PGR QUEBRA A CULTURA DA IMPUNIDADE; Rui Leitao 

PGR QUEBRA A CULTURA DA IMPUNIDADE; Rui Leitao

Ao denunciar um ex-presidente da República e mais de uma dezena de militares de alta patente, a Procuradoria Geral da República faz história pelo ineditismo do procedimento em nosso país. Desde a proclamação da república a vida política brasileira tem sido marcada por golpes militares que provocaram ruptura constitucional, crimes de Estado e desrespeito a direitos fundamentais, muitas vezes com apoio das elites e da mídia.

Havia uma tradição de impunidade civil e penal aos que praticavam atos criminosos e anti-democráticos, especialmente quando se tratavam de militares. Concordo que é preciso distinguir a instituição das pessoas que tentaram e participaram dos planos golpistas. Mas, até que enfim, aprendemos com a lembrança de episódios violentos do passado, tomando decisões que possam evitar a sua repetição. A palavra “impunidade” se origina do latim, “impunitas”, que significa isenção do castigo. Analisando, conforme o entendimento jurídico, a compreensão é de que se trata da não aplicação de uma determinada pena criminal atribuída a quem cometeu delitos previstos na legislação.

Quando sugere a responsabilização dos agentes envolvidos nos ataques às instituições constitutivas da democracia, comprovando que agiram estruturalmente organizados, a Procuradoria Geral da República quebra precedentes históricos, produzindo efeito didático sobre as futuras gerações. A legislação em vigência prevê a punição para crimes contra a ordem democrática, como tentativa de golpe. Portanto, aplicá-la é uma exigência no sentido de que seja garantida a preservação institucional. É indiscutível que a impunidade torna-se a principal estimuladora da prática de ilegalidades. A punição aplicada à conduta infracional tem efeito inverso, reduzindo os conflitos sociais e conduzindo para uma convivência pacífica. O fato é que a conduta ilícita, criminosa ou não, precisa ser combatida eficazmente, com punição ao infrator, para que não seja banalizada e sirva de incentivo para que seja seguida pelos demais, expandindo-se rapidamente.

As digitais desse pessoal relacionado como acusados na denúncia da Procuradoria Geral da República estão na intentona golpista do oito de janeiro de 2023. Portanto, a punição aos idealizadores e promotores daquela barbárie pode assegurar ao país uma democracia sólida. É importante que se recuse propostas de reconciliação política sem processo e punição dos responsáveis por crimes de Estado e tentativas de golpe. Então, a anistia que está sendo solicitada por lideranças da extrema direita, por conveniências políticas, concorreria para o risco de cairmos novamente em uma espiral de violência por conta da impunidade. Há uma frase latina que diz: “impunitas peccandi illecebra”: a impunidade estimula a delinquência.

Anistiar pode representar o esquecimento e a normalização dos crimes contra o Estado e os cidadãos. O perdão irrestrito é uma afronta à justiça e à sociedade, que tem se manifestado por pesquisas de opinião pública contrária a qualquer iniciativa de anistia aos golpistas. Essa cultura histórica da impunidade, com anistias que beneficiam criminosos políticos, não pode ser perpetuada. Punir os que transgridem normais legais deve ser visto como um ato civilizatório. A denúncia da Procuradoria Geral da República sinaliza a quebra desse ciclo vicioso e se afirma como um documento de valor histórico. Afinal de contas há um princípio tão jurídico, quanto civilizado, de que a lei é para todos. Precisamos vencer, então, essa síndrome de impunidade que existe no país.

www.reporteriedoferreira.com.br   Rui Leitão- Advogado, jornalista, poeta, escritor




O ANTAGONISMO.POLÍTICO DOS ANOS 1968 E 2018; Rui Leitao

 O ANTAGONISMO.POLÍTICO DOS ANOS 1968 E 2018

O ano de 1968 caracterizou-se pelo fortalecimento dos movimentos de esquerda nos países do Ocidente, tanto no plano político, quanto no ideológico. Fatores históricos, culturais e políticos suscitaram um movimento social chamado de contracultura, concorrendo para a emergência de novas “identidades” coletivas. Ficou conhecido como “o ano que não terminou”. Vivi essa época.

Eram atos de vontade política, com manifestações contrárias à concepção de mundo até então vivenciada, em todas as suas vertentes. Os jovens, representando esse movimento revolucionário, ocuparam as ruas desfraldando as mais diversas bandeiras: o feminismo, a luta pela paz mundial, críticas às formas burocráticas de organização social, contra…
[05:56, 18/02/2025] Rui Leitao Jornalista: O CONSERVADORISMO MORAL

Nos últimos dez anos passamos a conviver com uma batalha moral no ringue da política brasileira. A extrema direita baseada no lema “Deus, Pátria e Família”, procura construir entre nós o retorno a estruturas colonialistas do passado. O conservadorismo moral, que caracteriza ideologicamente o bolsonarismo, está no cerne das lutas por narrativas que têm garantido o fortalecimento da direita nacional-populista pós-moderna, ao despertar múltiplos alicerces morais em seus seguidores. Considerando que o Brasil tem uma população majoritariamente conservadora em relação aos costumes, à moral e à cultura, esse discurso utilizado tem um forte apelo emocional.

O conservadorismo é um pensamento político que se diz defender a manutenção das …
[07:34, 19/02/2025] Rui Leitao Jornalista: EUA: SOB O DOMINIO DOS PLUTOCRATAS

Quando as decisões políticas são definidas por grupos econômicos que se instalam no poder com a finalidade de defender seus próprinteresses, as democracias se transformam em plutocracias. É o que está acontecendo nos Estados Unidos, a partir da posse de Donald Trump. Nada menos do que 11 bilionários da indústria armamentista, do petróleo e das big techs (os novos reis do capitalismo de plataforma) integram o seu gabinete, com destaque para o neonazista sul-africano Elon Musk, hoje considerado o capitalista mais rico do mundo.

Esses magnatas têm uma riqueza conjunta em valor superior ao PIB de 154 países. É evidente que esses privilegiados capitalistas estão exercendo influência no governo norte-americano com o objetivo …
[08:44, 20/02/2025] Rui Leitao Jornalista: AGONIA E MORTE DE TANCREDO NEVES

Tancredo Neves, primeiro presidente civil eleito após a ditadura militar, mesmo que pelo voto indireto, já sentia fortes dores abdominais durante o período da campanha. Mas procurava esconder, com receio de que o ditador de plantão, general Figueiredo, por conta disso, resolvesse adiar a eleição programada para 15 de janeiro de 1985. Disfarçava tomando antibióticos às escondidas. Além da doença a que estava acometido, tinha outra preocupação. Sabia que seu vice, José Sarney, não era bem visto pelos militares, a quem consideravam um traidor, pois antes presidira o partido que dava sustentação ao governo, o PDS, renunciando para compor a chapa de oposição. Temia que na impossibilidade de assumir a presidência, não permitissem…
[06:57, 21/02/2025] Rui Leitao Jornalista: O VERDADEIRO AMOR PÁTRIO

O próprio termo ufanismo já define o exagero no sentimento de orgulho que se tem por algo. No caso trataremos desse ufanismo patriótico que tentam vender. “A pátria acima de tudo”, expressa um nacionalismo imoderado e fora dos padrões de racionalidade. Quem ama algo acima de tudo, constrói um falso entendimento de que tudo é possível fazer em nome desse amor. Até o que contraria a moral e a ética.

Amor pátrio não se harmoniza com divisão entre compatriotas. No amor pátrio devemos exercitar o espírito de fraternidade entre todos os que nasceram e pisam o mesmo solo, sem qualquer distinção entre eles. O amor pátrio não permite reverenciar outras nações, numa atitude de submissão e dependência. Quando se ama de verdade, nasce dentro …
[09:31, 22/02/2025] Rui Leitao Jornalista: A NECESSIDADE DA MÍDIA INDEPENDENTE

Numa sociedade que se diz democrática, é essencial que se tenha uma mídia que oferte espaços para a pluralidade de vozes e de fontes, se possível distanciada de interesses financeiros e político-partidários, garantindo, assim, uma comunicação isenta e imparcial. É indiscutível que o poder da comunicação influencia na opinião pública. Por isso mesmo, é importante a participação dos cidadãos no contexto informativo e comunicacional. O jornalismo responsável tem que estar sempre atento às questões dos direitos e à sua violação, especialmente pelas autoridades.

A evolução da tecnologia fez surgir as redes sociais, tornando a mídia mais acessível e democrática, contribuindo para que haja uma diversidade maior de vozes e manifestações. Mas não podemos ignorar que essa democratização igualmente permitiu a disseminação de informações falsas, a manipulação de conteúdo e polarização política. A Constituição de 1988 estabelece o direito à livre manifestação de pensamento, mas é necessário considerar os impactos e ingerência dessa liberdade de comunicação nas decisões políticas e sociais.

A mídia, nas suas mais variadas formas, falada, escrita, televisada e através dos meios sociais, lamentavelmente, muitas vezes desinforma com propósitos políticos e ideológicos. Daí a necessidade do fortalecimento da mídia independente, com a responsabilidade de desempenhar um papel vital na luta por direitos e justiça social, atuando como ferramenta poderosa para promover transformações sociais. Para que isso aconteça, é necessária sua autonomia em relação a interesses comerciais e políticos, operando fora do controle da mídia tradicional, dando prioridade à liberdade editorial.

Os oligopólios multimídias, dominados por grupos familiares e políticos, como também a forte influência dos grandes anunciantes, interferem no processo de produção das informações expostas ao público, atingindo corações e mentes com o objetivo de consolidar suas concepções de mundo, em relação à política, à economia, comportamento e cultura. É perigoso deixar que eles sejam os únicos formadores de opinião. A mídia independente, ou alternativa, se apresenta como um antídoto a essa capacidade da mídia tradicional, formulando juízos próprios sobre temas, fatos, personalidades ou valores, sem direcionamento determinado pelas forças dominantes da sociedade. Através dela, é possível aumentar o nível de consciência da população, se contrapondo ao que Gransci denominou de senso comum – o conjunto de valores e ideias aceitos por todos. O jornalismo crítico e sem amarras mercadológicas, produzido pela mídia independente, mostra que é possível superar o cenário de subserviência aos interesses políticos e individuais dos grupos empresariais.

www.reporteriedoferreira.com.br    Por Rui Leitão- Advogado, jornalista, poeta, escritor




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Elegia ao memorialismo Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Elegia ao memorialismo
Sérgio Botelho
– Apesar do complicado trânsito nas redondezas da Avenida General Osório com a Rua Conselheiro Henriques, por conta de justificada armação de um imenso palco destinado, a partir de hoje, ao Folia de Rua, foi imensamente gratificante o lançamento do livro “João Pessoa, Uma Viagem Sentimental”, nessa quinta-feira, 20, no Bistrô 17, no Centro Histórico de João Pessoa, que acabou se transformando numa verdadeira elegia ao memorialismo.
Mesmo que muita gente tenha sido forçada a desistir, diante das dificuldades de deslocamento, a quantidade de pessoas presentes, e sua representatividade na vida pessoense, garantiu o sucesso do evento. Um sucesso bem traduzido pelo prefaciador do livro, o acadêmico, poeta e escritor, Hildeberto Barbosa Filho, na apresentação que fez naquele instante, quando exaltou sua emoção intelectual com o fazer memorialista, simbolizado não apenas pelo livro que estava sendo lançado, como também pelo anterior, “Memórias da Cidade de João Pessoa”, e de um próximo, na linha da afetividade, composto pelo registro de vivências da cidade, onde se incluem figuras que acabaram contribuindo, em sua existência, para a identidade de João Pessoa. Importante anotar que a evocação do passado, feita, entre outras iniciativas, por meio da escrita memorialista, não se limita à nostalgia: é, antes, um esforço para compreender a cidade em sua trajetória e nos múltiplos significados que ela assume para diferentes gerações.
O reconhecimento disso ficou evidente na fala de Hildeberto, um amigo de décadas, ao destacar o valor simbólico dessas narrativas para a identidade pessoense, transitando entre recordação e memória, para alcançar a construção de um imaginário coletivo que fortalece a cultura local. Pois bem, a partir de hoje a cidade entra no ritmo do Folia de Rua, uma magnificência foliã que resgata as nossas melhores tradições carnavalescas, centradas no frevo e no passo. Durante os próximos dias, vários blocos percorrerão ruas que moldaram a cidade, mergulhando, portanto, na própria história, reativando memórias de outros carnavais e de costumes que fizeram a vida boêmia da capital paraibana.
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O corso carnavalesco e o frevo; Sérgio Botelho

Hermano José Falcone de Almeida

O corso, Sergio Botelho
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O corso carnavalesco e o frevo
Sérgio Botelho – O carnaval em João Pessoa, acompanhando o que acontecia no país inteiro, teve, entre seus destaques, durante décadas, um ruidoso, adornado e alegre destile de carros. Estou falando do corso, que, aos trancos e solavancos, conseguiu chegar à década de 1970, quase todo esse tempo, na Duque de Caxias.
Em suas primeiras décadas, entre as de 1920 e 1950, alguns clubes da cidade até investiam em carros alegóricos, que disputavam prêmios. Majoritariamente, porém, eram carros particulares levando famílias inteiras ou grupos organizados em blocos que jogavam confete e serpentina e lança perfume uns nos outros, na maior elegância. No entanto, com o decorrer do tempo, seus últimos anos, em João Pessoa, foi marcado por muita água jogada uns nos outros, junto com pó e maisena, esculhambando tudo, embora de forma divertida.
Ainda nas décadas iniciais, contudo, o corso, em João Pessoa, sofria críticas em função do seu caráter elitista. Em bem-humorada crônica, assinada por José Cordato, A União publicou, às vésperas do Carnaval de 1934, irônicas críticas à referida prática carnavalesca. É preciso assinalar que na década de 1930, em João Pessoa, foi introduzido o frevo, ou o “passo”, como se dizia, fortalecendo a massa. Dizia, em certo trecho, a zombeteira crônica: “Nós, os que brincamos com o povo e que, por isso, temos a alma alegre e simples, não pretendemos restringir o direito de ostentação dos importantes, que folgam com pose e fidalguia.
O que desejamos, porém, é que essa gente fina e graúda não se julgue, no seu gordo egoísmo, como privilegiados foliões, com o direito de, dentro dos seus ricos autos, transitar pela rua Duque de Caxias, durante os folguedos. Assim, como lhe constrange se misturar com a turba – muita fervente, nós, os pobres e alegres passistas, lhe negamos o direito de nos esmagar, extirpar, aleijar e assustar”. Na crônica, os passistas, ao ritmo do frevo, reivindicavam que a Duque de Caxias tivesse tempos diferentes para o corso e para o “passo”. Há 90 anos.
Rua Duque de Caxias: Imagem dos carros no corso
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O ANTAGONISMO.POLÍTICO DOS ANOS 1968 E 2018 Por Rui Leitao

O ANTAGONISMO.POLÍTICO DOS ANOS 1968 E 2018

O ano de 1968 caracterizou-se pelo fortalecimento dos movimentos de esquerda nos países do Ocidente, tanto no plano político, quanto no ideológico. Fatores históricos, culturais e políticos suscitaram um movimento social chamado de contracultura, concorrendo para a emergência de novas “identidades” coletivas. Ficou conhecido como “o ano que não terminou”. Vivi essa época.

Eram atos de vontade política, com manifestações contrárias à concepção de mundo até então vivenciada, em todas as suas vertentes. Os jovens, representando esse movimento revolucionário, ocuparam as ruas desfraldando as mais diversas bandeiras: o feminismo, a luta pela paz mundial, críticas às formas burocráticas de organização social, contra o racismo, libertação nacional (nosso caso por estarmos sob o jugo de uma ditadura militar), ecologia, liberdade de expressão, direitos humanos, etc.

No Brasil as frentes de contestação política e social tiveram como protagonistas, os estudantes, os operários, e uma agitação cultural promovida por intelectuais e artistas. Foi, sem dúvida, deflagrada uma onda mobilizadora sem precedentes na nossa História, rebeliões sociais questionadoras da ordem reinante. O “Maio de 1968”, da França, foi diferente em nosso país. Aqui foi o ano inteiro, até o AI-5. A geração de 1968 pagou caro por ecoar o grito de rebeldia contra o sistema vigente.

Todavia, 1968 foi um ano mítico. Um marco simbólico. O sociólogo francês Edgar Morim diz que foi “o ano de êxtase da História”. No Brasil foi um movimento de vanguarda, com parte da sociedade reagindo contra o ataque à democracia que a ditadura militar estava impondo, sob o argumento de que essas manifestações populares eram lideradas por militantes da esquerda, consideradas pelo regime como “subversivas” ou “comunistas”. Porém foi uma geração que não se acovardou. Exerceu plenamente sua consciência crítica.

Quando fazemos o paralelo com o ano de 2018, vimos o Brasil dando uma guinada para a direita, com a concordância passiva de boa parte da população, incluindo aí muitos jovens. Se em 1968 todos lutávamos para sair da ditadura militar, em 2018 renasceu uma orientada ação política no sentido inverso.

Vitoriosos numa eleição estrategicamente municiada para levar a extrema direita ao poder, passaram a adotar medidas governamentais no sentido de negar o passado, estimulando posturas antidemocráticas, num esforço saudosista de considerar a ditadura militar como um regime que fez bem ao Brasil.

Tentaram a todo custo tornar esquecido o grito da geração 1968, em favor das liberdades democráticas.
O “mito” virou coisa séria, proferindo um falso discurso de anti-estabilishment, dando voz à contracultura conservadora. A inversão de 1968. Uma política que girou em torno de rótulos: “herói” ou “bandido”, entrando na curva escura do caminho. Entretanto, podemos concluir que de 1968 a 2018, a luta não terminou para os que defendem a democracia, abrindo perspectivas de uma nova era de inclusão social e desenvolvimento econômico. Os inimigos da democracia em 1968 vestiam farda. Em 2018 eles vestiam ternos e togas.

Felizmente, em 2022, a maioria do povo brasileiro acordou para a realidade. A democracia venceu.

Rui Leitão




PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Igreja do Rosário dos Pretos; Sérgio Botelho

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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Igreja do Rosário dos PretosSérgio Botelho – Na última crônica que publicamos, o assunto foi a nossa histórica rua Duque de Caxias, entre as mais antigas da cidade. Batizada de Rua Direita, a denominação, em muitas urbes portuguesas, era dada à principal artéria local, conectando, de forma ‘directa’, ou direita (embora, nem sempre reta), pontos importantes como igrejas, entradas da cidade ou sedes de governo.
No caso de João Pessoa, ligando os dois conjuntos católicos Franciscano e Jesuítico, sendo, o dos Jesuítas (na atual Praça João Pessoa), o último marco físico da cidade no rumo de Olinda e Recife. Em grande parte das urbes brasileiras, a exemplo de São Paulo e Recife, as ruas chamadas de Direita mantêm o nome até hoje. A rua, como vimos no texto de ontem, abriga prédios muito antigos, dos tempos coloniais, mas poderia abrigar mais, não fosse uma descabida tendência de parte de nossas elites dirigentes por modernidades, a todo custo, ainda que o obstáculo a ser vencido seja um marco histórico.
Foi o caso da Igreja de Nossa Senhora do Rosário (a da foto, com a cruz no alto) mantida pela Irmandade dos Pretos e Pardos, que havia na Rua Direita. Sem a mínima preocupação memorialista, voltada para o seu resguardo, logo puseram o templo católico no chão, sem qualquer respeito à sua origem seiscentista, visando a construção da Praça Vidal de Negreiros (o Ponto de Cem Reis). Muito menos consideração dispensaram ao atendimento que recebiam os pretos e pardos associados da Irmandade, beneficiados em seus apuros pela dita organização, dirigida por eles próprios. A igreja com a denominação de Nossa Senhora do Rosário foi reconstruída em Jaguaribe, com a direção inteiramente entregue ao clero secular, portanto, sem a Irmandade. No final do episódio, quem perdeu foi a memória urbana, cultural e religiosa da cidade, além dos escravos e seus descendentes, impiedosamente privados do amparo que a Igreja do Rosário dos Pretos lhes proporcionava.
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poeta, escritor



CRIMES MULTITUDINÁRIOS; Rui Leitao

CRIMES MULTITUDINÁRIOS

No fatídico dia 08 de Janeiro de 2023, o Brasil assistiu a fúria antidemocrática de uma multidão delinquente. Ali, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, eram praticados os chamados “crimes multitudinários”. Uma massa manipulada, em situação de grande excitação, invadiu e depredou o patrimônio público, com motivações políticas que fugiam a padrões éticos, morais e sociais. Percebia-se a participação voluntária de um grupo grande de pessoas cometendo as mesmas infrações penais.

A autoria múltipla dos crimes estava explicitamente demonstrada, sendo reconhecida pela maioria dos ministros do STF. A denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República – PGR acusou os envolvidos da prática de vários crimes, tais como: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Desnecessário se faz, portanto, descrever a conduta de cada um dos executores das ações criminosas, porque, naquela oportunidade, é ao conjunto de pessoas que se imputa a responsabilidade pela consumação dos delitos denunciados, em flagrante atentado contra o Estado Democrático de Direito. O tumulto generalizado que produziu a quebradeira coletiva, foi resultado de uma ação organizada para tal fim. Faz-se necessária, pois, uma condenação exemplar, para que nunca mais voltem a acontecer movimentos delituosos como aqueles do dia 8 de janeiro.

Configuram-se autorias colaterais nas atividades criminosas ali executadas, em evidente conexão intersubjetiva concursal, na manifestação de acordo de vontades, seja tácito ou expresso. Não se pode alegar a ausência do domínio final do fato. Havia uma associação criminosa com características terroristas que precisa ser responsabilizada penalmente. Movimentos que descambam para a violência e com incidentes gravosos contra pessoas e depredações dos bens públicos e de terceiros podem ser classificados como fatos multitudinários. Quando se verifica comportamento coletivo que provoca distúrbios nas vias públicas, perdem-se as individualidades e a capacidade de juízos morais. Nesse julgamento histórico que está acontecendo no STF define-se a responsabilidade penal no contexto de massas, fundamentada na tese do “crime de multidão”.

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Ex-advogado é preso após invadir OAB para fugir de prisão em João Pessoa

Cidade da Polícia Civil em João Pessoa (Foto: redes sociais)

Um ex-advogado do Rio Grande do Norte foi preso pela Polícia Civil da Paraíba nesta quinta-feira (6), após invadir o prédio da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Paraíba (OAB-PB) em João Pessoa, para se esconder da Justiça.

Segundo  informações da Polícia Civil, o advogado atuava na cidade de Caicó, na região do Seridó do Rio Grande do Norte.

Ele teve a carteira da OAB suspensa e estava foragido, depois de cometer o crime de lesão corporal gravíssima no trânsito, o que causou amputação dos membros inferiores da vítima.

Na mesma ação, um criminoso que estava foragido de Alagoas por tráfico de drogas também foi preso pelos policiais, com apoio da Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol) da Polícia Civil de Alagoas.

As prisões foram realizadas através das Delegacias de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e Especializada de Combate à Circulação e Comercialização Ilegal de Arma de Fogo, Munições e Explosivos (Desarme).

 




Vital Farias foi grandioso demais Por Sérgio Botelho

Vital Farias foi grandioso demais
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Sérgio Botelho – A Paraíba perdeu, nesta quinta-feira, 06 de fevereiro, um de seus maiores gênios musicais, nascido em Taperoá, nos idos de 1943: Vital Farias. Fomos amigos nos idos da primeira metade década de 1970, especialmente na Universidade do Ponto de Cem Reis, também ocupado por um seu parceiro e amigo, o renomado Livardo Alves, onde corria solto os lamentos contra a ditadura brasileira.
Em João Pessoa, ainda, Vital Farias foi uma das figuras mais emblemáticas do velho Boiadeiro, de Bento da Gama, no Baixo Tambaú, que o inspirou na composição de uma de suas músicas, não muito divulgada, mas tão bela quanto todas as que fez, em letra e melodia.
No Sul, como não poderia deixar de ser, ele se transformou num dos nomes mais importantes da música brasileira – ganhando destaque, em memoráveis trilhas de novelas da Globo -, pela sua profunda ligação com a cultura popular e capacidade de traduzir, em versos e melodias, as paisagens, histórias e sentimentos do povo nordestino.
Vital Farias se notabilizou por um trabalho que valoriza a oralidade, a memória e a musicalidade do sertão. Suas composições trazem influências da cantoria de viola, do repente, do coco de roda e do forró, sempre com um refinamento poético emocionante.
A canção “Saga da Amazônia”, uma de suas obras mais emblemáticas, virou hino de denúncia contra o desmatamento e a exploração da Amazônia, sendo reconhecida como uma das mais impactantes composições sobre a questão ambiental no Brasil. Com versos fortes e uma narrativa dramática, a música reforça a preocupação do artista com temas sociais e ecológicos.
Seu estilo refinado no violão, aliado a letras poéticas e engajadas, faz dele um dos compositores mais respeitados da MPB. Apesar de ter mantido uma trajetória discreta nos últimos anos, sua obra continua a ser referência para novas gerações de músicos nordestinos e estudiosos da música popular brasileira.
Na Paraíba, Vital Farias deve ser lembrado como um dos artistas mais autênticos da terra, um defensor da cultura sertaneja e um narrador das belezas e desafios do Nordeste. Sua produção musical não apenas resgata e preserva as tradições populares, mas também dialoga com questões contemporâneas, mantendo sua relevância ao longo das décadas.
Seu nome está definitivamente inscrito entre os grandes da música brasileira, consolidando um legado que transcende o entretenimento, e também o episódico, e se firma como patrimônio cultural, representando o Nordeste em sua essência mais profunda.
Sua ida deixa em todos nós uma profunda saudade e um irreparável sentimento de perda!
Siga em paz velho trovador!
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AS GUERRAS DE TORCIDAS ORGANIZADAS ; Rui Leitao

AS GUERRAS DE TORCIDAS ORGANIZADAS

No último sábado, dia 1º., as ruas de Recife tornaram-se palco de cenas de extrema violência com a ocorrência de agressões brutais, bombas, depredação em vários bairros e até saques, protagonizados por torcedores do Santa Cruz e Sport. O acontecimento suscita a necessidade de que se promova um amplo debate sobre a questão. É lamentável que o futebol, reconhecidamente um elemento de expressão e significado da cultura brasileira, se transforme em motivo de transgressão da ordem social, a partir de rivalidades entre torcidas organizadas, adotando comportamentos agressivos de confrontos.

O estado de impunidade tem contribuído para que esses conflitos tornem-se frequentes. A concretização dos atos violentos está relacionada a paixões irracionais, estimuladas por integrantes de torcidas organizadas com perfil criminoso. Os indivíduos que fazem parte desses grupos, ainda que heterogêneos, se unem sob a forma de rivalidade com grupos semelhantes, para fins determinados e se comportam conduzidos pelo que Freud classificou como “instinto social”, agindo por impulsos que se manifestam por excitações mútuas.

Através das redes sociais, as torcidas organizadas se comunicam e acertam encontros que se tornam verdadeiras operações de guerra, com ações coletivas de vandalismo, depredação e hostilidades recíprocas. Em boa parte dos casos são formadas por gangues, nas quais a transgressão e a brutalidade se manifestam. Diferentemente do torcedor comum que se restringe a ser um mero espectador de uma partida, o “torcedor organizado” entende que faz parte do próprio espetáculo, só que de maneira totalmente fora dos padrões de civilidade que a prática esportiva recomenda, transformando os estádios e arredores em ambientes de tensão e afastando os cidadãos que gostam do futebol dos eventos esportivos, com receio, inclusive, de levar suas famílias para assistir partidas em que participem seus times de preferência.

Proibir torcidas adversárias em clássicos, aumentar a segurança fora e dentro dos estádios, criar novas leis e punir com perda de pontos e aumentar o valor da multa para os clubes dos torcedores envolvidos, não têm sido ações suficientes para conter essas barbáries cometidas pelas torcidas organizadas. Há de se perguntar: o que fazer, então? É preciso punir severamente, com a aplicação das leis, esses indivíduos que abrem mão de suas individualidades e de suas identidades pessoais, para, em nome do grupo, praticar excessos com manifestações destrutivas. A violência entre torcidas organizadas não pode assumir características de acontecimento banal. Ela é, antes de tudo, uma preocupação social, que necessita ser analisada pelas autoridades competentes, buscando corrigir as evidentes falhas na aplicação da ordem legal.

Talvez estabelecer condições de diálogos e pactos entre torcidas e dirigentes esportivos, bem como orientações pedagógicas direcionadas às torcidas, de forma a contribuir para que o futebol não perca a sua condição de espetáculo, acabando com as brigas entre torcedores.

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