COMO SURGIU O FASCISMO Por Rui Leitao

Publicado no jornal A UNIÃO, edição de hoje:

COMO SURGIU O FASCISMO

A intensificação das manifestações antidemocráticas organizadas pela extrema direita no Brasil, fez com que passássemos a ouvir falar na ideologia fascista. Embora pouca gente saiba do que se trata. O fascismo é um movimento político ultranacionalista e armamentista surgido na Itália no início do século 20, que defendia um Estado soberano e militarizado. Benito Mussolini fundou o Partido Nacional Fascista, sucessor do Grupo Italiano de Combatentes, por ele também criado. Em outubro de 1922 promoveu um golpe de estado, na chamada Marcha Sobre Roma. Exerceu o poder até a morte, por 22 anos.

É, portanto, uma ação política radicalizada, baseada em ideais conservadores e patriotismo exacerbado e que usa da violência para chegar ao poder, adaptando-se à realidade política de cada país. Adota uma retórica populista, defendendo pautas morais e atacando a política tradicional, procurando estabelecer governos autoritários. Será que qualquer semelhança é mera coincidência com os acontecimentos políticos recentes no Brasil?

Em terras brasileiras o fascismo surge após Plínio Salgado visitar a Itália de Mussolini, quando se convenceu que um sistema semelhante levaria o Brasil ao progresso. Em 1932, fundou a Ação Integralista Brasileira (AIB), ao lado de Miguel Reale e Gustavo Barroso, tornando público um documento conhecido como o Manifesto de Outubro, que exaltava o nacionalismo e atacava o comunismo. Algo parecido com o que temos visto por aqui nos anos recentes. Utilizava a cor verde, saudações e braçadeiras que lembravam as dos nazistas. Dedicou esforço para que a Ação Integralista não fosse vista como um subproduto de ideias estrangeiras. Uma intenção difícil de ser acreditada.

Em maio de 1938, por ocasião do Levante Integralista, com cerca de 80 militantes que conduziram a intentona, foi facilmente debelada pelas tropas do governo. Era o fim temporário daquele movimento político. Mas, a partir de 2018, depois de um período em que a extrema direita brasileira esteve em silêncio um tanto envergonhada pela ditadura militar que experimentamos a partir do Golpe de 64, decidiu sair do armário, inspirada na retórica populista que escolheu o slogan fascista “Deus, Pátria e Família”. A ideologia fascista pequeno-burguesa ou de classe média, de perspectiva conservadora, tem confundido, inclusive, as organizações democráticas e populares, tendo como objetivo político principal a eliminação do pensamento e dos movimentos de esquerda.

Os neofacistas brasileiros estiveram muito próximos de permanecerem no poder. Já está fartamente comprovado que houve uma tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, embora fracassada. Fatores internos e externos evitaram que o golpe acontecesse. Os EUA sinalizaram que não aceitariam uma ruptura democrática no Brasil. A instituições republicanas agiram, em especial o Supremo Tribunal Federal, que, como guardião da Constituição, atuou corajosamente em defesa do Estrado Democrático de Direito. Os grupos delirantes e saudosistas da ditadura estão agonizando, mas não estão mortos. Todo cuidado é pouco.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão- Advogado, jornalista, poeta e escritor




PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. O bar Estação Por  Sérgio Botelho

PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. O bar Estação Por
Sérgio Botelho
– Entre as iniciativas da noite pessoense das décadas de 1980, 1990 e 2000, até já falamos de algumas. Sem ordem de importância nem cronológica, abordamos o Bar da Xoxota, o Cordon Bleu, o Travessia, o Gambrinus, a Adega do Alfredo e o Casablanca, os dois últimos, vizinhos, e obras de um único empreendedor. Hoje recordo outra brilhante ideia que vingou nessa época por iniciativa de uma autêntica bruxa (ela não acha ruim, não, a qualificação!) da noite pessoense, de nome Ana Gondim.
Trata-se do Bar Estação, que funcionou na Avenida Olinda, no Baixo Tambaú, na década de 1990. Aliás, Ana esteve presente, seja como Relações Públicas ou como proprietária, de empreendimentos entre os mais icônicos da vida boêmia pessoense naquelas décadas do final do Século XX e início do XXI. (Por sinal, me deixe fazer uma penitência junto a ela e aos leitores por não haver citado sua destacada atuação, enquanto RP, no Cordon Bleu, de Lindolfo e Rejane, na primeira quadra da Duque de Caxias, do qual recordei dia desses).
O Estação foi reduto de alguns dos mais destacados músicos da vida paraibana, atuando aqui ou alhures. Não por acaso, o Estação chegou a promover lançamentos de Chico César, Lenine e Jarbas Mariz. Artistas como Alceu Valença, Sivuca, Elba Ramalho, Canhoto da Paraíba, Maestro Moacir Santos, Cassia Eller, Mestre Fuba, Oliveira de Panelas, Otacílio Batista, Diana Miranda, Renata Arruda, Marcos Suzano, Erick von Sohsten, Liss Albuquerque, Letinho, Robério Jacinto, Roberto Lira, Sérgio Gallo, Washington Espínola, Carlos Malta, Chico Lopes, Waltinho do Acordeon, Radegundis Feitosa, Teinha, Washington Andrade, Glauco Andreaza, Sinfônio, Dida Fialho, Milton Dornellas, Marlene Freire, Anabete Mônica, Poty Lucena, Soraia Bandeira, Stênio, Rivaldo Dias, Cromácio Leão, Rucker Bezerra, Regina Brown, Tânia, Estrela, Silvana, Macarrão, Sales, Tadeu Mathias, André, Mauro Correia, Fabíola Lira, Sandrinha Borges, Escurinho, Paulinho di Tarso, Chiquinho Mino, Xisto, Lula e Gracinha Teles, alguns deles já não mais entre nós, brilharam no palco do Estação.
Em agosto de 1994, o bar de Ana Gondim promoveu tocante homenagem aos 60 anos do autor de “Caminhando ou Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, o paraibano Geraldo Vandré, em show produzido pelo jornalista de cultura, recentemente falecido, Ricardo Anísio. Foi um momento grandioso da vida cultural pessoense e muito marcante na trajetória do Estação. Os trabalhos começavam na quarta-feira, com um providencial karaokê na base mesmo da música ao vivo. O maior sucesso! Sucesso também fazia o cardápio organizado por Ana Gondim. Os eternos apreciadores do histórico cuba-libre também não tinham do que reclamar. Nem do whisky, de procedência atestada.
Anos depois de encerradas as atividades do Estação, no início da década de 2010, Ana Gondim e a saudosa jornalista Goretti Zenaide se uniram e promoveram alguns encontros anuais com os amantes do Bar Estação em eventos concorridíssimos, no Esporte Clube Cabo Branco. Mas como tudo tem de passar, passou o Bar Estação (e ainda teve o Estação do Porto, com história própria). Porém, como foi muito bom enquanto existiu, a provocar saudades gerais, aqui está, nessa série Parahyba e suas Histórias, registrada a lembrança daquele tão bom momento da parte noctívaga, e altamente catártica, pessoense.
(Na imagem 1, o balcão do Estação, com Juliana Gondim Coelho adornando a foto produzida por Gustavo Moura. Na segunda, Ana Gondim, Geraldo Vandré e Ednamay Cirilo. Na 3, Alceu Valença e sua namorada, à época. Na 4, um grupo grande onde identifico Fernando Moura e Silvana, Ana Gondim, Helena Botelho, Fabíola Lira, Gracinha Teles e Liss Albuquerque)
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ACADEPOL/PB, NO DIA 07/03/24, RECEBE MAIS 495 APROVADOS NO CONCURSO DA POLÍCIA CIVIL

Finalmente, após várias solicitações do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado da Paraíba SINDSPOL-PB, audiências públicas na Assembleia Legislativa do Estado, o Governador João Azevedo determinou a convocação da segunda turma dos concursados para Polícia Civil P2, com 495 aprovados para fazerem o Curso de Formação na (ACADEPOL/PB), todos alunos serão recebidos para aula inaugural do curso no Auditório do Teatro Paulo Pontes em João Pessoa, as 09:hs, do dia 07 de março.

 

Os P1 já foram nomeados empossados, designados e trabalhando. Esse foi o maior concurso já realizado na Polícia Civil paraibana, com oferta de 1400 vagas, nossos parabéns a todos integrantes da turma P2 e nossas boas vindas a Família Polícia Civil da Paraíba, Antônio Erivaldo Henrique de Sousa presidente do SINDSPOL-PB.




NO CORAÇÃO DE JESUS NÃO HAVIA ÓDIO Por Rui Leitao 

NO CORAÇÃO DE JESUS NÃO HAVIA ÓDIO Por Rui Leitao

Até porque Ele nos mandou amar até os inimigos. É normal que em alguns momentos da nossa vida experimentemos o sentimento da raiva. Inaceitável é transformar as circunstanciais raivas em rancor, ódio. Quando isso acontece as atitudes ocorrem por conta de uma cegueira emocional. Jesus falou isso quando estava na cruz, na hora da morte: “Pai, perdoai, porque não sabem o que fazem”.

Isso não quer dizer que apoiemos os que agem mal. Não devemos cruzar os braços quando eles praticam a injustiça e a maldade. O importante é fazer isso sem ódio no coração, sem espírito de vingança, sem ações de desumanização. O amor cristão trabalha no propósito de conquistar a conversão dos que estão no lado do mal.

Não há como conciliar o amor a Deus, com o ódio ao irmão. No coração de quem assim age está abrigada a falsidade. Não está na luz, está nas trevas. E as trevas provocam cegueira. A língua mentirosa concorre para o derramamento de sangue inocente. Aí o coração traça planos perversos, estimulando a discórdia entre pessoas que convivem no mesmo ambiente social.

Estamos vivendo um tempo de excesso do ódio. Faltam solidariedade e amor. Os pacificadores são vistos com maus olhos. Então, se vivesse hoje Jesus estaria sendo condenado por esses que se alimentam do discurso de ódio. Ou não reconhecemos nEle uma personalidade que dedicou sua vida a pregar a pacificação?

Claro que não precisamos gostar de todo mundo da mesma forma. Identificamos aqueles que tentam nos prejudicar e querem o nosso mal. No entanto, isso não nos dá o direito de odiá-los. No nosso coração não pode haver espaço para o rancor. Em Provérbios 10.12 a Bíblia diz: “O ódio excita conflito”. Então, evitemos que ele crie raízes em nossa alma.

A quadra presente da história brasileira tem sido marcada pelo discurso que prega a intolerância e a discriminação contra grupos vulneráveis, potencializando a capacidade de instigar a violência. Ele tem o caráter segregacionista, quando insulta e intimida. A verbalização opressiva dos intolerantes incita a prática de atos violentos. Estamos assistindo isso a todo dia.

Por isso não pode ser confundido o discurso do ódio com a mensagem cristã. Como compreender que da boca dos que se dizem cristãos seja destilado tanto ódio? Líderes políticos e religiosos promotores de agressões verbais, debochadas, escrachadas, humilhantes, que denigrem pessoas, demonstrando com isso que, verdadeiramente, não entenderam os ensinamentos das Escrituras. O ódio é uma marca do estado de depravação humana.

Rui Leitão- Advogado, jornalista, poeta e escritor




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS Por Sergio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A gloriosa Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, que também gravou sob o nome Românticos de Cuba, com estrondoso sucesso
Sérgio Botelho – Uma das mais gloriosas criações do campo cultural paraibano é, até hoje, a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo. Surgida na primeira metade da década de 1930, em João Pessoa, teve como um de seus primeiros maestros, além de responsável pela sua criação, sob a denominação de Orquestra Jazz Tabajaras, o cônsul e empresário holandês, e saxofonista, Oliver von Sohsten. Aliás, sobre quem falamos na crônica anterior, quando abordamos a orquestra Batutas de Jaguaribe (ao que parece, extinta diante do surgimento da nova Jazz Band). O principal maestro, no entanto, era o violinista e professor pessoense Olegário de Luna Freire, amigo de Von Sohsten. Severino Araújo, nascido em Limoeiro-PE, em 23 de abril de 1917, filho de pai músico e maestro em Ingá, tocava clarinete, com destaque, na Banda da Polícia Militar da Paraíba.
A orquestra foi ganhando dimensão e, a partir de 1937, ano em que Araújo ingressou no grupo, passou a fazer parte do cast da Rádio Tabajara (Rádio Difusora da Paraíba PRI-4), criada naquele ano. Em 1938, Olegário faleceu de repente, e Severino, com apenas 21 anos, inicialmente reticente, assumiu a direção da Orquestra Tabajara. Assim como a Batutas de Jaguaribe, a formação e inspiração da Tabajara tinham como fonte as famosas big bands norte-americanas da época, que faziam sucesso no mundo inteiro tocando jazz, ritmo originado nos recintos musicais dos negros da América do Norte.
No entanto, a música executada pela Tabajara, e expressa em composições de Severino Araújo como “Espinha de Bacalhau”, feita ainda na fase paraibana, e outras, acabou misturando o jazz com o samba, o baião e o chorinho resultando em marca singular da orquestra, a lhe garantir brilho duradouro, tanto no plano nacional quanto no internacional. Entre a criação e o ano de 1944, a Orquestra Tabajara pontificou em território paraibano. Época de enorme brilho dos auditórios de rádios, a emissora paraibana do mesmo nome tinha um auditório que recebia estrelas da constelação musical brasileira e que, em suas apresentações locais, eram acompanhadas pelos músicos comandados por Severino Araújo, também responsável por arranjos pontuais.
No retorno ao território onde praticamente residiam todos esses artistas, o Rio de Janeiro, cenário principal do país no que diz respeito à produção musical brasileira, as referências a produtores locais e dirigentes de emissoras, sobre a Jazz Tabajara, eram as mais entusiasmadas. Em 1945, Severino Araújo, a convite, resolveu fazer uma apresentação na poderosa e prestigiada Rádio Tupi, do Rio. Não voltou mais. Em 20 de janeiro daquele ano, no programa A Noite do Frevo, com a presença do paraibano Assis Chateaubriand, dono da Tupi e de toda a rede de comunicação dos Diários Associados, a apresentação de Severino Araújo e seus músicos foi um sucesso. Em 1956, a Orquestra Tabajara foi considerada pela crítica a melhor orquestra do ano.
Entre seus crooners famosos, destaque para Jamelão. Agora deixe contar uma boa. Sabe a famosa orquestra Românticos de Cuba? Pois bem. Não era outra senão a Tabajara, atendendo convite da recém-inaugurada gravadora Musidisc. Como a Tabajara não podia aparecer nos créditos por conta de ter contrato com a gravadora Continental, inventaram a Românticos de Cuba, que fez enorme sucesso com rumbas e boleros em vários discos. Severino Araújo faleceu em agosto de 2012. Hoje a Orquestra Tabajara é Patrimônio Imaterial da Paraíba e do Rio de Janeiro. Mas como considerou outro dia matéria do jornal Estado de São Paulo, a Orquestra Tabajara é um patrimônio brasileiro.
(Fotos relíquias. A primeira, datada de 1934, com cenário (Astrea, Clube dos Diários ou Labre) em discussão, postada por Matteo Ciacchi, no movimentado e atuante grupo Paraíba Fotos e Fatos Antigos, no Facebook, mostra a primeira formação da Orquestra Jazz Tabajaras. A segunda é da orquestra de Severino Araújo embarcando para uma apresentação em São Paulo, no ano de 1956, quando ganhou o título de Melhor Orquestra do Ano)
PS. Em função de necessitar de mais tempo para preparação de um novo livro, a partir de hoje apenas postarei novas crônicas da série Parahyba do Norte e suas Histórias às segundas, quartas e sextas. Depois, retomo o ritmo diário que mantenho desde 17 de julho de 2023.
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Bar, boate e restaurante Casablanca Por Sérgio Botelho

PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS: Bar, boate e restaurante Casablanca
Sérgio Botelho
– Em 1993, o angolano Alfredo (Fred), que já virou pessoense carimbado, dono, então, do restaurante Adega do Alfredo, apresentou ao público outro empreendimento, o Casablanca, colado à casa de pastos marco inicial de toda a empreitada. Área bem localizada, num dos espaços mais valorizados da cidade de João Pessoa, do ponto de vista turístico, na bela e histórica praia de Tambaú, à Adega e ao Casablanca logo se juntou outra atividade empresarial: o Royal Hotel.
No Casablanca, um restaurante-boate, com shows, desfiles e música ao vivo, compondo ambiente bastante requintado, havia palco, mas também dancing movimentado ao ritmo de músicas selecionadas, onde, apesar de não ser exatamente uma discoteca, às antigas, naturalmente rolava o rock. (Uma das bandas locais habitués era o Molho Inglês, com a participação de Abelardo Jurema Filho, João Jurema, José Crisólogo, Washington Espínola e Marcelo Jurema).
O Casablanca nasceu sob a inspiração do sucesso hollywoodiano homônimo, de 1942, ambientado na capital do Marrocos, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, um dos maiores sucessos do cinema internacional. Por sinal, uma imensa tela no interior do Casablanca exibia permanentemente cenas do filme norte-americano, antes e depois de qualquer show, desfile ou de performance de bandas. A decoração acompanhava o estilo das décadas de 1940 e 1950. O ingresso na casa era bastante concorrido, em virtude de perfilar entre as casas noturnas mais frequentadas de João Pessoa, sendo muito difícil que alguém o conseguisse sem antes haver reservado uma mesa.
Fred aproveitava a cozinha da Adega do Alfredo para compor o cardápio do Casablanca, embora houvesse diferenças importantes entre as duas listas de pratos, e nas receitas dos que eram comuns. O proprietário se desdobrava pessoalmente para atender os clientes de ambos os empreendimentos, que funcionavam a um só tempo. Na verdade, aquela área da cidade, mais conhecida como Baixo Tambaú, reunia um bom número de ambientes de diversão, como ainda hoje acontece, transformando o referido espaço urbano num dos setores mais lúdicos da capital paraibana.
Desde então, nunca mais João Pessoa contou com empreendimento semelhante. Portanto, fica aqui registrada a existência do Casablanca, no Baixo Tambaú, em João Pessoa, há cerca de 30 anos, que, de tão singular, deixou saudade.
(A foto é cópia de jornal da época mostrando a banda Molho Inglês, que se apresentava com regularidade no Casablanca)
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UM SÁBIO RECADO PARA A CONTEMPORANEIDADE Por Rui Leitao

Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje:

UM SÁBIO RECADO PARA A CONTEMPORANEIDADE

Na História nacional encontramos homens públicos que tinham a capacidade de fazer pronunciamentos que se eternizaram, não perdendo a atualidade, podendo ser resignifiados na contemporaneidade, conforme o contexto político se assemelhe ao que vivenciaram quando se manifestaram. Descobri num dos discursos do nosso conterrâneo José Américo de Almeida uma declaração que se ajusta ao momento político que o país está vivenciando.

“Consciências inquietas profetizam, em vozes tremendas, adventos ruidosos. Atiçam a miséria impotente, as explosões da coragem coletiva, com risco dos choques desiguais. Não percamos a esperança. Poderemos, sem maldições, sem desforras sangrentas, na paz do Senhor, atingir o ideal democrático da inteligência, da cultura, das virtudes públicas, do bom governo que é a melhor propaganda contra as subversões”.

Se estivesse vivo, José Américo poderia repetir essa manifestação crítica na certeza de que o recado teria direcionamento certo, alcançando aqueles que continuam insistindo em criar um ambiente de tensão política, ameaçando o Estado Democrático de Direito. São “consciências inquietas” que pregam a desobediência civil às normativas legais vigentes, incluindo aí os preceitos constitucionais. Comportam-se, por estímulo, como pessoas virulentas, inimigas da paz.

Os enfrentamentos entre divergentes de pensamento ou de ideologias são atiçados, com o objetivo de encorajar os que tiveram as mentes capturadas pela retórica da beligerância, na defesa do indefensável. Não respeitam as diferenças, nem os fatos consumados. Numa postura antidemocrática recusam aceitar o que a maioria determinou numa eleição limpa e incontestável, a escolha do presidente da República.

José Américo aproveita para injetar ânimo nos que se colocam em favor da democracia, exortando-nos a manter acesa a chama da esperança de que um novo tempo se inicia. E que deveremos nos manter calmos, sem entrarmos no jogo das provocações, trabalhando, isso sim, na busca do encontro do congraçamento, pondo fim esse período de conflitos que experimentamos nos anos recentes.

Ele nos ensina que nessas circunstâncias de crises políticas, é preciso que coloquemos a razão acima da emoção. Agirmos com inteligência, vencendo os instintos produzidos pela ignorância cultural e o fanatismo. O bom governo será a melhor maneira de fazer desaparecer qualquer iniciativa de subversão da ordem, na prática de uma gestão voltada para o bem comum, objetivando adotar políticas de justiça social, sem preconceitos, sem transformar eventuais adversários políticos em inimigos.

É hora de recomeçar a caminhada. Todo dia é um novo desafio a vencer. Estejamos prontos para isso, sem medo dos que teimam em ameaçar a nossa democracia, fazendo valer os nossos direitos e respeitando os direitos dos outros. Convictos de que estaremos produzindo mudanças reais para a sociedade, garantindo um Brasil melhor para as futuras gerações.

Saibamos ouvir os sábios e procurar entender o que eles nos ensinam, mesmo que não estejam mais entre nós. Eles nos orientam para onde devemos ir e para onde não devemos voltar. Escutemos então a voz de um sábio. José Américo deixou para nós uma mensagem de entusiasmo para a resistência e continuarmos na marcha contra o golpismo e fortalecermos a nossa democracia reconquistada na base de muita luta e coragem.

www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta e escritor.




Os Felizardos que deram nome à Praça João Pessoa Por Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Os Felizardos que deram nome à Praça João Pessoa
Por Sérgio Botelho
– Sobre a história da atual Praça João Pessoa, sempre me intrigou a sucessão de denominações ostentadas por aquele logradouro público, desde o seu início, segundo consta, nos primeiros anos do Século XIX. Antes disso, ao que me parece, era o Largo do Colégio, para se referir ao Colégio dos Jesuítas, um prédio ainda no local. Nesta terça-feira, 13, pela manhã, havia um desafio de gente amiga, a mim dirigida, pelo WhtsApp, nos seguintes termos: quem foi Felizardo Leite? Respondi o que sabia, inclusive que ele nunca fora comendador e sim médico, e fui pesquisar mais.
Felizardo Leite foi o último dos nomes usados, antes de se tornar João Pessoa, para cognominar a praça, uma das mais emblemáticas da vida urbana pessoense. Mas, lá atrás, no Século XIX, também foi chamada de Comendador Felizardo, o que termina provocando confusão de Felizardos. Descobri que são simplesmente avô e neto. Vamos lá: o Comendador Felizardo não era outro senão Felizardo Toscano de Brito, que viveu entre os anos de 1814 e 1876, nascido em Parahyba (ou seja, na atual João Pessoa, embora haja quem crave seu local de nascimento como Mamanguape), e que se notabilizou por ter sido vice-presidente da Província da Parahyba, por vezes assumindo a presidência.
O mais recente, Felizardo Toscano Leite Ferreira, nascido em 1863, segundo obituário publicado em A União de 29 de maio de 1930, era filho de João Leite Ferreira, chefe político liberal e proprietário de terra em Piancó, e de Eugênia Toscano de Brito, por sua vez, filha do primeiro Felizardo, o comendador, e ele, portanto, neto. Sobre Felizardo Leite, que se formou em Medicina na Bahia, o que se diz é que nasceu em Piancó, onde efetivamente faleceu em 1930, de bem com Epitácio Pessoa e com João Pessoa, com os quais andou de mal. (Mas há também quem o inscreva como nascido na cidade de Parahyba). Felizardo Leite foi deputado federal e estadual, eleito com base em Piancó, e exerceu a presidência da Assembleia Legislativa no período de 1908 a 1910. Pois bem. Esses, segundo apurei, são os dois Felizardos que, em épocas diferentes, emprestaram seus nomes à Praça João Pessoa.
(A foto, do Acervo Walfredo Rodrigues, postada por Vandilo Brito, no Facebook, é da Praça Felizardo Leite, em 1930, onde ainda se vê o belo coreto, substituído pelo Altar da Pátria, e a estátua de Epitácio Pessoa, que depois foi para início da avenida do mesmo nome, entre a Praça da Independência e Tambaú)
Pode ser uma imagem de texto que diz "1930- Aspecto da Praça Felizardo Leite, atual João Pessoa."
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: Revista Vida & Cultura Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: Revista Vida & Cultura
Sérgio Botelho
– Nos meus tempos de criança e pré-adolescente, no Centro de João Pessoa, fomos vizinhos do doutor Heronides Alves Coelho, psiquiatra nascido em Timbaúba-PE e formado na Faculdade de Medicina de Pernambuco (mas que escolheu João Pessoa para exercer sua vida profissional), de sua esposa, dona Lourdes, e dos seus filhos. O fato de me referir à essa família, cujos filhos são todos meus amigos de sempre, deve-se ao meu contato de jovem curioso com uma revista, sob a responsabilidade do referido médico, chamada Vida & Cultura.
Apesar dos artigos da publicação serem escritos em linguagem culta e em cima de temas profundos e, outras vezes, bastante técnicos, quando ia à casa dele, levado pelos meus amigos filhos do editor, essas revistas, amontoadas para distribuição, me encantavam. Não que apresentassem feição gráfica muito rebuscada, assim como as revistas de hoje, nem mesmo cheias de ilustrações em suas páginas internas. Mas me atraiam e, não raras vezes, me pegava lendo, com grande interesse. E, então, ficaram na minha memória. Hoje sei melhor a respeito. Vida & Cultura abordava assuntos que iam da ciência, território do editor, transitando pela literatura, pela música e pela poesia. Era, portanto, uma publicação científico-cultural importante, na época.
A revista, segundo me esclarece um dos filhos de doutor Heronides e dona Lourdes, José Carlos Alves Coelho, a quem recorri para adjutórios à memória, era editada pela Sociedade Cultural Luso-Paraibana de Estudos e Pesquisas, fundada por ele mesmo, o editor da revista. Como uma coisa puxa a outra, fui pesquisar, e o nome da Sociedade me levou a outra descoberta importante, que mostra a inserção definitiva do doutor Heronides entre os pessoenses considerados. Foi ele o fundador da cadeira 18 do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, que tem como patrono o ex-presidente da Província da Paraíba, Beaurepaire Rohan, e, na condição de atual ocupante, a professora Glauce Burity.
Da revista Vida & Cultura participavam, por meio de artigos, figuras credenciadas nas letras, na ciência e na cultura em geral, não apenas do país, mas também de Portugal. Doutor Heronides foi, durante a vida, um grande estimulador das melhorias das relações entre Brasil e Portugal, envolvendo a Paraíba e a publicação nesse processo. Em função do propósito, é autor de um artigo, publicado na revista Vida & Cultura (segundo a biografia com que o distingue o IHGP), intitulado “Maior Aproximação entre Portugal e Paraíba”, datado de 1961, o que bem revela seus interesses científicos e diplomáticos.
Nossos tempos contemporâneos, tão favoráveis a publicações desse tipo, contrastam com aqueles em que surgiu a revista Vida & Cultura, o que enaltece o pioneirismo e a dedicação do doutor Heronides Alves Coelho, que chegou a proferir, em 1962, palestra na vetusta Sociedade de Ciências de Lisboa, conforme também nos faz lembrar a biografia patrocinada pelo IHGP. Por conta disso é que inscrevo a revista Vida & Cultura entre essas histórias da Parahyba do Norte que venho postando no Facebook, no rumo de um novo livro.
(Foto: Capa da revista nº 25, Ano VI, de 1963, anunciando os seguintes artigos: sobre a “Concepção moral do cangaceiro nordestino”; sobre o professor português “Egas Moniz”, médico, neurologista e escritor, falecido em 1955; sobre a “Irmã Maria Josefa do Santíssimo Sacramento”, fundadora da Congregação das Irmãs Hospitalares do Sagrado Coração de Jesus; sobre o “diagnóstico da tuberculose”; sobre “Conselho Regional de Farmácia”; sobre as relações “Portugal-Brasil”; sobre a “Tomada de Goa”, quando o exército indiano acabou com o domínio português, de 451, sobre Goa, fato ocorrido em 1961; e outros)
Pode ser uma imagem de texto que diz "ANO ANOVI VI 1963 JOÃO PESSOA PARAIBA BRASIL Oida & Cultura NESTE NÚMERO: 3 CONCEPÇAO MORAL DO CANGA CEIRO NORDESTINO PROFESSOR EGAS MONIZ MADRE MARIA JOSEFA DO SS. SA- CRAMENTO DIAGNO“STICO TUBERCULOSE CONSELHO REGIONAL DE FARMA 22 25 51 PORTUGAL BRASIL TOMADA DE GOA MÃE SOCIAIS & REVISTAS SULCO AGULHA ÚLTIMA PAGINA 第1 PRÊÇO CR$ 150,00 ORGAC OFICIAL DA SOCIEDADE ULTURAL LUSO PARAIBANA DE ESTU PESQUISAN"

E OS DANOS CAUSADOS PELA LAVA JATO? Por Rui Leitao 

E OS DANOS CAUSADOS PELA LAVA JATO? Por Rui Leitao

Quando a normalidade institucional é revertida em proveito próprio, cabe uma ação de reparação contra agentes públicos que assim procedem. A finada operação Lava Jato foi pródiga no cometimento de desrespeito aos limites legais e afronta ao princípio da imparcialidade. A sanha persecutória do ex-juiz condutor do processo praticou atos em ofensa à legalidade, à impessoalidade e à moralidade, que resultaram em danos irreparáveis à economia nacional e, consequentemente, ao patrimônio das pessoas jurídicas de direito público.

Sem dúvidas o Brasil foi vítima da mais escandalosa fraude jurídica de sua História. O Estado brasileiro não pode adotar postura de irresponsabilidade jurídica diante de danos causados a particulares e patrimônio público. Além do desmonte na indústria naval, a Lava Jato ocasionou imensos estragos no sistema jurídico e político de nosso país. Apropriando-se do discurso de combate à corrupção, a Operação Lava Jato dedicou-se a criar um projeto de poder, praticando perseguição política. Fez uso do aparato judicial para alcance de objetivos políticos e comerciais, articulando armadilhas contra os interesses nacionais.

O melancólico apagar das luzes dessa operação não pode contemporizar com a impunidade dos seus executores. O ex-magistrado e procuradores de Curitiba precisam enfrentar os rigores da justiça. A política suja por eles efetivada faz por merecer exemplar punição. Sob o véu de heróis da nação, apareceram por muito tempo como oráculos da anti-política e colocaram em risco a nossa democracia. Ainda bem que a farsa foi desmoralizada e nem todas as instituições foram cooptadas.

O marqueteiro João Santana chegou a classificar a Lava Jato como o “melhor esquema político de marketing já montado no Brasil“. Durante depoimento prestado ao ex-juiz em 2017, Lula foi profético ao alertá-lo: “Esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao senhor vão ser muito mais fortes”. É exatamente o que estamos assistindo agora. Um fim melancólico. Mas não basta, é preciso que os crimes praticados sejam responsabilizados severamente. Que não se faça mais o uso da justiça para ativar um projeto de poder.

Rui Leitão