AVIÃO CAI EM CAMPINA GRANDE Por Gilvan de Brito 

AVIÃO CAI EM CAMPINA GRANDE Por Gilvan de Brito
Fazia alguns meses que Orlando Tejo não visitava Campina Grande e a família estava ansiosa para vê-lo. Certo dia ele venceu o medo de viajar de avião, foi à agencia do Loide Nacional e comprou um bilhete de embarque para uma sexta-feira à tarde. Seria a primeira viagem de avião, uma das coisas que ele mais temia no mundo. Como o embarque estava previsto para as seis horas da noite para chegar em Campina antes das sete horas, Orlando resolveu beber com alguns amigos naquela tarde, para passar o tempo e desanuviá-lo do temor. Foram para o Savoy onde a boa conversa o fez esquecer da viagem. Quando se lembrou do compromisso, olhou no relógio e viu que lhe restavam 30 minutos para o embarque.
Então despediu-se dos amigos, arrastou a mala debaixo da mesa, apanhou um taxi e seguiu para o aeroporto dos Guararapes, solicitando pressa ao motorista porque faltavam poucos minutos para o avião levantar voo. Mas o trânsito na Avenida Domingos Ferreira estava bastante congestionado e o carro demorou alguns minutos a mais até chegar ao aeroporto. Correu para o cheque-in, quando a moça do atendimento, depois de ver o bilhete, mostrou m avião que estava subindo:
– O seu voo estava previsto para aquele avião que acaba de decolar – disse apontando para a aeronave, que roncava tentando elevar-se no ar.
Lamentou a falta de sorte e foi, ainda, até a porta de vidro de onde viu viu o avião fazer a curva com destino ao interior, na rota de Campina Grande. Como não tinha mais nada a fazer, transferiu a viagem para a sexta-feira seguinte e tomou um taxi de volta ao bar Savoy, onde reencontrou os companheiros e seguiu com a bebedeira. Às oito horas da noite a televisão teve o som aumentado para que os fregueses do bar pudessem ouvir o Jornal Nacional, como faziam todos os dias. A primeira notícia foi arrasadora.
“- Cai o avião do Loide Nacional que saiu do Recife com destino a Campina Grande.”
Todos os amigos se levantam para cumprimentar Orlando Tejo, que havia nascido de novo, ao abusar da bebedeira e perder o horário do embarque, poucas horas antes. Orlando não sabia o que fazer, tomado de emoção. Foi quando um dos amigos o aconselhou a ligar para a família e anunciar que estava vivo, em Recife. E foi o que ele fez. Comprou cartão telefônico (não existia celular) foi até um “orelhão” e ligou para sua casa. Atenderam ao telefone do outro lado e disseram que o pessoal da casa estava comovido com a notícia da queda do avião, da morte de Orlando Tejo anunciada pelas rádios Borborema, Cariri e Caturité e que ninguém da família poderia atender naquele momento. Desligou em seguida antes que ele dissesse que era o próprio Orlando Tejo quem estava falando. Teve que ligar, então, para um vizinho, solicitando que anunciasse na sua casa a informação de que perdera o voo daquele avião sinistrado e que se encontrava em Recife, são e salvo. Fizeram uma festa quando a informação foi transmitida.
– Fiquei arrasada quando a rádio informou que o nome de meu filho não estava entre os sobreviventes – disse dona Maria das Neves, mãe de Orlando.
Trecho da biografia de Orlando Tejo, por mim escrita e não publicada.O livro tem 160 páginas.
Nenhuma descrição de foto disponível.

Isso foi em 1958 e um dos sobreviventes foi Renato Aragão, que ainda não era “Trapalhão” da Rede Globo. Treze pessoas morreram nesse acidente aéreo.

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SINDSPOL-PB entregou ao governo pauta de reivindicações dos Policiais Civis

O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado da Paraíba (SINDSPOL-PB) entregou ao Secretário da Administração do Estado, Tibério Limeira, a pauta de reivindicações dos Policiais Civis. Eles solicitam que o governo cumpra a data base a partir de janeiro de 2024, conforme anunciado pelo governador João Azevedo Lins Filho. Durante 2023, o governo não cumpriu a data base nem reajustou os salários dos servidores públicos.

 

O SINDSPOL-PB inicia a campanha salarial 2023/2024, pedindo uma reposição salarial com nivelamento na média nordeste para todo o Grupo Polícia Civil, ativos, aposentados e pensionistas. Atualmente, os Policiais Civis paraibanos estão na 27ª posição do ranking nacional e recebem um dos menores salários da Federação. Além disso, são obrigados a trabalhar até morrer, já que quem se aposenta hoje perde mais de quarenta por cento do minguado salário. O Sindicato pede justiça, aposentadoria com paridade e integralidade, reconhecimento e valorização. SINDSPOL-PB NA LUTA!

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Carboreto Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Carboreto
Sérgio Botelho
– Nunca soube de onde aquele campinense de estatura baixa que fez fama em João Pessoa principalmente durante a década de 1980, conhecido como Carboreto, tirou o seu apelido. Sei que carbureto, assim, com ‘u’, é um derivado do carbono, inflamável, explosivo, produtor do gás acetileno, costumeiramente utilizado para apressar o amadurecimento de certas frutas, especialmente banana e abacaxi.
Carboreto andava pelas ruas e bares e repartições e bancos de João Pessoa assim como faziam Mocidade, Vassoura e Caixa d’Água, guardadas as devidas aptidões de cada um deles. É dele a frase famosa “pra ser doido em João Pessoa é preciso ter muito juízo!” Está se vendo que ele não era doido! Metido quase sempre em um terno, todo o tempo foi de trabalhar. Não digo que ele não pedisse de vez em quando algum recurso aos amigos para a sua sobrevivência. Mas quando o fazia, era de forma discreta. Por necessidade, exatamente.
Era comum encontrá-lo com uma bolsa tipo 007 contendo bugigangas para vender. Vendia de tudo. Quando morreu, na primeira metade da década de 90, atropelado, no Bessa, Carboreto estava trabalhando. Portava um par de óculos com luz própria, certamente à venda. Carboreto estava sempre apressado. O mais cruel é que havia conseguido, pouco antes, um emprego de assessor parlamentar na Assembleia Legislativa. Segundo dizem, emprego concedido pelo então deputado estadual Domiciano Cabral.
Em João Pessoa, ele conhecia todo mundo, especialmente os boêmios, apesar de não ser um deles. Sem dúvida, a figura impressionava muito menos pelo porte e muito mais pela desenvoltura, pela força de vontade, uma espécie de caubói numa metrópole. Quando se sentia ameaçado, ou muito ironizado, Carboreto reagia. Ele não era assim tão manso, não! E nem devia ser! A luta pela sobrevivência numa capital com todas as suas humanas diferenças e necessidades e perigos e gente boa, mas também ruim, sugere que sejam evitados comportamentos excessivamente passivos. Mesmo residindo na capital, Carboreto nunca abandonou sua cidade natal, Campina Grande.
Fazia figura tanto ao nível do mar quanto no alto da Serra da Borborema, desse jeito, frequentando, nas duas cidades, as mesas mais importantes das noites locais. Sem qualquer exagero, nosso personagem era uma figura notável. (A foto que pesquei na Internet parece ser mesmo de Carboreto, contudo, não muito representativa do que foi, já que aparece como que empunhando um copo de whisky, o que não corresponde ao seu perfil mais conhecido).
Pode ser uma imagem de 1 pessoa
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FEITIÇO DA CARIMBAMBA Gilvan de Brito

O prazer e a fascinação de desfilar no Sambódromo, numa noite alegre e festiva de Carnaval:
FEITIÇO DA CARIMBAMBA
Gilvan de Brito
Vou atravessar a avenida do samba
Com uma alegria cativa dos normais.
Quero vestir todas as cores formais,
Para enfeitiçar feito uma Carimbamba.
A plateia alegre vai gritar: Caramba!
E eu vou sentir frios, calores e odores,
Caminhar superando as minhas dores
E ser reconhecido como um bamba.
Não me interessa destaque do dia
Quero ver as cores e a alegria da escola
Reconciliadas na minha fantasia.
Depois a morte pode até me levar
Que eu já realizei a minha obsessão:
O grande prazer de um dia desfilar.
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REFLEXÃO NATURAL; Por FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS

REFLEXÃO NATURAL

FRANCISCO NÓBREGA DOS SANTOS

No enorme giro dos ponteiros invisíveis do cronômetro da vida nos aproximamos ao final de mais um período de governo, em que o povo, mais uma vez, escolheu seus representantes, nas duas câmaras (Sistema Bicameral), onde foram depositados os sonhos e a esperança de dias melhores, notadamente no serviço público, de modo particular os servidores estaduais e municipais.

Nada ou quase nada mudou. Algumas coisas ganharam, numa natural metamorfose, dimensões ou formatos diferentes. Para muitos, sorrisos a menos e rugas a mais. E na retrospectiva mental de cada cidadão, eleitor, jovem, idoso, homem, mulher ou “indefinidos”, pouco existe a enumerar, pois nos arquivos desses anos, apenas se encontram registrados fracassos e desilusões dos tempos vividos e sofridos na ansiedade do amanhã (que virá ou não!)

Nos lares pobres persiste a angústia do desmoronamento vivido ou iminente sem excluir muitos que ingressaram por concursos no serviço público Outros por caminhos inusitados.

E, de um modo geral, alheios a essa dura realidade, muitos contribuem para explosão demográfica, trazendo ao mundo da existência centenas ou milhares de “cristos” e que não atingirão “A VIA CRUCIS “ em razão da morte prematura ocasionada pela hipovitaminose, em face da carência de alimento, em decorrência da má distribuição de renda, desvios de recursos e outras falcatruas dos que manuseiam o nosso dinheiro, desviado para outros países, enquanto o contribuinte paga caro para viver num pobre País rico.

Por outro lado, indiferentes ao drama crucial da periferia e do grande aglomerado urbano, os gabinetes permanecem cheios de homens vazios, bastante preocupados com o amanhã dos caminhos políticos, com adoção de medidas paliativas e eleitoreiras, iludindo a fome daqueles que representam meros trampolins da subida ao poder.

E assim se eterniza o ciclo vicioso, com a venda de votos por elevado custo e a compra do eleitor com as migalhas que sobraram dessa grande farra.

E nesse ciclo (ou circo) passam-se dias, anos, meses e séculos, na transição de governo a governo. E a vida continua e segue alimentando a escalada do poder, num processo rotineiro ampliando os caminhos da fome e da miséria, numa arrancada em busca de novas conquistas e novíssima fonte de remuneração.

E essa massa, perdida na promessa, porém renascida na ingênua esperança, joga a cada pleito, a cartada “decisiva”, como uma forma de acreditar no que já não se crer.

Por fim, numa eleição custeada com o dinheiro que lhe fora negado, o povo cria e alimenta seuspretensos representantes e se mantém naufragado na própria ignorância, sem atentar para o fato de que está se tornando cada vez mais pobre e premiando alguém com um mandato e que irá desfrutar das benesses e mordomias do poder.

No final de mandato e de cada gestão (ou ingestão), para os infelizes, incultos e ingênuos, resta o consolo demagógico na tradicional frase proferida pelos (in) dignos: – “Saio com a consciência tranqüila de um mandato cumprido…” Ou comprado?

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Antonio Erivaldo Presidente do SINDSPOL-PB entrega pauta ao governo com várias reivindicações

*O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado da Paraíba (SINDSPOL-PB), que sempre primou pelo debate, negociação e diálogo, entregou no Gabinete do Governador do Estado, João Azevedo Lins Filho, uma pauta com 16 itens nos quais os Policiais Civis reivindicam uma reposição salarial com nivelamento na média nordeste para todos os integrantes do Grupo Ocupacional Polícia Civil GPC-600. Além disso, pedem que o Governador reconheça o direito dos PCs de se aposentar com paridade e integralidade, como já ocorre na maioria dos Estados da Federação. Atualmente, na Paraíba, a aposentadoria de policial civil significa uma penalidade com a perda de mais de 40% do salário após mais de trinta anos de dedicação à segurança pública. O Governo anunciou na imprensa falada, escrita, televisada e nas redes sociais que em 2023 não foi possível conceder reajuste, mas em janeiro de 2024 irá conceder reajuste geral.
Concluiu Antônio Erivaldo, presidente do SINDSPOL/PB.*

O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado da Paraíba – SINDSPOL-PB informa aos concursados aprovados para os cargos da Polícia Civil da Paraíba que, finalmente, após inúmeras reivindicações feitas ao governo e realização de reuniões com a classe política e Sessão Especial na Assembleia Legislativa do Estado, com a participação efetiva dos concursados da turma P2, finalmente hoje, 20/12/23, por determinação do Governador João Azevedo Lins Filho, o DOE traz a publicação da relação nominal da segunda turma de aprovados no Concurso Público da Polícia Civil paraibana. O período de matrícula será das 15:00hs do dia 05/01/24 até às 23:59hs do dia 09/01/24 através do link que será encaminhado para o endereço de e-mail informado pelo

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MARINGÁ Por Rui Leitao 

MARINGÁ Por Rui Leitao

Na década de trinta do século passado, quando José Américo de Almeida era ministro da Viação, seu oficial de gabinete, Ruy Carneiro, sugeriu ao compositor Joubert de Carvalho que fizesse uma música tendo como enfoque o problema da seca no Nordeste. O jovem paraibano ofereceu-lhe alguns nomes de cidades do nosso estado, entre eles Ingá e Pombal. O autor da canção imaginou a figura de uma cabocla nordestina chamada Maria de Ingá, que seria personagem principal na letra. Criou a corruptela “Maringá” porque soava melhor. Perguntou depois em que cidade Ruy Carneiro havia nascido, tendo como resposta o município de Pombal, que passou a ser referida na canção que se imortalizou. Foi gravada originalmente na voz de Gastão Fermenti, e posteriormente fez grande sucesso na interpretação de Carlos Galhardo.

 

“Foi numa leva que a cabocla Maringá/Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar/E junto dela veio alguém que suplicou/Pra que nunca se esquecesse de um caboclo que ficou”. Os retirantes eram os flagelados da seca nordestina que saiam em procissão abandonando suas terras em busca de uma vida melhor. Num desses grupos o compositor destacou “Maringá”, ou “Maria de Ingá”, cabocla bonita e faceira. Ao partir, deixara alguém que por ela se apaixonara e que rogava que nunca o esquecesse.

 

“Maringá, Maringá/Depois que tu partiste/Tudo aqui ficou tão triste/Que eu garrei a imaginar” O “eu lírico” chora sua dor de saudade. E ao lamentar a sua partida, diz que o local onde morava, sem a presença dela, ficava muito triste. E não conseguia pensar noutra coisa, a não ser nela.“Maringá, Maringá/Para haver felicidade/É preciso que a saude

 

ade/Vá bater noutro lugar”. Chamando muitas vezes pelo seu nome, fica na esperança de que a felicidade possa voltar, junto com ela. E pede que aquela enorme saudade vá embora; vá provocar essa tortura noutro lugar.

“Maringá, Maringá/Volta aqui pro meu sertão/Pra de novo o coração/De um caboclo assossegar”. Apela para que ela retorne ao seu sertão. E assim possa sossegar o coração daquele caboclo que ficou abatido pela lembrança de quem não tem mais ao seu lado.

“Antigamente uma alegria sem igual/Dominava aquela gente/da cidade de Pombal”. Na memória fica a recordação dos momentos felizes que viveram juntos na cidade de Pombal onde moravam. Era um tempo de alegria inigualável.

“Mas veio a seca,/toda chuva foi embora/Só restando então a mágoa/Do caboclo quando chora”. A seca castigou o “eu lírico” de uma forma mais perversa ainda. Sua amada foi embora, junto com a chuva. E só restou esse penar, causa maior do seu pranto.

www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitão, advogado, jornalista, poeta, escritor.

Do livro CANÇÕES QUE FALAM POR NÓS.




Loja maçônica Grande Oriente da Paraíba Por Sergio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS.
Loja maçônica Grande Oriente da Paraíba, na Rua da Areia
Por Sérgio Botelho
– Andar pela rua da Areia é inevitavelmente um passeio emocionante. Afinal, trata-se de uma das vias públicas da capital paraibana abertas nos primeiros instantes da cidade, quando o aglomerado humano e físico foi subindo a partir do Varadouro.
Nessa condição, foi palco de muitas histórias. Houve um lapso de tempo em que foi chamada de Barão da Passagem em louvor a um militar brasileiro da Guerra do Paraguai. Mas não pegou. Ficou Rua da Areia, mesmo, até hoje, por conta justamente da quantidade de areia que escorria pela rua e se juntava na sua parte final, em seus primórdios.
Por tudo o que representa, será um capítulo especial desta série Parahyba e suas Histórias. Nesta quarta-feira, 19, fiz uma breve incursão àquela artéria com objetivo determinado, qual seja o de visitar dois prédios históricos em meio a inúmeros outros também a reivindicar antiguidade. Sobre um dos dois visitados escrevo hoje, justamente o que se encontra mais bem cuidado, porque funcional. É o da foto que ilustra a matéria.
Nele atualmente operam serviços próprios de mais que uma loja maçônica, embora seja reconhecido como sede da Loja Grande Oriente da Paraíba. O resultado da utilização é que o prédio está bem apresentável, como se diz. Encontrei, inclusive, um atencioso cidadão que bota sentido na vetusta obra. Tomo conhecimento que, embora sem uma data exata para sua origem, no final do Século XIX a edificação já existia. A informação é do Memória João Pessoa, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba, esclarecendo que a sua existência foi registrada pelo fotógrafo-historiador Walfredo Rodrigues como sendo, no final do XIX, a representação da França, cujo cônsul era à época Aron Cahn, alto negociante no comércio de exportação local.
Nos anos 1900, o prédio, que até ganhou mais um andar, ficando em três, e platibanda (opção arquitetônica que cobre o telhado), serviu como pensionato, Secretaria de Segurança Pública e Instituto Médico Legal. Segundo descrição técnica no Memória João Pessoa, o prédio tem estilo “neoclássico como a verga em arco pleno na porta principal e na do segundo pavimento, e as janelas superiores com a bandeira de vidro”, e está tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (Iphaep) por meio do Decreto nº. 8.628, de 26 de agosto de 1980. Quando cruzarem por sua calçada, não deixem de lhe conceder atenção, pois tem história.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Sérgio Botelho- Jornalista, historiador, poeta e escritor.



Lapinhas do Cordão Encarnado Por Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Lapinhas do Cordão Encarnado
Sérgio Botêlho –
“Boa noite meus senhores todos, boa noite senhoras também, somos pastoras, pastorinhas belas, que alegremente vamos a Belém, somos pastoras, pastorinhas belas, que alegremente vamos a Belém…” A letra é parte de uma música que marca uma das tradições mais belas do Natal, infelizmente perdida no tempo, em João Pessoa, a das Lapinhas, também conhecida no Nordeste como Pastoril. A tradição já foi muito forte em João Pessoa, espalhada por seus bairros mais tradicionais.
Na época de menino, morador do Centro, lembro bem dessa tradição natalina que acontecia no Cordão Encarnado. Para quem não sabe, o Cordão Encarnado é toda aquela área urbana que se situa a partir do Pavilhão do Chá (Praça Venâncio Neiva) até as proximidades do Cemitério Senhor da Boa Sentença, já no Varadouro. Dentro do espaço situado entre as ruas índio Piragibe, São Miguel, Nina Lima (que continua a João Machado até o Cemitério), e Rodrigues Chaves, voltando às proximidades do Pavilhão do Chá. Uma extensão do que se chama Centro da cidade. (O local bem antigamente, na época de fundação da cidade, compunha aldeia dos índios Tabajaras). O próprio nome “Cordão Encarnado” decorre justamente da tradição da lapinha, uma espécie de teatro-musical, nos períodos natalinos.
É conhecida por sua dança dramatizada, que geralmente envolve mulheres divididas em dois cordões, um de cor azul e outro de cor encarnada, que representam os “pastores” buscando o Menino Jesus. (O enredo inclui elementos de comédia e disputa entre os cordões; e em algumas versões, até mais profanas, de humor pesado e provocativo!). Normalmente a mestra comanda o Cordão Encarnado, e a contramestra, o Azul. Ao centro, a Diana, vestida metade de vermelho e a outra metade de azul. Apesar da competição simbólica entre os cordões, a Diana frequentemente atua como um elemento unificador na performance. Em meio à disputa, o povo em geral, os comerciantes presentes e os políticos, em particular, colaboram financeiramente com o cordão preferido. O cordão mais beneficiado com as arrecadações é o vencedor.
As pastoras, com pinturas e adereços, cada qual metida em sua cor. Era uma festa bonita, que marcava o Cordão Encarnado, geralmente encenada na Rodrigues Chaves, por ser uma rua mais larga e mais contígua ao Centro. O Pastoril praticamente desapareceu em João Pessoa, mas ainda existe em várias cidades nordestinas, incluindo da Paraíba (notícias a respeito vêm de Cabedelo, Santa Rita e Guarabira), mas especialmente em Pernambuco, uma gente que gosta de preservar raízes. Um tipo de manifestação que, juntamente com outras que fizeram a história cultural pessoense, bem que poderiam tornar a ser incentivadas. Foi o que fez um dia o inesquecível Ariano Suassuna, na função de secretário de Cultura, em Pernambuco, com os maracatus, hoje redivivos espetacularmente. Afinal de contas, um povo que não preserva suas identidades simplesmente deixa de existir enquanto povo.
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CLAMORES DE UMA GUERRA Por: Francisco Nóbrega dos Santos

CLAMORES DE UMA GUERRA

Por Francisco Nóbrega dos Santos

Quando relembro uma inesquecível coincidência, associada ao momento em que cheguei ao mundo da existência, no dia 03 de janeiro do ano de 1940, reflito o que passei. no conturbado momento histórico. vivido na tenra idade. Ocorreu O Ssegundo Grande Conflito envolvendo diversas nações, marcando  a transição de uma década, dos anos 30 a 40 de um período  decorrido no século XX.

Por ironia da sorte, ou capricho dos destinos, dei meu grito de saudação a um mundo, para mim desconhecido. Era o estágio cruel de uma guerra mundial, comandada por um megalomaníaco, que alimentava um absurdo sonho de transformar o mundo, com um projeto mirabolante e criar um mundo de deuses mitológicos, de força inigualável, físico hercúleo, que denominava nos seus devaneios de “raça ARIANA.

Lamentavelmente, esse fantasioso desvairo,contagiou outras nações irmanadas em uma frenesi despropositada, que a princípio, seria uma grande piada, mas que, repentinamente avançou, com uma força avassaladora, sobre considerável parcela de raças e gerações, que ousassem cruzar os caminhos daquele que comandava uma barbárie.

E esse ser ignóbil, que fomentou essa catástrofe era, simplesmente, um austríaco, naturalizado alemão, bastante culto, com um discurso que não só preocupava, como sensibilizava os povos. Essa figura chamava-se ADOLF HITLER.

Tudo isso eu gravei na memória, no auge da guerra, nos idos de 1945. Ouvia relatos que me impressionavam e já me causavam grande preocupação, (acredite quem quiser)

Não obstante a minha tenra idade, eu já vivia o temor do FIM DO MUNDO. Era essa mensagem que recebia dos adultos.

Lembro-me que os alimentos eram por demais racionados, incertos e de má qualidades. Comparando-se, apenas, à falta desses poucos meios de manter alguém com vida.

Era uma verdadeira carnificina, pois os noticiários nos ofereciam uma estatística horripilante. Eu rezava todos os dias, pedindo a JESÚS para acabar tudo isso.

Chegou, afinal, o dia esperado. Porém tão trágico como as inexplicáveis desordem, pois bombardearam duas gigantescas comunidades, pertencentes ao Japão denominadas HIROSHIMA E NAGAZAK onde milhares de mortes ocorreram como uma pulverização de inseticida. Mesmo assim os povos de países neutros ou envolvidos, onde soldados eram destroçados, como ratos e outros animais nocivos.

Chegara, finalmente, o cruel e esperado dia final desse injustificável conflito. E o mundo, ainda hoje sofre as graves consequências desse genocídio. O povo das cidades extintas, (alguns que sobreviveram), trouxeram os estigmas da crueldade para as gerações atuais.

Ressalte que, à época não existiam as máquinas exuberantes criadas pela mente humana.

Esses FATOS ora narrados, não chegariam a mínimos detalhes dos danos que causarão a terceira e última guerra mundial, pois não existirão lamentos, e as consequências não deixarão sobreviventes dos CLAMORES DE UMA GUERRA SIBERNÉTICA. Aperta-se um botão ou se aciona um dispositivo eletrônico e BUUUUUUUUUM. OMundo virará pó, restando, apenas a POEIRA CÓSMICA como começou tudo.

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