A PROPÓSITO DO DIA DO AMIGO! Por Gilvan de Brito


Por Valter Nogueira
Com todo respeito à pretensão da Prefeitura de João Pessoa e a quem pensa diferente, penso que a maioria dos pessoenses é contra a ideia de permitir a volta do tráfego de veículos no Largo de Tambaú, na Orla da Capital. O Largo dever ser do povo, assim com o céu é dos pássaros.
O assunto veio à tona nesta semana, pelas mãos – ou melhor, voz – do secretário de Planejamento da cidade, José Willian, durante entrevista deste à uma emissora de rádio da Capital. A data da mudança ainda não foi confirmada, mas pode acontecer em breve.
O secretário adiantou que o retorno do tráfego de veiculo na área vai acontecer depois que as ruas no entorno, e que dão acesso à praia, receberem nova pavimentação, sinalização e quando as áreas de estacionamento na região forem modificadas.
O estudo está sendo feito e dá conta de que a volta dos veículos será em horários específicos. E, ainda, o trecho ficará fechado nos períodos de maior movimentação das pessoas, que usam o espaço para lazer, conversa ou atividade física.
Na dialética do secretário, por assim dizer, é possível pinçar palavras-chave, tais como “espaço” “lazer”, “conversa” “atividade física”.
A expressão “espaço de lazer”, por si só, revela que a área em questão não combina com tráfego de automóvel.
Contraponto
É inegável que a abertura para carros, em momentos pré-determinados, era prevista no projeto original, concebido e apresentado na gestão do ex-prefeito Luciano Cartaxo (PV). Todavia, com a ocupação dos pedestres, famílias e turistas, fato verificado ainda na execução da obra, houve uma modificações no projeto, excluindo o trânsito de veículo no local.
Por essa razão, é recomendável à atual gestão mirar o Largo com os olhos da sensibilidade. É que, quando uma área pública é abraçada pelo povo, esta deixa de ser uma obra de pedra e cal; ganha alma, ganha vida.
Resumo da ópera
O Largo de Tambaú se transformou, antes mesmo de ser inaugurado, em um equipamento de lazer, área de convergência de pedestres, crianças, idosos, turistas, etc. Famílias inteiras adotaram o ambiente para momentos agradáveis de bate-papo, brincadeira e encontros.
A volta de passagem de veículos no Largo de Tambaú é, a meu ver, totalmente desnecessária.
Tiro no pé!
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por Valter Nogueira
O Brasil tem uma máquina administrativa enorme, de tamanho desnecessário e que se “justifica”, apenas, para acomodar aliados com base na prática da troca de cargos por apoio à governabilidade no Congresso Nacional. Por essa razão, o presidente da República não tem como saber de tudo que acontece nos ministérios.
– Mas, em parte, sabe, sim!
Um gestor (presidente, governador, prefeito) participa ou deveria participar de toda ação que envolve grandes licitações, compras e contratos bilionários, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade. Afinal, no final, será ele a pagar a conta.
No caso atual, ao suposto escândalo da Covaxin acrescente-se o fato de que a compra de vacinas contra a covid-19 está em foco, é assunto recorrente no Brasil ante à pandemia. E, ainda, no Ministério da Saúde – lembram? – , o presidente Bolsonaro manda, os ministros obedecem.
Em meio ao caos, surge uma nova linha de investigação: a crise atual que aponta suposta corrupção no Ministério da Saúde pode começar num contrato para compra de vacina chinesa e terminar numa conta numerada no paraíso fiscal de Singapura.
Intermediário
No caso da Covaxin, é a primeira e única vez até agora em que o governo brasileiro precisou de um intermediário para comprar vacinas. No caso em questão, a conta não bate, tem muita coisa ainda a ser explicada pelo governo.
O governo nega – ou vinha negando – qualquer irregularidade no acordo de compra da Covaxin, no valor de R$ 1,6 bilhão, assinado no dia 25 de fevereiro. De acordo com o contrato, o governo pagaria US$ 15 a dose, valor bem mais alto do que o dos outros imunizantes já adquiridos pelo Ministério da Saúde.
CPI
Por tudo que veio à tona, de repente, a CPI da Covid vai colher nesta quinta-feira (1º) o depoimento do empresário Francisco Emerson Maximiniano, sócio da Precisa Medicamentos. Ele pode e deve esclarecer muita coisa.
A questão é a seguinte: Quanto a empresa ganharia com a intermediação da compra pelo governo brasileiro? E por que o fabricante indiano tentou receber um adiantamento de R$ 500 milhões a ser pago numa offshore em Cingapura, antes de entregar o primeiro lote de vacinas?
www.reporteriedoferreira.com.br / Covaxin: há muita coisa a ser explicada por Valter Nogueira

Os renitentes promotores de falcatruas, imaginam que suas tramoias nunca serão descobertas. Como são viciados em atos de corrupção, sem que tenham sido flagrados na trapaça, se acham tranquilos na convicção de que assim será por todo o tempo. Entram em pânico, porém, quando percebem que deixaram à mostra o “batom na cueca”., dificultando a negativa do óbvio. Aí o discurso de honestidade cai por terra, de forma inconteste. Insistem, no entanto, em fazer com que a verdade seja sempre posta em dúvida, buscando, assim, encontrar a tábua de salvação.
O que fazem às escondidas, quando colocado ao conhecimento público, derruba máscaras e revela uma realidade que procuravam ocultar a todo custo. Surpreendidos com a “mão na botija”, reagem com ameaças, em explícito intento de intimidação, porque impossibilitados de apresentarem justificativas convincentes de que não estavam executando atividades que contrariam a legalidade, a moralidade e a ética, no trato da coisa pública.
Há uma velha assertiva popular que diz: “as pessoas não mudam, revelam-se”. O teatro de fingimento não encontra mais espaço para encenação. A verdadeira face, enfim fica demonstrada. O mais interessante é que a surpresa se mostra mais para os que estão sendo apanhados na pilantragem, do que pelos que passam a tomar conhecimento de como ela estava acontecendo. Só eles compreendem que todo mundo acredita que são honestos.
Os embusteiros, metidos a espertalhões, esquecem que, a qualquer momento, as regras do jogo mudam, e os deixam em situação de desmoralização pública. Já testemunhamos vários desses acontecimentos. Não é fácil enfrentar esse tipo de constrangimento. Dificilmente os reis da maracutaia têm vida longa, na atividade de fraudes, logros e ilicitudes. Um dia eles perdem a oportunidade de continuarem protagonizando tais manobras corruptas, desfazendo a ideia de que prevalece a força dos poderosos. Nem sempre é assim. A maracutaia desenfreada, utilizada como combustível na política, de repente é surpreendida, encerrando carreiras até então bem sucedidas. É preciso expurgar da política aqueles que querem transforma-la em sinônimo de falcatrua.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão
por Valter Nogueira
Temos experimentado nos últimos quinze meses uma situação que nunca vivemos antes, na nossa geração. Falo da pandemia provocada pelo novo coronavírus (Covid-19), que só no Brasil já ceifou a vida de mais de 450 mil pessoas – população de uma cidade de porte médio. É a maior crise sanitária mundial dos últimos cem anos.
Diante de tal realidade, não precisa ser médico para saber que, ante uma crise de saúde pública, a ciência deve ser a primeira luz a ser seguida. Portanto, aos negacionistas, é recomendável atenção ao que diz as escrituras: “Acerte o passo, pra não piorar o que já é manco…”.
Em outras palavras, não é desonra reconhecer que, as vezes, estamos no caminho errado e que é necessário corrigir a rota. A propósito, os pilotos de avião sabem bem o que é isso; em aviação, a rota é sempre checada e corrigida quando necessária.
Ocorre que, por vezes, o homem quer ser maior que Deus, por ser filho de Adão. E estes, por acreditar em tal ilusão, conseguem iludir um sem número de ovelhas desgarradas. São lobos em pele de cordeiro – falso líderes que, aos poucos, conduzem seus seguidores ao mau caminho.
A realidade ocorre porque, em situações extremas, muita gente fica a vagar como ovelhas perdidas, desgarradas. Depois, ao cair em si, percebe que se distanciou de si próprio, da verdadeira identidade; muitas vezes por acreditar em falsos líderes, o que pode levar ao fanatismo.
Diante de tal realidade, os desgarrados se olham no espelho mas não se reconhecem mais; vasculham a mente e se assustamos com as coisas que encontram dentro dela. Se deparam com pensamentos distantes de suas realidades, que parecem que vieram de outra pessoa.
Quantas pessoas que, antes, tinham comportamento reto, se tornaram serem humanos irreconhecíveis. Isso é algo que nos leva a reflexão: como essas pessoas se tornaram tão amargas, vingativas etc. Como foi possível deixar que tais ideias e conceitos inundassem suas mentes, tornando-as insensíveis a dor do próximo.
Nesse momento, é preciso se reencontrar senão tudo não terá mais jeito.
A boa notícia é que, mesmo em tempos difíceis, tudo passa. E o tempo mostrará quem está com a verdade.
Viva Ariano Suassuna!
Se vivo estivesse, o mestre Ariano Suassuna estaria, nesta quarta-feira (16), completando 94 anos de idade. Entre as célebres frases do mestre, destaco esta citação:
“O fanatismo e a inteligência nunca moraram na mesma casa”.
www.reporteriedoferreira.com.br por Valter Nogueira – Jornalista,radialista e escritor
Generais ministros mancham a farda do ExércitoO poder parece exalar uma essência irresistível capaz de embriagar qualquer mortal. Isso, talvez, explique o fato de um profissional de renome aceitar convite para um cargo em um governo que caminha na contramão da história. E ciente que enfrentará tempos adversos, podendo, inclusive, se sujeitar a humilhações e à possibilidade de ver o currículo manchado com a nódoa da incompetência.
O que faz um general de três estrelas – no topo da carreira e com reputação ilibada – se arriscar a rasgar o seu currículo e a manchar a sua história, ao aceitar ou desejar ser ministro de Estado a todo custo?
Ao que tudo indica, o desatino acontece por força da vaidade, da vontade desenfreada de alguns que buscam de todas as maneiras “aparecer” na mídia; ter um minuto de fama, por assim dizer.
No Brasil, a pandemia provocada pelo novo Coronavírus (Covid-19) trouxe à tona, entre outros males, a vaidade humana. Esta parece não resistir ao canto da sereia. Em outras palavras, o homem é inclinado à vaidade desmedida, deseja ser notado por todos, quer estar no topo etc.
– E quando uma oportunidade surge, hein!
A fama – e muito mais o reconhecimento – é objeto de desejo de qualquer profissional. Porém, a “coisa” não pode acontecer a todo custo.
Farda manchada
1 – Primeiro, o caso do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. General da ativa que se sujeitou a humilhações de um “capitão” despreparado para, apenas, alcançar o status de Ministro de Estado.
– Mas, a que preço?
Quem não lembra da cena patética e humilhante a que se submeteu o general? Falo do episódio em que Pazuello, após ser desautorizado pelo chefe, teve que gravar um vídeo, ao lado do presidente Bolsonaro, afirmando: “Um manda e o outro obedece, simples assim!”.
– O verdadeiro líder elogia em público e repreende em particular. No caso, o chefe Bolsonaro fez questão de repreender em público.
2 – O segundo caso parece se alinhar à máxima do ditado popular: Um não deu pra nada, o outro nem pra isso presta!
Falo do general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro. Em um áudio, o general – pasmem! – revelou ao país que tomou a vacina, ESCONDIDO.
– Isso, claro, para não “desagradar” o chefe. O presidente é chefe ou dono dele?
Os dois generais mancharam a farda do honrado Exército Brasileiro
Última
Afinal, o que há no poder de tão sedutor que as pessoas se passam a papéis pouco recomendáveis à sua biografia.
www.reporteriedoferreira.com.br por Valter Nogueira – Jornalista,radialista e escritor
Viva o Centro da Capital; Por Valter Nogueira
A gestão do prefeito Cícero Lucena dá sinais de que realmente vai devolver ao Centro Histórico de João Pessoa o glamour que tivera antes. Inclua-se neste projeto toda a área central da cidade. Nunca é demais ressaltar que a área central de João Pessoa tem cantos e recantos que encantam.
Os primeiros sinais concretos ocorreram nesta semana. Primeiro, o anúncio de que a Câmara Municipal permanecerá no Centro; segundo, a notícia de que a Prefeitura está a um passo de consolidar várias ações habitacionais no Centro Histórico, incluindo o Ponto de Cem Réis e o Porto do Capim.
Nesta linha de ações, há estudo no sentido de ocupar a antiga fábrica Matarazzo, no Varadouro, com destinação a projeto cultural. A informação foi prestada pela secretária de Habitação de João Pessoa, Socorro Gadelha, na quinta-feira (20), em contato com um portal de notícia da cidade.
João Pessoa compete com outras capitais do mesmo porte da região Nordeste, no campo do Turismo; todas com belíssimas praias. Porém, nenhuma delas conta com uma área central tão rica em história e belezas naturais quanto a nossa Capital.
Mesmo com tanta riqueza arquitetônica, histórica e natural, a área central da cidade tem sido relegada a segundo plano nas últimas décadas. A cidade cresceu e correu em direção ao mar, no aspecto habitacional, comercial e cultural.
Revitalização
Urge revitalizar o centro da capital paraibana, com ênfase para ações habitacionais e culturais, como forma de atrair moradores para a área em questão e atrair pessoenses e turistas ao Centro da bela Filipéia de Nossa Senhora das Neves.
ALPB
A Assembleia Legislativa da Paraíba bem que podia seguir o exemplo da Câmara Municipal de João Pessoa. Isto é, desapropriar imóveis por trás do prédio-sede atual, visando edificar um moderno edifício-anexo. E, assim, manter a Casa Epitácio Pessoa na área central da cidade.
O presidente da ALPB, deputado Adriano Galdino, tem defendido a transferência da sede do Legislativo estadual para outro local. Alega que o plenário da Assembleia não tem condições de receber grandes eventos – o que é verdade!
Porém, deve existir outra saída além da que propõe transferir a Casa para outro local fora do centro da cidade.
Exemplo exitoso
Em meados da década de 1980, o então governador Tarcísio de Miranda Burity desapropriou dois prédios localizados por trás do Tribunal de Justiça da Paraíba. O objetivo era construir, no local, o novo Fórum da Capital – o que foi feito!
A visão de Burity transformou, anos depois, a área desapropriada no que passou a ser denominado “Quarteirão Judiciário”. Hoje, o prédio passou a ser o Anexo Administrativo do TJPB. E, com isso, o Tribunal continua no Centro Histórico.
Vocação tardia ou irresponsabilidade?por Valter Nogueira
Antes tarde do que nunca!? Em questão de emergência isso não existe, não funciona, e o exemplo a gente aprende em casa e até mesmo na rua, no dia a dia. Quando uma pessoa sofre uma queda grave ou um corte profundo, seja em casa ou na rua, é natural que pessoas de bom senso, que presenciam a cena, ajam com a rapidez necessária à situação, como forma de socorrer a vítima.
O motivo do introito é para externar indignação ao atraso superior a um ano do lançamento de uma campanha sobre o uso de máscara e outras medidas preventivas contra o novo Coronavírus (Covid-19).
A pergunta que não quer calar: foram necessárias mais de 430 mil mortes para que os assessores do presidente convencessem este a se dobrar à realidade da pandemia e à letalidade da Covid-19?
O atraso injustificável de medidas como tal atesta a negligência do presidente Jair Bolsonaro – que deve pagar por tal ato, no tempo oportuno. Revela um gestor, no mínimo, despreparado e incapaz de liderar uma Nação. Pior, inclinado a cometer fraudes e crimes contra a saúde do povo brasileiro.
– O que dizer de um gestor que, em nome de seus caprichos, opera para adulterar a bula de um medicamento?
– O que dizer de um presidente que classifica de “gripezinha” uma doença que ceifou milhares de vidas, no mundo?
– O que dizer de uma pessoa púbica que insiste em continuar na contramão da história, da ciência e da técnica, ao desconsiderar o uso de máscaras e medidas preventivas e de provocar aglomeração em plena pandemia?
Governadores e prefeitos
Sempre que falo da posição errática de Jair Bolsonaro ante a pior crise de saúde pública dos últimos cem anos, os bolsonarista de plantão tentam, de imediato, desviar o foco – na tentativa de justificar o injustificável. De pronto, me provocam a falar de governadores e prefeitos.
– Vou falar, sim!
Devo dizer, primeiro, que foco o presidente porque ele é a maior autoridade do país e como tal deveria dar exemplo, não promover desserviço.
Sobre governadores e prefeitos, tenho a dizer que alguns estão sendo investigados por mau uso ou desvio do dinheiro vindo para o combate e prevenção à Covid. A estes, espero que a Justiça seja feita – e com rapidez. Devem pagar o que devem e aguentar as consequências dos rigores da lei, após comprovada a culpa.
Contraponto
Vale ressaltar que nenhum governador foi flagrado dizendo que a Covid-19 se tratava de uma “gripezinha”; nenhum gestor do executivo estadual ou municipal foi pego sem máscara em público, nem mesmo provocando aglomeração.
Ao contrário, todos torciam pela chegada da vacina e pediam cautela, cuidado e proteção ao povo de seus rincões. E isso comprova que, ao menos os governadores, todos, nunca concordaram com a posição negacionista do presidente da República; embora alguns não assumam nem declaram isso.
Prova do que falo está estampada dentro do próprio staff de Bolsonaro; teve até ministro – pasmem! – que, para a vergonha geral da Nação, tomou vacina escondido.
Em outras palavras, mesmo entre os bolsonaristas, o que se vê é que, na hora do vamos ver, a recomendação do presidente que se exploda, o que importa é saúde.
Resumo da ópera: o pior cego é aquele que não quer ver.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Valter Nogueira-Jornalista, Radialista e Escritor
O acerto até nas divergências
Por Rui Leitão
Tenho acompanhado com muito interesse as sessões da CPI da Pandemia. A cada depoimento somos convencidos do quanto foi acertada a decisão de instalar essa comissão parlamentar de inquérito. As revelações feitas, algumas propositadamente e outras por descuido do depoente, municiam a constatação de que a pandemia não tem sido tratada pelo governo federal com a responsabilidade que essa crise sanitária exige. Essa verdade fica cada vez mais evidente.
Acho que os integrantes da comissão têm conduzido bem a investigação a que se propõem. Com extrema competência estão sabendo colher os elementos que comprovam, não só as omissões do governo, mas também as atitudes e discursos negacionistas contrários às medidas restritivas de proteção à saúde da população, promovendo campanhas em total desobediência às orientações da ciência e da medicina.
Os senadores comprometidos responsavelmente com a apuração de uma realidade que a cúpula governamental tenta, a todo custo, esconder, acertam até quando divergem entre si. Foi o que vimos quando do depoimento do ex-secretário de comunicação, Fábio Wajngarten, que chegou à comissão com a determinação de mentir o quanto pudesse, desde que não comprometesse o presidente da república e seus ministros. Por incompetência não conseguiu fazer isso a contento, foi flagrado na mentira durante toda sua fala, cometendo o crime de falso testemunho. Todas as suas afirmações foram desmentidas na própria sessão.
Isso ensejou o pedido de prisão do depoente, na conformidade do que estabelece o artigo 342 do Código Penal que diz textualmente: “ É tipificado como crime, fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral”. O pedido do relator, senador Renan Calheiros, foi reforçado por outros senadores presentes à sessão. Estavam certos. De fato o ex-secretário cometeu em flagrante o crime de falso testemunho. A falta de reprimendas legais ao comportamento pautado na mentira, poderia ser considerado um precedente perigoso e comprometer o seus resultados.
Todavia, o presidente da CPI, senador Omar Aziz, não acatou a solicitação, o que, no meu entendimento também acertou. A prisão do antigo assessor do governo seria aproveitada pelo bolsonarismo como uma medida que tentariam caracterizar como perseguição política. Era a vitimização que explorariam nos discursos dos fanáticos apoiadores do governo. O presidente agiu com sabedoria, preferindo aceitar a sugestão do senador Humberto Costa, determinando o encaminhamento dos autos do depoimento, na íntegra, ao Ministério Público para que sejam tomadas as providências cabíveis no sentido de promover a responsabilização, inclusive com a aplicação de penas restritivas de direito por cometimento do crime de falso testemunho perante a CPI.
A decisão salomônica do senador Omar Aziz servirá como advertência para os próximos depoentes, na orientação de que não podem faltar com a verdade, sob pena de sofrerem sanções penais previstas em lei. A CPI caminha bem na apuração das responsabilidades governamentais no enfrentamento da pandemia. Considero este um momento histórico da vida nacional.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão Jornalista, advogado e escritor

Não sei por que lembrei-me agora de uma amiga, colega de redação, uma mulher de valor, que se desdobrava na amizade com todos que a rodeavam. Chamava-se Calecina, e se foi ainda jovem, para a tristeza de seus amigos.
Trabalhávamos no Correio da Paraíba, quando o jornal funcionava num sobrado da rua Barão do Triunfo, lá pela década de setenta. Ela adorava participar das eleições da Associação Paraibana de Imprensa (API) e todas as vezes ganhava um cargo, para participar ativamente da administração da entidade.
Nos anos dois mil, prestei-lhe uma homenagem colocando o seu nome como personagem de um roteiro para cinema. A evocação da sua imagem mostra como é importante para uma pessoa participar coletivamente da vida comunitária, ser prestativa, participativa e solidária, pois será sempre referenciada