A REFORMA TRIBUTÁRIA – EXPECTATIVA E ALERTA Por Francisco Nóbrega dos Santos

A REFORMA TRIBUTÁRIA – EXPECTATIVA E ALERTA

Por Francisco Nóbrega dos Santos

 

O Brasil já viveu e ainda vive momentos de incerteza e instabilidade sócio-econômica. E esse quadro tende a evoluir com os desacertos da política social no decorrer do tempo enquanto não se adotar medidas de impacto, muitas dessas, dolorosas, porém necessárias.

Reportamo-nos à complexidade reinante, secular e evolutiva na administração fazendária do País, que vive momentos de oscilação e insegurança em razão de uma política equivocada, fiscalista e anti-isonômica, tendente a agravar a incerteza e a descrença do povo para com seus governantes.

O País já houvera sinalizado com a vigência do Decreto-Lei 200/66 que introduziu medidas fortes, tidas como ditatoriais, porém de estabilidade financeira dos governados. Essa poderosa e impositiva legislação dera ensejo a outras normas regulatórias que, em tese, trouxeram mudanças necessárias, porém pouco aplicáveis.

Com o advento da Lei 5.172/66 – O código Tributário Nacional flexibilizou-se a oportunidade de se introduzir melhorias e efeitos benéficos para a população brasileira, que vem vivendo e sofrendo momentos de incerteza.

Agora, embora tardiamente, surgiu uma oportunidade de se ajustar as desigualdades sociais decorrentes de uma política centralizadora da UNIÃO, que, de forma divergente do princípio de isonomia preconizado na Constituição Brasileira, mantém uma cruel distribuição das rendas, de forma muito injusta e que penaliza os Estados e muito mais os Municípios.

É do conhecimento dos tecnocratas que sempre estiveram à frente da elaboração das normas constitucionais que versam sobre isonomia, princípios fundamentais norteadores das leis que traçam diretrizes sobre a aplicação das receitas da União, dos Estados e dos Municípios, carecem de uma visão mais voltada para um importante princípio – capacidade contributiva, essa reconhecida com uma visão extrafiscal, que sendo posta em prática, tornaria menos crucial a vida do contribuinte, notadamente a classe menos abastada.

É preciso ressaltar que o Município brasileiro, contemplado de autonomia em razão de sua forma constituída de integrante estatal da Federação e sendo essa peculiaridade só nossa, pois em nenhum estado soberano consta o Município como peça do regime federativo, constitucionalmente reconhecido. Dessa posição singular resulta em sua autonomia político-administrativa, diversamente do que ocorre em outras federações, onde os municípios são circunscrições meramente administrativas. Como é do conhecimento dos políticos – técnicos e tecnocratas onde estão asseguradas na Constituição Brasileira a autonomia para todos os assuntos de interesse local e se expressa no tríplice aspecto: político (composição eletiva do governo e edições de normas locais); administrativo (administração e execução dos serviços públicos locais); financeiro;(decretação,aplicação e arrecadação dos tributos locais).

À luz desses princípios norteadores e que regem os Municípios Brasileiros, não resta qualquer sombra de dúvida de que o poder municipal está arquitetado nas cláusulas sólidas da Carta Magna e por isso não deve curvar-se ao poder centralizador que a União impõe aos Municípios.

É por demais importante ressaltar que o País, atualmente, constituído em mais cinco mil e quinhentos municípios, o que representam, em sentido amplo as células “mater” de uma nação como a nossa, detentora um poder singular e inquestionável merecendo, pois, mais respeito institucional.

Devem, pois, Estados e Municípios, enquanto há tempo, formarem uma fortíssima corrente em defesa de uma reforma justa e igualitária, em tese de uma mudança que não venha trocar seis por meia dúzia, pois a omissão poderá inviabilizar a gestão pública de um importante e fortíssimo segmento político, já agonizando ante a injusta distr…

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PARAÍBA É 40 ANOS MAIS ANTIGA DO QUE REGISTROS OFICIAIS;  Por Gilvan de Brito

PARAÍBA É 40 ANOS MAIS ANTIGA DO QUE REGISTROS OFICIAIS;  Por Gilvan de Brito
A Paraíba tem um registro histórico da maior significação, nunca explorado pelos historiadores: É o quarto núcleo habitacional do país, existindo desde 1545, Quando Pero Lopes de Sousa instalou a Vila da Conceição do Paraíba, na Capitania de Itamaracá, que representou a quarta Vila de que se tem notícia do Brasil, acima apenas da Vila de São Vicente (1532), Vila de Olinda (1537) e Vila de Santos (1543). A considerar este fato, a Paraíba teria a comemorar, hoje, em 2024, a idade de 479 anos. São Paulo comemorou este mês, 492 anos, porque conta a sua existência a partir da condição de Vila de São Vicente. Por que não compete a Paraíba comemorar, também, esta data, muito mais antiga do que a da ocupação em 1585, que se deu com o nome de Nossa Senhora das Neves do Paraíba, como vem sendo feita?
Na condição de Cidade, a Paraíba foi criada em 1574, pelo rei português D. Sebastião, com o nome de Capitania Real do Paraíba, a terceira Cidade do Brasil, acima apenas de Salvador (1549), e Rio de Janeiro (1565).
Comemorando a sua existência da mesma forma como São Paulo, a partir da Vila de São Vicente, a Paraíba teria o acréscimo de 40 anos como núcleo habitacional contado a partir da Vila da Conceição do Paraíba (de Pero Lopes de Sousa, repassada à viúva Isabel da Gamboa), que fazia parte da Capitania de Itamaracá, desmembrada pelo rei D. Sebastião em 1574 para a criação da Capitania Real do Paraíba.
Quem pensa que a Vila da Conceição do Paraíba não tem história, está enganado. A sua criação foi precedida de várias demandas, e destinada Pero Lopes de Sousa, amigo do rei D. João III, de quem fora amigo de infância, por ser a melhor fatia do território, das que foram selecionadas depois das Capitanias Hereditárias, em 1534. Mas isso é outra história, que eu conto no meu livro “Paraíba, A Mais Antiga História”, a ser lançado brevemente.
Pode ser uma imagem de texto que diz "PARAIBA Gilvan de Brito"



É UMA QUESTÃO DE TEMPO Por Rui Leitão

É UMA QUESTÃO DE TEMPO Por Rui Leitão

Percebe-se que boa parte da sociedade brasileira continua impaciente na expectativa do desfecho final dessas investigações sobre os atos antidemocráticos que culminaram com a barbárie praticada no dia 08 de janeiro do ano passado na Esplanada dos Ministérios em Brasília. É um estado que beira a ansiedade. O emocional brigando com a realidade.

Precisamos acreditar nas instituições responsáveis por dar curso a uma persecução criminal acertada. O sistema judicial está agindo, embora não aconteça na velocidade que muitos desejam. A blindagem que existiu até a posse do atual Procurador Geral da República, sem dúvida alguma, retardou os procedimentos legais que se faziam necessários. Observamos agora mais celeridade no prosseguimento das investigações.

O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, tem tido o cuidado de conduzir o processo com a devida prudência para que não se cometam os mesmos erros da Operação Lava Jato. A justiça apressada em punir, pode perder a sua imparcialidade e decidir em desfavor da legalidade. É verdade que criticamos muito a lentidão do judiciário na análise dos processos sob a sua jurisdição. As vítimas e os oprimidos sentem isso na pele. Porém, no caso em questão, toda cautela é importante. Afinal de contas, o caso está no olho de um furacão. Qualquer deslize pode colocar tudo a perder.

É inegável que o povo brasileiro reclama urgência da Justiça. Mas ao juiz convém pensar no direito dos réus, evitando tomar posições que acarretem, no futuro, anulação de suas sentenças, como aconteceu recentemente. Há que se trabalhar no sentido de oferecer um julgamento justo em respeito aos fatos, livre de pressões ou ameaças, permitindo ao magistrado a liberdade de exercitar a sua livre convicção de como melhor resolver o caso sob sua apreciação, com isenção e serenidade.

Casos de repercussão política como o que estamos analisando, não podem ser submetidos à mera vontade popular. Principalmente, num clima de paixões político-ideológicas como a que estamos vivendo no momento. São milhares de documentos, depoimentos, petições e argumentos que compõem o processo, alem de uma infinidade de fatos e circunstâncias que demandam a aplicação dos diversos institutos jurídicos a cada ação. O Ministro Alexandre de Moraes, corajosamente, tem sabido enfrentar essa situação, julgando em conformidade com a sua consciência, fundamentado, sempre, em razões jurídicas. Pressionar um juiz a decidir apressadamente, ao agrado de parte dos que estão na contenda político-partidária, evidencia o desprezo pelo Estado Democrático de Direito.

Os golpistas estão sendo punidos, graças ao papel bastante ativo que as instituições republicanas vêm assumindo, em especial o Supremo Tribunal Federal. O que muitos querem é que não haja impunidade. Sejam responsabilizados penalmente todos os que atentaram contra a democracia, pobres ou ricos, financiados ou financiadores, mandados ou mandantes, civis ou militares, até chegar às lideranças que incentivaram tudo isso. É uma questão de tempo.

Sei que tem muita gente sem acreditar que os figurões sejam punidos. São os impacientes. A esses recomendo calma e confiança. Os caminhos da Justiça estão sendo percorridos com responsabilidade, na compreensão de que as decisões a serem tomadas se tornam essenciais para estancar os movimentos golpistas que ainda perduram.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão, Jornalista, Advogado, poeta, escritor.




O popular “Apito de Ouro” Por Sérgio Botelho

(A foto foi copiada do site A Briosa, da Polícia Militar da Paraíba)
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Antônio Augusto da Silva, o popular “Apito de Ouro”
Sérgio Botelho – Não tem motorista que se lembre de ter sido multado pelo policial de trânsito Antônio Augusto da Silva, o popularíssimo, até hoje, “Apito de Ouro”.
Preferia aproveitar a ocasião para transmitir regras de trânsito, geralmente no cochicho, bem baixinho! Lembrando que em seu tempo o serviço de ordenamento do trânsito em João Pessoa era feito por um segmento específico da Polícia Militar. Apito (olha a intimidade!) exerceu suas funções com maior destaque nas décadas de 1960 e 1970, e virou atração não só para os da cidade, como também para os visitantes. Pense num trabalhador que gostava do que fazia! Dava um show, quase sempre no circuito do centro da cidade.
Armado com o apito e seus silvos, ele comandava motoristas e pedestres num trânsito cada vez mais complicado na capital paraibana. Não seria demais compararmos a coreografia de “Apito de Ouro” ao personagem Carlitos, idealizado e interpretado pelo genial Charles Chaplin. Seus singulares movimentos em serviço eram um espetáculo! Como se trata de uma descrição perfeita, abro espaço para o que diz o site A Briosa, da Polícia Militar da Paraíba, sobre os movimentos do então soldado Antônio Augusto: “Ele ficava no centro do cruzamento, de frente para um fluxo de veículos, levantava o braço direito, dava um apito longo e abria os dois braços, fazendo os veículos pararem.
Feito isso, ele fazia o movimento de direita volver, e ficava de frente para o outro fluxo, segurava o apito com a mão esquerda, ficava emitindo apitos intermitentes, e, depois, com os dois braços acenava para os carros seguirem em frente. Ele ficava no meio da rua e os carros passavam por um lado e por outro dele. Aí ele parava de apitar e passava a cumprimentar todos os motoristas com acenos e sorrisos”. Antes que esqueça, o apito de ouro lhe foi conferido não por alguma entidade oficial, mas pela sociedade civil organizada e por seus colegas da PM que, espontaneamente, lhe outorgaram o apelido, ao qual ele atendia com orgulho e presteza, e até uma réplica física dourada do apito que lhe serviu de instrumento de trabalho a sua vida profissional inteira.
A fama do nosso personagem alcançou o estado todo. Tanto assim que na década de 1980 atendeu a convites de cidades do interior paraibano para difundir seu trabalho e as regras de trânsito, geralmente acompanhado por multidões. Um trabalho que divertia e ensinava, portanto. Apesar das pouquíssimas letras, era um sábio. Querem se convencer, leiam o pensamento a seguir, pois é dele: “… não é o castigo ou a autoridade que vai fazer com que ele não faça a coisa errada.
É a advertência. O Brasil não quer violência, não quer guerra, quer paz, … e muito amor”. O cabo (patente que conseguiu ao se aposentar) Antônio Augusto, um verdadeiro general do trânsito pessoense, faleceu em 28 de abril de 2019, aos 76 anos, de falência múltipla dos órgãos. Em seus tempos de muito sucesso, lhe ofereceram uma candidatura a vereador, rejeitada de pronto. Seu maior desejo era ser delegado de trânsito, sonho que ele considerou inalcançável por conta de suas poucas letras. Em seu louvor, até onde sei, há um auditório em um dos organismos da polícia militar que ostenta o seu nome. Um nome para sempre na saudosa memória dos que o viram trabalhar nas ruas de João Pessoa, para nunca mais outro igual!
www.reporteriedoferreira.com.br Por Sérgio Botelho- Jornalista, escritor, poeta, historiador



As velhas mercearias Por Sergio Botelho 

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: As velhas mercearias

Por Sergio Botelho

(A foto é ilustrativa, não é local)
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, secador de cabelo e gira-discos
Sérgio Botelho – Ainda hoje elas resistem em bairros afastados e nas grandes cidades e vilarejos do Interior. Ou em feiras livres. Porém, sem o mesmo significado econômico e social de antigamente. Falo das mercearias, também conhecidas como ‘vendas’, que paulatinamente foram sendo substituídas por mercadinhos e supermercados. Até as décadas de 1950, 1960 e início da de 1970, no entanto, elas cumpriam papel de grande relevo no dia a dia da vida pessoense. Nas mercearias era onde as famílias supriam suas necessidades diárias, apesar de frequentemente se constituírem em espaços apertados e abarrotados, com produtos expostos em prateleiras até o teto.
Geralmente, era o próprio dono quem buscava os itens para os clientes. Do meu tempo de criança e adolescente, no centro da cidade, lembro perfeitamente de três: uma delas, a de “seu” Dutra, ficava em frente ao prédio do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, na esquina da Barão do Abiahy; quase vizinha, havia a de “seu” Raimundo, que passava o dia todo cantarolando “humhumhumhumhum”, sem que ninguém conseguisse compreender direito a melodia; a outra, a de “seu” Lucena – das três, a mais apetrechada -, funcionava na esquina da Visconde de Pelotas com a Praça Rio Branco, onde hoje existe um pequeno shopping. Mas havia muitas outras mercearias importantes em bairros da capital paraibana.
Os donos frequentemente conheciam seus clientes pelo nome e pelas suas preferências. Ao invés do quilo de feijão, a depender das necessidades e do poder aquisitivo do consumidor, você podia se restringir a um meio-quilo. Ou até a um pouco menos. Havia ainda o charque, a farinha, os condimentos. (As verduras e legumes, a dona de casa comprava mesmo na porta, com os verdureiros, outra figura diária da vida pessoense de épocas pretéritas, ou nas feiras livres). “Vou fazer a mercearia”, assim se expressava a dona de casa ou seu marido, mais especialmente aos sábados. Referia-se à feira da semana. Não era incomum que os donos fossem meio que irascíveis, brabos. “Seu” Raimundo, por exemplo, ficava “uma arara” com reclamações sobre mercadorias. Pior ainda com os pinguços, figuras inseparáveis das mercearias.
Eles viviam a basicamente e mendigar por uma dose de cachaça, para alimentar o vício. Em troca, prestavam alguns favores aos donos daqueles pequenos negócios. E, até, serviam de eventuais seguranças. Não é possível esquecer uma das maiores características das mercearias: a indefectível cadernetinha, que anotava o tão comum fiado. No interior do estado, por exemplo, existia o costume de políticos ajuntarem votos arrematando o fiado de clientes. Dizem que até hoje! É preciso assinalar, ainda, que nesse tipo de comércio acontecia um certo escambo. Você trocava mercadorias. Por exemplo: ferro velho, garrafa etc.
Qualquer coisa que fosse possível ao merceeiro comercializar depois. Devagar, elas foram cedendo espaço, sem muito ruído, apesar de ruínas particulares, à sofisticada ditadura do marketing largamente exercida pelos supermercados. Fruto, evidentemente, da evolução dos tempos, inaugurando uma nova fase do consumo, onde você entra no estabelecimento para adquirir mercadoria x ou y, e termina levando quase o alfabeto inteiro. Sobretudo, as velhas mercearias deixaram um legado cultural significativo, simbolizando uma época de simplicidade, proximidade comunitária e comércio local.
(A foto é ilustrativa, não é local)
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DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA Por Rui Leitao 

DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA Por Rui Leitao

Esse é o lema que marcou o movimento conhecido na História como Ação Integralista Brasileira, em 1932, liderado por Plínio Salgado, inspirado no fascismo italiano. Em 2022 o candidato à reeleição se apropriou dele e foi assim que se despediu no debate promovido pela TV Bandeirantes.

O integralismo dava ênfase à figura do chefe como fonte máxima de poder. Algo muito parecido com a postura autoritária do ex mandatário da Nação, desrespeitando as instituições democráticas e chegando a dizer “a Constituição sou eu”. Comportamento próprio dos regimes totalitários, onde a palavra do líder jamais pode ser questionada. Sua propaganda doutrinária se baseia num falso moralismo e amor cívico.

Para sorte nossa esse movimento não foi bem aceito. Ficou facilmente percebido que havia um interesse em ludibriar a mente dos brasileiros sendo alvo, portanto, de severas críticas. Apresentava-se, falsamente, como um movimento de renovação social, mental e política. O medo do comunismo colocado como pauta na retórica proclamada, estimulando a luta contra o “inimigo interno”.

A bandeira da trilogia: Deus, Pátria e Família, defendida ardorosamente, tentando passar a impressão de que eles são os únicos que se interessam pelo destino da Nação, com as bênçãos divinas e pregando o falso moralismo. Fundamentam-se na ideia da luta do bem contra o mal. O legado integralista está presente na política contemporânea nacional. A extrema direita o adota como fonte doutrinária. A expansão do neopentecostalismo no Brasil, por sua vez, acompanha a consolidação e a amplificação do discurso dominante do mercado.

Repetem-se os discursos da valorização nacional ufanista, da defesa da família tradicional, dos valores morais, contra a ilusória ameaça comunista. O integralismo fracassou no Brasil, o que nos anima a acreditar que o movimento contemporâneo que se assemelha, também não terá vida longa. Num país pluricultural como o nosso, desconsiderar as diferenças entre os cidadãos, usando o nome de Deus em vão e, na prática, contrariando o discurso moralista, não prospera. Articulações golpistas perceptíveis provocam uma reação coletiva em sentido contrário. No Brasil ninguém é contra Deus, Pátria e Família. O Deus cristão zela pelo amor ao próximo, não prega o armamentismo, nem homenageia torturadores. Ele é paz, fraternidade e justiça social. Não estimula os discursos de ódio. Não divide, Ele une.

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O FRACASSO DA INTENTONA GOLPISTA Por Rui Leitao 

Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje:

O FRACASSO DA INTENTONA GOLPISTA Por Rui Leitao

Amanhã completa um ano do fracasso da intentona golpista quando as sedes dos três poderes em Brasília foram invadidas e depredadas. É uma data que deverá ser relembrada para que não mais se repita. O brutal ataque à democracia que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023, fez aflorar, lamentavelmente, o que tem de pior em nosso país, revelando ressentimentos e recalques por motivações de ordem político-ideológica. Não podemos ficar reféns dos extremistas, nem tolerantes com a repetição de novos atentados. Atitudes afirmativas da sociedade brasileira no enfrentamento dessas manifestações antidemocráticas se fazem necessárias.

 

As imagens emblemáticas daquele dia que não conseguimos esquecer, protagonizadas pelos que entendem a democracia como sendo um “luxo perigoso”, continuam a exigir rigorosa apuração de responsabilidades. Foi uma pretensão de golpe terceirizada. Seu principal estimulador sequer estava no país. Os vândalos, fanáticos que acreditavam estar cumprindo uma missão patriótica, foram utilizados como massa de manobra. Os principais líderes desse movimento não se arriscaram a participar daqueles atos de terrorismo e colocaram pessoas incautas num furacão que as levou às prisões. Porém, a justiça haverá de buscar a identificação dos organizadores e financiadores para que possam ser punidos exemplarmente. Eles fazem parte de uma minoria que, não só tem aversão à democracia, mas a tudo o que ela representa: igualdade, diversidade e inclusão, pautas ignoradas pelo governo que se findou.

 

Se naquela tarde/noite os verdadeiros patriotas e democratas tiveram momentos de preocupação e apreensão, no final da noite a sensação já era de alívio. As instituições responderam rápida e eficazmente e desmontaram o golpe planejado. No dia seguinte, já estavam em Brasília todos os 27 governadores hipotecando solidariedade aos presidentes da República, do Supremo Tribunal Federal, do Senado e da Câmara, numa firme demonstração de repúdio aos acontecimentos. Sem apoio popular e sem liderança, o golpe se apresentou natimorto.

 

A reconstrução nacional, em novas bases, não deve ser tarefa única das instituições, como já vem sendo feita. É importante que a população, igualmente, se conscientize dessa jornada pela Democracia, Igualdade e Reconstrução do país. Novos caminhos já estão sendo percorridos. O evento que acontecerá amanhã, organizado pelo presidente Lula, tem a finalidade de desarticular definitivamente toda a rede golpista que promoveu e executou os atos de terrorismo em Brasília. É esperada a participação de todas as lideranças políticas do país, comprometidas com o Estado Democrático de Direito. Quem recusar o convite do presidente estará demonstrando apoio à barbárie do dia 8 de janeiro de 2023 e sendo cúmplice das conspirações autoritárias de tomada do poder. Que a bandeira brasileira não seja mais usada por analfabetos políticos, como testemunhamos naquele fatídico 8 de janeiro, quando depredaram o patrimônio político, cultural e histórico de nossa nação. A democracia continuará vencendo, a despeito dos radicais de direita que insistem em atacá-la.

 

No meu tempo de vida já presenciei, pelo menos, três tentativas de golpes de estado no Brasil. Dois deles se efetivaram: o de 1964 com a instalação da ditadura militar e o de 2016 quanto tiraram a presidente Dilma do poder. O terceiro falhou, foi abortado no seu nascedouro. O delírio durou poucas horas. Portanto, o dia de amanhã, apesar das tristes lembranças, é de comemoração, porque a nossa democracia foi salva. Mas não podemos abaixar a guarda, eles não desistem facilmente. Continuemos em estado de alerta.

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Árvores marcantes na vida pessoense Por Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS:
Árvores marcantes na vida pessoense
Sérgio Botelho
– Quanto mais as árvores estiverem ligadas às vivências coletivas, mais peso histórico terão. Há, pelo menos, três exemplos, na paisagem sempre muito verde da cidade de João Pessoa, que mantiveram significativa ligação com a urbe pessoense, enquanto viveram, e que, por isso, permanecem na minha memória de criança e adolescente. De comum, possuíam elevado porte e se erguiam majestosas no cenário urbano da capital paraibana, derramando sombra generosa por vasta área onde fincaram suas enormes e portentosas raízes.
Uma delas existiu bem no caminho que muitas vezes percorri quando retornava do Pio XII ou, em outro tempo, do Lins de Vasconcelos, para a minha residência, ali mesmo no Centro da cidade. Falo num belo Pé de Ficus, na Praça Rio Branco, mais para a Duque de Caxias, bem em frente à antiga Rádio Patrulha e ao lado da Delegacia da Receita Federal. A outra, uma gameleira, também pertencente à família do Ficus, que havia no Roger, plantada no início da década de 1960, e que passou a ser referência a moradores e a quem quisesse melhor se achar naquele tão tradicional bairro de João Pessoa.
A gameleira do Roger, na avenida Dom Vital, foi uma dessas árvores que marcou a vida diária da cidade das Acácias, fazendo parte das lembranças, não apenas da população local, como de todos os que, um dia, passaram por baixo ou ao largo de sua sombra. Em sua existência, a gameleira do Roger acabou substituindo o próprio nome da rua, já que uma parte da Dom Vital passou a ser conhecida, durante o tempo de vida da árvore, como rua da Gameleira. Enfim, mais uma gameleira, plantada no início da praia de Manaíra, na altura do antigo Elite Bar, que fazia grande sucesso.
A gameleira de Manaíra servia de refúgio contra o sol a quem procurava a praia, em João Pessoa, vindo dos mais diversos municípios do estado, bem como, é claro, da própria capital paraibana. Existiu ali no final da Rui Carneiro, fazendo parte do cenário onde por muito tempo pontificou o nunca esquecido Elite Bar. De tão marcante, o local ainda é conhecido como Largo da Gameleira. O tempo, junto com o crescimento da malha urbana pessoense, aí incluídas, é claro, as calçadas e o asfaltamento das ruas, acelerando o envelhecimento das árvores, já incômodas por conta de suas proeminentes raízes, se encarregaram de matar esses espécimes da flora que, por algum tempo, embelezaram João Pessoa.
(A foto é do Largo da Gameleira, hoje)
Pode ser uma imagem de horizonte e oceano
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Churrascaria Bambu, pedaço memorável da boêmia pessoense Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Churrascaria Bambu, pedaço memorável da boêmia pessoense
Sérgio Botelho
– Impossível falar da década de 1960 e início da de 1970 sem lembrar da Churrascaria Bambu. Local que acolhia a elite intelectual pessoense e paraibanos e artistas nacionais e estrangeiros e todas as tribos possíveis de noctívagos ao longo de muito tempo. Paulo Pontes, Ipojuca Pontes, Geraldo Vandré, Linduarte Noronha, Wladimir Carvalho, Virgínius da Gama e Melo, Marcos Tavares, Barreto Neto, Anco Márcio, Juarez Batista e Carlos Aranha, além de outras celebridades e subcelebridades da vida pessoense, passaram por suas mesas e saborearam da cerveja e do rom Montilla (uma das bebidas mais procuradas nos bares pessoenses na época), ali servidos.
Mas também da peça de resistência do lugar, comandado pelo seu proprietário, Domingos Sávio Monteiro, que era o galeto, servido com fartura e presteza, acompanhado de vinagrete e arroz, por garçons como José Paulo e Batista. Uma delícia para nenhum comensal botar defeito. Dois de seus mais fervorosos frequentadores eram Caixa d’Água e Mocidade, com destaque para o primeiro que, quando da sua derrubada, em 1973, passou dias a fio sentado num dos bancos da Lagoa acompanhando a queda de pedra por pedra, haste por haste de bambu.
A Bambu coincidia com o final da rua Desembargador Souto Maior – originalmente, rua São José – justamente embaixo do bambuzal que adorna o Parque Solon de Lucena. Para não se diferenciar do ambiente que lhe servia de moldura, foi erguida com a utilização do próprio bambu aliado à alvenaria. Dessa forma, nunca, absolutamente, nunca fez mal ao ambiente original do parque, nem muito menos ao seu visual. Quando se fala em Bambu e de seu arruinamento logo vem à baila, como motivo, um badalado assassinato que ali aconteceu patrocinado por filhos de pessoas influentes da época. Pessoalmente, não vejo isso como motivo, já que tal crime não foi patrocinado pelos proprietários do empreendimento nem fazia parte do modus operandi dos seus frequentadores.
Para compensar a perda do ponto, a prefeitura municipal cedeu um espaço no Parque Arruda Câmara para que os proprietários da Bambu explorassem um outro bar-restaurante de nome Paraibambu, sobre o qual até já falei por aqui. Mas que, apesar do brilho de músicos como Fernando Aranha e Ademir Sorrentino, ases da bossa-nova local, em meio a paradisíaco ambiente, nunca substituiu o que representou a Bambu durante sua existência. Infelizmente, a Bambu foi ao chão, e desapareceu do mapa, para nunca mais!
(A foto foi postada por Zé Marcos Mello no grupo Paraíba Fatos e Fotos Antigas, do Facebook)
Pode ser uma imagem de parquímetro, rua e texto que diz "1960 - Churrascaria Bambu no Parque Solon de Lucena."



“FUTUROS AMANTES” Por Rui Leitao 

“FUTUROS AMANTES” Por Rui Leitao

São músicas como “Futuros amantes” que fazem Chico Buarque ser
considerado um gênio. A letra, muito bem construída num poema
belíssimo, fala do amor como algo eterno, perene, transcendental.
Mesmo quando ele não é correspondido fica para sempre e um dia,
que pode ser milênios depois, esse amor poderá ser usado por outras
pessoas, portanto é atemporal. A canção data de 1993, incluída no
álbum “PARATODOS”.

“Não se afobe, não/Que nada é pra já/O amor não tem pressa”.
Chico começa aí a diferenciar o amor da paixão. A paixão é imediata,
requer ação urgente, não consegue esperar. O amor, ao contrário, é
paciente, resiste a tudo, inclusive ao tempo. Portanto, não adianta
afobação, ele é sereno, vai perdurar pela eternidade. Paixão tem a ver
com o desejo carnal, amor tem a ver com sentimentos da alma.

“Ele pode esperar em silêncio/Num fundo do armário/Na
posta-restante/Milênios, milênios/ No ar”. Amores, mesmo não
correspondidos, não vividos na sua intensidade, não conseguem
morrer. Eles se perpetuam, ficam guardados à espera de que, no
futuro, possam ser utilizados. A sua função pode até ser adiada, mas
permanecerá vivo por milênios, enquanto não consumido.

“E quem sabe, então/O Rio será/Alguma cidade submersa”. E
imagina o Rio de Janeiro, em tempos futuros, uma cidade submersa,
como a Atlântida, o continente perdido. E os registros de sua
história fiquem debaixo d’água, intactos, preservados, à espera dos
pesquisadores, daqueles que se darão ao trabalho de conhecer a
civilização desaparecida

“Os escafandristas virão/Explorar sua casa/Seu quarto, suas
coisas/Sua alma, desvãos”. A cidade isolada, mergulhada, passará
a ser explorada pelos escafandristas. E eles vasculharão tudo e
penetrarão em locais que foram da sua intimidade, onde o amor
nasceu e germinou. Procurarão, no mais escondido, pertences de
sua vida, sondar sua alma pretérita, tentando encontrar o que não
se materializou, mas pode estar na expectativa de ser descoberto, o
amor.

“Sábios em vão/Tentarão decifrar/O eco de antigas palavras/
Fragmentos de cartas, poemas/Mentiras, retratos/vestígios de estranha civilização”. Por mais que busquem entender, não
conseguirão encontrar respostas para as perguntas que surgirão. Para
eles seremos uma civilização desconhecida, estranha. Documentos
narram histórias que eles não têm capacidade de inferir. Constituem-
se enigmas indecifráveis.

“Não se afobe, não/Que nada é pra já/Amores serão sempre
amáveis”. As precipitações são desnecessárias, porque o amor, ainda
que não utilizado no tempo em que desejamos, vai, no momento
oportuno, encontrar seu destino. Se hoje ele não se efetiva, daqui a
milhões de anos, pode ser alcançado e vivido por outro. O amor existe
para ser exercido, vivido, aproveitado, embora em épocas distantes,
“amores serão sempre amáveis”, não são desperdiçados com o passar
dos anos.

“Futuros amantes, quiçá/Se amarão sem saber/Com o amor que
eu um dia/deixei pra você”. Quem sabe, diz o “eu lírico”, o amor
que ele deixa reservado, não correspondido, mas intacto no seu
conteúdo, ofertado à pessoa a quem dedicou esse sentimento em
vida, será praticado por póstero, sem que este perceba que foi uma
herança recebida.

Do livro CANÇÕES QUE FALAM POR NÓS, editado em 2015.

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