CALABAR FOI UM TRAIDOR? por: Rui Leitão

CALABAR FOI UM TRAIDOR?

Participei, na terça-feira última, de um evento no IPHAEP – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO DA PARAÍBA, em que o tema abordado era o polêmico personagem histórico do período colonial no Nordeste, Domingos Calabar, apontado pela historiografia portuguesa como um “traidor da pátria”. Os palestrantes foram a restauradora Piedade Farias, o jornalista Ademilson José e o antropólogo Carlos Alberto de Azevedo, que brilhantemente proporcionaram um interessante e necessário debate sobre o papel por ele desempenhado nos conflitos entre os holandeses e a coroa portuguesa, no século XVII.

Essa matéria tem despertado os mais diversos questionamentos por parte de historiadores e estudiosos quando se colocam contrários aos escritos da época, todos eles produzidos por autores portugueses, fazendo prevalecer o entendimento de que ele teria cometido um ato de traição, ao optar por aderir aos holandeses no confronto estabelecido nas chamadas “Guerras do Açúcar”. Os portugueses não conseguiam aceitar a súbita adesão de Calabar às tropas batavas, depois de ter lutado ao lado dos colonizadores lusitanos. Lamentando a perda daquele aliado, decidiram estabelecer a sua condição de traidor.

No entanto, para muitos, Calabar não cometeu traição. Fez opção pelo que acreditava ser o melhor para a sua Terra e o seu povo. Em carta dirigida ao governador da capitania, Matias de Albuquerque, afirmou que passou para o outro lado não como um traidor, mas como patriota, por entender que os holandeses queriam implantar a liberdade no Brasil, enquanto que os portugueses e espanhóis tinham interesse em escravizar o nosso país.

Chico Buarque e Ruy Guerra ao escreverem a peça “CALABAR – O ELOGIO DA TRAIÇÃO”, em 1973, procuram produzir uma ação revisionista do episódio histórico, buscando discutir qual julgamento seria mais apropriado a Calabar, ensejando, inclusive, a indagação de qual teria sido a colonização mais interessante para o Brasil, a portuguesa ou a holandesa. O conceito de “traição” é questionado, a partir da escolha feita por Calabar. E os autores contextualizam com a ditadura que o país vivenciava na época em que a peça foi elaborada, ao perguntarem: afinal de contas, onde está realmente a traição? A analogia era explícita, provocando a confusão: onde estão os vilões e os heróis? Quando se sabia que o regime militar premiava a traição, os conhecidos “dedos duros”. A figura de Calabar serviu ao Brasil como exemplo de subversão.

Calabar amava sua Terra e fez a escolha que julgava mais acertada, embora seu nome tenha ficado na história definitivamente associado à ideia de traição. A História precisa ser recontada, no propósito de evitar julgamentos injustos. Percebe-se uma luta onde se ouvem várias vozes disputando o direito de serem consideradas detentoras da “verdade histórica”. Mas é preciso que isso ocorra, para que se consiga explicar, atacar ou defender as atitudes de Calabar, sem a preocupação em transformar o vilão em herói, mas a de encontrar a verdade histórica que não seja, exclusivamente, a da sua condenação escrita na versão oficial dos livros didáticos até então.

Rui Leitão




UMA DISPUTA POLÍTICA ACIRRADA Por: Rui Leitão

UMA DISPUTA POLÍTICA ACIRRADA

O grande debate que sucedeu ao anúncio de Burity como futuro governador da Paraíba, foi a decisão de Antônio Mariz em ir à disputa na convenção da ARENA, contrariando o que havia determinado o presidente Geisel. A questão era avaliada como arriscada, mas ele e seus apoiadores acreditavam nas chances de vitória.

Em 1973, portanto, a Paraíba viveu dias de grande efervescência política. As disputas eram entre Burity e Mariz para Governador, Clóvis Bezerra e Valdir dos Santos Lima para vice, Milton Cabral e Ernani Sátiro para Senador biônico. Uma das vagas para o senado seria preenchida por eleição direta que tinha Ivan Bichara como candidato da ARENA. Cada grupo em busca da conquista de votos dos convencionais. Os dois lados contabilizavam números que animavam as perspectivas de vitória. A população acompanhava essa movimentação assumindo suas preferências.

No dia 4 de junho, desde as 7:00 h, a Praça João Pessoa começava a receber um grande público. Os partidários de Mariz eram visivelmente em maior quantidade e bem mais barulhentos. Antes de iniciados os discursos no plenário da Assembléia Legislativa, onde se realizaria a Convenção, vários oradores ocuparam o parlatório que fica na frente do prédio e ali improvisaram um comício. Parlamentares e lideranças municipais se revezavam nos pronunciamentos em defesa da chapa de contestação liderada por Mariz. Até o popular Mocidade fez uso da palavra, assim se expressando: “Mais uma vez assaltam a soberania da Paraíba. Esta praça é do povo, e eu estou acostumado a falar na praça do guardião da democracia que foi o presidente João Pessoa e o faço agora em defesa do nome de Mariz”.

Por volta das 10:00 h, encerradas as manifestações na tribuna da praça, o público ocupou as galerias para ouvir os oradores daquela festa cívica. Em sendo maioria, os marizistas vaiavam os adversários e aplaudiam os correligionários. O único orador dentre os governistas ouvido em silêncio foi Tarcisio Burity, em razão do apelo feito por João Agripino no sentido de que o escutassem com respeito.

Sendo o primeiro a discursar, João Agripino iniciou dizendo: “Eu não ensinei a Paraíba a ser rebelde. Porque esse comportamento, eu proclamo, foi João Pessoa quem ministrou. Compreendo as reações. Apenas eu lhes peço para provarmos que somos um povo bravo, mas educado politicamente. Somos da ARENA e queremos Mariz candidato a governador por nosso partido. Contamos com vocês”.

Os dois candidatos ao governo assim se dirigiram aos convencionais. Tarcisio Burity: “Vou colocar os interesses do povo acima dos pessoais. Sigam-me, portanto, todos aqueles que desejam a paz, a união, a tranquilidade, o trabalho e o progresso em benefício da Paraíba e do Brasil”. Antônio Mariz: “A Paraiba não admite medo. E o povo é senhor de sua história. Quando o povo grita que eu sou o “governador do povo”, está afirmando uma verdade. Os convencionais da ARENA são uma expressão do povo. Eles trazem para aqui a voz de todos os municípios paraibanos e aqui reunidos farão a vontade desse povo e por isso nos darão a vitória”.

Exatamente às 14 h começou o processo de votação, que durou até as 17 h, quando então as duas urnas coletoras de votos foram lacradas e entregues à Comissão Apuradora para contagem das cédulas ali depositadas e consequente conhecimento do resultado da histórica convenção.

Ao ser encerrada a votação, João Agripino sugeriu ao presidente dos trabalhos que promovesse a evacuação das galerias, permitindo a presença apenas dos convencionais durante o processo de apuração, no que foi atendido. O público ficou ansiosamente esperando o resultado na Praça João Pessoa.

Predominava o nervosismo natural em qualquer momento que antecede a contagem de votos de uma eleição. Mas os partidários das duas chapas faziam contas que prenunciavam a vitória dos seus respectivos candidatos, embora na certeza de que o vencedor obteria uma pequena vantagem de votos sobre o adversário.

A Comissão Apuradora, composta por Teotônio Neto, Álvaro Gaudêncio e Américo Maia, presidida pelo primeiro, iniciou a abertura das cédulas exatamente às 17:30 h, sob os olhares atentos dos que participavam da convenção.

Quarenta e cinco minutos depois foi proclamado o resultado, apontando a vitória dos governistas. Para governador e vice, Burity e Clóvis Bezerra tiveram 152 votos, enquanto Mariz e Valdir dos Santos Lima contaram com 124 sufrágios. Confirmou-se então a expectativa de que seria apertada a disputa. Para o Senado, Milton Cabral obteve 162 votos, contra 111 dados a Ernani Sátiro. Tarcisio Burity tornava-se oficialmente o candidato da ARENA ao governo do estado a ser eleito numa votação indireta.

Rui Leitão

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O DIREITO DE CHORAR Por Rui Leitão

O DIREITO DE CHORAR Por Rui Leitão

 

O choro é um estado emocional que pode ser provocado, tanto por manifestação de alegria, quanto de tristeza. É uma característica exclusivamente humana. O pranto do sofrimento, no entanto, é resultado da vivência de angústias, decepções, dores, medo, indignação e saudade. Nesses casos o choro é involuntário. Há quem entenda que ao chorar a pessoa demonstra que não tem capacidade para lidar racionalmente com uma situação indesejada. Não concordo com esse ponto de vista. Tem sentimentos que dificilmente podem ser reprimidos ou sufocados. É preciso que eles sejam expressos de forma a acalmar um coração pesaroso.

 

Tem gente também que costuma censurar o choro e pergunta por quanto tempo o indivíduo vai continuar derramando lágrimas. São pessoas que se incomodam com o choro dos outros, porque as deixam irritadas. Geralmente esse é o comportamento de quem não tem sensibilidade, são embrutecidos, não costumam ser alcançados pelo espírito de empatia. São frios por natureza.

 

O aperto no peito, a sensação de desamparo, a perda de paz interior, são sintomas que inevitavelmente levam o ser humano a verter lágrimas de tristeza e de preocupação. Neste momento ele espera receber o abraço fraterno de apoio, a compreensão do seu sentimento de consternação, a palavra de conforto e de ajuda. O pranto do luto é mais demorado, permanece maltratando os corações por mais tempo, por conta da perda inesperada de alguém que amamos.

 

O choro nem sempre se mostra ao derramar lágrimas. Muitas vezes ele se evidencia por gritos silenciosos de inquietação, desgosto, aflição, amargura, revolta. Chorar, no sentido de lamentar, cobrar, questionar, reclamar, é um exercício de cidadania. A indignação nos conduz também ao choro. Lágrimas são palavras ditas de um sentimento calado.

 

Chorar é bom para a nossa saúde mental. Portanto, não nos faz bem segurar as lágrimas. Reprimir as emoções nos faz infelizes. Há momentos em que o choro tem efeitos terapêuticos. Após o choro, muitas vezes, recuperamos o equilíbrio emocional e melhoramos de humor. Guardar as lágrimas pode aumentar nosso sentimento de raiva ou de tristeza.

 

O machista diz que “homem não chora”. São inaceitáveis códigos culturais impostos como peso da masculinidade, onde ele terá que guardar para si as emoções que podem produzir pranto. Eu não me envergonho de chorar. E tenho chorado recentemente. Por vários motivos. Mas principalmente pelos males causados pela pandemia. Reajo com veemência às afirmações de que chorar é “frescura”. Não. Chorar não é atitude de covardia, como alguns tentam classificar. Pelo contrário é um ato de coragem, autenticidade, quando não se submete ao fingimemto de que não está infeliz ou desgostoso com alguma coisa, para não ferir a imagem de masculinidade ou não desagradar os que possam ficar aborrecidos com seu pranto de lamento.

 

Quero me manter firme na coragem de não esconder meus sentimentos de tristeza, de dor, de medo e de angústia. E vou chorar sempre que tiver vontade. Porém, sem perder o ânimo para vencer as contrariedades, a desesperança e o arbítrio. Não abro mão do meu direito de chorar. Muito mais quando esse choro tem justificativas e se faz necessário até para alívio da alma.

 

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O sequestro dos símbolos nacionais por: Rui Leitão

O SEQUESTRO DOS SÍMBOLOS NACIONAIS

Muito triste ver que os símbolos nacionais estão sendo indevidamente usados com propósitos reacionários e antidemocráticos. Sempre compreendi que as cores e os símbolos nacionais representam o sentimento de amor ao nosso país. Tentam passar a ideia de que só eles são patriotas. Como perceber manifestações de patriotismo em quem consente pacificamente com a entrega de nosso rico patrimônio? Que patriotismo é esse que se estabelece num clima de ódio aos que não comungam com as políticas elitistas e retrógradas dos que estão circunstancialmente no poder? Será que homenagear torturadores e desejar a volta de uma ditadura militar que matou nossa democracia por duas décadas, é patriotismo? Pode ser considerado patriota quem aprova injustiças sociais, extinção dos direitos dos trabalhadores e discriminação das chamadas minorias na definição das políticas públicas?

 

A bandeira nacional não pertence a qualquer grupo sectário. Não pode, em nenhum instante, significar sentimentos pautados em paixões ideológicas ou partidárias. É lamentável que o ato de vestir a camisa da CBF tenha se tornado uniforme de ativista da extrema direita. Isso é uma agressão ao espírito libertário de um povo que sempre sentiu orgulho de suas cores nacionais. Uma tentativa de forçar uma distinção entre os autoproclamados patriotas de um lado e do outro os que julgam serem inimigos da pátria, classificados por eles como comunistas.

Esse sequestro dos símbolos nacionais pode ser considerado uma armadilha para inibir os contrários de usarem tais símbolos e assim considerá-los impatrióticos. O objetivo é criar na opinião pública a ideia de que quem não veste verde e amarelo não sente orgulho do país. Estabelecer uma falsa distinção entre “patriotas verdadeiros” e os que acusam, irresponsavelmente, de não terem compromisso com a nação.

Não podemos nos afastar do debate sobre o papel da identidade nacional e do real e autentico patriotismo. É preciso reagir contra o falso nacionalismo estimulado por políticos oportunistas. Faz-se necessário, portanto, resgatarmos os símbolos nacionais, não permitindo que ideólogos da extrema direita continuem adotando-os como marcas de suas manifestações políticas. Os símbolos pátrios foram historicamente construídos para identificação nacional. Logo, nenhum grupo tem o direito de se apoderar deles por motivos que não se afinem com os interesses nacionais.

 

Rui Leitão




SINDSPOL se reúne com entidades associativas e policiais civis e apresenta ante projeto do PCCR

INFORMATIVO SINDSPOL/PB

02 DE JUNHO DE 2022

O SINDSPOL – PB, e as demais entidades associativas da Polícia Civil, se reuniram com todos Policiais Civis da 1ª Superintendência Regional de Polícia, oportunidade que as entidades apresentaram o ante projeto do Plano de Cargos Carreiras e Remuneração – PCCR, para Polícia Civil Paraibana.

Neste dia 02 de junho em João Pessoa, foi realizada a quarta reunião, seguindo o cronograma onde realizou-se a 1ª reunião em Patos, a 2ª em Campina Grande e a 3ª em Guarabira. O ante projeto foi entregue ao Delegado Geral, passou pelo Secretário da Segurança, PGE e encontra-se com o Secretária da Administração do Estado, para ser feita a repercussão financeira e em seguida ir para o Governador João Azevedo que deve enviar para Assembleia Legislativa para sua aprovação e se estabeleça a dignidade salarial dos Policiais Civis, que estão recebendo o pior salário do Norte/Nordeste do Brasil.

PCCR JÁ
Falou Antônio Erivaldo H. Sousa, presidente do SINDSPOL/PB




A BOA LIDERANÇA TEM CORAÇÃO Por: Rui Leitão

A BOA LIDERANÇA TEM CORAÇÃO

 

Impossível alguém exercer liderança positiva sem que demonstre empatia pelos outros. Os que não têm coração só conseguem sobreviver como líderes, impondo a cultura do medo e numa sociedade desumanizada. Insistem na necessidade de manter a “máscara” para serem vistos como poderosos. Quando se perde o contato com o coração, dificilmente é escolhido o caminho do amor.

 

Liderar pelo coração é, ao mesmo tempo, servir e retribuir, afirmando-se como construtor de ações inovadoras, saudáveis e de sucesso. Sem abrir mão da prerrogativa de tomador de decisões, sempre está pronto para ouvir opiniões e acatá-las quando as julga oportunas, revelando-se um comandante flexível, ágil, estratégico e responsável. Conquista sua autoridade por meio da compreensão e da confiança e, assim, espalha esperança. Tem plena consciência do seu papel de guia e de orientador.

 

O bom líder não fica preso às armadilhas do “poder sobre os outros”, mas procurando exercitar o “poder com os outros”. A falta de diálogo com os liderados marca o comportamento dos autocratas, instaurando permanentemente um ambiente de tensão. Winston Churchill dizia que “os ditadores montam em tigres dos quais não têm coragem de desmontar. E os tigres estão ficando com fome”. Já Andrew Carnegie proclamava que: “nenhum homem será um grande líder se quiser fazer tudo sozinho ou se quiser levar todo o crédito por fazer isso.” Quem não atua com a definição de objetivos, alicerçados no compartilhamento de idéias e opiniões dos liderados, não consegue administrar sua própria vida, imagine a dos outros.

O verdadeiro líder se apresenta como alguém ousado, sem ser valentão; humilde sem ser acovardado; amável, sem ser fraco; enérgico, sem ser arrogante, sabe administrar as emoções, não inventa desculpas para erros cometidos e nem transfere para outros a responsabilidade daquilo que não foi capaz de fazer. Também não adota como base a sustentação do próprio ego, nem se dedica a atender interesses pessoais ou de grupos, em detrimento das demandas coletivas.

Quem lidera com o coração produz sempre bons resultados. E os maus líderes não se sustentam por muito tempo.

Rui Leitão

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“A cédula eleitoral é mais forte que a bala” por: Rui Leitão

“A cédula eleitoral é mais forte que a bala”.

Recorro a esta célebre frase do presidente norte-americano Abraham Lincoln para refletir um pouco sobre essa “onda intervencionista” que começa a tomar conta das redes sociais. Não tenho dúvidas de que o desejo proclamado, ainda que surpreendente e quase inacreditável, reflete um sentimento de desalento, desânimo, desesperança, provocado pela situação atual do país.

 

Isso tem levado muita gente, num ato de desespero, buscar saídas que imagina serem salvadoras, mesmo tendo a História demonstrado o contrário. Chega-se ao cúmulo de abrir mão das liberdades individuais e coletivas, na ilusão de que, pela força, poderão ser conquistadas as transformações que se fazem necessárias. As experiências negativas de um tempo pretérito, não tão distante, são desconsideradas. A razão perde espaço para a emoção. Perigosamente fica desprezada a importância do “viver em liberdade”, a faculdade de agir e pensar por si mesmo.

Ignorar a História é arriscar-se a repetir erros cometidos no passado. Reivindicar a volta de uma ditadura militar é admitir o suicídio político, voltando a matar a democracia que foi reconquistada com tanta luta. A grave crise institucional que estamos vivenciando, não poderá ser justificativa para uma campanha intervencionista. Até porque nada do que se espera de um novo Brasil, aconteceu nos “anos de chumbo”. Não tínhamos liberdade, não havia transparência nos atos da administração pública, o país vivia um tempo em que as desigualdades sociais aumentavam, a inflação corroía o poder de compra dos assalariados, a censura amordaçava a imprensa e as manifestações culturais, a tortura e a opressão eram políticas de Estado. Será que quaisquer semelhanças são meras coincidências ? Então o que aguardar de bom num regime autoritário?

Precisamos sim promover uma “grande virada”, mas só conseguiremos isso através da soberania do voto popular. O que se faz necessário é despertar uma consciência cívica responsável nos eleitores. Afinal de contas, cabe a cada um de nós agir com esse propósito, sem entregar de “mão beijada” nosso destino sob a responsabilidade de pessoas que desconhecem o que sejam princípios morais e éticos. Mais do que isso, não permitir que corramos o risco de revivermos o império da prepotência e do despotismo.

É reservada às forças armadas a missão nobre de defender a soberania nacional. Acredito que essa seja a compreensão da grande maioria dos que exercem esse mister. Os que defendem um novo golpe militar são remanescentes do sistema implantado na década de sessenta, sedentos de retomarem o poder e voltarem a praticar arbitrariedades e excessos em nome da ordem social.

Façamos valer o poder do “voto eletronico”, livre e consciente, dispensando a ação nefasta da tirania. A verdade defendida por Lincoln não pode ser menosprezada. Não conheço povo feliz em qualquer que seja a ditadura.

 

Rui Leitão

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“OS EXTREMOS SE TOCAM” Por Gilvan de Brito

“OS EXTREMOS SE TOCAM” Por

Gilvan de Brito

O francês André Gide, jornalista e escritor, do alto do seu consagrado prêmio Nobel de Literatura em 1947, dizia que ”Os extremos se tocam”. E não faltavam exemplos para essa afirmação: no ano de 1938 o extremado da direita Adolf Hitler, no comando da Alemanha, anexou o seu país natal – a Áustria – com 200 mil homens armados, iniciando a sua política expansionista na tentativa de dominar o mundo.

Depois de invadir vários países com o apoio do esquerdista Joseph Stalin, Hitler quebrou o pacto de não agressão com a União Soviética e tentou tomar Leningrado (hoje São Petersburgo, onde nasceu Wladimir Putin). Foi uma guerra suja onde o nazifascista Hitler praticou o genocídio contra mais de um milhão de habitantes. Hoje é o esquerdista extremado Putin que invade a Ucrânia, um país livre, para matar civis, num novo exemplo de extermínio da sociedade civil.

Isso nos traz de volta à cena o criador da editora Galimard, André Gide: esquerda extremada é igual à direita extremada, quando “os extremos se tocam”. A ideologia não pode ser alimentada pelo ódio, que leva aos excessos. Espera-se, porém, que a história se repita: depois que a Alemanha tomou Leningrado, foi derrotada, pelo…inverno.

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DELÍRIOS GOLPISTAS ; Por Rui Leitão

DELÍRIOS GOLPISTAS

O escritor e historiador Rui Leitão

A desesperada luta pela sobrevida no poder faz com que seja alimentada a fantasia golpista. Ao perceber diminuídas as chances de sair vitorioso nas eleições de outubro, o presidente decide ir para o “tudo ou nada”. Parte, então, para atacar a normalidade institucional, buscando esticar a corda na esperança de promover uma ruptura das regras atuais por meio de um golpe. Delira na ilusão de que poderá ser efetivada a aventura ditatorial desejada.

A conjuntura econômica e a crise social não favorecem o que está planejando. Até porque os tempos são outros, não havendo clima para quarteladas. Restrito ao apoio da bolha ideológica que o segue fanaticamente, não encontra apoio majoritário para consecução dos seus objetivos antidemocráticos. A população está sentindo no bolso os efeitos da desastrada política econômica implantada por seu governo e tende a reagir contra a continuidade dessa situação.

A profundidade da crise que estamos atravessando, sem a apresentação de alternativas de superação, colabora em seu desfavor. O drama da fome e da miséria o empurra para o lamaçal da impopularidade. O desemprego batendo recordes sucessivos aumenta o número de desalentados no país. Só lhe resta, pois, insistir na via golpista, mesmo que saiba ser algo muito difícil de ser posto em prática.

Num “beco sem saída” arma o discurso da confusão, criando fatos que possam fazer com que se apresente como vítima de perseguição do poder judiciário. Com isso, alimenta, entre os seus aficionados, o sentimento de que o processo eleitoral pode ser fraudado contra ele. Contudo, não consegue apresentar uma única evidência de que isso realmente possa acontecer. Põe em dúvida a credibilidade das urnas eletrônicas, esquecendo que sempre conseguiu se eleger através delas.

Trabalha com o objetivo de tornar pesada a atmosfera política, em razão das tensões provocadas contra o STF. Movimentações antirepublicanas são ostensivamente executadas. Por conseqüência se estabelece uma ansiedade generalizada. É a aposta no caos. No delírio da irrealidade, perde-se a noção da racionalidade, da lógica e da lucidez e o desatino se expõe. Esses devaneios insanos não têm força para se concretizarem. Ainda bem. DITADURA NUNCA MAIS.

www.reporteriedoferreira.com.br  /O escritor e historiador Rui Leitão

 



Galdino, presidente da ALPB, recebe as entidades representativas da Policia Civil para tratar do PCCR

INFORMATIVO SINDSPOL/PB

19 de maio de 2022.

Galdino, presidente da ALPB, recebe as entidades representativas da Policia Civil para tratar do PCCR

O Sindicato dos Servidores da Policia Civil do Estado da paraíba – SINDSPOL/PB e as demais entidades representativas da Polícia Civil se reuniram nessa quarta-feira (18), com o presidente da Assembleia legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, para apresentar a situação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração – PCCR da Polícia Civil, cujo texto do anteprojeto de lei foi concluído e entregue, pela Comissão, à Delegacia Geral, no dia 10 de maio, e foi encaminhado ao Secretario de Segurança Jean Nunes para dar seguimento aos tramites legais.

As entidades pediram o apoio ao presidente da ALPB para que intermediasse junto ao Governador o envio do projeto de lei, para ser votado ainda nesse semestre.

Nos próximos dias, as entidades darão início a um cronograma de visitas às Superintendências de Polícia do Estado para apresentar os pontos definidos do PCCR aos policiais civis. O primeiro encontro será a cidade de Patos, no próximo dia 25 de maio, na Associação Comercial, a partir das 9h30 da manhã.

SINDSPOL/PB NA LUTA!

Da Assessoria.