LANÇAMENTO DO MEU LIVRO 85, “A TORRE É O MEU PAÍS”; Gilvan de Brito
LANÇAMENTO DO MEU LIVRO 85, “A TORRE É O MEU PAÍS”
LANÇAMENTO DO MEU LIVRO 85, “A TORRE É O MEU PAÍS”
A GUERRA MORAL QUE CONQUISTA OS VULNERÁVEIS; Rui Leitao
Não há como evitar o questionamento sobre um fenômeno político que tem se intensificado nos últimos anos: por que tantas pessoas pertencentes às camadas sociais de baixo poder aquisitivo aderem a pautas da extrema direita? O sociólogo Jessé Souza, em seu livro “Pobre de Direita – A Vingança dos Bastardos”, busca explicar esse irracionalismo coletivo que promove uma identificação afetiva com líderes extremistas, facilitada pela forma eficaz com que esses atores conquistam adesões. Entre os fatores, destaca-se a influência de doutrinas religiosas neopentecostais e o ressentimento que permeia boa parte da sociedade brasileira.
Ainda que sejam prejudicados pela prática política da direita, esses que passaram a ser classificados como “pobres de direita” resultam de uma guerra moral e de um ambiente de desinformação que estimula o negacionismo, a anticiência e reforça posturas conservadoras. A teologia da prosperidade, forte em muitas igrejas neopentecostais, tem impacto direto nessa adesão à ideologia conservadora ao pregar que o sucesso material é sinal do favor divino, reforçando a crença na meritocracia. Assim, uma parcela das classes populares admite votar contra seus próprios interesses, fazendo escolhas frequentemente inconscientes, impulsionadas por valores retrógrados, identidades forjadas e medos cuidadosamente alimentados.
Mesmo vivendo em condições econômicas adversas, muitos preferem apostar nos discursos da elite que exaltam a meritocracia e um nacionalismo ingênuo, em desfavor da democracia e da própria pátria. Tornam-se, desse modo, vítimas de um “colonialismo mental” que se espelha em sociedades estrangeiras muito distintas da nossa realidade. Prevalece a cultura da subserviência, do sentimento de inferioridade e do conformismo diante da situação vivida, acompanhada do temor diante de qualquer proposta de vanguarda.
O “pobre de direita” se comporta assim porque foi facilmente contaminado por pregações ideológicas que servem aos interesses das classes dominantes, sem desenvolver a preocupação em ampliar seus conhecimentos de mundo — algo que lhe permitiria exercer uma visão crítica da realidade e contribuir efetivamente para práticas progressistas voltadas à solução de seus próprios problemas. Age sob uma lógica contraditória, guiada por valores conservadores e moralistas, mesmo que isso prejudique a melhoria de suas condições de vida. A manipulação midiática reforça essa lógica ao produzir narrativas distorcidas que beneficiam apenas o topo da pirâmide social, promovendo a imagem de que a esquerda seria uma ameaça à moralidade, enquanto a direita se apresenta como salvadora da família e da ordem.
O bombardeio de desinformações tem o propósito de incutir nesse eleitorado uma percepção desviada das causas reais dos problemas sociais, levando-o a acreditar em realidades fictícias. Por isso, não percebe que políticas neoliberais precarizam o trabalho e desmontam a proteção social, mantendo milhões de brasileiros em permanente vulnerabilidade. Essa situação só poderá ser revertida quando tivermos uma política educacional capaz de abrir os olhos dessas pessoas, transformando a “raiva” à qual foram manipuladas a sentir em indignação consciente contra as políticas de opressão a que são historicamente submetidas.
Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor
NÃO PODEMOS ENFRAQUECER QUEM NOS PROTEGE ; Rui Leitao
É inquestionável a forma competente e responsável com que a Polícia Federal vem se conduzindo na defesa institucional do país, utilizando todos os meios legais para salvaguardar os interesses nacionais. Por essa razão, tem conquistado o respeito da população, que reconhece o papel desempenhado na sua missão constitucional. Cumpre a função de polícia investigativa e judiciária de ordem política e social; de fronteiras; de combate às drogas, ao contrabando e a outros crimes. Também lhe compete garantir a segurança pessoal dos presidenciáveis e de chefes de Estado em visita ao Brasil, além de colaborar com o Poder Judiciário na preservação da ordem pública e do Estado Democrático de Direito.
Sendo um órgão de Estado, atua com independência em relação ao governo, sem admitir interferências em suas ações, sempre exercidas de forma técnica, justa e imparcial, dentro dos limites impostos pela lei. Essa autonomia assegura a necessária isenção, impedindo que interesses pessoais ou político-partidários contaminem seu trabalho. É exatamente por isso que precisa ser protegida de tentativas de instrumentalização política por parte de governantes.
No momento em que o Congresso analisa o Projeto Legislativo conhecido como PL Antifacção — originalmente proposto pelo Executivo, mas posteriormente alterado pelo relator na Câmara — essa autonomia sofreu ameaças, com dispositivos que poderiam reduzir seu poder de atuação. A reação foi imediata, tanto do governo quanto das entidades representativas dos agentes da Polícia Federal. Não faltaram acusações de que a instituição estaria sendo alvo de ataques motivados por interesses político-partidários.
O enfraquecimento da Polícia Federal pode gerar graves problemas, colocando em risco as instituições democráticas e afetando a confiança da sociedade, uma vez que diminuiria sua capacidade de atuar plenamente no combate à corrupção, ao crime organizado e a outros delitos de grande impacto social. Na sua sexta versão, o PL foi aprovado por larga maioria na Câmara dos Deputados e segue agora para análise do Senado. O embate político permanece, com posições divergentes entre a base do governo e a oposição.
É fundamental reconhecer a necessidade de valorização da PF, preservando sua independência funcional, administrativa e financeira, sem permitir intervenções governamentais na sua forma de atuar ou restrições de verbas que comprometam o desenvolvimento das investigações. Pesquisas de confiança institucional no país revelam que a Polícia Federal está entre as entidades mais respeitadas pelos brasileiros. O trabalho dos agentes é amplamente reconhecido como pautado pela integridade e dedicação ao interesse público.
Ainda que parlamentares da oposição tenham comemorado o resultado obtido na Câmara, a base governista manifesta preocupação com pontos do texto aprovado, entre eles a possível descapitalização da instituição. É indiscutível que avanços importantes têm sido conquistados no combate ao crime organizado, mas esses avanços exigem reflexão qualificada por parte dos diferentes setores políticos e das entidades ligadas à segurança pública.
É urgente qualificar o debate sobre segurança pública, com o propósito real de superar a violência que tanto assusta a sociedade. As normas legais precisam ser atualizadas para enfrentar com eficácia o crime organizado, em um esforço articulado entre o governo federal e os governos estaduais, corrigindo falhas jurídicas que ainda persistem no projeto aprovado pela Câmara.
Que os ânimos se desarmem e se promova um esforço de unidade nacional, independentemente das diferenças ideológicas ou das disputas político-eleitorais mirando 2026. O foco deve ser o estabelecimento de uma política de segurança pública eficaz, livre do punitivismo retórico e do populismo penal midiático. Que o projeto em análise no Congresso saia do palanque montado para o próximo ano.
Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor
DA ESCRAVIDÃO LEGAL PARA A ESCRAVIDÃO SÓCIAL Por Rui Leitao
Nos bancos escolares, aprendemos que uma princesa aboliu a escravidão no Brasil. Nas provas, cobravam-nos apenas a data e o nome da lei. Nada além disso era solicitado — e o assunto se encerrava aí.
Entretanto, a escravidão moldou profundamente a sociedade brasileira. Foram mais de 300 anos de trabalho compulsório de africanos na construção do país, o último do mundo a extinguir essa prática, e só o fez após intensas pressões internacionais e internas, impulsionadas pelas lutas de negros e brancos que não aceitavam mais a existência de toda uma população de não cidadãos, de não consumidores, de pessoas que, por lei, pertenciam a um senhor que detinha quase o poder de vida e morte sobre elas.
A escravidão, como sabemos, não foi um fenômeno restrito ao Brasil ou a um período específico. Existiu na Antiguidade, aparece em diversos trechos dos textos bíblicos e, lamentavelmente, ainda hoje persiste sob múltiplas formas. No Brasil, além da miséria e da falta de oportunidades, o fim tardio da escravidão deixou às pessoas libertas o abandono — e, como marca mais profunda e duradoura, o racismo. Somos, infelizmente, uma sociedade racista, que necessita refletir sobre as maneiras pelas quais o racismo opera no cotidiano.
Dados do IBGE demonstram com clareza esses efeitos: 73% da população em extrema pobreza é composta por pessoas negras; nas universidades, apenas 18% dos estudantes matriculados são negros — e esse número só chegou a esse patamar graças às políticas de ação afirmativa. Na pós-graduação (mestrado e doutorado), o contraste é ainda maior: apenas 2,7% são pretos, contra 82% de brancos.
O Brasil precisa de uma nova abolição, que, diferente da primeira, seja baseada em políticas públicas que contemplem efetivamente a população negra e formem cidadãos antirracistas. Só assim construiremos uma sociedade verdadeiramente igualitária, uma pátria-mãe para todos os seus filhos.
A necessidade dessa segunda abolição nos leva a outra reflexão igualmente urgente: o persistente trabalho escravo contemporâneo, que está longe de desaparecer. O racismo continua sendo instrumento de funcionamento da produção capitalista, permitindo que a dominação burguesa mantenha as estruturas sociais brasileiras explorando a mão de obra negra em condições análogas à escravidão. Capitalismo e racismo se realimentam, herdeiros diretos dos resquícios do modo de produção escravista colonial.
É preciso enfrentarmos o desafio de formular estratégias que rompam o reacionarismo incrustado nas instituições e promovam a plena integração da população negra em condições de igualdade na sociedade de classes. Esta, sim, será a verdadeira “segunda abolição da escravidão” no Brasil.
www.reporteriedoferreira.com.br Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor

A GUERRA MORAL QUE CONQUISTA OS VULNERÁVEIS Por Rui Leitao
Não há como evitar o questionamento sobre um fenômeno político que tem se intensificado nos últimos anos: por que tantas pessoas pertencentes às camadas sociais de baixo poder aquisitivo aderem a pautas da extrema direita? O sociólogo Jessé Souza, em seu livro “Pobre de Direita – A Vingança dos Bastardos”, busca explicar esse irracionalismo coletivo que promove uma identificação afetiva com líderes extremistas, facilitada pela forma eficaz com que esses atores conquistam adesões. Entre os fatores, destaca-se a influência de doutrinas religiosas neopentecostais e o ressentimento que permeia boa parte da sociedade brasileira.
Ainda que sejam prejudicados pela prática política da direita, esses que passaram a ser classificados como “pobres de direita” resultam de uma guerra moral e de um ambiente de desinformação que estimula o negacionismo, a anticiência e reforça posturas conservadoras. A teologia da prosperidade, forte em muitas igrejas neopentecostais, tem impacto direto nessa adesão à ideologia conservadora ao pregar que o sucesso material é sinal do favor divino, reforçando a crença na meritocracia. Assim, uma parcela das classes populares admite votar contra seus próprios interesses, fazendo escolhas frequentemente inconscientes, impulsionadas por valores retrógrados, identidades forjadas e medos cuidadosamente alimentados.
Mesmo vivendo em condições econômicas adversas, muitos preferem apostar nos discursos da elite que exaltam a meritocracia e um nacionalismo ingênuo, em desfavor da democracia e da própria pátria. Tornam-se, desse modo, vítimas de um “colonialismo mental” que se espelha em sociedades estrangeiras muito distintas da nossa realidade. Prevalece a cultura da subserviência, do sentimento de inferioridade e do conformismo diante da situação vivida, acompanhada do temor diante de qualquer proposta de vanguarda.
O “pobre de direita” se comporta assim porque foi facilmente contaminado por pregações ideológicas que servem aos interesses das classes dominantes, sem desenvolver a preocupação em ampliar seus conhecimentos de mundo — algo que lhe permitiria exercer uma visão crítica da realidade e contribuir efetivamente para práticas progressistas voltadas à solução de seus próprios problemas. Age sob uma lógica contraditória, guiada por valores conservadores e moralistas, mesmo que isso prejudique a melhoria de suas condições de vida. A manipulação midiática reforça essa lógica ao produzir narrativas distorcidas que beneficiam apenas o topo da pirâmide social, promovendo a imagem de que a esquerda seria uma ameaça à moralidade, enquanto a direita se apresenta como salvadora da família e da ordem.
O bombardeio de desinformações tem o propósito de incutir nesse eleitorado uma percepção desviada das causas reais dos problemas sociais, levando-o a acreditar em realidades fictícias. Por isso, não percebe que políticas neoliberais precarizam o trabalho e desmontam a proteção social, mantendo milhões de brasileiros em permanente vulnerabilidade. Essa situação só poderá ser revertida quando tivermos uma política educacional capaz de abrir os olhos dessas pessoas, transformando a “raiva” à qual foram manipuladas a sentir em indignação consciente contra as políticas de opressão a que são historicamente submetidas.
www.reporteriedoferreira.com.br Rui Leitão- Advogado, jornalista, poeta, escritor
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O lamento de Antônio

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DAS ILUSÕES Por Rui Leitao
O Brasil tem experimentado nos anos recentes um fenômeno sociológico produzido por grupos políticos que insistem em fazer valer suas posições ideológicas a qualquer custo. É o que podemos considerar como a construção social das ilusões. A propagação de falsas informações objetivando criar uma falsa realidade. São pessoas que aceitam viver uma vida imaginária, potencializando crenças em situações que não são reais.
O mundo “internético” condiciona esses indivíduos a viverem em uma bolha chamada ilusão, correndo o risco de experimentar frustrações ao constatarem que nada do que acreditam corresponde à realidade, criando relações e pensamentos conforme seus desejos, às vezes até inconscientes. Acreditam nas próprias mentiras que disseminam, de forma a que se sintam motivados a continuar defendendo suas posições políticas. Se sentem estimulados a se desligar da realidade em que vivem.
Constroem um mundo alheio ao “mundo real” e, por isso, produzem narrativas que não condizem com fatos concretos. Ao exercerem uma dissonância cognitiva coletiva, enfrentam o choque traumático do confronto com a realidade. Integram núcleos radicalizados que não medem consequências quanto ao comportamento mentiroso que adotam como estratégia de manipulação midiática de massas.
No circuito interno da midiosfera extremista, profetizam a anulação das sentenças jurídicas da inelegibilidade do seu maior líder e a prisão de ministros do STF, como se o governo americano tivesse poderes para impor ao Brasil essas decisões.
Essas pessoas fanatizadas e lobotomizadas, inclusive, se definem como patriotas, numa evidente contradição, ao defenderem que nossa Nação possa se submeter a intervenções de autoridades de outros países. A soberania nacional, para esses extremistas, não deve ser respeitada. Confirmam a afirmação de Freud de que “a ilusão é sempre a projeção do próprio desejo”. Espalham teorias conspiratórias e fake news com o propósito de manter sob assédio permanente as instituições. É um movimento organizado, embora minoritário, com a pretensão de manter o cotidiano da sociedade refém dessas ondas artificiais, buscando transformá-las em realidade política e manipular o pensamento coletivo.
O importante é que a mentira tem pernas curtas, e são desmoralizadas com rapidez. A fábrica de ilusões perde força produtiva, por ser alicerçada no engano e na falsidade, mesmo reciclando as mentiras e as distorções de fatos. Como nunca se fundamentam na verdade, exigem ilusões e não podem passar sem elas, dando ao que é irreal, precedência sobre o real. A verificação da realidade das coisas cai para o segundo plano.
www.reporteriedoferreira.com.br Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor
