A cumplicidade da covardia Por: Rui Leitão

A covardia no ser humano se manifesta de várias maneiras. Há os covardes explícitos, aqueles que não escondem o comportamento pusilânime, e os covardes medrosos, passivos, apáticos. Ambos são perigosos e nocivos à sociedade. Uns se revelam agressivos, principalmente quando atacam indefesos. Outros se fingem de bonzinhos, mas na prática causam danos a outros sem qualquer constrangimento.

Identificamos no nosso convívio, indivíduos que se destacam pela ausência de coragem em agir por conta própria quando se faz necessário. Esses têm receio de contrariar o senso comum. Preferem estar sempre ao lado dos vitoriosos. E, por isso mesmo, fingem concordar com o que os poderosos dizem e fazem. Agem condicionados pelo conformismo. São alcançados por um estado de paralisia, causado pelo medo e a insegurança.

A covardia é o oposto da bravura e da coragem. Por não terem confiança em si mesmos, os covardes são, por natureza, indecisos, nunca se mostram capazes de enfrentar uma luta. Desistem dos embates nas primeiras dificuldades ou nas primeiras ameaças. Mahatma Gandhi, na sua extraordinária sabedoria, disse que “os covardes morrem, muitas vezes, antes de morrer”. Ao se depararem com as consequências desagradáveis de suas próprias escolhas, afirmam que tudo acontece por obra do destino.

Fazem do silêncio sua arma predileta. São omissos, alienados, resignados. Vivem conforme os seus interesses pessoais. Adotam a política do olhar para o próprio umbigo. O covarde contribui para que uma coletividade chegue a pagar o preço da submissão. Quanto maior for o número de covardes, mais ficamos reféns dos opressores. É o que, em 1548, Étienne de La Boétie classificou de “servidão voluntária”. Praticam a obediência subserviente. Interessante que forjam mentiras em que passam a acreditar, para não saírem da zona de conforto em que se instalaram, ignorando, portanto, motivos que os induzam à luta que se evidencia necessária.

A fraqueza humana, então, se curva perante a força, porque passa a tolerar a própria ignorância e se nega a compreender a capacidade mental de reagir e buscar novos caminhos. É a ocasião em que nasce a estupidez conscienciosa. O silêncio guardado diante do opróbrio revela-se um ato de mediocridade, aleivosia e cumplicidade.




NO CORAÇÃO DE JESUS NÃO HAVIA ÓDIO Por Rui Leitao 

NO CORAÇÃO DE JESUS NÃO HAVIA ÓDIO Por Rui Leitao

Até porque Ele nos mandou amar os inimigos. É normal que em alguns momentos da nossa vida experimentemos o sentimento da raiva. Inaceitável é transformar as circunstanciais raivas em rancor, ódio. Quando isso acontece as atitudes ocorrem por conta de uma cegueira emocional. Jesus falou isso quando estava na cruz, na hora da morte: “Pai, perdoai, porque não sabem o que fazem”.

Isso não quer dizer que apoiemos os inimigos quando eles agem mal. Não devemos cruzar os braços quando eles praticam a injustiça e a maldade. O importante é fazer isso sem ódio no coração, sem espírito de vingança, sem ações de desumanização. O amor cristão trabalha no propósito de conquistar a conversão dos que estão no lado do mal.

Não há como conciliar o amor a Deus, com o ódio ao irmão. No coração de quem assim age está abrigada a falsidade. Não está na luz, está nas trevas. E as trevas provocam cegueira. A língua mentirosa concorre para o derramamento de sangue inocente. Aí o coração traça planos perversos, estimulando a discórdia entre pessoas que convivem no mesmo ambiente social.

Estamos vivendo um tempo de excesso do ódio. Faltam solidariedade e amor. Os pacificadores são vistos com maus olhos. Então, se vivesse hoje Jesus estaria sendo condenado por esses que se alimentam do discurso de ódio. Ou não reconhecemos nEle uma personalidade que dedicou sua vida a pregar a pacificação?

Claro que não precisamos gostar de todo mundo da mesma forma. Identificamos aqueles que tentam nos prejudicar e querem o nosso mal. No entanto, isso não nos dá o direito de odiá-los. No nosso coração não pode haver espaço para o rancor. Em Provérbios 10.12 a Bíblia diz: “O ódio excita conflito”. Então, evitemos que ele crie raízes em nossa alma.

A quadra presente da história brasileira tem sido marcada pelo discurso que prega a intolerância e a discriminação contra grupos vulneráveis, potencializando a capacidade de instigar a violência. Ele tem o caráter segregacionista, quando insulta e intimida. A verbalização opressiva dos intolerantes incita a prática de atos violentos. Estamos assistindo isso a todo dia. Como justificar esse ataque insano a uma creche matando quatro crianças inocentes e indefesas no interior do estado de Santa Catarina? Essa é uma manifestação explicitamente odiosa que tem origem nos discursos motivados por ideologias racistas, sexistas, antissemitas ou homofóbicas.

Por isso não pode ser confundido o discurso do ódio com a mensagem cristã. Como compreender que da boca dos que se dizem cristãos seja destilado tanto ódio? Líderes políticos e religiosos promotores de agressões verbais, debochadas, escrachadas, humilhantes, que denigrem pessoas, demonstrando com isso que, verdadeiramente, não entenderam os ensinamentos das Escrituras. O ódio é uma marca do estado de depravação humana.

www.reporteriedoferreira.com.br/ Rui Leitão- jornalista, advogado, escritor e poeta




Trump, que alegou fraude na eleição, é investigado por fraude fiscal e suborno Por Valter Nogueira

Trump, que alegou fraude na eleição, é investigado por fraude fiscal e suborno

Por Valter Nogueira

Quem disso usa, disso cuida; o cobrador contumaz é mau pagador! Estas entre outras máximas populares caem como que uma luva em Donald Trump – ex-presidente dos Estados Unidos que, a cada dia, se torna figura folclórica, cujo passado e presente o condenam.

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Primeiro, pra citar os fatos mais recentes, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, denunciou o ex-presidente Donald Trump por fraudes fiscais cometidas ao longo de ao menos uma década. Eric, Donald Jr. e Ivanka, filhos de Trump, também são alvos do processo.

Agora, Trump é acusado formalmente em investigação criminal sobre pagamento de suborno a atriz pornô.

É a primeira vez que um ex-presidente dos Estados Unidos enfrenta acusações criminais na história americana.

Durante a campanha presidencial de 2016, Donald Trump falsificou registros financeiros de um pagamento feito à atriz pornô Stormy Daniels. Ele tentou comprar o silêncio dela por US$ 130 mil.

Detalhe

Ao contrário de Trump, que fez acusações sem provas, a Justiça americana já conta com provas robustas contra Donald.

Eleição

No período pré-eleitoral, Trump perdeu apoio dentro do seu próprio partido – Republicanos. Quem tornou público esse detalhe foi o grupo político liderado pelo ex-presidente republicano George W. Bush.

Trump foi eleito graças ao esforço do Republicanos, mas quando chegou ao poder botou as garras de fora – usou da máxima: eu quero, eu mando eu posso. E desconsiderou os aliados.

Todavia, esqueceu que, adiante, iria precisar dos aliados para a sua reeleição.

Os correligionários, maltratados, disseram: “me aguarde!”. Na reeleição de Donald, deram o troco ao “todo poderoso”.

Alertado que poderia perder a eleição, Trump – que sofre de síndrome de filho único – não aceitou a realidade. Aí, recorreu a uma saída que parecia honrosa, mas que agora se mostra infame: lançou mão de Fakes News para dizer que  a eleição seria fraudada – acusando, inclusive, fraude em estados tradicionalmente republicanos.

Resultado

Foi defenestrado da Casa Branca

Última

O pior é que, pessoa do tipo Trump, fez discípulos mundo afora, inclusive, no Brasil.




“MULHERES DE ATENAS Por Rui Leitao 

“MULHERES DE ATENAS Por Rui Leitao

Existem os que enxergaram na letra dessa canção uma apologia à submissão e à subserviência das mulheres aos seus maridos. Prefiro acompanhar o pensamento de que se trata exatamente do contrário. Chico Buarque e Augusto Boal, autor da peça que tem o mesmo título da música, “Mulheres de Atenas”, em 1976, usaram da ironia para despertar no gênero feminino a compreensão de que não poderão mais se comportar como faziam as mulheres na sociedade patriarcal da Grécia Antiga.

Mesmo com a revolução cultural experimentada em tempos recentes, com a emancipação feminina, muitas continuam a adotar condutas iguais às “mulheres de Atenas”, são as “amélias” para usar uma definição mais conhecida dos brasileiros. É como se quisessem dizer: abram os olhos, não sigam o exemplo da conduta de sujeição plena às vontades dos maridos, como admitida pelas “mulheres de Atenas”.

“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas / vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas / quando amadas se perfumam / se banham com leite, se arrumam / suas melenas / quando fustigadas não choram / se ajoelham, pedem, imploram / mais duras penas / cadenas… Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas / secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas”.

Os compositores procuram advertir as mulheres da atualidade a não se espelharem nas mulheres de Atenas. Elas viviam exclusivamente para atenderem os desejos de seus maridos. Viam neles a expressão do heroísmo grego, por isso admirados e venerados. Faziam questão de se perfumarem e se tornarem mais atraentes para satisfazerem os prazeres de seus homens. Ao serem maltratadas mantinham-se conformadas com o sacrifício e, numa atitude de extremo servilismo, humilhavam-se rogando perdão, quando a situação deveria ser inversa, eles que teriam a obrigação de pedir desculpas por castiga-las. Na verdade viviam como se estivessem numa prisão.

As mulheres gregas daquela época, não se lastimavam por suportar tanto penar. Essa era a regra social estabelecida na relação de gêneros da sociedade ateniense. Os homens eram poderosos, a eles cabia autoridade para determinarem como deviam se conduzir suas mulheres. Ao saírem para a guerra, suas companheiras faziam voto de fidelidade, e se entregavam totalmente às atividades de tecelãs, principal ofício daquele povo. Adotavam a abstinência sexual por anos a espera do retorno de seus maridos. Que ao regressarem desprezavam os afagos e carinhos tão interessantes nos encontros amorosos, e se mostravam embrutecidos, na ansiedade de suprirem suas carências.

Despudoradamente subjugavam suas mulheres a caprichos indecentes e devassos. As atenienses resignadamente cumpriam suas obrigações conjugais, ao se despirem para seus maridos, os quais consideravam bravos guerreiros, corajosos homens de sua terra. Embora quando se embriagavam, esqueciam aquelas de quem foi exigida absoluta fidelidade, e iam a procura de prostitutas. No entanto, ao voltarem das farras, fatigados, encontravam nos braços de suas belas mulheres o aconchego que lhes permitia o descanso necessário.

As mulheres de Atenas, desde crianças, eram educadas para executarem atividades domésticas e procriarem, ofertando o nascimento dos novos cidadãos atenienses. A elas não se oferecia o direito de ter opinião própria, nem lhes eram ressaltadas as qualidades ou defeitos que eventualmente possuissem, isso não tinha a menor importância. Sequer podiam sonhar. Viviam sob o império do medo. Aterrorizavam-se com o prenúncio de acontecimentos desagradáveis quando seus maridos singravam mares, enfrentando tempestades. Ainda que soubessem das fantasias deles construindo no imaginário o encontro com sereias, representadas por belas mulheres de locais distantes.

Na sociedade patriarcal de Atenas, as mulheres se dedicavam unicamente aos seus maridos. Esse devotam…

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VIAJE PARA OUTRO MUNDO Por Gilvan de Brito

VIAJE PARA OUTRO MUNDO Por Gilvan de Brito

Você não apenas vai pensar que se encontra no outro mundo; você estará realmente viajando pelo outro mundo, quando ligar o canal nº 380, “Vida No Espaço”, no segmento “Cultura”, com o nome de “THE ISS OVER ISS” (Estação Espacial), na TV por assinatura, que vai mostrar a bola gigante do planeta azul em todos os detalhes, correndo em círculos numa velocidade de 27.960 Kh (7,66 por segundo), a uma altitude de 420 km. Abaixo da bela imagem do mundo em que vivemos podemos ler as informações sobre: latitude, longitude, nomes das cidades, por onde vai passando, altura, velocidade e a hora (GMT).

Em questão de minutos os sete mares ou as terras de todos os continentes e países do mundo vão passando abaixo da potente câmera instalada na Estação Espacial.

Sempre passa em lugares diferentes, porque a terra vai girando numa velocidade de 1.666/h (465 s) no sentido oeste-leste, anti-horário, e os países e as localidades também vão mudando.
Já presenciei, inclusive, na TV, (aqui do Bessa) quando passava sobre João Pessoa e corri para vê-la no alto, quando a identifiquei, à noite, como um ponto luminoso, apressado, correndo na direção do oceano Atlântico. Em questão de trinta segundos desapareceu. Quem ainda não viu, recomendo, porque eu vejo quase todas as noites, por uns cinco minutos, antes de dormir, e não me canso de observar os continentes, as cidades e os mares, os mundos distantes, além do nosso, aqui no Bessa, vistos do alto. Assim, tenho o mundo dentro da minha TV.

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JORNALISMO OU PROPAGANDA IDEOLÓGICA? Por Rui Leitão

JORNALISMO OU PROPAGANDA IDEOLÓGICA? Por Rui Leitão

Não se pode generalizar, mas a quase totalidade da mídia corporativa tradicional brasileira, tem se dedicado muito mais a produzir propaganda política, movida por interesses ideológicos, do que o jornalismo sério e responsável. O ofício de reportar com sobriedade, lucidez e honestidade, fica prejudicado pelos estrategistas de marketing político, fomentando falsas polêmicas, estigmatizando personagens, disseminando boatos e versões, omitindo fatos e números, na conformidade do que é determinado pela bolha ideológica a que o veículo de comunicação está integrado.

Artigos e editoriais tendenciosos são facilmente identificados quando nos deparamos com o jornalismo praticado por essa mídia comprometida com a finalidade de assumir o monopólio da informação. A democracia fica, então, fortemente atacada por essa ideia de impor uma gestão das opiniões, buscando a adesão popular ao que intencionalmente se divulga, fabricando “falsas realidades”. Ainda que o homem seja uma criatura racional, nem sempre, ou raramente, se mostra capaz de se orientar para a verdade. A partir dessa compreensão, os empresários da comunicação julgam-se detentores do domínio público, no que diz respeito à formação de consciências coletivas.

Os fatos e ideias veiculados por essa imprensa corporativa escondem, propositadamente, suas fontes de origem, e se dedicam a produzir mensagens midiáticas que alcancem as massas, na perspectiva de mostrar eficácia no contexto social em que é trabalhado o efeito da propaganda ideológica. O controle da opinião envolve a necessidade do aproveitamento de uma realidade a ser construída, mesmo que contrariando verdades evidentes. Aí o jornalismo exercita o estelionato, uma malandragem ardilosa.

O jornalismo competente tem que ter a consciência de que desempenha papel importante no comportamento e percepção cognitiva do homem contemporâneo para encarar a realidade do dia-a-dia. Sem jamais desprezar a noção de ética, atento às responsabilidades civis, bem como aos direitos humanos e as individualidades. Não pode, nem deve, se restringir a construir consensos ideológicos na sociedade. Nem estou exigindo neutralidade ou imparcialidade absoluta, mas fidelidade aos fatos, que podem ser divulgados com as manifestações críticas que se determinem convenientes. Não há como ignorar, portanto, que, numa sociedade mediatizada, os grupos poderosos exercem mais influência na definição das pautas jornalísticas, objetivamente interessados no atendimento do que melhor lhes convêm polIticamente. E é aí onde reside o perigo. A produção jornalística é uma reconstrução da realidade, muitas das vezes manipulada.

www.reporteriedoferreira.com.br/ Rui Leitão- jornalista, advogado, poete e escritor.




NÃO FOI UMA MENTIRA DE PRIMEIRO DE ABRIL Por: Rui Leitão

 

NÃO FOI UMA MENTIRA DE PRIMEIRO DE ABRIL

O fato é que o golpe militar de 1964 se consolidou, com força, em primeiro de abril. No propósito de manipular a memória coletiva, a alta cúpula das Forças Armadas decidiu adotar o dia 31 de Março como a data em que aconteceu, o que a extrema direita batizou como uma “revolução”. Assim procuram evitar a associação do acontecimento ao “dia da mentira”.

É preciso relembrar que o marco central do golpe foi o deslocamento do então Presidente João Goulart para o Rio Grande do Sul, ocorrido no dia primeiro de abril, o que fez com que o Congresso Nacional decretasse a vacância do cargo, instalando o início de mais de duas décadas de uma ditadura militar. Até pouco depois do meio-dia de 1º de abril, João Goulart permanecia despachando normalmente no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Como poderia ter sido derrubado na véspera, 31 de março?

Portanto, não há dúvidas de que o golpe se confirmou no “dia da mentira”. Há declarações de oficiais de alta patente do Exército brasileiro que ratificam essa afirmação. O General Osvaldo Cordeiro de Farias, por exemplo, à época, mencionou que “O Exército dormiu janguista no dia 31 e acordou revolucionário no dia 1º”. Embora se saiba que o Exército nunca foi janguista.

A democracia brasileira foi ceifada num dia em que nos acostumamos a pregar peças uns aos outros, espalhando boatos em tom de brincadeiras, celebrando o dia da mentira. Seria muito bom que as notícias que recebíamos naquele dia não passassem de informações inverídicas, bem adequadas à data festejada. A tragédia histórica tornava-se uma realidade, infelizmente. A mentira que continua sendo insistentemente proclamada é de que em 31 de Março o Brasil viveu um ato heróico revolucionário, que nos livrou da implantação de um regime comunista. Duas mentiras difundidas ao mesmo tempo: nem foi uma revolução, foi um golpe. Nem a democracia deixou de existir em nosso país no dia 31 de março. Foi em primeiro de abril, dia da mentira.

Para a historiografia séria, produzida a partir de fontes documentais fidedignas, não há dúvidas quanto à data oficial do golpe militar. Ou civil-militar, como também é reconhecido. Sim, porque boa parte da sociedade civil organizada apoiou o movimento golpista militar, imaginando que as Forças Armadas fariam uma intervenção pontual, e que as eleições presidenciais previstas para 1965, seriam realizadas normalmente. Líderes políticos como Juscelino Kubitschek, Ademar de Barros e Carlos Lacerda, dentre outros menos conhecidos, logo perceberam que foram usados na contribuição da adoção de práticas arbitrárias contra a população civil. Ao se manifestarem contra, porque se sentiram enganados, foram presos e cassados. Os militares gostaram da “brincadeira” e resistiram por mais de vinte anos a devolver a nação ao Estado Democrático de Direito. O interessante é que o General Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª. Região Militar, ao designar o General Antônio Carlos Muricy, lotado no Rio de Janeiro, para ir à frente das tropas mineiras em direção à capital fluminense no dia 31 de Março, lhe enviou a seguinte senha: “começou a brincadeira”, como orientação para se dirigir a Juiz de Fora e cumprir a missão que lhe estava sendo confiada. Quem falou, inicialmente, que era uma “brincadeira”, foi o próprio General Olimpio Mourão. Uma “brincadeira” de muito mau gosto, diga-se de passagem.

Como teria sido bom se realmente tudo não tivesse passado de uma brincadeira do dia da mentira. Mas não, o intervencionismo militarista que se estabeleceu, atacou por longos vinte e um anos os direitos democráticos em nosso país. Tivemos que nos submeter às experiências dolorosas de acompanhar acontecimentos como prisões, torturas, assassinatos, cassações, exílios, desaparecimentos forçados, demissão de grevistas, intervenções em universidades e sindicatos, censura à imprensa e às manifestações culturais, rompimento total da ordem constitucional e legal vigente e uma política econômica de contenção de salários e concentração de renda.

Que essa História não se repita. É necessário que continuemos atentos, porque a extrema direita não “dorme de touca”. Conseguimos, pelo menos, evitar que o pior voltasse a acontecer, mas não podemos ficar de braços cruzados. Continuemos na resistência.

Rui Leitão




GOVERNADOR JOÃO AZEVEDO ANUNCIA CRIAÇÃO DE POLICLINICA PARA SERVIDORES DAS FORÇAS DE SEGURANÇA DA PARAÍBA

INFORMATIVO SINDSPOL-PB

27 de março de 2023.

GOVERNADOR JOÃO AZEVEDO ANUNCIA CRIAÇÃO DE POLICLINICA PARA SERVIDORES DAS FORÇAS DE SEGURANÇA DA PARAÍBA.

Nesta segunda-feira, 27, o Governador João Azevedo durante o programa semanal Conversa com o Governador, transmitido em cadeia estadual pela Rádio Oficial do Estado Tabajara, anunciou a Criação da Policlínica Integrada, que será entregue já nos próximos dias em João Pessoa e disponibilizará, atendimento médico com mais de 40 (quarenta) especialidades para os servidores das Polícias Civil, Militar, Penal, Corpo de Bombeiros e Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

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A morte do grauçá por: Gilvan de Brito

A MORTE DO GRAUÇÁ
Nas caminhadas que faço diariamente à beira-mar, acontecem coisas que superam a nossa imaginação. como no fim de tarde de hoje. Como de costume, no meio do percurso sento-me para contemplar, durante alguns minutos, o bailado dos coqueiros, as ondas quebrando nas areias brancas, os pescadores fisgando bagres e sentir a força dos ventos soprados do Atlântico. Hoje foi diferente: surgiu um caranguejinho daqueles, meio- amarelados – que chamam Grauçá ou Maria Farinha – e foi se aproximando. Estranhei porque eles são muito ariscos, temendo a perseguição de pessoas que, por maldade, procuram tangê-los à toca ou apanhá-los. Como são frágeis, eles não suportam a manipulação e morrem. Este que me surgiu à frente agiu de forma diferente: foi se aproximando aos poucos, observando-me com aqueles olhinhos de palito, meio desconfiado e parou a um metro e meio de distância. Ficou olhando atentamente e depois relaxou, recolhendo as oito patas abaixo da carapaça e pousando as duas patas-garras maiores nas areias. Sentou-se descontraidamente e recolheu os dois olhos às duas caixas protetoras. Mexi-me, com gesto lentos, para não o espantar e ele não fez qualquer menção de que estava temendo a minha presença. Pessoas passavam perto e ele nem se mexia. Nunca tinha visto nada igual e nem imaginava que podia gerar uma atração tão grande pelos crustáceos decápodes. Ele ali no chão, tranquilo, confiante, com uma curiosa certeza de que eu não o faria mal, e eu o observando, admirado com a coragem daquela minúscula vida cujos pensamentos procurava adivinhar. De repente, mais que de repente, desce uma mulher em corrida desabalada, que eu só a vi quando estava ao meu lado, em velocidade na direção das águas (como fazem algumas pessoas quando chegam diante do mar) e esmaga o caranguejinho com um pisão que nem se deu conta. Só consegui ver quando ela passou. Não havia movimentos. Peguei-o, entristecido com o acontecimento e observei que não havia um sopro de vida naquele frágil corpo, patinhas penduradas. E a mulher nem se dera conta, mergulhou e saiu nadando nas águas do mar. Então, enterrei-o na areia meia molhada das chuvas que haviam caído. E sai caminhando, arrasado, com as imagens na memória daquele animal tão alegre, disposto e seguro diante da minha presença, a quem havia confiado a sua vida, e eu não podia salvá-lo porque não deu tempo de interromper a corrida da banhista apressada. Ainda estou triste ao escrever estas linhas.

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O individualismo Por Rui Leitao 

O individualismo Por Rui Leitao

A sociedade contemporânea está ficando marcada por um comportamento que se convencionou chamar de individualismo. O ser humano está sempre querendo se autoafirmar, buscar a singularidade, se distinguir entre os demais do seu convívio.

Cada um de nós possui suas próprias peculiaridades, o que nos coloca como parte única no universo, somos indivíduos. Em sendo assim, vivemos querendo realçar nossas dessemelhanças para impor nossas individualidades. É o desejo de se reconhecer como unidade destacada num grupo.

O individualista não mede esforços para conseguir o que quer. É capaz de transpor os limites éticos para satisfazer o seu ego. Pensa somente no seu eu O individualista coloca seus interesses pessoais acima dos anseios coletivos. A reciprocidade em dar e em receber não acontece na proporção igual. Prevalece um forte sentimento de egoísmo. Concentra-se obsessivamente na conquista do ter, do poder e do prazer, mesmo que em detrimento de outros, colocando-os em segundo plano.

Num mundo competitivo em que vivemos, essa descoberta das qualidades individuais ajuda a vencer as batalhas da vida. Entretanto, não podemos fazer disso uma característica de egocentrismo. Quando nos maravilhamos exageradamente conosco mesmo, assumimos uma postura narcisista. Não percebemos que ao supervalorizarmos nossas vitórias, algumas vezes humilhamos os que são derrotados.

Tudo o que fazemos é resultado de compartilhamento, troca de colaborações, esforços solidários. Há uma tendência natural no individualista em ambicionar poder, posse, autoridade. Para isso não mede esforços para conseguir o que quer. É capaz de transpor os limites éticos para satisfazer o seu ego. Pensa somente no seu “eu”. Ele carrega uma grande dose de autossuficiência, recusando, inclusive, intervenções externas às suas opções pessoais.

É bom sempre estarmos abertos a receber e permutar experiências e conhecimentos com os outros. Fugir do egocentrismo. O individualismo ignora essa percepção, e produz personalidades autoritárias, extremamente vaidosas, insensíveis à sorte dos que as rodeiam. É bom a gente refletir sobre isso, de vez em quando.

www.reporteriedoferreira.com.br Por RUI LEITÃO, jornalista, advogado, escritor, poeta.