O HOMEM DOS 40 por: Gilvan de Brito

O HOMEM DOS 40
Gilvan de Brito

Num começo de tarde muito quente de 1982, cheguei ao aeroporto dos Guararapes (antigo) para embarcar com destino ao Rio de Janeiro. Era um desses dias de semana sem muito movimento. Ao fazer o chek in, vi que o aeroporto ainda se encontrava em reformas com algumas escoras e muita poeira. Então, para fugir das metralhas, mostrei a minha carteira da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), que me abria muitas portas e fui encaminhado à Sala Vip onde havia apenas uma pessoa. Retirei o Jornal do Brasil da alça da maleta e antes de abri-lo para ver as manchetes olhei para o lado, a surpresa: era o sambista João Nogueira, cujas músicas ocupavam as primeiras colocações nas paradas de rádios e televisão. Eu mesmo tinha o último CD de sua autoria intitulado “O homem dos 40”, na sua inconfundível e agradável voz grave e aveludada. Pensei comigo: falo, não falo. Decidi que não falaria em respeito ao aparente cansaço que demonstrava, pois devia vir em trânsito de alguma cidade do Norte, quem sabe viajara a noite inteira depois de realizar algum show na noite anterior, e ali estava à espera da conexão que o levasse ao Rio de Janeiro onde estava à sua disposição uma cama amiga para se recuperar.
Vi pela parede de vidro que o avião estava chegando e alegrei-me ao saber que não haveria atraso. Comecei a ler o Jornal do Brasil, vendo primeiro as manchetes dos cadernos de esportes, cultura, política e administração. Minutos depois os alto falantes anunciaram o embarque e eu segui ao lado do artista para tomar lugar no avião, obedecendo a regra de que os passageiros da Sala Vip são liberados imediatamente, antes dos demais passageiros. Subi, fui à frente, encontrei a poltrona 14 F, coloquei a bolsa de mão no bagageiro acima e sentei-me, procurando estirar as pernas naquele curto espaço. Para a minha surpresa, João Nogueira veio atrás e tomou o outro assento (14 D), do corredor, quase vizinho e colocou a bagagem de mão na poltrona do meio.
– Sempre faço isto e fecho os olhos quando se aproxima alguém, para evitar a presença de algum gordo besuntado na poltrona do meio; às vezes o dono da poltrona chega, não quer importunar e vai procurar outro assento – disse amistosamente olhando nos meus olhos e sorrindo. Quando ele falava parecia sorrir, pela conformação da boca e dos olhos redondos e grandes, acompanhando a curva das sobrancelhas, de modo que ninguém sabia ao certo quando estava ou não sorrindo de verdade. Depois falou sobre vários assuntos, disse que fizera um show em Manaus e que saíra daquela cidade de madrugada, fazendo escalas em Belém, São Luís, Fortaleza e Natal; estava um bagaço.
Estranhei a sua cordialidade, demonstrando um comportamento muito diferente daquelas celebridades que conhecia de perto. E disso não lhe fiz segredo.
– Quando o vi na sala de embarque logo o reconheci, mas não quis invadir a sua privacidade. E agora me arrependo disso, porque já deveríamos nos ter conhecido antes para falar sobre o CD “O Homem dos 40”, que tem essa música título e outra da qual eu gosto muito – disse.
Ele quis saber da outra música e, por não me lembrar do título, cantei as primeiras estrofes:
TRANSFORMAÇÕES
João da Gente e Jurandir

Minha companheira foi embora
A solidão veio comigo morar
Já não tenho mais os lindos sonhos
Não tenho ninguém a me esperar
Quando eu me lembro
Daqueles olhos tristonhos
Sinto até vontade de chorar…

– Ah, chama-se Transformações; também gosto muito dessa música – revelou enquanto assinava alguns autógrafos solicitados pelos passageiros mais próximos.

Seguimos conversando sobre a sua saída da Portela para fundar a Escola de Samba Tradição, os 11 discos gravados até aquela data, do bloco Clube do Samba, da família de artistas da qual emergira e de alguns parceiros dos quais considerava Paulo César Pinheiro o mais importante na sua carreira. Fizemos uma escala em Salvador, onde ele desceu, comprou uma xilogravura de Caribé, tomou suco de laranja e atendeu aos fãs que o cercaram como acontecia em toda parte. Depois voltamos ao avião, ele dormiu, finalmente, e em pouco mais de uma hora desembarcamos do turboélice Samurai de 80 lugares no aeroporto Santos Dumont.
– Qualquer dia a gente se vê aí pelas quebradas – despediu-se com um toque de mãos espalmadas. Nunca mais nos encontramos, mas eu sempre comprava um disco novo, quando surgia, e foram muitos (18, ao todo, com 145 músicas gravadas).
Depois soube de sua morte prematura, um infarto fulminante, no ano 2000. João, quando o conheci pessoalmente, era um homem dos 40, como eu, apenas um ano mais novo; nascido em 1941. Fiz um minuto de silencio em sua homenagem, em casa ouvi o disco “O Homem dos Quarenta” e espantei-me com a premonição dos letristas João da Gente e Jurandir na música Transformações, justamente uma das que tanto eu quanto ele mais gostavam.
TRANSFORMAÇÕES
João da Gente e Jurandir

… Não me dá mais prazer
Contemplar o luar
Pelo buraco do teto do meu barracão
Que já não é mais palácio encantado,
Hoje estou magoado,
ferido no coração.
E até esta vida que eu tanto amo
Sinto que está chegando ao fim.
O meu barracão de madeira,
Lá em Mangueira,
Sem ela não nada para mim…

O compositor carioca havia composto até aquela data mais de 300 músicas, muitas delas interpretadas por Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Beth Carvalho, Alcione, dentre outras. Em resumo, foi bom ter encontrado João Nogueira, ocasionalmente, durante essa viagem, para filosofar sobre pensamentos avulsos. Tinha certeza de que jamais o veria novamente depois daquela pequeníssima e circunstancial brecha no espaço, mas o que é a vida senão a lembrança desses momentos que nos transportam na moldura do tempo?




O GRITO EM DEFESA DA DEMOCRACIA Por Rui Leitao

O GRITO EM DEFESA DA DEMOCRACIA Por Rui Leitao

O dia de hoje vai se transformar numa data histórica. A sociedade civil organizada decidiu ecoar o grito uníssono em defesa do Estado Democrático de Direito. Vários manifestos serão lidos em atos públicos nesta quinta feira, incluindo a Carta aos Brasileiros, elaborada por juristas da Faculdade Direito da USP, a serem realizados em todas as capitais do país.

É um momento de união nacional contra os ataques do atual governo às instituições republicanas brasileiras e de reação à escalada autoritária que pretende quebrar a normalidade democrática. Trata-se de um movimento suprapartidário de resistência, buscando mobilizar a sociedade brasileira para construção de um novo tempo a partir das nossas lutas por justiça e paz.carta;

Quando se ataca a democracia, igualmente se promove ataques aos Direitos Humanos e às conquistas que os segmentos vulnerabilizados da população alcançaram em épocas recentes. É, portanto, necessário que as organizações populares estejam dispostas a abraçarem, de forma conjunta, as lutas por transformações políticas, sociais e econômicas, que nos conduzam a estruturas fortes de preservação da democracia com justiça.

Não dá mais para esperar. A hora é de agrupar todas as forças políticas democráticas para salvar o Brasil das ameaças golpistas. É um primeiro passo para superarmos esse momento trágico que estamos vivenciando. Só assim poderemos encontrar o caminho da reconstrução nacional. O grito que vai ecoar hoje em todo o território nacional é um aviso de que não aceitaremos mais essa insistente ação de “esticar a corda”, como se estivessem testando a nossa capacidade reação.

Lutemos por um Brasil melhor e mais inclusivo para todos e todas. O regime autocrático não tem mais espaço na nossa nação, devendo as experiências pretéritas neste sentido ficarem restritas aos livros de História, até como exemplo para não voltarmos a viver essas paginas sombrias que tanto nos entristeceram e assustaram. A democracia é um ideal universalmente reconhecido. Devemos, então, preservá-la a qualquer custo. Exercitemos, pois, o direito básico de cidadania, qual seja a de sair às ruas para defender a institucionalidade democrática em sua plenitude. Que os golpistas saibam que não contarão com nosso silêncio e omissão. Exerçamos o nosso direito de gritar contra o que consideremos inaceitável. Não podemos ficar parados. Devemos seguir unidos em defesa do Brasil e da Democracia.

Rui Leitão




OS INIMIGOS DA CIVILIZAÇÃO Por Rui Leitao

OS INIMIGOS DA CIVILIZAÇÃO Por Rui Leitao

As estruturas políticas de uma nação se fortalecem à medida em que suas instituições lhes dão vida. Vivemos na contemporaneidade uma guerra ideológica promovida pelos inimigos da civilização. Eles nutrem uma absoluta aversão a tudo que se afirme como um pacto de convivência harmoniosa e solidariedade. Negam-se a enfrentar as mazelas sociais que afligem nosso povo, especialmente os marginalizados pelas políticas públicas, impondo um retrocesso à marcha civilizatória que experimentamos anos atrás. Tem uma parcela da nossa gente sem empatia, que pensa e age assim, portadora de uma insensibilidade desumana.

Estamos, portanto, vivendo uma desventura histórica. É urgente e necessário que revertamos essa pauta elitista e egoísta que tentam, a qualquer custo, nos impor. Saibamos cumprir nosso destino libertando-nos dos reacionários que objetivam criar um ambiente de barbárie e de beligerância entre compatriotas. A civilização precisa ser salva da cultura do ódio, do desprezo e da indiferença social.

As lideranças populistas e messiânicas normalmente se comportam como inimigos da civilização. E, por isso mesmo, se tornam uma ameaça à democracia, animados pela tentação da tirania. Propositadamente fazem com que o bem comum e o bem individual caminhem em direções opostas. O messianismo político produz a arrogância e a prepotência nas relações dos governos com as demandas sociais.

Os preconceitos, a xenofobia, o racismo, e outras manifestações comportamentais nocivas a uma sociedade civilizada, estão presentes explorando o medo e a insegurança, para atender conveniências políticas dos detentores do poder. Para alcance de seus objetivos procuram atacar as instituições democráticas.

Só o voto livre e consciente permitirá escolhas coletivas no plano da economia e da sociedade, recuperando o processo civilizatório. Não podemos abrir mão do envolvimento na vida pública, porque desta forma estaremos dando vitalidade à democracia. A paz e o estado democrático de direito são conquistas inalienáveis que não podem ser questionadas. Quando defendemos a democracia, estamos igualmente defendendo a civilização. A eleição deste ano não é uma disputa entre a direita e a esquerda. É em favor da civilização contra a barbárie.

www.reporteriedoferreira.com.br     Rui Leitão




“DELÍRIOS DA VAGINA” Por: Gilvan de Brito

“DELÍRIOS DA VAGINA”
Quando escrevi o livro “Delírios da Vagina”,esgotado em 15 dias, resolvi incluir uma prosa poética falando de mim próprio, numa singela homenagem:

NÃO TE ESQUEÇAS
Gilvan de Brito
Sou como um rio
Que desce a serra
Ganha a planície
E segue garboso
Pelas curvas ensaiadas
Fluindo até o mar.

Quando a chuva cai
Intensamente
E aumenta meu volume
Corro indomável
Devastando barreiras
Pelos velhos caminhos.

E de outras vezes
A falta de chuvas
Deixa-me magro
Domado, empossado
Quase parado
Triste e amargurado.

Mas é bom ser um rio
Onde uma bela mulher
Toma banho todas as tardes
E lava a xereca
No espelho d´agua
Enquanto conversa comigo.




HORA DE COMBATER AS FALÁCIAS: Por Rui Leitao

HORA DE COMBATER AS FALÁCIAS: Por Rui Leitao

A falácia é uma informação falsa propagada como se fosse verdadeira. Nos tempos atuais passou a ser conhecida como “fake new”. Desde as eleições de 2018 a sua utilização tornou-se, intensivamente, uma estratégia de campanha eleitoral. E deu resultado, lamentavelmente. A irracionalidade e a pobreza argumental fazem com que se recorra à mentira na tentativa de vencer um embate a qualquer custo. Não podemos mais continuar permitindo que a opinião pública fique vulnerável à influência das falácias, especialmente no momento político em que estamos envolvidos.

A persuasão enganosa se faz através de meias verdades, mentiras completas, e até verdades contadas de modo distorcido. São as desinformações perigosas, na explícita desonestidade retórica. A divulgação irresponsável de falácias, elaboradas com má intenção, tem sido uma prática recorrente pelos que fazem a política do embuste e da farsa. Não é difícil identificar os argumentos ruins que pretendem se apresentar como falácias lógicas. Algumas delas são produzidas como estratagema para desviar a atenção e levar o foco da discussão para outro nível de observação. Concentram-se no irrelevante para ignorar questões mais importantes.

A eleição é, sem qualquer dúvida, um evento polêmico por natureza. Os movimentos discursivos, então, se apresentam visando à mudança de opinião sem qualquer razoabilidade ou preocupação com a observância da verdade. Os fatos são explorados na conformidade dos interesses político-partidários ou ideológicos, quase sempre não correspondentes aos mesmos interesses da população e contando com a participação dos meios de comunicação vinculados a grupos encastelados no poder.

A proliferação generalizada da mentira e da dissimulação faz com que a verdade e a política não caminhem juntas. É necessário acabar com essa forma de fazer política que alimenta o processo de degradação da opinião pública e protegermo-nos do ativismo político da mentira e da manipulação. Esses são vícios presentes em nosso cotidiano. É imprescindível que percebamos os riscos da extrapolação inaceitável dos limites da mentira no exercício da política. Que 2018 não se repita.

Rui Leitão




FUNDÃO: R$ 4,9 bilhões serão divididos entre 32 partidos nas eleições deste ano

Dinheiro público para financiar campanhas de políticos. É o que se pode dizer do financiamento público de campanha. Neste ano, 32 partidos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) terão um valor recorde de recursos públicos para financiar as campanhas dos seus candidatos. O fundo eleitoral, popularmente chamado de fundão, será superior a R$ 4,9 bilhões.

O montante vai beneficiar principalmente os partidos que tiveram bom desempenho no pleito para a Câmara dos Deputados em 2018. União Brasil, PT e MDB receberão os valores mais altos.

O fundão foi alvo de polêmica no ano passado, durante a formatação e discussão da peça orçamentária para 2022. Na ocasião, o valor chegou próximo à casa de R$ 6 bilhões, definido pelo Congresso Nacional, mas acabou sendo reduzido posteriormente.

Essa forma de financiamento de campanha foi criad, em 2017. Nas eleições de 2018 e 2020, ele custou, respectivamente, R$ 1,7 bilhão e R$ 2 bilhões.

O fundo eleitoral surgiu como uma forma alternativa de compensação aos partidos, que deixaram de receber recursos de pessoas jurídicas, depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu empresas privadas de contribuírem financeiramente com o financiamento de campanhas eleitorais, em 2015.

A decisão foi tomada após a Corte entender que a doação das empresas poderia desequilibrar a disputa nas urnas.

Divisão dos recursos

Os recursos do fundão são públicos e repassados ao Tribunal Superior Eleitoral, pelo Tesouro Nacional. Para distribuir esse dinheiro aos partidos neste ano, o tribunal seguirá quatro critérios, sendo que três deles levam em conta a performance das legendas nas eleições de 2018.

Segundo as regras, 48% do valor serão repassados de acordo com a quantidade de deputados federais que cada partido elegeu nas últimas eleições. Quem fez a maior bancada na época, receberá mais.

Além disso, 35% serão partilhados entre os partidos que têm ao menos um deputado federal. O valor que cada sigla terá direito será definido de acordo com a quantidade de votos válidos que elas tiveram no pleito para a Câmara há 4 anos.

Já 15% serão repassados considerando a proporção de cada bancada partidária nas eleições para o Senado em 2018, incluindo os senadores que naquele ano estavam no primeiro quadriênio dos seus mandatos. Por fim, 2% do valor serão repartidos de forma igualitária entre todas as siglas com estatuto registrado na Corte.

União Brasil

Pelas regras, o partido União Brasil, fruto da fusão entre PSL e DEM, terá direito a maior fatia do bolo, ao menos R$ 763 milhões. Em 2018, o partido conseguiu as maiores bancadas do Congresso, com 81 deputados e 11 senadores, e teve 16,29% dos votos válidos para a Câmara.

O Partido dos Trabalhadores (PT) vem em segundo lugar, vai receber cerca de R$ 487,8 milhões. Em seguida, o MDB, com R$ 358 milhões.

Outros nove partidos receberão mais de R$ 100 milhões: PP (R$ 331,3 milhões), PSDB (R$ 315,2 milhões), PL (R$ 266,8 milhões), PSB (R$ 265,7 milhões), PDT (R$ 250,2 milhões), Republicanos (R$ 239,6 milhões), Podemos (R$ 211,1 milhões), PTB (R$ 112,8 milhões) e Solidariedade (R$ 107,1 milhões).

Seis legendas terão direito apenas ao valor mínimo definido pelas regras do TSE, pois não têm nenhum deputado federal em exercício no momento e não elegeram senadores em 2018. PSTU, PCB, PRTB, PCO, PMB e UP devem receber do tribunal só R$ 3,1 milhões cada.

Distribuição

De acordo com o TSE, cabe a cada partido estabelecer os critérios para a distribuição do fundo eleitoral, mas eles têm de atender a alguns requisitos, como destinar 30% dos recursos a mulheres. Aos postulantes negros, os recursos precisam ser distribuídos na mesma proporção entre os candidatos do partido.

Os partidos podem comunicar ao Tribunal até 1º de junho a renúncia ao fundão. Caso isso aconteça, é vedada a redistribuição dos recursos aos demais partidos.

Cada legenda terá de prestar contas do uso do dinheiro do fundo. No caso de haver verbas não empregadas, elas deverão ser devolvidas à conta do Tesouro.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Walter Nogueira- Jornalista




SINDSPOL/PB PARTICIPA DO XXII CONGRESSO DA COBRAPOL

INFORMATIVO SINDSPOL/PB

23 de agosto de 2022.

SINDSPOL/PB PARTICIPA DO XXII CONGRESSO DA COBRAPOL

Os diretores do Sindspolpb Antônio Erivaldo Henrique de Sousa e Ademir da Costa Vilar, e o companheiro Charles Lustosa estão participando do XXII Congresso da Cobrapol em Brasília. A plenária de hoje 23 foi no auditório da CNTI e amanhã será no Auditório Nereu Ramos no Congresso Nacional. Os debates avançam em defesa da aprovação do Projeto da Lei Orgânica Nacional para as Polícias Civis do Brasil, com a construção de um piso nacional. Só assim essa abnegada classe será valorizada já que a maioria dos governos estaduais não tem compromisso com a segurança pública nos estados.

www.reporteriedoferreira.com.br




A CARTA AOS BRASILEIROS DE 1977 Por Rui Leitao

Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje

A CARTA AOS BRASILEIROS DE 1977

No ano de 1977 o Brasil continuava assistindo toda sorte de arbitrariedades cometidas pela ditadura militar que se instalou em 1964. Violações aos direitos eram a marca de um governo autoritário e discricionário. Tentavam silenciar a Nação. Quem se insurgisse era impiedosamente punido pelo sistema. Estávamos submetidos a uma ordem política imposta pela força de um governo absolutista. O desrespeito à dignidade soberana dos cidadãos tornava-se prática do Estado. Aparelhos repressivos atuavam no sentido de evitar contestações ou ações políticas de oposição ao regime.

Porém, as reações começaram corajosamente a surgir. No mês de abril os estudantes das “Arcadas do Largo de São Francisco”, como era conhecida a Faculdade de Direito da Universidade São Paulo (Fadusp), promoveram o enterro da Constituição, num pequeno caixão branco, ao som de uma marcha fúnebre, com faixas que diziam: “Faleceu a Constituição, Pelo Estado de Direito e Pela Constituinte”. Foi um dos primeiros atos de protesto contra as agressões à Carta Magna e pela volta do Estado de Direito. O Jornal do Brasil divulgou o acontecimento, com a seguinte manchete: “Estudantes paulistas ao som de Chopin sepultam a Constituição”.

O professor Goffredo Telles Jr., naquela noite histórica, pronunciou um vibrante discurso, onde podemos destacar algumas das suas colocações: “Nós queremos a ordem. Para nós, a ordem é a ordem do Estado de Direito. É a ordem jurídica, a ordem do respeito pelos direitos do cidadão, e pela liberdade sagrada das pessoas. Para nós, a ordem da Ditadura se chama desordem.”� “A Constituição é obra do povo. Não toleramos que a Constituição seja agredida por Atos de Governos de Força.”� “Para nós, Ditadura se chama Ditadura; Democracia se chama Democracia”.� “Da sementeira deste Território Livre, do manancial de nossa eterna Academia, nasce o brado de um povo, pela Liberdade, pelo Direito, pela Justiça.”

Por ocasião das manifestações do Primeiro de Maio, o país foi impactado pelas notícias de espancamentos e prisões de estudantes e operários. Em resposta a essas manifestações de violência por parte do governo, oitenta mil universitários paulistas entraram em greve, exigindo a imediata libertação dos presos, a extinção das torturas nas prisões e a anistia para os condenados políticos, gerando um movimento de indignação, revolta e solidariedade entre os mais diversos segmentos representativos da sociedade civil organizada.

Na madrugada do dia 04 de junho, tropas de choque da Polícia Militar ocuparam a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, para impedir que ali se realizasse o III Encontro Nacional de Estudantes. Prenderam e revistaram todos os que se faziam presentes ao evento, conduzindo-os, com as mãos erguidas sobre a cabeça, para o quartel do Batalhão da Polícia Militar.

Os acontecimentos do primeiro semestre de 1977 provocaram a emissão de uma nota da Ordem dos Advogados do Brasil, nos seguintes termos: “reafirmamos a imperiosa necessidade de restauração do Estado de Direito e conclamamos os órgãos responsáveis pelo ensino a que se inspirem nos ideais de liberdade e solidariedade humana, devolvendo aos estudantes o direito de pugnar pelo aperfeiçoamento do ensino e de participar da vida pública do País.”�

O contexto histórico do tema requer uma maior abordagem dos fatos e suas consequências. Na coluna do próximo domingo continuaremos tratando da matéria.

Rui Leitão




ANÔNIMOS NA LUTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA Por: Rui Leitão

ANÔNIMOS NA LUTA EM DEFESA DA DEMOCRACIA

O manifesto em defesa da democracia que será lido em todas as capitais do país na manhã do dia onze de agosto, não recebeu assinaturas apenas de famosos. Já conta com mais de setecentas mil adesões, incluindo anônimos. São os brasileiros que, apesar de não serem conhecidos nacionalmente, têm consciência cívica e querem entrar na luta em favor do restabelecimento do Estado Democrático de Direito.

Não estou falando do anonimato covarde dos que preferem não se identificar quando emitem opiniões ou assumem posições políticas. Refiro-me aos que, mesmo não sendo celebridades ou ocupando postos de destaque na vida social do país, decidiram integrar esse movimento de enfrentamento às forças reacionárias que querem matar a nossa democracia.

São guerreiros silenciosos, mas determinados a irem para a trincheira de luta, fortalecendo as ações que vêm sendo desenvolvidas em todo o Brasil contra as ameaças golpistas da extrema direita. É, acima de tudo, um exercício de cidadania a que todo brasileiro, comprometido com os princípios democráticos estabelecidos a partir da Constituição de 1988, deve abraçar com coragem e entusiasmo.

União e diálogo são essenciais neste momento histórico que estamos vivendo. Por isso a necessidade de que se formalize uma frente ampla com participação de famosos e de anônimos, defensores da democracia, que desejam salvar o Brasil do golpismo planejado. Combatentes pela soberania nacional, esses “anônimos” representam a força popular que vem crescendo na resistência aos projetos de autoritarismo idealizados pelos saudosistas da ditadura militar.

A memória histórica de nosso país exige essa reação coletiva, de forma a impedir que prosperem esses discursos de ódio, de intolerância, de ataques às instituições republicanas e ao processo eleitoral vigente desde a redemocratização. O Brasil precisa de paz e de reencontro com um ambiente de congraçamento entre todos os compatriotas, considerando a unidade nacional como pressuposto fundamental para que possamos reconstruir uma nação onde impere a justiça social e a democracia plena.

Rui Leitão




A PARTIDA DE UM GUERREIRO Por: FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS

A PARTIDA DE UM GUERREIRO

Por FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS

Recordo-me do dia que fui convidado por Jurandir Pereira, num sábado, não recordo o mês, porém tudo ocorreu no ano de 1986, para integrar uma parceria no Escritório situado no 6º andar do Condomínio Altamira, na Av. Miguel Couto. Era uma sala modesta, Com reduzidoespaço, constando já instalado o Advogado José Martins, além de uma máquina antiga, dois bureaux e uma pequena estante.

Naquela oportunidade percebi que, para mim,estavam sendo abertas as portas da advocacia.

A partir desse momento, via um prático advogado e com uma grande vontade de vencer as barreiras naturais da profissão.

A princípio, já vigorava a Constituição, estávamos, ainda, sob a égide da Constituição outorgada pela Ditadura Militar, a qual por demais restritiva de direito, buscávamos o mercado do ramo do Direito Privado.

No limiar de um poder Institucional, foi promulgada a Constituição de 1988, quando nasceram as expectativas de flexibilizar o acesso às ações públicas, contra os erros e excessos da Constituição imposta, assim como erros “grosseiros”, como bem falava Jurandir. Então abriram-seos caminhos para questionar as perdas financeiras no serviço público, onde o alvo principal seriam O INSS  e a União Federal e as demais autarquias.

Jurandir, como um abnegado e prático no mundo do direito, firmou uma prioridade nas ações que reparavam os Planos de Governo e as perdas dos beneficiários da Previdência Social, (aposentados, Pensionistas e outros ).

Daí começaram a fluir o resultado do trabalho, nessa luta desigual contra o Governo.

Recordo-me que, com o sucesso dessa batalha, atuamos no Sindicato dos Policiais Federais e conseguimos significativos resultados, com muita batalha, viagens ao TRF 5 e debates que geraram Jurisprudência, em razão de uma aguerrida luta, na qual Jurandir Pereira, seria o comandante O resto dispensa maiores indagações.

Resumindo, Jurandir, como tratávamos na intimidade, conduziu seus  filhos ao bom caminho da Universidade, formando-os e os tornando profissionais práticos e aguerridos;

Lembro-me quando Jurandir lançou o desafio difícil de incorporar o Estado da Paraíba à COBAP CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE APOSENTADOS E PENSIONISTAS. Assim criou a CENIPA, posteriormente, CRIOU a FAAPI – FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DOS APOSENTADOS, PENSIONISTAS E IDOSOS –PB, quando então, num esforço concentrado de Jurandir e outros abnegados, quando elaboramos e aprovamos o Estatuto da Federação, que viera a engrossar a fileira das entidades que lutam ou lutaram pelos direitos cidadãos.

Por fim, venceu muitas batalhas, porém, aos 86 anos,UM DIA PAROU de trabalhar, para ser hospitalizado, e não mais retornou à labuta  que ele tanto amava, pois acometido de um mal degenerativo chamado diabetes. E no dia  de junho, proferiu sua última viagem, mudando para outra dimensão. Ao Nobre saudoso amigo Jurandir, resta-nos agradecer por tudo que fez por nós, pelo povo do nosso Estado, embora não fosse paraibano, adotou essa terra como seu berço.

Missão cumprida, meu caro Jurandir. Não falo em um outro encontro, por não conhecer os mistérios da vida.  ADEUS.