E quando mudei de idade
Morreu a tranqüilidade
Do menino inexperiente!
Com a carta de A. B. C.
Um lápis, uma sacola,
Você me pôs numa escola
– Outro mundo diferente! 

Mas um dia, a Professora
Me bateu!… Não sei porque!
Minha carta de A. B. C.
Lhe atirei de encontro ao rosto!
E você sabendo disso
Caiu prostrada num canto!
Seu sofrimento foi tanto,
Quase morreu de desgosto! 

Lá me fui para outra escola!
Aquela não me aceitava!…
– Dona Faninha me odiava!
Pobre velha sofredora!
Hoje dou graças a Deus
Por algo ter aprendido
E viver arrependido
Do que fiz com a Professora! 

Um dia, Você, Mamãe,
Me mandou comprar o pão.
Depois que cuspiu no chão
Disse: “Volte num segundo!”
“E  se esse cuspo secar
E eu perceber sua ausência,
Fique certo – a penitência
Será a maior do mundo!” 

Sai sem nenhum temor,
Não fiz caso da ameaça,
Fiquei correndo na praça,
Esquecendo o meu dever…
Mas quando cheguei em casa
Você me bateu à bessa…
Se papai não vem depressa,
Não parava de bater!… 

Então corri como um louco,
Saltei a porta da frente!
Chovia torrencialmente
E ante o temporal fechado
Sai numa disparada,
Blasfemei enquanto pude
Gritando: vou para o açude
Para morrer afogado! 

Nossos bondosos vizinhos
Entraram na noite escura,
Todos à minha procura
Sem saber onde eu estava!
Mas depois que me encontraram
Foi aquela romaria:
O povo todo sorria!
Só Você, Mamãe, chorava!… 

Hoje que o tempo passou
E eu acordei para a vida,
É que sei, mamãe querida
Os erros que pratiquei!…
Você bem sabe, Mamãe,
Que eu fui um menino horrível
Pela série indescritível
Dos desgostos que lhe dei! 

Ajoelho-me ante a distância
Para lhe pedir perdão
E dizer de coração:
SEU FILHO SE ARREPENDEU!
Arrependi-me mamãe
De tudo ter praticado.
Porisso odeio o passado
Só porque você sofreu!… 

Mas a mamãe carinhosa,
amiga, fraterna e boa,
Ama, castiga, perdoa,
Faz o que você me fez!
Se eu voltasse à minha infância
Seria feliz porque
Estou certo que você
Me perdoaria outra vez!

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Corrupção & Investigação;  Por Valter Nogueira 

Corrupção & Investigação;  Por Valter Nogueira

Em um evento de nível internacional, realizado no Tribunal de Contas do Estado, em 2016, um palestrante afirmou que “não há crime perfeito, mas sim mal investigado”. Isto é, se houver dedicação e condições (sem interferências) é possível em tempo razoável se chegar ao autor de um crime.

O assunto já foi tratado aqui, nesta coluna, mas, agora, com informações adicionais, penso que vale a pena ler de novo.

Corrupção e Lavagem de Dinheiro Público foi o tema do evento, que contou, inclusive, com a participação do ex-juiz Sérgio Mouro. A partir de explanações de conferencistas peritos no assunto, ficou evidente que há inúmeras formas de desviar o erário: superfaturamento de obra, pagamento de serviço não realizados, diárias pagas de forma indevida etc.

No que diz respeito a botar a mão no dinheiro público desviado, há duas formas clássicas: a direta e a indireta.

A forma direta ocorre quando o dinheiro desviado chega, em espécie, à mão do gestor – por meio de envelopes, caixas, sacos etc. Já o meio indireto é mais sofisticado, quanto à técnica. Se dá quando o corrupto não pega nas cédulas, mas se beneficia do ilícito por meio de terceiros – denominados “laranjas”.

De posse do dinheiro, os “laranjas” pagam contas pessoais de seus “chefes”. O valor desviado serve, também, para aquisição de imóveis e bens de valor. Há casos, ainda, em que o numerário é utilizado para pagar despesas do gestor, como, por exemplo, honorários de advogado ou de outros profissionais contratados pelo gestor corrupto ou por familiares deste.

Vantagem

Despreocupado em botar a mão no bolso para pagar suas contas, o corrupto tende a enriquecer de forma aparentemente honesta. Isso porque ele pode poupar o salário mensal relativo ao cargo que ocupa. Exemplo recente ocorreu no caso que levou à prisão o ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.

Em oito anos – ora vice, ora governador do Rio – , Pezão fez apenas 11 saques de pequeno valor em suas contas bancárias, segundo a Polícia Federal. No mesmo período, caíram em suas contas créditos referentes ao salário e a outras vantagens do cargo.

O curioso é que Pezão pagava contas, fazia compras e fechava negócios com pagamentos em dinheiro vivo.

Lavagem de Dinheiro

Ainda sobre o evento no TCE, o conferencista informou que após concluído o desvio do dinheiro público, é natural que a trama entre na segunda etapa do ilícito: “lavagem do dinheiro”. A expressão surgiu a partir da constatação do fato de que o dinheiro adquirido de forma ilícita é sujo. Portanto, deve ser “lavado” para se tornar, aparentemente, limpo.

De posse do dinheiro desviado, o corrupto tende a abrir uma empresa com o objetivo de tornar legal o que foi adquirido por meio ilegal. Mais à frente, irá “argumentar” que o patrimônio adquirido é fruto do sucesso do negócio.

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Brasília equilibra o Brasil:  Por Valter Nogueira 

Brasília equilibra o Brasil:  Por Valter Nogueira

A semente plantada no Planalto Central brasileiro pelo visionário Juscelino Kubitscheck dá frutos no tempo atual, promovendo o equilíbrio regional, quanto à questão de descentralização populacional e de recursos financeiros. Estamos falando de Brasília, a capital federal do Brasil e a sede de governo do Distrito Federal, localizada na região Centro-Oeste do país.   Hoje, a cidade completa 61 anos.

Sem Brasília, provavelmente o Rio de Janeiro seria, hoje, a maior cidade do país, em número de habitantes, e com concentração de poder e renda. Com certeza,  estaria maior que São Paulo. E, ainda, mais longe das demais regiões do país; Brasília está melhor localizada em relação aos demais rincões.

Por sorte, e em tempo, Kubitscheck arrancou a capital brasileira do litoral do Sudeste e a replantou no Planalto Central do Brasil. E, assim, o que antes não passava de um lugar no meio do nada, que parecia não vingar, hoje é a terceira maior cidade do país, com cerca de 3 milhões de habitantes e com um dos aeroportos mais movimentados da Nação.

Brasília é o centro político do Brasil e é uma das únicas cidades modernas do mundo a receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Através do planejamento realizado desde a sua fundação, ela atrai pessoas de diversos lugares do mundo.

E o grande arquiteto Oscar Niemeyer tinha razão quando afirmava, na década de 1960, que Brasília era a cidade do futuro. Segundo depoimentos de amigos de sua geração, Niemeyer costumava a encontrar amigos que, insistentemente, diziam não gostar de Brasília – tipo, cidade para não morar – , no que ele respondia:

– Mas Brasília não foi feita pra a gente, pra nossa geração. Quem vai gostar de Brasília são os jovens de hoje.

É possível que, à época, tenha dito também: quem viver, verá!

No Centro do País

Brasília foi erguida no meio do cerrado, em menos de quatro anos, a partir de uma concepção modernista de urbanismo e arquitetura. A cidade foi o ápice do projeto desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1961), conhecido pelo lema “Cinquenta anos em cinco”.

Cidade sem esquinas

A cidade de Brasília não possui esquinas, se levado em conta o encontro das principais  ruas e avenidas, que costumam ser em formato de uma tesoura, em vez de esquinas a cada quarteirão.

Política

Diferente dos demais municípios do Brasil, a capital do país não tem eleições para prefeito e vereador. O eleitor da capital federal vota apenas para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado distrital.

Parabéns, Brasília!

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Lições do passado – Germânia, a supercidade de Hitler; Por Valter Nogueira

Lições do passado – Germânia, a supercidade de Hitler

Por Valter Nogueira

Um entre os documentários produzidos sobre a queda do Nazismo traz à tona depoimentos de oficiais do staff de Adolfo Hitler, colhidos logo após o fim da II Guerra Mundial. Decidi excluir o que já é conhecido do público (atrocidades) para focar detalhes periféricos contidos na produção do History Channel; rica em imagens e som.

A reportagem revela que o Führer (líder) alemão não queria apenas destruir, mas também construir. Idealizou uma nova Berlim, que passaria a se chamar Germânia, projetada para ser a “Capital do Mundo”.

Entre os depoimentos, um chama atenção por identificar sentimento de inveja no comportamento de Hitler. Trata-se das informações prestadas pelo oficial e arquiteto Albert Speer, a quem o líder nazista confiou o projeto da nova Berlim.

Com base nas revelações de Speer, é possível enxergar que o Führer se sentia incomodado ante à beleza da cidade de Paris (França).

De acordo com Speer, Hitler pretendia demolir Paris literalmente. Porém, foi demovido da ideia por pessoas mais próximas.  Após tomar a capital francesa, em junho de 1940, o Führer decidiu conhecer melhor a cidade.

Ainda de acordo com Albert Speer, Hitler caminhou ao longo da monumental avenida Champs-Élysées; parou diante do majestoso Arco do Triunfo; e, por fim, contemplou a cidade do alto da Torre Eiffel.

Na Torre, segundo depoimento do arquiteto, o ditador alemão teria dito: “Depois de pronta Germânia, Paris mais parecerá uma sombra! Então, para que a destruir!?”.

Germânia

O Plano era demolir Berlim para dar início à construção da “supercidade”. Por recomendação do Führer, Germânia teria uma avenida tal qual a Champs-Élysées, porém, maior e mais larga. E um arco à semelhança do francês, mas com tamanho bem superior.

A “supercidade” contaria, ainda, com um prédio colossal, com um domo aos moldes da Igreja de São Pedro (Vaticano), só que dez vezes maior. O projeto ficou no papel, com apenas alguns prédios edificados antes do final do conflito. Faltou recursos, todo dinheiro foi carreado para o esforço de guerra.

Ditador

Adolfo Hitler foi um ditador e como tal imaginava ter inteligência superior aos demais mortais. Ideias e projetos só eram bons se saíssem da cabeça dele. Assim como Narciso, todo ditador acha feio o que não é espelho!

Todavia, no caso dos ditadores, a inteligência é suplantada pela arrogância e intolerância, realidade que os leva as raias da loucura.

Ascensão e queda

Führer chegou ao poder por meio da democracia vigente na Alemanha, à época. Porém, a democracia, depois de cumprir o seu papel, não tinha mais serventia para as pretensões do novo “líder”. Por essa razão, precisava ser eliminada. Ao chegar ao comando, Hitler mostrou as suas garras; queria poder absoluto, deu um golpe no povo alemão.

O final da história, todos sabem – o mal não persevera!

Alemanha ressurge forte

O incrível é que a Alemanha ressurgiu das cinzas após a guerra, tal qual a Phoenix. Com a restauração da democracia, o país tornou-se em pouco tempo uma das maiores economias do mundo – sem precisar de ditadores desequilibrados nem de regime de exceção.

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Reflexões sobre o tempo ;Por Valter Nogueira 

Reflexões sobre o tempo Por Valter Nogueira

O tempo é relativo, como bem disse o físico e cientista Albert Einstein. E há tempo para tudo – para plantar, e para colher – como vaticinou o sábio rei Salomão, em Eclesiastes. Tenho consciência de que o tema deste artigo é coisa para um físico, não para um jornalista. Mas, mesmo assim, me atrevo a discorrer sobre o assunto.

Às vezes, os ponteiros do relógio parecem correr mais que as nossas pernas. Isso ocorre quando estamos atrasados para uma reunião, por exemplo, ou correndo desenfreado para entrar em um banco a cinco minutos das portas fecharem.

O contrário também ocorre. Por vezes temos a impressão de que o tempo não passa. Os mesmos cinco minutos que passam voando, hoje, em outra situação duram uma eternidade. Os ponteiros do relógio parecem estacionados quando estamos esperando alguém que a gente ama e que está longe há muito tempo.

– Que coisa, hein!

Até pouco tempo o ano 2000 parecia algo inatingível – isso para a minha geração, quem nasceu nos anos 1960. Mas, já ultrapassamos essa linha imaginária. Quando entramos no século XXI, o que antes parecia miragem deixou de ser ficção científica para ser presente. E, pasmem, já é passado!

A sabedoria popular diz que vivemos o presente, pois o futuro é desconhecido e o passado já não o temos. É recomendável valorizar mais o hoje, porém, sem esquecer totalmente do passado; nos serve de lição, como forma de evitar erros cometidos em tempos anteriores – o que podemos definir como evolução.

É prudente, também, projetar planos para o futuro, mas sem a pressa de querer antecipar acontecimentos. Afinal, preocupar-se é ocupar-se antes.

Mas, afinal, o que é o tempo? O tempo, simplesmente é!

Do ponto de vista acadêmico, tempo é uma grandeza física presente no cotidiano e em todas as áreas científicas. O tempo pode ser, também, definido como duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro. Ou, ainda, período contínuo no qual os eventos se sucedem.

Recorrendo à sabedoria popular, o tempo é senhor da razão, é remédio, é cura, é momento de alegria e de tristeza. O tempo apodrece a madeira, amarrota papéis e tecidos esquecidos no fundo de uma gaveta. Mas também refina o vinho e faz a árvore crescer, florescer, dar frutos e sombra.

A vida é cíclica, tudo passa, tudo muda. Porém, todo dia é tempo de aprender; aprender e mudar. Afinal, nada voltará a ser como foi antes. Mas, lembre-se, tudo pode ser melhor do que nunca foi.

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O nome é Daniella  por Valter Nogueira

O nome é Daniella  por Valter Nogueira

O eleitor paraibano poderá escrever, em 2022, um novo e inédito capítulo da história política paraibana: eleger, pela primeira vez, uma mulher para o cargo de governadora do Estado da Paraíba. E, a preço de hoje, não há outro nome de peso no cenário e universo político feminino estadual senão o da senadora Daniella Ribeiro (Progressistas).

É inegável que o pleito ainda está longe e que muita água ainda vai rolar por baixo da ponte até as eleições do próximo ano, mas uma coisa é certa: o nome de Daniella já toma uma dimensão gigantesca na atual cena política paraibana.

A carreira ascendente de Daniella – de vereadora à condição de primeira mulher a representar o estado no Senado Federal – a credencia para, no mínimo, apresentar o seu nome como pré-candidata ao governo do Estado no pleito de 2022.

A senadora é, ainda, detentora de alguns atributos essenciais à carreira política: jovem, simpática, talentosa e dona de uma oratória simples e de amplo alcance.

Resumo da ópera

O partido Progressistas na Paraíba já tem uma joia lapidada, carece agora tão somente de uma competente campanha de propaganda e de um trabalho efetivo em busca do objetivo comum e maior da legenda, qual seja: disputar a eleição majoritário com uma candidatura forte, com reais chances de vitória.

Perfil

Daniella Velloso Borges Ribeiro (Campina Grande, 26 de março de 1972) é uma pedagoga e política brasileira filiada ao partido Progressistas. Atualmente é senadora da República pelo Estado da Paraíba.

É líder do Progressistas no Senado Federal, presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher, tesoureira da União Interparlamentar e membro das seguintes Comissões no Senado: Assuntos Econômicos; Ciência e Tecnologia; Constituição e Justiça; Desenvolvimento Econômico.

Foi vereadora de Campina Grande e subsecretária de Cultura do Estado da Paraíba. Em 2010 foi eleita deputada estadual, sendo reeleita nas eleições de 2014 com 46.938 votos, sendo a segunda mais votada entre o total de deputados estaduais.

Nas eleições de 2018, foi eleita senadora pela Paraíba, sendo a primeira mulher a representar o estado no Senado Federal. Foi presidente da Comissão de Direitos de Defesa da Mulher da Assembleia Legislativa da Paraíba e membro da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da mesma casa.

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NEM PÃO E NEM CIRCO. E AGORA? Por Francisco Nóbrega dos Santos

NEM PÃO E NEM CIRCO. E AGORA?

Por Francisco Nóbrega dos Santos

A História Universal nos conta que desde o Império Romano as desigualdades sociais privilegiavam castas ou camadas diferentes e distintas na concepção dos que criaram e estruturaram o poder.

Pessoas escolhidas dentre gerações e descendências que seriam ordenadas e investidas nas funções outorgadas pelos imperadores e governos de províncias, onde o governante, de forma monocrática, ordenava e os demais simplesmente obedeciam.

Com a evolução natural do poder, sob o jugo da monarquia, csrgps subalternos, o que hoje seriam nivelados à hierarquia atual, com agente político. O Clero, formado pelas entidades religiosas, que distinguiam a forma eclesial. No mesmo patamar, como não seria diferente, os senhores feudais, isto é, aqueles que se proclamavam donos das terras, que se denominavam, feudos. O resto, apesar de sua grande maioria, era a plebe, sem qualquer distinção ou camada social, apenas rés, cujo significado se nivelava a objeto, bem e coisa. Esses seres não dispunham de direitos, mas lhes pesavam obrigações.

Assim o mundo vivia sob o grau de subordinação do Império Romano, onde o Rei, como era denominado cada um dos detentores do poder imperial e reinaria até a senilidade, quando perdia o equilibro emocional. Alguns, porém, eram destronados , por perda uma batalha ou uma traição, fato muito comum desde os tempos de Adão e Eva.

Com evolução dos tempos nasceu um fenômeno chamado política e os sumo- sacerdotes, travavam uma disputa de poder, e aliavam-se aos senhores feudais, (proprietários por vontade própria) das terras tomadas em conflitos com tribos e castas, dissidentes de um dos poderes paralelos. Daí despertaria o sentimento da plebe, que se tornaria gigantesca maioria e, de forma espontânea, começara a exigir tratamento humano.

Com o geométrico crescimento da classe inominada, e o sentimento de força numérica a iminência “parda” por temor de reação contra o império maquinaram formas de atrair a plebe a eventos violentos, como luta entre escravos, e gladiadores. E os homens escolhidos, de portes elevados, muitos gigantescos, para confrontos com os famintos da relegada classe. E vieram verdadeiras carnificinas, regadas a pão e outros alimentos naturais, produzidos pela força escrava; e os espetáculos cruéis e desumanos desviavam a mente da plebe de um possível embate.

Hoje o povo revive um passado menos grotesco e mais cruciante. O Mundo, foi colhido de surpresa por um inimigo invisível, de origem ignorada E impotente para rechaçar um ataque forte e imperceptível e letal, atingindo considerável parcela da humanidade. A princípio visto como ENDEMIA,;depois transmudada para EPIDEMIA e por fim,tornando o mundo refém de um pesadelo uma PANDEMIA.

E os poderes, apesar do progresso da ciência, perderam-se nos escaninhos da burocracia, da incompetência de uns, e da maldade de outros. Agora, diante da angústia do uso das máquinas guiadas por mentes humanas (ou desumanas), os mandatários reagem com projetos mirabolantes e impotentes, criando medidas paliativas, restritivas e coercitivas, enquanto o caos iminente ameaça o mundo. E a questão gerou disputa política: – o pleito 2022, e a prática do “PÃO E CIRCO”, ante a presença do inesperado COVID cuja ameaça mortal priva o povo de obter o PÃO e inibe CIRCO.onde o verbo e a verba disputam espaços. E agora?

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Deserto espiritual; tentação & superação Por Walter Nogueira

Deserto espiritual; tentação & superação;  Por Walter Nogueira

O deserto espiritual não dura para sempre – saiba disso! Porém, por vezes, é necessário à nossa evolução. A sabedoria popular diz: por mais longa que seja a noite, sempre encontrará o dia; com luz e todo o seu esplendor.

As vezes as nossas atitudes nos levam ao deserto; crise financeira, emocional, tentação e superação. Mas, é nas horas difíceis que os grandes homens se revelam; enfrentam obstáculos com resignação, firmeza, luta e esperança; nunca se entregam as saídas fáceis, estas oferecem apenas um alívio momentâneo.

A narrativa da condução de Jesus Cristo ao deserto é uma lição de vida atemporal – independente do credo religioso de cada ser humano. É que a realidade do deserto ocorre ou já ocorreu na vida de muita gente. A título de ilustração, podemos recorrer ao Evangelho de Mateus (Mateus 4, 1-11), que narra a batalha entre o bem e o mal, tendo como tema principal as tentações.

Primeiro, quando Jesus sente fome, a tentação propõe a Ele transformar pedras em pão. O pão é alimento biológico e necessário à vida. O Mestre é tentado a resolver o problema do alimento da forma mais fácil possível, recorrendo à mágica. Jesus vence a tentação, lembrado que “nem só de pão vive o homem”.

Depois, o inimigo propõe a Jesus lançar-se da parte mais alta do templo: alimento ideológico. Jesus supera a segunda tentação. Toda pessoa precisa crescer, ser dona do seu próprio nariz, mas sem esquecer de que cada um é responsável pelos seus atos. Não devemos chegar à irresponsabilidade de que podemos tudo, imaginado que sempre terá alguém a nos proteger do perigo que provocamos.

Por fim, o mau tenta seduzir o Mestre com uma proposta irrecusável, a qual toca no ponto central da vaidade humana: a possibilidade real de conquistar o poder. A Jesus, é oferecido todos os reinos.

Com sabedoria, o Mestre logo percebe que o preço é muito alto, vez que, segundo o Evangelho, a condição é adorar um “Deus” que não é o apresentado por Jesus. O Diabo – figura simbólica do mau –, propõe que Jesus o adore. Aqui, trata-se de um alimento afetivo.

O campo da afetividade é algo difícil de entender, pois atinge a alma e o coração. Nós precisamos de amor e de carinho, mas é bom lembrar que ninguém deve vender a própria dignidade para alcançar determinada coisa, mesmo que se trate de um alimento afetivo. O amor e o carinho devem ser gratuitos.

Dignidade

Por fim, neste ensinamento, podemos lembrar que Jesus não escapou às tentações, mas soube enfrentá-las com prudência, discernimento e dignidade, ao ponto de vencê-las.

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O GOLPE DE 64 ; Por Rui Leitao

O GOLPE DE 64 ; Por Rui Leitao
No dia primeiro de abril de 1964 o Brasil acordava com as notícias de que estava deflagrado um movimento de deposição do presidente João Goulart, com tropas militares mineiras avançando em direção ao Rio de Janeiro, onde ele se encontrava naquela madrugada. Muitos brasileiros torciam para que o noticiário a respeito não passasse de uma brincadeira do “dia da mentira”. Infelizmente não era. Portanto, a data do golpe não foi 31 de Março, mas os autoproclamados revolucionários, procurando livrar o episódio de possíveis gozações, decidiram adotar esta data como a oficial do evento.
O espectro do golpe de Estado já rondava o Palácio do Planalto desde a posse de Jango na Presidência de República. Havia por parte dos diversos segmentos da burguesia, articulados com setores da imprensa, empresariado, ruralistas e o clero conservador, um movimento de reação contra as reformas de base que seu governo procurava implementar. A tônica dos discursos era a corrupção, a subversão e a ameaça de comunização. As crises econômico-financeira e político-institucional vividas à época ajudavam as classes dominantes, através de suas forças políticas, a produzirem um sentimento de oposição ao governo. Na verdade, motivando as manobras golpistas, estava a manifestação de temor das elites com as mudanças sociais que ameaçavam seu poder econômico
A redução das desigualdades sociais se apresentava como um perigo para a manutenção das forças conservadoras no controle da vida nacional. Era preciso frear uma revolução socialista que se propunha ser efetivada. A partir dessa pregação, mobilizaram parte da opinião pública para alguns grandes movimentos de rua, como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que aconteceu em 19 de março, em São Paulo, com a presença em torno de quinhentas mil pessoas. A estratégia de convencimento popular contou com a colaboração dos principais órgãos de imprensa do país, inclusive dando ampla repercussão a essas organizadas movimentações de rua, na intenção de passar para o resto do país a impressão de que as massas apoiavam a insatisfação com o governo.
O golpe iniciado pelas Forças Armadas, teve continuidade no parlamento, com o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, decretando a vacância da presidência da república, na oportunidade em que Jango se deslocava para o Rio Grande do Sul. Estava aí consolidado o golpe civil-militar, que nos levou a viver duas décadas de uma ditadura que queremos esquecer. A democracia estava derrotada, na ocasião em que pela ruptura da ordem jurídica, se fazia a substituição de um presidente legitimamente eleito pelo voto popular. Atos de mudança de governo que se caracterizam pela ilegitimidade e desrespeito aos preceitos constitucionais, não têm outro nome, é golpe. Por isso, é inapropriado classificar aquele acontecimento, como os militares por muito tempo fizeram, de um ato revolucionário.
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A MORTE QUE INCENDIOU O BRASIL;  Por Rui Leitao 

A MORTE QUE INCENDIOU O BRASIL;  Por Rui Leitao

Há exatamente cinquenta e tres anos, num final de tarde, alguns estudantes planejavam uma passeata programada para o dia seguinte, exigindo melhorias nas condições de higiene do restaurante Calabouço, localizado no Aterro do Flamengo, quando policiais invadiram o local usando da violência. Os estudantes secundaristas que diariamente jantavam ali, foram surpreendidos com o ataque e tentaram se defender reagindo com o arremesso de pedradas.

Foi o suficiente para que disparassem vários tiros contra eles. Entre os estudantes presentes, estava o jovem de dezesseis anos, Édson Luís de Lima Souto, atingido por uma bala no peito que lhe causou morte imediata. Viria a ser o fato determinante de uma grave crise que viveria o país. O corpo do estudante foi levado nos ombros pelos colegas até a Assembleia Legislativa onde passaria toda a noite sendo velado por milhares de pessoas, num clima de muita tensão e revolta. Os teatros cariocas, ao tomarem conhecimento do assassinato, suspenderam seus espetáculos e convocaram os expectadores a participarem do velório.

O enterro do estudante foi acompanhado por mais de cinquenta mil pessoas, cujo cortejo percorreu várias ruas do Rio de Janeiro, recebendo a solidariedade da população por onde passava. Iniciava-se, naquela oportunidade, em todo o Brasil, um período de grande agitação que perdurou por todo o ano de 1968. Em João Pessoa os estudantes do Liceu realizaram comício relâmpago em frente ao colégio, na Avenida Getúlio Vargas, no momento em que Édson Luís era sepultado. Discursos inflamados das lideranças estudantis paraibanas defendiam a decretação de uma greve geral em solidariedade ao movimento paredista que sinalizava acontecer em todo o Brasil.

A manifestação foi improvisada pelos alunos do curso noturno do Liceu, mas logo recebeu a adesão de outros educandários e dos que frequentavam as escolas no período diurno. A vida brasileira foi incendiada por sucessivos acontecimentos que envolviam não só estudantes, mas também os intelectuais e as organizações sindicais. Na Paraíba não foi diferente. Os estudantes nas ruas e a repressão do governo acontecendo, de forma violenta, constituíram=se marcos históricos do enfrentamento à ditadura militar em nosso Estado. O assassinato do estudante Édson Luís causou forte repercussão nos meios políticos.

A Assembleia Legislativa da Guanabara, para onde o corpo foi levado e permaneceu até a hora do sepultamento, abriu sessão em caráter extraordinário com sucessivos e exaltados discursos dos parlamentares em solidariedade aos estudantes que ocupavam as escadarias do edifício, na Avenida Floriano Peixoto. Osmar de Aquino em discurso na Câmara Federal, afirmou: “A juventude que tem sido a grande vanguarda da libertação nacional, tem sido vítima de uma real perseguição. É a luta do velho contra o novo, do reacionarismo mais primário contra o futuro”.

Na Paraíba, o deputado estadual Mário Silveira em discurso declarou: “Esses arreganhos de prepotência, esses insultos ao direito do homem e do cidadão, são uma prova de que este dispositivo montado em 1964 está sofrendo um processo de decomposição”. A comoção nacional continuava. As agitações estudantis deixavam o governo em regime de alerta. O movimento ganhava apoio importante de parcelas da sociedade que passavam a reconhecer os estudantes como seus representantes nas manifestações de oposição ao regime. A tragédia do Calabouço potencializou a insatisfação geral contra a ditadura.

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