A TENTATIVA DE DEMONIZAR A POLÍTICA Por Rui Leitao

A TENTATIVA DE DEMONIZAR A POLÍTICA

É um projeto globalizado da extrema direita. No Brasil tem se intensificado desde a eleição do presidente da República em 2018. Objetiva fazer com que o eleitor se transforme em integrante de torcida organizada, fugindo do debate sério dos verdadeiros temas de interesse da sociedade. Promovendo a alienação para que a elite continue usufruindo de privilégios e conquistando vantagens em detrimento dos que estão nas bases da pirâmide social. Tentando, a qualquer custo, convencer de que a política é impura e assim fazer desacreditar a democracia.

Os discursos de lideranças que se apresentam como messiânicas são proclamados no radicalismo, destilando o veneno da intolerância. Ao invés da discussão de ideias, planos de governos e projetos que atendam os graves problemas que nos atingem, preferem produzir manifestações agressivas considerando adversários como inimigos políticos, impondo a exclusão da voz dos oponentes. Em delírios fundamentalistas pregam o falso moralismo para conquistar a adesão dos incautos. Os sítios virtuais da internet são transformados em espaços para a difusão de pautas conservadoras, retrógradas e reacionárias, com o intuito de cercear o pleno acesso à cidadania para a maioria da população.

O negacionismo histórico é um eixo do projeto de poder da extrema direita. Um povo sem memória fica impossibilitado de reparar seus erros do passado. Mas é exatamente isso que pretendem. Os vocacionados para o autoritarismo costumam usar a lógica do esquecimento para o retorno das estruturas de violência e opressão. Nos últimos seis anos a extrema direita saiu do armário no Brasil, empunhando, sem qualquer acanhamento, as bandeiras do fascismo. Defendem atos golpistas e reverenciam a memória de torturadores como se fosse a coisa mais natural do mundo. O Congresso nacional está cheio desses tresloucados agentes políticos.

Recusam qualquer agenda de direitos. Fazem das casas legislativas e palanques eleitorais palcos para a hipervalorização de lideranças políticas em desfavor do fortalecimento das instituições democráticas. O culto ao personalismo contribui para que se estimule o processo degenerativo da democracia brasileira. Desprovidos de inteligência e formação cultural, empobrecem a vida política nacional, protagonizando espetáculos deprimentes e bizarros.

Se já estávamos assustados e preocupados com o que testemunhamos nesses seis últimos anos, eis que surge algo muito pior. A eleição para prefeito da cidade de São Paulo deste ano está pondo em evidência alguém que trabalha no sentido de alimentar a crescente deterioração do ambiente político brasileiro. O ex-coach age nos debates como um delinquente. Estrategicamente marcando sua postura por ofensas e provocações, sem apresentar propostas de governo, busca unicamente atrair a atenção do eleitorado mais á direita, disputando espaço, inclusive, com o ex-presidente.

Mesmo respondendo a mais de 100 ações na justiça, seu ingresso no embate eleitoral deste ano mexeu com o jogo. O que demonstra que estamos indo de mal a pior. Lamentavelmente. Comporta-se como aluno de primeiro grau que tem prazer em perturbar a tranquilidade no ambiente em que se faz presente. Sua psicopatia é caracterizada pelo egocentrismo e a ânsia em desrespeitar e violar o direito dos outros, usando da violência verbal para desestabilizar emocionalmente seus adversários. Não sabe fazer outra coisa. Temos agora um novo líder da extrema direita, muito mais perigoso do que o ex-presidente. O que nos leva a considerar que não havíamos ainda chegado ao fundo do poço. Envolto em escândalos, ele é a nova cara do fascismo brasileiro. Resta-nos a esperança de que essa doença da irresponsabilidade política não tenha contaminado tanta gente que possa ameaçar efetivamente a nossa democracia. Não é normal o que está acontecendo com a visão política de muitos brasileiros.

www.reporteriedoferreira.com.br  Por Rui Leitão-advogado, jornalista, poeta, escritor




‘AO REI TUDO, MENOS A HONRA” Por Rui Leitao 

‘AO REI TUDO, MENOS A HONRA” Por Rui Leitao

O processo de Márcio Moreira Alves, em 1968. Que culminou com a edição do AI5. fez com que se revelasse, no Brasil, uma personalidade política que orgulharia a todos nós nordestinos. O deputado Djalma Marinho protagonizou uma das mais célebres páginas da nossa história, quando, não se curvando às pressões do governo, deu seu grito de independência discordando com veemência da desmoralização do parlamento intentada com a cassação do deputado carioca, ferindo assim um dos princípios basilares da democracia: a prerrogativa constitucional de que o parlamentar é absolutamente livre no seu direito de palavra e de voto. Djalma Marinho costumava dizer: “Eu não sou um homem do governo, nem sou um homem de governo; eu sou um homem do Congresso”. E assim pautou sua atuação na Câmara Federal.

Na condição de presidente da Comissão de Constituição e Justiça, fez valer ainda mais forte essa sua afirmação. Não transigiu em nenhum instante na defesa da autonomia do poder legislativo. No dia onze de dezembro, após a proclamação do resultado da CCJ oferecendo parecer favorável ao processo de cassação do deputado Márcio Moreira Alves, pronunciou um discurso que dignifica e engrandece a nossa história política.

Inspirado num teatrólogo madrileno do século 17, Calderón de La Barca, Djalma Marinho renunciou a presidência daquela Comissão, comunicando ao Brasil seu protesto contra a forma ditatorial com que o governo procurou forçar a representação legislativa a aceitar, por imposição, a punição de um companheiro parlamentar.

Eis um trecho desse memorável discurso de Djalma Marinho: “Na minha vida pública, como representante de um pequeno estado, tenho mantido fidelidade à ordem democrática. Ao longo do tempo, mesmo na minha humildade, a ela ofereci a minha vassalagem, mas nunca o atendimento a exigências e concessões absurdas, como esta. Passada a tormenta e esclarecidos os homens, virá o tempo da reconstrução. Rejeitar este pedido é um ato de bravura moral igual àquele oferecido por Pedro Calderón de La Barca: AO REI TUDO, MENOS A HONRA”.

Ao fim do seu pronunciamento, o deputado Martins Rodrigues não se conteve e gritou: “De pé para aplaudir um homem” e todos se puseram de pé e ovacionaram o orador. Essa citação passou a ser referência de todos os que também assumem posições contrárias aos governantes que querem exercer o poder sem respeitar as leis e atacando convenções universais da democracia.

Que diferença do neto que ocupa uma cadeira no Senado atualmente.

www.reporteriedoferreira.com.br  Rui Leitão- Advogado, Jornalista, Poeta, Escritor




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Fazenda Boi Só Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Fazenda Boi Só
Sérgio Botelho
– As recordações do amigo Marcos Chagas Brito são tão recentes quanto as que trago, sobre a Fazenda Boi Só, ou Fazenda Ribamar. Nesses dias, nós relembrávamos. A bela construção se nos apresentava, com grande destaque, todas as vezes em que íamos assistir a alguma partida de futebol no velho Estádio Olímpico José Américo (também apelidado de Colosso do Boi Só), nas décadas de 1950 e 1960.
Depois, como cenário de fundo do conjunto residencial que até hoje é reconhecido pelo nome original de Pedro Gondim, entregue na segunda metade da década de 1960. Ainda, porque alguns de seus moradores, notáveis socialmente, foram contemporâneos de infância e adolescência, em João Pessoa.
Mas, assim como a casa, com data de 1862, inscrita na fachada (embora com importantes reformas na década de 1930, após ser adquirida em 1929 pelo Dr. Izidro Gomes da Silva), a história da Fazenda Boi Só (dizem que, na largada, pertencente a um francês de nome Boisôt, daí a corruptela Boi Só) é, portanto, muito anterior ao nosso tempo de pequenos.
As terras da Boi Só chegaram a compreender áreas que pertencem aos atuais bairros dos Ipês, Tambauzinho, Jardim Luna, Manaíra e Bessa. Izidro Gomes da Silva, natural do Rio Grande do Norte, nascido por volta do ano de 1876, desposou a senhora Cândida Gomes da Silva, em 21 de fevereiro de 1921, na cidade da Parahyba, atual João Pessoa, certamente na condição de viúvo, pois havia sido casado, antes, com a senhora Dora da Cruz Ribeiro (Dora Ribeiro Gomes da Silva). Izidro Gomes, que hoje é nome de rua em Tambaú, exerceu bastante influência, na Paraíba, durante a primeira metade do Século XX, na condição de advogado, redator de A União, professor do Lyceu, comerciante (presidiu a Associação Comercial da Paraíba) e deputado à Assembleia Legislativa.
Atualmente, a casa histórica do Boi Só restou na parte interna do Condomínio Alphaville (a novidade urbana da área), e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba-Iphaep.
Nas fotos, imagem, hoje, da casa da antiga Fazenda Boi Só, em meio às residências do Alphaville. Na outra, a casa, antes da atual conformação urbana.
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A GUERRILHA DO ARAGUAIA Por Rui Leitao

Publicado no jornal A UNIÃO edição de hoje

A GUERRILHA DO ARAGUAIA Por Rui Leitao

Liderado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no período compreendido entre 1967 e 1974, aconteceu, na região do Bico do Papagaio, situada no sul do estado do Pará, na divisa com o Maranhão e Tocantins, um movimento de resistência armado contra a Ditadura Militar, conhecido como a Guerrilha do Araguaia, inspirado em ações guerrilheiras internacionais, como a Revolução Cubana. Objetivava instaurar um regime socialista no país. Os comunistas brasileiros acreditavam que a guerrilha rural seria a forma mais eficaz de combater a ditadura e promover uma mobilização na população camponesa em favor de uma revolução socialista.

O governo militar, buscando eliminar os guerrilheiros, organizou diversas operações, das quais três conseguiram ganhar destaque: 1. A Operação Papagaio, realizada em abril de 1972, envolvendo cerca de três mil soldados, que pretendia mapear a área ocupada e neutralizar focos de resistência. Não conseguiu alcançar esses objetivos, em razão da falta de conhecimento da região e por terem subestimado a capacidade dos guerrilheiros; 2. A Operação Marajoara, empreendida em 1973, liderada pelo major Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, atuando com um número maior de tropas e de forma mais agressiva, com cerca de 10 mil homens espalhados em bases montadas em fazendas e roças, realizando emboscadas, inclusive em casas de moradores locais; 3. Operação Limpeza, em 1974, utilizando táticas extremamente repressivas e que resultaram na eliminação dos últimos grupos de resistência, matando e capturando a maioria dos guerrilheiros. A população masculina das localidades onde a Guerrilha atuava, foi presa em quase sua totalidade. Casas, paióis e pontos comerciais foram destruídos. A terceira operação foi decidida a partir da constatação do fracasso das duas primeiras, obrigando a que as Forças Armadas montassem um verdadeiro aparato de guerra, sob o comando do general Orlando Geisel.

O major Curió, em entrevista concedida ao jornal O Estado de São Paulo, em 2009, revelou a política de extermínio dos governos Médici e Geisel, declarando que naquele conflito o Exército executou 41 pessoas. 61 combatentes, dos que estavam na selva, nunca mais apareceram. Mesmo acusado em sete processos por assassinatos de dez opositores da ditadura, duas por sequestro e cárcere privado e um por falsidade ideológica, o major Curió foi eleito deputado federal pelo Pará, em 1982, e prefeito de Curionópolis, no Pará, em 2000.

As graves violações dos Direitos Humanos, como torturas, execuções sumárias e desaparecimentos forçados, produziram forte repercussão no país, fazendo com que fossem exigidas investigações posteriores para responsabilizar os envolvidos, num esforço para reparar os danos causados pela repressão e proporcionar justiça às vítimas e suas famílias. Na década de 90, quatro expedições buscaram ossadas dos que morreram durante os combates. Mas apenas 2 corpos foram encontrados e reconhecidos. Arquivos foram queimados e restos mortais de guerrilheiros foram movidos e escondidos para dificultar tanto a localização, quanto a identificação. Em junho de 2009 foi concedida a anistia política com indenizações financeiras a 44 camponeses. Porém, nenhum militar foi julgado pelos crimes cometidos durante a Guerrilha do Araguaia.

O ex-deputado federal José Genoino, um dos guerrilheiros sobreviventes, ao ser entrevistado sobre o tema, assim se manifestou: “O Araguaia é um exemplo, assim como outras rebeliões do Brasil, que além de ser eliminada a ferro, sangue e fogo, tem a memória eliminada. A verdade incomoda. A memória incomoda. O passado não passa”.

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QUEM SOIS VÓS E QUEM SOU EU? Por Gilvan de Brito

QUEM SOIS VÓS E QUEM SOU EU? Por Gilvan de Brito
Estou com
Espinoza (foto).
Estou escrevendo um livro de crônicas para publicá-lo em forma de e-book, pela Kindle/Amazon, e gostaria de abordar um assunto que diz respeito a rodo mundo, mas que as tratativas são diferentes de uma para outra pessoa, porque, cada cabeça é um mundo, e não adianta discutir em contrário, porque esta é uma conclusão lúcida, para as pessoas de bom senso. Digo bom senso porque sei que há o mau senso e o mal senso.
O bom senso é aquele que enfrenta resistências a obstáculos físicos, imaginários e intangíveis, procurando superar barreiras para garantir uma vivência melhorada sob vários aspectos de ações que tolhem a liberdade de pensamento, de ir e vir e de outras aplicações que podem ser estendidas ao campo jurídico e da semântica. Já o mal senso, nestas definições conscientes entre o bem e o mal, vê-se como aquele que causa danos.
Filosoficamente o mal vai contra a aceitação de Deus como o maior ídolo do universo, o que pende também para a teologia. Sendo assim, vamos pautar primeiro pela religião: quem é Deus? Para Baruk Espinoza, Deus e a natureza eram a mesma coisa: “Tenho uma concepção de Deus e da natureza totalmente diferente da que costumam ter os cristãos”.
Para o filósofo holandês, Deus age por meio de processos mecânico-causais e de leis invariáveis, responsáveis pelo total funcionamento e ordenamento do mundo. No meu pensamento, que coincide com o de Espinoza, por meio de processos mecânico-causais e de leis invariáveis, responsáveis pelo total funcionamento e ordenamento do mundo, responsável por todos os eventos e acontecimentos naturais. Isso evidencia que Deus não estaria preocupado com a situação dos cristãos. Cada um por si, seguindo o bom senso.
Esta máxima desativa a força e o poder das religiões e das igrejas, que procuram assumir ou difundir o poder de Deus capaz de interferir na vida de cada uma das pessoas, ou sejas, oito bilhões de pessoas que existem no mundo, disso tirando proveito de toda ordem ao se dizer “A Casa de Deus, A Palavra de Deus”. O Deus já estaria configurado na natureza, que rege o mundo. Estou com Espinoza (foto).



A MUDANÇA DA POSIÇÃO DA CNBB Leitao

A MUDANÇA DA POSIÇÃO DA CNBB

A CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB, foi criada com a intenção de manter a unidade da Igreja frente às divergências entre os chamados católicos progressistas e conservadores, verificadas no contexto social e político observado na sociedade brasileira entre as décadas de 1940 e 1950.

Em abril de 1963, a Comissão Central da entidade emitiu uma mensagem sobre a situação do país, em que afirmava: “as desigualdades sociais não levam à paz anunciada e desejada, mas destacam os grandes entraves de um país subdesenvolvido, em que as massas populares não participam do processo brasileiro, onde subsistem a miséria e a mortalidade no meio rural e urbano”. O governo Goulart entendeu nessa declaração pública que a Igreja Católica havia assumido apoio às Reformas de Base.

No entanto, um ano depois liderou a Primeira Marcha pela Família com Deus pela Liberdade, onde segmentos da classe média e religiosos saíram às ruas protestando contra posições do governo que acreditavam ser a instalação da desordem e da degradação da família no país. A CNBB, então, mostrava-se numa postura de ambigüidade diante da conjuntura política da época.

Dois meses após o golpe militar, em 1964, um documento episcopal foi dado a conhecimento público com o seguinte teor: “Atendendo à geral e angustiosa expectativa do povo brasileiro, que via a marcha acelerada do comunismo para a conquista do poder, as Forças Armadas acudiram em tempo, e evitaram que se consumasse a implantação do regime bolchevista em nossa terra. De uma a outra extremidade da pátria, transborda dos corações o mesmo sentimento de gratidão a Deus, pelo êxito incruento de uma revolução armada”. Estava explícito o apoio de boa parte da Igreja ao golpe, passando a conviver pacificamente com o regime ditatorial.

Com a eleição em 1968 de Dom Aloiso Lorscheider como secretário geral da CNBB, embora tendo apoiado o golpe militar nos primeiros anos do regime, setores da Igreja Católica assumiam posições mais críticas. Em 1970, a Assembleia Geral dos Bispos, produziu um documento em que denunciava as torturas, mesmo que ainda num tom ameno. Ainda predominava uma preocupação em manter diálogo com os militares, evitando conflitos diretos.

Em 1972, Dom Paulo Evaristo Arms assumiu a presidência da CNBB, provocando uma profunda mudança na maneira da Igreja agir. Bispos começaram a se manifestar denunciando os atentados aos direitos humanos e exigindo a volta à democracia. O primeiro documento neste sentido é do episcopado do estado de São Paulo, “Testemunho de Paz”, Ao tomar conhecimento da prisão de um padre e uma assistente social vinculada à Igreja, Dom Paulo Evaristo Arms, foi ao DOPS para visitá-los e constatou que haviam sido vítimas de tortura. E no domingo seguinte encaminhou mensagem a todas as paróquias da Arquidiocese denunciando o que tinha testemunhado e fez contundente manifestação contra o caráter ditatorial do regime.

Nos primeiros anos da ditadura os bispos católicos estavam agrupados em três alas. Uma era denominada ala progressista, da qual participavam três nordestinos: Dom Hélder Câmara, da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom José Maria Pires, da Arquidiocese da Paraíba e Dom Fragoso, da Diocese de Crateús, no Ceará. A imprensa alinhada ao governo, passou a classificá-los como os “bispos vermelhos”. Eles pregavam contra a violência do governo e a injustiça social provocada pelo modelo econômico praticado. O segundo grupo era conhecido como “conservador”, tendo Dom Geraldo de Proença Sigaud, arcebispo de Diamantina, como a liderança mais destacada. Qualificava como subversiva a ameaça comunista e hipotecava apoio ao governo. A terceira ala era chamada de moderada, composta por bispos que se omitiam em assumir posições políticas publicamente, embora defendessem mudanças na área da política social. Por isso, estavam mais próximos dos progressistas e se solidarizavam quando havia reação diante das violações aos direitos humanos.

A 15ª. Assembleia da CNBB, realizada em Inadaiatuba (SP), em fevereiro de 1977, aprovou por 270 votos a 3, um documento, que resultou num acordo entre progressistas e conservadores, admitindo o Estado de Exceção e condenando sua manutenção em nome da segurança nacional “A segurança, como bem de uma nação, é incompatível com uma permanente insegurança do povo. Esta se configura em medidas arbitrárias de repressão, sem possibilidades de defesa, em internamentos compulsórios, em desaparecimentos inexplicáveis, em processos e inquéritos aviltantes, em atos de violência praticados pela valentia fácil do terrorismo clandestino e numa impunidade frequente e quase total.”, afirmava no texto publicado.

E assim se manteve até 1985, firme em defesa dos direitos humanos, dos presos políticos, dos povos indígenas e dos trabalhadores.

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PARAOLÍMPIADAS A EFICIÊNCIA DA SUPERAÇÃO Por Francisco Nóbrega dos Santos

PARAOLÍMPIADAS A EFICIÊNCIA DA SUPERAÇÃO

Por Francisco Nóbrega dos Santos

 

O Mundo deu uma avanço significativo nas PARAOLIMPIADAS DE PARIS.

Com a inequívoca demonstração, trazida em nova energia com a criação da especial competição , quanto a efetivação dos esportes, com novo alento às pessoas portadoras de deficiências congênitas ou, acidentalmente, adquiridas.

O Universo assistiu maravilhosos espetáculos, de cores e coreografias, cenários multicores de destreza, força de vontade e, sobretudo superação. Levando aos lares do mundo uma competição Intercontinental, abrilhantada pelo avanço da tecnologia, somado ao interesse de governantes ou mandatários espalhados nesse horizonte de expectativa.

É por demais emocionante, o sorriso estampado na face de cada personagem desse cenário, abrilhantado pela satisfação dos familiares desses heróis da resistência, presentes ou acompanhando pelo avanço cibernético, maravilhas de efeitos especiais, também naturais, que encheram os olhos das diversas camadas que compõem a face da imensidão das terras criadas e presenteadas por DEUS.

Naquele majestoso ambiente de paz e felicidade, milhares de pessoas, das mais diversas raças e gerações, corroboravam a satisfação daquelas criaturas, que ostentavam as bandeiras dos seus países,, com o sentimento de heroísmo, quando da conquista de uma medalha, ou do sucesso em cada disputa, mantendo, também a resignação. Quando o destina era adverso.

A maior de todas essas venturas e aventuras, essa secular prática olímpica, chega em boa hora, para oferecer a percepção de que as mutilações ou a congênita falta de algum membro ou órgão sensorial, sempre encorajados ante o sentimento daquela corrente prá, parecendo que cada Nação, País ou província, nivelavam-se na hora do abraço, cordial ou fraternal.

O mundo, nesse século, viveu e viverá as glórias e alegrias constantes, que marcaram essas ilustres presenças, e foram premiadas com a sensatez de habitantes de continentes, dos mais extensos aos de portes menores.

O nosso amado País, competiu, em pé de igualdade, com gigantescas agremiações, mantendo a altivez e a hombridade, de uma Pátria Histórica e altaneira denominada BRASIL

Bem aventurados os nossos Patriotas ou patrícios, que arregimentaram esforços, ao mandar para a bela e tradicional França, heroica e combatente, esses bravos guerreiros, quando convocados para defenderem a honra e a glória de uma histórica e bem vivida existência.

Que o povo brasileiro guarde na memória, essa deslumbrante passagem dos nossos dignos representantes, no cenário magnífico das Olimpíadas criadas e organizadas para mostrar ao Mundo, que essa Nação Brasileira, não obstante as desigualdades sociais reinantes, deixa sua marca de vitórias e de determinação, quando, chamada ou convidada para importantes eventos, com o reconhecimento por aqueles que se preocupam com os destinos e adversidades que têm marcado essa trajetória com dignidade e respeito.

O mundo, numa de alcance amplificado, recebeu uma magistral lição de que muitos talentos permaneciam e outros, ainda, permanecem, fora visão social, em razão de algo acidente genético ou contraído, adquirido, ou intencionalmente, mutilado, objetivando conquistas espúrias, como todos já conhecem, considerando que a Legislação brasileira, na forma literal (objetiva), a Lei na sua forma subjetiva (o Direito), sofre flexibilidade na livre interpretação, com dupla vertente, derivando, assim, em uma, na horizontalidade dos fatos – Outra, na verticalidade dos atos de onde nasce o livre convencimento, elemento subjetivo, que, em tese percorre uma via “CRUCIS” denominada, fase recursal, onde muitas vezes, aplica-se a Hermenêutica da Conveniência, muitas vezes, na contramão dos fatos.

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Jardim Tambauzinho; Sérgio Botelho

 

Pode ser uma imagem de aeronave e a texto

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Jardim Tambauzinho mSérgio Botelho
– Encontrei nesses dias significativa notícia de jornal a servir de testemunha sobre nossa evolução urbana. Na edição de 21 de outubro de 1952, de A União, sob o título “A Cidade Sobe”, uma nota festejou o crescimento da urbe pessoense na direção do Leste “em busca da brisa solta e das paisagens mais amplas da orla litorânea”, segundo o texto, sob a responsabilidade do próprio jornal.
A notícia tratava do loteamento do “futuro Jardim Tambauzinho”, conduzido pelo governo paraibano, a quem o sítio pertencia, por meio do Banco do Estado, tendo sido “grande o interesse despertado junto aos proprietários em adquirir um terreno naquele setor da urbe, para edificação de uma casa residencial, num ponto que mais tarde será considerado o melhor de toda a cidade”, considerava o texto, realçando também o fato de já terem sido vendidos 700 dos 1.200 terrenos do loteamento. Apesar de firmada entre as décadas de 1920 e 1930, apenas com a sua pavimentação, naquele início da década de 1950, é que a Epitácio Pessoa passou a significar, mais efetivamente, a ampliação da capital paraibana no rumo do mar (lembrem-se que a cidade foi inaugurada cerca de 350 anos antes disso).
Na área em que hoje se encontra Tambauzinho, conhecida como Imbiribeira, funcionava o Campo de Aviação, justamente, como sugere a denominação, onde baixavam aeronaves com destino a João Pessoa. Também na década de 1950 é que foi construído, na região, o I Grupamento de Engenharia, no terreno onde funcionara a Escola Agropecuária da Imbiribeira.
Naquele momento, em ponto mais à frente, na Epitácio, o Montepio do Estado e a Caixa Econômica estavam construindo o Jardim Miramar, o destacado bairro que hoje representa uma das áreas mais nobres, do ponto de vista arquitetônico e de valor em dinheiro por m², então, um pretenso, depois consolidado, conjunto habitacional. Em marcha batida, a cidade se expandia rumo às praias. Hoje, Tambauzinho e Miramar são, apesar da importância de ambos, apenas partes da imensidão que representa o Leste pessoense e suas muito vastas adjacências.
Na foto, o Campo de Aviação da Imbiribeira, parcela da hoje Tambauzinho.
www.reporteriedoferreira.com.br Por Sérgio Botelho, jornalista, poeta, escritor.



UNE – UM EXEMPLO DE RESISTÊNCIA POLÍTICA NA DITADURA Por Rui Leitao

UNE – UM EXEMPLO DE RESISTÊNCIA POLÍTICA NA DITADURA

É sempre através da juventude estudantil que a renovação política se estabelece, tendo a escola como importante agente de transformação social. Os Jovens estiveram na vanguarda das lutas democráticas em todo o mundo. No Brasil esse movimento político teve na UNE – União Nacional dos Estudantes, a construção de uma história de lutas pela democracia, liberdade e justiça social.

Fundada em 11 de abril de 1937 passou a ser a entidade máxima dos estudantes brasileiros. Seu primeiro presidente oficial foi o gaúcho Valdir Borges, eleito em 1939. Porém, quando da instauração da ditadura militar em nosso país, uma de suas primeiras ações foi metralhar e incendiar sua sede, no Rio de Janeiro, na noite do dia 31 de março de 1964. A partir de então foi desenvolvida uma perseguição que resultou na prisão, tortura e execução de centenas de estudantes. Na época era presidida por José Serra, que, inclusive, havia sido um dos oradores do Comício da Central do Brasil, poucos dias antes do golpe. A Lei Suplicy de Lacerda a colocou na ilegalidade, permanecendo dessa forma por 20 anos, até quando foi aprovado pelo Congresso Nacional o projeto, de autoria do deputado e ex-presidente da UNE Aldo Arantes, que a tirava da clandestinidade.

Mesmo tendo sua entidade na ilegalidade, os estudantes se organizaram a nível nacional, no ano de 1968, num movimento deflagrado com o assassinato do estudante Édson Luís, no Rio de Janeiro. Foi um ano de muita efervescência política, com a juventude nas ruas protestando contra o regime ditatorial em vigência. Em outubro tentaram realizar o 30º. Congresso Nacional da UNE, de forma clandestina, no sítio Ibiuna , em São Paulo, com participação de mais de mil estudantes vindos de todos os estados do Brasil. O local foi invadido por 400 pollciais prendendo quase todos com base na Lei de Segurança Nacional. Dentre eles muitos paraibanos. A politização crescente do movimento estudantil fez com que passasse a ser motivo de preocupação cada vez maior nos círculos militares, concorrendo para que em dezembro fosse editado o AI-5 – Ato Institucional número 5, quando se iniciou um período de punições mais severas com o objetivo de desmobilizar o movimento.

Em 1972, seu presidente Honestino Guimarães foi sequestrado e morto, assim como outros dirigentes estudantis que sofreram torturas e alguns desapareceram sem que até hoje se tenha notícia deles. A heróica luta de resistência foi, então, destroçada pela repressão violenta. Porém, no ano de 1977, os estudantes voltaram às ruas promovendo grandes passeatas, culminando com a realização do chamado “Congresso da Reconstrução”, acontecido em Salvador, em 1979, marcando o fim de seis anos sem a eleição de uma diretoria de forma direta, oportunidade em que foi eleito presidente o baiano Rui César Costa Silva.

Em represália, o presidente João Figueiredo mandou demolir o prédio da UNE na Praia do Flamengo, o mesmo que havia sido invadido e incendiado na noite do Golpe de 64. Houve uma reação dos estudantes numa manifestação pública, na cidade de Piracicaba, São Paulo, que contou com a presença do então sindicalista Luis Inácio Lula da Silva, sendo reprimida pelas forças opressoras do governo. Três anos depois o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, cede à UNE o casarão da Rua do Catete, 234, onde passou a funcionar. A devolução definitiva do prédio da Praia do Flamengo só veio a acontecer em 1994, por decisão do presidente Itamar Franco. O presidente Lula, ao final do seu segundo mandato, em 2010, lançou, no local, a pedra fundamental para as obras de reconstrução da nova sede da entidade.

A UNE participou intensamente de vários episódios da história política do Brasil, desde a sua fundação no ano de 1937. Mas foi nos chamados “anos de chumbo” que ela se destacou pela resistência ao golpe civil-militar de 1964 e à ditadura que se instalou na sequência dos fatos, alçando a um papel bastante ativo em nível nacional. Essa história não pode ser apagada.

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PABLO MARÇAL E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Por Rui Leitão

PABLO MARÇAL E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Por Rui Leitao

O coach neopentecostal Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo por um partido de aluguel, o PRTB (segundo ele próprio porque foi o único que aceitou lançá-lo na disputa eleitoral), é declaradamente um propagador da Teologia da Prosperidade. Assume com entusiasmo ser integrante dessa corrente teológica que tem como eixo central a comercialização da fé cristã, deturpando ensinamentos bíblicos. Seu discurso é fundamentalista e pautado na visão político-social da extrema direita, combinando neoliberalismo com ultraconservadorismo.

Possuindo mais de 12 milhões de seguidores no Instagram, procura se utilizar desse quantitativo de admiradores para torná-lo um capital político, bem ao estilo de muitos líderes religiosos que transformam púlpitos das igrejas em palanques eleitorais. O tom messiânico de suas falas, vendendo a tese da prosperidade e alimentando o fantasma do comunismo, mistura seus argumentos com passagens bíblicas. Recentemente, provocou um debate acalorado com o pastor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, Rio de Janeiro, quando chegou a afirmar que Jesus Cristo não teria acumulado riqueza durante sua estada na Terra pela falta de esposa e filhos. Rebatendo, com firmeza, essa estapafúrdia declaração, o líder religioso assim se pronunciou: “Lamentavelmente essa teologia espúria é o mais novo modismo eclesiástico que paulatinamente tem desvirtuado e corrompido a igreja brasileira, com mensagens desprovidas da graça de Deus”. E acrescentou: “o coach prega outro evangelho. A pregação verdadeiramente cristã não pode ser reduzida à busca por riquezas materiais, sem dar importância aos valores espirituais”.

Esse é o Pablo Marçal, um espertalhão, autocentrado e capaz de qualquer coisa para conquistar seus objetivos políticos. Em entrevista à Globo, disse, sem meias palavras, que o processo eleitoral é uma guerra onde “vale tudo”, disparando ofensas e todo o tipo de baixaria contra seus adversários. Apresenta-se como bem qualificado para o “show de horrores” em que se transformou a política brasileira nos últimos cinco anos. O preocupante é que consegue agradar boa parte do eleitorado que confunde irresponsabilidade com autenticidade e hostilidade com firmeza. É um vigarista digital que ganha corpo na disputa política apregoando a famigerada meritocracia, sem qualquer preocupação com o senso de justiça social.

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