O POETA CAIXA DÁGUA Por Rui Leitao 

Publicado no jornal A UNIÃO

O POETA CAIXA DÁGUA Por Rui Leitao

Manoel José de Lima ficou conhecido na história da cidade, como o poeta Caixa Dágua. Nasceu no município de Cruz do Espírito Santo, em 05 de janeiro de 1934. Chegou em João Pessoa aos 13 anos de idade, onde aprendeu a ler e escrever, havendo concluido o curso ginasial. Era pai de três filhas, do seu casamento com Maria de Lúcia Oliveira. Ainda criança, quando da morte de sua mãe, escreveu seu primeiro poema “Caminho Perdido”, em que continha os versos: “Se as noites envelhecessem./ Se meus olhos cegassem./ Se os fantasmas dançassem em blocos de neve./ Para que ensinassem./ O caminho por donde eu caminhei./ A cidade sem porta./ As ruas brancas de minha infância que eu não volto mais. Se minha mãe se abruma/se o mar geme,/ e se os mortos não voltam mais”. Perguntado sobre o sentido do verbo “abrumar”, respondeu: “É coisa de mãe. Eu vou lá saber coisa de mãe?”.

Era um notívago. A partir das 19 horas, quando saía de casa, cumpria um roteiro que se iniciava com a leitura de jornais em uma das tradicionais bancas de revistas, localizada no Parque Solon de Lucena. Na sequência percorria os ambientes da boemia pessoense considerados pontos de encontro dos intelectuais, artistas e políticos da terra. Trazia consigo sempre uma pasta preta com os livros que conseguia publicar, patrocinados por amigos, onde os vendia com a oferta de dedicatórias. Nunca abandonava o terno branco, afirmando, inclusive, que apenas ele, o usineiro Renato Ribeiro Coutinho e Virginius da Gama e Melo, se vestiam de forma igual. Falava isso com certo sentimento de orgulho. Num dos retornos para sua residência, que ficava no alto da Ladeira da Borborema, próxima à Catedral, tropeçando nas pernas em razão do seu estado etílico, inspirou-se para produzir uma de suas pérolas literárias: “Ladeira da Borborema/eu subo em tu/mas tu não sobe neu”. ´

Quando Gilberto Gil esteve em João Pessoa para a apresentação do show “Refavela”, em 1977, foi apresentado ao poeta Caixa Dágua, o que motivou o famoso cantor baiano a declarar no palco do Teatro Santa Rosa: “Os homens mais populares do Brasil são Geisel, Caixa Dágua e Gilberto Gil”. A plateia entrou em delírio.

Autor de 15 livros, em depoimento prestado ao Correio das Artes, em 2004, quando o jornal A União lhe dedicou uma homenagem especial, revelou que: “Primeiro, escrevo tudo à mão, depois passo a limpo”. Editou sua primeira obra aos 18 anos. O paraibano Walter Carvalho, no documentário “A Memória e a Cidade”, entrevistou algumas personalidades que considerava importantes expressões locais, dentre elas Caixa Dágua, por considerá-lo o continuador da poesia de Zé Limeira, o poeta do absurdo. Era amigo do então Governador Ernany Sátiro, com quem sempre procurava conversar sobre literatura e política. Exibia vaidoso, em todo lugar, a carteira de colaborador da API – Associação Paraibana de Imprensa.

Na Praça Aristides Lobo, ao lado do prédio do antigo Grupo Tomaz Mindello, foi erigida uma estátua em tamanho natural, esculpida em concreto pelos artistas plásticos Domingos Sávio e Mirabeau Menezes, em que a Prefeitura Municipal de João Pessoa o homenageou, um ano depois do seu falecimento, ocorrido em 27 de março de 2006, vítima de insuficiência respiratória. Não era um erudito, mas se transformou num dos grandes poetas populares da Paraíba, enfrentando as dificuldades da vida com dignidade. Tornou-se, sem qualquer dúvida, símbolo da boemia de uma cidade que começa a fugir da memória coletiva. Não podemos esquecê-lo.

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Vandilo Brito está em Mata Do Buraquinho Por Sergio Botelho

Compartilhado do autor do texto: Sergio Botelho
PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. A Mata do Buraquinho
Sérgio Botêlho
– “A Mata do Buraquinho (…) corresponde ao maior remanescente de Mata Atlântica em área urbana do país, completamente cercado pela densa matriz urbana da cidade de João Pessoa, capital e maior cidade do Estado da Paraíba. A Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, possui uma área superior, entretanto não se caracteriza como um remanescente por não ser uma área natural, uma vez que já foi completamente devastada e posteriormente recuperada”.
A conclusão é da equipe de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba, Nádson Ricardo Leite de Souza, Vanessa Vasconcelos da Silva, Edson Henrique Almeida de Andrade e Valeria Raquel de Lima, publicada sob o título “Análise dos Efeitos da Borda na Mata do Buraquinho, João Pessoa, Paraíba”, setembro de 2019, na Revista da Casa da Geografia de Sobral. O objetivo do estudo foi o de avaliar os impactos ambientais das bordas “no contato com a densa urbanização do entorno”, além das trilhas abertas na mata. O Refúgio de Vida Silvestre da Mata do Buraquinho, que hoje constitui o Jardim Botânico Benjamin Maranhão, possui uma área equivalente a 517,80 hectares (ha), limitada a leste e sul pela BR-230, ao norte pela Avenida Dom Pedro II, e a oeste pelos bairros do Cristo Redentor Varjão e Jaguaribe, todos inseridos no município de João Pessoa/PB.
A história da Mata do Buraquinho, na condição de área remanescente da Mata Atlântica, acompanha toda a trajetória da capital paraibana. Ao longo do tempo, sofreu importantes intervenções, resultando em degradação e redução de espaço, especialmente por conta das intromissões humanas, frutos do crescimento demográfico desordenado e que resultaram na supressão de largas áreas da área de mata, deterioração de outras partes e poluição do rio que corta a reserva: o Rio Jaguaribe. Originalmente chamada de Jaguaricumbe, o sítio acabou sendo comprado pelo estado em 1907, objetivando a implantação do primeiro sistema de abastecimento d’água da Cidade da Parahyba, que começou a funcionar em 1912.
Até essa época, a capital paraibana sofria horrores com a falta de abastecimento d’água seguro, o que expunha sua população a todos os tipos de doenças e endemias e surtos das mais diversas moléstias. Situação piorada pela falta de saneamento básico. Embora não tenha conseguido encerrar os perigos que cercam a Mata do Buraquinho, desde então a presença governamental deu suporte a uma vigilância maior. O que não impede a continuidade da poluição do Rio Jaguaribe e as pressões urbanas sobre a reserva numa cidade que continua a crescer a cada dia.
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UM POVO DE MEMÓRIA CURTA NÃO É DONO DO SEU DESTINO Por Rui Leitao 

UM POVO DE MEMÓRIA CURTA NÃO É DONO DO SEU DESTINO Por Rui Leitao

Já dizia Benjamin Constant: “a gratidão tem memória curta”. Principalmente quando o ego da razão fica doente por conta dos sentimentos do egoísmo e do ódio. O coração resiste em reconhecer as verdades de outrora. No Brasil esse esquecimento já é um fenômeno cultural.

E isso é muito conveniente para os políticos de ocasião, aqueles que querem fazer o discurso do presente que contraria a realidade histórica do passado. Na política, quase sempre, prevalece o interesse no presente, com repercussão no futuro, ainda que se opondo a registros de tempos pretéritos, sejam bons ou ruins. A deslembrança permite ignorar o dever de gratidão ou o alerta do perigo. Propositadamente estimula-se a não serem levadas em conta experiências adquiridas por gerações de tempos antigos, ou até não muito antigos. É perceptível o proposito em não tirar proveito de lições da História. Por isso o objetivo de desvirtuá-la ou a desconhecerem, para que mais facilmente possam ser atendidos interesses de alguns, em detrimento do coletivo.

Desconsiderar a memória é correr o risco de pagar um preço muito alto. Tanto quando rejeita fatos positivos de antes, como quando esquece tragédias vividas no passado. É a fórmula ideal da alienação. O cidadão marcha enganado por sua curta memória. Os corruptos apostam sempre nisso.

Quanto menos formos lembrados das verdades históricas, mais ficaremos reféns dos aproveitadores das circunstâncias. A História jamais pode ser desvalorizada. Um povo de memória curta não é dono do seu destino.

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Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis do Brasil; Líderes lutam por derrubada de veto

Deputado Federal e Delegado da Polícia Civil do Estado de Sergipe FABIO COSTA (PP/SE), em Audiência Pública da Polícia Federal que luta pela sua Lei Orgânica Nacional, pede apóio ao Ministro da Justiça que apoio a derrubada dos ventos da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis do Brasil que estar em vigor.

O Dr. ANTONIO ERIVALDO HENRIQUE DE SOUSAPRESIDENTE DO SINDICATO DOS SERVIDORES DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DA PARAIBA, está encabeçando a equipe que vem  lutando em prol dos benefícios das policiais, principalmente no que tange a derrubada dos vetos da respectiva lei o que prejudica seriamente a categoria. No que concerne a polícia civil da paraíba, Antonio Erivaldo e Antonio Targino, mentores da diretoria do Sindicato, continuam pleiteando junto ao governo do estado vários benefícios da entidade policial que o governo não vem cumprindo.

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O ANTI LULISMO Por Rui Leitao 

O ANTI LULISMO Por Rui Leitao

O debate político nacional tem revelado uma neurose obsessiva: o antilulismo. Os que estão alcançados por essa patologia não resistem a um debate de cinco minutos sobre a verdadeira motivação do seu posicionamento. Eles costumam se auto-afirmar “apolíticos”. Integram a turma que apóia o pacto firmado entre setores da mídia, do parlamento e do judiciário, para demonizar qualquer manifestação política em favor de Lula. O pessoal que faz o discurso da “torcida do contra”.

Para eles “tudo é culpa do PT, ou seja, de Lula”. Buscam a fuga da realidade como estratégia política. Com esse pensamento ressuscitam velhas ideias, inclusive advogando a volta da ditadura militar. O conservadorismo costuma ignorar fatos. Assim constroem as verdades que lhes convêm.

A grande mídia cumpre o seu papel de construir e destruir mitos, protegendo assim os poderes dos que circunstancialmente dominam o quadro político. O conservadorismo moralizador alimentando o discurso do retrocesso. E o pior, hasteando a bandeira da inovação. A promessa de limpeza da classe política enganando o povo.

A fantasia do “novo” anestesiando a sociedade. Nem se fazem necessários ideias e projetos para o país, basta ser contra Lula. Um sentimento odioso e doentio, estimulado pela ira e a ignorância. Os “encantados”, integrantes de uma elite deslumbrada, querem manter seus privilégios, a qualquer custo. Abominam a ideia da “inclusão social”. Classificam tudo o que venha em favor dos pobres como sendo “coisa de comunista”.

Tenho amigos fraternos e parentes próximos nesse grupo do antilulismo, mas não há como desconhecer o fenômeno popular “Lula”, e eu, no exercício da liberdade que a democracia me confere, ainda que queiram proibi-la, proclamo minha grande admiração por esse que entendo ser o maior líder popular do mundo contemporâneo.

Rui Leitão- Advogado, jornalista, poeta e escritor




PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Capela de Nossa Senhora da Batalha Sérgio Botelho

PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Capela de Nossa Senhora da Batalha
Sérgio Botelho
– A história que deu origem à Capela de Nossa Senhora da Batalha é a mesma da Igreja de Nossa Senhora do Socorro, sobre a qual falamos nesses dias, que ficam bem próximas uma da outra, entre Santa Rita e Cruz do Espírito Santo. No ano de 1636, época em que a Paraíba estava dominada pelos holandeses, os invasores tomaram a produção dos engenhos de açúcar no estado.
Espírito Santo e Santa Rita sempre foram zonas dedicadas à produção de açúcar e, portanto, locais de conflitos permanentes com os invasores. Havia um combatente que ficou famoso, no Nordeste, por empreender forte resistência aos holandeses, chamado capitão Francisco Rabelo. Numa dessas lutas, Rabelinho, como era mais conhecido, enfrentou os batavos, em condições de absoluta inferioridade, no local, conseguindo derrotar as tropas holandesas então envolvidas, e matar o próprio administrador da Paraíba, o cruel e desonesto Yppo Elyssens, vindo dos Países Baixos, espécie de governador da época, fato que, na sequência, acabou provocando período de intensa repressão das tropas holandesas.
Por conta da vitória, os habitantes da região fizeram construir as duas igrejas no local dos combates. Tombada desde 15 de julho de 1938, a Capela de Nossa Senhora da Batalha (invocação, de origem portuguesa, a Maria, em função de improvável, mas alcançada vitória sobre os espanhóis na Batalha de Aljubarrota, em 1385), reconstruída em 1987, conforme a original, após ruir completamente, tem porta e duas janelas, e fica às margens da PB-004, próxima à Ponte da Batalha, Dessa forma, a capela de Nossa Senhora da Batalha é um patrimônio histórico e cultural da Paraíba, que atrai visitantes de todo o país e do exterior. A capela é mais um símbolo da identidade e da memória do povo paraibano, a preservar e valorizar sua herança cultural.
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A MÍDIA LAVAJATISTA SOBREVIVE Por Rui Leitao

A MÍDIA LAVAJATISTA SOBREVIVE Por Rui Leitao

Ainda que sejam muitas as provas de que a Lava Jato era, na verdade, um projeto de poder político, alguns integrantes da imprensa brasileira se mantêm firmes na defesa dos procedimentos adotados pela operação coordenada pelo ex-juiz Sérgio Moro e o ex-procurador Dallagnol. Até porque continuam apostando nesse esforço de estabelecer uma estrutura política alinhada à ideologia da extrema direita.

Em princípio era fácil observar que a Lava Jato tinha exclusivamente o propósito de fazer política partidária e ideológica, abrindo portas para Moro e Dallagnol disputarem pleitos eleitorais, como de fato aconteceu quando ambos renunciaram suas funções do campo da justiça.Foram eleitos com apoio da grande mídia. Um para o Senado e o outro para a Câmara Federal. O ex-procurador se manteve por menos de um ano como parlamentar, tendo sido cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE, por unanimidade. O ex-juiz está às vésperas de igualmente sofrer a cassação do mandato de senador.

Porém, o temor maior do ex-juiz na atualidade, deixou de ser a sua cassação. Agora tem algo muito mais forte tirando seu sono. A Corregedoria Geral da Justiça, após correição realizada na 13ª. Vara Federal da Subseção Judiciária de Curitiba (PR), ao concluir análise dos processos inspecionados, encontrou uma gestão caótica no controle de recursos financeiros provenientes de acordos de colaboração e de leniência firmados com o Ministério Público Federal e homologados por aquele juízo.

Em seu relatório o corregedor registra que: “as autorizações concedidas entre 2015 e 2019 foram dadas ao ímpeto de efetuar a execução imediata dos termos estabelecidos nos acordos firmados pela força-tarefa, o que terminava por consolidar verdadeira dispensa do devido processo legal”. Pontuou ainda que: “os valores teriam sido transferidos antes do trânsito em julgado de parte das ações penais, em um processo instaurado de ofício que não incluiu a participação de réus e investigados”.

É importante considerar que o ex-juiz Moro, ao deixar a magistratura para ocupar o cargo de Ministro da Justiça do governo passado, já respondia por cerca de 20 procedimentos administrativos no CNJ. Assim, buscou se livrar de eventuais punições administrativas e disciplinares. Há um provérbio popular que diz: “o mau do esperto é pensar que todo mundo é besta”. As investigações não sofreram qualquer ação de descontinuidade. A pretexto de combater a corrupção, não é permitido que se corrompa um sistema de justiça.

O Relatório do CNJ demonstra graves indícios de violações praticadas no âmbito da operação e o corregedor pediu pauta para julgamento. Sérgio Moro tem um Luís atormentando sua vida. Não é Lula, o presidente. E sim, o corregedor geral da justiça, Luís Felipe Salomão que sinalizou pedir abertura de processo criminal pelas práticas delituosas evidenciadas no Relatório. A cassação seria uma punição menor, em relação ao que pode vir desse julgamento a ser realizado. Talvez seja por isso que o ex-juiz se dispôs a procurar o Ministro Gilmar Mendes, do STF, em busca de ajuda. Se deu mal. Experimentou uma vergonhosa humilhação.

Tudo isso faz com que a gente se lembre do que disse o presidente Lula, quando prestava depoimento ao ex-juiz, ainda quando estava preso: “Doutor, eu espero que essa nação nunca abdique de acreditar na Justiça. Esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao senhor vão ser muito mais fortes”. A declaração profética de Lula só errou numa coisa: ainda existe gente como Merval Pereira e alguns outros companheiros da imprensa, que insistem no apoio ao ex-magistrado. Fazem parte da mídia lavajatista que sobrevive, atuando em poderosos veículos de comunicação. Ela permanece na luta pelo poder, pelo sucesso e por dinheiro, mesmo que ao arrepio da lei.

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Treze anos de saudades Por Rui Leitao 

Treze anos de saudades Por Rui Leitao

O dia primeiro de abril será sempre um dia triste no meu calendário. Há exatamente treze anos experimentei o doloroso sentimento de ver uma das pessoas que mais amei na vida sair do meu convívio diário. Meu pai partiu para, em outra dimensão, continuar intercedendo junto a Deus em favor de todos nós que formamos a sua descendência. Sua ausência física provoca uma saudade que contraria a afirmação de que “o tempo tudo cura”. Ela é maior a cada dia que passa.

Difícil confortar um coração saudoso. Costumo chorar meu pranto baixinho, silenciosamente, com receio de que ele se perturbe com minhas lágrimas de tristeza. Sei o quanto ele sofria quando me via triste. Era como se quisesse assumir a minha dor.

É impressionante como sinto a sua presença na minha vida. Percebo-me ajudando a escrever as crônicas que venho publicando diariamente. Na minha mente escuto a sua voz me aconselhando nos momentos de dificuldade e me festejando quando da conquista de vitórias. A minha imaginação fica fértil de lembranças que me encorajam quando a fragilidade quer me derrubar.

Ele sempre foi um homem forte. Nunca o vi se lamentando por nada. Paciente, compreensivo, amoroso sem ser piegas, rigoroso na aplicação da sua responsabilidade paterna, estava permanentemente próximo, acompanhando passo a passo a formação da personalidade de cada filho. Seu exemplo de dignidade, honradez e honestidade, foi o maior legado que nos deixou. Ao lado de minha mãe, fez dos seus oito filhos, orgulhosos herdeiros de uma postura de vida voltada para o bem.

Deusdedit Leitão, meu pai, meu ídolo, meu guia, marcou sua passagem enquanto conviveu fisicamente conosco, numa conduta que merece admiração e respeito, não só dos que integravam a sua família, mas de todos os que tiveram a oportunidade de com ele compartilhar experiências de vida. Sua memória é para mim uma luz que ilumina os passos da minha caminhada, na certeza de que, onde ele estiver, estará cuidando para que não tropece. E se isso acontecer, estará junto tentando me levantar e me incentivando a continuar trilhando caminhos que me ensinou a seguir.

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URGE RECUPERAR A IMAGEM DO PARLAMENTO Por Rui Leitao 

URGE RECUPERAR A IMAGEM DO PARLAMENTO Por Rui Leitao

Causa tristeza assistir alguns debates no atual parlamento brasileiro, tanto na Câmara Federal, quanto no Senado. Lideranças políticas recém eleitas transformam o plenário das duas casas em uma turma de “quinta série”. Cognitivamente imaturos, não entendem a responsabilidade dos mandatos que ocupam e se comportam como crianças que levam tudo na brincadeira. Mostram-se descomprometidos com o social e o legal. Com o advento da internet, o objetivo maior é “lacrar” para atender os interesses dos seguidores que conquistaram pelas redes sociais. Faltam elegância e educação no exercício da atividade parlamentar. Esses neófitos na política, ao invés de buscarem resoluções para os problemas do Brasil, que não são poucos e nem fáceis, estão mais preocupados em trocar xingamentos e provocar adversários, como se fossem crianças brigando na hora do recreio.

Tem hora que a gente não sabe se ri ou chora. Os espetáculos burlescos protagonizados por figuras caricatas que conseguiram se eleger no último pleito, comprometem a imagem do parlamento, e, por consequência, da atividade política, o que nos proporciona um sentimento de decepção e, ao mesmo tempo, de saudade de uma época em que o Congresso Nacional era palco de brilhantes pronunciamentos que se afirmaram como marcos memoráveis de nossa história. Os discursos abordavam questões de relevância para a vida política do país, independente dos conceitos e ideologias que cada um defendia.

A Casa do Povo, como é também chamado o Parlamento, deve ser o espaço maior da expressão democrática e pluralista da nossa República, onde senadores e deputados busquem as melhores soluções para a defesa do bem-comum. Lamentavelmente, temos visto que personagens histriônicos, com assento nas duas Casas, têm demonstrado absoluta falta de sensatez, desequilíbrio emocional e baixo nível intelectual para o exercício da atividade parlamentar. Com a maior naturalidade gravam suas peraltices para expor na internet, sem se dar conta do ridículo a que estão sendo submetidos. Mas não se importam com isso, têm uma boa parcela da população que aplaude esses atos cômicos, ainda que destoantes da compostura ou decoro parlamentar que o mandato conquistado exige.

A atual legislatura tem revelado políticos que produzem cenas bizarras e absurdas no parlamento, contribuindo para que a imagem do Poder Legislativo se desgaste perante a opinião pública. Esperamos que sejam parlamentares de um único mandato. Na verdade, eles promovem ações meramente diversionistas, muitas das vezes concentradas na guerra cultural, com o propósito de refugiarem-se da realidade. Fabricam crises políticas, com performances de trapalhões, mas bem ao gosto dos que integram a bolha ideológica a que pertencem.

O Congresso precisa recuperar o respeito e o prestígio que, no passado, possuía. Só assim conseguiremos ultrapassar esse período nefasto da jovem democracia brasileira, quando ela vem sendo fortemente ameaçada por retóricas golpistas. Profundamente lastimável que a sociedade contemporânea tenha chegado a esse estágio de inconsciência cívica e de ausência do senso de responsabilidade ao eleger seus representantes para o Poder Legislativo. Os bons quadros estão rareando, submersos nesse mundo da política irresponsável, originada das redes sociais.

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PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Registro de nascimento da Praça do Trabalho, também chamada da Pedra Sérgio Botelho

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(A foto é do Google Street View)
PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS. Registro de nascimento da Praça do Trabalho, também chamada da Pedra
Sérgio Botelho
– Se alguma dúvida existia sobre a denominação de origem da singela praça que fica na confluência das ruas São Miguel e República, na região do Varadouro, em João Pessoa, bem como da data de sua inauguração, o jornal A União de terça-feira 21 de julho de 1931 a dirime. A primeira página do órgão oficial do governo, naquele dia cantou a bola: na manchete, “As homenagens da semana cívica ao imortal Presidente João Pessoa”, e após duas sub-manchetes, vinha a terceira: “A inauguração da ‘Praça do Trabalho’ e cortejo de milhares de operários”.
Vamos à história. Às vésperas do primeiro aniversário da morte de João Pessoa, a capital paraibana havia inaugurado, no domingo 19, uma semana inteira dedicada à memória do paraibano assassinado em Recife em 26 de julho do ano anterior. Como parte da programação, na segunda-feira, 20, houve a inauguração da Praça do Trabalho, onde já havia sido assentada uma enorme pedra granítica, vinda de trem provavelmente do Espírito Santo, com peso calculado em mais de 20 toneladas. (A pedra passou a ser tão marcante na imagem do referido espaço urbano que a maioria das pessoas convencionou chamá-lo de Praça da Pedra).
Não apenas por sua significação urbana, mas também pela histórica, convém saber um pouco de como aconteceu a monumental solenidade. Já às 8 horas da manhã da segunda-feira, a população local ouviu uma salva de 21 tiros, com a inauguração ocorrendo às 14 horas. Lembrando que o Exército, devidamente representado pelo general Sotéro de Menezes (então, comandante da 7ª Região Militar, sediada em Recife), completamente integrado ao espírito da Revolução de 1930 e aos governos Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, e Antenor Navarro, no Palácio da Redenção, estava vibrantemente participando de todas as solenidades em homenagem a João Pessoa, na capital paraibana.
Ao lado de empresas privadas, estavam representando os trabalhadores, e empunhando seus estandartes, a União Beneficente Operária dos Trabalhadores, a Sociedade de Artistas, Operários, Mecânicos e Liberais, a Colônia de Pescadores Z-6, o Centro Operário Natalense, a Aliança Proletária Beneficente e a Sociedade União Gráfica Beneficente Paraibana.
Alguns deles até discursaram. Após a cerimônia de inauguração, um desfile puxado pela banda da Polícia Militar “tendo à frente, envolto pela bandeira nacional, o retrato do presidente João Pessoa”, subiu a Rua da República, pegou à esquerda a Beaurepaire Rohan, dobrou à direta na atual Guedes Pereira, virou mais uma vez à direita na Duque de Caxias, encerrando o desfile na Praça João Pessoa, onde, certamente após cortarem caminho direto pela República, lá estavam as autoridades esperando o cortejo. Portanto, temos hora e data (14 horas de 20 de julho de 1931) e nome oficial do logradouro (Praça do Trabalho). A pedra é só enfeite, embora tenha se locupletado com o prestígio conquistado junto ao povo, até hoje!
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