Dia do professor: data para cruciais reflexões Por Sérgio Botelho

Dia do professor: data para cruciais reflexões
Por Sérgio Botelho –
Hoje festeja-se no Brasil o Dia do Professor, uma referência ao longínquo 15 de outubro de 1827. Já perto de completar 200 anos, naquele dia, Dom Pedro I baixou uma lei sobre o Ensino Elementar. Foi a primeira norma legal a tratar da Educação, na história do Brasil, e serviu de bússola para o ensino em todo o país. Estabelecia diretrizes sobre a descentralização do ensino, remuneração docente, currículo mínimo e regras para admissão de professores. Também formalizava escolas para meninas e, ainda, o ensino mútuo, praticado entre os próprios alunos, com os mais adiantados instruindo os de menor avanço educacional (nas universidades e algumas outras instituições de ensino essa prática é chamada de Monitoria).
A data brasileira somente foi lembrada como baliza educacional cerca de 100 anos depois, quando docentes paulistas resolveram considerá-la um dia de descanso na pesada lida diária dos professores. Depois disso, em 1948, o Dia do Professor foi oficializado como data comemorativa e feriado no estado de Santa Catarina. Enfim, em 14 de outubro de 1963, na presidência de João Goulart, por meio do decreto federal nº 52.682, foi criado o Dia do Professor em todo o país.
Curioso é que uma data internacional do professor, estabelecida para todo 5 de outubro, apenas passou a existir formalmente a partir de 1994, criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A folhinha da educação mundial tem a ver com o dia em que foi subscrita a recomendação da OIT/UNESCO sobre o estatuto dos professores (1966). Na recomendação, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Unesco dirigiam suas preocupações mais fortes à questão da carreira e da remuneração do magistério.
Sem dúvida, absolutamente procedente o cuidado com a remuneração do professor e com sua careira. Aliás, considero que nenhum país do mundo pode almejar o desenvolvimento científico e tecnológico, com evidentes reflexos positivos sobre a economia, sem cuidar do professor condignamente. Professores em países como Alemanha, Inglaterra e Coréia do Sul estão entre os profissionais mais bem remunerados do universo local do trabalho. O resultado não pode ser outro senão o desenvolvimento do país.
A remuneração adequada é um reconhecimento do valor do trabalho do professor. Quando os professores são justamente remunerados, eles se sentem valorizados e motivados a desempenhar seu papel de forma mais dedicada. Principalmente reduzindo a alta rotatividade na categoria, permitindo que permaneçam no ensino a longo prazo.
Mas também, uma remuneração competitiva no campo do ensino atrai profissionais talentosos e qualificados para a profissão. Dessa forma, estarão mais propensos a buscar o desenvolvimento profissional contínuo, adotar métodos de ensino inovadores e se dedicar ao sucesso de seus alunos.
Há outras questões a serem abordadas no dia dos professores, além da salarial e da carreira. Como por exemplo, condições de trabalho, escolas bem aparelhadas cientificamente e em termos de instalações, investimentos na formação e desenvolvimento profissional do docente, acesso a tecnologia e recursos, promoção de ambientes inclusivos e respeitosos nas escolas, apoio à saúde mental de mestres e alunos, incentivo à participação de pais e da comunidade, avaliação e atualização constante dos currículos e das práticas de ensino e, certamente, a segurança escolar.
Enfim, é importante aproveitar o Dia dos Professores como oportunidade não apenas de homenageá-los, mas também de refletir sobre todas essas questões e buscar maneiras de melhorar a educação e as condições de trabalho dos educadores. A qualidade da educação não depende apenas dos professores, mas também das políticas e dos recursos disponíveis para apoiá-los em sua missão de ensinar e inspirar os alunos. Já fui professor e sei.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Sérgio Botelho- Jornalista, poeta e escritor



O MOVIMENTO GOLPISTA NÃO MORREU Por Rui Leitao 

O MOVIMENTO GOLPISTA NÃO MORREU Por Rui Leitao

É preciso que continuemos atentos e fortes. A vitória eleitoral conquistada no ano passado não nos dá a tranquilidade de que as ameaças à democracia desapareceram por completo. O delírio golpista continua aceso. Os conspiradores seguem na espreita, intimidando os democratas brasileiros. Vencemos uma batalha, mas ainda não ganhamos a guerra. O fascismo trabalha sua reorganização.

Têm aversão ao debate ético. Apelam para as mentiras na busca incessante de tentar desgastar um governo que está dando certo. Embora inelegível, o ex-presidente ainda consegue ser ouvido pelos que pensam como ele. Seus apoiadores, apesar das evidências da prática de crimes, recusam aceitar os fatos incontestáveis como verdadeiros. Parte do seu público se mantém fiel. As pautas cheias de ódio e preconceito retomam os discursos nas redes sociais, com o espalhamento desenfreado da desinformação.

Os grupos extremistas não foram exterminados. É bom lembrar que o Congresso eleito nas eleições do ano passado tem um perfil ideologicamente bem mais conservador do que o das legislaturas pretéritas, obrigando um presidente progressista a fazer concessões que possam garantir a governabilidade. Nele encontramos parlamentares que promovem a cizânia, líderes medíocres que não sabem viver numa democracia. Desrespeitam a ciência, defendem pautas retrógradas e não aceitam a pluralidade de pensamento.

Uma direita histérica, radical, mas barulhenta, insiste em atacar as instituições democráticas e republicanas. A nossa sorte é que são desqualificados, culturalmente despreparados, incapazes de desenvolver um debate de ideias com racionalidade. Quem pensa diferente deles não é patriota, nem cristão, é comunista, segundo definem. Estamos, então, diante da luta da civilização contra a barbárie.

Ainda que o principal líder da extrema direita brasileira tenha se desidratado, não dá para deixar de reconhecer que em torno de 25 % dos brasileiros ainda lhe devota fidelidade. Todavia, o golpismo é muito mais uma ação retórica do que um planejamento inteligente capaz de se efetivar. Mas essa possibilidade de ruptura fica sendo alimentada, até para que se mantenha o grupo mais fiel unido. É um movimento que gerou frutos em alguns setores da sociedade brasileira e levará décadas para que possamos respirar os ares da democracia inteiramente tranquilos, livres das ameaças golpistas.

www,reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão- jornalista, advogado, poeta e escritor




A mentira de Goebbels desmascarada pela verdade da história

A mentira de Goebbels desmascarada pela verdade da história

“Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. A equivocada frase foi dita pelo infame ministro da propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, com o objetivo de enganar as massas para transformar o ditador Adolf Hitler em “mito”.

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A frase de Goebbels é uma mentira, posto que a mentira dita mil vezes pode até enganar muita gente, mas nem todo mundo. E não engana por muito tempo, visto que a verdade sempre vem à tona.

Nunca é demais recorrer à história para saber que a frase foi fruto de um governo de extrema direita, que estabeleceu um regime de exceção na Alemanha, realidade que, ao final, levou o país à ruína.

Hitler chegou ao poder por vias democráticas, mas, como todo predador, ao atingir o seu objetivo, tratou logo de exterminar a democracia. Assim, o Führer deu um golpe e instalou um regime autocrático em seu país.

Na autocracia o poder do líder é absoluto e ilimitado, e o governo acaba por ter suas políticas confundidas com as ações pessoais do autocrata, como uma personalização do poder.

Voltando ao senhor Goebbels, confira outra infame frase por ele proferida:

“Enfiar na cabeça dura das massas a devoção a Hitler, como o Deus da nova Alemanha, tornou-se o meu objetivo único.”

Bumerangue

Assim como a moda – que vai e volta, tipo efeito bumerangue –, falsos líderes aparecem de quando em vez para desequilibrar a ordem vigente de um país a partir de ameaças às instituições democráticas. No entanto, como são medíocres, não prosperam. Assim revela a história!

Reflexão

A frase de Goebbels nos leva a refletir sobre as funções das mentiras ou notícias falsas tão disseminadas no governo do então presidente Jair Bolsonaro. Este sequer foi autêntico, visto que imitou os infames já defenestrados pela história, a exemplo de Goebbels, com as mentiras, e de Mussolini, com as motociatas.

No governo Bolsonaro, as mentiras que se apresentavam nas mídias sociais seguiam a mesma linha propagandística de Goebbels; fazia o uso da glorificação da violência e da discriminação das minorias.

Um breve histórico das mentiras nazifascistas mostra que elas estavam ancoradas na fé e no mito, que serviam às neuroses e psicoses de seus líderes.

Em tempo

Em tempo, a sociedade se organizou para contraditar as fakes News, todas desmentidas pela ciência e pelo jornalismo sério.

Por Walter Nogueira- Jornalista




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS  Por Sergio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

Por Sergio Botelho, jornalista, poeta e escritor

. Estação Elevatória de Esgoto da Praça Álvaro Machado
Sergio Botelho – O nosso foco de hoje é sobre um prédio histórico chamado Estação Elevatória de Esgoto, de atividade em torno dos cem anos em João Pessoa. Fica na tumultuada Praça Álvaro Machado, no Varadouro, e guarda linhas arquitetônicas originais, com algumas poucas e oportunas intervenções físicas. “Este prédio concebido com linguagem formal do ecletismo, já sofreu algumas alterações, tendo sido substituída a sua coberta e, em 1978 as esquadrias, cujas linhas foram preservadas assegurando que o mesmo continue mantendo, em grande parte, suas características arquitetônicas e o uso para o qual foi edificado”, ensina o Memória João Pessoa do Departamento de Arquitetura da UFPB.
A utilidade para a qual foi edificado, de que trata o Memória, o de ejetar esgotos, por meio de bombas, até o coletor principal com os esgotos de outras partes do sistema, na cidade, remonta ao processo de saneamento da capital paraibana, iniciado na administração do bananeirense Sólon de Lucena, presidente da Paraiba de 1920 a 1924. O projeto havia sido elaborado pelo nacionalmente renomado engenheiro fluminense Saturnino Braga, ainda na gestão do mamanguapense Castro Pinto, presidente do estado entre 1912 e 1915.
Quando as obras de saneamento tiveram início em Parahyba do Norte, o sistema de abastecimento d’água já havia sido inaugurado em 21 de abril de 1912, ainda no governo do areense João Lopes Machado (1908-1912). Os trabalhos previstos para a execução do projeto de Saturnino Braga se prolongaram para além do governo Solon de Lucena. No caso, até o do catoleense João Suassuna (1924-1928). Então, a Estação Elevatória de Esgoto da Praça Álvaro Machado foi construída para receber os dejetos do segundo distrito, conforme divisão da urbe estabelecida por Saturnino, consistindo no espaço urbano entre a Maciel Pinheiro e o rio Sanhauá.
Foi, o saneamento, um projeto fundamental na atual João Pessoa, contribuindo para a modernização da cidade. Especialmente na superação das péssimas condições de vida experimentadas pela população, mais sujeita, anteriormente, a epidemias e doenças variadas por conta de esgotos escorrendo nas ruas a céu aberto. Destaque histórico importante: decidiu a administração estadual que os serviços seriam bancados e administrados pelo estado, atendendo recomendação de Saturnino, atendendo recomendação de Saturnino no sentido de que os serviços de água e esgotos não deveriam ser explorados por empresa privada, “que fatalmente começará a prestar um mau serviço quando a renda não for suficiente para remunerar o custeio e o capital empregado”. Recomendação muito atual, não é não?!
www.reporteriedoferreira.com.br  Por Sergio Botelho, jornalista, poeta e escritor



ENVELHECER COM DIGNIDADE Por Rui Leitao

Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje:

ENVELHECER COM DIGNIDADE Por Rui Leitao

O planeta Terra tem 13,9 % da sua população formada por pessoas com mais de 60 anos. No Brasil é de 15,1 %. Em 2030, o número de idosos deve superar o de crianças e adolescentes de zero a quatorze anos. Há, portanto, uma evolução etária que precisa ser encarada pelas políticas públicas. Em 2003, no seu primeiro mandato, o presidente Lula, promulgou o Estatuto da Pessoa Idosa, assegurando direitos básicos para as pessoas com mais de 60 anos. Foi a primeira iniciativa de governo em nosso país com o propósito de atender, de forma justa e adequada, essa parcela crescente e numerosa do povo brasileiro. Mas a forma de proteção designada à população idosa, como garantia legal, já estava incluída na Constituição Federal de 1988.

O que preocupa é a evidência de que esse grupo de idosos se concentra na população mais empobrecida do país, cidadãos e cidadãs destituídos de quase todos os direitos de cidadania. Vivem, então, numa condição de vulnerabilidade que requer novas perspectivas sociais, econômicas e ambientais, contra o preconceito e a exclusão. É preciso combater a desumanização do envelhecimento, exigindo tratamento prioritário e preferencial nos mais diversos aspectos da vida cotidiana. Normas protetivas que devem ter sua efetividade máxima alcançada, reconhecendo que a população idosa é detentora de direitos civis, políticos, individuais, sociais e culturais, colocando-a como protagonista de sua própria vida e responsável por suas próprias escolhas.

É necessário acabar com o entendimento de que a “velhice” seja associada a algum diagnóstico de doença O preconceito da idade, o etarismo, é um estigma inaceitável nos tempos atuais. Envelhecer com dignidade é um direito que deve ser garantido, em sendo um processo natural da vida que precisa ser encarado com atenção e respeito. Lamentável que nem todo mundo pense assim. O que vemos é uma realidade cruel em que se configura descaso da sociedade e, até mesmo, da própria família.

O envelhecimento deve ser analisado alem da dimensão biológica, mas com o olhar voltado para seus aspectos sócio-políticos, culturais e históricos. A participação social da pessoa idosa no processo democrático, oferece empoderamento no processo decisório e de controle das políticas públicas. Para alcançar a longevidade é preciso estar bem consigo mesmo, continuar vivendo num permanente aprendizado, cuidar da saúde física e mental, estabelecer boas relações sociais e procurar construir uma situação financeira tranquila, sem permitir que a idade biológica interfira na idade psicológica, fazendo com que se consiga reduzir os efeitos indesejáveis do envelhecimento físico.

No primeiro dia de outubro, no Brasil, se comemora o Dia Nacional do Idoso. Que a data possa, a cada ano, despertar a reflexão de que é possível fazer valer o que dispõe o Estatuto da Pessoa Idosa quando estabelece que “ao idoso sejam garantidas todas as oportunidades e facilidades para a preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade”.

Por Rui Leitão, Jornalista, advogado, poeta e escritor




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O velho prédio da PRI-4 e o sucesso de seu auditório

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O velho prédio da PRI-4 e o sucesso de seu auditório
Por Sérgio Botelho
– Cerca de 15 anos depois da primeira transmissão brasileira de voz ao vivo por ondas de rádio, executada no Rio em 7 de setembro de 1922, pelo paraibano Epitácio Pessoa exercendo a presidência da República, foi que a Paraíba inaugurou sua primeira emissora radiofônica. O feito local se realizou por conta do governo Argemiro de Figueiredo, e o ato histórico aconteceu em 25 de janeiro de 1937, segundo aniversário de posse do governador. A Rádio Difusora da Parahyba (PRI-4) funcionou inicialmente nas dependências do jornal A União (prédio lamentavelmente derrubado no governo Ernany Sátiro, na década de 1970, para a construção do que atende hoje à Assembleia Legislativa da Paraíba), na Praça João Pessoa.
Meses depois foi transferida para um novo prédio, idealizado e construído pelo arquiteto Clodoaldo Gouveia (o mesmo do Lyceu e da Secretaria da Fazenda), na Rodrigues de Aquino. Finalmente, em 9 de agosto de 1985, o então governador Wilson Braga inaugurou o espaço que até hoje abriga a emissora, no Corredor Pedro II, quando o antigo foi derrubado para a edificação do Anexo Administrativo do Tribunal de Justiça da Paraíba. Na sequência do tempo, o governo José Maranhão inaugurou mais uma emissora Tabajara, no caso, a FM, de tanto sucesso, a partir de então. Enfim, o atual governador João Azevedo, além de criar a Empresa Paraibana de Comunicação, reunindo A União e Tabajara, sob a presidência da jornalista Naná Garcez, e tendo na Secretaria de Comunicação o jornalista Nonato Bandeira, inaugurará, proximamente, a nova Tabajara AM com tecnologia de FM, retomando o nome original de Parahyba, um passo significativo na consolidação da histórica rádio paraibana.
Contudo, o meu assunto de hoje refere-se justamente ao velho prédio da Rodrigues de Aquino, aproveitando para isso o Dia Nacional do Rádio, festejado neste 25 de setembro, e que coincide com a data de nascimento de Edgard Roquette Pinto, fundador da primeira rádio do Brasil, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, hoje Rádio MEC. A Tabajara viveu nas décadas seguintes à inauguração um período de enorme sucesso, com direito a orquestra e casting próprios. (Marcou época na história musical brasileira a Orquestra Tabajara, que nasceu e se criou no velho prédio da Rodrigues de Aquino sob a regência do maestro Severino Araujo,). Aproveitou-se bem de uma época, décadas de 1940, 1950 e 1960, em que o rádio brasileiro gestou os mais famosos cantores, compositores, orquestras, além de roteiristas, autores e atores de radionovela.
O sucesso das rádios se materializava em programas de auditório, e o prédio da Rodrigues de Aquino tinha o seu próprio espaço para shows, onde se apresentaram, ao longo do tempo, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Augusto Calheiros, Dalva de Oliveira, Carlos Galhardo, Vicente Celestino, Orlando Silva, Sivuca, a internacional Orquestra de Tommy Dorsey, o cantor mexicano Bievenido Grande, entre outros nomes da música brasileira e internacional. Época em que brilhou, na apresentação dos programas de auditório, o icônico radialista-apresentador Pascoal Carrilho, inspirador de tantas histórias que entre verdades e invenções o transformaram numa das figuras mais famosas da história da cidade de João Pessoa.
Na representação feminina, destaque para Ana Paula e Zélia Gonzaga, duas vozes marcantes na história da emissora. Nesses dias, em minhas pesquisas, li uma crônica deliciosa de se ler assinada pelo poeta amigo Saulo Mendonça, com o título “O radiante Pascoal Carrilho”, no Ambiente de Leitura Carlos Romero. Trata-se de texto altamente recomendável, como tudo o que escreve Saulo, no qual ele engrandece a memória de Carrilho. Saulo usa o escrito, ainda, para lembrar a performance de Eivaldo Botelho, no caso, do Repórter Tabajara, entre outras figuras como Geraldo Cavalcante e Paulo Rosendo, da época de ouro da PRI-4. Sobre Eivaldo, era meu primo em primeiro grau. Tempos depois, eu mesmo tive a honra de ancorar, na rádio, programas diários de notícias e debates nas luxuosas companhias de Linaldo Guedes, Lenilson Guedes, Josy Aquino e Ivando Oliveira, sob a direção, em momentos diferentes, de Rui Leitão e Genésio de Sousa Neto.
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PARAYBA E SUAS HISTÓRIAS. Grupo Escolar Isabel Maria das Neves Por Sérgio Botelho 

PARAYBA E SUAS HISTÓRIAS. Grupo Escolar Isabel Maria das Neves Por
Sérgio Botelho
– O Grupo Escolar Isabel Maria das Neves (hoje Escola Estadual Fundamental Isabel Maria das Neves), na revolucionária avenida João Machado, representou, em 1921, o 4º e penúltimo desse tipo de estabelecimento de ensino edificado na capital paraibana (pelo estado afora, no campo e nas cidades, houve outros). Fazia parte, conforme comentamos quando de abordagens anteriores, do esforço republicano para substituir o ensino ministrado em escolas isoladas onde professores lecionavam obedecendo a didáticas e conteúdos próprios.
Todos os grupos (pela ordem, o Thomaz Mindelo, o Epitácio Pessoa, o Antônio Pessoa, o Isabel Maria das Neves e o Pedro II) primavam por serem construções arquitetonicamente ecléticas, com salas ventiladas e boa iluminação, além de corredores, biblioteca e atenção à saúde. Dessa forma, também embelezavam a cidade e forneciam uma educação destinada a formar cidadãos republicanos, em turmas seriadas e divididas de acordo com idade e nível de instrução.
O Grupo Escolar Isabel Maria das Neves foi projetado e construído pelo arquiteto Hermenegildo Di Lascio, um dos italianos que chegaram à Paraíba em torno da década de 1920. Localizado no limite entre o centro da cidade e o bairro de Jaguaribe que ia se formando, o Isabel Maria das Neves foi edificado em terreno doado pelo governador, quando do início da obra, Camilo de Holanda, e tomou o nome da mãe de um dos que lhe financiaram a construção. Dessa forma, compôs uma paisagem a se desenhar, naquele novo espaço da urbe que se expandia, com a participação de outras edificações ainda hoje icônicas para a capital paraibana, incluindo casarões espetaculares.

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Sérgio Botelho – jornalista, poeta e escreitor.



PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS; Tribunal de Justiça

  1. PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Tribunal de Justiça: um edifício envolto em singulares brisas históricas Por
Sérgio Botelho
– O belíssimo e icônico prédio da foto, que atualmente passa por restaurações providenciadas pelo governo do Estado, é onde funciona o outrora errante Tribunal de Justiça da Paraíba. (A União deste domingo, 25, registra visita do governador João Azevedo às obras, junto a detalhada matéria sobre lances históricos da instituição). Está localizado na Praça João Pessoa, ainda Praça Comendador Felizardo no instante em que aconteceu a entrega da construção, em 1919.
Contudo, sua destinação inicial não foi o de servir como Palácio da Justiça, mas sim cumprir a função de Escola Normal. E foi o que aconteceu por 20 anos. A praça tinha então como adornos externos além da nova sede da Escola Normal, o prédio do Palácio do Governo, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (depois demolida no governo João Pessoa), o prédio do Lyceu (hoje, Faculdade de Direito), e na altura da Praça 1817 os fundos da vetusta Igreja de Nossa Senhora das Mercês dos Pretos e Pardos, um dia extinta da paisagem em favor da mobilidade urbana pessoense, segundo argumentos bastante contestados à época.
Não existia ainda, naquele tempo, o antigo prédio do jornal A União, somente construído em 1933, para depois ser derrubado em 1970, cedendo o lugar ao modernoso prédio onde funciona a Assembleia Legislativa da Paraíba, debaixo também, assim como fora o caso das Mercês, de muito questionamento até hoje. Então, em 1939, com a transferência da Escola Normal para os espaços que se iam edificando a partir do novo prédio do Lyceu, na Avenida Getúlio Vargas, inaugurado em 1937, instalou-se ali o Tribunal da Justiça da Paraíba, que havia sido criado com o advento da República, no governo Venâncio Neiva. A título de curiosidade, até agora citamos três instituições importantes da República, na Paraíba, no caso Tribunal de Justiça, Escola Normal e Assembleia Legislativa, que têm em comum a sina de terem perambulado por ruas e prédios da capital, até se acomodarem em definitivo nos prédios onde presentemente cumprem seus objetivos.
O Tribunal, em certos períodos, operou a Justiça até em casas alugadas de particulares. Uma saga. Segundo breve descrição do ipatrimônio, sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP), o prédio do TJ é composto de dois pavimentos, com uma área em torno de 892 m². A construção passou por três reformas, o que acarretou a perda de algumas de suas características arquitetônicas, no ambiente interno, de estilo neoclássico. Em 23 de maio de 1965 foi construído, no ambiente interno do Tribunal, o Museu e Cripta de Epitácio Pessoa, para onde acabaram transferidos os corpos do ex-presidente da República, paraibano de Umbuzeiro, Epitácio Pessoa, e de sua esposa carioca, Mary Sayão Pessoa. Por todo o descrito, um edifício envolto em singulares brisas históricas.
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Sérgio Botelho- Jornalista, poeta e escritor.



PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Lyceu Paraibano Por Sérgio Botêlho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Lyceu Paraibano
Por Sérgio Botêlho –
Das instituições públicas oriundas ainda da época do Império, na capital paraibana, uma das que permanecem é o Lyceu Paraibano. Começou em 1836 (aliás, para quem não sabia, um ano antes que o Colégio Pedro II, no Rio) como Lyceu Provincial da Parahyba, no prédio que abrigava a Assembleia Legislativa Provincial e a Tesouraria da Fazenda, na atual Praça Rio Branco.
Na sequência, já com 120 alunos, ocupou alguma dependência do Palácio do Governo, e a partir de 1839 instalou-se no prédio que foi construído pelos jesuítas para servir de convento da ordem (atual Faculdade de Direito, na Praça João Pessoa). Após 100 anos, veio parar na Avenida Getúlio Vargas, e lá permanece até hoje como Lyceu Paraibano.
O principal objetivo do educandário posto a funcionar em Parahyba do Norte era o de preparar a juventude para o ensino superior, especialmente na Faculdade de Direito de Olinda ou na Faculdade de Medicina da Bahia. Intelectuais e padres compunham o corpo docente.
Pelos bancos do Lyceu passaram figuras de proa da elite paraibana que se tornariam personalidades influentes tanto no Império quanto na República. Registre-se que em 1884, após crises envolvendo concepções de ensino e mesmo efetividade do alunado, o Lyceu foi extinto. Em seu lugar foi posta a Escola Normal, o que somente durou um ano, pois em 1885 o Lyceu foi restaurado.
Após a Revolução de 1930, e as renovadas preocupações oficiais para com o fortalecimento do ensino cívico e escolar, surgiria o projeto de construção do prédio atual, na avenida Getúlio Vargas. Efetivamente, o novo Lyceu foi inaugurado em 1937, no governo Argemiro de Figueiredo, ex-aluno do colégio, e hoje tem a companhia de dois outros prédios, o do Instituto de Educação da Paraíba e o da Escola de Aplicação. A obra é a mais emblemática do arquiteto Clodoaldo Gouveia, a quem já nos referimos quando do texto sobre o prédio da Secretaria da Fazenda, na Gama e Melo. Apenas no sentido de complementar a informação sobre o autor de ambas as construções,
Clodoaldo Gouveia vem a ser o avô materno do também arquiteto e escritor Germano Romero, que hoje edita o prestigiado site Ambiente de Leitura Carlos Romero, criado por seu pai, justamente o escritor, jornalista e advogado Carlos Romero.
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A HISTÓRIA DE UMA MÚSICA Por Gilvan de Brito

A HISTÓRIA DE UMA MÚSICA Por Gilvan de Brito
Nau (Ednaldo dos Anjos) ocupava a presidência da Associação Atlética Banco do Estado e precisava de uma atração para inaugurar melhoramentos na sede construída na praia de Ponta de Campina (Cabedelo), onde havia uma colônia de férias para os associados. Então chamou a mim e a Livardo para fazermos uma música carnavalesca enaltecendo a AABE. Mas tinha um detalhe: precisava ser feita naquela noite e gravada no dia seguinte, para estar pronta no sábado, data da inauguração. Então eu sai do jornal e fui com Livardo para o Badozé, que funcionava em Jaguaribe, ao lado do cinema, e combinamos que eu faria a letra e Livardo a música. Então, regado à cerveja com tira-gosto de macaxeira com carne guisada, eu comecei com a sigla (AABE) repetida por quatro vezes, que logo foi vestida com uma música que me estimulou continuar naquela linha melódica.
Escrevi durante alguns minutos e passei para ele a primeira estrofe: “Meu clube/ É rubro negro/ Me dá sossego/ À beira mar, beira mar”. Livardo tinha uma grande sensibilidade para a música e logo emendou, tamborilando na mesa, sem perder o ritmo, completando a segunda parte. Enquanto ele solfejava eu já estava partindo para a terceira, que ficou assim: “À noite/ Me tira o sono/ Me faz o dono/ Deste lugar, à cantar”. E passei para ele que deu continuidade na mesma linha melódica. De minha parte já estava iniciando a terceira parte, que foi sendo construída dessa forma: “Entre na nossa festa/ A vida é esta/ Venha aproveitar”. Ele leu e seguiu na mesma trilha enquanto eu procurava terminar o trabalho fechando a letra, que em poucos minutos foi concluída, sem delongas: “Chegue também menina/ O carnaval é aqui/ Na ponta de Campina”. Foi num piscar de olhos que ele encerrou a marcha.
Levantamo-nos e nos cumprimentamos efusivamente. Estava pronto e acabado o trabalho da AABE. Satisfeito, Livardo pediu uma ficha de telefone ao garçom, foi ao “Orelhão”, próximo (ainda não havia celular), ligou para Nau e cantou a música da forma como ficara. Nau elogiou o trabalho, pediu para falar comigo e acertou a nossa viagem ao Recife, para gravar na Rozemblit, que na época era a única gravadora de discos vinil no Nordeste. Imediatamente liguei para o maestro Vilor, para reunir os músicos. Livardo cantou para ele fazer a pauta cifrada a fim de ser lida pelos instrumentistas na hora da gravação e marcamos a saída para às 10 horas.
No dia seguinte liguei para a Rozemblit, reservei um dos estúdios e seguimos com os músicos, que foram, em dois carros, para a Gravadora. Durante a viagem os músicos foram ensaiando a pauta cifrada entregue pelo maestro Vilor. Às 13 horas entramos no estúdio, Vilor dispôs os músicos e Livardo foi para o microfone cantar a música. Em uma hora e meia gravamos e o gerente logo mandou cortar em acetato para prensar o vinil e concluir a “bolacha”, o disco preto. Encomendamos mil cópias, mas só deu para levarmos cem, porque havia outras encomendas e ele já havia antecipado o nosso trabalho em atenção, porque todos os anos gravávamos músicas de carnaval. O restante recebemos na semana seguinte.

Fotos da publicação de Gilvan de Brito
em Fotos da linha do tempo

 

Foi então anunciado como atração Livardo Alves cantando o hino da AABE. No sábado centenas de pessoas, entre funcionários, ex-funcionários e foliões compareceram à festa, que foi um verdadeiro sucesso. Os presentes queriam adquirir uma cópia do disco, mas não deu para atender a todos, porque tínhamos apenas pouco mais de 90 unidades. Na semana seguinte colocamos numa loja e o disco esgotou-se, exigindo nova prensagem, quando incluímos outras três músicas que já estavam no acetato desde o ano anterior. Foi, realmente, uma maratona, para

realizarmos este desafio, que finalmente foi cumprido.
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