PARHAYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Asilo de Mendicidade Sérgio Botelho
PARHAYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Asilo de Mendicidade
PARHAYBA E SUAS HISTÓRIAS. O Asilo de Mendicidade
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A União
Saudade: Ausência que mora no peito: Ruin Leitao
Sempre questionei por que a palavra “saudade” não tem equivalente em nenhum outro idioma. Será que esse é um sentimento único dos brasileiros? Claro que não! Todo ser humano, seja qual for a nacionalidade, sente saudade.
Há momentos na vida em que pensamos que o tempo parou, ou desejamos que ele faça voltar os ponteiros do relógio e a contagem dos dias em nosso calendário. O nó na garganta se torna intenso. Surge a imensa vontade de reviver aquilo que a nossa memória guardou como agradável, prazeroso, inesquecível. É a alma querendo retornar ao passado. Quando sentimos saudade de alguém ou de algo que aconteceu, damos-nos conta da importância daquela pessoa ou daquela ocorrência de outrora.
A saudade é um sentimento teimoso; ela insiste em dominar nossas emoções, mesmo quando queremos fugir das lembranças. Ocorre que, no cotidiano, nos deparamos com situações que nos remetem a recordações impossíveis de serem evitadas. Uma foto antiga, um cheiro conhecido, uma paisagem que serviu de cenário a algo vivido no passado, uma música que marcou uma relação provocam no coração certa nostalgia. Bate uma melancolia, acompanhada da necessidade de preencher um vazio no peito. É a sensação de que o motivo da saudade está presente no pensamento, longe dos olhos, mas firme no coração.
A saudade nos faz viajar no tempo e sonhar com a possibilidade de reencontros.
Lógico que toda saudade dói, mas algumas provocam uma ansiedade gostosa, uma expectativa cheia de vontade de viver. É quando sabemos que a saudade sentida terá fim. A tristeza temporária, vivida naquele instante, tem previsão para acabar. Esse é o lado bom da saudade: quando abraçamos as boas lembranças na expectativa de que elas se repitam.
A saudade que causa dor maior é aquela que nos dá a certeza de que nada voltará a ser como antes, como diz Lulu Santos em uma de suas canções: “nada do que foi será do jeito que já foi um dia”. Chegamos a pensar que a vida perdeu o sentido, como se nada mais pudesse substituir a ausência sentida. Então, os olhos deixam transparecer a imensa dor que habita o peito, transbordando em lágrimas. O coração se declara. A saudade pode até ser eterna, mas torna-se menos dolorosa à medida que o tempo passa. Melhor chorar por saudade do que olhar para o passado e nada sentir.
wwwreporteriedoferreira,com.br /Rui Leitao- advogado, jornalista, poeta, escritor
Em defesa da própria consciência
“Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.” A sentença de Nelson Rodrigues permanece atual porque aponta para um dos maiores riscos da vida intelectual: a abdicação do juízo próprio em favor do conforto oferecido pelas certezas coletivas. A adesão automática às ideias apresentadas como majoritárias dispensa o esforço da reflexão crítica e transforma o pensamento em simples ato de conformidade.
Nietzsche chamou de “homens de rebanho” aqueles que, por medo do isolamento ou por necessidade de aceitação, renunciam à própria singularidade. São indivíduos que falam, julgam e se posicionam a partir de padrões previamente estabelecidos, tomados como moralmente corretos e socialmente desejáveis. A repetição mecânica desses discursos — muitas vezes assimilados da propaganda midiática e de narrativas ideologicamente fabricadas — não apenas empobrece o debate público, como também revela uma progressiva atrofia da autonomia intelectual.
Desconfio das ideias que se apresentam como consensuais. A maioria, longe de ser critério de verdade, costuma funcionar como instrumento de acomodação. O próprio Nietzsche advertia que, ao perceber-se alinhado à maioria, o indivíduo deveria suspender o passo e interrogar a si mesmo. A verdade, quando existe, raramente se impõe por aclamação; ela exige conflito, desconforto e disposição para o dissenso.
Observo com certa melancolia pessoas próximas que, incapazes de organizar um pensamento próprio, limitam-se a reproduzir opiniões alheias, elevando-as à condição de dogmas. Nesse processo, o exercício da dúvida — fundamento de toda filosofia — é substituído pela obediência intelectual. O pensamento deixa de ser criação e passa a ser mera repetição.
Trair a própria consciência é a forma mais silenciosa de rendição. Não me disponho a fazê-lo. Enquanto não estiver racional e eticamente convencido daquilo que me é apresentado como verdade, preservarei minhas convicções, ainda que isso me coloque em posição minoritária. Já experimentei a censura velada, a desqualificação e o desconforto social por não partilhar do raciocínio dominante.
Ainda assim, prefiro o peso da solidão reflexiva à leveza irresponsável da concordância automática.
Recuso-me a integrar o rebanho. Aceito, sem angústia, a condição de minoria circunstancial, se isso me assegurar a integridade do pensamento. A paz que procuro não nasce da aceitação coletiva, mas da fidelidade à própria consciência — último território onde a liberdade ainda pode existir.
Rui Leitão
“Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.” A sentença de Nelson Rodrigues permanece atual porque aponta para um dos maiores riscos da vida intelectual: a abdicação do juízo próprio em favor do conforto oferecido pelas certezas coletivas. A adesão automática às ideias apresentadas como majoritárias dispensa o esforço da reflexão crítica e transforma o pensamento em simples ato de conformidade.
Nietzsche chamou de “homens de rebanho” aqueles que, por medo do isolamento ou por necessidade de aceitação, renunciam à própria singularidade. São indivíduos que falam, julgam e se posicionam a partir de padrões previamente estabelecidos, tomados como moralmente corretos e socialmente desejáveis. A repetição mecânica desses discursos — muitas vezes assimilados da propaganda midiática e de narrativas ideologicamente fabricadas — não apenas empobrece o debate público, como também revela uma progressiva atrofia da autonomia intelectual.
Desconfio das ideias que se apresentam como consensuais. A maioria, longe de ser critério de verdade, costuma funcionar como instrumento de acomodação. O próprio Nietzsche advertia que, ao perceber-se alinhado à maioria, o indivíduo deveria suspender o passo e interrogar a si mesmo. A verdade, quando existe, raramente se impõe por aclamação; ela exige conflito, desconforto e disposição para o dissenso.
Observo com certa melancolia pessoas próximas que, incapazes de organizar um pensamento próprio, limitam-se a reproduzir opiniões alheias, elevando-as à condição de dogmas. Nesse processo, o exercício da dúvida — fundamento de toda filosofia — é substituído pela obediência intelectual. O pensamento deixa de ser criação e passa a ser mera repetição.
Trair a própria consciência é a forma mais silenciosa de rendição. Não me disponho a fazê-lo. Enquanto não estiver racional e eticamente convencido daquilo que me é apresentado como verdade, preservarei minhas convicções, ainda que isso me coloque em posição minoritária. Já experimentei a censura velada, a desqualificação e o desconforto social por não partilhar do raciocínio dominante.
Ainda assim, prefiro o peso da solidão reflexiva à leveza irresponsável da concordância automática.
Recuso-me a integrar o rebanho. Aceito, sem angústia, a condição de minoria circunstancial, se isso me assegurar a integridade do pensamento. A paz que procuro não nasce da aceitação coletiva, mas da fidelidade à própria consciência — último território onde a liberdade ainda pode existir.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, esscritor
CARGA TRIBUTÁRIA – FARDO PESADO
Francisco Nóbrega dos Santos
Renomada cientista política, por ocasião de uma palestra proferida em sindicato paulista, indagado sobre encargos que pesam nos ombros da população brasileira, com enorme repercussão na flexibilização dos índices inflacionários, relatou que, considerável parcela da culpa desse fenômeno é o próprio contribuinte. Asseverou que, quando nasce um brasileiro, traz para a vida, um débito de, aproximadamente, 5.000,00 (cinco mil reais),EM VALORES REFERENTES HÁ QUASE UMA DÉCADA cujo montante, em razão do fluxo da eonomia, acumula-se ou se avoluma por longos anos.
Ressalto, porém, que tal fenômeno ocorre face a inércia, omissão, ou outro fato do gênero humano, não obstante os poucos caminhos ofertados pela estrutura governamental, nos três níveis de Governo, e o igual número dos poderes, o que deixa vulnerável a população, nas diversas faixas etárias.
O povo, a parte filtrada da população, vive ou sobrevive, a mercê de conhecimentos empíricos, (ou nenhum discernimento), IGNORANDO seus direitos, e abdicando das prerrogativas que lhe são atribuídas.
Observa-se que o Executivo, um tanto aparelhado para usar seu poder coercitivo exigindo o pagamento de tributos, o contribuinte, por desconhecer seu direito, paga, muitas vezes, valores indevidos ou a mais do que devido, em sacrifício próprio, enquanto sujeito passivo, padece contaminado com o vírus da ignorância.
Com a longa experiência de mais de trinta anos trabalhando na área fazendária do Município, tive a curiosidade de, através de um curso pelo INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL – IBAM – Rio de Janeiro, onde tive bastante aulas que me deixaram suficiente noção de prescrição, decadência, suspensão ou interrupção de fatos em que se recolhe ou fulmina o direito de a Fazenda Pública exercitar o Poder de Império, distinguindo-se do Poder de Gestão.
Dessa forma, ante o desconhecimento de uma gigantesca parcela dos contribuintes, que sustenta os cofres públicos, PERMITE se eternize o estado de miserabilidade.
Assim, acolhendo opiniões de pessoas ligadas à área fazendária, editei um livro denominado SISTEMA TRIBUTÁRIO MUNICIPAL – UMA ABORDAGEM PRÁTICA, Nas páginas 104 a 131, quem precisa conhecer a equidade ou isonomia na relação FISCO-CONTRIBUINTE, fará uma justa e abalizada reflexão sobre os pesados encargos nos ombros dos onerados. Porquanto, quando se paga a mais, percorre-se uma “via crucis” para reaver o que pagou (sem dever), porém se deve à Fazenda Pública, tem inviabilizada qualquer transação ou obtenção de algum benefício fiscal, se, por acaso fizer jus.
www.reporteriedoferreira.com.br/Contatos Fone 993827533- Email; fconobregasantos@hotmail.com
Sendo parte do conjunto franciscano, a construção, antes de ser ocupada pelo Arquidiocesano Pio XII, serviu de acomodação para o primeiro bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques.
Quando ficou pronto o Palácio do Bispo, na atual Praça Dom Adauto, o prédio franciscano foi ocupado pelo Diocesano Pio X e pelo Seminário, criados pelo bispo em seu intuito de fortalecer o catolicismo na Paraíba.
São essas as referências mais antigas do prédio, que pode se tornar um interessante hotel de forte apelo histórico na cidade, ainda mais quando se sabe da futura instalação do Museu Memorial Augusto dos Anjos.
Falo de um projeto, já com Ordem de Serviço assinada pelo governador Azevedo, visando a revitalização de duas casas vizinhas à Academia Paraibana de Letras, para, enfim, servir como Memorial à altura da importância do poeta paraibano Augusto dos Anjos.
Como se sabe, todo esse conjunto formado pela APL e pelo futuro Memorial ficam bem de frente para o velho prédio, próximo de se transformar em hotel. Tudo isso bem no começo de uma das duas mais antigas ruas da cidade, a Direita, hoje Duque de Caxias, paralela à Nova, hoje General Osório.
Ao lado do hotel fica o conjunto religioso católico considerado entre os de mais forte representatividade barroca do país, capitaneado pela Igreja de Santo Antônio, onde se destaca um formoso e amplo adro com azulejaria portuguesa.
Aliás, igrejas antigas não faltam ali por perto. As mais próximas, além da vizinha Santo Antônio, são a do Carmo e a de Santa Tereza D’Ávila, ambas no conjunto carmelita, a Catedral Basílica Nossa Senhora das Neves e a de Nossa Senhora de Montserrat, esta última, no conjunto beneditino.
Será mesmo um hotel de forte inspiração histórica e memorial. É só ajustar ideias que aproveitem tudo isso.

Alegria. Momento em que a escritora e historiadora Lúcia Guerra autografa o meu exemplar do seu livro Memória e Verdade sobre a Ditadura, nesta terça-feira, 30, na Fundação Casa de José Américo. Imprescindivel obra sobre a recente história do Brasil e da Paraíba.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Sérgio Botelho- jornalista, poeta, escritor
A Democracia sob o risco da desinformação; Rui Leitao
Chegamos ao ano de 2026, quando, em nosso país, serão realizadas eleições gerais. Cerca de 150 milhões de brasileiros terão a oportunidade de escolher seus representantes, tanto no Congresso Nacional (Senado e Câmara dos Deputados) quanto os governadores de Estado e o presidente da República. O Brasil se verá, mais uma vez, diante de um desafio que vem crescendo com o passar do tempo: o combate à desinformação.
Desde 2018, as eleições passaram a ser fortemente marcadas pela propagação de notícias falsas ou distorcidas em grupos de aplicativos de mensagens, com produção de conteúdos que demonstram evidente nível profissional e que são amplamente repassados por influenciadores digitais.
Torna-se necessário, portanto, destacar o quanto é fundamental que a sociedade civil se posicione no enfrentamento à desinformação e à corrupção eleitoral. O controle da disseminação das chamadas fake news não pode ser, exclusivamente, uma responsabilidade do Poder Judiciário. O sistema eleitoral precisa garantir que o eleitor não seja enganado justamente no momento em que decide em quem votar.
Percebe-se claramente que o objetivo dessas práticas é provocar medo, atacando a credibilidade dos adversários por meio do uso de temas conspiratórios. A utilização de informações falsas nesse período ocorre em diversos campos políticos, embora, em tempos recentes, tenha sido intensamente adotada pela extrema direita. É interessante observar o quanto essa política de desinformação tem apresentado refinamento e mudanças em suas técnicas e formatos. Os boatos e mentiras emergem com impressionante rapidez e força, conduzidos, especialmente, pelas plataformas digitais. As estratégias de manipulação eleitoral, mesmo adaptadas à era digital, ainda preservam práticas antigas de controle, semelhantes ao que se convencionou chamar de “voto de cabresto”.
O disparo sistemático de notícias falsas pode afetar a livre formação da vontade popular, sendo repetidas à exaustão até alcançar o máximo de disseminação, aproveitando-se de brechas na regulamentação e da lentidão dos processos jurídicos. O desinteresse pela verdade factual e a interpretação seletiva dos fatos, orientadas por valores pessoais, crenças e ideologias, contribuem para que essas ondas de desinformação sejam aceitas por parcelas significativas do eleitorado.
Contudo, é preciso considerar que as disputas de narrativas na política não autorizam práticas de difamação ou calúnia contra adversários. A desregulação das mídias digitais concorre, assim, para que o processo de desinformação se consolide como um grave problema para a preservação dos valores e princípios da democracia e do Estado Democrático de Direito.
Com a entrada em cena das inteligências artificiais generativas, a produção de informações falsas tende a dar um salto qualitativo. Fatos são distorcidos ou fabricados sem que haja tempo hábil para as devidas contraditas. A utilização de inteligência artificial nas propagandas eleitorais foi autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, exigindo, no entanto, a veiculação de aviso explícito sobre seu uso.
Todo cuidado é pouco. As eleições deste ano são essenciais para a manutenção da democracia, garantindo que nossa representação política se estabeleça com equilíbrio entre as forças partidárias e ideológicas, de modo a impedir que continue a prevalecer um conjunto de ideias conservadoras e retrógradas que ameaçam o Estado Democrático de Direito.
www.reporteriedoferreira.com.br/Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Museu Casa de Margarida Maria Alves

A poética do amor atemporal em Chico Buarque
São músicas como Futuros Amantes que fazem Chico Buarque ser considerado um gênio. A letra, construída como um poema belíssimo, fala do amor como algo eterno, perene, transcendental. Mesmo quando não é correspondido, o amor permanece para sempre e, quem sabe, um dia — ainda que milênios depois — poderá ser vivido por outras pessoas. Por isso, é atemporal. A canção data de 1993 e integra o álbum Paratodos.
“Não se afobe, não / Que nada é pra já / O amor não tem pressa”.
Chico começa aí a diferenciar o amor da paixão. A paixão é imediata, exige urgência, não sabe esperar. O amor, ao contrário, é paciente, resiste a tudo, inclusive ao tempo. Não adianta afobação: ele é sereno e perdura pela eternidade. A paixão relaciona-se ao desejo carnal; o amor, aos sentimentos da alma.
“Ele pode esperar em silêncio / Num fundo de armário / Na posta-restante / Milênios, milênios / No ar”.
Os amores, mesmo não correspondidos ou não vividos em sua plenitude, não conseguem morrer. Perpetuam-se, ficam guardados, à espera de que, no futuro, possam ser utilizados. Sua realização pode ser adiada, mas permanecem vivos por milênios, enquanto não consumidos.
“E quem sabe, então / O Rio será / Alguma cidade submersa”.
O compositor imagina o Rio de Janeiro, em tempos futuros, como uma cidade submersa, à semelhança da Atlântida, o continente perdido. Seus registros históricos ficariam debaixo d’água, intactos, preservados, à espera de pesquisadores dispostos a conhecer uma civilização desaparecida.
“Os escafandristas virão / Explorar sua casa / Seu quarto, suas coisas / Sua alma, desvãos”.
A cidade isolada e mergulhada passará a ser explorada por escafandristas, que vasculharão tudo e penetrarão nos espaços da intimidade, onde o amor nasceu e germinou. Buscarão, nos recantos mais escondidos, vestígios da vida e da alma, tentando encontrar aquilo que não se materializou, mas permaneceu como expectativa: o amor.
“Sábios em vão / Tentarão decifrar / O eco de antigas palavras / Fragmentos de cartas, poemas / Mentiras, retratos / Vestígios de estranha civilização”.
Por mais que tentem compreender, não conseguirão encontrar respostas. Seremos, para eles, uma civilização desconhecida, estranha. Os documentos narram histórias que não conseguem decifrar. Tudo se transforma em enigma indecifrável.
“Não se afobe, não / Que nada é pra já / Amores serão sempre amáveis”.
A precipitação é desnecessária, porque o amor, mesmo não vivido no tempo desejado, encontrará seu destino no momento oportuno. Se hoje não se efetiva, talvez daqui a milhões de anos seja alcançado e vivido por outro. O amor existe para ser exercido, vivido e aproveitado, ainda que em épocas distantes. “Amores serão sempre amáveis”: não se perdem com o passar dos anos.
“Futuros amantes, quiçá / Se amarão sem saber / Com o amor que eu um dia / Deixei pra você”.
Quem sabe, diz o eu lírico, o amor deixado em reserva — não correspondido, mas intacto em sua essência —, ofertado à pessoa amada em vida, seja vivido por outrem no futuro, sem que este perceba tratar-se de uma herança afetiva recebida.
www.reporteriedoferreira.com.br/ Rui Leitão- advogado, jornalista, poeta, escritor